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Metrópoles

Coloproctologista conta os sintomas da síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável (SII) é um distúrbio gastrointestinal que afeta o funcionamento do intestino e pode provocar sintomas crônicos e recorrentes. A condição não causa lesões permanentes, mas costuma trazer desconforto e interferir na rotina, já que as manifestações variam em intensidade e frequência ao longo do tempo.

A coloproctologista Aline Amaro, da clínica Primazo, em Brasília, explica que os sinais mais frequentes envolvem dor ou desconforto abdominal, sensação de inchaço, gases e alterações no hábito intestinal. “Pode variar mais para diarreia, mais para intestino preso, ou alternando entre os dois”, afirma.

Segundo a médica, é comum que a dor se relacione às evacuações e que as fezes mudem de consistência. O quadro costuma alternar entre períodos de crise e melhora, o que gera insegurança no dia a dia.

“O impacto costuma ser grande na rotina, porque a pessoa passa a ter medo de comer fora, de viajar, de trabalhar longe do banheiro, ou de ter sintomas em situações de estresse”, diz Aline.

Sintomas exigem investigação

síndrome do intestino irritável pode se confundir com condições mais graves. “O que acende alerta para causas mais graves é quando aparecem sinais como sangue nas fezes, anemia, febre, perda de peso sem explicação, diarreia que acorda a pessoa à noite, dor progressiva que não melhora, massa abdominal, ou início dos sintomas em idade mais avançada, especialmente após os 50 anos”, afirma Aline.

Nessas situações, é necessário investigar com exames laboratoriais, análise de fezes e, em alguns casos, colonoscopia, para descartar doenças inflamatórias intestinais ou câncer colorretal.

Quem tem mais risco de desenvolver a síndrome

A gastroenterologista Daniela Carvalho, da clínica Gastrocentro, em Brasília, explica que há um perfil mais comum entre os pacientes. “A SII é mais comum em mulheres, adultos jovens e pessoas com níveis elevados de estresse e ansiedade”, diz.

A médica reforça que fatores emocionais costumam influenciar o quadro, mas não se trata de um problema “apenas psicológico”. Ela explica que o intestino e o cérebro se comunicam diretamente, o que pode intensificar sintomas em períodos de pressão emocional.

“Também é comum que pacientes com sono ruim ou em períodos de alta pressão emocional tenham sintomas mais intensos, não porque ‘é psicológico’, mas porque existe uma comunicação direta entre intestino e cérebro”, afirma Aline.

Alguns casos começam após episódios de infecção intestinal, chamada síndrome do intestino irritável pós-infecção.

O que piora as crises

Os gatilhos variam de pessoa para pessoa, mas alguns fatores aparecem com frequência. “Os mais comuns são períodos de estresse, ansiedade, noites mal dormidas, rotina desorganizada e alguns padrões alimentares, principalmente refeições volumosas, comer rápido, excesso de gordura, álcool, muita cafeína, bebidas gaseificadas e alimentos que fermentam mais em algumas pessoas”, explica Aline.

Daniela completa que alimentos fermentáveis, alterações hormonais e privação de sono também podem intensificar os sintomas. Segundo ela, em mulheres, é relativamente comum haver piora no período menstrual, por influência hormonal e maior sensibilidade à dor.

Tratamento

O tratamento da SII envolve mudanças individualizadas na alimentação, além de estratégias para manejar o estresse e melhorar o estilo de vida. Medicamentos também podem ser necessários em alguns casos.

“A SII não é grave, mas pode ser limitante, e com acompanhamento adequado, é possível controlar os sintomas e recuperar qualidade de vida”, conclui Daniela.

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