
O crescimento do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, aliado ao aumento da rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem provocado um debate reservado dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) e também no Palácio do Planalto.
Nos bastidores, já se considera a possibilidade de Lula não disputar a eleição presidencial de 2026. A hipótese, antes vista como remota, passou a ser tratada com mais seriedade diante do cenário político atual.
Durante o programa Ponto de Vista, o colunista Robson Bonin e o cientista político Marco Antonio Teixeira analisaram o momento e indicaram que a sucessão no campo governista já está em curso, ainda que de maneira não oficial.
Segundo Bonin, há uma percepção crescente dentro do partido de que Lula enfrenta desgaste político relevante, o que pode impactar diretamente sua viabilidade eleitoral.
“Há muita gente que acredita dentro do PT que ele deveria se preocupar com o fato de poder terminar a biografia perdendo para o filho do Bolsonaro”, afirmou.
Entre os possíveis substitutos, o ministro da Educação Camilo Santana aparece como uma aposta com potencial de crescimento dentro do partido. De acordo com Bonin, seu nome já foi testado em pesquisas internas.
Por outro lado, o ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad surge como alternativa mais imediata.
Para Marco Antonio Teixeira, Haddad apresenta condições mais concretas para assumir a candidatura em curto prazo.
“Haddad já tem praticamente a mesma intenção de voto que o Lula, com algo em torno de 10% a menos de rejeição”, disse.
Apesar de aparecer como opção viável, Haddad não reúne consenso dentro do PT. Segundo Bonin, há setores do partido que questionam seu perfil político e sua postura em campanhas eleitorais.
A avaliação é de que a legenda precisaria de um candidato com postura mais combativa para enfrentar uma disputa nacional acirrada.
O debate também expõe um desafio mais amplo: a renovação de lideranças dentro do PT.
Para Teixeira, o partido ainda depende fortemente de nomes tradicionais e encontra dificuldades para formar novas lideranças com projeção nacional.
“Há uma incapacidade do PT de se renovar, de produzir lideranças novas”, afirmou.
Nesse cenário, Camilo Santana é visto como um projeto de médio prazo, enquanto Haddad aparece como solução mais imediata caso Lula decida não concorrer.
Na análise dos especialistas, o avanço de Flávio Bolsonaro está mais ligado ao desgaste do governo do que a fatores individuais.
“Esse crescimento do Flávio é muito mais uma negação ao Lula e ao PT do que méritos do próprio Flávio”, avaliou Teixeira.
Os analistas também consideram improvável o surgimento de uma terceira via competitiva nas eleições de 2026.
A tendência, segundo eles, é de manutenção da polarização entre os campos ligados ao lulismo e ao bolsonarismo.
“Dificilmente teremos um processo propositivo”, disse Teixeira, ao destacar que o cenário aponta para um confronto direto entre os dois grupos políticos.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques viajou com a esposa em um avião particular pertencente a uma empresa que administra bens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a Prime You.
O magistrado participou da festa de aniversário de uma advogada que atua judicialmente para o Banco Master e que assumiu ter arcado com os custos da viagem.
O deslocamento de Brasília para Maceió, em Alagoas, ocorreu em 14 de novembro do ano passado. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
A defesa do ministro confirmou a viagem e afirmou que o casal foi convidado para o aniversário da advogada Camilla Ewerton Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), onde foi colega de Nunes Marques.
Segundo a equipe do ministro, Camilla convidou outros casais de amigos e ficou responsável pelos custos e pela organização da viagem.
“No dia 14/11/25, o ministro Nunes Marques e a esposa viajaram para a festa de aniversário de Camilla, casada com o desembargador Newton Ramos, que foi colega do ministro no TRF-1. Camilla convidou o ministro e outros casais de amigos e ficou responsável pelo voo e pelos detalhes da viagem”, diz a nota.
No Superior Tribunal de Justiça (STJ), Camilla aparece como advogada do Banco Master, de Daniel Vorcaro, em três processos relacionados à recuperação de créditos no setor sucroalcooleiro.
Ela recebeu procuração para atuar em nome do banco em 12 de dezembro de 2024.
Documentos obtidos pelo jornal mostram que Nunes Marques ingressou no terminal executivo do Aeroporto Internacional de Brasília com a esposa, Vanessa Ferreira, às 10h de 14 de novembro. Um avião operado pela Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços decolou 35 minutos depois com destino a Maceió, segundo dados da Aeronáutica.
Os registros de acesso indicam que o desembargador e a advogada também entraram no terminal no mesmo horário para embarcar no voo, assim como outros passageiros.
De acordo com documentos sob custódia da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave tem capacidade para 17 passageiros e é operada pela Prime Aviation, controlada pela Prime You.
A empresa de compartilhamento de bens de luxo, teve Vorcaro como sócio até setembro de 2025 e ainda administra bens do ex-banqueiro.
A Prime Aviation recebeu aportes dos fundos Jaguar e Patrimonial Blue, ambos administrados pela gestora Trustee, de Maurício Quadrado, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master.
Quando Vorcaro deixou de ter participação direta na Prime You, sua fatia foi vendida a um fundo gerido pela Trustee, gestora também ligada ao Banco Master, segundo investigações da Polícia Federal (PF).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou o nome de Márcio Elias como o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A cerimonia de posse deve ocorrer na próxima segunda-feira (6/4).
Elias foi secretário-executivo do ex-ministro Geraldo Alckmin, que se descompatibilizou da pasta para concorrer a eleição como vice-presidente na chapa de Lula.
O nome dele era o mais cotado para assumir o cargo, tendo em vista o destaque que Elias teve na coordenação de projetos importantes.
A expectativa é de que o novo ministro assuma o posto e dê continuidade ao trabalho e aos programas implementados pela pasta nos últimos três anos.
“O vice-presidente teve uma atuação que eu classifico como histórica à frente do MDIC. Sob seu comando, não só reconstruímos um ministério extremamente importante para o país, e que havia sido extinto no governo anterior, como colocamos a política industrial no centro do debate”, afirmou o ministro.
Natural de Ibiúna, interior de São Paulo, Márcio tem 63 anos e é formado pela Instituição Toledo de Ensino (SP) de Bauru. Tornou-se mestre e doutor em direito do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Foi procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo por dois mandatos e secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania de SP.
Além disso, exerceu o magistério nas áreas de direito administrativo e tutela coletiva e foi membro do Ministério Público de São Paulo, onde atuou como promotor de Justiça de Direitos Difusos e Coletivos, além de promotor de Justiça e Cidadania.
O governo federal exonerou nesta semana 16 ministros de Estado que estudam candidatura nas eleições de outubro. Segundo a legislação eleitoral, quem ocupa um cargo público e planeja colocar seu nome nas urnas precisa deixar o posto seis meses antes do pleito, prazo que vence neste sábado (4).
A desincompatibilização visa evitar o uso da máquina pública, de recursos ou da visibilidade da função atual pelo pré-candidato para obter vantagem indevida sobre os demais concorrentes.
Também houve o remanejamento do ministro André de Paula (anteriormente na Pesca) para o Ministério da Agricultura, no lugar de Carlos Fávaro.
A maioria dos ministros exonerados foi substituída pelos seus antigos secretários-executivos, em um sinal de continuidade do governo na reta final de mandato. Foi o caso da Pesca, em que o ministro nomeado foi Rivetla Edipo Araujo Cruz, então secretário-executivo, o número dois na hierarquia da pasta. No entanto, ainda há três pastas sem titular definido – o Ministério do Empreendedorismo (criado em 2024 para ser o 38º ministério, destinado a acomodar Márcio França), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Secretaria de Relações Institucionais (SRI).
As exonerações publicadas ao longo desta semana se somam à saída de Fernando Haddad (PT) do Ministério da Fazenda, oficializada no Diário Oficial da União (DOU) em 20 de março, para concorrer ao governo de São Paulo. Dario Durigan, ex-secretário-executivo da pasta, assumiu o comando do ministério, fazendo algumas trocas pontuais na equipe de secretários.
Algumas definições de candidaturas ainda podem mudar. Segundo o calendário eleitoral, os partidos e federações devem realizar suas convenções partidárias de 20 de julho a 5 de agosto, destinadas a definir coligações e escolher os candidatos que concorrerão aos cargos de presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador e respectivos suplentes, bem como aos cargos de deputado federal, estadual e distrital nas eleições de 2026. Os pedidos de registro de candidatura devem ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu a procuradora-geral do país, Pam Bondi, nesta quinta-feira (2), após críticas na condução do caso Epstein. A demissão foi confirmada pelo presidente nas redes sociais.
Trump disse que Bondi passará a atuar no setor privado. “Ela fará a transição para um novo trabalho, muito necessário e importante, no setor privado, a ser anunciado em uma data num futuro próximo”.
O líder americano também afirmou que o vice-procurador-geral, Todd Blanche, assumirá o cargo interinamente. “Nosso vice-procurador-geral e uma mente jurídica muito talentosa e respeitada, Todd Blanche, intervirá para servir como procurador-geral interino”, escreveu.
Trump havia manifestado, meses antes, sua frustração com o que considerava um compromisso insuficiente de Bondi em levar a julgamento vários inimigos políticos da época em que ele quase foi para a prisão por diversos casos, após seu primeiro mandato presidencial.
A procuradora-geral também sofreu críticas tanto de apoiadores do mandatário quanto da oposição democrata pela forma como conduziu o caso Epstein.
Segundo a CNN Internacional, algumas pessoas do círculo de Trump estavam, há muito tempo, descontentes com a forma como Bondi lidou com os arquivos de Epstein. Suas declarações teriam contribuído para a impressão de que o governo estava escondendo materiais da vista do público.
Fontes teriam afirmado à CNN que Bondi já tinha sido informada que sairia do posto de procuradora-geral e receberia um cargo diferente posteriormente. Nessa mesma conversa, segundo outras duas fontes, Trump havia mencionado a possibilidade de nomeá-la juíza após sua saída do Departamento de Justiça.
O jornal também afirmou que a ex-procuradora-geral seria intimada pelo Comitê de Supervisão da Câmara para depor sobre o caso Epstein ainda este mês. Em março, quando compareceu voluntariamente perante o comitê, os parlamentares democratas se retiraram em menos de meia hora. Mas os republicanos permaneceram e fizeram perguntas. O presidente do Partido Republicano, James Comer, disse que não havia mais necessidade de Bondi retornar ao comitê e depor sob juramento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu de forma reservada com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, no início de março. O encontro não constou na agenda oficial e aconteceu em meio à repercussão do caso envolvendo o Banco Master.
A reunião ocorreu pouco depois do vazamento de conteúdos extraídos do celular do empresário Daniel Vorcaro, ligado à instituição financeira. Entre os materiais divulgados, havia mensagens atribuídas ao ministro do STF, o que intensificou a pressão política nos bastidores de Brasília.
Segundo informações publicadas pelo colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, auxiliares do Palácio do Planalto relataram que, durante o encontro, Lula sinalizou apoio a Moraes diante da crise.
De acordo com esses interlocutores, o presidente indicou que não pretende se afastar do ministro, mesmo com o aumento das críticas e questionamentos envolvendo o caso.
Aliados do presidente também afirmam que Lula mantém uma relação de confiança com Moraes, especialmente em razão de sua atuação durante o processo eleitoral de 2022.
Nos bastidores, há a avaliação de que decisões do ministro foram determinantes para assegurar a realização das eleições e a posse do atual governo.
Além disso, Moraes é apontado como futuro presidente do Supremo Tribunal Federal, com previsão de assumir o comando da Corte em setembro de 2027.
O encontro fora da agenda ocorre em um momento de forte repercussão política envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.
A divulgação de mensagens e outros materiais relacionados ao caso tem gerado questionamentos e movimentações nos bastidores do poder, aumentando a pressão sobre autoridades envolvidas direta ou indiretamente no episódio.
O deputado federal Alfredo Gaspar afirmou que adotará todas as medidas legais para reagir à denúncia apresentada contra ele por Lindbergh Farias e pela senadora Soraya Thronicke. Segundo o parlamentar, ele pretende “processar, cassar e prender” os dois.
A declaração ocorre após os parlamentares protocolarem uma representação, na sexta-feira (27), que foi encaminhada à Polícia Federal. A denúncia envolve suspeita de estupro de vulnerável.
De acordo com a representação, o caso teria ocorrido em Alagoas, quando a suposta vítima tinha 13 anos. Hoje com 21, ela teria uma filha de 8 anos, que, segundo a denúncia, seria resultado do crime.
Os autores do pedido solicitaram investigação das circunstâncias e apuração dos fatos pelas autoridades competentes.
Alfredo Gaspar rejeita as acusações e afirma estar disposto a colaborar com as investigações. Ele declarou que pode, inclusive, realizar exame de DNA para esclarecer o caso.
Na segunda-feira (30), o deputado apresentou uma representação criminal contra Lindbergh Farias e Soraya Thronicke na Procuradoria-Geral da República, acusando-os de denunciação caluniosa e coação no curso do processo.
Durante coletiva de imprensa, Gaspar fez críticas contundentes aos parlamentares que o denunciaram.
“Vieram dois maloqueiros criminosos, dois bandidos, Lindbergh Farias e Soraya Thronicke, usando de orientação do PT para me atacar justamente no momento que eu estou lendo o relatório e indiciando o filho do presidente da República. […] Vou até o final para poder processar, cassar, punir e prender”, declarou.
A denúncia apresentada por Lindbergh e Soraya segue sob análise das autoridades, enquanto as ações movidas por Gaspar também devem ser avaliadas pelos órgãos competentes.
O episódio amplia a tensão política entre parlamentares e deve ter desdobramentos tanto na esfera judicial quanto no cenário político nacional.
No sistema político brasileiro, a democracia representativa opera sob duas lógicas distintas de votação: o sistema majoritário e o sistema proporcional. Enquanto o primeiro elege chefes do Executivo e senadores com base na maioria simples ou absoluta de votos, o sistema proporcional rege a escolha de deputados (federais, estaduais e distritais) e vereadores. É neste contexto que o voto de legenda assume um papel central na definição da composição das casas legislativas, permitindo que o eleitor manifeste sua preferência por uma ideologia ou programa partidário, em detrimento de uma candidatura individual específica.
A compreensão deste mecanismo é fundamental para o exercício da cidadania, uma vez que o Brasil adota o sistema de lista aberta. Diferente de países onde o partido define a ordem de prioridade dos eleitos, no Brasil, a combinação entre votos nominais e votos de legenda determina quantas cadeiras cada partido ocupará, enquanto a votação individual define quem, dentro daquela sigla, assumirá o mandato.
A principal função do voto de legenda é fortalecer a instituição partidária. Ao digitar apenas os dois números do partido na urna eletrônica e confirmar, o eleitor está sinalizando concordância com o estatuto e as diretrizes daquela legenda. Juridicamente, esse voto possui o mesmo peso do voto nominal para o cálculo do total de votos válidos da agremiação.
As atribuições deste mecanismo incluem:
A origem do voto de legenda remonta à implementação do sistema proporcional no Brasil, consolidado pelo Código Eleitoral de 1932. A intenção legislativa sempre foi a de criar uma identidade política coletiva, tentando mitigar o personalismo excessivo que caracteriza a política nacional.
Ao longo das décadas, especialmente após a Constituição Federal de 1988, o sistema sofreu ajustes, mas manteve a essência da valorização partidária. Uma mudança significativa recente ocorreu com a reforma eleitoral que instituiu a cláusula de desempenho individual (nota de corte).
Anteriormente, um partido com muitos votos de legenda poderia eleger candidatos com votações inexpressivas. Atualmente, para que um candidato ocupe a vaga conquistada pelo partido (seja por votos nominais ou de legenda), ele precisa ter obtido votos nominais equivalentes a pelo menos 10% do quociente eleitoral. Isso criou um sistema híbrido que valoriza a legenda, mas exige representatividade mínima do indivíduo.
Para compreender como funciona o voto na legenda, é necessário analisar a matemática por trás da distribuição de vagas. O processo ocorre em etapas lógicas definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE):
Muitos eleitores questionam para quem vai o voto no partido. A resposta técnica é que o voto não vai para uma pessoa específica, mas para o “cesto” da agremiação. No entanto, indiretamente, esse voto beneficia os candidatos que estão no topo da lista de votação daquele partido. Ou seja, ao votar na legenda, o eleitor está ajudando a eleger o candidato mais votado daquela sigla, mesmo que não tenha digitado o número dele.
O voto de legenda é um termômetro da fidelidade ideológica do eleitorado. Em partidos com forte identidade programática e militância orgânica, o volume de votos na legenda tende a ser alto, o que demonstra uma institucionalização sólida. Por outro lado, em partidos de aluguel ou legendas fisiológicas, esse tipo de voto costuma ser residual, dependendo quase exclusivamente da performance individual dos candidatos (os chamados “puxadores de voto”).
A existência desse mecanismo é vital para a saúde do sistema proporcional, pois oferece uma alternativa ao voto personalista. Ele permite que correntes de pensamento sejam representadas no Legislativo, garantindo que minorias organizadas ou grandes movimentos de opinião pública consigam converter apoio popular em mandatos, independentemente da popularidade individual de um ou outro candidato.
O voto na legenda constitui, portanto, um pilar essencial da representatividade coletiva no Brasil. Ele assegura que o Parlamento reflita não apenas a soma de lideranças individuais, mas também a correlação de forças entre as diferentes correntes de pensamento político da sociedade. Compreender sua mecânica é dissociar a política da figura exclusiva do candidato e entender o mandato como uma concessão feita a um projeto partidário coletivo.
O governador de Alagoas, Paulo Dantas, oficializou uma série de exonerações e nomeações no primeiro escalão e em cargos estratégicos do Executivo estadual. As mudanças, publicadas em edição suplementar do Diário Oficial dessa quarta-feira (1º), seguem o rito de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral para gestores que pretendem disputar cargos eletivos em 2026.
Na Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), a secretária Kátia Born deixou o cargo. Para substituí-la, foi nomeada Genilda Leão da Silva, que ocupava a Superintendência de Assistência Social e precisou ser exonerada da função anterior para assumir a pasta.
Na Secretaria de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência (Secdef), a então titular Tereza Nelma também deixou o comando. A chefia passou a ser exercida por Francine Glória Marinho do Bomfim, que deixou o cargo de chefe de gabinete da própria secretaria para assumir a função.
Já na Secretaria de Relações Federativas e Internacionais (Serfi), o secretário Júlio Cezar da Silva foi exonerado. Para o lugar, o governo nomeou Jacqueline Freire Cavalcanti Silva Rego, que também ocupava a chefia de gabinete e foi previamente exonerada.
Na área de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), a secretária Aline Rodrigues dos Santos deixou o cargo. A substituição ficou com Meirejane Ataíde Remigio Costa, então superintendente de Desenvolvimento Científico.
As mudanças também alcançaram autarquias e órgãos vinculados. Na Junta Comercial do Estado de Alagoas (Juceal), o presidente João Gabriel Costa Lins (o Joãozinho) foi exonerado. Em seu lugar, assumiu Thiago Braga Calheiros Peixoto, que deixou a gerência administrativa do órgão.
Na Agência de Desenvolvimento da Pesca, Aquicultura e Apicultura (Adepa), o diretor-presidente Régis Cavalcante também deixou o cargo a pedido.
No setor da saúde, houve mudanças em unidades hospitalares. A diretora administrativa do Hospital Ib Gatto, Anny Izabelle Torres Melo Lins de Souza, foi exonerada, sendo substituída por Maria Cleane Alves Lins. Já no Hospital Regional do Alto Sertão, a diretora médica Christiane Bulhões Barros Melo Silva também deixou o cargo.
Judson Cabral, que era secretário de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos e o secretário executivo da Secretaria de Estado da Saúde, Guilherme Lopes, já tinham deixado os cargos com o mesmo propósito. Outro que terá o mesmo caminho é o diretor-presidente do Ideral (antigo Ceasa), Davi Maia.
O conjunto de exonerações e nomeações segue um movimento tradicional em anos eleitorais. Pela legislação, ocupantes de cargos no Executivo precisam deixar suas funções dentro de prazos específicos para poder disputar mandatos eletivos, evitando vantagens indevidas durante o processo.
A executiva nacional do PSDB oficializou, nas redes sociais, nesta quinta-feira (2), a filiação do prefeito de Maceió, JHC, e da senadora Dra. Eudócia Caldas ao partido, em um movimento que os tucanos estão classificando como “a consolidação de um novo capítulo político em Alagoas” após a crise no PL.
A publicação, feita em formato colaborativo com o presidente nacional da sigla, Aécio Neves, traz imagens do momento da assinatura das fichas de filiação, abonadas pelo próprio dirigente tucano. A mensagem atesta que o ex-governador Teotônio Vilela Filho participou das articulações para a chegada do grupo ao partido.
Além de JHC e Eudócia, o PSDB confirmou ainda a filiação da primeira-dama de Maceió, Marina Cândia.
Na postagem, o partido classifica o momento como uma virada no cenário local. “Um novo momento para Alagoas”, diz o texto, que aponta a filiação como parte de um reposicionamento político e de expansão da base tucana no Nordeste. A legenda também destaca que o movimento “fortalece o partido” e o consolida como “uma alternativa sólida para o futuro”.

A chegada de JHC ao PSDB ocorre após sua saída do PL, em meio à crise interna que resultou na destituição do prefeito do comando estadual da sigla. O episódio desencadeou uma série de reconfigurações no cenário político alagoano, incluindo a reorganização da direita e a disputa por espaços entre lideranças que até então integravam o mesmo campo.
A senadora Dra. Eudócia Caldas também deixou o PL no mesmo contexto, acompanhando o movimento político que levou o grupo a buscar nova estrutura partidária.
“Com liderança, articulação e presença, o PSDB amplia sua base, ganha força e se consolida como uma alternativa sólida para o futuro. O PSDB avança, se fortalece e segue construindo um Brasil de equilíbrio, responsabilidade e resultados”, finaliza a publicação no Instagram.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que espera ser intimado por Alexandre de Moraes após o ministro do STF iniciar apuração sobre o suposto envio, a Jair Bolsonaro, de um vídeo gravado pelo ex-deputado durante a Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), nos Estados Unidos. Por determinação do magistrado, Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, não pode ter acesso a redes sociais.
“Se Alexandre de Moraes tiver coragem de mandar uma carta rogatória para eu responder a esses factoides que ele faz sobre mim, essas investigações onde ele é investigador, o julgador e o acusador… Moraes, eu te desafio: mande uma carta rogatória para mim aqui nos Estados Unidos que eu te respondo ainda fazendo uma transmissão ao vivo”, disse o ex-deputado.

Em entrevista à coluna, o ex-deputado argumentou que a investigação realizada por Moraes seria uma tentativa de intimidação. “Esse vídeo está gravado no meu celular. O Alexandre de Moraes é maluco. Ele tem um fetiche comigo. Eu acho que ele deve sonhar comigo, por isso que ele fica tentando fazer essas ordens. Ele na verdade tenta me intimidar”, afirmou.
“O Flávio Bolsonaro gravou um vídeo, postou nas suas redes sociais, disse que em algum momento mostraria para o Jair Bolsonaro e não teve problema nenhum. Por que, quando eu faço, vira problema? Porque ele quer pegar uma base de pessoas que não acompanham a política ou que sejam mais ignorantes, para achar que o Eduardo Bolsonaro está dando dor de cabeça ao Jair Bolsonaro, ou seja, ele quer me calar”, disse o ex-deputado.
Acesso a dados pessoais
O ex-deputado também acusou Moraes de pedir a plataformas digitais o acesso a seus dados pessoais, o que teria sido citado no relatório do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA.
“Eu quero que Alexandre de Moraes me intime. Eu quero que ele pare de ficar pedindo às plataformas, utilizando meios ilícitos para pegar meus dados pessoais, como explanou agora esse relatório da CCJ americana, onde ele pede às plataformas de redes sociais dados pessoais meus”, afirmou.
“Eu é que tenho que perguntar para o Moraes. Eu é que tenho que saber: Moraes, quais dados pessoais meus você está querendo saber? Você está tentando entrar no meu celular? Se eu estivesse no Brasil, ele já tinha mandado a Polícia Federal ir lá em casa, mesmo eu sendo inocente, um congressista, fazer o chamado ‘fishing expedition’, em que ele pega o seu celular, tenta entrar no seu WhatsApp, nas suas redes sociais, para ver se tem algum tipo de crime e depois fica vazando a conta-gotas para a imprensa para tentar te desgastar politicamente”, disse Eduardo Bolsonaro.
O ministro Renan Filho deixou o comando do Ministério dos Transportes nessa quarta-feira (1º), em razão da desincompatibilização exigida pela legislação eleitoral. Para dar continuidade às ações da pasta, o então secretário-executivo, George Santoro, assumiu oficialmente o cargo.
Durante sua despedida, Renan Filho destacou os avanços alcançados ao longo de sua gestão e afirmou que o ministério está preparado para seguir enfrentando os desafios do país. “O Ministério dos Transportes tem um propósito claro e sabe fazer aquilo a que se propõe. Com as condições necessárias, entrega resultados. Saio com a convicção de que a pasta está pronta para continuar promovendo uma infraestrutura melhor para o Brasil”, declarou.
Ao assumir o posto, Santoro reforçou o compromisso de manter a infraestrutura como eixo central do desenvolvimento nacional. Segundo ele, a continuidade dos projetos será prioridade. “Vamos manter a infraestrutura no centro da estratégia de desenvolvimento. Estamos construindo estradas mais seguras, logística mais eficiente e uma economia mais competitiva”, afirmou.
Com a mudança, a Secretaria-Executiva do ministério passa a ser ocupada por Bruno Praxedes, que, anteriormente, chefiava a Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos da pasta.

A gestão de Renan Filho, iniciada em janeiro de 2023, foi marcada pela retomada de investimentos em infraestrutura e pela reativação de obras consideradas estratégicas. Nos últimos anos, o país registrou volume histórico de concessões e investimentos, com 23 leilões rodoviários realizados desde 2023 e previsão de outros 12 até 2026. Ao todo, os projetos devem somar cerca de R$ 400 bilhões em investimentos nas rodovias brasileiras.
No setor ferroviário, a pasta também avançou com a previsão de oito leilões em 2026, que podem representar cerca de R$ 140 bilhões em investimentos. Outro destaque foi o Programa de Otimização de Contratos, desenvolvido em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU), que viabilizou a retomada de obras paralisadas por meio da repactuação de contratos.
Além disso, a gestão ampliou iniciativas voltadas à mobilidade e inclusão social, como o Programa CNH do Brasil, que facilitou o acesso à habilitação e à renovação do documento para a população.
Ao avaliar o período à frente da pasta, Renan Filho ressaltou o impacto dos investimentos no futuro do país. “Terminaremos o governo com R$ 400 bilhões contratados em quatro anos, o que colocará o Brasil no maior patamar de investimentos em infraestrutura da sua história”, concluiu.
O novo ministro, George Santoro, é servidor de carreira, com experiência nas áreas fiscal e de gestão pública. Ele já foi secretário da Fazenda de Alagoas por oito anos e também atuou no governo do Rio de Janeiro, com foco em políticas fiscais e projetos de infraestrutura.
O governo Lula (PT), por meio da Secretaria Especial de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência, anunciou, na tarde desta quarta-feira (1), a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) ao Senado. A informação foi confirmada pela Casa.
O atual advogado-geral da União ocupará vaga deixada por Luís Roberto Barroso no STF.
Após meses de espera, Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), chegaram a um acordo para aprovação da indicação. A Jovem Pan apurou que a sabatina deve ocorrer nos próximos dias. Primeiro, a indicação é votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Depois, é levada a plenário.
Ainda não há um nome definido para substituir Messias na AGU. A ideia do Governo Federal é resolver cada etapa por vez.
Em fevereiro, a Jovem Pan noticiou que a indicação do advogado-geral da União seria aprovada com tranquilidade após o Carnaval, inclusive com apoio de bolsonaristas.
Em dezembro do ano passado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu adiar a sabatina do advogado-geral da União. Oficialmente, o senador afirmou que o governo não havia enviado a mensagem de indicação, mas o adiamento ocorreu em meio à preferência de Alcolumbre pelo nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no STF.
Messias afirmou nesta terça-feira (31), que dará continuidade à sua jornada no Senado “com humildade e fé” e que buscará o diálogo com todos os senadores neste momento em que busca apoio pela sua indicação como ministro do STF.
O AGU ainda disse que preza pela paz e visa a melhor maneira de solucionar as divergências. “Continuarei meu empenho pela pacificação e estabilidade. Como profissional do direito, sempre valorizei o diálogo e a conciliação como as melhores maneiras de resolver conflitos. Reafirmarei meu compromisso com essas credenciais”, afirmou.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, decidiu revogar a prisão preventiva do delegado da Polícia Civil de São Paulo Fábio Baena Martin, investigado por extorsão e corrupção no chamado caso Gritzbach. A decisão foi tomada na terça-feira, 31.
Baena estava preso desde dezembro de 2024. Com a nova determinação, ele responderá ao processo em liberdade, mas deverá cumprir uma série de medidas cautelares. Entre elas estão o afastamento do cargo público, o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com outros investigados e testemunhas e o pagamento de fiança fixada em R$ 100 mil.
As investigações estão relacionadas ao depoimento do empresário Vinícius Gritzbach, que denunciou policiais civis e acabou assassinado em 2024 no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos.
Gritzbach havia firmado acordo de delação e apontado integrantes da Polícia Civil por suposta participação em esquemas ilegais envolvendo a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ao analisar o caso, Gilmar Mendes entendeu que não há, neste momento, elementos suficientes para manter a prisão preventiva do delegado. Segundo o ministro, as acusações se baseiam essencialmente na delação de Gritzbach, sem a presença de provas independentes que sustentem a medida mais severa.
Na decisão, o magistrado destacou ainda que Baena não possui antecedentes criminais e que a fase de instrução do processo já foi concluída.
Gilmar reforçou que “a prisão preventiva deve ser aplicada apenas quando houver justificativas concretas” e afirmou que o contexto do caso não apresenta os requisitos necessários para manter o investigado preso. Para ele, é possível garantir a ordem pública com medidas alternativas.
De acordo com o conteúdo da delação, Baena teria participado de um esquema de extorsão envolvendo valores elevados. Gritzbach relatou ao Ministério Público, em 2023, que o delegado e outros policiais teriam exigido R$ 40 milhões para não implicá-lo em homicídios ligados ao PCC.
Os crimes citados incluem as mortes de Anselmo Becheli Santa Fausta, conhecido como “Cara Preta”, e Antônio Corona Neto, apelidado de “Sem Sangue”. Ambos foram assassinados em 2021, na cidade de São Paulo.
As apurações indicam que Gritzbach atuava na lavagem de dinheiro para a facção criminosa e passou a ser investigado como possível mandante dos assassinatos. Após recusar o pagamento da quantia exigida, ele foi formalmente indiciado.
Pouco antes de morrer, o empresário voltou a reforçar as acusações contra Baena e outros policiais em depoimento prestado à Corregedoria da Polícia Civil.
A operação que levou à prisão do delegado e de outras seis pessoas foi conduzida pela Polícia Federal em 2024. Além de Baena, foram detidos três policiais civis e três outros suspeitos por corrupção. Um agente da Polícia Civil segue foragido.
Os advogados Daniel Leon Bialski e Bruno Borragine, que representam o delegado, afirmaram receber “com alívio a decisão proferida pela Suprema Corte que restabeleceu sua liberdade, elidindo a coação ilegal de que vinha sendo vítima”.
A defesa também declarou que “é inadmissível no Brasil se banalizar o direito à liberdade, se decretando e mantendo prisão automática, vedada por nossa legislação, sem contemporaneidade e, o mais grave, por fatos que já haviam sido investigados e arquivados pela Justiça, por recomendação do próprio Ministério Público. Agora e de forma plena se exercerá o direito de defesa até a esperada declaração final de inocência de nosso constituído.”
Documentos oficiais revelam que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci, utilizaram ao menos oito voos em aeronaves executivas vinculadas ao empresário Daniel Vorcaro ao longo de 2025. As viagens ocorreram entre maio e outubro daquele ano.
A identificação desses deslocamentos foi possível por meio do cruzamento de diferentes bases de dados. Entre elas estão registros de embarque no terminal executivo do Aeroporto de Brasília, mantidos pela Agência Nacional de Aviação Civil, dados de decolagem do Departamento de Controle do Espaço Aéreo e informações do Registro Aeronáutico Brasileiro.
A maior parte dos voos — sete dos oito identificados — foi realizada em aeronaves operadas pela empresa Prime Aviation. O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, era sócio da companhia por meio de um fundo patrimonial. A empresa possui autorização para atuar como operadora de táxi aéreo.
A exceção ocorreu em 7 de agosto de 2025. Na ocasião, o voo foi feito em um jato Falcon 2000 registrado em nome de uma empresa que não possui autorização para operar esse tipo de serviço.
A aeronave utilizada nesse voo específico está associada a uma sociedade que inclui o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal e atualmente negocia um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.
Os registros indicam que os voos partiram principalmente de Brasília, com destino frequente a aeroportos executivos em São Paulo. Em parte das viagens, Moraes estava acompanhado apenas de sua esposa. Em outras, havia poucos passageiros adicionais. Também foi identificado um voo em que o ministro viajou sozinho, sem Viviane Barci.
Procurado pela Folha de S.Paulo, Alexandre de Moraes não se manifestou sobre o caso.
Já o escritório de advocacia de Viviane Barci declarou que realiza contratações regulares de serviços de táxi aéreo, incluindo, eventualmente, a Prime Aviation. Segundo a defesa, não existe relação pessoal com os proprietários das aeronaves e os voos seguem critérios operacionais, com pagamentos efetuados conforme contratos advocatícios.
A Prime Aviation afirmou que não divulga informações sobre usuários de suas aeronaves, citando cláusulas de confidencialidade e a Lei Geral de Proteção de Dados.
A defesa de Daniel Vorcaro informou que não comentaria o assunto. O advogado de Fabiano Zettel não respondeu aos questionamentos.
O caso ocorre paralelamente a uma relação contratual entre o escritório de Viviane Barci e o Banco Master. Em 2024, foi firmado um acordo que previa o pagamento de honorários mensais milionários ao longo de três anos, somando cerca de R$ 130 milhões.
Esse contrato foi encerrado em novembro de 2025, após a liquidação da instituição financeira pelo Banco Central.
Os gastos do governo federal com viagens registraram forte crescimento no início de 2026. De acordo com dados do Portal da Transparência, mais de R$ 107 milhões foram desembolsados em um intervalo de apenas 18 dias.
No acumulado dos primeiros 85 dias do ano, as despesas totais com deslocamentos chegaram a R$ 233,1 milhões.
Grande parte desse valor está relacionada ao pagamento de diárias e passagens aéreas.
Os números mostram que:
Além disso, o Portal da Transparência registra R$ 1,28 milhão classificados como “outros gastos”, que incluem despesas como taxas e seguros.
Os dados indicam uma rápida escalada nos gastos. Em 9 de março, o total registrado era de R$ 126,4 milhões. Pouco mais de duas semanas depois, em 27 de março, o valor já ultrapassava R$ 233 milhões.
Entre os órgãos do governo, o Ministério da Justiça e Segurança Pública aparece como o maior responsável pelas despesas com viagens em 2026 até o momento.
A pasta acumula R$ 61,7 milhões em gastos no período.
O aumento nas despesas segue uma tendência observada nos últimos anos. Em 2025, o governo federal registrou o maior valor já gasto com viagens, totalizando R$ 2,44 bilhões — o terceiro recorde consecutivo.
