
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu recorrer ao Judiciário para reverter a derrubada do decreto que aumentou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), uma medida que foi rejeitada pelo Congresso Nacional. A Advocacia-Geral da União (AGU) está se preparando para protocolar, nesta terça-feira (1), uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a legalidade da decisão legislativa. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, confirmou que a ação já foi finalizada pelo ministro-chefe da AGU, Jorge Messias. Lula solicitou que a AGU examinasse a constitucionalidade da revogação do decreto, argumentando que essa ação compromete sua autoridade para editar tais normas.
Ministros do governo acreditam que existem fundamentos legais que podem ser explorados, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou apoio a um recurso ao STF. Contudo, alguns aliados de Lula alertaram sobre a possibilidade de um embate entre o Congresso e o Supremo, destacando que uma ação direta de inconstitucionalidade poderia ser utilizada pela oposição. A insatisfação de Lula se intensificou em relação à condução do presidente da Câmara, Hugo Motta, que anunciou a votação do decreto sem aviso prévio.
Motta, por sua vez, criticou o governo, ressaltando que havia alertado sobre as dificuldades para a aprovação da medida e que um presidente deve atuar em prol do país, não apenas de seu partido. No STF, existem duas ações relacionadas ao tema, apresentadas pelo PL e pelo PSOL, que contêm pedidos opostos. O presidente da corte, Luís Roberto Barroso, já designou o ministro Alexandre de Moraes como relator da ação proposta pelo PSOL, que agora seguirá seu trâmite legal.
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), foi um dos principais destaques da manifestação conservadora realizada neste domingo (29), na Avenida Paulista, em São Paulo. O ato, convocado pelo pastor Silas Malafaia, reuniu milhares de apoiadores da direita, com dois trios elétricos e a presença de 39 deputados federais, quatro governadores e sete senadores. Durante seu discurso, Sóstenes fez uma defesa enfática das liberdades constitucionais e denunciou o que chamou de “prisões arbitrárias”.
“A democracia não pode conviver com prisões arbitrárias. Não estamos aqui para defender atos de vandalismo, mas para exigir Justiça equilibrada, proporcional e respeito aos direitos humanos”, afirmou o parlamentar. Ele também destacou a suposta perseguição judicial a figuras da direita: “Temos hoje 65 deputados investigados pelo Supremo Tribunal Federal. Desses, 39 são do PL. Os demais, todos de direita. Está claro o alvo: os possíveis candidatos da direita ao Senado com reais chances de vitória”, denunciou.
Sóstenes prestou homenagens públicas a nomes que, segundo ele, são vítimas de injustiça, como Daniel Silveira, Carla Zambelli e o general Braga Netto. E finalizou com um recado político: “Podem perseguir, mas não vão encontrar na vida de Bolsonaro nenhum ato de corrupção. Este homem ama o Brasil e voltará em 2026”.
Além do deputado, discursaram lideranças como Jair Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia, o líder da oposição Luciano Zucco e os deputados Gustavo Gayer e Bia Kicis. Os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Cláudio Castro (RJ) e Jorginho Mello (SC) também marcaram presença, junto aos senadores Flávio Bolsonaro, Magno Malta, Marcos Rogério, Eduardo Girão, Tereza Cristina, Wellington Fagundes e Jaime Bagattoli.
Sóstenes ainda ironizou a capacidade de mobilização da esquerda: “A esquerda não consegue colocar nem 10% das pessoas que nós reunimos nas ruas. Pode ser fim de mês, pode ter futebol, que o povo conservador comparece. A direita verde e amarela é quem verdadeiramente representa o Brasil”, declarou, sendo ovacionado ao som de “volta, Bolsonaro!”.
O ex-presidente Jair Bolsonaro marcou presença em um evento neste domingo (29) na Avenida Paulista, onde abordou temas polêmicos como as eleições de 2026 e o inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre uma suposta trama golpista, no qual ele é réu. O evento, organizado pelo pastor Silas Malafaia, reuniu diversas figuras políticas de destaque. Durante seu discurso, Bolsonaro não poupou críticas ao governo federal e ao STF, mencionando a perda de um contrato de R$ 15 bilhões pela Embraer, que ele atribuiu à política externa do atual governo. Além disso, expressou seu desejo de ver 50% do Congresso ocupado por candidatos de direita, acreditando que isso poderia mudar o destino do Brasil, independentemente de ele ser presidente.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também esteve presente no evento e é considerado um potencial candidato à Presidência pela direita em 2026. Durante sua fala, ele expressou apoio a Bolsonaro, afirmando que a missão do ex-presidente ainda não terminou e que ele continuará a contribuir para o Brasil. Além de Tarcísio, outros governadores, como Romeu Zema, de Minas Gerais, Jorginho Mello, de Santa Catarina, e Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, também marcaram presença. O governador paulista aproveitou a ocasião para criticar a gestão federal, mencionando a alta da Selic e o decreto IOF. Tarcísio afirmou que “o Brasil não suporta mais o governo gastador e o aumento de impostos”.
A manifestação na Avenida Paulista teve duração de cerca de duas horas e contou com discursos de várias personalidades, incluindo o senador Magno Malta e o pastor Silas Malafaia. Todos finalizaram com a promessa de um novo protesto no dia 7 de setembro, no mesmo local. Um levantamento da USP, utilizando tecnologia de inteligência artificial, estimou que cerca de 12 mil pessoas participaram do evento, um número significativamente menor em comparação com os 150 mil presentes no protesto de fevereiro de 2024.
Enquanto isso, no âmbito judicial, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, abriu a fase de alegações finais no processo contra Bolsonaro, que classificou as acusações como “fumaça de golpe”. O ex-presidente continua a enfrentar desafios legais significativos, enquanto seus apoiadores se mobilizam em eventos públicos para demonstrar solidariedade e apoio à sua causa.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou nesta segunda-feira (30), o decreto que institui o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara). O Pronara foi elaborado ainda na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, mas o decreto de lançamento do programa não havia sido assinado até esta segunda-feira. O tema foi alvo de divergências entre o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Ministério da Agricultura ao longo do último ano e foi levado até o presidente Lula para a solução do impasse.
O Pronara está previsto como parte do terceiro Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), política pública de transição ecológica, anunciada em outubro do ano passado, que dispõe sobre iniciativas voltadas para pesquisa e inovação, incentivo às compras públicas e inclusão de mulheres, jovens, indígenas e quilombolas na agricultura familiar.
O programa prevê ações integradas de pesquisa científica, monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos e no ambiente, fortalecimento da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e ampliação do uso de bioinsumos. As iniciativas visam a reduzir progressivamente o uso de agrotóxicos e insumos químicos e ampliar a “produção sustentável de alimentos saudáveis pela agricultura familiar”.
O MDA afirma que há “urgência da implementação de políticas públicas estruturantes voltadas à transição para modelos agroecológicos de produção de alimentos” e que há uso excessivo de agrotóxicos no país. O Planalto informou que o programa conta com iniciativas da Secretaria-Geral da Presidência da República, dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), do Agricultura e Pecuária, da Saúde, do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O Pronara será coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência da República.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, não virá ao Brasil para a cúpula do Brics, que acontece na próxima semana no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito pelo Kremlin nesta quarta-feira (25).
Segundo Yuri Ushakov, assessor de política externa do governo russo, a decisão está ligada à falta de uma posição clara do Brasil sobre o mandado de prisão contra Putin emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
Em 2023, o TPI condenou Putin à prisão por crimes de guerra durante a invasão da Ucrânia. Em teoria, países signatários do tribunal, como o Brasil, devem cumprir os mandados de prisão.
Na prática, porém, a execução depende de decisões políticas.
"Nesse contexto, o governo brasileiro não conseguiu se posicionar de forma clara, que permitisse a participação do nosso presidente na reunião", disse Ushakov.
A Rússia não é signatária do TPI e considera o mandado de prisão nulo. Ainda assim, por ser membro do tribunal, o Brasil poderia executar a ordem de prisão caso Putin entrasse em território nacional.
Putin não viajou à África do Sul em 2023
Em 2023, o líder russo decidiu não viajar para a África do Sul, para uma cúpula também do Brics. Mas, no ano passado, ele foi recebido com tapete vermelho na Mongólia, outro membro do TPI mas que garantiu a Putin que não o prenderia.
O assessor do Kremlin disse que o Brasil ainda não deixou claro se faria o mesmo.
Por isso, Putin participará da cúpula por videoconferência, ainda de acordo com Moscou. Presencialmente, a Rússia será representada pelo chanceler russo, Sergei Lavrov.
O presidente chinês, Xi Jinping, também não deve participar da cúpula do Brics no Rio de forma presencial, segundo a imprensa chinesa.
O líder do Republicanos, deputado Gilberto Abramo (MG), na Câmara dos Deputados expressou descontentamento com a decisão do presidente Lula de não sancionar a lei que institui o Dia da Amizade Brasil e Israel. O projeto de lei, que já havia sido aprovado pelo Congresso Nacional, aguardava a sanção presidencial até 18 de junho. No entanto, o presidente optou por não sancionar nem vetar a proposta, permanecendo em silêncio, uma ação que é permitida constitucionalmente. Como resultado, o projeto será promulgado pelo Congresso Nacional devido à omissão presidencial, com o Senado Federal assumindo a responsabilidade pela promulgação.
A decisão de Lula gerou desconforto entre os líderes do Republicanos, especialmente em meio ao atual conflito no Oriente Médio. O deputado Gilberto Abrama, líder do Republicanos de Minas Gerais e presidente do grupo de amizade Brasil e Israel, divulgou uma nota criticando o presidente. Na nota, Abrama questiona se o problema de Lula é com o governo de Israel ou com o povo israelense, destacando o simbolismo político do silêncio presidencial. A nota também recebeu apoio de outros membros do grupo, como Bia Kicis do PL do Distrito Federal, Diego Garcia do Republicanos do Paraná e Rogéria Santos do Republicanos da Bahia.
Os membros do grupo de amizade Brasil e Israel afirmaram que continuarão a promover a amizade entre os dois países, independentemente de conflitos ou pressões políticas. Eles enfatizaram a importância de manter laços diplomáticos e culturais fortes, mesmo diante de desafios políticos. O grupo acredita que a amizade entre Brasil e Israel transcende questões governamentais e deve ser cultivada em prol de interesses mútuos e cooperação internacional. O silêncio de Lula ocorre em um momento delicado, após o presidente ter afirmado em 2024 que há genocídio em Gaza, o que irritou o governo israelense e gerou reações negativas. Essa postura de silêncio é vista como uma resposta ao conflito e ao governo de Israel.
Um estudo Associação Livres revelou que o teto salarial estabelecido por lei no Brasil não está sendo respeitado pelo Judiciário. A reforma administrativa, que poderia abordar essa questão, permanece estagnada no Congresso. O Brasil lidera o ranking global de disparidade salarial entre a elite do setor público e a maioria da população, com rendimentos que superam em 66 vezes a média nacional. Magno Karl, diretor da associação, explica que a pesquisa comparou os rendimentos brutos das autoridades com a renda familiar per capita dos brasileiros, abrangendo todos os níveis da federação e comparando com 17 outros países.
No topo da lista de quem ultrapassa o teto constitucional estão juízes e desembargadores, que conseguem isso por meio de verbas indenizatórias. Apesar da existência de uma lei que impõe o teto do funcionalismo público, nenhum órgão da República, incluindo o Judiciário, consegue segui-lo. No Executivo Federal, o presidente e os deputados recebem salários que chegam a ser 47 vezes maiores que a renda média em estados como Alagoas e Acre. Recentemente, um ministro do Tribunal de Contas da União admitiu receber penduricalhos que o colocam acima do teto, mas afirmou que só deixaria de recebê-los se todos fizessem o mesmo.
O governo, pressionado por ajustes fiscais e queda de popularidade, defende a reforma administrativa e o corte de super salários, mas poucos acreditam que haverá mobilização antes das eleições. Segundo a Constituição, o teto do funcionalismo é o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, fixado em R$ 46.000. No entanto, em 2024, o Conselho Nacional de Justiça registrou mais de 63.000 contracheques acima de R$ 100.000, com picos que ultrapassam R$ 678.000 em um único mês. A associação Livres destaca o descompasso entre a realidade da população e a classe política que deveria representá-la.

Um levantamento da Paraná Pesquisas divulgado nesta quarta-feira (25) trouxe à tona dados significativos sobre a percepção da população em relação à administração do governo federal. De acordo com a pesquisa, 56,7% dos entrevistados desaprovam a gestão atual, enquanto 39,8% a aprovam. Um pequeno percentual, 3,5%, não soube ou preferiu não responder. Quando o foco se volta para o terceiro mandato do presidente Lula, as opiniões se dividem: 8,8% consideram a gestão ótima, 16,8% a classificam como boa, e 25,8% a avaliam como regular.
Em contrapartida, 9,6% dos entrevistados consideram a administração ruim, e 37,9% a julgam péssima. Apenas 1,1% não souberam ou não responderam. A pesquisa, realizada entre os dias 18 e 22 de junho, abrangeu 2020 pessoas em 26 estados e no Distrito Federal, em 162 municípios do país, com uma margem de erro de 2,2 pontos percentuais e um grau de confiança de 95%.
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira (25), às 14h, o julgamento sobre a responsabilização de provedores e redes sociais por publicações de usuários. Sete ministros já defenderam ampliar as obrigações das big techs na moderação de conteúdo. Faltam os votos de três ministros. A votação foi suspensa no dia 12 deste mês após o voto do ministro Alexandre de Moraes, que defendeu a responsabilização das plataformas. Com sete votos favoráveis contra uma divergência, o julgamento será retomado com o voto do ministro Edson Fachin. Os ministros Kassio Nunes Marques e Cármen Lúcia também votarão. Apesar de já ter formado maioria para a responsabilização dos provedores na sessão anterior, os ministros ainda precisam entrar em consenso sobre as normas para a aplicação da decisão.
A maioria considerou que a regra é insuficiente para proteger os usuários e defendeu ampliar a obrigação das plataformas de fiscalizarem os conteúdos que circulam na internet. A única divergência até o momento veio do ministro André Mendonça, que votou para manter a sistemática atual de responsabilização das plataformas – apenas no caso do descumprimento de decisões judiciais – e para dificultar a remoção de perfis. Até o momento, votaram os ministros Dias Toffoli, Luiz Fux, Luís Roberto Barroso, André Mendonça, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.
O julgamento gira em torno do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que proíbe a responsabilização das plataformas por conteúdos publicados pelos usuários, exceto se houver descumprimento de decisões judiciais para remover publicações. Internamente, o julgamento é considerado o mais importante da história recente do Supremo. Os ministros aguardavam uma regulamentação das redes pelo Congresso, mas perderam a esperança desde o fracasso do PL das Fake News. O tribunal decidiu esperar as eleições passarem para se debruçar sobre o tema.
O Supremo Tribunal Federal (STF) validou na última terça-feira (24), os decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que suspendem registros de compra e transferência de armas e munições de uso restrito por caçadores, colecionadores, atiradores e particulares (CACs). O decreto de Lula reverte a flexibilização criada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante o período em que a liberação vigorou, o número de registros CACs subiu de 117,5 mil, em 2018, para 783,4 mil em 2022.
O ministro Gilmar Mendes, relator do processo, votou a favor da validade e foi acompanhado por todos os demais colegas.Os decretos 11.366/2023 e 11.615/2023, emitidos por Lula, limitam o número máximo de armas que um CAC pode possuir, proíbe a venda de armas de certo calibre, como o da pistola 9mm, para este grupo, suspende novos registros em clubes e escolas de tiro e impõe horário máximo de funcionamento para clubes de tiro. Na visão do ministro, o decreto “não impôs restrição desarrazoada a direitos dos cidadãos brasileiros, tendo apenas reorganizado a política pública de registro, posse e comercialização de armas”.
Em seu voto, Mendes afirma que as medidas propostas nos dois decretos se mostram “plenamente idôneas e apropriadas tendo em vista a consecução do pretendido objetivo de estabelecer nova regulamentação do Estatuo do Desarmamento que melhor permita o controle da circulação de armas de fogo no Brasil”. O ministro já tinha atuado a favor dos dois decretos em março de 2023, quando suspendeu todos os julgamentos relativos aos textos, o que paralisou as ações judiciais que permitiam burlar o controle mais rígido para adquirir armamento imposto pelo presidente Lula.
O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, afirmou neste sábado (21) estar “profundamente alarmado” com os ataques realizados pelos Estados Unidos contra instalações nucleares no Irã. Para ele, a ofensiva representa uma “escalada perigosa” em uma região já marcada por instabilidade e constitui uma “ameaça direta à paz e à segurança internacionais”. A declaração foi publicada na rede social X e reforçada em nota oficial da ONU.
Guterres apelou aos Estados-membros que cumpram suas obrigações conforme a Carta da ONU e o direito internacional. “Há um risco crescente de que este conflito saia rapidamente do controle — com consequências catastróficas para os civis, a região e o mundo”, afirmou. Ele reiterou que “não há solução militar” e defendeu a diplomacia como “único caminho possível”.
A manifestação ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmar que autorizou bombardeios contra três complexos nucleares iranianos, localizados nas cidades de Natanz, Esfahan e Fordow. O Irã confirmou ter sido alvo da ação, que ocorre em meio à intensificação de confrontos com Israel.
A ação militar dos Estados Unidos gerou reações de líderes e governos em diferentes partes do mundo. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, parabenizou Trump e disse que o ataque “mudará a história”. Segundo ele, o presidente norte-americano agiu para “negar ao regime mais perigoso do mundo as armas mais perigosas do mundo”.
Na América Latina, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que a ofensiva “coloca em risco a paz mundial” e criticou o que chamou de “incêndio no Oriente Médio”. O governo da Venezuela também condenou o ataque. O chanceler Yván Gil disse que os bombardeios foram realizados “a pedido do Estado de Israel” e constituem uma violação do direito internacional.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou a ação como uma “perigosa escalada” e uma grave violação da Carta das Nações Unidas. Já o México, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, fez um apelo urgente por diálogo e reafirmou seu compromisso com a diplomacia. A participação dos EUA no conflito, em apoio a Israel, marca o momento mais crítico da crise envolvendo o Irã desde 1979, com temores crescentes sobre os impactos regionais e globais da guerra.
O governo brasileiro vê com grave preocupação a escalada militar no Oriente Médio e condena “com veemência” ataques militares de Israel e, mais recentemente, dos Estados Unidos, contra instalações nucleares, “em violação da soberania do Irã e do direito internacional”, informou, em nota, o Ministério das Relações Exteriores na tarde deste domingo (22). “Qualquer ataque armado a instalações nucleares representa flagrante transgressão da Carta das Nações Unidas e de normas da Agência Internacional de Energia Atômica. Ações armadas contra instalações nucleares representam uma grave ameaça à vida e à saúde de populações civis, ao expô-las ao risco de contaminação radioativa e a desastres ambientais de larga escala”, diz comunicado do Itamaraty.
Ainda segundo a nota, o governo brasileiro reitera sua posição histórica em favor do uso exclusivo da energia nuclear para fins pacíficos e rejeita “com firmeza” qualquer forma de proliferação nuclear, especialmente em regiões marcadas por instabilidade geopolítica, como o Oriente Médio. O Itamaraty acrescenta que o Brasil também repudia ataques recíprocos contra áreas densamente povoadas, que têm provocado crescente número de vítimas e danos a infraestrutura civis, incluindo instalações hospitalares, que são especialmente protegidas pelo direito internacional humanitário.
“Ao reiterar sua exortação ao exercício de máxima contenção por todas as partes envolvidas no conflito, o Brasil ressalta a urgente necessidade de solução diplomática que interrompa esse ciclo de violência e abra uma oportunidade para negociações de paz. As consequências negativas da atual escalada militar podem gerar danos irreversíveis para a paz e a estabilidade na região e no mundo e para o regime de não proliferação e desarmamento nuclear”, completa o MRE.
Acusando o Irã de estar próximo de desenvolver uma arma nuclear, Israel lançou um ataque surpresa contra o país no último dia 13, expandindo a guerra no Oriente Médio. Neste sábado (21), os Estados Unidos atacaram três usinas nucleares iranianas: Fordow, Natanz e Esfahan. O Irã afirma que seu programa nuclear é apenas para fins pacíficos e que estava no meio de uma negociação com os Estados Unidos para estabelecer acordos que garantissem o cumprimento do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, do qual é signatário.
No entanto, a AIEA vinha acusando o Irã de não cumprir todas suas obrigações, apesar de reconhecer que não tem provas de que o país estaria construindo uma bomba atômica. O Irã acusa a agência de agir “politicamente motivada” e dirigida pelas potências ocidentais, como EUA, França e Grã-Bretanha, que têm apoiado Israel na guerra contra Teerã.
Em março, o setor de Inteligência dos Estados Unidos afirmou que o Irã não estava construindo armas nucleares, informação que agora é questionada pelo próprio presidente Donald Trump. Apesar de Israel não aceitar que Teerã tenha armas nucleares, diversas fontes ao longo da história indicaram que o país mantém um amplo programa nuclear secreto desde a década de 1950. Tal projeto teria desenvolvido pelo menos 90 ogivas atômicas.
” O governo brasileiro expressa grave preocupação com a escalada militar no Oriente Médio e condena com veemência, nesse contexto, ataques militares de Israel e, mais recentemente, dos Estados Unidos, contra instalações nucleares, em violação da soberania do Irã e do direito internacional. Qualquer ataque armado a instalações nucleares representa flagrante transgressão da Carta das Nações Unidas e de normas da Agência Internacional de Energia Atômica. Ações armadas contra instalações nucleares representam uma grave ameaça à vida e à saúde de populações civis, ao expô-las ao risco de contaminação radioativa e a desastres ambientais de larga escala.
O Governo brasileiro reitera sua posição histórica em favor do uso exclusivo da energia nuclear para fins pacíficos e rejeita com firmeza qualquer forma de proliferação nuclear, especialmente em regiões marcadas por instabilidade geopolítica, como o Oriente Médio. O Brasil também repudia ataques recíprocos contra áreas densamente povoadas, os quais têm provocado crescente número de vítimas e danos a infraestrutura civis, incluindo instalações hospitalares, as quais são especialmente protegidas pelo direito internacional humanitário.
Ao reiterar sua exortação ao exercício de máxima contenção por todas as partes envolvidas no conflito, o Brasil ressalta a urgente necessidade de solução diplomática que interrompa esse ciclo de violência e abra uma oportunidade para negociações de paz. As consequências negativas da atual escalada militar podem gerar danos irreversíveis para a paz e a estabilidade na região e no mundo e para o regime de não proliferação e desarmamento nuclear”.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse estar preocupado com o fato do mundo poder estar se encaminhando para a Terceira Guerra Mundial e citou a importânica de buscar soluções pacíficas. “”Isso é perturbador. Estou falando sem nenhuma ironia, sem nenhuma piada. É claro que há muito potencial de conflito, ele está crescendo e está bem debaixo de nossos narizes, e nos afeta diretamente. Isso exige, é claro, não apenas nossa atenção cuidadosa aos eventos que estão ocorrendo, mas também a busca de soluções, a busca de soluções, de preferência por meios pacíficos, em todas as direções.”, disse. Em relação a guerra contra a Ucrânia, que se encaminha para o quarto ano, Putin declarou que russos e ucranianos são só um povo e “nesse sentido, toda a Ucrânia é nossa”. “Por que estamos fazendo isso? Porque eles [Ucrânia] representam uma ameaça para nós. Eles estão constantemente bombardeando as áreas de fronteira. Isso é resultado de suas ações”, disse Putin, enfatizando que a Rússia nunca duvidou do direito da Ucrânia à soberania, mas observou que, quando a Ucrânia declarou sua independência em 1991, o fez como um “Estado neutro”.
Carlos Bolsonaro (PL), vereador do Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que os enjoos sofridos por seu pai durante churrasco em Goiânia, na manhã desta sexta-feira (20) são consequência da facada recebida durante a campanha presidencial de 2018. O ex-presidente já relatava desde a quinta-feira (19)estar com mal-estar. Durante evento em Goiás, Bolsonaro discursava quando acabou arrotando e pediu desculpas à plateia. “Desculpe aqui porque eu estou muito mal. Eu vomito 10 vezes por dia, talvez”, disse. Em seu perfil no X (antigo Twitter), nesta sexta, Carlos Bolsonaro compartilhou uma notícia sobre os enjoos do pai e atribuiu o mal-estar às cirurgias realizadas após a facada de 2018 e ao uso contínuo de medicamentos.
“Para controlar dores agudas, foi necessária a administração de medicamentos opioides – alguns com efeitos comparáveis aos da heroína médica, como o fentanil ou similares, geralmente restritos a ambientes hospitalares de alta complexidade”, disse Carlos. Jair Bolsonaro participava de um churrasco com apoiadores e aliados políticos no Frigorifico Goiás, na capital goiana, quando precisou deixar o evento ainda durante a manhã e se deslocar à Brasília. Interlocutores de Bolsonaro, afirmam que ele está bem e seguirá para sua residência na capital federal. Na publicação de Carlos Bolsonaro nesta sexta-feira, o filho do ex-presidente fez um apelo ao sistema judicial brasileiro: “A faca perfurou mais que o abdômen de Bolsonaro: ela cortou qualquer ilusão de que o Estado trata a ele e sua família com igualdade diante da lei e da dor do ser humano”, disse o vereador.
De acordo com o chefe de cirurgia oncológica do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Raphael di Paula, os sintomas reportados pelo ex-presidente são comuns em pacientes que passam por cirurgias no trato intestinal Em abril, Bolsonaro foi submetido a uma laparotomia exploradora, procedimento para investigar e tratar uma obstrução intestinal causada por aderências. As aderências, como cicatrizes que se formam na parede externa do intestino, podem acabar “grudando” pedaços do órgão e gerando obstruções. Desde que foi alvo da facada em 2018, Bolsonaro já passou por seis cirurgias na cavidade abdominal. A frequência dessas intervenções também podem causar novas aderências segundo o especialista.
Congressistas da União Europeia manifestaram suas preocupações em uma carta endereçada ao presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Hugo Motta (Republicanos-PB). O motivo da correspondência foi um projeto de lei que propõe a flexibilização do licenciamento ambiental no país. A carta, enviada na última quinta-feira (19), sublinha a inquietação dos parlamentares europeus em relação à proposta que visa acelerar o processo de licenciamento para empreendimentos estratégicos, como a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, sem considerar adequadamente os riscos ambientais envolvidos.
O projeto, que já foi aprovado com modificações pelo Senado em maio, ainda aguarda votação na Câmara dos Deputados, sem uma data definida para ocorrer. Os congressistas europeus destacaram em sua carta que as revisões propostas no projeto de lei alteram e removem disposições essenciais do atual processo de licenciamento ambiental brasileiro. Eles expressaram preocupação com a rapidez com que o projeto está sendo tramitado, especialmente devido às potenciais consequências adversas que ele pode acarretar.
Um dos pontos mais críticos levantados foi a possibilidade de autolicenciamento para empreendimentos com impactos socioambientais significativos, que seria realizado por meio de formulários online, sem a devida fiscalização e controle. A discussão sobre o projeto de lei se prolongou no Senado Federal e agora aguarda votação na Câmara dos Deputados, que só ocorrerá após o recesso do Congresso Nacional.
A 33ª edição da Marcha para Jesus reuniu milhares de fiéis nesta quinta-feira (19), em São Paulo, com a participação de autoridades políticas e religiosas. O governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cantou o louvor “1.000 Graus” no trio elétrico principal e foi homenageado com orações e parabéns pelo seu aniversário de 50 anos. Em determinado momento, ele apareceu enrolado em uma bandeira de Israel — país que enfrenta uma escalada de tensão com o Irã desde a semana passada.
A caminhada começou por volta das 10h, com concentração na Avenida Tiradentes, região da Estação da Luz, e segue até a Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, na zona norte, onde estão programados shows de música gospel. Entre os artistas confirmados estão Aline Barros, Fernanda Brum, Thalles Roberto e Ton Carfi.
Organizada pelo apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo, a Marcha contou com a presença de líderes religiosos e políticos de diferentes partidos. Participaram o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB); o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal); o presidente do PL, Valdemar Costa Neto; o presidente do PSD, Gilberto Kassab; o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos); e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ausente por compromissos internacionais.
Durante o evento, André Mendonça conduziu uma oração pública, e Tarcísio e Nunes foram homenageados pelos organizadores. Em seu discurso previsto para o início da tarde, o governador destacou a importância da fé e da união entre os cristãos. A agenda de Tarcísio na Marcha se estende até as 15h.
