
O Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais apresentou uma denúncia contra o deputado federal Nikolas Ferreira e o deputado estadual Bruno Engler, ambos do PL-MG, por difamação. A acusação se origina de um vídeo que Nikolas divulgou durante a campanha eleitoral de 2024, no qual fazia uma associação entre um livro do candidato a prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, e a pedofilia. Na denúncia, o MP solicita a suspensão dos direitos políticos de Nikolas Ferreira, além de uma indenização por danos morais a ser destinada a uma instituição escolhida pela família de Noman, que faleceu em março de 2025. Durante a campanha, Nikolas havia manifestado apoio a Engler e descreveu a obra “A Cobiça”, de Noman, como “pornográfica”, citando um episódio de estupro coletivo de uma criança presente na narrativa.
O juiz responsável pelo caso, Adriano Zocche, avaliou que o vídeo veiculado por Nikolas representava uma “evidente distorção e manipulação” dos fatos. Em sua decisão, o magistrado ordenou a remoção do conteúdo e estabeleceu uma multa de R$ 5 mil por hora em caso de descumprimento da ordem. Além disso, o juiz concedeu a Fuad Noman o direito de resposta durante a propaganda eleitoral de Engler. No entanto, até o momento, Nikolas não retirou o vídeo de suas plataformas de redes sociais, desconsiderando a determinação judicial. A Jovem Pan está aberta a manifestação da defesa.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), classificou como boa a primeira reunião da cúpula do Congresso com integrantes do governo depois do impasse em torno da derrubada do decreto presidencial do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), na noite dessa segunda-feira (8).
"Reunião boa, serviu para retomar o diálogo e agora vamos seguir conversando para encontrar um caminho. Sem definição ainda", disse ao blog o presidente da Câmara.
Participaram do encontro na residência oficial da Câmara o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), os ministros Fernando Haddad, da Fazenda, e Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, além de líderes do Congresso.
A reunião acontece para retomar o diálogo entre as duas partes antes da audiência de conciliação marcada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Moraes suspendeu, simultaneamente, três decretos presidenciais que elevavam as alíquotas do IOF e um decreto do Congresso que anulava os aumentos.
Questionado pelo blog se o governo vai insistir em manter o decreto do IOF, Motta disse que ainda não há uma solução, e sinalizou que novos encontros serão agendados.
"Não ficou resolvido, penso que as próximas conversas devem ir ajudando a desenhar um caminho", disse Motta.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), fez avaliação semelhante à do presidente da Câmara.
"A reunião foi boa e se debateu, desde alternativas. passando por uma eventual conciliação para a audiência marcada pelo ministro Alexandre de Moraes", afirmou o senador.
A reunião marca um movimento concreto de tentativa de conciliação entre o Executivo e o Congresso após a aprovação, pelo Legislativo, de um projeto de decreto legislativo (PDL) que suspendeu os efeitos da medida editada por Lula.
O decreto, segundo o governo, visava corrigir distorções e ampliar a arrecadação no curto prazo, evitando cortes no Orçamento — inclusive em emendas parlamentares.
A medida, no entanto, foi contestada no Congresso e acabou também suspensa por decisão liminar do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Moraes reconheceu que cabe ao presidente da República editar decretos sobre o IOF, mas apontou dúvidas sobre possível desvio de finalidade da norma. Ele agendou para o dia 15 de julho uma audiência de conciliação entre Executivo e Legislativo, cobrando um entendimento entre as partes.
Depois disso, o primeiro movimento de reaproximação partiu, ainda em Lisboa, quando o Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, teve uma longa conversa com o deputado Hugo Motta, buscando a pacificação.
O prefeito de Maceió, JHC (PL), recuou diante de possíveis acordos para as eleições de 2026 e pode adotar um caminho de independência para evitar arranhar sua imagem com o eleitorado principalmente da capital.
Maceió foi a única capital do Nordeste com mais apoiadores de Bolsonaro em detrimento de apoiadores do atual presidente da República. Diante desse cenário, especulações de bastidores que apontam uma possível aliança entre JHC e Lula, e consequentemente com Renan Calheiros, não foram bem vistas por apoiadores do prefeito.
Nas redes sociais, apoiadores de JHC avisaram ao prefeito que deixaram de apoiar o mandatário com essa nova configuração.
Nos últimos dias, JHC emitiu sinais de distanciamento com Arthur Lira — até então seu aliado — e não respondeu aos acenos de Renan Calheiros.
Nos bastidores, cresce as especulações de que o prefeito de Maceió pode optar por se manter neutro no próximo pleito. O que não significa dizer que JHC não vai manter sua rota de aproximação com Lula.
No último final de semana, JHC recebeu um dos principais aliados de Lula, Edinho Silva.
O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), deu a largada na corrida pela cadeira de governador de Alagoas durante lançamento do VLT em Arapiraca, nessa segunda-feira (7), ao lado de seu ex-vice-governador, Luciano Barbosa (MDB), e do deputado Daniel Barbosa (PP), alvo de investidas de JHC (PL).
O senador Renan Calheiros já havia informado que RF deixaria o governo Lula para disputar as eleições, mas havia nos bastidores a esperança — por parte de aliados — que o emedebista conseguisse emplacar uma candidatura a vice de Lula.
Desta vez, Renan Filho confirmou à imprensa que vai deixar a Esplanada dos Ministérios para disputar o governo de Alagoas no próximo ano.
“Eu vou me desincompatibilizar em abril para ficar apto a disputar as eleições ao governo de Alagoas. O senador Renan, que é o presidente do nosso partido, e o governador já têm registrado sempre quando podem o meu nome e eu jamais me furtarei ao povo alagoano e ao meu grupo político a disputar as eleições”, disse.
O “lançamento” de sua candidatura na capital do Agreste acontece em meio a acenos a Luciano e Daniel Barbosa, prefeito de Arapiraca e deputado federal, respectivamente.
A reaproximação pública entre Renan Filho e Luciano Barbosa, durante o lançamento de uma obra que mexe com o sentimento dos arapiraquenses, pode sinalizar a manutenção dos arapiraquenses no arco de alianças do Palácio República dos Palmares, já que os políticos de Arapiraca vinham sendo namorados pela oposição.
Há quem diga, ainda, que a largada de Renan Filho pode ser apenas uma forma de espantar adversários de peso, garantir alianças a seu grupo, mas que RF ainda mantém esperanças em se projetar nacionalmente.
O prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), 66, sofreu um infarto na noite da última segunda-feira (7) no quartel onde está preso há duas semanas. Ele passou por um cateterismo e está sob observação.
Siqueira Campos teve infarto agudo do miocárdio e passou por cateterismo de emergência.
"No momento, encontra-se estável e precisará ficar em observação médica pelas próximas 24 horas. Pedimos a oração de todos", escreveu a família nas redes sociais.
O procedimento foi um sucesso, disse o cardiologista. "No momento, o paciente encontra-se estável, consciente e permanece na UTI desta unidade hospitalar", disse Andrés Sanchez, do Hospital Geral de Palmas. "O paciente permanecerá em acompanhamento nos próximos dias."
O prefeito foi preso preventivamente em 27 de junho, acusado de vazar informações de inquéritos sigilosos do STJ (Superior Tribunal de Justiça). A investigação obteve conversas no celular dele que mostram que ele monitorava investigações para informar aliados políticos, segundo a PF.
Na ocasião, ele disse que a investigação não é sobre o mandato atual e que tudo será esclarecido. "Neste momento, é importante prestar todos os esclarecimentos e manter preservadas a população de Palmas e a gestão municipal", afirmou em nota ao ser preso.
O prefeito em exercício e vice de Siqueira Campos, Pastor Carlos Velozo (Agir), publicou nota desejando pronta recuperação. "Neste momento de cuidado e esperança, Pastor Carlos Velozo conclama toda a população de Palmas a unir-se em oração pela saúde e pronta recuperação do prefeito Eduardo Siqueira Campos, para que, com fé e serenidade, possamos vê-lo restabelecido o mais breve possível", disse.
O deputado federal pelo Ceará Júnior Mano (PSB-CE) se tornou alvo de uma operação da Polícia Federal que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos por meio de fraudes em processos licitatórios e contratuais.
A Polícia Federal realizou nesta terça-feira (8) buscas em endereços ligados ao parlamentar. Antônio Luiz Rodrigues Mano Júnior é natural da cidade de Novas Russas, interior cearense, e começou sua trajetória polícia em 2016. Foi o segundo deputado mais votado do Ceará na última eleição e coleciona polêmicas.
Em nota, o deputado afirmou que "não tem qualquer participação" no esquema criminoso. "O parlamentar reafirma sua confiança nas instituições, em especial no Poder Judiciário e na Polícia Judiciária Federal, e reitera seu compromisso com a legalidade, a transparência e o exercício probo da função pública."
Por fim, o deputado afirma ter "plena convicção de que, ao final da apuração, a verdade dos fatos prevalecerá".
Abaixo, o g1 explica quem é o deputado e como funcionava o esquema investigado nesta terça (8).
De 2° deputado mais votado a expulso do PL
Antônio Luiz Rodrigues Mano Júnior tem 40 anos e é natural da cidade de Novas Russas, interior do Ceará. Ele começou sua trajetória política em 2016, quando assumiu como vice-prefeito de Nova Russas. Em 2018 foi eleito deputado federal com 67.917 votos.
Em 2022, foi reeleito deputado com 216.531 votos, a 2° maior votação do estado, atrás apenas de André Fernandes (PL). Além de político, é empresário e administrador. Na Câmara, é integrante da Comissão de Saúde e da Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional.
Em 2024, o Partido Liberal expulsou Júnior Mano após ele ter participado da campanha de Evandro Leitão (PT) à Prefeitura de Fortaleza.

O deputado foi a um evento de campanha de Leitão, com a presença do próprio candidato, além do governador Elmano de Freitas e o ministro da Educação, Camilo Santana (ambos do PT).
Bolsonaro soube da situação na capital cearense e pediu ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para expulsar o deputado.
O deputado ajudou a organizar o ato de apoio a Leitão, reunindo, segundo o próprio Júnior Mano, 41 prefeitos cearenses para pedir votos ao candidato petista.
Júnior Mano é casado atualmente com Giordanna Silva Braga Mano, prefeita da cidade Nova Russas. Em 2022, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) cassou o diploma dela e do vice José Anderson por abuso de poder político e captação ilícita de votos. Coube recurso da decisão.
Além da cassação dos diplomas, foi aplicada a sanção de inelegibilidade para ela e para o próprio Júnior Mano, pelo prazo de 8 anos.
Como funcionava o esquema?
De acordo com a PF, o núcleo investigado articulava o envio de verbas públicas a determinados municípios no Ceará e, em troca, parte dos recursos era desviado para pagamentos ilegais.
A organização criminosa também é suspeita de influenciar procedimentos licitatórios por meio de empresas vinculadas ao grupo.
As condutas investigadas envolvem os crimes de organização criminosa, captação ilícita de sufrágio, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica com fim eleitoral.

Os líderes do Brics retomam sua cúpula no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (7), após Donald Trump ameaçar impor uma tarifa adicional de 10% aos países que se “alinharem” com o grupo, que ele considera “antiamericano”. Embora sem citar o presidente americano, o bloco formado por países como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul expressou em um comunicado conjunto no domingo a “séria preocupação” com medidas tarifárias unilaterais que “distorcem o comércio”.
A posição foi anunciada depois que os Estados Unidos anunciaram que aplicarão tarifas a partir de 1º de agosto aos parceiros comerciais com os quais não tenham chegado a acordos, segundo o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. Trump também declarou ter assinado mais de 10 cartas para informar os países sobre os aumentos de tarifas.
O comunicado do Brics, emitido no primeiro dia do encontro no Rio, com ausências notáveis como a do presidente chinês, Xi Jinping, provocou uma reação do presidente republicano. “Qualquer país que se alinhe às políticas antiamericanas do Brics será cobrado com uma tarifa ADICIONAL de 10%. Não haverá exceções a essa política”, escreveu ele em sua plataforma Truth Social.
O grupo, visto como um contrapeso ao poder dos Estados Unidos e da Europa Ocidental, foi ampliado recentemente para 11 países e representa quase metade da população mundial e quase 40% do PIB.
O Brics ainda não comentou as ameaças de Trump, mas a China o fez por meio de uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. “A respeito da imposição de tarifas, a China tem declarado repetidamente sua posição de que as guerras comerciais e tarifárias não têm vencedores e que o protecionismo não é o caminho a seguir”, disse a porta-voz, Mao Ning.
No entanto, o grupo “não busca confronto entre as partes e não se refere a nenhum país”, acrescentou. Os Estados Unidos estão em negociações com vários países para alcançar acordos comerciais que evitem tarifas. O país concordou com uma trégua temporária com a China para reduzir as tarifas de três dígitos que ambos os países adotaram de modo recíproco.
Até o momento, apenas o Reino Unido e o Vietnã conseguiram selar um acordo comercial com os Estados Unidos. Além do presidente chinês, as ausências notáveis na cúpula do Rio foram o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, e o presidente russo, Vladimir Putin, alvo de um mandado de prisão internacional por supostos crimes de guerra na Ucrânia. A delegação saudita, por sua vez, não participou das sessões plenárias de domingo e deve se juntar às reuniões nesta segunda-feira, segundo uma fonte do governo brasileiro.
No primeiro dia da cúpula sob a presidência brasileira, o Brics também pediu um “cessar-fogo imediato, permanente e incondicional” e uma “retirada completa das forças israelenses da Faixa de Gaza”. O Brics também condenou os “ataques militares” de junho por Israel e Estados Unidos contra o Irã, membro do bloco, sem citar os nomes dos dois países.
O grupo emitiu uma declaração específica sobre a inteligência artificial (IA), na qual apoia “firmemente o direito de todos os países de usufruir” dos seus benefícios e “estabelecer suas próprias estruturas regulatórias” para esta tecnologia.
O Brics divulgará nesta segunda-feira declarações sobre mudanças climáticas e cooperação na área de saúde. Desde 2023, o Brics se expandiu para incluir Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, que se juntaram ao grupo fundado em 2009 para fortalecer o Sul global.
O Partido Liberal (PL) realizou nesta sexta-feira (5) o Encontro Nacional do PL Mulher em Guarulhos, na Grande São Paulo, com o objetivo de traçar estratégias e fortalecer a sigla para as eleições de 2026. O evento foi marcado por discursos de figuras centrais do partido, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e contou com uma participação virtual do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher, adotou um tom messiânico em seu discurso, afirmando que o Brasil é um país conservador e direcionando duras críticas à esquerda. Ela declarou que “não existe democracia sem a candidatura de Jair Messias Bolsonaro em 2026”. A ex-primeira-dama também acusou a esquerda de tentar “entrar nas igrejas” e de monitorar os perfis da direita nas redes sociais.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reforçou o nome de Jair Bolsonaro como candidato do partido para a presidência. “O nosso candidato a presidente vai ser Jair Bolsonaro! Não tenho dúvida disso”, afirmou. No entanto, ele apresentou o plano do partido caso o ex-presidente seja impedido de concorrer. “Se acontecer uma injustiça no Brasil e o impedirem, quem escolhe o candidato não é o partido, é o presidente Bolsonaro”, declarou. Costa Neto também afirmou que, segundo pesquisas, Michelle Bolsonaro “é a única que bate o Lula no segundo turno”.
Jair Bolsonaro participou do evento brevemente por meio de uma videochamada.
Em sua mensagem aos presentes, ele disse que é preciso “ocupar aquilo que é nosso com o passar do tempo” e transmitiu uma mensagem de otimismo: “Esses momentos de angústia que nós vivemos, brevemente aí será questão do passado”. O encontro reuniu diversas lideranças do partido, consolidando-se como um movimento estratégico para alinhar o discurso e mobilizar a base visando o próximo ciclo eleitoral.
Durante as discussões do Brics realizadas no Rio de Janeiro, a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva, trouxe à tona a urgência de enfrentar as mudanças climáticas e promover a transição energética. Em um cenário onde guerras e conflitos frequentemente dominam as conversas, Silva destacou que a emergência climática é uma preocupação ainda mais premente. Ela alertou sobre a situação crítica que o mundo enfrenta caso não haja uma mobilização global para controlar a temperatura do planeta, citando eventos climáticos recentes no Rio Grande do Sul e nos Estados Unidos como exemplos da gravidade do problema.
Marina Silva enfatizou a necessidade de conscientização e ação por parte dos países, defendendo que investimentos e financiamentos são essenciais para mitigar as mudanças climáticas. Ao ser questionada sobre a possível exploração de petróleo e gás na margem equatorial brasileira, Silva reconheceu as contradições existentes, mas afirmou que é possível promover o desenvolvimento econômico sem comprometer o meio ambiente. Ela destacou a importância de tratar a mudança climática como uma questão de emergência, especialmente para as economias do sul global, que são frequentemente as mais afetadas pelas consequências das alterações climáticas.
O Brasil, segundo Silva, está comprometido com uma transição justa e planejada para um novo ciclo de prosperidade, apesar dos desafios geopolíticos e climáticos. O país já estabeleceu um fundo para financiar a preservação ambiental e reduzir o desmatamento, com a expectativa de que países não desenvolvidos contribuam com recursos. Este fundo é uma parte crucial da estratégia do Brasil para enfrentar a crise climática, demonstrando um compromisso com a sustentabilidade e a proteção dos recursos naturais.
A ministra reforçou que o contexto atual exige ações coordenadas e urgentes para enfrentar a crise climática global. Ela conclamou os países a se unirem em um esforço coletivo para garantir um futuro sustentável para as próximas gerações. A mensagem de Marina Silva no BRICS é clara: a ação climática não pode mais ser adiada, e a colaboração internacional é essencial para enfrentar os desafios ambientais que ameaçam o nosso planeta.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste domingo (6) o papel do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, instituições que, na visão dele, “sustentam um Plano Marshall às avessas, em que as economias emergentes e em desenvolvimento financiam o mundo mais desenvolvido”. A declaração fez parte da intervenção do presidente na segunda sessão plenária da cúpula de líderes, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, dedicada ao fortalecimento do multilateralismo, assuntos econômico-financeiros e inteligência artificial (IA).
Plano Marshall foi a ajuda financeira que os Estados Unidos proveram para a reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Para Lula, enquanto o FMI e o Banco Mundial se voltam ao mundo desenvolvido, “os fluxos de ajuda internacional caíram, e o custo da dívida dos países mais pobres aumentou”. O presidente aproveitou a reunião de líderes do Brics, comandada pelo Brasil, para pedir mais poder dos países do Sul Global no FMI, instituição que tem entre suas missões cooperar para o bom funcionamento do sistema financeiro global e colaborar com países durante crises econômicas, por exemplo.
“As distorções são inegáveis”, declarou Lula. “Para fazer jus ao nosso peso econômico, o poder de voto dos membros do Brics no FMI deveria corresponder pelo menos a 25% – e não os 18% que detemos atualmente”, completou. O presidente brasileiro fez críticas ao neoliberalismo (diminuição do Estado na economia), responsável, segundo ele, aprofundar desigualdades. “Três mil bilionários ganharam US$ 6,5 trilhões desde 2015”, citou.
Na participação, o presidente fez elogios ao Novo Banco de Desenvolvimento (New Development Bank, NDB), conhecido como Banco do Brics. “O Novo Banco de Desenvolvimento dá uma lição de governança”, afirmou ao citar o recém ingresso de Argélia e o processo de adesão da Colômbia, Uzbequistão e Peru. Para ele, é um atestado da capacidade do NDB de oferecer financiamento para transição justa e soberana.
O banco de fomento foi criado pelo Brics em 2015. Desde 2023, a ex-presidente Dilma Rousseff está no comando da instituição financeira, que tem sede na China. Países de fora do Brics podem se habilitar para participar do NDB. Dilma discursou na sessão deste domingo.
Ainda abordando a desigualdade no mundo, Lula defendeu justiça tributária (ricos pagando mais impostos) e combate à evasão fiscal., “Fundamentais para consolidar estratégias de crescimento inclusivas e sustentáveis, próprias para o século XXI”.
O presidente fez críticas ainda a Organização Mundial do Comércio (OMC). “Sua paralisia e o recrudescimento do protecionismo criam uma situação de assimetria insustentável para os países em desenvolvimento”. A declaração acontece no ano em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deflagrou uma guerra tarifária, aplicando tarifas a produtos que entram no país – uma forma de proteger a indústria americana da concorrência estrangeira.
O presidente brasileiro ressaltou que essa 17ª reunião de líderes do Brics reúne, pela primeira vez, países-parceiros. “Coroa a histórica expansão do Brics”, exaltou. País-parceiro é uma modalidade criada na cúpula da cidade russa de Kasan, em 2024. Uma principal diferença entre país-membro e que os parceiros não têm poder de voto nas discussões. “Os países convidados trazem consigo perspectivas de diferentes contextos regionais que enriquecem a articulação de uma visão própria do Sul Global.O Brics é ator incontornável na luta por um mundo multipolar, menos assimétrico e mais pacífico”, declarou.
O Brics é formado por 11 países-membros: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia. Essas nações representam 39% da economia mundial e 48,5% da população do planeta. Os países que têm status de parceiros são Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.
O Brics se identifica como nações do Sul Global e busca mais cooperação entre si e tratamento mais equânime em organismos internacionais. Os países-membros se alternam ano a ano na presidência. O Brasil será sucedido pela Índia em 2026.
O deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT) foi eleito, nesse domingo (6), como o novo presidente do Partido dos Trabalhadores em Alagoas (PT/AL). A eleição contou com a participação direta de filiados e registrou uma das maiores mobilizações internas do partido nos últimos anos.
A disputa envolveu três chapas: Ronaldo Medeiros, da corrente Resistência Socialista, liderou a chapa "Renova PT Alagoas"; Dafne Orion, da CNB, concorreu pela chapa "Coração Petista"; e Paulo Henrique Barbosa Mateus disputou pelo movimento Diálogo e Ação Petista (DAP).
Segundo dados do TSE, o PT em Alagoas conta com mais de 193 mil filiados ativos — o maior número registrado desde 2009. A eleição foi precedida por uma decisão da Executiva Nacional que reconheceu 3.386 filiações que haviam sido indeferidas no estado, fato que influenciou diretamente no resultado.
Logo após a confirmação da vitória, Ronaldo Medeiros publicou um vídeo em suas redes sociais agradecendo os votos e destacando a dimensão do resultado. “Esse projeto que em todos os momentos eu falo que é um projeto coletivo, que é um projeto feito a várias mãos, estamos conseguindo uma vitória muito grande. Vocês não imaginam o tamanho ali. E você, você sabe disso, dessa vitória”, afirmou.
No discurso, ele mencionou os objetivos do grupo político que o elegeu. “Uma vitória de um grupo político que quer construir, que quer respeitar a opinião do outro ou da outra, mesmo que seja uma opinião contrária, que quer dar a vitória do presidente Lula aqui em Maceió no próximo ano, que quer eleger mais vereadores, vereadoras, que quer ter deputados, deputadas, que quer ter senador”, disse.
Ele também agradeceu aos filiados que participaram do processo de votação. "Você que é filiado ou filiada do Partido dos Trabalhadores, que votou no Ronaldo 300, nós teremos uma grande responsabilidade e retribuiremos isso com políticas", declarou.
Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta sexta-feira (4), uma moeda comum do Brics, ignorando as ameaças do governo americano de declarar uma guerra tarifária contra quem ameaçar a hegemonia global do dólar. Lula discursou na abertura da 10.ª reunião anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira do Brics, no primeiro evento ligado à cúpula do grupo, que começa oficialmente neste domingo (6). A moeda que serviria para transações internacionais do Brics seria uma alternativa à dominância do dólar e para reduzir custos. Lula apoia a ideia publicamente desde pelo menos 2023, mas o assunto havia sido deixado de lado em razão da sensibilidade do tema.
A pauta agrada a países que rivalizam economicamente com EUA, como a China, e aqueles alvos de sanções econômicas, como Rússia e Irã. No entanto, havia sido desacelerada por escolha do Brasil, pelo potencial de atrito com Washington e por acentuar a visão de que o Brics se tornou um grupo antiocidental. O presidente americano, Donald Trump, chegou a ameaçar taxar em 100% as exportações de países que quisessem destronar a moeda americana de sua posição hegemônica.
O governo brasileiro se dedicou a combater essa percepção sobre Brics, forte nos EUA e na Europa, e tirou a sugestão de criar uma moeda para comércio da proposta de temas a serem discutidos este ano – o que não dissuadiu o presidente de defender a ideia.
Trump também foi alvo da presidente do NDB, Dilma Rousseff. Na abertura do encontro, ela afirmou que o mundo está mais fragmentado, desigual e exposto a crises sobrepostas – climática, econômica e geopolítica – fez uma crítica velada às políticas tarifárias da Casa Branca. “Testemunhamos um recuo na cooperação e o ressurgimento do unilateralismo. Tarifas, sanções e restrições financeiras estão sendo usadas como ferramentas de subordinação política”, disse.
O discurso de Lula ecoa a disputa doméstica e é um recado ao embate entre Congresso e Executivo, que levou à derrubada de seu decreto com aumento do IOF e o fez pautar novamente a proposta de taxação de grandes fortunas. O aumento tinha por objetivo ampliar receitas para dar conta dos gastos. Presidente fará maratona de reuniões antes de abertura
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, fará neste sábado, 5, uma maratona de reuniões antes da abertura da cúpula do Brics, amanhã, no Rio. Ele se encontrará com líderes de Etiópia, Nigéria, Vietnã, China e Cuba para discutir temas globais e bilaterais. O Planalto considera abrir espaço na agenda de Lula para até oito reuniões, que ocorrerão no Forte de Copacabana, à tarde, depois que o presidente discursar no Fórum Empresarial do Brics, na zona portuária, pela manhã.
Lula terá ainda outra oportunidade de conversar mais reservadamente com líderes do bloco no Museu de Arte Moderna (MAM), local de abertura do encontro, que se encerra na segunda-feira (7). Após a cúpula do Brics, o presidente volta a Brasília para receber visitas de Estado do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e do presidente da Indonésia, Prabowo Subianto – Lula deve agradecer os esforços de resgate da brasileira Juliana Marins, que morreu trilha no vulcão no Monte Rinjani, em junho.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (4) que o maior risco do Brasil é o crime organizado. Durante o Fórum Jurídico de Lisboa, o governador pregou o combate à infiltração do crime em negócios lícitos – “o que afasta a competitividade”. Também defendeu a “estruturação das Forças Armadas,” para combater as relações entre o narcotráfico e questões de segurança global. Segundo o governador, o Brasil tem que “pensar em fazer o seu dever de casa para que possa voltar a investir em defesa”. Ele ponderou que o País tem uma fronteira seca muito extensa, assim como uma extensa costa e não pode “ficar absolutamente desguarnecido”.
“Guarnecer as fronteiras significa ter condição de combater o crime organizado, a infiltração do crime organizado no território nacional, a infiltração desse crime nos negócios lícitos, o que afasta a competitividade, o que destrói os negócios daqueles que jogam a regra do jogo, e contar com Forças Armadas equipadas para fazer essa vigilância, contar com tecnologia de ponta, é fundamental para que a gente possa vencer essa guerra e mitigar esse risco que, para mim, é o maior risco que o país passa hoje”, indicou.
Para Tarcísio, “risco fiscal talvez seja o menos importante, porque se sabe como resolvê-lo”. “O Brasil passou por reformas muito relevantes nos últimos anos e, no final, a gente criou as condições ou as bases para ter uma economia relativamente arrumada. Obviamente, algumas coisas hoje não estão andando bem, mas é fácil arrumar, é fácil ajustar”, ponderou. “As alavancas são bem conhecidas e aí a gente está falando de aumentar o fluxo de capital estrangeiro, a gente está falando de apreciar câmbio, a gente está falando de diminuir inflação, a gente está falando de reduzir taxa de juros e a gente está falando de ter mais recursos para investir e nos tornar menos vulneráveis para algumas questões aqui em relação à América do Sul, que nos deixam, que talvez realmente se constitua o maior risco”, completou o governador.
Na avaliação de Tarcísio, se o País não se atentar para o tema, haverá “dificuldade com alguns negócios em alguns segmentos”. Além disso, o governador destacou as ligações entre o narcotráfico e questões de segurança global, como a “relação estreita que pode existir entre narcotráfico e terrorismo”. “É por isso que as forças armadas precisam estar equipadas, estruturadas. Agora isso não vai acontecer se a gente não tiver as condições fiscais para isso. E aí tem um exercício, tem um dever de casa que é bem conhecido e que precisa ser feito”, apontou.
A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou nesta sexta-feira (4), projeto de lei que impede o uso de sons estridentes em sinais escolares. O texto determina que instituições de ensino devem usar “sinais musicais ou visuais adequados aos estudantes portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA)“. A proposta, criada pelo deputado federal Marco Tavares (PDT-RJ), estabelece que a música utilizada “deverá ser suave, agradável e ter volume adequado para não causar desconforto aos alunos com TEA, a fim de se evitar risco de pânico ou incômodos sensoriais”
“É de suma importância que haja essa mudança simples, onde acarretará em grande eficácia, com intuito de não gerar mais nenhum incômodo e sofrimento a esse grupo de estudantes que necessitam frequentar os estabelecimentos de ensino de forma mais agradável e saudável possível”, afirma o parlamentar na justificativa. O relator do projeto de lei, deputado Prof. Reginaldo Veras (PV-DF), reuniu outras três propostas com teor parecido em um substitutivo que será avaliado pela Câmara e, caso seja aprovado, seguirá para o Senado Federal.
O texto original ainda previa punições para as escolas que descumprissem a lei, como abertura de procedimento administrativo disciplinar em escolas públicas, multas de R$ 1 mil por dia em escolas particulares e até mesmo perda de alvará, mas estes trechos foram removidos.
Em 26 de junho a Câmara aprovou outro projeto de lei que trata sobre pessoas com autismo. A proposta, do senador Romário (Podemos-RJ), estabelece o Dia do Orgulho Autista, que deve ser comemorado em 18 de junho. Para que entre em vigor, o texto ainda precisa ser aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara e retornar para o Senado.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu nesta sexta-feira (4) todos os efeitos dos decretos presidenciais que tratavam do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), assim como a decisão do Congresso Nacional que havia derrubado as medidas do Executivo. A medida tem caráter liminar e visa conter o avanço de uma crise institucional entre os Poderes. Na mesma decisão, Moraes determinou a realização de uma audiência de conciliação entre representantes do Executivo e do Legislativo no próximo dia 15 de julho, às 15h, na sede do STF.
Foram convocados para o encontro integrantes do Palácio do Planalto, Câmara dos Deputados, Senado Federal, Advocacia-Geral da União (AGU), Procuradoria-Geral da República (PGR) e partidos que acionaram o Supremo. O impasse teve início com a edição dos decretos 12.466, 12.467 e 12.499/2025, por meio dos quais o governo federal aumentou as alíquotas do IOF. Em resposta, o Congresso Nacional aprovou o decreto legislativo 176/2025, que anulava os efeitos da medida presidencial. O governo reagiu ingressando com uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) no STF para validar os decretos. O PSOL também recorreu à Corte, mas para questionar a legalidade da decisão do Congresso.
Na decisão, Moraes deu prazo de cinco dias para que as partes envolvidas apresentem esclarecimentos formais. O Executivo deverá justificar o aumento das alíquotas do IOF, enquanto o Congresso deve explicar os fundamentos legais da derrubada dos decretos. O ministro apontou indícios de desvio de finalidade por parte do governo, uma vez que o IOF tem caráter extrafiscal e deve ser utilizado como instrumento de regulação econômica — e não para fins puramente arrecadatórios.
“Se for comprovado que o aumento teve como único propósito elevar a arrecadação, poderá haver desvio de finalidade e, portanto, inconstitucionalidade”, destacou Moraes. Ele também questionou se o Congresso teria extrapolado sua competência ao sustar decretos que, segundo sua avaliação inicial, poderiam não se enquadrar na hipótese prevista no artigo 49, inciso V, da Constituição Federal — que autoriza o Legislativo a suspender atos normativos que exorbitem o poder regulamentar do Executivo.
Para Moraes, a escalada de medidas e contramedidas entre os Poderes exige do STF uma atuação mediadora: “Essa sucessão de medidas e reações entre Executivo e Legislativo, com efeitos diretos sobre a arrecadação e a política econômica, exige do Supremo a atuação como mediador institucional”, afirmou. A liminar suspende todos os efeitos das normas envolvidas até que o Supremo julgue o mérito das ações. Enquanto isso, o destino da política fiscal do governo, e o próprio alcance dos poderes Executivo e Legislativo, seguem em compasso de espera — agora sob mediação da mais alta Corte do país.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), elogiou nesta sexta-feira (04) a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu os efeitos dos decretos presidenciais que aumentavam o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A medida liminar foi interpretada pelo parlamentar como alinhada à vontade da maioria do plenário e da sociedade brasileira.“A decisão do ministro Alexandre de Moraes evita o aumento do IOF, em sintonia com o desejo da maioria do plenário da Câmara dos Deputados e da sociedade”, afirmou Motta nas redes sociais. Além do elogio, o presidente da Câmara reforçou que a Casa permanece aberta ao diálogo institucional com “respeito e serenidade”, diante do impasse entre os Poderes.
A decisão de Moraes inclui a convocação de uma audiência de conciliação entre representantes do governo federal e do Congresso Nacional, marcada para o próximo dia 15 de julho, às 15h, no plenário do STF, em Brasília. A convocação também inclui representantes da Advocacia-Geral da União (AGU), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e dos partidos que ingressaram com ações sobre o tema. O ministro deu prazo de cinco dias para que governo e Legislativo apresentem esclarecimentos formais sobre o caso. O Planalto deverá justificar o aumento das alíquotas do IOF — previstas nos Decretos 12.466, 12.467 e 12.499/2025 —, enquanto o Congresso terá que explicar os fundamentos do Decreto Legislativo 176/2025, que derrubou as medidas presidenciais.IOF e possível desvio de finalidade.
Na avaliação de Moraes, há indícios de que os decretos presidenciais podem ter desviado de sua finalidade constitucional. O IOF é, por natureza, um imposto extrafiscal, ou seja, serve para regular a economia, e não como instrumento de arrecadação direta. Se for comprovado que o objetivo foi exclusivamente aumentar a arrecadação do governo, poderá haver desvio de finalidade e, portanto, inconstitucionalidade. Moraes também questionou se o Congresso teria extrapolado sua competência constitucional ao suspender atos normativos que não se enquadram no artigo 49, inciso V, da Constituição Federal — que limita a atuação do Legislativo à suspensão de atos que exorbitem o poder regulamentar do Executivo.“Não há ativismo judicial”, diz Moraes.
O ministro também aproveitou a decisão para rebater críticas sobre eventual “ativismo judiciário”:“As ações propostas demonstram a importância de não se confundir o exercício da legítima competência constitucional do STF com um suposto ativismo judicial. Também afastam a confusão entre discursos vazios de autocontenção do Judiciário e sugestões que podem levar à trágica omissão, grave prevaricação ou mesmo à inaceitável covardia institucional”, afirmou Moraes. Com a liminar em vigor, os efeitos dos decretos e do decreto legislativo ficam suspensos até que o STF julgue o mérito das ações. A expectativa é que a audiência marcada para 15 de julho ajude a descomprimir a tensão entre Executivo e Legislativo e a buscar um consenso institucional sobre o tema fiscal.
