
Uma clínica veterinária de São José da Tapera foi interditada, nesta segunda-feira (18), durante ação da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. No local, ocorriam cirurgias irregulares em animais e comércio de agrotóxicos. No edifício de primeiro andar, funcionavam uma clínica veterinária e uma casa de produtos agropecuários, que pertencem ao mesmo proprietário.
Ao chegar no andar superior do prédio, os técnicos da equipe Produtos Perigosos da FPI constataram que as cirurgias da clínica eram realizadas em ambiente de consultório, sem a estrutura adequada de um centro cirúrgico, colocando em risco a vida dos animais.
A FPI flagrou o chão sujo de sangue, em decorrência de um procedimento feito momentos antes de a fiscalização chegar. O empreendimento também deixou de apresentar médico-veterinário responsável técnico, conforme exige a legislação.

Além disso, os técnicos da FPI também constataram na clínica acondicionamento irregular de resíduos de serviços de saúde. Foram encontrados recipientes para equipamentos perfurocortantes com volume de descarte acima da linha de segurança, elevando o risco de acidentes e contaminação no meio ambiente de trabalho.
Havia no consultório peças de gazes e algodão contaminados com sangue, que foram descartados em sacolas plásticas de supermercado. A FPI também flagrou gazes sujos misturados ao lixo comum, além de ampolas de medicamentos em potes plásticos e ausência de bombonas para armazenamento adequado.
“Essas práticas configuram risco biológico elevado à saúde humana e animal, com possibilidade de transmissão de doenças zoonóticas e infecciosas, além de potencial contaminação ambiental”, explica a coordenação da Equipe de Produtos Perigosos da FPI.

Agrotóxicos interditados
Já no térreo do prédio, funcionava uma casa de produtos agropecuários. Em abril, a Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal) constatou a comercialização irregular de agrotóxicos e, de imediato, interditou esses produtos considerados perigosos à população e ao meio ambiente. À época, o proprietário da empresa ficou como fiel depositário.
No entanto, ao retornarem ao local, dessa vez como integrantes da equipe de Produtos Perigosos da FPI, os técnicos da Adeal flagraram nova comercialização de cinco recipientes de agrotóxicos interditados.
“Em razão de todas as irregularidades terem sido constatadas no mesmo local e por comprometerem diretamente a segurança sanitária e ambiental, foi aplicado embargo/interdição das atividades do empreendimento, com fundamento na Lei Estadual nº 6.787/2006, permitindo reabertura somente após a regularização ou autorização prévia”, disse a coordenação da equipe.

A equipe Produtos Perigosos é composta pela Adeal, Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL), Conselho Regional de Química da 17ª Região (CRQ-17), Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Alagoas (CRMV) e Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL).
Os órgãos de controle e de fiscalização da equipe também emitiram autos de infração, termo de fiscalização, termos de constatação e termos circunstanciados de ocorrência em desfavor da clínica e da casa agropecuária.
O prédio que concentrava a clínica e a loja com os agrotóxicos interditados foi uma das nove casas de agropecuárias de cidades sertanejas por onde a Produtos Perigosos passou no início da 15ª etapa da FPI em Alagoas.
