
O ex-presidente Bill Clinton e sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, prestarão depoimento em uma investigação do Congresso dos Estados Unidos sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein, o que evitaria uma possível votação para declará-los em desacato.
O caso falecido ex-financista envolveu alguns dos nomes mais proeminentes da política e expôs as batalhas partidárias em meio ao escândalo, que agora soma as denúncias das vítimas pela revelação de suas identidades nos últimos arquivos divulgados.
O Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, de maioria republicana, acusou Clinton (1993-2001) e a ex-chefe da diplomacia (2009-2013), ambos democratas, de desobedecerem intimações para comparecer pessoalmente e depor sobre seus vínculos com Epstein, que foi encontrado morto na prisão em 2019.
O casal havia inicialmente se recusado a comparecer diante dos legisladores que investigavam como as autoridades conduziram as investigações anteriores sobre o ex-executivo, que tinha conexões e correspondência com a elite empresarial e política mundial.
No entanto, o porta-voz dos Clinton, Ángel Ureña, afirmou na rede social X que “o ex-presidente e a ex-secretária de Estado estarão lá” e “esperam estabelecer um precedente que se aplique a todos”.
Os democratas afirmam que a investigação é usada para atacar os adversários políticos do presidente Donald Trump, que, por sua vez, foi amigo de Epstein e não foi convocado a testemunhar.
Trump passou meses tentando bloquear a divulgação dos documentos da investigação relacionados ao caso, que atravessa círculos de bilionários, políticos, acadêmicos e celebridades.a
Nem o presidente nem os Clinton foram acusados de crimes penais relacionados às atividades de Epstein.
Nas cartas em que inicialmente se recusaram a comparecer em Washington, o casal argumentou que as intimações eram inválidas porque careciam de um propósito legislativo claro.
Os republicanos afirmam que os vínculos dos Clinton com Epstein, incluindo o uso que Bill Clinton fez de seu jato privado no início dos anos 2000 – antes de o magnata ser condenado por prostituição de menores -, justificam um interrogatório presencial.
Em vez disso, ambos apresentaram declarações juramentadas por escrito nas quais descreviam o que sabiam sobre Epstein e sua parceira Ghislaine Maxwell, que cumpre uma pena de 20 anos de prisão por tráfico sexual.
Bill Clinton reconheceu ter utilizado a aeronave do financista para realizar trabalhos humanitários relacionados à Fundação Clinton, mas afirmou que nunca visitou sua ilha privada.
Depois que concordaram em testemunhar, o Comitê de Regras decidiu na noite de segunda-feira suspender sua votação sobre o procedimento por desacato.
Enquanto isso, um tribunal deverá analisar na quarta-feira um pedido para bloquear o acesso aos registros da investigação relacionados a Epstein, depois que as vítimas afirmaram que seus nomes não haviam sido ocultados.
O Departamento de Justiça divulgou na semana passada o que, segundo afirmou, seria o último lote de documentos, fotos e vídeos dos arquivos deste caso, o que alimentou um drama político para Trump.
Mas o órgão ficou em situação difícil depois que os nomes das supostas vítimas, que deveriam permanecer anônimos, não foram censurados, segundo advogados citados pelo jornal The New York Times.
Em uma carta dirigida aos juízes, Brad Edwards e Brittany Henderson, do escritório Edwards Henderson, da Flórida, citaram um e-mail publicado entre os novos arquivos “em que se enumeravam 32 vítimas menores, com um único nome censurado e 31 visíveis”.
Outra mulher afirmou que seu endereço completo havia sido publicado nos arquivos.
Os advogados solicitaram a “retirada imediata” da página do governo na qual eram exibidos.
A menção de um nome nos arquivos de Epstein não implica, por si só, qualquer conduta ilícita. No entanto, os documentos divulgados mostram algum tipo de vínculo entre o criminoso sexual ou seu círculo e figuras públicas que minimizaram ou negaram a existência de tais laços.
O juiz distrital Richard M. Berman disse, em uma breve ordem acessada pela AFP, que realizará uma audiência na quarta-feira.
No domingo, o Departamento de Justiça afirmou que estava “trabalhando incansavelmente” para efetuar novas censuras nos arquivos depois que jornalistas do The New York Times encontraram dezenas de fotos de pessoas nuas e com seus rostos visíveis.
Desde então, tais imagens foram em sua maioria removidas ou censuradas, informou o jornal.
O senador Fabiano Contarato (PT-ES), presidente da CPI do Crime Organizado, disse à Jovem Pan que irá pedir a convocação do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), após ele não comparecer à comissão nesta terça-feira (3). Ele havia sido convidado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator do colegiado.
Na noite de segunda-feira (2), Ibaneis enviou um ofício a Contarato afirmando que não compareceria, mas o secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, iria à comissão. No entanto, quem compareceu foi o secretário-executivo de Segurança Pública, Alexandre Patury.
Após as mudanças, o presidente do colegiado cancelou a sessão desta terça e informou que irá convocar o governador, o que o obriga a comparecer, diferentemente do convite. “Desrespeito com a população”, afirmou Contarato. O pedido de convocação ainda terá que ser aprovado na comissão.
Havia a expectativa de que Ibaneis Rocha falasse sobre o suposto envolvimento dele na compra do banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). Em depoimento à PF, Daniel Vorcaro disse que falou mais de uma vez com o emedebista sobre a venda. O governador nega.
A oposição protocolou um pedido de impeachment do governador do DF na Câmara Legislativa pelo suposto envolvimento. “O denunciado, na qualidade de Chefe do Poder Executivo e acionista controlador indireto do BRB, teria impulsionado e defendido publicamente operação de elevado risco”, diz um trecho do pedido.
A integridade do processo democrático depende da existência de regras claras que garantam a liberdade do eleitor e a igualdade de oportunidades entre os candidatos. No Brasil, o Direito Eleitoral estabelece normas rígidas para coibir abusos de poder econômico e político, tipificando condutas específicas como crimes. O dia do pleito é cercado de proteções legais adicionais, visando assegurar que o momento do voto ocorra sem coação ou influências indevidas. A compreensão dessas normas é essencial para a manutenção da legitimidade do sufrágio universal.
Os crimes eleitorais são infrações penais definidas no Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965) e em leis esparsas, como a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997). A principal função dessas tipificações é proteger a lisura do pleito, a veracidade do cadastro de eleitores e o sigilo do voto. Diferentemente de infrações meramente administrativas, que resultam em multas ou cassação de registro, os crimes eleitorais possuem natureza penal e podem acarretar penas privativas de liberdade (detenção ou reclusão).
No ordenamento jurídico, essas condutas são tratadas como crimes de ação penal pública. Isso significa que cabe ao Ministério Público Eleitoral promover a acusação perante a Justiça Eleitoral. No dia da votação, a fiscalização torna-se mais rigorosa, pois é o momento crítico em que a vontade do eleitor se materializa. A legislação busca criar um “período de silêncio” e neutralidade, onde a propaganda ativa é vedada para evitar o desequilíbrio na disputa de última hora.
A tipificação dos crimes eleitorais no Brasil reflete a evolução política do país e a necessidade histórica de combater práticas arcaicas, como o “voto de cabresto” e a fraude nas urnas. O Código Eleitoral de 1965 foi um marco na sistematização dessas infrações, estabelecendo as bases para a repressão penal de condutas fraudulentas. Anteriormente, a manipulação de resultados e a coação física de eleitores eram práticas comuns e pouco fiscalizadas.
Com a promulgação da Constituição de 1988 e a subsequente Lei das Eleições em 1997, o foco da fiscalização expandiu-se. Se antes a preocupação central era a fraude na contagem (o que foi mitigado com a urna eletrônica), hoje o combate volta-se para a compra de votos, o abuso de poder econômico e a desinformação. A legislação precisou adaptar-se para definir o que é boca de urna em contextos modernos e para garantir a segurança no dia da votação, equilibrando a liberdade de expressão com a necessidade de ordem pública.
A aplicação da lei no dia da eleição segue regras específicas, especialmente no que tange à prisão de eleitores e candidatos. O Artigo 236 do Código Eleitoral determina que ninguém pode ser preso desde 5 dias antes e até 48 horas depois do encerramento da eleição, salvo em caso de flagrante delito. Portanto, entender o que é boca de urna e quais crimes eleitorais dão cadeia no dia da votação é fundamental para evitar a prisão em flagrante.
A “boca de urna” é tipificada no Artigo 39, § 5º, da Lei nº 9.504/1997. Configura-se pela atuação de cabos eleitorais e demais ativistas junto aos eleitores que se dirigem à seção eleitoral, visando promover ou pedir votos para determinado candidato ou partido. A lei proíbe:
A pena prevista para a boca de urna é de detenção de seis meses a um ano, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade, além de multa. O uso de alto-falantes e a realização de comícios ou carreatas também são expressamente proibidos na data do pleito.
Além da boca de urna, existem outras condutas graves que configuram flagrante delito e podem resultar em prisão imediata no dia da votação. As autoridades policiais estão instruídas a deter quem for surpreendido cometendo as seguintes infrações:
A rigorosa aplicação das leis penais eleitorais é um pilar de sustentação da democracia. A criminalização de condutas como a boca de urna e a compra de votos serve para proteger a soberania popular, garantindo que o resultado das urnas reflita a vontade genuína da população, e não o poderio econômico ou a capacidade de coação de determinados grupos. Quando a Justiça Eleitoral age prontamente para coibir esses crimes, ela reforça a confiança das instituições e desencoraja a prática de ilícitos futuros.
O respeito às normas no dia da votação assegura a civilidade do processo eleitoral. As restrições impostas, embora limitem momentaneamente certas manifestações, são necessárias para criar um ambiente de tranquilidade, onde o cidadão possa exercer seu direito cívico sem assédio. A estrutura legal brasileira, ao definir claramente o que é boca de urna e quais crimes eleitorais dão cadeia, estabelece limites precisos para a atuação política, reafirmando que a liberdade democrática deve ser exercida dentro dos contornos da lei.
Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), postulante à reeleição, em entrevista à rádio Fan FM de Sergipe nesta segunda-feira, 2. Na ocasião, Flávio comparou Lula a um “Chevrolet Opala velho”.
“Em algum momento o Opala já foi bonito, já foi um carro de luxo, que dava resultado e te levava para qualquer lugar. Hoje, o Lula é uma pessoa retrógrada, atrasada e ultrapassada”, afirmou o senador.
Lançado em 1968, o Opala foi primeiro automóvel de passeio da Chevrolet do Brasil e chegou oferecendo luxo e status. O fim da vida do modelo foi anunciado no Jornal do Carro do dia 22 de julho de 1992.
Procurado por meio da Secretaria de Comunicação da Presidência, Lula não se manifestou.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também criticou o fato de Lula não utilizar celular e o posicionamento do presidente em relação à Inteligência Artificial (IA), que tem sido marcado por cautela.
“É um cara que acha que a IA só serve para manipular vídeos e fotos em redes sociais. Ele não tem ideia de como isso é importante para um governo que quer se pautar pela modernidade”, declarou Flávio.
Lula tem adotado um discurso crítico às fake news, aos algoritmos das redes sociais e aos riscos do uso da IA. No dia 16 deste mês, ele alertou para o uso da tecnologia na manipulação de imagens, dizendo ser necessária atenção redobrada, especialmente no caso de mulheres que têm fotos transformadas em ‘nudes’ por meio de ferramentas digitais.
Flávio Bolsonaro afirmou ainda que a IA é estratégica para a área da segurança pública e que Lula desconhece o potencial da tecnologia. Como mostrou o Estadão, em uma eleição marcada pela polarização entre esquerda e direita, o tema da segurança pública pode ser decisivo para parte do eleitorado. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em novembro apontou que a violência era a principal preocupação de 38% da população.
Ao final do vídeo, o senador disse que Lula teria “derretido” nas pesquisas eleitorais no Nordeste. Como também revelou o Estadão, o PT chega a 2026 enfrentando dificuldades em parte da região, historicamente considerada um reduto da esquerda. Levantamentos recentes indicam vantagem da oposição em Estados-chave como Bahia, Maranhão e Ceará, enquanto, em outros, os palanques permanecem indefinidos, com disputas internas e negociações em curso.
Apesar disso, Lula lidera todos os cenários de primeiro turno para o Planalto e supera os adversários no segundo turno, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada em 14 de janeiro.
O presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, declarou estar disposto a ajudar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a assegurar que as eleições brasileiras de outubro de 2026 ocorram em um cenário de estabilidade. A manifestação ocorreu durante um encontro realizado nesta segunda-feira, 2, em Minsk, com o embaixador do Brasil no país, Bernard Klingl.
“Sinceramente, não os invejo, pois este é um momento desafiador”, declarou o chefe do regime bielorrusso ao comentar o cenário brasileiro. Em seguida, acrescentou: “Se necessário, faremos todo o possível para garantir que as eleições no Brasil ocorram no interesse do povo brasileiro. Se isso for preciso”.
No poder desde julho de 1994, Lukashenko construiu sua longevidade política em meio a reiteradas denúncias de manipulação eleitoral. Organizações internacionais apontam que o sistema político da Bielorrússia é sustentado por práticas autoritárias e pela ausência de eleições livres.
Entidades como a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa e o Departamento de Estado dos Estados Unidos deixaram de reconhecer a legitimidade dos pleitos bielorrussos desde 2001. Relatórios diplomáticos descrevem um cenário recorrente de “clima de intimidação e insegurança”, além de falhas graves na contagem de votos.
O histórico do ditador inclui repressão violenta a opositores, censura à imprensa independente e perseguição sistemática a vozes dissidentes. Ainda assim, o regime insiste em apresentar seus processos eleitorais como legítimos e estáveis.
As declarações de Lukashenko surgem em um contexto delicado para o presidente brasileiro, tanto no plano interno quanto no cenário internacional. Atualmente, o governo da Bielorrússia mantém ao menos 1.152 presos políticos, conforme dados do Centro de Direitos Humanos Viasna.
Desde 2020, as autoridades do país intensificaram ações contra qualquer forma de oposição, levando milhares de cidadãos ao exílio. O governo britânico e outras potências ocidentais condenam Minsk por violações graves dos direitos humanos e pelo apoio logístico à invasão russa da Ucrânia.
Diante desse cenário, a oferta de “ajuda” para um processo democrático estrangeiro soa contraditória. Enquanto Lukashenko fala em garantir um “ambiente pacífico”, seu governo é alvo de sanções internacionais por tortura, detenções arbitrárias e repressão política.
Até o momento, o Itamaraty não se pronunciou oficialmente sobre as declarações do líder bielorrusso. Nos bastidores, a aproximação do Brasil com regimes autoritários do Leste Europeu tem gerado críticas, especialmente por sinalizar um afastamento das democracias liberais ocidentais.
A fala de Lukashenko ocorre em meio a um período de forte tensão geopolítica. O Brasil tenta equilibrar sua atuação dentro do Brics enquanto enfrenta pressões dos Estados Unidos para reduzir a influência de Moscou e de seus aliados na América Latina.
A torcida aberta de um governo acusado de fraudes eleitorais pela reeleição de Lula tende a provocar reações da oposição no Congresso Nacional, ampliando o debate sobre os rumos da política externa brasileira.
A discussão sobre gastos públicos voltou ao centro do debate com a identificação, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), de mecanismos usados pelo governo federal para realizar despesas fora do Orçamento Geral da União (OGU) e do arcabouço fiscal, por meio de práticas que reduzem a visibilidade nas contas oficiais e afetam a transparência e a percepção sobre a situação fiscal do país.
O trabalho foi conduzido pela Unidade de Auditoria Especializada em Orçamento, Tributação e Gestão Fiscal (AudFiscal) do TCU e apresentado ao gabinete do ministro Bruno Dantas. O relatório sugere que ministérios, órgãos de controle e estatais tenham prazos entre 30 e 180 dias para ajustar normas e procedimentos que hoje permitem gastos “por fora”, sob risco de perda de credibilidade das regras fiscais aprovadas em 2023. As informações são do portal Gazeta do Povo.
A auditoria começou após o TCU verificar que parte dos recursos do programa Pé-de-Meia estava sendo executada à margem do Orçamento. A partir desse caso, os técnicos mapearam vários instrumentos usados para financiar políticas públicas com menor controle orçamentário, focando na forma de financiamento e no impacto sobre a gestão fiscal, e não no mérito das políticas.
Entre os problemas apontados, estão mecanismos sensíveis para o equilíbrio das contas públicas, incluindo o não recolhimento de determinadas receitas à Conta Única do Tesouro Nacional e a capitalização de fundos privados com recursos públicos. Também preocupam a permanência de fundos criados para objetivos temporários, a ampliação do escopo de estatais e o uso de fundos públicos para financiar programas de crédito.
Em conjunto, essas práticas permitem que parte relevante do gasto público não apareça de forma clara nas estatísticas fiscais tradicionais, alimentando dúvidas sobre o respeito ao arcabouço fiscal. Dados oficiais mostram que a multiplicação de gastos fora das regras do arcabouço e do Orçamento reforça a percepção de enfraquecimento do controle fiscal e da transparência.
Um caso emblemático foi a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que deixou fora do cálculo fiscal despesas da Petrobras, da ENBPar e até R$ 5 bilhões ligados ao Novo PAC. Além disso, autorizou que até R$ 10 bilhões do resultado primário das estatais fossem excluídos e permitiu ao governo mirar apenas o piso da meta fiscal, e não o centro.
Somados, os valores retirados das regras fiscais desde o início do atual mandato alcançavam cerca de R$ 336,9 bilhões até o ano passado, incluindo R$ 145 bilhões da PEC da Transição, R$ 140,6 bilhões para precatórios atrasados, R$ 29 bilhões para reconstrução no Rio Grande do Sul e R$ 9,5 bilhões para setores afetados por tarifas dos Estados Unidos. Esse conjunto de exceções preocupa o TCU quanto à credibilidade das âncoras fiscais.
O relatório descreve uma rede de práticas que explora lacunas legais e institucionais, como receitas de natureza pública que não passam pelo Orçamento nem pela Conta Única do Tesouro, dificultando o acompanhamento. A Secretaria de Orçamento Federal (SOF) informou não ter atribuição para monitorar receitas extraorçamentárias ou classificadas como privadas, o que, na visão dos auditores, cria uma zona cinzenta de supervisão.
Outro ponto envolve fundos e estatais: ao capitalizar fundos privados com dinheiro público ou usar empresas estatais em políticas de crédito e investimento, parte das despesas deixa de ser registrada como gasto primário tradicional. Fundos criados para emergências acabam mantidos e ampliados, transformando exceções em canais permanentes de gasto fora das principais regras fiscais. O documento da AudFiscal ainda depende de análise do ministro Bruno Dantas, relator da auditoria, que decidirá se as propostas serão convertidas em determinações formais, recomendações gerais ou novos processos de fiscalização. Depois, o caso poderá ir ao plenário do TCU, conferindo caráter colegiado às decisões e pressionando o Executivo por ajustes institucionais.
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma, nesta segunda-feira, 2, os trabalhos do Judiciário em 2026 com a tradicional sessão solene que simboliza o retorno dos julgamentos e votações em plenário. O evento está programado para as 14h e não inclui análise de processos, funcionando apenas como ato protocolar de abertura do ano judicial.
A cerimônia contará com a presença do presidente da República, além dos chefes do Legislativo. Também confirmaram participação o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), reforçando o caráter institucional do encontro.
A abertura oficial ficará a cargo do presidente do STF, ministro Edson Fachin. A sessão ocorrerá com dez ministros presentes, já que a Corte opera atualmente com uma cadeira vaga, aberta após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
Entre os integrantes do tribunal, apenas o ministro Luiz Fux não comparecerá presencialmente. Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, o magistrado foi diagnosticado com pneumonia dupla provocada por influenza e seguirá orientação médica para evitar eventos presenciais, acompanhando a cerimônia de forma remota.
O retorno das atividades do STF acontece sob o impacto do avanço das investigações relacionadas ao chamado caso Master, conduzido sob relatoria do ministro Dias Toffoli.
Durante o recesso judicial, o presidente da Corte antecipou sua volta a Brasília para lidar com o aumento das tensões internas e externas envolvendo o processo. Fachin iniciou conversas com outros ministros com o objetivo de buscar soluções institucionais e minimizar o desgaste da imagem do tribunal.
Entre as medidas discutidas está a criação de um Código de Conduta para ministros do STF, proposta apresentada ainda no ano anterior e que voltou à pauta diante do atual cenário.
Nos bastidores de Brasília, cresce a pressão de setores políticos pela saída de Toffoli da condução do caso. O argumento utilizado por críticos envolve decisões consideradas contraditórias e reportagens que mencionam suposta ligação do ministro com um resort no Paraná vinculado a fundos sob investigação no mesmo processo.
Esse ambiente de tensão aumentou o debate interno sobre a necessidade de regras mais claras para conduta e conflitos de interesse dentro do Supremo. Mesmo assim, até o momento não há documento oficial consolidado — apenas discussões preliminares entre os magistrados.
Com receio de novos danos à credibilidade da Corte, Fachin retornou à capital federal cerca de uma semana antes do término do recesso coletivo do Judiciário. O objetivo foi alinhar posições e tentar avançar na elaboração de diretrizes éticas internas.
Apesar das conversas em andamento, o Código de Conduta ainda não possui texto definido nem data prevista para apresentação formal, permanecendo em fase de debate entre os ministros.
O início do Ano Judiciário, portanto, ocorre sob o peso de questionamentos institucionais e da expectativa sobre como o Supremo administrará as pressões políticas e os desdobramentos do caso Master ao longo de 2026.
O suplente de deputado estadual Pedro Lobo foi detido na manhã desta segunda-feira (2/2) no Aeroporto de Juazeiro do Norte, no interior do Ceará. A ação ocorreu após uma mulher registrar denúncia de importunação sexual contra o parlamentar.
A ocorrência foi atendida pela Polícia Federal, responsável pela segurança e pelos procedimentos no aeroporto. Segundo o relato da vítima, uma mulher de 33 anos, o suplente teria esfregado as partes íntimas nela durante o desembarque de um voo.
De acordo com as informações registradas, a mulher procurou os policiais federais ainda dentro do aeroporto e formalizou a acusação logo após o ocorrido. A partir do relato, os agentes adotaram os procedimentos previstos em lei e conduziram as partes envolvidas para esclarecimentos.
Pedro Lobo e a denunciante foram encaminhados à sede da Polícia Federal na manhã desta segunda-feira, onde ambos prestaram depoimento. O caso foi oficialmente registrado e permanece sob apuração das autoridades.
Dois dias antes do episódio, o suplente de deputado havia publicado em suas redes sociais que encerrava uma viagem internacional. A informação passou a ser citada após a divulgação da detenção, mas não há, até o momento, relação direta apontada entre a viagem e a denúncia registrada no aeroporto.
A Polícia Federal não divulgou detalhes adicionais sobre o andamento da investigação, que seguirá os trâmites legais para apuração dos fatos.
Já escreveu este Blog Kléverson Levy que há rumores e informações – até desencontradas – sobre o futuro político do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PL).
Nem o próprio "J" fala nada ou oficializa qualquer pré-candidatura. É o silêncio ensurdecedor de quem, apenas, está esperando o momento certo para agir observando o xadrez desenhado.
#Fato
Repito: é como se o cavalo estivesse selado, vai passar e, a oportunidade de JHC permanecer “vivo’, politicamente, está na sua decisão de se abster ou não das urnas do próximo ano
Tanto que na reunião de hoje, 28, com os vereadores do PL, JHC deu sinais sobre a disputa eleitoral de 2026. O encontro, publicado nas redes sociais, serviu para aquecer os bastidores políticos em Alagoas.
Ao Blog Kléverson Levy, a informação é que JHC - presidente do PL em Alagoas - deu o pontapé para formação das chapas para deputado estadual e deputado federal.
O prefeito de Maceió está "montando o time" para concorrer aos cargos eletivos deste ano. Apesar da reunião ter sido focada em nomes para estadual e federal, por outro lado, JHC demonstrou que deve ir para disputa majoritária.
Se é senador ou governador, no entanto, "Tio J" vai dizer no momento certo. Essa é a avaliação de quem esteve presente na reunião com a turma do PL na tarde de quarta-feira, 28.
Afinal, não é à toa que o vereador Kelmann Vieira segue fazendo 'barulho' a cada postagem em suas redes sociais. Na última imagem, o líder do governo deixou nas entrelinhas a mensagem que resultou do encontro com a vereança e aliados presentes:
"Reunião do PL com os partidos aliados. Quem comanda é o dono do maior capital político, e é assim que tem que ser. Diálogo e respeito, mas cada um no seu quadrado. Os sinais estão evidentes", escreveu Kelmann Vieira.
Portanto, os sinais estão claros com esse início para a montagem das chapas, diante da reunião com os vereadores do PL, e o 'start' do prefeito sobre 2026 (mesmo em silêncio).
Além disso, disseram a este nobre jornalista que, nas mãos, pesquisas que apontam o cenário de 2026 com prospecção de mudanças na política em Alagoas. Essa foi para dizer, literalmente, que "estamos vivos" - politicamente falando - para 2026.
A sociedade civil está se mobilizando para exigir mais ética, transparência e responsabilidade dos mais altos cargos do Poder Judiciário brasileiro. Nesta segunda-feira, a retomada das atividades após o recesso do judiciário está sendo acompanhada pelo lançamento do Manifesto por Diretrizes Objetivas de Conduta nos Tribunais Superiores, com o apoio de 53 organizações da sociedade civil, entre elas o Livres, a Transparência Brasil, o Movimento Orçamento Bem Gasto e o Movimento Pessoas à Frente.
A iniciativa endossa a proposta da OAB-SP, que formulou um documento com a participação dos ex-ministros da Suprema Corte, Ellen Gracie e Cezar Peluso, além de juristas como Miguel Reale Jr e José Eduardo Cardoso, que estiveram em lados opostos no processo de impeachment da ex-presidente Dilma.
O manifesto da sociedade civil propõe a criação de um Código de Conduta para os ministros do STF e demais tribunais superiores — uma medida já adotada em democracias consolidadas, como Alemanha, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos.
A iniciativa também conta com a adesão de grandes nomes da economia brasileira, como Armínio Fraga, Guilherme Leal, Jayme Garfinkel, Jose Luis Egydio Setubal e Wolf Klabin. “Acreditamos que ninguém pode se sentir acima da ética ou se colocar acima da lei, especialmente membros do judiciário”, comenta o diretor-executivo do Livres, o cientista político Magno Karl.
A proposta surge em um momento de desgaste crescente da imagem do STF e dos tribunais superiores, impulsionado por casos recorrentes de comportamentos inadequados e conflitos de interesse, com especial repercussão a partir do processo de liquidação do Banco Master.
O manifesto denuncia que, embora o Judiciário deva ser o exemplo máximo de sobriedade e imparcialidade, a ausência de regras claras e mecanismos de fiscalização eficazes tem alimentado a perda de confiança da população nas instituições e na própria democracia.
O documento propõe sete eixos centrais para assegurar a integridade e a independência da magistratura de cúpula:
Além das organizações signatárias, o manifesto está disponível para assinatura de novos apoiadores — tanto organizações quanto indivíduos — por meio de uma plataforma online. O objetivo é ampliar a mobilização social em torno de uma pauta que, segundo os proponentes, não é ideológica nem partidária, mas de defesa institucional da democracia.
O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli a garantia da convocação de Daniel Vorcaro para prestar depoimento ao colegiado na quinta-feira (5).
Para o parlamentar, o depoimento do dono do Banco Master é importante para a comissão, porque pode esclarecer a contratação dos empréstimos, os valores envolvidos e os procedimentos adotados.
Segundo o senador, o ofício encaminhado ao ministro, na quinta-feira (29), trata exclusivamente da autorização de deslocamento, em razão de medidas judiciais em vigor, como o uso de tornozeleira eletrônica. “A CPMI aprovou a convocação. A decisão da Comissão não está em discussão”, afirmou à Jovem Pan.
Questionado sobre a possibilidade de o STF impedir a oitiva, o senador e relator da CPMI defendeu que o Poder Judiciário não legisla, não preside CPI e não substitui o Congresso. “Cabe ao Supremo garantir direitos individuais; cabe ao Parlamento investigar. Quando cada Poder atua dentro de seus limites, não há conflito”, avaliou.
Viana afirmou que a comissão seguirá com os trabalhos até a conclusão das investigações. “A CPMI do INSS vai cumprir sua missão até o fim, doa a quem doer, porque proteger aposentados, viúvas e órfãos não é uma opção política, é um dever constitucional”, concluiu.
Instalada em 20 de agosto, a CPMI do INSS realizou 29 reuniões até 4 de dezembro e deve retomar os trabalhos em 5 de fevereiro. Neste ano o trabalho da comissão será concentrado em análises de fraudes em empréstimos consignados, com suspeitas de assédio, concessão sem consentimento e renovações fraudulentas que geraram dívidas impagáveis.
Em 2025 a CPMI ouviu 26 testemunhas, incluindo Antônio Carlos Camilo Antunes, que ficou conhecido como o “Careca do INSS”. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), qualificou Antunes como “autor do maior roubo a aposentados e pensionistas da história do Brasil”.
Segundo os dados apurados pela CPMI, ele seria o operador do esquema e teria movimentado R$ 24,5 milhões em cinco meses. Vários depoentes optaram por permanecer em silêncio amparados por habeas corpus. Além disso, senadores afirmaram que alguns depoentes mentiram durante as oitivas.
As liquidações do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira (15), revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro.
O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).
“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.
De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhada da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Como resultado, no dia 17 de novembro, o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso. Depois, ele foi solto com uso de tornozeleira eletrônica.
Sob o comando de Hugo Motta (Republicanos-PB), a Câmara dos Deputados realiza a primeira sessão de 2026 nesta segunda-feira (2/2). Após terminar 2025 desgastado com líderes partidários e sob a iminência de não se reeleger ao cargo, o presidente da Casa Baixa prometeu uma pauta mais amena até o Carnaval.
Motta reuniu os líderes partidários já na semana passada. Disse que irá colocar em votação a Medida Provisória do Executivo que cria o programa Gás do Povo. A medida está prestes a caducar e é prioridade para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Caso o Congresso instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master, a iniciativa não deve partir da Câmara dos Deputados. O parlamentar quer evitar polêmicas.
Eleito em 1º de fevereiro, com 444 votos dos 513 deputados federais, o deputado enfrentou dificuldades para lidar com o plenário polarizado do ano passado.
Nos bastidores, enquanto articulava sua eleição com o apoio de Arthur Lira (PP-AL), então presidente da Casa, prometeu algo que lhe custaria caro meses depois: à oposição Motta disse que aprovaria o PL da anistia; aos governistas, que engavetaria o projeto.
Gestão marcada por desgaste político
Motta encerrou 2025 fragilizado, após promessas contraditórias à oposição e ao governo sobre o PL da anistia;
Projeto avançou com apoio do Centrão, frustrou a esquerda e levou Lula a anunciar veto simbólico em 8 de janeiro;
Cassações de Brazão, Zambelli, Eduardo Bolsonaro, Ramagem e Glauber expuseram tensões com STF, oposição e aliados;
Ocupações da Mesa, recuos disciplinares e embates com a imprensa ampliaram o desgaste do presidente da Casa.
A proposta foi aprovada na Casa em 10 de dezembro, com sabor agridoce para a direita e derrota para a esquerda. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) defendiam o perdão total, mas acabaram com um texto que pode reduzir significativamente a pena de 27 anos e 3 meses de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O projeto só avançou graças à articulação do Centrão e à relatoria do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que tem bom trânsito entre magistrados da Corte.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que vetará a proposta. Em um gesto simbólico, o petista assinou o ato em 8 de janeiro, quando os ataques às sedes dos Três Poderes completaram três anos.
A discussão sobre a dosimetria da pena também ampliou o desgaste de Motta nas redes sociais, onde ele já enfrentava uma imagem deteriorada após sucessivos embates políticos.
Cassações
O presidente da Câmara também foi criticado quanto à sua postura nos processos de cassação de deputados considerados polêmicos: Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), Carla Zambelli (PL-SP), Glauber Braga (PSol-RJ), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ).
Em 24 de abril, a Mesa Diretora da Câmara decretou a perda do mandato de Chiquinho por excesso de faltas. Preso desde março de 2024, acusado de ser o mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol-RJ), o deputado nunca chegou a ter o caso analisado em plenário. A saída foi administrativa, e as tentativas de reverter a decisão no STF não avançaram.
Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e acabou presa na Itália, em julho de 2025. Em 10 de dezembro, a Câmara rejeitou a cassação por 227 votos a 110, abaixo dos 257 exigidos, mas Moraes anulou a votação e determinou a perda do mandato com base na condenação definitiva. Depois disso, Zambelli renunciou ao cargo e segue detida, à espera de extradição.
Eduardo Bolsonaro deixou o Brasil em fevereiro de 2025 e se estabeleceu nos Estados Unidos. Em março, pediu licença de 122 dias, que se encerrou em julho. O retorno nunca ocorreu. As ausências se acumularam, ultrapassaram o limite constitucional e passaram a ser tratadas como abandono de mandato. Em 18 de dezembro de 2025, a Mesa Diretora oficializou a perda do cargo.
Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por envolvimento na tentativa de golpe após as eleições de 2022. Em 15 de dezembro de 2025, a Polícia Federal confirmou que ele deixou o país clandestinamente pela Guiana e foi localizado em Miami, nos EUA, apesar da proibição judicial. Três dias depois, em 18 de dezembro, a Câmara declarou a perda do mandato e, na sequência, cancelou seu passaporte diplomático.
Já Glauber respondeu a um processo de cassação por quebra de decoro após expulsar, a chutes, um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) da Câmara, em abril de 2024. O caso avançou no Conselho de Ética e chegou ao plenário em dezembro de 2025, mas o presidente da Casa não conseguiu reunir votos para a cassação. Em vez disso, por ampla maioria, os deputados optaram por uma punição alternativa e aprovaram a suspensão do mandato por seis meses. O resultado preservou o cargo e afastou o risco de inelegibilidade.
A tentativa de cassação havia sido um pedido direto de Lira a Motta, em reação às críticas recorrentes de Glauber ao ex-presidente da Câmara, sobretudo acerca do chamado Orçamento Secreto. Nos bastidores, Lira não escondeu o descontentamento com o desfecho.
Ocupações da cadeira de Motta
Motta foi alvo de críticas pela condução de duas ocupações na Mesa da Presidência: uma liderada pela oposição, em pressão pela anistia, e outra protagonizada por Glauber, em protesto contra o processo de cassação que então tramitava contra o deputado.
Na Câmara, o motim durou mais de 30 horas, feito em agosto.

Na Câmara, o motim se estendeu por mais de 30 horas, em agosto. Parlamentares ocuparam a Mesa da presidência para exigir a votação imediata de três pautas: a anistia, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue o foro privilegiado e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
Em 6 de agosto, o presidente da Câmara reagiu convocando sessão e ameaçando suspender por seis meses os deputados que mantivessem a paralisação.
Dois dias depois, porém, recuou. Encaminhou à Corregedoria as representações feitas por partidos contra 14 parlamentares envolvidos nos tumultos. Desde então, os pedidos permaneceram parados, sem qualquer avanço.
A de Glauber, no entanto, seguiu outro roteiro. Após ficar engavetado por sete meses, o processo voltou à cena quando Motta anunciou, no início de dezembro, que levaria ao plenário o pedido de cassação do deputado naquela semana.
Em reação, o psolista afirmou que ocuparia a mesa da Presidência da Câmara. Horas depois, foi retirado à força pela Polícia Legislativa.
Durante a ocupação, as transmissões oficiais da Casa foram interrompidas, e o acesso ao plenário foi bloqueado para servidores e jornalistas. Houve ainda registros de agressões a profissionais de imprensa por parte da Polícia Legislativa, episódio que ampliou o desgaste de Motta nas redes sociais e motivou críticas públicas de entidades da categoria.
Aprovações e patinações
Motta anunciou, ainda no primeiro ano de sua gestão, em 2025, que a aprovação da reforma administrativa seria uma das prioridades. Ao longo do ano, porém, mudou o tom do discurso. No início, mostrou-se otimista. Em dezembro, passou a reconhecer que o debate tende a ser mais demorado.
“Quando se fala em reforma, já dá um frio na espinha. Foram muitos anos de debate sobre a reforma tributária, muitos anos a reforma da Previdência, muitos anos a reforma trabalhista. Isso mistura com o ambiente eleitoral e acaba dificultando um pouco o debate”, afirmou o presidente da Câmara, no fim do ano passado.
Motta ainda argumentou que fazer reforma administrativa em ano de eleição era “muito desafiador, mas necessário”.
Não há previsão de quando a PEC será votada pela comissão especial. De lá, o texto segue para o plenário, onde precisa ser aprovado com ao menos 308 votos dos 513 deputados, em dois turnos de votação.
No fim de 2025, líderes partidários decidiram adiar para este ano a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e do Projeto de Lei Antifacção.
As propostas encontraram forte resistência no Congresso por reunirem entraves políticos, institucionais e federativos. Parlamentares apontaram invasão de competências de estados e municípios, especialmente no que diz respeito ao papel das polícias e à centralização de decisões no governo federal.
Governadores e bancadas estaduais reagiram ao que consideram um enfraquecimento da autonomia local.
Também há críticas à falta de diálogo prévio com o Legislativo, dúvidas sobre a eficácia prática das medidas, temor de aumento de custos sem indicação clara de fontes de financiamento e desconfiança de que os textos tenham caráter mais simbólico do que operacional.
A polarização política e a disputa de narrativas em torno da segurança pública contribuíram para frear o avanço das matérias.
O Ministério da Justiça informou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (28/1), que o pedido de extradição contra o ex-deputado federal Alexandre Ramagem está com os Estados Unidos. O pedido foi encaminhado ap Departamento de Estado (DoS), por meio de nota verbal, junto com a documentação formalizadora desde o dia 30 de dezemebro de 2025.
A comunicação oficial ocorreu após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, à Secretaria Judiciária para que pedido fosse remetido ao MJ com documentos necessários para formalizar o pedido de extradição de Ramagem, nos termos do Tratado de Extradição com os Estados Unidos da América.
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão por atuar em trama golpista. O processo dele transitou em julgado dia 25 de novembro de 2025, mas o deputado fugiu do Brasil. Assim, Moraes, ciente de que o parlamentar está nos Estados Unidos, estabeleceu as seguintes determinações:
A suspeita é a que ele tenha saído clandestinamente do Brasil pela Guiana em direção a Miami, nos Estados Unidos, onde se encontra desde setembro deste ano.
Os detalhes da rota usada pelo parlamentar foram confirmados pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em conversa com jornalistas em dezemebro do ano passado.
Na tentativa de acelerar a aprovação do acordo entre Mercosul e a União Europeia, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende enviar a proposta de internalização do tratado na primeira semana de fevereiro. O Congresso retoma as atividades na próxima semana após um período de recesso.
Em entrevista a jornalistas, nesta quarta-feira (28/1), a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o Executivo quer a aprovação da medida “o mais rápido possível”.
“O governo está trabalhando para que a gente possa enviar essa proposta agora na primeira semana de fevereiro e nós já temos dos líderes e dos próprios presidentes das Casas [Davi Alcolumbre e Hugo Motta] sinais positivos em relação a isso”, disse a titular da articulação política de Lula.
Na última semana, o Parlamento Europeu decidiu levar à Justiça o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. A decisão deve atrasar a finalização do tratado por parte dos países europeus.
Em contrapartida, o governo brasileiro e outros países do Mercosul apostam em agilizar a aprovação da proposta de forma a pressionar o bloco europeu a antecipar a vigência das novas regras.
Figuras ligadas à direita reagiram, nesta quarta-feira (28/1), à notícia da ida do pré-candidato à Presidência da República e governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD. O anúncio foi feito pelo agora ex-União Brasil no fim dessa terça-feira (27/1).
A vereadora Janaina Paschoal (PP-SP) afirmou: “Espero que Kassab lance Caiado à Presidência; Ratinho e Leite ao Senado”. Mesmo demonstrando estar satisfeita, a política apontou um ponto de alerta: “O grande medo é ele prender esses figurões e negociar apoio a Lula, aberta ou veladamente. A conferir”.
Já o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), comemorou e disse: “Com a filiação do governador Ronaldo Caiado ao PSD, tenho a convicção de que o partido não vai caminhar com o presidente descondenado na eleição em 2026. Mais uma baixa para o governo. Boa notícia”.
Em uma carta aberta divulgada nessa terça, Caiado disse ser grato ao União Brasil, mas que é necessário “dar um novo passo” e construir um projeto de verdadeira mudança para um novo Brasil.
O União Brasil, por sua vez, afirmou que respeita a decisão do governador goiano. “O União Brasil registra com respeito a decisão do governador Ronaldo Caiado de seguir um novo caminho partidário. Caiado construiu uma trajetória pública reconhecida, marcada pela firmeza de posições, pela defesa da responsabilidade fiscal e por uma atuação relevante em agendas estratégicas, como a segurança pública e o fortalecimento do agronegócio em Goiás”, diz um trecho da nota divulgada.
O motivo da saída teria sido a falta de apoio dentro da sigla à sua candidatura ao Planalto. Kassab ainda não deixou claro quais são os planos para o governador dentro de seu partido, apesar de sinalizar que se trata de um projeto nacional.
Com isso, cresce a expectativa de que o PSD lance seu próprio candidato à Presidência da República. Isso contraria os planos do senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pretende buscar apoio do Centrão para consolidar sua candidatura.
O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) foi diagnosticado com a Doença de Parkinson e deverá se afastar da vida política. O parlamentar, que está no final do seu primeiro mandato na Casa Alta, recebeu o diagnóstico em dezembro e já passa por tratamento.
Kajuru fez carreira como apresentador e comentador de esportes no rádio e na televisão. Em 2016, se elegeu vereador em Goiânia com um número expressivo de votos e se lançou para o Senado dois anos depois.
O PSB chegou a ventilar a possibilidade de lançá-lo para a Câmara dos Deputados por São Paulo, seu estado natal, em 2026. Mas, diante do diagnóstico, o senador deverá se afastar da vida política para tratar da saúde.
Enquanto senador, Jorge Kajuru presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das apostas esportivas. Conhecido pelas críticas às regalias dos mandatos eletivos, o senador não usa recursos de cota parlamentar e chegou a criticar o ritmo de trabalho no Congresso.

Durante a realização da Cúpula dos Parlamentares do G20 (P20), no Congresso Nacional, em 2025, o senador criticou a paralisação dos trabalhos do Legislativo em decorrência de eventos.
“Que saco que vai ser aqui na semana que vem? Porque aqui a gente quase não trabalha: é recesso parlamentar, é eleição, é segundo turno, segunda ninguém vem, sexta ninguém vem. Então, o que é que vai ter? Me desculpem o desabafo. O que é que vai ter aqui na semana que vem, que nós não vamos poder ter CPI?”, disse Kajuru na CPI.
O que é Parkinson?
A Doença de Parkinson é uma condição degenerativa que afeta o sistema nervoso central. Os sintomas incluem tremores involuntários nos membros, rigidez muscular e diminuição dos movimentos.
O Parkinson não tem cura. O tratamento é voltado para a atenuação dos sintomas e impedir o avanço da doença.
