
A Rússia anunciou nesta terça-feira (30) que sua postura nas negociações sobre o conflito na Ucrânia sofrerá um “endurecimento”, após acusar Kiev de atacar uma residência do presidente Vladimir Putin com drones, embora tenha se recusado a apresentar evidências.
“As consequências se traduzirão em um endurecimento da postura de negociação da Federação da Rússia“, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em sua entrevista coletiva diária.
“Não acredito que deva haver qualquer evidência de que um ataque em larga escala com drones tenha sido executado e que, graças ao trabalho bem coordenado do sistema de defesa aérea, foi derrubado”, afirmou, após a exigência de Kiev para que Moscou apresentasse indícios da suposta agressão.
A Rússia não apresentou “evidência plausível” para apoiar sua alegação de que a Ucrânia executou um ataque em larga escala com drones contra uma das residências do presidente Vladimir Putin, afirmou o chanceler ucraniano nesta terça-feira (30).
“Quase um dia se passou e a Rússia ainda não apresentou nenhuma evidência plausível para suas acusações sobre o suposto ‘ataque da Ucrânia à residência de Putin’. E não apresentarão. Porque não há nenhuma. Nenhum ataque do tipo aconteceu”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga, na rede social X.
O ex-presidente Jair Bolsonaro passou nesta segunda-feira (29) por intervenção para bloquear o nervo frênico esquerdo, responsável pelo controle do diafragma. A técnica é indicada em casos graves e persistentes de soluços. Depois do procedimento, a equipe médica do Hospital DF Star, em Brasília, conversou com jornalistas. Eles informaram que o quadro do ex-chefe do Executivo é “estável” e, caso não haja “intercorrências”, ele deve ter alta na quinta-feira (1º).
Segundo o cirurgião-geral Claudio Birolini, Bolsonaro ficará em observação nas próximas 48 horas para avaliar “resultados e complicações” do procedimento feito nesta segunda.
O ex-presidente também deve passar por uma endoscopia “digestiva alta” na terça-feira (30) ou na quarta-feira (31).
Birolini ainda disse que, na noite de domingo (28), Bolsonaro refez o exame de polissonografia, que fornece um estudo de apneia do sono.
“O exame mostrou que ele tem uma apneia de sono severa [com] praticamente 50 episódios de interrupção de sono por hora, inclusive com padrão obstrutivo”, disse o cirurgião-geral. Para atenuar o quadro, o ex-presidente vai usar, durante a internação, um equipamento que mantém a garganta aberta.
Questionado sobre a alta de pressão, o cardiologista Brasil Caiado disse que Bolsonaro apresentou um “pico hipertensivo” no sábado (27) e a dosagem do medicamento para tratar a condição foi dobrada.
Caiado também informou que, durante o procedimento desta segunda, o ex-presidente teve novamente “uma crise hipertensiva”. Por esse motivo, eles só deixaram o centro cirúrgico uma hora depois da intervenção até terem resposta do medicamento administrado.
Esse foi o terceiro procedimento que Bolsonaro passou desde a internação na véspera de Natal. No dia seguinte, em 25 de dezembro, o ex-presidente passou por cirurgia para corrigir as alças intestinais que, devido a uma fraqueza da parede abdominal, causavam desconforto e riscos de obstrução. A equipe médica informou que o procedimento transcorreu “sem intercorrências” e durou cerca de três horas.
No sábado, o ex-presidente foi submetido à segunda intervenção, para bloquear o nervo frênico direito.
No início da semana passada, o ex-presidente foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a deixar a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para a internação. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão pela condenação pela trama golpista.
Alagoas passou a figurar entre os estados com maior impacto positivo da nova isenção do Imposto de Renda (IR), ao mais que dobrar o número de professores da educação básica que deixarão de pagar o tributo a partir de 2026. O estado torna-se destaque nacional na valorização dos profissionais da educação após a aprovação da medida histórica pelo Congresso Nacional e sua sanção pelo Executivo federal.
A nova regra, que contou com a relatoria e a liderança na Câmara do deputado federal Arthur Lira (PP), garante isenção total do IR para quem recebe até R$ 5 mil mensais, além de redução do imposto para salários acima desse valor. A medida beneficia diretamente milhares de docentes alagoanos e faz com que o percentual de professores isentos no estado salte de 26,2% para 59,6%, índice acima da média nacional histórica e com impacto direto no orçamento das famílias.
Em números absolutos, o avanço é ainda mais expressivo. Dos cerca de 38,3 mil docentes da educação básica em Alagoas, aproximadamente 10 mil professores estavam enquadrados na faixa de isenção prevista na legislação anterior. Com a nova lei, relatada por Lira, esse contingente sobe para cerca de 22,8 mil educadores, o equivalente a quase 60% da categoria, evidenciando uma mudança concreta na renda, na estabilidade financeira e na valorização dos profissionais que atuam diariamente nas salas de aula do estado. Os dados são do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Como relator e principal articulador do projeto que isenta do pagamento do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, Arthur Lira foi responsável por construir consensos, conduzir o texto com responsabilidade fiscal e assegurar que a proposta avançasse sem retrocessos no Congresso Nacional. Sua atuação foi decisiva para que trabalhadores da educação, historicamente penalizados pelo sistema tributário, fossem priorizados na correção das distorções da tabela do IR.
Para Lira, o resultado alcançado em Alagoas comprova que o trabalho legislativo sério produz efeitos reais na vida das pessoas. “Estamos falando de professores que agora terão mais renda disponível, mais dignidade e mais reconhecimento. Atualizar a tabela do Imposto de Renda era uma questão de justiça, especialmente para profissionais tão especiais e que dedicam a vida à formação das futuras gerações”, afirmou o deputado.
O parlamentar ressalta que o impacto positivo para os docentes alagoanos é fruto de articulação política, enfrentamento de resistências e compromisso com pautas sociais estruturantes. “No Congresso Nacional, atuamos com responsabilidade para garantir que os benefícios cheguem direto na ponta. O aumento expressivo no número de professores de Alagoas que não precisarão mais pagar Imposto de Renda é mais uma prova desse trabalho firme e responsável que realizamos em Brasília”, concluiu.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerra o ano com a desaprovação maior que a aprovação, aponta o Paraná Pesquisas. De acordo com levantamento do instituto divulgado nesta segunda-feira (29), a gestão do petista é desaprovada por 50,9% e aprovada por 45,6%. Não souberam ou não responderam 3,5%.
O cenário é de estabilidade na comparação com a rodada anterior da pesquisa. No mês passado, o governo era desaprovado pelos mesmos 50,9% e aprovado por 45,9%.
O Paraná Pesquisas entrevistou 2.038 pessoas entre os dias 18 e 22 de dezembro. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
O instituto também mediu a avaliação do governo Lula. Para 32,7%, a administração petista é ótima ou boa; 23,1% avaliam como regular, e a maior parte, 42,8%, considera a gestão ruim ou péssima. Não soube ou não opinou 1,4%.
Embora a avaliação e aprovação sejam negativas, Lula lidera todos os cenários de primeiro turno para as eleições presidenciais de 2026. Ele aparece à frente de nomes como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Apesar da vantagem no primeiro turno, Lula aparece em empate técnico com Bolsonaro e Flávio nos cenários de segundo turno.
O ano de 2025 foi marcado pela imposição de tarifas elevadas pelos Estados Unidos sobre produtos importados de dezenas de países, incluindo itens brasileiros. O presidente Donald Trump justificou a medida contra o Brasil com alegações políticas, especialmente em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, então réu no Supremo Tribunal Federal (STF), e atualmente condenado por tentativa de golpe. As tarifas chegaram a 50% para determinados produtos, incluindo carne bovina, café, frutas, vegetais, minérios, aço e alumínio.
Ao Metrópoles, especialistas avaliaram que a saga do tarifaço em 2025 trouxe lições importantes sobre a condução da política comercial norte-americana.
As tarifas impostas pelo governo Trump afetaram principalmente setores brasileiros ligados ao agronegócio e à indústria de metais, segundo o professor Hugo Garbe, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “O impacto imediato incluiu queda nas exportações, redução de margens e ociosidade em plantas industriais. No médio prazo, houve redirecionamento de vendas para outros mercados, diminuição de preços e aumento do custo de financiamento devido à maior incerteza regulatória”, explicou o especialista.
Mônica Araújo, economista chefe da InvestSmart XP, destacou que “mesmo os países que têm pouca abertura comercial, como é o caso do Brasil, sofreram com a implementação de tarifas elevadas, cuja justificativa, no caso brasileiro, superava questões comerciais e considerava principalmente questões políticas.”
Por fim, a Casa Branca mostrou-se sensível à pressão interna nos Estados Unidos, ajustando tarifas em resposta ao custo de vida e à popularidade presidencial.
Além disso, decisões de Trump, como a imposição de tarifas e ameaças, são frequentemente táticas de pressão e não objetivos permanentes. Para a economista, mesmo com a flexibilização alcançada, a imprevisibilidade da política norte-americana mantém o cenário global de comércio em constante atenção.

Início do conflito comercial com os EUA
O tarifaço imposto pelo governo Trump sobre produtos brasileiros começou oficialmente em 6 de agosto de 2025, marcando o ápice de uma escalada comercial que se desenrolou ao longo do ano, misturando economia e política.
A medida elevou a alíquota de importação para 50% sobre itens brasileiros não incluídos na extensa lista de isenções, que abrangeu 694 produtos.
A escalada teve início em fevereiro, com a tarifa de 25% sobre ferro e aço, seguida por uma tarifa recíproca de 10% aplicada em abril, e o aumento para 50% sobre o mesmo setor em maio.
Trump justificou as sobretaxas como proteção à indústria local e resposta a políticas brasileiras consideradas “desfavoráveis”, enquanto ações políticas, como a suspensão de vistos de ministros do STF e sanções sob a Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, ampliaram o caráter diplomático e político do conflito.
O impacto foi sentido principalmente nos setores de agronegócio, indústria de metais, café, frutas e calçados, pressionando Brasília a buscar diálogo e medidas de apoio sem recorrer a retaliações diretas.
Flexibilização parcial e negociações diplomáticas
Em novembro, o republicano assinou uma ordem executiva que reduziu parte das tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros. Com a decisão, tarifas de 40% sobre carne bovina fresca, resfriada ou congelada, produtos de cacau e café, frutas, vegetais, nozes e fertilizantes foram zeradas — seguindo apenas a tarifa padrão de 10%, adotada sobre todos os países.
À época, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que “o próximo passo é diminuir as taxas que atingem o setor industrial”. O chanceler Mauro Vieira confirmou que o Brasil apresentou aos EUA uma “proposta geral” sobre o tarifaço e espera que a negociação preliminar sirva de base para acordos mais amplos nos próximos meses. “Temos que esperar que eles reajam”, disse Vieira.
Segundo o Planalto, a Casa Branca considerou haver “progresso inicial” nas negociações, iniciadas após uma ligação entre Lula e Trump em outubro, que abriu caminho para a revisão da medida punitiva.
Relação entre Lula e Trump
No início de dezembro, Lula conversou — novamente — por cerca de 40 minutos com Trump. O presidente brasileiro agradeceu a retirada parcial das tarifas e reforçou a importância de avançar nas negociações. Ele ainda solicitou cooperação americana no combate ao crime organizado internacional. O Planalto afirmou que Trump demonstrou “total disposição” para trabalhar com o Brasil e apoiar ações conjuntas entre os dois países.
O líder norte-americano, que por diversas vezes, após toda a turbulência na relação, fez questão de ressaltar a “química” entre ele e o petista, destacou mais uma vez que “gosta muito de Lula”.
O professor Hugo Garbe destaca que os Estados Unidos usam tarifas como “instrumento de pressão e negociação”. “O Brasil, por sua vez, precisa proteger empregos, exportações e a receita do agronegócio. A soma desses interesses levou à abertura de um canal de diálogo.”
A imprensa internacional destacou que o Brasil conseguiu reverter parcialmente a ofensiva tarifária de Donald Trump, mostrando que uma postura firme pode influenciar negociações e que é preciso diferenciar táticas de objetivos na política americana.
“Após o choque inicial, os dois governos passaram a negociar reduções parciais das tarifas e ampliaram a pauta para temas como comércio, segurança e estabilidade regional”, avaliou o especialista.
Próximos passos para 2026
O Planalto aguarda uma nova rodada de negociações com os EUA em janeiro de 2026, com expectativa de superar o impasse comercial até o fim do primeiro semestre. Paralelamente, Lula busca ampliar parcerias internacionais:
Fevereiro: viagem à Índia para visita de Estado e negociações sobre abertura do mercado indiano e cooperação em digitalização de serviços públicos.
Abril: participação na Hannover Messe, na Alemanha, para abertura de novos mercados para biocombustíveis.
Junho: possível ida à França para reunião do G7, dependendo da situação comercial com EUA e União Europeia.
Novembro: reunião do G20 nos Estados Unidos.
Importadores brasileiros afetados pelo tarifaço podem solicitar reembolso das tarifas cobradas indevidamente desde a entrada em vigor da nova regra. A medida visa aliviar pressões sobre cadeias exportadoras e conter efeitos indesejados no mercado americano.
Por fim, Mônica Araújo avalia que “mesmo com a manutenção das atuais tarifas para o Brasil, não é esperado impacto relevante para a economia brasileira em 2026, dado que já houve realocação de parte dos produtos para outros mercados e retirada parcial das tarifas para diversos setores.”
Relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA), destacou que o Brasil possui instituições democráticas “fortes e eficazes” e descartou a existência de um cenário de censura no país.
Segundo o relatório, elaborado após visita técnica ao país em fevereiro deste ano e divulgado na sexta-feira (26), o Estado brasileiro realiza eleições livres e justas, mantém a separação de Poderes e opera sob o Estado de Direito, com garantias constitucionais de proteção aos direitos humanos. A CIDH afirma ainda que há autonomia judicial e um sistema de freios e contrapesos em pleno funcionamento.
“A delegação constatou que o Brasil possui instituições democráticas fortes e eficazes”, afirma o documento. “O Estado realiza eleições livres e justas, e é caracterizado pela separação de poderes e pelo Estado de Direito.”
O documento frustrou o discurso defendido por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que vinham tentando convencer a comunidade internacional de que haveria perseguição política e restrições à liberdade de expressão no Brasil.
O texto também reconhece que o país passou por tentativas deliberadas de deslegitimar os resultados eleitorais de 2022, além do planejamento e da execução de uma tentativa de golpe de Estado. Nesse contexto, a comissão avalia que a defesa da democracia é condição essencial para o pleno exercício da liberdade de expressão.
“A defesa da democracia no Brasil também é um componente fundamental da defesa do direito à liberdade de expressão no país, uma vez que a liberdade de expressão requer uma sociedade democrática para ser plenamente exercida”, destaca o relatório.
O relator especial para a liberdade de expressão da CIDH, Pedro Vaca Villarreal, esteve no Brasil em fevereiro e se reuniu com Bolsonaro, ministros do STF, integrantes do governo e representantes da sociedade civil. À época, o encontro com o ex-presidente ocorreu em meio à pressão de parlamentares conservadores nos Estados Unidos para que a OEA adotasse uma postura mais dura contra decisões do Supremo brasileiro.
Alertas ao Judiciário
Apesar de afastar a tese de censura, a CIDH faz recomendações e alertas ao Judiciário brasileiro, especialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF). O documento reconhece o “papel fundamental” da Corte na investigação e contenção dos ataques às instituições democráticas, mas aponta preocupação com o risco de concentração excessiva de poder.
“Embora a defesa da democracia deva fundamentar a ação do Estado, há o risco de transformar uma solução temporária, destinada a ser excepcional, em um problema duradouro”, afirma o texto, ao mencionar a possibilidade de criação de precedentes que possam ser usados por regimes autoritários no futuro.
O documento faz as seguintes recomendações ao Judiciário brasileiro:
Decisões sobre remoção de conteúdos nas redes sociais devem ser devidamente fundamentadas e comunicadas às plataformas e aos usuários afetados;
Restrições à liberdade de expressão não devem basear-se em conceitos vagos, como “desordem informacional” ou “informação descontextualizada”;
Categoria de “atos antidemocráticos” não deve ser usada para limitar críticas legítimas a autoridades.
O relatório também defende a necessidade de regulação das plataformas digitais, desde que respeitados os parâmetros internacionais de direitos humanos. A CIDH recomenda a criação de marcos legais para lidar com os desafios do ambiente digital e com o uso da inteligência artificial.
O documento, no entanto, ressaltou que as plataformas não devem ser responsabilizadas automaticamente por conteúdos de terceiros, desde que cumpram deveres adequados de moderação.
Com isso, o relatório da OEA reforça a avaliação de que o país enfrenta desafios no campo da liberdade de expressão, mas dentro de um ambiente institucional democrático e distante do cenário de censura.
Reações políticas
O governo brasileiro avaliou que o relatório reforça a inexistência de censura no país e não abre espaço para sanções internacionais contra autoridades brasileiras. A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, comemorou o conteúdo e afirmou que o documento desmonta a narrativa de que o Brasil viveria uma “ditadura”.
“O reconhecimento internacional da verdade sobre o golpe é mais uma vitória da Justiça e da democracia brasileira, para fechar o ano de 2025. E para nos manter alertas contra qualquer tentativa de anistia ou redução de pena dos golpistas condenados”, postou Gleisi na rede social X neste domingo (28).
Já aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro também tentaram interpretar o relatório de forma favorável. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nas redes sociais que o texto apenas confirma críticas feitas pela oposição, ao mencionar riscos no uso de conceitos como discurso de ódio e desinformação.
“Minha interpretação do relatório: ‘discurso de ódio’ e ‘desinformação’ são usados para perseguir alvos pré-determinados e a democracia no Brasil é relativa. E não há mais imunidade parlamentar para políticos de direita”, escreveu Flávio no X na sexta-feira (26).
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para permanecer detido em Santa Catarina. A solicitação foi feita durante audiência de custódia realizada após sua transferência para o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, ocorrida neste sábado (27).
Vasques, que havia tentado fugir do país na véspera de Natal, argumentou que sua permanência no estado do Sul facilitaria o contato com seus parentes. O ex-diretor justificou o pedido citando a incapacidade financeira de sua família para arcar com os custos de viagens frequentes a Brasília. Além do aspecto econômico, a defesa mencionou a condição de saúde de Silvinei, que é portador de doença celíaca, como um fator adicional para a manutenção de sua custódia próximo ao núcleo familiar.
A movimentação ocorre após uma tentativa frustrada de fuga. Silvinei foi flagrado por câmeras de segurança deixando sua residência em Santa Catarina no dia 24 de dezembro, conduzindo um veículo alugado. Seu destino final seria El Salvador, mas ele foi interceptado pelas autoridades no Paraguai antes de concluir o trajeto.
Embora tenha alegado às autoridades paraguaias uma suposta incapacidade de comunicação por motivos de saúde no momento da captura, relatos de agentes da Polícia Federal brasileira indicam que Silvinei não apresenta deficiência na fala. Os policiais descreveram o estado de espírito do ex-diretor como “abatido” desde a sua recondução ao Brasil.
Atualmente condenado a 24 anos de prisão pela Primeira Turma do STF, a defesa de Silvinei Vasques deve formalizar o pedido de transferência para o sistema prisional catarinense após o trânsito em julgado da sentença. Por ora, ele segue à disposição da Justiça na capital federal.
A Justiça manteve neste sábado (27) a prisão domiciliar de oito dos dez condenados por tentativa de golpe de Estado que foram alvo de uma operação da Polícia Federal. A decisão foi tomada durante audiências de custódia realizadas no Distrito Federal. As prisões domiciliares haviam sido determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como medida preventiva para evitar novas tentativas de fuga.
A decisão ocorreu um dia após a prisão do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, detido no Paraguai enquanto tentava embarcar para El Salvador com documentos falsos. Silvinei já foi transferido para Brasília.
Segundo o STF, oito dos condenados foram localizados e passaram por audiência de custódia, na qual a juíza Luciana Yuki Fugishita Sorrentino avaliou a legalidade das prisões e manteve as medidas cautelares. Outros dois alvos não participaram do procedimento: Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, não foi encontrado no endereço informado e passou a ser considerado foragido; Guilherme Marques Almeida estava em local diferente do registrado, mas informou às autoridades que se desloca para cumprir a ordem judicial.
Entre os condenados que tiveram a prisão domiciliar mantida estão Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro; Marília Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça; e militares da ativa ou da reserva do Exército, incluindo coronéis, oficiais e praças. As ordens judiciais foram cumpridas em oito estados e no Distrito Federal, com apoio do Exército Brasileiro em parte das diligências.
Os investigados deverão usar tornozeleira eletrônica e cumprir uma série de restrições, como proibição de uso de redes sociais, de contato com outros investigados, de recebimento de visitas, além da entrega de passaportes. O STF também determinou a suspensão de eventuais autorizações para porte de arma de fogo.
Ao justificar as prisões, Alexandre de Moraes afirmou haver “fundado receio” de novas tentativas de evasão. Para o ministro, o histórico dos condenados indica um padrão de atuação que inclui o planejamento de fugas para fora do território nacional.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (26) que nada está garantido nas negociações sobre o conflito na Ucrânia até que ele dê seu aval. As declarações foram feitas antes de uma reunião com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, prevista para o domingo (28), na Flórida. A reunião ocorre dias após a divulgação de um novo plano de paz proposto pelos Estados Unidos, revisado após discussões com Kiev.
“Ele [Zelensky] não tem nada até que eu aprove”, disse Trump ao portal Politico. O presidente americano, que está intensificando seus esforços de mediação, indicou que espera falar com o líder russo Vladimir Putin “em breve”. Trump também se mostrou otimista quanto à sua conversa com Zelensky, acrescentando que espera que as negociações corram bem com o presidente russo.
Zelensky viajará até a residência de Trump em Mar-a-Lago, onde o presidente americano passa o Natal e o Ano Novo. O principal tema da conversa será a questão territorial, que continua sendo o ponto mais complicado nas negociações para encerrar o conflito com a Rússia.
O novo plano de paz dos Estados Unidos, apresentado por Zelensky na última quarta-feira (24), propõe um congelamento da linha de frente, sem oferecer uma solução imediata para as questões territoriais. O documento também abandona duas exigências centrais de Moscou: a retirada das tropas ucranianas da região de Donbass e um compromisso formal e juridicamente vinculante de que a Ucrânia não ingressará na Otan. A Rússia criticou a proposta, alegando que ela difere radicalmente dos termos previamente discutidos com Washington.
Em resposta, a Rússia acusou a Ucrânia de tentar “torpedear” as negociações de paz. O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Riabkov, afirmou que o novo plano ucraniano “diferente radicalmente” do acordo negociado com os Estados Unidos e destacou a falta de uma resolução definitiva para os problemas territoriais, considerados fundamentais para um acordo de paz. “Será impossível chegar a um acordo definitivo sem resolver as questões de fundo da crise”, afirmou Riabkov.
A tensão continua alta, com a Rússia exigindo que a Ucrânia retire suas tropas de Donbass e se comprometa a não entrar na Otan, demandas que, até agora, não foram atendidas pelo governo ucraniano. A reunião entre Trump e Zelensky será um momento chave para definir os rumos das negociações, mas as divergências entre as partes permanecem, com o foco na questão territorial sendo o maior obstáculo para um acordo de paz duradouro.
O deputado estadual Cabo Bebeto (PL) esclareceu, nesta sexta-feira, 26, informações divulgadas de forma tendenciosa sobre a votação do Projeto de Lei do Executivo que aumentou a alíquota do ICMS em Alagoas. A matéria foi apreciada em sessão extraordinária da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), realizada na segunda-feira, dia 18.
Segundo o parlamentar, ele não esteve presente na sessão e, por isso, não pôde votar contra o projeto ressaltando que sua ausência não representa concordância com a proposta e destacou seu histórico de atuação na Casa.
“Quem me acompanha sabe que eu sou o deputado que mais trabalha para reduzir impostos em Alagoas”, declarou.
O deputado também criticou informações tendenciosas que circularam após a votação, afirmando que foi divulgado que, dos 27 deputados estaduais, apenas dois teriam votado contra o projeto. No entanto, de acordo com a ata da sessão — apresentada por ele — apenas 21 parlamentares estavam presentes no momento da votação.
Para reforçar sua posição, Cabo Bebeto destacou ainda que sua família tem origem no comércio e afirmou que sempre atuou na defesa da diminuição dos tributos.
O parlamentar também denunciou ataques políticos motivados por interesses eleitorais. “Tem gente da esquerda e da direita, mal intencionada e querendo o meu lugar, se aproveitando disso”, disse. Diante do cenário, ele recomendou que a população busque informações diretamente nas fontes oficiais e pesquise antes de tirar conclusões.
Cabo Bebeto finalizou reafirmando seu compromisso com a pauta tributária. “Vou sempre trabalhar para diminuir impostos. Aumentar, jamais”, concluiu, destacando que só trouxe o tema à tona nesta data porque aguardava a disponibilização da ata da sessão, já que a Casa de Tavares Bastos encontra-se em recesso.
O senador Magno Malta (PL-ES) protocolou nesta sexta-feira (26) um ofício no Senado Federal pedindo a suspensão do recesso parlamentar para que o Congresso Nacional apure, de forma imediata e pública, fatos considerados graves por ele, envolvendo o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e o Banco Master.
O pedido foi encaminhado ao presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e solicita a adoção de medidas de fiscalização no âmbito da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Segundo o parlamentar, a iniciativa busca garantir transparência, legalidade e preservar a confiança da sociedade nas instituições.
No documento, Magno Malta informa que ele e os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF) protocolaram uma representação criminal na Procuradoria-Geral da República (PGR). A peça aponta fatos que, em tese, podem caracterizar o crime de advocacia administrativa, relacionados à atuação de Alexandre de Moraes junto ao Banco Central em tratativas que envolveriam interesses do Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.
O ofício menciona ainda indícios de possível conflito de interesses, ao destacar que, à época dos fatos relatados, a esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, mantinha contrato de alto valor com o Master, com atuação junto a órgãos públicos estratégicos, inclusive sob supervisão do Banco Central.
No pedido, o senador defende que a CAE convide autoridades e envolvidos para prestar esclarecimentos públicos. Entre os nomes citados estão o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; Viviane Barci de Moraes; e o empresário Daniel Vorcaro. O objetivo, segundo o texto, é esclarecer todas as tratativas, comunicações e eventuais operações relacionadas ao Banco Master, inclusive procedimentos regulatórios e fiscalizações conduzidas pelo BC.
O caso ganhou repercussão após reportagens revelarem que o Banco Master contratou o escritório da esposa de Moraes para atuar junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional. As informações também indicaram contatos do ministro com o presidente do BC em meio às discussões sobre a situação da instituição financeira, cuja tentativa de aquisição pelo BRB acabou vetada. Posteriormente, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal e passou a ser investigado por fraudes contra o sistema financeiro.
Em nota, Alexandre de Moraes afirmou que as reuniões com Gabriel Galípolo trataram exclusivamente dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky contra ele e sua esposa e negou qualquer pressão ou atuação em favor do Banco Master. O Banco Central confirmou os encontros, mas também afirmou que eles não trataram da operação envolvendo a instituição financeira.
No ofício, Magno Malta ressalta que o pedido não antecipa juízo condenatório e tem como objetivo assegurar o papel constitucional de fiscalização do Legislativo. Segundo ele, o adiamento do debate ou o “silêncio institucional” pode agravar a crise de credibilidade das instituições. A solicitação de suspensão do recesso agora aguarda análise da Presidência do Congresso Nacional.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que, em 2026, pretende conduzir um debate “equilibrado” e sem viés ideológico sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Segundo ele, a discussão deve envolver tanto trabalhadores quanto empresários.
“Nós queremos tratar isso com muito equilíbrio, ouvindo ambos os lados. Devemos iniciar o ano com a perspectiva de discutir melhor a questão da escala 6×1, sem ideologia ou questões políticas, com equilíbrio, que é o que o Brasil precisa”, disse Motta em entrevista à TV Câmara.
A proposta de acabar com a escala 6×1 tem ganhado destaque, especialmente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e partidos progressistas, e deve ser central nas eleições do próximo ano. A discussão começou a ganhar força a partir do PSOL, com a atuação de Rick Azevedo, eleito vereador no Rio de Janeiro com essa proposta como principal ponto de sua campanha.
Em 2024, a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) também passou a apoiar a pauta. Embora o governo Lula tenha aderido à ideia mais tarde, ele nega que tenha chegado tarde à discussão.
No início deste mês, o Senado Federal aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata dessa mudança. A proposta prevê a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 36 horas, limita a carga diária a oito horas e permite que o trabalho seja organizado em até cinco dias por semana, sem redução salarial.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) continuará internado ao menos até esta segunda-feira (29/12), no hospital DF Star. A equipe médica responsável por realizar o procedimento cirúrgico de duas hérnias inguinais em Bolsonaro, divulgou, nesta sexta-feira (26/12), o boletim médico com atualizações sobre a saúde dele.
Segundo o comunicado, o ex-presidente “iniciou a reabilitação com fisioterapia, otimização de analgesia e medidas farmacológicas para prevenção de trombose”. Ainda de acordo com a equipe médica, houve ajuste nas “medicações para soluço e para doença de refluxo gastresofágico”. Não há previsão de novos exames ou procedimentos nesta sexta-feira.
Bolsonaro foi submetido a cirurgia após a Polícia Federal (PF) apontar, em laudo pericial, que o ex-presidente é portador de hérnia inguinal bilateral e necessita de cirurgia em caráter eletivos.
Este tipo de problema na hérnia ocorre quando uma parte do intestino ou de outro tecido interno “escapa” por um ponto enfraquecido da musculatura do abdômen, formando um caroço ou inchaço que pode causar dor e desconforto.
Em todos os casos, há necessidade de anestesia geral e os médicos podem ter colocado uma espécie de tela de material sintético para sanar a abertura da parte do corpo em que a cirurgia ocorreu.
Nesta quinta-feira (25/12), após passar pelo procedimento (que foi bem sucedido), o ex-presidente seguirá em cuidados pós-operatórios, que incluem analgesia, fisioterapia motora e prevenção de trombose venosa.
No momento, o ex-presidente encontra-se em “otimização do tratamento clínico dos soluços, devendo ser reavaliada a necessidade do procedimento intervencionista nos próximos dias”.
Cirurgia ocorre após autorização de Moraes
Bolsonaro deu entrada no Hospital DF Star na manhã de quarta (24/12), sob forte esquema de segurança. Esta é a primeira vez que o ex-presidente deixa a Superintendência da PF desde que foi preso, em 22 de novembro.
Leia a matéria completa em Metrópoles
O presidente da Argentina, Javier Milei, compartilhou nas redes sociais uma publicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e deu visibilidade internacional à tentativa de bolsonaristas de manter a pré-candidatura do parlamentar à Presidência da República em 2026. A movimentação ocorre após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) assinar uma carta declarando apoio ao filho no mesmo dia em que passou por uma cirurgia em Brasília.
Antes do procedimento cirúrgico, Flávio esteve no Hospital DF Star, onde Bolsonaro está internado, e leu publicamente a carta escrita pelo ex-presidente. O conteúdo foi divulgado nas redes sociais e repercutiu entre aliados mais próximos. A iniciativa, no entanto, teve alcance limitado dentro do campo da direita. Embora citada por políticos bolsonaristas, a carta não gerou adesão significativa em outros setores conservadores nem no Centrão, que seguem divididos sobre a sucessão presidencial.
Nesse contexto, a repostagem feita por Javier Milei no X chamou a atenção dos apoiadores de Bolsonaro. O presidente argentino compartilhou o vídeo em que Flávio lê a carta, gesto interpretado por bolsonaristas como um sinal de alinhamento político e ideológico. “Recebi com muita emoção a carta do meu pai, que carrega fé, confiança e responsabilidade. O desafio é grande, mas com sua bênção e a proteção de Deus, seguiremos no caminho certo pelo Brasil”, diz a publicação do senador repostada por Milei.
Em outra postagem, ao republicar conteúdo do jornalista e influenciador de direita Eduardo Menoni, Flávio escreveu em espanhol: “Vamos libertar o Brasil e toda a América do Sul. Socialismo nunca mais! Basta!”. A carta de Bolsonaro foi escrita antes de ele entrar no centro cirúrgico. No texto, o ex-presidente afirma entregar “o que há de mais importante na vida de um pai” ao confiar ao filho a missão de “resgatar o Brasil”, em uma declaração com referências bíblicas.
A atitude de Milei foi comemorada por aliados da família Bolsonaro. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, celebrou a repostagem. “Vamossssss!!!! Gracias, Milei”, escreveu, ao publicar bandeiras do Brasil e da Argentina.
Outros parlamentares bolsonaristas também se manifestaram. O deputado Mario Frias (PL-SP) afirmou que Flávio “recebe não um cargo, mas uma missão”, enquanto o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, declarou apoio ao senador, apesar das divergências internas na direita sobre a disputa presidencial de 2026.
Jair Bolsonaro passou por uma cirurgia de cerca de quatro horas para tratar uma hérnia inguinal bilateral, decorrente da facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018. Segundo boletim médico, o procedimento ocorreu sem intercorrências. Cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente deve permanecer internado por cinco a sete dias e poderá passar por um novo procedimento na próxima semana para tratar crises de soluço.
O dólar está em alta nesta sexta-feira (26), dia de retomada das operações no Brasil após o feriado de Natal.
Os investidores repercutem a carta do ex-presidente Jair Bolsonaro, na qual confirmou apoio à candidatura do filho Flávio, senador pelo PL no Rio de Janeiro, à Presidência em 2026.
Às 10h12, a moeda avançava 0,41%, cotada a R$ 5,554. Já a Bolsa recuava 0,35%, a 159.883 pontos.
No texto, o ex-presidente fala em "continuidade" e cita batalhas que estaria enfrentando. Ele está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado.
"Diante desse cenário de injustiça, e com o compromisso de não permitir que a vontade popular seja silenciada, tomo a decisão de indicar o Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República em 2026", diz Bolsonaro na carta.
A despontada de Flávio em pesquisas eleitorais tem preocupado agentes do mercado pela possibilidade de dividir a oposição ao governo Lula (PT) e, assim, fortalecer a campanha de reeleição do atual presidente.
Na última pesquisa Bloomberg/AtlasIntel, divulgada quinta-feira (18), o senador somava 21,3% de intenções de voto, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos) tinha 15%. Lula liderava com 47,9%.
"O mercado entende que Flávio é competitivo para ir para o segundo turno, mas tem suas dúvidas sobre a possibilidade dele vencer. Alguns governadores [como Tarcísio] são mais ao centro, o que convenceria a direita a votar neles e retiraria alguns votos de pessoas que não se identificam nem com direita nem com esquerda", afirma Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
Flávio, acrescenta ele, não tem um perfil moderado, o que repele eleitores mais ao centro. O cenário fortalece a tese de continuidade do atual governo, mais expansionista nos gastos públicos.
Operadores têm repetido que, mais do que o nome do candidato eleito, o que importa é como será a condução da política fiscal a partir de 2027. "O mercado é apolítico, o que ele precifica é taxa de juros e o quanto ela afeta os ativos de risco. Hoje, o juro restritivo de 15% se deve ao fiscal mais expansionista", afirma Rubens Cittadin Neto, especialista em renda variável da Manchester Investimentos.
A eleição de um candidato de oposição, portanto, poderia reverter a tendência de aumento dos gastos públicos - o que, em última análise, abriria espaço para a queda da taxa Selic, fortalecendo o mercado de renda variável.
Com a oposiçã dividida entre Flávio e Tarcísio, o mercado tem desmontado as posições do apelidado "Tarcísio Trade", isto é, operações que previam que uma eventual vitória do governador de São Paulo destravaria uma valorização mais acentuada dos ativos brasileiros, como Bolsa e real.
Cruz ressalta que, pela época do ano ser tradicionalmente de baixa liquidez, qualquer tema pode gerar mais volatilidade aos ativos.
No mercado de câmbio, o BC (Banco Central) realizará dois leilões de linha às 10h30. Nesta modalidade de venda, a autoridade monetária assume o compromisso de recomprar os dólares vendidos - no caso, US$ 2 bilhões. As vendas serão liquidadas em 30 de dezembro, e as recompras ocorrerão em 3 de fevereiro e 5 de maio de 2026.
As vendas do BC aliviam a pressão sobre a moeda norte-americana nesta época do ano, marcada também pelo envio de remessas ao exterior. Empresas tradicionalmente enviam recursos para pagamento de dividendos em dezembro - e neste ano, especificamente, os envios estão sendo potencializados por multinacionais que buscam se antecipar antes da cobrança de Imposto de Renda.
A alíquota de 10% sobre remessas ao exterior terá início em janeiro, e também terá início a taxação de 10% sobre valores recebidos acima de R$ 50 mil por mês em dividendos.
Mais cedo, o BC ainda informou que as concessões de crédito no Brasil recuaram 6,6% em novembro na comparação com o mês anterior. O estoque total de crédito aumentou 0,9% no período, para R$ 6,972 trilhões.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou um monitoramento estratégico sobre a possível interferência de Donald Trump nas eleições brasileiras de 2026. A avaliação do Palácio do Planalto é de que Trump possa impulsionar candidaturas de direita no Brasil, especialmente por meio do uso intensivo de redes sociais e do apoio direto a aliados ideológicos.
A preocupação não é sem fundamento.Trump tem demonstrado disposição em apoiar líderes conservadores na região. O exemplo mais recente e emblemático foi o apoio declarado a Javier Milei na Argentina. Segundo relatos do setor diplomático, o auxílio de Trump a Milei ultrapassou a retórica, envolvendo articulações que visavam facilitar diálogos financeiros e fortalecer a imagem do presidente argentino durante as eleições legislativas no país vizinho.
Além da Argentina, o cenário em Honduras também é citado como exemplo. O apoio de Trump a candidatos da direita hondurenha, como Nasry Asfura, gerou tensões com a atual presidente de esquerda, Xiomara Castro, que chegou a alegar interferência externa em processos internos do país.
O ponto central da inquietação brasileira reside na influência digital. O “trumpismo” é reconhecido pela maestria no uso de algoritmos e na mobilização de bases em plataformas como X (antigo Twitter) e Truth Social. O governo brasileiro teme que essa estrutura seja utilizada para disseminar narrativas favoráveis à oposição em 2026, dificultando a comunicação governamental.
Para mitigar esses riscos, o governo Lula tem buscado uma “vacina” diplomática: manter a relação amistosa com os Estados Unidos. Após um longo período de tensão, os líderes dos dois países ensaiaram aproximação na Assembleia-Geral da ONU e engataram uma série de conversas, com direito a elogio de Trump ao petista: “Eun gosto dele”. Recentemente, o Brasil sinalizou apoio ao combate ao narcoterrorismo, uma pauta cara aos republicanos.
