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China é saída para café brasileiro após tarifaço dos EUA?

A China, maior parceira comercial do Brasil, está comprando muito mais café do que dez anos atrás, mas não tem o mesmo peso que os Estados Unidos para os exportadores.

Atingido pelo sobretaxa de 50% nas vendas para os EUA, o setor cafeeiro vê o país asiático como um cliente importante e promissor. Mas a prioridade, diante do tarifaço, ainda é negociar algum alívio com os norte-americanos.

O consumo do café disparou no país do chá na última década, e o Brasil conseguiu ampliar suas vendas para a China. Elas atingiram o auge em 2023, mas caíram no ano seguinte (veja abaixo).

“O mercado da China não é como de outros, que já estão consolidados. Ele ainda está se estruturando. Então é normal que [a China] não compre os cafés com a mesma regularidade dos mercados tradicionais”, diz Marcos Matos, do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).


				China é saída para café brasileiro após tarifaço dos EUA?
Infográfico mostra exportações de café do Brasil para a China. — Foto: Arte/g1

Os EUA são os maiores compradores do café brasileiro, que detém um terço de todo o mercado norte-americano. Em 2024, o Brasil exportou 8 milhões de sacas de 60 kg de café moído para os EUA.

Já a China, apesar da expansão em relação a 10 anos atrás, comprou menos de 1 milhão de sacas no mesmo período e ficou apenas na 14ª posição entre os maiores importadores do café brasileiro.

Por isso, o Cecafé afirma que a prioridade ainda é chegar a um acordo com os EUA. “Essa é a principal discussão que a gente tem agora: encontrar uma tarifa mais baixa e conviver o menor tempo possível com os 50% de taxa, ou entrar na lista de exceções”, afirma Matos.

“A gente sempre diz que, assim como o Brasil é insubstituível para os Estados Unidos, os Estados Unidos são insubstituíveis para o Brasil”, resume.

China é 6º maior consumidor mundial de café

A China começou a "descobrir" o café nos últimos anos, e a bebida virou moda entre os jovens do país, como o g1 mostrou em 2024.

Em 2009, os chineses consumiam cerca de 300 mil sacas do grão por ano. Hoje, esse número chega a 5,8 milhões, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O país só fica atrás de União Europeia, EUA, Brasil, Filipinas e Japão na demanda pela bebida.

A disparada se refletiu nas importações e o Brasil aproveitou: de 2022 para 2023, o número de sacas comercializadas com a China triplicou e chegou a 1,5 milhão.

No entanto, o consumo da bebida desacelerou em 2023, e se mantém estável desde então.

E os exportadores brasileiros, que esperavam um desempenho ainda melhor em 2024, viram as vendas recuarem para 988 mil sacas naquele ano.

De 2023 para 2024, a China passou da 6ª para a 14ª posição entre os países que mais compram café do Brasil.

Segundo Matos, do Cecafé, os exportadores esperam que as vendas para aquele país sejam um pouco mais altas neste ano do que em 2024, mas que ainda fiquem longe do recorde de 2023.

Até o fim de julho, o Brasil exportou 570 mil sacas de café para os chineses.

Aceno da China anima exportadores

Apesar das expectativas moderadas dos exportadores, os chineses dão sinais de que podem comprar mais café do Brasil nos próximos anos.

O Cecafé afirma queuma autoridade das aduanas da China visitou o Brasil no primeiro semestre e anunciou medidas para facilitar o comércio entre os dois países, incluindo o setor cafeeiro.

Entre as ações estão a redução da burocracia e a aceleração de processos.

Até agora, a embaixada confirmou que 183 empresas brasileiras foram cadastradas para atuar na exportação. Segundo Marcos Matos, a aprovação não se refere necessariamente às empresas que exportam o café, mas sim àquelas que armazenam o produto no Brasil.

“Em 2022, a administração das aduanas da China editou um decreto que determinava o cadastro desses armazéns, que recebem o café, estocam, estufam contêineres. E nós fizemos um trabalho com o Ministério da Agricultura para coordenar isso”, diz ele.

“É uma sinalização para fortalecer as relações, e a gente pode obter volumes maiores de vendas para a China. É ótimo que isso aconteça agora.”

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