
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou neste domingo (31) a visita da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O encontro acontece na véspera do julgamento da suposta trama golpista pela Primeira Turma do STF. Segundo a decisão, Damares poderá permanecer na residência de Bolsonaro, localizada no Jardim Botânico, em Brasília, entre 10h e 18h desta segunda-feira (1º). Moraes destacou que, assim como os demais autorizados a visitar o ex-presidente, a senadora terá seu carro revistado pela Polícia Penal do Distrito Federal ao deixar o condomínio.
A determinação de revista foi mantida pelo ministro após identificar risco de fuga de Bolsonaro. No sábado (30), Moraes também havia ordenado monitoramento presencial na área externa da casa, após alertas da Polícia Federal e da Secretaria de Administração Penitenciária sobre falhas no rastreamento eletrônico e possível tentativa de evasão. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se a favor do reforço da vigilância, ressaltando o risco de fuga do ex-presidente. Já a Secretaria de Administração Penitenciária do DF apontou a existência de “pontos cegos” no terreno, uma vez que a casa de Bolsonaro é vizinha a outros imóveis nas laterais e nos fundos.
O policiamento na Praça dos Três Poderes, em Brasília, será reforçado a partir desta segunda-feira (1) por conta do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete réus por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A segurança na área central da capital federal será reforçada com uma operação integrada entre a Segurança Pública do Distrito Federal e a Polícia Judicial, efetivo que realiza a guarda do STF. Uma célula com os dois efetivos integrados será instalada na Praça dos Três Poderes.
O policiamento foi ampliado nas vias de acesso à praça. Por decisão do STF, acampamentos e obstruções estão proibidos na área. A operação contará com varredura constante de drones de imagem térmica. O policiamento será reforçado no domingo, 7 de setembro, quando estão previstas comemorações do Dia da Independência. Dos 31 réus no STF por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, oito integram o chamado “núcleo 1” ou “núcleo crucial”. Segundo a PGR, partiram deles as principais decisões da tentativa de ruptura institucional. Nesta terça-feira, 2, os ministros da Primeira Turma do Supremo iniciam o julgamento final da ação penal desse núcleo, que poderá condenar ou absolver os oito réus.
Eles são acusados por cinco crimes: organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado democrático, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União. A análise do caso vai até o dia 12. Mais de 3 mil pessoas se inscreveram para acompanhar presencialmente o julgamento do “núcleo crucial” da trama golpista. De acordo com o Supremo, “foram disponibilizados 150 lugares para o público em geral na sala de sessões da Segunda Turma do STF”. Por limitação de espaço, o Tribunal aceitará somente os 1.200 primeiros cidadãos que se inscreveram do total de 3.357.
Os demais interessados, que não foram selecionados para acompanhar o julgamento dentro do STF, poderão assistir às sessões no lado externo, em um espaço com telão, onde também será permitida a entrada de cinegrafistas e fotógrafos.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus podem ter punição de até 43 anos de prisão caso sejam condenados com pena máxima pelos crimes que são acusados e as penas sejam somadas. O grupo responde por cinco crimes.
Os oito réus do chamado "Núcleo crucial" serão julgados na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) pela participação na tentativa de golpe de Estado. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pede na denúncia que, em caso de condenação, as penas sejam somadas.
O STF julgará:
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin;
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
Jair Bolsonaro, ex-presidente;
Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência;
Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro.
As penas para os crimes são:
tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito: pena de 4 anos (mínimo) a 8 anos (máximo);
tentativa de golpe de Estado: pena de 4 anos (mínima) a 12 anos (máxima);
participação em organização criminosa armada: pena de 3 anos (mínima) a 8 anos (máxima) – pode chegar a 17 anos, com as agravantes de uso de arma de fogo e participação de agentes públicos;
dano qualificado: pena seis meses (mínima) a 3 anos (máxima); e
deterioração de patrimônio tombado: um ano (mínima) a 3 anos (máxima).
Caso considerem que deve haver a condenação, os ministros avaliarão a possibilidade de somar as penas estabelecidas em cada crime.
Na fixação da pena, as circunstâncias individuais de cada réu são avaliadas pelos magistrados, e as penas variam conforme o grau de envolvimento nas ações ilícitas. A fixação do tempo de prisão leva em conta ainda fatores como idade, antecedentes, entre outros.
Ainda no cenário de uma eventual condenação, as defesas dos acusados podem tentar, por meio de recursos, alterar a pena aplicada a eles.
Os cinco crimes
Bolsonaro e os sete outros acusados de integrar o "Núcleo crucial" são acusados de:
tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito: quando se tenta com "violência ou grave ameaça", abolir o Estado Democrático, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais;
tentativa de golpe de Estado: fica configurado quando há tentativa de depor "por meio de violência ou grave ameaça" o governo legitimamente constituído;
participação em organização criminosa armada: liderar organização de quatro ou mais pessoas, estruturalmente ordenada, com uso de armas e divisão de tarefas, para cometer crimes;
dano qualificado: ocorre quando alguém age para destruir, inutilizar ou deteriorar o patrimônio da União, com considerável prejuízo; e
deterioração de patrimônio tombado: caracterizado quando alguém age para destruir, inutilizar ou deteriorar bem protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial.
Progressão de regime
Embora a pena máxima possa chegar a 43 anos, se o grupo for condenado, é possível que eles não cumpram todo esse tempo de prisão. A legislação penal brasileira prevê a progressão de regime, ou seja, a passagem do preso para o semiaberto, por exemplo.
O período total de reclusão também depende de variáveis, como comportamento, se o condenado já cometeu outros crimes e o trabalho ou estudo no estabelecimento penal. Além disso, o tempo máximo de prisão no país não pode ultrapassar 40 anos.
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil) pautou para a próxima terça-feira (2/9) a votação do projeto de lei que prevê punição a devedores contumazes — empresas que utilizam a inadimplência fiscal como modelo de negócio. A proposta, que estava paralisada desde 2024, ganhou força após a Operação Carbono Neutro, realizada pela Polícia Federal na quinta-feira (28/8), contra redes de combustíveis e fintechs ligadas ao crime organizado.
A articulação foi costurada pelo relator do projeto, Efraim Filho (União Brasil), líder do partido do mandatário da Casa. “Acredito que era o empurrão [a operação policial] que faltava. Temos maioria ampla e sólida para aprovar o texto. Ao utilizar a inadimplência fiscal como modelo de negócio, os devedores contumazes prejudicam o povo brasileiro”, disse o líder do União Brasil à coluna.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, voltou a sinalizar que pode disputar as eleições de 2026, condicionando sua candidatura ao aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Onde o presidente escalar este jogador vai jogar, porque o mais importante o ano que vem é continuar com o presidente Lula, presidente do Brasil”, declarou durante evento de anúncio de projetos do Novo PAC. Silveira tem repetido a mesma resposta sempre que questionado sobre o pleito de 2026. Na quinta-feira (28), em entrevista à Record MG, Lula afirmou que o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) formaria uma “dupla imbatível” com a prefeita de Contagem, Marília Lopes (PT), numa possível disputa pelo governo de Minas Gerais.
Embora já apareça em pesquisas para o Senado, Alexandre Silveira ainda não confirmou se será candidato e não há, até o momento, acordo definido sobre seu futuro político. Nesta sexta-feira (29), o ministro também confirmou o lançamento do programa “Gás do Povo”, um novo modelo do auxílio gás que pretende beneficiar 15,5 milhões de pessoas. A iniciativa será apresentada na próxima quinta-feira, no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte (MG).
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (29) a retirada da tornozeleira eletrônica responsável pelo monitoramento do senador Marcos do Val (Podemos –ES). A medida foi determinada após o ministro aceitar um recurso apresentado pelo Senado para que o equipamento seja retirado.
No início deste mês, Moraes determinou que o senador fosse monitorado por tornozeleira e também mandou bloquear as contas bancárias do parlamentar. O monitoramento foi determinado após o parlamentar viajar para os Estados Unidos sem autorização do Supremo.
No ano passado, uma decisão da Corte determinou a suspensão dos passaportes do senador. Contudo, no dia 23 de julho, Marcos do Val embarcou para Miami com passaporte diplomático, que não foi entregue por ele à Polícia Federal (PF). Antes de sair do país, o senador pediu a Alexandre de Moraes autorização para viajar, mas o pedido foi negado.
Na decisão, Moraes também revogou outras medidas cautelares determinadas contra o parlamentar, como bloqueio de contas bancárias e chaves Pix, proibição de uso de redes sociais, recolhimento domiciliar noturno e suspensão do salário de senador. A proibição de sair do país sem autorização e apreensão dos passaportes foram mantidas.
A revogação das proibições foi determinada após um acordo de bastidores entre o Supremo e Senado. Com a retirada das medidas, Marcos do Val pediu licença do mandato. O pedido de licença foi citado por Moraes na decisão. “A petição apresentada pela advocacia do Senado Federal veio acompanhada de cópia do pedido de licença que Marcos do Val encaminhou ao presidente do Senado Federal, salientando a incapacidade temporária para exercer o mandato de senador da República e externando seu respeito ao Estado Democrático de Direito e às instituições democráticas”, diz a decisão.
O senador é investigado pelo STF pela suposta campanha de ataques nas redes sociais contra delegados da Polícia Federal que foram responsáveis por investigações envolvendo apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que a Polícia Penal do Distrito Federal intensifique a vigilância na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida, tomada neste sábado (30), exige monitoramento presencial na área externa da casa onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e está monitorado por tornozeleira eletrônica. Além do monitoramento contínuo, Moraes determinou que todos os veículos que saírem da residência sejam vistoriados, com a documentação completa dos carros, motoristas e passageiros.
A medida surge após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sugerir a ampliação do monitoramento, defendendo o uso de câmeras para a fiscalização externa da residência, mas dispensando a necessidade de agentes dentro da casa. Gonet também destacou que não há uma situação crítica de segurança interna na residência, mas a necessidade de controle do que ocorre no espaço externo.
O STF, em conjunto com a Procuradoria Geral da República (PGR), aponta o risco de fuga de Bolsonaro, especialmente devido às movimentações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde tenta influenciar autoridades norte-americanas contra o Judiciário brasileiro. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar não por conta do processo relacionado à tentativa de golpe de Estado, mas por um outro inquérito que o investiga por suspeita de coação a autoridades.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta sexta-feira (29) prazo de cinco dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre o novo pedido de soltura feito pela defesa do general Braga Netto.
General da reserva e candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro em 2022, o militar está preso desde dezembro do ano passado sob a acusação de obstruir a investigação sobre a tentativa de golpe de Estado no país para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também é um dos réus do núcleo crucial que será julgado a partir da próxima terça-feira (2).
No dia 6 deste mês, Moraes decidiu manter a prisão de Braga Netto e afirmou que há indícios da participação do general na tentativa de golpe de Estado durante o governo Bolsonaro.
“Ressalto que estão presentes os requisitos do art. 312 [CPP] em relação a Walter Souza Braga Netto, o que justifica a manutenção da custódia cautelar para assegurar a aplicação da lei penal e resguardar a ordem pública, em face do de perigo gerado pelo estado de liberdade do custodiado e dos fortes indícios da gravidade concreta dos delitos imputados”, decidiu Moraes.
Durante as investigações sobre a trama golpista, a Polícia Federal identificou que o general, réu por ser um dos principais articuladores do plano golpista, tentou obter dados sigilosos da delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Após a prisão, a defesa negou que Braga Netto tenha obstruído as investigações.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou nesta sexta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não vê necessidade de aumentar as condições de segurança no interior da casa em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar em Brasília.
Em documento enviado ao STF, a PGR avalia que até pode haver um aumento na fiscalização do cumprimento prisão domiciliar, com monitoramento da parte externa da residência com câmeras, mas que não há necessidade de colocar agentes no interior da casa, como havia sugerido a Polícia Federal.
"Não se mostra à Procuradoria-Geral da República indeclinável que se proceda a um incremento nas condições de segurança no interior da casa", afirmou o procurador-geral Paulo Gonet.
Nesta semana, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o monitoramento de Bolsonaro em tempo integral.
Moraes e a PGR apontaram que há risco de fuga do ex-presidente, principalmente pela atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos buscando influenciar as autoridades daquele país contra o Judiciário brasileiro.
Na manifestação enviada ao STF, Gonet afirmou que, neste momento, é preciso buscar um equilíbrio entre a situação de Bolsonaro, que já é monitorado por tornozeleira eletrônica, e a Justiça. E, portanto, não vê razão para aplicar uma medida "mais gravosa" ao ex-presidente.
Na avaliação da PGR, é preciso buscar uma saída entre o direito à privacidade e a aplicação da lei penal, lembrando que neste momento Bolsonaro é réu e ainda não foi julgado.
"Observo que não se aponta situação crítica de segurança no interior da casa. Ao que se deduz, a preocupação se cingiria ao controle da área externa à casa, contida na parte descoberta, mas cercada do terreno, que confina com outros tantos de iguais características. Certamente, porém, que há se ponderar a expectativa de privacidade também nesses espaços", declarou Gonet.
Na prática, a área externa pode ter câmeras para acompanhar a movimentação no local, mas os agentes da Polícia Federal só devem circular pela rua da residência e na entrada do condomínio.
"Quanto à parte da área descoberta da propriedade, que apresenta maior exposição ao risco referido pela autoridade policial, a Procuradoria-Geral da República não objeta a que receba atenção de vigilância, diferente da presença física continuada de agentes de segurança", diz o documento da PGR.
"Esses agentes, porém, devem ter o seu acesso a essas áreas livre de obstrução, em caso de pressentida necessidade. O monitoramento visual não presencial, em tempo real e sem gravação, dessa área externa à casa contida no terreno cercado, também se apresenta como alternativa de cautela", completa o parecer.
O Supremo Tribunal Federal (STF) informou que receberá 501 jornalistas, de diversos veículos de imprensa, para acompanhar o julgamento da trama golpista, a ser iniciado na próxima terça-feira (2).
O julgamento será um dos principais temas do país pelas próximas semanas, e vem gerando interesse crescente mesmo antes de começar, com reflexos na política, no governo e nas relações internacionais do Brasil.
O ex-presidente Jair Bolsonaro e sete de seus ex-auxiliares são réus por — segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR) — terem formado uma organização criminosa que tentou mantê-lo no poder e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além dos profissionais de imprensa, o STF recebeu pedidos de 3.357 pessoas do público para acompanhar alguma das sessões do julgamento. São previstas sessões nos dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro, quando sairão as sentenças.
O público será acomodado no plenário da Segunda Turma do Supremo, onde foram disponibilizados 150 lugares para esses inscritos.
O julgamento, por sua vez, será realizado na sala da Primeira Turma, onde haverá 80 cadeiras disponíveis para os jornalistas por ordem de chegada.
Os ministros que compõem a Primeira Turma são: Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Zanin (presidente), Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux.
Na fase de interrogatório, ocorrida em junho, os réus negaram qualquer ação golpista ou com objetivo de impedir a posse do presidente Lula. Afirmaram que não houve movimentação concreta para um golpe de Estado e que a denúncia da PGR é injusta.
Reforço na segurança
O STF também terá reforço na segurança desde o início da semana. Além do julgamento, outro evento considerado fonte de tensão é o dia de 7 de setembro, feriado da Independência do Brasil, que cai no domingo.
Por motivos de estratégia, nem o STF, nem a polícia detalham quantos agentes foram destacados. Mas o tribunal afirma que será um policiamento ostensivo.
Na segunda (1º), a Polícia Militar do Distrito Federal vai fechar a praça dos Três Poderes, onde ficam, além do STF, o Congresso e o Palácio do Planalto.
Na terça, primeiro dia do julgamento, haverá presença da tropa de choque da PM, do Bope e do Comando de Operações Táticas. Será feita nas imediações uma varredura com os cachorros treinados da polícia.
Além de policiais militares, a segurança será feita também com policiais judiciais, de tribunais de Brasília e também de outros estados.
O STF informou que manterá contato direto com a Secretaria de Segurança do DF e que os acessos ao prédio só serão permitidos após inspeção com detector de metais.
Clima político
Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por, segundo Moraes, tentar coagir os ministros e instituições responsáveis pelo processo, ainda não informou se vai comparecer presencialmente ao julgamento.
Seu principal adversário político, o presidente Lula, afirmou nesta semana que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho de Bolsonaro, comete traição à pátria ao estimular, nos Estados Unidos, retaliações do governo daquele país ao Brasil em razão do julgamento.
O presidente norte-americano, Donald Trump, quando anunciou um tarifaço de 50% a produtos brasileiros, ligou essa decisão ao julgamento de Bolsonaro que, segundo Trump, é uma "caça às bruxas". Trump é aliado de Bolsonaro.
Além do tarifaço, o governo dos EUA aplicou sanções ao ministro Moraes e a outros integrantes da Corte.
Lula tem dito que o Brasil não negocia sua soberania.
Nesta quinta, a revista The Economist, uma das mais influentes do mundo, apresentou na manchete uma reportagem que diz que o Brasil, ao julgar a tentativa de golpe, está dando uma lição aos Estados Unidos.
A capa faz uma montagem de Jair Bolsonaro com a mesma vestimenta de um dos manifestantes que, em 6 de janeiro de 2020, invadiram o Congresso dos EUA para impedir a posse de Joe Biden, que sucedeu Trump no poder.
O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus por tentativa de golpe no dia 2 de setembro. As sessões vão acontecer ao longo de duas semanas.
Veja os dias e horários do julgamento:
2 de setembro – 9h às 12h e 14h às 19h
3 de setembro – 9h às 12h
9 de setembro – 9h às 12h e 14h às 19h
10 de setembro – 9h às 12h
12 de setembro – 9h às 12h e 14h às 19h
Quem são os réus?
Serão julgados o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete réus do chamado do núcleo 1, ou crucial, que reúne aqueles que são considerados os principais integrantes da suposta organização criminosa denunciada pela Procuradoria Geral da República (PGR). São eles:
Quais são os crimes atribuídos a Bolsonaro?
Bolsonaro é acusado pela PGR como "principal articulador, maior beneficiário e autor" das ações voltadas à ruptura do Estado Democrático de Direito para se manter no poder mesmo com a derrota para Lula (PT) em 2022.
Os crimes descritos pelo processo são:
As penas máximas para crimes atribuídos a Bolsonaro podem levar a uma condenação de 43 anos de prisão.
Como será o julgamento?
A denúncia da Procuradoria-Geral da República será julgada na Supremo Tribunal Federal (STF), composta pelos ministros Cristiano Zanin, presidente do colegiado, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
Se houver absolvição, o caso é arquivado e nenhuma punição é aplicada. Se houver condenação, a decisão dos ministros vai fixar:
A lei brasileira também prevê consequências para os réus, em caso de punição. As consequências não são automáticas e precisam estar definidos na decisão dos ministros. São eles:
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pediu autorização ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para exercer o mandato no exterior.
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Eduardo está nos Estados Unidos desde o fim de fevereiro deste ano. Em solo americano, ele tem afirmado que sofre perseguição política e jurídica no Brasil.
Entre março e julho, Eduardo Bolsonaro se afastou do mandato em uma licença para tratar de assuntos pessoais. Desde o retorno do recesso parlamentar, em agosto, o deputado tem contabilizado faltas injustificadas.
Nos EUA, Eduardo tem se reunido com representantes do governo americano e é apontado como um dos pilares da decisão do presidente americano, Donald Trump, de sobretaxar produtos brasileiros.
A Polícia Federal indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro por tentar influenciar rumos dos processos contra o pai por meio das sanções econômicas de Trump ao Brasil.
No ofício encaminhado a Motta e obtido pelo g1, o parlamentar pede que a Casa crie mecanismos para que ele possa exercer a função de maneira remota.
O deputado argumenta que flexibilizações semelhantes foram adotadas na pandemia da Covid-19. Eduardo diz, ainda, que não renunciará ao mandato e que tem exercido a função parlamentar em agendas nos EUA.
O documento, que, segundo aliados de Eduardo foi protocolado nesta quinta-feira (28), afirma que o deputado exerce "diplomacia parlamentar" ao manter contato com outros países.
O parlamentar afirma que sua permanência nos EUA é "forçada" e que decidiu permanecer no território americano diante de notícias de que ele poderia ter o passaporte apreendido ou sofrer outras punições.
"Essa decisão se mostrou acertada, pois em 20 de agosto a imprensa noticiou meu indevido indiciamento, justamente em razão da atividade parlamentar legítima que exerço no exterior", escreve o deputado.
Regimento da Câmara - Em entrevistas recentes à imprensa, Hugo Motta rechaçou a ideia de um mandato à distância na Câmara dos Deputados.
Ao longo dos últimos meses, em uma tentativa de evitar que Eduardo perca o mandato por faltas na Casa, aliados do parlamentar ensaiaram um movimento para mudar as regras da Casa e pressionar Motta para flexibilizar regras de licença e a hipótese de um mandato remoto. Nenhuma das possibilidades avançou.
A jornalistas, Hugo Motta disse que tratará Eduardo Bolsonaro como todos os outros parlamentares da Câmara e que seguirá o regimento.
Em algumas ocasiões, o presidente da Câmara deixou claro que "não há previsibilidade para o exercício do mandato à distância" no regimento.
No documento enviado a Motta, Eduardo Bolsonaro afirma que a Casa tem de garantir prerrogativas semelhantes às da época da Covid, pois, segundo ele, "o risco de ser alvo de perseguição política hoje é incomparavelmente maior do que o risco de adoecer gravemente durante a pandemia".
"Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda", diz.
"Não reconheço falta alguma, não renuncio ao meu mandato, não abdico das minhas prerrogativas constitucionais e sigo em pleno exercício das funções que me foram conferidas pelo voto popular", conclui Eduardo Bolsonaro.
Aparição remota
Sem pisar na Câmara desde março, Eduardo participou, de forma remota, na noite de quarta de uma audiência em uma subcomissão da Comissão de Segurança Pública da Casa.
Eduardo defendeu a aprovação de um perdão aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 e fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O deputado também disse que "inventaram" um crime contra ele, em referência ao indiciamento da PF.
O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), viajou até Brasília para uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. O encontro aconteceu na última terça-feira (26). Segundo relato de Araújo, o ex-presidente está “depressivo” com a a atual situação. O vice-prefeito da capital, que comandou a Ceagesp durante a gestão Bolsonaro, contou ainda que ele tem “consciência do jogo político” acontecendo no país, mas que, no momento, está focado com o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para a partir do dia 2 de setembro.
“A gente sente que ele fica meio depressivo com tudo isso que está acontecendo, ele tem plena consciência do jogo político, mas no momento a preocupação dele é com o julgamento – não só dele, mas de milhares de pessoas que estão sendo julgadas de uma forma, infelizmente, injusta.Então, a única preocupação é tentar mudar essa história”, afirmou, em conversa com a coluna.
Para o coronel, o julgamento está sendo “atropelado” por pautas eleitorais do ano que vem. “Só se fala em quem vai ficar com o espólio político do presidente Bolsonaro”, comentou. “A pauta desse momento não devia ser as eleições, que acontecem só em 2026. A pauta desse momento deveria ser o que as autoridades, o que os políticos poderiam fazer para reverter essa situação. Esse deveria ser o assunto”, concluiu.
Como mostrou a coluna, desde a prisão domiciliar de Bolsonaro, em 4 de agosto, governadores de direita e centro-direita tem aparecido de forma conjunta e destacado temas eleitorais, além de endurecer o discurso contra a esquerda no ano que vem. Entre os presidenciáveis, alguns já lançaram oficialmente a pré-candidatura ao Palácio do Planalto, caso do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e de Minas Gerais, Romeu Zema. Tarcísio de Freitas, de São Paulo, nega a possibilidade, mas uma candidatura já vem sendo ventilada até mesmo por membros do partido de Bolsonaro, como o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, do PL.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, criticou nesta terça-feira (26) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o chamou de antissemita “apoiador do Hamas” e o associou ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. O governo brasileiro ainda não se pronunciou. “Agora, ele [Lula] revelou sua verdadeira face como antissemita declarado e apoiador do Hamas ao retirar o Brasil da IHRA – o organismo internacional criado para combater o antissemitismo e o ódio contra Israel – colocando o país ao lado de regimes como o Irã, que nega abertamente o Holocausto e ameaça destruir o Estado de Israel. Como Ministro da Defesa de Israel, afirmo: saberemos nos defender contra o eixo do mal do islamismo radical, mesmo sem a ajuda de Lula e seus aliados”, afirmou Katz em uma publicação em português em sua conta oficial no X.
Na publicação, o ministro israelense incluiu uma imagem gerada por inteligência artificial de Lula como um boneco de marionete, sendo manipulado por Khamenei, ilustrado como um titereiro controlando as cordas do presidente brasileiro. A publicação agrava ainda mais a relação diplomática entre Brasil e Israel, em crise desde o início da guerra na Faixa de Gaza. O governo brasileiro é crítico da operação israelense, que causou uma grave crise humanitária entre os palestinos.
O governo brasileiro condenou o ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixou mais de 1.200 israelenses mortos, cerca de 250 reféns e deu início à guerra, mas adotou uma postura crítica às operações de Israel, com Lula inclusive acusando os israelenses de cometer genocídio. Desde o ano passado, Lula tem reiteradamente acusado Israel de genocídio. Ao comparar as mortes de civis palestinos com o Holocausto, Lula foi declarado persona non grata em Israel – a comparação foi considerada ofensiva pelo governo israelense, por comparar as vítimas do nazismo a seus algozes.
O governo desistiu nesta segunda-feira (25) de indicar um novo embaixador ao não aprovar a indicação do diplomata Gali Dagan para o posto em Brasília. Na segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou que vai “rebaixar” as relações diplomáticas com o Brasil depois de o Itamaraty ter ignorado a indicação de um novo embaixador. O assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, defendeu o governo brasileiro e disse “eles humilharam nosso embaixador lá”, referindo-se a Israel.
Israel havia indicado o diplomata Gali Dagan em janeiro para assumir a embaixada em Brasília. Para exercer a atividade, no entanto, é necessária a concessão de uma autorização do país que o recebe, chamada de “agrément”. Tal autorização é praxe em todas as relações entre países. A crise levou a uma reprimenda pública do embaixador brasileiro, Frederico Meyer, no Museu do Holocausto em Jerusalém. O Itamaraty considerou a atitude da chancelaria israelense hostil e chamou Meyer de volta para Brasília, sem nomear um substituto
“Após o Brasil, excepcionalmente, se abster de responder ao pedido de agrément do Embaixador Dagan, Israel retirou o pedido, e as relações entre os países agora são conduzidas em um nível diplomático inferior”, diz o comunicado do ministério. De acordo com o Times of Israel, a chancelaria observa que a “linha crítica e hostil que o Brasil tem demonstrado em relação a Israel” desde o massacre liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, “foi intensificada” por declarações do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva no ano passado “O Itamaraty continua a manter laços profundos com os muitos círculos de amigos de Israel no Brasil”.
À TV Globo, o assessor de assuntos internacionais do Planalto, Celso Amorim, disse que a decisão de não aceitar a indicação do embaixador israelense é reflexo da retirada de Meyer do país. “Não houve veto. Pediram um agrément e não demos. Não respondemos. Simplesmente não demos. Eles entenderam e desistiram. Eles humilharam nosso embaixador lá, uma humilhação pública. Depois daquilo, o que eles queriam?”, disse Amorim.
Israel havia indicado o diplomata Gali Dagan em janeiro para assumir a embaixada em Brasília. Para exercer a atividade, no entanto, é necessária a concessão de uma autorização do país que o recebe, chamada de “agrément”. Tal autorização é praxe em todas as relações entre países. Tecnicamente, o Brasil não teria se recusado a conceder o agrément, mas deixou o pedido em análise, sem respondê-lo. Em relações internacionais, a atitude é vista como equivalente a uma recusa.
“Digo e repito: nós queremos ter uma boa relação com Israel. Mas não podemos aceitar um genocídio, que é o que está acontecendo. É uma coisa absurda o que está acontecendo lá”, afirma Amorim, em relação à ofensiva israelense em Gaza. “Nós não somos contra Israel. Somos contra o que o governo Netanyahu está fazendo, que é uma barbaridade.” O Brasil retirou em maio de 2024 seu embaixador em Tel Aviv, Frederico Meyer. Desde então, o Itamaraty mantém o cargo vago, sem submeter nenhum nome à aprovação de Israel. Israel informou ter retirado a indicação de Dagan e acrescentou que não vai submeter um novo nome ao Itamaraty, declarando que as relações com o Brasil serão conduzidas “em um patamar inferior” diplomaticamente.
Uma nova pesquisa eleitoral divulgada nesta segunda-feira (25) trouxe pela primeira vez o nome do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), entre os potenciais candidatos à Presidência da República em 2026.
Embora ainda com percentuais discretos — variando de 0,2% a 0,4% nos diferentes cenários — a inclusão de Renan Filho no levantamento marca um passo simbólico na projeção nacional do ex-governador de Alagoas, hoje integrante do governo Lula.
Nos cenários testados, a disputa segue polarizada entre nomes ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível até 2030 em razão de condenações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os cenários testados
1º cenário: Bolsonaro aparece com 41,5%, contra 31,9% de Lula. Caiado soma 8,7%, Ciro Gomes 5,3%, Ratinho Jr. 3,0% e Renan Filho 0,2%.
2º cenário: Michelle Bolsonaro surge com 32,5%, em empate técnico com Lula (32,3%). Caiado alcança 13,5%, Ciro 6,5%, Ratinho Jr. 3,9% e Renan Filho 0,3%.
3º cenário: Lula lidera com 32,5%, seguido por Tarcísio de Freitas (21,9%), Caiado (15%), Ciro (8,5%), Ratinho Jr. (4,8%) e Renan Filho (0,4%).
4º cenário: Lula tem 32,6%, Eduardo Bolsonaro 22,6%, Caiado 18,2%, Ciro 7,7%, Ratinho Jr. 5,4% e Renan Filho 0,3%.
Significado político
Apesar da baixa pontuação, a presença de Renan Filho no levantamento sinaliza um movimento de inserção no debate presidencial, ampliando seu alcance para além de Alagoas. Como ministro de uma das pastas mais estratégicas do governo federal, responsável por obras de infraestrutura e logística em todo o país, o emedebista passa a ser observado também sob a ótica de 2026.
O teste do seu nome em pesquisa nacional reflete o espaço que o MDB pode buscar ocupar na eleição presidencial, seja com candidatura própria ou como força de apoio em eventual composição.
Um escândalo vem atingindo a alta cúpula do governo da Argentina desde a semana passada. Um áudio gravado por um ex-aliado do presidente Javier Milei acusando de corrupção a irmã do presidente, Karina, vazou para a imprensa e agora está sendo investigado pela Justiça.
Braço direito do irmão, Karina Milei é secretária-geral da Presidência na Argentina. Segundo a denúncia feita por Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência (Andis) —demitido um dia depois da divulgação do caso—, ela e o subsecretário de gestão institucional do governo, Eduardo "Lule" Menem, estariam cobrando propina de indústrias farmacêuticas para compra de medicamentos para a rede pública.
"Estão roubando. Você pode fingir que não sabe, mas não joguem esse problema para mim, tenho todos os WhatsApp de Karina", diz Spagnuolo na mensagem.
A polêmica tem potencial de impactar a governabilidade de Milei, porque expõe o presidente a duas semanas das eleições para a província de Buenos Aires e a dois meses das eleições legislativas na Argentina. O chefe do Executivo pode sair enfraquecido caso as urnas reflitam a queda de aprovação de seu governo nas últimas semanas.
A seguir, entenda o caso:
🔍 Quais são as acusações?
Diego Spagnuolo afirma que havia uma rede de cobrança de propinas na Andis, com exigência de até 8% sobre o faturamento das farmacêuticas para garantir contratos com o governo – o negócio renderia até US$ 800 mil mensais (cerca de R$ 4,3 milhões).
Segundo ele, Karina Milei recebia a maior fatia do faturamento, entre 3% e 4% do valor arrecadado.
Eduardo “Lule” Menem é apontado como o principal operador do esquema, com apoio de empresários ligados à distribuidora Suizo Argentina.
📅 Quando o escândalo começou?
O caso veio à tona com o vazamento dos áudios na quarta-feira passada (20), provocando uma crise inesperada no governo Milei.
A repercussão foi imediata, com a Justiça argentina abrindo investigação e realizando buscas na sede da Andis e na empresa Suizo Argentina.
Na quinta-feira (21), Diego Spagnuolo foi demitido de seu cargo.
A queixa foi apresentada por Gregorio Dalbón, um dos advogados de Cristina Kirchner, e ocorre no momento em que o Congresso acaba de anular o veto de Milei a uma lei que declarava emergência para deficientes e fornecia mais financiamento para o setor. Ele fala em uma "matriz de corrupção".
👥 Quem são os envolvidos?
Karina Milei: irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, acusada de receber parte das propinas. Ela tem uma influência fundamental na hora de decidir quem tem acesso ao presidente e quem não tem e, com poucas exceções, sempre o acompanha em suas viagens e aparições públicas.
Eduardo “Lule” Menem: braço direito de Karina, é um dos principais agentes políticos do governo argentino. Ele é apontado como um dos principais líderes da suposta rede de corrupção.
Diego Spagnuolo: ex-chefe da Andis, autor dos áudios e agora investigado. É advogado e, até quinta-feira, era frequentador assíduo da Casa Rosada e confidente próximo de Milei.
Emmanuel e Jonathan Kovalivker: empresários da Suizo Argentina, empresa intermediária na venda de medicamentos ao Estado. Emmanuel foi encontrado com US$ 266 mil em espécie e Jonathan está foragido.
Daniel Garbellini: diretor da Andis, também afastado. Era o elo entre a agência e os irmãos Kovalivker. Spagnuolo o chama de "criminoso" em uma das gravações de áudio vazadas: "Me designaram um cara que cuida de tudo relacionado aos meus cofres".
⚖️ Como estão as investigações?
A Justiça argentina realizou pelo menos 16 buscas na sexta-feira (22).
Nessa operação, foram apreendidos celulares, máquinas de contar dinheiro e centenas de milhares de dólares em espécie: US$ 266 mil - R$ 1,5 milhão, na cotação atual.
Spagnuolo é um dos cinco réus até o momento no processo que investiga os supostos subornos, acusações de corrupção, administração fraudulenta e violações à ética pública.
O juiz federal Sebastián Casanello, que está cuidando do caso, proibiu a saída dos investigados do país como medida cautelar.
A veracidade dos áudios ainda não foi comprovada pela Justiça.
Quatro celulares apreendidos durante os mandados de busca, incluindo o de Diego Spagnuolo, ex-chefe da Andis e autor dos áudios que deram origem ao caso, estão sendo analisados pela perícia e são considerados provas-chave para confirmar ou refutar as acusações de corrupção.

🗣️ O que o governo falou?
Javier Milei ainda não se pronunciou diretamente sobre o caso. A saída de Spagnuolo foi anunciada por um porta-voz, junto com a intervenção da Andis e a promessa de uma auditoria.
Nesta segunda-feira (25), ele demonstrou apoio à irmã e posou sorridente ao seu lado em 1ª aparição pública após as denúncias, mas não falou diretamente das acusações. Criticou o Congresso e a imprensa.
O chefe de gabinete, Guillermo Francos, afirmou que o presidente está "tranquilo" e sugeriu que se trata de uma perseguição política em meio à campanha eleitoral.
Martín Menem, presidente da Câmara dos Deputados e primo de Lule, defendeu os acusados: “Ponho as mãos no fogo por Lule Menem e Karina Milei", disse, classificando os áudios como uma “monumental operação política”.
⚠️ Caso pode impactar Milei?
O caso tem potencial de impactar aliados de Milei nas eleições legislativas de outubro e na disputa para o governo da província da capital, Buenos Aires, que ocorre daqui a duas semanas.
O Parlamento estuda abrir uma CPI para investigar as denúncias contra a irmã de Milei, o que aumentaria o desgaste político (saiba mais no vídeo abaixo).
Caso Karina seja considerada culpada, o presidente argentino perde potencialmente seu braço direito e também arranha o discurso anticorrupção que o levou ao poder, avaliou a colunista do g1 Sandra Cohen.
