
O MDB está dividido sobre os rumos a seguir na eleição presidencial de 2026. Embora uma ala do partido, sobretudo no Nordeste, veja chances reais de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026, há vários fatores que pesam contra uma aliança formal. O principal obstáculo é a necessidade de eleger uma bancada forte na Câmara dos Deputados. Não se associar a nenhum candidato à Presidência, por exemplo, permite casamentos por conveniência em cada Estado. O argumento é usado pelos defensores da neutralidade do MDB na disputa presidencial de 2026, uma posição que não é inteiramente rechaçada por integrantes da ala mais governista.
Em 2022, o MDB lançou Simone Tebet à Presidência. Mesmo assim, alguns líderes regionais declararam voto em Lula já no primeiro turno. Com a segunda rodada da eleição definida entre o petista e Jair Bolsonaro (PL), Tebet apoiou o atual presidente. O partido liberou seus diretórios para tomar a posição que quisessem, dependendo da correlação de forças em cada Estado, e hoje comanda três ministérios: Planejamento, com Tebet; Transportes, com Renan Filho, e Cidades, com Jader Filho.
A situação pode ser repetida no ano que vem. Aliados de Lula no MDB avaliam que seria desejável , mas não imprescindível, indicar o vice na chapa. O governador do Pará, Helder Barbalho, e o ministro Renan Filho chegaram a ser citados para uma eventual dobradinha com Lula. Helder, porém, se movimenta para ser candidato ao Senado e Renan Filho, para disputar o governo de Alagoas, Estado que já administrou.
A decisão do MDB caberá à convenção nacional do partido. São quase 500 votos, divididos entre delegados regionais e detentores de cargos políticos. Os diretórios do Pará, com nove deputados, e de São Paulo, com cinco, representam as duas principais forças do partido. O do Pará está mais próximo de Lula. O paulista se divide entre o apoio à eventual candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ou a outro nome que possa ser chancelado por Bolsonaro. Há também os que defendem a adesão à campanha do presidente por um novo mandato ou até mesmo uma posição neutra.
Integrantes do partido argumentam que essa correlação de forças na convenção nacional pode favorecer Lula. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), assegura, porém, que defenderá posição contrária a esse acordo. Nunes foi eleito com apoio de Bolsonaro e, no ano que vem, pode disputar o Palácio dos Bandeirantes, se Tarcísio concorrer à Presidência. Nesse cenário, uma aliança nacional do MDB com o PT seria inviável.
Um diretório considerado decisivo é o de Minas Gerais, comandado pelo deputado Newton Cardoso Junior (MDB-MG). Recentemente, Newton participou de um evento com o presidente, em Belo Horizonte. Ao mesmo tempo, acenou ao bolsonarismo quando votou a favor da tramitação de urgência do projeto da anistia aos condenados pela tentativa de golpe. A disputa pelo MDB mineiro também envolve a formação de uma aliança para a eleição ao governo estadual. O candidato preferido de Lula para entrar no páreo em Minas é o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nome também cotado para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Atualmente, o MDB tem 42 deputados federais. O tamanho das bancadas é usado para dividir o fundo partidário e por isso dirigentes de legendas focam seus esforços em eleger o maior número possível de deputados federais. No caso dos partidos de centro, não estar com nenhum dos candidatos que polarizam o cenário nacional – o PT e o bolsonarismo, neste momento – é útil porque permite que, regionalmente, seus filiados façam alianças estratégicas.
A segurança do Parlamento de Israel retirou do plenário os deputados Ayman Odeh e Ofer Cassif, ambos da coalizão árabe-judaica Hadash-Taal, após eles irem para o centro da sala aos gritos durante o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na transmissão ao vivo, foi possível ver especialmente Cassif, o único judeu da coalizão e de princípios comunistas, sendo arrastado pelas equipes de segurança para fora do plenário. Ayman Odeh, palestino e líder do partido, também foi retirado do local. Ambos carregavam cartazes com o texto “Reconheçam a Palestina!”, segundo confirmou o próprio Cassif na rede social X.
“Não viemos para interferir, mas para exigir justiça. Uma verdadeira paz que salvará os dois povos da terra e da destruição só virá com o fim da ocupação e do apartheid, e com o estabelecimento de um Estado palestino ao lado de Israel”, escreveu o político em seu perfil no X. “Recusem-se a ser conquistadores! Resistam ao maldito governo!”, concluiu.
Após interromperem por instantes o discurso de Trump com seus gritos e serem expulsos pelas equipes de segurança, o magnata americano brincou sobre o ocorrido. “Foi muito eficiente”, comentou, provocando risos dos outros parlamentares.
“Fui expulso da sessão plenária simplesmente porque levantei a reivindicação mais simples, uma reivindicação com a qual toda a comunidade internacional concorda: reconhecer um Estado palestino”, escreveu Odeh, por sua vez, no X.
Acompanhando seu texto com uma foto segurando o mesmo cartaz que Cassif carregava, o político árabe destacou: “Reconheçam esta simples realidade, aqui existem dois povos e ninguém vai sair daqui”.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, participa nesta segunda-feira (13), às 9h, da cerimônia de abertura da Reunião Ministerial Preparatória da 30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (pré-COP), em Brasília. O encontro reúne 72 delegações internacionais e tem como objetivo facilitar consensos e alinhar posições antes da COP30, que será realizada entre 10 e 21 de novembro, em Belém (PA).
Além de Alckmin, também participarão da abertura os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), entre outras autoridades brasileiras e estrangeiras. A reunião é considerada um passo importante na preparação do Brasil para sediar a COP30 e deve tratar de financiamento climático, transição energética e preservação da Amazônia.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, informou nesta sexta-feira (10) que a escolha e indicação do novo nome para preencher a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) deverá ocorrer após o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de sua viagem à Itália. Lula tem embarque marcado para este sábado (11) com destino a Roma, onde participará do Fórum Mundial da Alimentação 2025. A data de retorno do presidente ainda não foi divulgada oficialmente.
“Essas decisões têm que ser rápidas, mas bem ponderadas. O presidente tem o tempo dele. Ele tem uma viagem marcada para o exterior, e creio que, na volta, isso deve ser decidido”, declarou Lewandowski durante o Fórum Esfera, realizado em Belém, no Pará. No mesmo evento, o ministro da Justiça aproveitou para elogiar Luís Roberto Barroso. “O ministro Barroso desempenhou um excelente trabalho no Supremo. Foi um ótimo colega, um intelectual de proa, e vai fazer falta. Todos aprendemos muito com ele”, afirmou.
Barroso anunciou sua aposentadoria antecipada do STF na última quinta-feira (9). Aos 67 anos, ele poderia ter permanecido no cargo até os 75, idade limite para os ministros da Corte. No final de setembro, Barroso já havia transferido a presidência do STF para o ministro Edson Fachin. Questionado sobre possíveis indicações para a vaga, Lewandowski negou qualquer envolvimento nas discussões e afirmou não ter manifestado preferência por nenhum nome. “Eu, como cidadão, quero que haja alguém que tenha os requisitos constitucionais, notável saber jurídico e reputação ilibada. Essa é uma decisão pessoal do presidente, e ele não precisa consultar ninguém”, concluiu o ministro da Justiça.
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista no processo em que o senador Sergio Moro (União-PR) é acusado de calúnia contra o ministro Gilmar Mendes, suspendendo temporariamente o julgamento da ação penal. Apesar do pedido de vista, a maioria da Primeira Turma já havia se formado a favor de manter Moro réu.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) após Moro, em um vídeo gravado durante uma festa junina em 2022, afirmar que um habeas corpus poderia ser “comprado” de Gilmar Mendes. A gravação, feita por terceiros e divulgada nas redes sociais, motivou a ação penal, que aponta que o senador teria agido com a intenção de “macular a imagem e a honra objetiva” do ministro e descredibilizar sua atuação na Corte.
O STF aceitou a denúncia em junho de 2024, tornando Moro réu. A relatora do caso, ministra Cármen Lúcia, foi acompanhada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Caso seja condenado a mais de quatro anos de prisão, o senador poderá perder o mandato.
A defesa de Moro, conduzida pelo advogado Luís Felipe Cunha, afirma que o ex-juiz não teve intenção de ofender o ministro e que se tratou de uma “piada infeliz” tirada de contexto. Cunha também alega que o vídeo foi editado de forma “maldosa” por terceiros. Com o pedido de vista de Fux, o julgamento está suspenso, e o ministro tem até 90 dias para devolver o processo ao plenário com seu voto.
Apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos irregulares em aposentadorias, Antonio Carlos Camilo Antunes que ficou conhecido como Careca do INSS pagou, em 2024, R$ 4 milhões à vista por um prédio comercial. Quatro anos antes, em 2020, ele havia fechado a compra de um lote de R$ 108,9 mil financiado em dez anos.
Apurações da Polícia Federal e da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS apontam que, a partir de 2023, ao menos uma das empresas ligadas ao Careca do INSS recebeu transferências milionárias da Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos), uma das entidades investigadas pelos descontos irregulares. Também foram detectadas outras movimentações que ligam Antunes a acusados de participar do esquema.
As informações sobre os imóveis de Antunes estão em escrituras e certidões obtidas pela Folha. As datas das compras à vista coincidem com o período apontado nas investigações. A dívida do imóvel comprado em 2020 foi quitada em 2023, sem usar todo o parcelamento ao qual o comprador tinha direito.
A defesa de Antunes foi questionada sobre o que explica ele ter tido capacidade para pagar imóveis de milhões de reais à vista nos últimos anos, em contraste com o financiamento de 2020, mas disse que não comentaria. O acusado negou irregularidades em depoimento à CPI.
O imóvel adquirido em 2020 é um lote onde, de acordo com a escritura, havia uma casa que Antunes e sua mulher, Tânia Carvalho dos Santos, já habitavam antes da compra. O imóvel fica em Vicente Pires, uma região que não está entre as mais valorizadas do Distrito Federal.
A escritura mostra que o casal comprou o lote da Terracap, estatal que administra terrenos em Brasília, em uma ação de regularização fundiária. Depois de serem descontadas obras de infraestrutura realizadas previamente pelos compradores, o lote foi avaliado em R$ 108,9 mil. Houve um novo desconto sobre o valor, de 25%, baixando para R$ 81,6 mil.
Antunes e sua mulher decidiram incluir no financiamento custas acessórias da transação, como pagamento de impostos. Assim, o total financiado pelo BRB (Banco de Brasília) ficou em R$ 86,7 mil. O contrato previa pagamento em 120 meses, com juros efetivos de 9,92% ao ano. A primeira parcela foi fixada em R$ 1.454,60.
A dívida, porém, foi quitada em 2023, de acordo com a certidão de ônus. Em janeiro de 2024, o cartório de imóveis competente foi informado e a propriedade passou a ser do casal sem ressalvas em 2025, quando o escândalo do INSS estourou, o imóvel foi declarado indisponível em dois processos judiciais.
Nos anos seguintes à aquisição, Antunes passou a comprar imóveis mais caros e pagar à vista, às vezes em transferências via Pix, como mostrou a Folha. A reportagem localizou seis imóveis comprados por ele ou por suas empresas em 2023, 2024 e 2025 no Distrito Federal.
A lista inclui um prédio comercial de R$ 4 milhões comprado por uma das empresas de Antunes e pago por ele com uma TED (Transferência Eletrônica Disponível), em junho de 2024. Também uma casa no Lago Sul, uma das regiões mais caras de Brasília, por R$ 3,3 milhões, pagos por transferência bancária. Nesse caso, o negócio foi oficializado em abril de 2024.
Além disso, a Polícia Federal encontrou outros três negócios imobiliários envolvendo Antunes em São Paulo (SP), todos em 2024. As transações somam, de acordo com o relatório do órgão, R$ 7 milhões. Os investigadores escreveram que os negócios "apresentam fortes indícios de lavagem de dinheiro".
O investigado negou irregularidades em seu depoimento à CPI do INSS. Disse que sempre prestou serviços às associações e que, se as entidades tiverem praticado descontos indevidos em aposentadorias, a responsabilidade é delas.
Ele classificou a si mesmo como "um empreendedor nato" e como alguém com "uma trajetória marcada pela garra, pela resiliência, pela determinação de vencer na vida" durante a oitiva. "Toda a minha prosperidade é fruto de trabalho honesto e dedicado. Nunca possuí patrimônio oriundo de roubo ou de qualquer prática ilícita", disse ele na oportunidade.
Antunes está preso desde 12 de setembro. A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) validou a prisão, decretada sob o argumento de que ele tentava frustrar as investigações sobre os descontos em benefícios previdenciários. "Jamais tentei obstruir qualquer investigação", disse o investigado à CPI.
O Congresso do Peru destituiu nesta sexta-feira (10) a presidente Dina Boluarte em um julgamento político relâmpago motivado pela crise de insegurança e nomeou em seu lugar o até então presidente do Legislativo. José Jerí, um advogado de 38 anos, prestou juramento ao cargo por um período que se estenderá até julho de 2026. O Peru realizará eleições gerais em abril. Desde 2016, o país andino teve sete presidentes: três destituídos pelo Congresso, incluindo Boluarte, dois que renunciaram antes de enfrentar o mesmo destino, um que completou seu mandato interino e agora Jerí.
Sem bancada própria nem apoio popular, a já ex-presidente se viu encurralada por escândalos, protestos e uma onda de extorsões e assassinatos do crime organizado jamais vista no Peru.
“O principal inimigo está fora, nas ruas, os grupos criminosos, as organizações criminosas, eles são hoje nossos inimigos, e aos inimigos devemos declarar guerra”, afirmou o novo presidente. Jerí completará o mandato que Boluarte exercia desde dezembro de 2022, quando assumiu o cargo após o impeachment e prisão do ex-presidente Pedro Castillo.
Após a destituição, aprovada com o voto de 122 parlamentares segundo o apuração final do Congresso, cerca de cem pessoas celebraram exultantes em frente à sede do Congresso com uma bandeira do Peru, segundo um jornalista da AFP. “Cai Dina. Fora pacto mafioso”, dizia um dos cartazes segurados por um dos manifestantes.
A maioria parlamentar havia aprovado na quinta-feira (9) quatro moções de vacância contra Boluarte, invocando sua “permanente incapacidade moral” para liderar o Executivo. “O país foi maltratado pelo gabinete e pela presidente. A extorsão, a criminalidade aumentaram, mas ela continua vivendo em uma fantasia. Merece ser punida”, disse a congressista Norma Yarrow, do partido de direita Renovação Popular.
Boluarte se recusou a comparecer ao Congresso que a havia convocado na noite de quinta-feira para se defender no julgamento político. Seu advogado Juan Carlos Portugal alegou falta de garantias ao “devido processo” pelo pouco tempo para preparar a defesa.
Acuada por protestos e escândalos de suposta corrupção que sempre negou, Boluarte não tinha margem para permanecer no cargo. Durante sua gestão, conseguiu fazer pactos burocráticos com as forças conservadoras em troca de não votarem, até agora, nenhum pedido de destituição. Isso lhe permitiu sobreviver a várias investigações da Procuradoria que, no entanto, reduziram sua popularidade a mínimos recordes.
“Em todo momento invoquei a unidade, a trabalhar juntos (…) Não pensei em mim, e sim nos mais de 34 milhões de peruanos”, disse nesta sexta-feira Boluarte após sua destituição, em uma mensagem que foi interrompida pelo canal estatal.
Sua governabilidade deteriorou-se nos últimos meses devido à crise de insegurança e aos protestos de diferentes setores.
Boluarte assumiu em 7 de dezembro de 2022 em substituição ao destituído e preso Pedro Castillo. A então vice-presidente assumiu o poder após a tentativa fracassada do líder de esquerda de governar por decreto.
Sua ascensão foi marcada por protestos que foram reprimidos pela força pública e deixaram cerca de cinquenta mortos, segundo organizações de direitos humanos. A Procuradoria a investigava por esse caso, além de outros dois processos: um por suposto abandono do cargo ao operar o nariz sem avisar ao Congresso, como determina a lei; e outro, pelo chamado Rolexgate, escândalo que estourou em 2024 quando apareceu com joias de luxo que não havia declarado em sua lista de bens. Com sua destituição, Boluarte perde seu foro e poderá eventualmente ser julgada e condenada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a decisão da Câmara dos Deputados em retirar de pauta a Medida Provisória com alternativas à alta do IOF, que acabou caducando nesta quarta-feira (8). Na inauguração da fábrica da montadora de carros chinesa BYD em Camaçari (BA), Lula disse que uma parte do Congresso votou contra o objetivo do governo em tributar os chamados “super-ricos”.
“Ontem foi triste porque uma parte do Congresso Nacional votou contra a taxação que a gente queria fazer dos bilionários deste país, daqueles que ganham muito e pagam pouco”, disse Lula.
O presidente disse também que a tributação dos que possuem mais renda será uma “questão de dias” e que a classe trabalhadora “não vai deixar barato” a derrota do governo no Congresso. “Se um trabalhador pode pagar 27,5%, porque um ricaço não pode pagar 18%? Ainda fizemos um acordo para 12% e eles não quiseram pagar. Eles podem saber, que é uma questão de dias, eles vão pagar o imposto que merecem aqui no Brasil, porque o povo trabalhador não vai deixar isso barato”, declarou o presidente.
Lula participou nesta quinta-feira da inauguração de um complexo da montadora de carros elétricos chinesa BYD, em Camaçari (BA). Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), o empreendimento custou R$ 5,5 bilhões e possui o potencial de gerar 20 mil empregos, entre diretos e indiretos.
O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), criticou nesta quinta-feira (9) a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino de conceder habeas corpus a Milton Baptista de Souza Filho, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi).
Segundo Viana, a medida representa um “grande movimento de blindagem” de pessoas próximas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Eu estranho mais uma vez um habeas corpus que venha de um ministro que já não permitiu que outra pessoa viesse, e agora permite nem o juramento de falar a verdade. No meu entendimento como parlamentar, estamos diante de um grande movimento de blindagem de pessoas próximas, inclusive ao governo, aos sindicatos”, afirmou o senador.
Conhecido como Milton Cavalo, o dirigente sindical presta depoimento à CPMI poucas horas depois de uma operação da Polícia Federal que realizou busca e apreensão na sede do Sindnapi. O sindicato tem ligação com José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula. Na decisão, Flávio Dino garantiu a Milton Cavalo o direito ao silêncio e a assistência plena da defesa. O ministro argumentou que não há comprovação de que o sindicalista seja formalmente investigado em inquérito no STF, e que, embora tenha sido convocado como testemunha, a dinâmica da CPMI poderia levá-lo a produzir provas contra si mesmo.
Desde o início dos trabalhos da comissão, em agosto, parlamentares têm questionado decisões do Supremo que limitam o alcance das investigações. Diante dessas divergências, Carlos Viana afirmou que o colegiado já estuda um projeto de lei para ampliar os poderes investigativos das CPIs no Congresso Nacional.
O silêncio de Milton Cavalo, presidente do Sindnapi, durante a CPMI do INSS, pode gerar novos desdobramentos e novas convocações na Comissão. O relator, deputado federal Alfredo Gaspar, afirmou que o silêncio do depoente, garantido por habeas corpus concedido pelo STF, em relação às suspeitas de envolvimento da entidade em fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas, deixou informações em aberto que precisarão ser esclarecidas pelo vice-presidente do sindicato, Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante a sessão, o relator destacou que o Sindnapi teria montado “uma organização criminosa em circuito fechado”, envolvendo uma corretora de crédito e o retorno de valores ao sindicato por meio de comissões ilegais. “O que eu quero dizer para os senhores é que eles montaram uma organização criminosa em circuito fechado, com essa corretora, dinheiro voltando para o sindicato, por meio também de comissões para cada aposentado e pensionista que era capturado quando ia pegar o empréstimo consignado. O cara ia atrás do empréstimo, voltava com o pacote completo, às vezes passava um ano sem conseguir retirar. Minha gente, eu pensei em encontrar no Sindnapi um sindicato sério. Sindnapi não tem diferença nenhuma do que foi visto aqui na Conafer, uma organização criminosa também. Por isso, seu Milton, o seu habeas corpus, que o ministro Flávio Dino lhe antecipou a condição de investigado, mas o senhor devia era estar preso”, afirmou.
O relator lembrou ainda que, após as cobranças da CPMI, a Polícia Federal deflagrou mais uma etapa da operação Sem Desconto, mas tendo como alvo o Sindnapi. A ação ocorreu depois que a Advocacia-Geral da União (AGU) foi pressionada a abrir procedimentos de responsabilização sobre sindicatos já apontados pela Controladoria-Geral da União (CGU). “A população lá fora está querendo saber qual a posição hierárquica do irmão do presidente da República no Sindnapi. Esse rapaz pode ter ou pode não ter envolvimento. Mas o fato é: a Polícia Federal, dirigida por alguém nomeado pelo irmão do vice-presidente dos sindicatos, hoje passeou no Sindnapi, inclusive, pelo que eu tomei conhecimento, foi na casa da doutora Tônia Galete, que levou celulares, automóveis e parece que precisou arrombar até a porta”, declarou.
Em tom firme, Alfredo Gaspar advertiu que a omissão de Milton Cavalo pode resultar na convocação de Frei Chico para depor na CPMI. “Eu acho uma injustiça muito grande se o senhor permanecer em silêncio, porque o seu silêncio aqui pode trazer o Frei Chico, como vice-presidente, para ser ouvido aqui. O senhor é quem vai destrinchar qual a posição dele no Sindnapi”, completou.
Vale lembrar que um dos primeiros requerimentos apresentados por Alfredo Gaspar, ainda antes de assumir a relatoria da CPMI do INSS, foi justamente o de convocação de Frei Chico para prestar depoimento e esclarecer sua ligação com um dos Sindicatos que mais cresceu e é diretamente envolvido nas fraudes contra aposentados e primos notas.
O secretário de Estados dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, devem se encontrar em Washington, em breve, para tratarem sobre taxação extra aos produtos brasileiros exportados para aquele país.
Em comunicado, o Itamaraty informou que os dois conversaram nesta quinta-feira (9), por telefone.
“Após diálogo muito positivo sobre a agenda bilateral, acordaram que equipes de ambos os governos manterão reunião proximamente em Washington, em data a ser definida, para dar seguimento ao tratamento das questões econômico-comerciais entre os dois países, conforme definido pelos presidentes”, diz a nota.
“O Secretário de Estado convidou o Ministro Mauro Vieira para que integre a delegação, de modo a permitir uma reunião presencial entre ambos, para tratar dos temas prioritários da relação entre o Brasil e os Estados Unidos”, acrescenta o Itamaraty.
Lula e o presidente estadunidense, Donald Trump, conversaram por videoconferência na segunda-feira (6) e, segundo Lula, as negociações, agora, entram em um outro momento.
Os dois presidentes trocaram seus números de telefone para estabelecer uma via direta de comunicação e, também, devem se encontrar pessoalmente em breve.
Trump ainda designou Marco Rubio para dar sequência às negociações.
Nesta semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o Brasil vai oferecer os melhores argumentos econômicos para os Estados Unidos, para reverter o tarifaço ao Brasil. O principal deles, segundo o ministro, é que a medida está encarecendo a vida do povo estadunidense.
Haddad lembrou ainda que os Estados Unidos já têm superávit comercial em relação ao Brasil e muitas oportunidades de investimento no país, sobretudo voltado para transformação ecológica, terras raras, minerais críticos, energia limpa, eólica e solar.
Tarifaço - O tarifaço imposto ao Brasil faz parte da nova política da Casa Branca, inaugurada pelo presidente Donald Trump, de elevar as tarifas contra parceiros comerciais na tentativa de reverter a relativa perda de competitividade da economia dos Estados Unidos para a China nas últimas décadas.
No dia 2 de abril, Trump impôs barreiras alfandegárias a países de acordo com o tamanho do déficit que os Estados Unidos têm com cada nação.
Como os EUA têm superávit com o Brasil, na ocasião, foi imposta a taxa mais baixa, de 10%.
Porém, em 6 de agosto, entrou em vigor uma tarifa adicional de 40% contra o Brasil em retaliação a decisões que, segundo Trump, prejudicariam as big techs estadunidenses e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado após perder as eleições de 2022.
Entre os produtos tarifados pelos Estados Unidos estão café, frutas e carnes. Inicialmente, cerca de 700 itens (45% das exportações do Brasil aos EUA) como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis, incluindo seus motores, peças e componentes ficaram de fora da taxação.
Depois, outros produtos também foram livrados das tarifas adicionais.
A derrubada da MP 1303, nesta quarta-feira (8), foi positiva para a oposição do governo Lula. “O Parlamento brasileiro deu, nesta quarta-feira (8), um recado claro ao governo do PT: o Brasil não aguenta mais impostos! A derrubada da MP 1303 foi uma vitória do povo brasileiro — dos trabalhadores, dos empreendedores e de todos que já não suportam ver o governo meter a mão no bolso de quem produz”, diz a nota. A medida provisória, que era uma alternativa para o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), foi retirada da pauta da Câmara dos Deputados. Os deputados votaram um requerimento apresentado pela oposição, aprovado com 251 votos a favor e 193 contra.
“Esse é um governo insaciável, que se alimenta do esforço do cidadão, sempre tentando confiscar o dinheiro do contribuinte com novos tributos, taxas e medidas provisórias disfarçadas. O recado está dado: chega de aumentar impostos!”, declarou a oposição. A MP perde a validade hoje. A medida era considerada essencial para o governo atingir a meta fiscal de 2026.
“Esperamos que o governo aceite a derrota e não volte à carga com novas propostas para tirar mais dinheiro do trabalhador brasileiro. E que, desta vez, essa vitória do Congresso não seja derrubada pelo Supremo Tribunal Federal”, diz oposição. A medida alternativa era uma previsão de uma arrecadação entre R$ 15 bilhões e R$ 17 bilhões no ano que vem. Inicialmente, a MP previa R$ 20,9 bilhões em arrecadação e R$ 10,7 bilhões em cortes de gastos para 2026.
A prefeita de Palmeira dos Índios Tia Júlia cumpriu nesta quarta-feira (8) mais uma importante agenda em Brasília, desta vez com o deputado federal Rafael Brito. Acompanhada da comitiva palmeirense, ela alinhou com o parlamentar a liberação de investimentos que impulsionem o desenvolvimento do município, especialmente nas áreas da Educação e da Infraestrutura urbana.
Durante o encontro, a prefeita destacou a necessidade de ampliar e reformar unidades escolares da rede municipal e solicitou o apoio do deputado para garantir recursos destinados às obras da Escola Municipal Antônio Fernandes da Costa, no Povoado Moreira, e da Escola Municipal Belarmino Teixeira Cavalcante, localizada na Serra da Boa Vista. “Esta foi mais uma reunião que reforçou a parceria entre a Prefeitura de Palmeira dos Índios e o deputado Rafael Brito. Assim, consolidamos um trabalho conjunto em benefício do avanço e do bem-estar da nossa população” disse o secretário de Estado de Relações Federativas e Internacionais Júlio Cezar.
O deputado Rafael Brito reforçou que o desenvolvimento dos municípios passa, principalmente, pela educação e pela infraestrutura, e reafirmou o compromisso com Palmeira dos Índios. “A prefeita Tia Júlia tem apresentado projetos sérios e bem estruturados, voltados para o crescimento da cidade. Vamos trabalhar juntos para viabilizar os recursos necessários e garantir que essas melhorias saiam do papel e cheguem à população. Investir em educação e infraestrutura é investir no futuro”, afirmou o parlamentar.
Além das demandas da Educação, a prefeita também apresentou o projeto de urbanização e construção da calçada e ciclovia que ligará o bairro Palmeira de Fora ao Centro da cidade. “A obra vai melhorar a mobilidade urbana, a segurança no trânsito e a qualidade de vida dos moradores. Também precisamos garantir que as nossas crianças, jovens e adultos tenham acesso a escolas com boa estrutura, seguras e acolhedoras. O deputado Rafael Brito sempre foi um grande parceiro de Palmeira e confiamos no seu compromisso com o fortalecimento da educação pública e da infraestrutura”, destacou a prefeita Tia Júlia.
O governo federal enfrenta resistência no Congresso e corre contra o tempo para aprovar a Medida Provisória 1303/2025, que substitui o aumento do IOF como alternativa para equilibrar as contas públicas em 2026. Hoje, é o último dia para votação, caso contrário perde a validade. A proposta, porém, enfrenta forte oposição no centrão. Segundo apuração da Jovem Pan, partidos como PL, PP, União Brasil e Republicanos devem votar unidos contra a medida. Os líderes do PL, Sóstenes Cavalcante, e do PP, Dr. Luizinho, confirmaram que orientarão suas bancadas pela rejeição.
De acordo com uma fonte ouvida pela reportagem, a articulação contrária teria também um componente político: dificultar a vida do governo em ano eleitoral. A movimentação seria incentivada por um possível candidato à Presidência da República apoiado pelo Centrão. Na terça-feira (7), o relator da MP, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), já havia enfrentado dificuldades.
Mesmo após desidratar o texto retirando pontos polêmicos como a cobrança de Imposto de Renda sobre LCI e LCA e o aumento da taxação sobre as bets (apostas esportivas), o parlamentar conseguiu aprovar o parecer na comissão especial por apenas um voto de diferença: 13 a 12. Em entrevista, Zarattini cobrou o cumprimento de compromissos firmados com bancadas do centro e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA): “Fizemos um acordo com a FPA e com os partidos de centro, e queremos que esse acordo seja cumprido. Que votem favoravelmente à medida, sem destaques, para preservar o texto”.
O deputado também citou diretamente o presidente da FPA, Pedro Lupion (PP-PR), acusando-o de não respeitar o entendimento feito com o governo: “Ontem, além da FPA, que estava lá com seu presidente, Pedro Lupion, e que não cumpriu o combinado, tivemos também União Brasil, PP e Republicanos descumprindo o que foi acertado na hora do almoço”.
A expectativa do Planalto é intensificar as negociações para evitar uma derrota no plenário, que poderia comprometer a meta fiscal e a estabilidade das contas públicas em 2026.
A 18ª rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (8), mostra empate técnico entre a aprovação (48%) e a desaprovação (49%) do governo Lula, retomando o patamar observado em janeiro. Desde maio, a aprovação vem se recuperando gradualmente. Os grupos que mais contribuem para o desempenho positivo são mulheres, eleitores entre 35 e 59 anos e pessoas sem posicionamento político definido. A avaliação geral do governo também melhorou: 33% avaliam positivamente a gestão, contra 37% que a consideram negativa.
Entre as mulheres, a aprovação subiu de 48% para 52%, e a desaprovação caiu de 48% para 45%. Entre os eleitores de 35 a 59 anos, a aprovação chegou a 51%, superando a desaprovação (46%). Entre os sem posição política, há empate técnico: 48% desaprovam e 46% aprovam. Nesse grupo, também caiu de 51% para 42% o percentual dos que consideram o governo pior do que o esperado, enquanto subiu de 14% para 20% o dos que o consideram melhor.
Avaliação de Lula chega ao maior nível desde janeiro e aprovação empata com reprovação: 48% a 49%
Desde maio, cresceu de 19% para 30% o número de pessoas que dizem ter visto mais notícias positivas do que negativas sobre o governo. Outros 46% afirmam ter visto mais notícias negativas e 20% dizem não ter visto nenhuma. Os temas mais lembrados foram o encontro entre Lula e Donald Trump na ONU, o discurso do presidente brasileiro na assembleia da organização e a reforma do Imposto de Renda.
A reforma do IR foi o assunto mais conhecido, citado por 68% dos entrevistados. A medida tem ampla aprovação: 79% apoiam a isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais e 64% concordam com a taxação de 10% sobre ganhos anuais acima de R$ 600 mil. Para 49% das pessoas, a mudança trará uma pequena melhora financeira; 41% esperam uma melhora importante.
O encontro entre Lula e Donald Trump foi conhecido por 57% dos entrevistados. Para quase metade (49%), Lula saiu politicamente fortalecido da reunião. Já 27% acreditam que ele ficou mais fraco, 10% não viram diferença e 14% não souberam responder.
O discurso de Lula na assembleia da ONU foi conhecido por 44% dos entrevistados. Entre eles, 52% avaliaram a fala como boa e 34% como ruim. Entre os que não têm posição política, 49% consideraram o discurso positivo e 25%, negativo.
A maior parte dos entrevistados desconhecia a votação da PEC da Blindagem: 53% não souberam do tema, 60% ignoraram a aprovação na Câmara e 62% não acompanharam a rejeição no Senado. Para 39%, o governo saiu mais forte após o episódio; 30% acreditam que saiu enfraquecido.
As percepções sobre a economia variaram pouco. Para os próximos 12 meses, 43% esperam melhora e 35% preveem piora. Já 56% acreditam que o país segue na direção errada, enquanto 36% avaliam que está no caminho certo.
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre 2 e 5 de outubro, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O União Brasil deu início, nesta quarta-feira (8), ao processo de expulsão do ministro e deputado federal Celso Sabino (PA). O parlamentar, que ocupa o cargo de ministro do Turismo no governo Lula, não atendeu ao prazo estabelecido pelo partido para deixar o Executivo. O relator do caso, deputado Fábio Shiochet, confirmou à Jovem Pan que a sigla decidiu pelo processo de expulsão e perda do diretório do Pará: “Não tem como cedermos mais. Hoje ele perde o diretório do Pará e inicia-se o processo de expulsão. Sou contra uma cautelar, até porque poderíamos cercear um possível direito de defesa. Por isso, o processo será aberto respeitando todos os prazos legais”, afirmou.
A decisão será debatida pela Comissão Executiva Nacional do União Brasil, convocada pelo presidente da legenda, Antônio de Rueda, para reunião presencial nesta quarta-feira, na sede do partido, em Brasília
Entre os pontos da pauta, estão:
•análise e deliberação sobre o pedido de intervenção no Diretório Estadual do Pará;
•discussão do pedido cautelar para aplicação da medida disciplinar de expulsão e cancelamento da filiação partidária de Celso Sabino;
•e outros temas de interesse partidário.
Com isso, o União Brasil reforça o movimento de afastamento de integrantes que mantêm cargos no governo federal, em linha com a decisão da cúpula nacional de se posicionar na oposição. Antes da reunião, o ministro informou que vai ficar no governo até abril do ano que vem, prazo da desincompatibilização dado pelo TSE para quem vai disputar as eleições. Sabino quer o apoio de Lula para disputar o senado.
