
O Parlamento Europeu decidiu suspender o processo de ratificação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, segundo a imprensa internacional. A medida seria em resposta ao anúncio do presidente Donald Trump, de que tarifas seriam impostas aos países europeus que se colocassem contra a uma possível anexação da Groenlândia.
O acordo comercial foi feito entre a UE e os EUA em julho passado. Segundo teria dito Iratxe García Pérez, presidente do grupo S&D (Socialistas e Democratas, que inclui o PS – Partido Socialista), existe um “acordo maioritário” entre os grupos políticos do parlamento para congelar o acordo comercial celebrado em julho de 2025 entre os Estados Unidos e a UE.
O PPE (Partido Popular Europeu, que integra os portugueses PSD e CDS-PP), considerado o maior e mais influente grupo político de centro-direita do parlamento, também teria confirmado o congelamento nas discussões sobre o acordo.
Nesta terça-feira, García Pérez criticou a decisão de Trump de impor tarifas de até 25% aos aliados europeus que apoiam a Groenlândia, descrevendo-a como “pressão imperialista“. “Os últimos ataques de Trump exigem uma resposta firme e clara da Europa. Não podemos hesitar, porque Trump só entende a lei do mais forte”, afirmou.
A presidente do grupo S&D também citou o acordo da UE com o Mercosul: “A Europa deve abrir outras áreas de colaboração, apoio e entendimento com outras regiões globais capazes de compreender o mundo em termos de multilateralismo e democracia. E é por isso que o Mercosul é agora mais importante do que nunca. O Mercosul é a melhor resposta à Doutrina Monroe de Trump, que defende uma América para os americanos.”
Trump anunciou, no último sábado (17/1), que pretende impor tarifas progressivas contra oito países europeus a partir de fevereiro como nova forma de represália para que elas autorizem o republicano a comprar a Groenlândia. O território é uma região autônoma, mas que pertence ao Reino da Dinamarca.
Em sua rede social, a Truth Social, Trump afirmou que tarifas adicionais de 10% sobre importações passariam a vigorar em 1º de fevereiro sobre produtos provenientes da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Grã-Bretanha. Essas sobretaxas aumentariam para 25% em 1º de junho. Elas continuariam em vigor até que fosse alcançado um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia pelos EUA.
Com a perspectiva de uma nova eleição marcada pela polarização entre petismo e bolsonarismo, partidos de centro e centro-direita passaram a discutir a possibilidade de adotar uma posição de neutralidade no plano nacional, abrindo mão de um apoio formal a qualquer candidatura. A estratégia permitiria que os diretórios estaduais ficassem livres para se alinhar ao candidato mais compatível com a realidade local.
Aliados do senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ouvidos reservadamente minimizam a possibilidade e tratam como “normal” o discurso de neutralidade dos partidos. Para eles, a estratégia serve para não antecipar o apoio e perder a margem de negociação.
O presidente do MDB, Baleia Rossi, admitiu essa possibilidade em entrevista ao Estadão na semana passada. “Se você me perguntar: hoje, se houver uma eleição absolutamente polarizada, eu acho que a tendência do MDB é realmente, em nível nacional, liberar”, disse o deputado federal.
A avaliação sobre neutralidade passa, em parte, pelas diferenças regionais dentro dos partidos, como ocorre no próprio MDB. No Nordeste e em parte do Norte, o partido tende a se alinhar com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto no Centro-Oeste, no Sul e no Sudeste há maior resistência a uma aliança com o PT. Nesse sentido, não apoiar um candidato é uma saída para conciliar essas divergências.
Outras legendas também têm esse caminho em mente. O presidente nacional do Progressistas (PP), Ciro Nogueira, afirmou que a posição do partido, que em breve terá formalizada sua a federação com o União Brasil, “vai depender da campanha de Flávio”. Questionado se a falta de acenos do senador ao centro poderia levar a sigla à neutralidade, Ciro respondeu de forma afirmativa.
Uma outra liderança do PP disse, sob reserva, que Flávio tem dados sinais que pode optar pela polarização – como ao indicar que poderia nomear o irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), como ministro das Relações Exteriores. Há receio que a estratégia se repita na escolha do vice.
Se o nome desagradar, a tendência é que o partido libere diretórios estaduais. O principal efeito seria a ampliação da margem de manobra de candidatos do PP no Nordeste, com mais espaço para alianças com o centro e a esquerda. Isso beneficiaria o próprio presidente da legenda e também o ministro dos Esportes, André Fufuca (PP-MA), que chegou a ser punido no ano passado por continuar no governo Lula.
O deputado federal Elmar Nascimento, do União Brasil da Bahia, avalia que a tendência da federação é dar autonomia aos diretórios estaduais. “Considero o mais provável liberar os Estados, porque fortalece a posição nos Estados e amplia a bancada (no Congresso)”, sustenta o parlamentar.
No fim do ano passado, o União Brasil chegou a expulsar o então ministro do Turismo, Celso Sabino, após ele descumprir decisão do partido e não entregar seu cargo. Nove dias depois, porém, Sabino acabou demitido do governo, e a legenda indicou seu sucessor: o ex-secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba Gustavo Feliciano, filho do deputado federal Damião Feliciano (União-PB) e aliado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Como mostrou o Estadão à época, apesar de o União Brasil ter rompido com o Palácio do Planalto, aproximadamente 25 dos 59 deputados do partido ainda votam com o governo. Essa fatia da bancada condicionou a saída de Sabino a seguir votando com o governo. O presidente acatou a sugestão justamente em um gesto à ala governista do União, que buscará apoio este ano.
Um ministro de Lula disse à reportagem que o presidente aguarda pelo menos a neutralidade das siglas que comandam ministérios, inclusive para bater o martelo sobre palanques nos estados. Esse aliado afirma que a tarefa não é fácil e que conseguir esse posicionamento do MDB já seria uma vitória.
O Republicanos, por sua vez, é uma incógnita. Seu presidente, o deputado federal Marcos Pereira (SP), tem boa relação com o governo Lula, ao mesmo tempo em que o principal quadro do partido hoje é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que reiterou na quinta-feira, 15, seu apoio a Flávio.
Integrantes do Republicanos afirmam que o partido ainda não discutiu oficialmente quem apoiará (ou não) em outubro. Nos bastidores, porém, aliados de Pereira avaliam que Flávio não conseguirá unir o centro e terá dificuldades para receber apoio da sigla, ainda que a hipótese não seja descartada.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), segundo no comando do Republicanos como 1º vice-presidente, é um dos integrantes da sigla que regionalmente podem se beneficiar de um apoio do presidente Lula. No início da semana, ele afirmou que vai aguardar “gestos” do petista antes de definir sua posição na disputa nacional e ressaltou que qualquer definição passa por uma lógica de reciprocidade política e pela construção de um projeto que atenda aos interesses da Paraíba.
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, culpou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas mortes ocorridas na recente onda de protestos no país, duramente reprimida pelas forças de segurança, segundo várias ONGs.
“Consideramos o presidente americano culpado pelos mortos, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana”, afirmou o aiatolá perante uma multidão de apoiadores reunidos para uma festividade religiosa.
“Tudo isto foi uma conspiração americana”, declarou, acrescentando que “o objetivo dos Estados Unidos é devorar o Irã (…) é submeter o Irã militar, política e economicamente”, enfatizou.
Os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e a União Europeia (UE) assinam neste sábado (17), em Assunção, o acordo de livre comércio depois de 25 anos de negociações. Os representantes de ambos os blocos assinarão o acordo no Gran Teatro José Asunción Flores do Banco Central do Paraguai, um lugar carregado de simbolismo, pois foi ali que o Mercosul foi fundado, em 1991.
A guerra comercial desencadeada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a dependência cada vez maior da China e as tensões geopolíticas, com a guerra na Ucrânia e a crise no Oriente Médio ainda vigentes, empurraram ambas as partes a superar suas históricas diferenças e selar um acordo tão celebrado quanto criticado.
A cerimônia terá início às 12h e o anfitrião do encontro será o presidente paraguaio, Santiago Peña, cujo país exerce a presidência rotativa do Mercosul. A delegação europeia será chefiada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Segundo fontes oficiais paraguaias, também estão confirmadas as presenças dos presidentes da Argentina, Javier Milei; do Uruguai, Yamandú Orsi; do Panamá, José Raúl Mulino; e da Bolívia, Rodrigo Paz. O Panamá ingressou recentemente no Mercosul como Estado associado e a Bolívia está no processo final de sua adesão como membro pleno do grupo sul-americano.
Desta forma, salvo uma mudança de última hora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos grandes defensores do pacto, será o único ausente entre os líderes dos países fundadores do Mercosul.
Fontes extraoficiais brasileiras afirmaram que, a princípio, o ato previa apenas a presença dos ministros das Relações Exteriores, que assinarão o tratado em representação do fórum sul-americano.
No entanto, por se tratar de um evento histórico, o Paraguai decidiu posteriormente convidar os mandatários dos países-membros. As citadas fontes negam que a ausência de Lula se deva a diferenças ideológicas com algum de seus pares e a atribuem a problemas de agenda.
Contudo, um dia antes da assinatura, Lula recebeu Von der Leyen nesta sexta-feira no Rio de Janeiro, onde discutiram os próximos passos do acordo comercial, entre outros temas da agenda internacional.
Encontro com a Presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen
Além da ausência de Lula, o Brasil – maior potência econômica da América Latina e que liderou as negociações com a UE – defende com entusiasmo o acordo, que criará a maior zona de livre comércio do mundo por população, com 720 milhões de pessoas e um peso econômico de US$ 22 trilhões.
“Este acordo trará mais emprego, mais renda, fortalecerá o agronegócio, a indústria e, como consequência, os serviços e os investimentos recíprocos. Mais europeus investirão no Brasil e nós também investiremos na Europa”, disse na quinta-feira o vice-presidente, Geraldo Alckmin.
Na mesma linha, o chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, destacou perante congressistas de seu país que se trata de um dos “acordos mais importantes em termos econômicos do planeta” e celebrou o fato de se ter chegado a um equilíbrio, embora nenhuma das partes esteja 100% satisfeita.
O tratado reduzirá ou eliminará gradualmente as tarifas sobre cerca de 90% das exportações entre a UE e o Mercosul. Também prevê a possibilidade de aplicar medidas de salvaguarda bilaterais em caso de uma grande diferença de preços. Do lado sul-americano, um dos grandes beneficiados será o setor agropecuário, enquanto na Europa o destaque será a indústria.
Assim culmina uma odisseia iniciada em 1999. Um princípio de acordo político foi fechado em 2019 e, finalmente, o processo negociador foi concluído em 6 de dezembro de 2024, após a adição de um anexo sobre meio ambiente e ajustes em capítulos de interesse dos sul-americanos, como o de compras governamentais.
O texto avançou no seio da UE com o apoio de 21 dos 27 sócios. Apenas cinco votaram contra: França, que liderou a oposição, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria – todos veem o acordo como uma ameaça para seus setores agrícolas. A Bélgica se absteve.
De fato, os protestos dos produtores europeus não pararam nas últimas semanas. No entanto, a entrada em vigor do acordo não será automática após a assinatura, pois ainda deverão ser cumpridas etapas de ratificação em ambos os lados do Atlântico.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou, nessa sexta-feira (16/1), o pedido de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), feito via habeas corpus impetrado.
“Ademais, cumpre destacar que o presente habeas corpus nem sequer foi impetrado pela defesa técnica do paciente, ex-Presidente da República. Diante do exposto, não conheço do habeas corpus, por manifesta inadmissibilidade da via eleita, na forma do art. 13, VIII, p. único, e art. 37, I, todos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”, diz trecho do documento despachado pela Suprema Corte.
O pedido foi feito pelo Paulo Emendabili Souza Barros de Carvalhosa, que não integra a defesa oficial de Bolsonaro.
No requerimento, o autor pleiteia duas medidas: que o Conselho Federal de Medicina (CFM) examine se a unidade prisional onde o ex-presidente se encontra detido dispõe de estrutura adequada para assegurar assistência médica permanente, com equipes de saúde capacitadas e multidisciplinares; e que Bolsonaro tenha a possibilidade de cumprir a condenação em regime domiciliar.
O habeas corpus foi encaminhado na terça-feira (13/1) à ministra Cármen Lúcia por critério de prevenção, conforme estabelecem o Regimento Interno do STF e normas da própria Corte. A regra se aplica quando o magistrado já analisou processos relacionados ao mesmo tema, o que a torna responsável pela relatoria do caso.
O Ministério Público Federal (MPF), foi acionado pelo deputado estadual de São Paulo Guto Zacarias (União-SP) para investigar a destinação de recursos públicos à compra de televisores de alto padrão para presídios federais de segurança máxima. A solicitação questiona a legalidade, a razoabilidade e a necessidade do gasto.
O pedido foi motivado por informações divulgadas, pelo Metrópoles, em janeiro deste ano, sobre a aquisição de 40 Smart TVs de 50 polegadas, com resolução 4K e acesso a plataformas digitais, ao custo total de R$ 85,4 mil. Os equipamentos seriam utilizados no programa chamado “ReintegraCINE”, voltado à exibição de conteúdos audiovisuais em cinco penitenciárias federais do país. Segundo a justificativa oficial, a iniciativa busca modernizar atividades antes realizadas com DVDs e fitas VHS, e não permitiria acesso direto dos presos à internet.
De acordo com o pedido do deputado, apesar das explicações apresentadas pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), ainda existem pontos que precisam de apuração. Entre eles estão a necessidade de aquisição de aparelhos com alto padrão tecnológico, a proporcionalidade do gasto diante das restrições orçamentárias do Estado e das deficiências estruturais do sistema prisional, além da adequação do programa à Lei de Execução Penal, especialmente em unidades de segurança máxima.
O documento também solicita que sejam avaliadas as garantias técnicas anunciadas para impedir o uso indevido dos equipamentos, bem como a regularidade do processo de contratação, incluindo critérios do edital, pesquisa de preços e justificativa técnica para a escolha dos aparelhos. O pedido ressalta que a Constituição Federal exige que os gastos públicos observem princípios como eficiência, economicidade e moralidade administrativa.
O governo federal prevê a distribuição de 40 Smart TVs de forma igualitária entre as cinco penitenciárias federais de segurança máxima do país. Cada unidade receberá oito aparelhos, ao custo unitário de R$ 2.135, totalizando R$ 17.080 por presídio. A entrega está programada para ocorrer até fevereiro de 2026 e faz parte da implementação do programa ReintegraCINE, voltado à exibição de conteúdos audiovisuais com foco na reintegração social de pessoas privadas de liberdade.
Os equipamentos serão destinados às penitenciárias federais de Porto Velho (RO), Mossoró (RN), Brasília (DF), Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR). De acordo com o edital, as TVs contam com suportes fixos de teto e especificações técnicas como conexão via cabo e Wi-Fi, entradas HDMI e USB, além da exigência de desativação de comandos por voz.
A Secretaria Nacional de Políticas Penais afirma que o uso dos aparelhos está amparado por portaria publicada em abril de 2025, que estabelece critérios técnicos, operacionais e de segurança para a execução do projeto, sem comprometer a segurança pública.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que vai priorizar o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, destacando que o tema é relevante tanto para trabalhadores quanto para empresários brasileiros.
A declaração reforça a expectativa de avanço da pauta no Congresso e ocorre em meio à reaproximação política entre Motta e o governo Lula.
Em nota enviada pela assessoria de imprensa, Motta afirmou literalmente: “O presidente sinalizou ainda no fim do ano passado que a Câmara vai priorizar o tema [do fim da escala 6×1]. Afirma ainda que o debate é importante para os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros e para o empresariado.”
Desde o fim do ano passado, o presidente Lula fechou questão favoravelmente ao fim da escala 6×1, tratando o tema como uma das pautas prioritárias do governo. No Planalto, a avaliação é de que a reaproximação com Hugo Motta pode impulsionar a tramitação de projetos ligados à mudança na jornada de trabalho, considerada também uma agenda com apelo eleitoral.
Segundo fontes do Congresso, Motta retomou o diálogo com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, após um período de afastamento no fim de 2025, motivado por divergências em votações, como a do projeto conhecido como PL Antifacção.
Aliados do presidente da Câmara disseram à Jovem Pan que a relação com Lula é descrita como uma “amizade respeitosa e institucional”.
Nos bastidores, a leitura é de que há ganhos políticos para ambos os lados: o governo avança em uma pauta sensível ao eleitorado em ano de eleições, enquanto Motta pode contar com o apoio do presidente Lula tanto no cenário político da Paraíba quanto em uma eventual disputa pela reeleição à presidência da Câmara.
Nesta semana, Hugo Motta se reuniu com o ministro Guilherme Boulos no Palácio do Planalto. Segundo interlocutores, eles trataram, sim, de forma lateral, do fim da escala 6×1. Por atribuição do presidente Lula, o ministro palaciano tem atuado diretamente na articulação junto ao Congresso Nacional para viabilizar o fim da escala. O encontro contou ainda com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
A proposta ganhou força inicialmente com a proposta de emenda à Constituição apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-RJ). No Senado, uma iniciativa semelhante do senador Paulo Paim (PT-RS) já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça. Na Câmara, também tramita um projeto de lei relatado pelo deputado Léo Prates (PDT-BA), que reúne diferentes propostas e prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.
Como a Jovem Pan mostrou em primeira mão, esse projeto de lei está sendo avaliado pelo Planalto por ter tramitação mais rápida do que uma PEC, o que aumenta as chances de avanço da pauta ainda neste ano.
O candidato de extrema direita André Ventura aparece como favorito para o primeiro turno das eleições presidenciais deste domingo (18) em Portugal, embora tenha poucas chances de vencer no segundo turno.
As pesquisas colocam o presidente do partido Chega na liderança do primeiro turno, mas divergem sobre o candidato que poderá enfrentá-lo em 8 de fevereiro, que provavelmente será o sucessor do atual presidente, o conservador Marcelo Rebelo de Sousa.
Alguns levantamentos preveem uma disputa entre Ventura e o socialista António José Seguro, enquanto outros apontam o nome de Luís Marques Mendes, apoiado pelo governo de direita do primeiro-ministro Luís Montenegro.
Entre o número recorde de 11 candidatos, há outros nomes com chances, como o almirante da reserva Henrique Gouveia e Melo, que comandou a campanha de vacinação contra a covid-19, e o eurodeputado liberal João Cotrim Figueiredo.
Se os prognósticos se confirmarem, ficará consolidada a ascensão eleitoral fulminante de Ventura desde que fundou o Chega, em 2019.
A legenda obteve 22,8% dos votos e 60 deputados nas eleições legislativas de maio passado, superando o Partido Socialista como principal força de oposição.
Em Portugal, o poder do chefe de Estado é sobretudo simbólico, mas ele pode atuar como árbitro em caso de crise e tem o direito de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas.
Embora seja o governo, e não o presidente, quem dirige o país, Ventura se lançou candidato para conter a ameaça política representada pelo almirante da reserva Gouveia e Melo. Este último foi por muito tempo o favorito nas pesquisas, com um discurso contrário aos partidos tradicionais.
“André Ventura se apresentou como candidato para conservar seu eleitorado. Ele pode ter a surpresa de ampliá-lo”, declarou à AFP o cientista político António Costa Pinto, do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa.
Mesmo que seja derrotado no segundo turno, o resultado que obtiver em três semanas pode “reforçar, aos olhos da sociedade portuguesa, a ideia de um crescimento eleitoral do Chega”, acrescentou.
Costa Pinto compara essas eleições às presidenciais francesas de 2002, quando Jean-Marie Le Pen, então presidente da Frente Nacional de extrema direita, chegou ao segundo turno.
“Mas não é tão chocante como antes, porque estamos na onda” que impulsiona a extrema direita em todo o mundo, afirmou o especialista.
Em Portugal, um fortalecimento da extrema direita complicaria ainda mais a situação do governo minoritário de Montenegro, que depende do Chega para aprovar parte de seu programa.
“A eleição está aberta”, assegurou o primeiro-ministro, que se envolveu na campanha de Luís Marques Mendes, empatado nas pesquisas com o socialista António José Seguro.
O almirante reformado Gouveia e Melo chegou a ser favorito, mas teve desempenho fraco nos debates televisivos e não conta com o apoio de um partido.
Já o liberal João Cotrim Figueiredo foi afetado pela polêmica gerada por acusações de assédio feitas por uma ex-colaboradora.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conversaram por telefone nesta sexta-feira (16/1), segundo informou o Kremlin. Ambos os líderes discutiram os “desdobramentos da crise no Irã”.
O presidente russo manifestou seu posicionamento “a favor do fortalecimento dos esforços políticos e diplomáticos com o objetivo de garantir a estabilidade e a segurança da região” no Oriente Médio e o contexto envolvendo o Irã.
Onda de protestos
O Irã enfrenta, desde o final de dezembro de 2025, uma onda de protestos que começou com queixas econômicas e rapidamente se transformou em protestos contra o regime dos aiatolás.
A repressão já deixou milhares de mortos, segundo organizações internacionais, e levou os Estados Unidos a adotar um tom cada vez mais agressivo, com ameaças públicas de “reações muito enérgicas” caso o regime avance com execuções de manifestantes.
Dados foram divulgados nessa quarta-feira (14/1) pela ONG de defesa dos direitos humanos HRANA, sediada nos Estados Unidos, apontam para quase 3 mil mortos durante as manifestações.
Ainda segundo o Kremlin, o governo russo “confirmou seu compromisso em continuar realizando esforços de mediação e em promover um diálogo construtivo envolvendo todas as partes interessadas”.
Tanto Putin quanto Netanyahu concordaram em manter “contatos em diferentes níveis”.
Ainda nesta sexta, Putin também conversou por telefone com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que destacou os esforços “contínuos do governo iraniano para normalizar a situação no país”.

“Foi destacado que Rússia e Irã apoiam de forma unânime e consistente a redução das tensões — tanto em relação ao Irã quanto à região como um todo — o mais rápido possível, defendendo a resolução de quaisquer questões exclusivamente por meios políticos e diplomáticos”, afirmou o governo russo.
Os líderes reforçaram o compromisso com a parceria entre os países, especialmente no âmbito econômico.
A determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, de transferir o ex-presidente Jair Bolsonaro para a ‘Papudinha’, gerou reação imediata da oposição, que atacou o ministro. O gabinete de Rogério Marinho (PL), senador pelo estado do Rio Grande do Norte, emitiu uma nota condenando a decisão de Moraes: “a transferência para a Papudinha escancara o abuso: traficantes e assassinos recebem tratamento mais humano do Estado do que um homem preso por um crime impossível”. A nota informa ainda que “qualquer dano a Bolsonaro, será responsabilidade da Justiça”, visto a sua condição precária de saúde.
Um dos filhos de Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, fez um post nas redes sociais Instagram e X criticando diretamente Alexandre de Moraes e dizendo que “suas qualidades como ser humano não merecem ser enumeradas diante da maldade praticada contra Jair Bolsonaro”.
Na publicação ele lista os crimes atribuídos ao ex-presidente, que alega serem acusados de forma injusta. Ele finaliza dizendo que “a transferência para um ambiente prisional severo ultrapassa o cumprimento de uma decisão judicial e se transforma em um marco simbólico de confronto institucional”.
O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, Sóstenes Cavalcante, usou o X para manifestar sua insatisfação com a situação alegando que a decisão de transferência não é justiça e sim “autoritarismo de toga, abuso de poder institucionalizado, a caneta usada como cassetete”. Para ele, a medida foi com o intuito de castigar e que “o Brasil está sob um regime de arbítrio judicial”.
Já o deputado federal Nikolas Ferreira comunicou em seu perfil no X que a “Papudinha” parece ser um ambiente maior para Bolsonaro e com atendimento médico 24h. Mas critica a decisão primária de sua prisão já que, segundo ele, o filiado do PL é inocente: “por que não enviá-lo pra casa? Enfim, tudo isso por um crime que ele nunca cometeu e deveria estar livre”.
A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 820/2023, de autoria do deputado federal Rafael Brito (MDB-AL), que trata da instituição do piso salarial nacional dos motoristas de transporte escolar, um passo decisivo para a valorização, a qualificação profissional e a garantia de mais dignidade a esses trabalhadores.
A matéria foi aprovada na forma do substitutivo anteriormente acolhido pela Comissão de Viação e Transportes (CVT), sob relatoria do deputado André Figueiredo, que regulamenta a profissão e assegura, entre os direitos do condutor de veículo escolar, o piso remuneratório ajustado entre os sindicatos da categoria, além da aplicação da legislação trabalhista e do regime geral da Previdência Social. O projeto está apensado ao PL nº 464/2020.
O texto original apresentado por Rafael Brito prevê o valor de R$ 3.200,00 mensais, com atualização anual pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), como referência para garantir um patamar mínimo de remuneração condizente com a responsabilidade e a complexidade da função.
Para o parlamentar, a aprovação do projeto representa um avanço histórico.
“Os motoristas do transporte escolar exercem uma função essencial, pois são responsáveis não apenas pelo deslocamento, mas pela segurança de milhões de crianças e adolescentes em todo o país. Garantir um piso salarial é reconhecer a importância desse trabalho, promover mais dignidade e estimular a qualificação profissional”, enfatizou Rafael Brito.
O deputado ressaltou ainda que a proposta dialoga diretamente com os direitos sociais previstos na Constituição Federal, como o acesso à educação e ao transporte, e corrige uma injustiça histórica vivida pela categoria, que em muitas regiões ainda recebe apenas o salário mínimo.
O projeto de lei pontua que, segundo dados do INEP, mais de 8,5 milhões de estudantes utilizam o transporte escolar no Brasil, número que representa cerca de 22% das matrículas da educação básica, percentual ainda maior na zona rural.
“Tenho defendido, no meu mandato, que uma educação de qualidade exige profissionais qualificados e valorizados. Por isso, aprovamos na Câmara dos Deputados, em 2025, o piso nacional do magistério para professores temporários e o piso unificado para todos os profissionais da educação, incluindo técnicos, auxiliares e administrativos. Eu digo e repito: educação se faz com gente, e a valorização é um passo decisivo para uma educação de qualidade”, destacou o deputado alagoano do MDB.
O projeto tramita em caráter conclusivo e já chegou à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Após essa etapa, a proposta será encaminhada ao Senado Federal.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) divulgou, nesta quarta-feira (14), uma relação de igrejas e líderes evangélicos que são alvo de pedidos de convocação, convite ou quebra de sigilo na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A medida foi tomada em resposta a uma cobrança pública feita pelo pastor Silas Malafaia. O líder religioso publicou um vídeo nas redes sociais exigindo que a senadora apresentasse nomes e provas, após Damares ter afirmado, em entrevista ao SBT News no último domingo (11), que “grandes igrejas” e pastores estariam envolvidos em esquemas de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
Na ocasião, Malafaia classificou as declarações como “graves” e desafiou a parlamentar a “dar os nomes” ou “calar a boca”, argumentando que a liderança evangélica estava indignada.
Em nota, Damares Alves reiterou que os requerimentos apresentados à comissão baseiam-se em documentos oficiais, citando especificamente Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e dados da Receita Federal. A senadora afirmou que, embora a possível participação de instituições religiosas nas fraudes lhe cause “desconforto e tristeza”, a CPMI possui o dever constitucional de apurar os fatos com imparcialidade.
Entre os nomes listados está o de Fabiano Campos Zettel, empresário, líder religioso e cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O senador Rogério Correia (PT-MG), autor do pedido, justifica que a oitiva de Zettel é essencial para esclarecer sua proximidade com os envolvidos e a suposta participação do grupo “Golden Boys” em instituições religiosas e financeiras.
Outro nome de destaque é o do pastor André Machado Valadão, que possui pedidos de convocação para depoimento e transferência de sigilo.
Segundo a senadora, alguns requerimentos já foram aprovados pela comissão, enquanto outros aguardam análise dos parlamentares.
Fabiano Campos Zettel, empresário, líder religioso e cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master
Adoração Church;
Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo;
Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch);
Igreja Evangélica Campo de Anatote;
André Machado Valadão: Convocação para depoimento e transferência de sigilo;
Fabiano Campos Zettel: Convite para comparecer à CPMI;
Cesar Belucci do Nascimento: Convite;
Péricles Albino Gonçalves: Convite;
André Fernandes: Convite;
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, se reuniu nesta quarta-feira (14) com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em meio a operação Compliance Zero, que mira Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. “Em agenda institucional, as autoridades reafirmaram a importância da cooperação e da integração entre as instituições”, escreveu a PF no X, acrescendo que as partes fortaleceram o diálogo e a atuação conjunta em temas estratégicos de interesse do Estado brasileiro.
O encontro entre Galípolo e Andrei Rodrigues acontece após escalada institucional da 2ª fase da operação Compliance Zero. A reunião entre eles é vista como uma aproximação do BC com a PF em meio às investigações.
Em novembro de 2025, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central e seu dono, Daniel Vorcaro, passou a ser investigado por fraude financeira. Nesta quarta, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que tinha como alvos endereços ligados a Daniel Vorcaro, proprietário da instituição, além de parentes do empresário, em São Paulo.
A operação apura a prática de crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais. Ao todo, estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Após o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) visitou o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta quinta-feira (15/1), na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF), em Brasília. O ex-chefe do Planalto cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na trama golpista.
A líder do PL Mulher chegou às 9h45 ao local. As visita permanentes, autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), têm duração de 30 minutos e são feitas nas terças e quintas.
Michelle saiu da Superintendência da PF às 10h25, e não falou com a imprensa.
Mais cedo, Flávio Bolsonaro afirmou, após a visita ao pai, que o ex-presidente estava com bastante soluço nesta quinta. Segundo Flávio, Bolsonaro vive um dilema, uma vez que o remédio para passar o soluço é o que causa o “desequilíbrio que pode vir a acarretar uma queda”.
A respeito do barulho do ar-condicionado, o senador afirma que Bolsonaro usa um abafador ao longo do dia para lidar com os ruídos, que duram das 7h às 19h.
Esta é a primeira visita de Flávio após pesquisa Genial/Quaest, divulgada na quarta-feira (14/1), mostrar a pré-candidatura dele à Presidência da República consolidada na oposição. Ele aparece com 23% dos votos, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 39% das intenções de votos, cenário que levaria o pleito a um segundo turno.
As recentes ameaças dos Estados Unidos ao Irã, impulsionadas pela intensificação dos protestos contra o regime dos aiatolás e pelo discurso do presidente Donald Trump, reacendem temores de uma escalada regional no Oriente Médio. O movimento ocorre em um cenário já fragilizado por tensões, disputas energéticas e pela centralidade do petróleo na equação estratégica global.
Protestos no Irã
Desde o fim de dezembro, o Irã enfrenta onda de manifestações que começou com queixas econômicas e rapidamente se transformou em protestos contra o governo.
A repressão já deixou milhares de mortos, segundo organizações internacionais, e levou Trump a adotar tom cada vez mais agressivo, com ameaças públicas de “reações muito enérgicas” caso o regime avance com execuções de manifestantes.
Nessa quarta-feira (14/1), o republicano adotou tom ameno após ameaças contra o governo Khamenei, alegando ter sido informado de que as “matanças” no Irã “estão parando”.
Pressão regional e temor no Golfo
Apesar da retórica de Washington, aliados árabes dos EUA no Golfo Pérsico tentam conter uma escalada militar.
Liderados pela Arábia Saudita, países como Omã e Catar vêm usando canais diplomáticos para advertir a Casa Branca de que uma tentativa de derrubar o regime iraniano teria efeitos colaterais severos, especialmente sobre o mercado de petróleo.
Segundo a imprensa internacional, autoridades da região alertaram que ataques ao Irã poderiam comprometer a navegação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
Cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo passa pelo Estreito, rota comercial estratégica que liga os principais produtores do Oriente Médio aos mercados da Ásia-Pacífico, da Europa e da América do Norte.
Um bloqueio, ainda que parcial, teria impacto imediato sobre os preços da commodity e sobre a estabilidade econômica global.
Regime fragilizado e precedente venezuelano
Para a professora Fernanda Brandão, coordenadora do curso de relações internacionais da Faculdade Mackenzie Rio, as ameaças norte-americanas surgem em um momento de vulnerabilidade inédita do regime iraniano.
“As ameaças dos Estados Unidos de uma possível intervenção no Irã vêm em um momento em que o regime dos aiatolás já se encontra bastante enfraquecido. Isso ocorre não apenas no campo militar, mas também no plano político, com a continuidade dos protestos e manifestações contrárias ao governo”, afirmou ao Metrópoles.
Segundo ela, ataques recentes conduzidos por Israel, com apoio dos EUA, contra alvos ligados ao programa nuclear iraniano já contribuíram para reduzir a capacidade militar do regime.
Ainda assim, Brandão pondera que é cedo para afirmar se haverá uma intervenção direta.
“O precedente recente da intervenção na Venezuela, com a invasão e a captura de Nicolás Maduro, mostra que não se pode descartar as declarações do presidente americano. O que Trump diz pode até demorar, mas, em algum momento, tende a se concretizar”, disse.
Petróleo no centro da equação
A dimensão energética é apontada como um dos principais motores da tensão. O Irã tem uma das maiores reservas de petróleo e gás do mundo, mas a produção está bem abaixo do potencial devido às sanções impostas desde os anos 2000.
Para o professor Alberto Amaral, especialista em direito internacional, o risco para o mercado de energia é concreto.
“Esse cenário é extremamente perigoso e arriscado. A retórica adotada pelos Estados Unidos pode desencadear uma elevação significativa do preço do petróleo no mercado internacional”, afirmou.
Ele destaca que, em caso de ataque, o fechamento do Estreito de Ormuz seria uma possibilidade real. “Haveria, sem dúvida, um impacto profundo no mercado internacional de petróleo, com consequente alta dos preços. Essa situação poderia provocar uma elevação sem precedentes no valor do barril, com consequências ainda imprevisíveis.”
Mercado já reage, mas vê risco como potencial
A analista de macroeconomia Sara Paixão observa que o mercado já começou a precificar parte da tensão. O barril do Brent acumulou alta de cerca de 5% na semana, revertendo a tendência de queda registrada ao longo do último ano.
Paixão explica que o Irã tem peso significativo no mercado global.
“O país é a quarta maior reserva de petróleo do mundo, produz cerca de 3,2 milhões de barris por dia e responde por aproximadamente 5% da produção global. Além disso, controla parte do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do fluxo marítimo de petróleo.”
Limites militares e risco de escalada
Apesar das ameaças, os analistas apontam limites práticos para uma ofensiva americana.
Os EUA reduziram a presença militar no Golfo, no último ano, e hoje mantêm cerca de 30 mil soldados na região, além de seis navios de guerra.
Ainda assim, Teerã já prometeu retaliar qualquer ação, incluindo ataques a bases norte-americanas no Oriente Médio — cenário que elevaria rapidamente o risco de uma escalada regional.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), comentou o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas de 25% a países que mantêm comércio com o Irã. Divulgada na segunda-feira (12/1), a medida ainda não foi oficializada.
De acordo com o vice-presidente, caso a decisão seja formalizada, não deve gerar grandes impactos para a economia brasileira. Ele ressaltou que a relação comercial entre Brasil e Irã é “pequena”, com superávit para o lado brasileiro.
“O Irã é um pequeno participante do comércio exterior brasileiro. Ele está lá no fim da fila, não tem muita relevância. Aliás, somos grandes exportadores, vendemos mais do que compramos deles”, pontuou o vice-presidente em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro.
Alckmin também vê dificuldade na aplicação das tarifas a todos os países que fazem negócios com o Irã, sobretudo os europeus. O Brasil aguarda a publicação da Ordem Executiva para analisar eventuais medidas.
“A gente exporta US$ 2,5 bilhões, e eles (Irã) não exportam nem US$ 200 milhões. Mas não vejo relação [sobre as negociações do tarifaço] e acho que a questão da ‘supertarifação’ é difícil de ser aplicada porque você teria de aplicar em mais de 70 países do mundo, inclusive países europeus”, observou Alckmin.
A imposição da tarifa de 25% faz parte das medidas de retaliação econômica dos EUA contra Teerã, em meio ao acirramento dos protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. Um dos motivos para o aumento nas tensões internas é uma crise econômica, resultado de décadas de sanções internacionais.
“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos”, disse o presidente dos EUA em um comunicado divulgado na rede social Truth. “Esta ordem é final e irrecorrível”, acrescentou.
