
A Rússia anunciou uma nova rodada de negociações com representantes da Ucrânia e dos Estados Unidos na próxima semana, para encontrar uma solução para o conflito, que em breve completará quatro anos.
“Há um acordo para que isto aconteça na próxima semana. Informaremos o local e as datas”, disse o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, a vários meios de comunicação, incluindo a AFP.
Os dois países já participaram de duas rodadas de negociações em Abu Dhabi, com mediação dos Estados Unidos, mas não concretizaram um avanço decisivo, já que Moscou e Kiev continuam muito distantes no delicado tema territorial.
Durante as negociações, a Rússia permanece firme em suas exigências de concessões, que a Ucrânia rejeita por considerá-las equivalentes a uma rendição.
A Rússia pressiona para que a Ucrânia se retire da parte que controla na região leste de Donetsk, cerca de 17% da área.
A Ucrânia rejeita uma retirada unilateral e busca garantias de segurança ocidentais sólidas para dissuadir a Rússia de retomar a ofensiva após qualquer cessar-fogo.
O presidente ucraniano Volodimir Zelensky disse no início da semana que havia aceitado uma proposta dos Estados Unidos para uma rodada de conversações em Miami na próxima semana.
A Rússia ocupa quase 20% do território da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia, que anexou em 2014, e áreas que os separatistas apoiados por Moscou haviam tomado antes de 2022.
A Polícia Federal prepara um relatório sobre as menções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no celular do empresário mineiro Daniel Vorcaro. O material deverá ser entregue ao presidente do STF, o ministro Edson Fachin.
Nesta segunda-feira (9/2), a PF entregou um relatório similar sobre as citações ao ministro Dias Toffoli nas mensagens apreendidas de Vorcaro. Assim como no caso de Toffoli, a peça chama-se “informação de Polícia Judiciária”, e não pede a suspeição ou o afastamento do ministro — o documento apenas relata os achados da PF.
Como mostrou a coluna, Alexandre de Moraes esteve pelo menos duas vezes na mansão de Daniel Vorcaro, no Lago Sul, em Brasília. Em uma dessas ocasiões, Moraes conversou brevemente com o presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
Na ocasião, Moraes publicou nota negando ter participado de uma reunião com Paulo Henrique Costa.
Na época, Vorcaro tentava viabilizar a venda do Master para o BRB. Ao mesmo tempo, a mulher de Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, mantinha um contrato de consultoria de R$ 129 milhões com o Banco Master.
As informações sobre o novo relatório da PF a respeito do celular de Vorcaro, citando Moraes, foram publicadas pela jornalista Malu Gaspar em O Globo e confirmadas pela coluna.
O deputado federal por Alagoas, Rafael Brito (MDB), teceu duras críticas à gestão do município de Maceió após o desabafo desesperado de uma mãe atípica cobrando atendimento adequado para o filho com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede municipal de educação.
Renata Ramos utilizou suas redes sociais para publicar um vídeo em que cobra a contratação de Profissional de Apoio Escolar (PAE), condição indispensável para que seu filho possa frequentar a escola e ter o direito à educação garantido por lei. O relato comoveu a população e ganhou ampla repercussão nas redes sociais.
Para Rafael Brito, a situação expõe a falta de prioridade da atual gestão com áreas essenciais como educação e inclusão.
“É desumano ver tanto dinheiro público sendo torrado em coisas que não funcionam e, ao mesmo tempo, ver mães suplicarem pelo direito de seus filhos estudarem. Esse descaso deve ser investigado pelo Ministério Público de Alagoas e pelo Ministério Público Federal! Não dá mais para fingir que está tudo bem quando claramente NÃO ESTÁ!”, cobrou o deputado alagoano.
No vídeo que viralizou, a mãe também questiona os altos gastos com festas e eventos promovidos pela Prefeitura, enquanto serviços básicos como educação e saúde enfrentam deficiências estruturais. A ausência de profissionais de apoio compromete não apenas o desenvolvimento das crianças com TEA, mas também o cumprimento da legislação que assegura educação inclusiva e digna.
Rafael Brito reforçou que educação não pode ser tratada como despesa secundária e que é dever do poder público garantir estrutura adequada, profissionais capacitados e respeito às famílias que lutam diariamente pelos direitos de seus filhos.
A nota de repúdio cobra providências imediatas da gestão municipal e a devida apuração dos fatos pelos órgãos de controle, para que situações como essa não continuem penalizando crianças e mães maceioenses.
O Senado da Argentina aprovou na madrugada desta quinta-feira (12) o projeto de reforma trabalhista proposto pelo presidente Javier Milei, que modifica radicalmente as condições de trabalho no país, caracterizado por um alto nível de sindicalização e uma longa história de luta operária.
Após uma sessão de mais de 14 horas e uma jornada tensa pela batalha campal protagonizada no centro de Buenos Aires pelas forças de segurança e manifestantes contrários à reforma, a Câmara Alta aprovou o projeto por 42 votos a favor, 30 contra e nenhuma abstenção.
A secretária-geral da presidência e irmã do governante argentino, Karina Milei, e o chefe de Gabinete de Ministros, Manuel Adorni, (ambos da máxima confiança do presidente), acompanharam a votação de um camarote do Senado.
“Histórico, VLLC (Viva la llbertad, carajo)”, postou Milei na rede social X imediatamente após a votação.
Agora resta aos senadores realizarem a votação individual, ou seja, votarem separadamente cada um dos 26 capítulos que compõem o projeto, o que poderá modificar aspectos do texto. Depois, a proposta seguirá para a Câmara dos Deputados com as modificações que surgirem no caminho.
O governo quer que a lei tenha superado todos os obstáculos legislativos antes de 1º de março, quando começa o período ordinário do Congresso e Milei fará um discurso à nação. O debate e as votações deste projeto de lei estão sendo realizados atualmente em sessões extraordinárias.
A passagem pelo Senado é a primeira conquista do A Liberdade Avança (LLA, partido de Milei) no Congresso neste 2026 e responde ao bom resultado obtido nas eleições legislativas de outubro do ano passado, quando a formação de ultradireita aumentou de maneira significativa sua representação nas duas casas do Congresso.
Com o respaldo da União Cívica Radical (UCR, centro-direita), do Proposta Republicana (PRO, direita) – sob a liderança do ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019) – e dos blocos federais, o LLA conseguiu que 38 senadores garantissem o quórum para iniciar a sessão realizada nesta quarta-feira.
O projeto chegou à Câmara Alta após inúmeras modificações do texto acordadas até a última hora e negociações entre o governo e os governadores provinciais, cujos representantes parlamentares se expressaram a favor da medida.
Durante a tarde de quarta-feira, ao mesmo tempo em que se debatia a reforma trabalhista no Senado, a Praça do Congresso de Buenos Aires e as ruas adjacentes foram cenário de uma batalha campal entre manifestantes contrários à reforma e as forças de segurança, resultando em vários feridos e detidos.
O banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, trocaram mensagens em que discutiram pagamentos à empresa Maridt, que tem o ministro Dias Toffoli como um dos sócios. A informação consta no relatório entregue pela Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Vorcaro e Zettel citam nominalmente o sobrenome Toffoli – dois irmãos do ministro também são sócios. Os pagamentos seriam referentes à compra do Tayaya Resort, que tinha a Maridt como sócio. Os detalhes do relatório foram publicados pela Folha de S.Paulo e confirmados pela Jovem Pan.
Nesta quinta-feira (12), o gabinete do ministro divulgou uma nota em que confirma que Toffoli é sócio da Maridt. “De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador”, diz um trecho do comunicado.
Segundo o texto, a empresa – que também pertence a dois irmãos do ministro – integrou o grupo do Tayaya até 21 de fevereiro do ano passado. “A ação referente à compra do banco Master pelo BRB foi distribuída ao ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro”, argumenta o gabinete.
O ministro também diz que não conhece o gestor do Fundo Arllen – comprador da participação da Maridt no resort e que é ligado a Daniel Vorcaro -, nem teve qualquer relação de amizade “e muito menos amizade íntima” com o banqueiro.
A Polícia Federal (PF) encaminhou na segunda-feira (9) ao presidente do STF, Edson Fachin, o relatório sobre os dados colhidos no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. No aparelho, a corporação encontrou diversas menções ao ministro Dias Toffoli, relator do inquérito sobre a instituição financeira na Corte.
Por esse motivo, a PF pediu ao presidente do STF a arguição de suspeição de Toffoli. Ou seja, que o ministro seja declarado “suspeito” para atuar no processo. No entanto, essa solicitação só pode ser feita pelo Procurador-Geral da República, Paulo Gonet.
Em nota emitida pelo gabinete, Toffoli disse que o pedido se “trada de ilações”. Baseado no artigo 145 do Código de Processo Civil, o magistrado também argumentou que a corporação “não tem legitimidade” para fazer a solicitação. Ele ainda afirmou que, com relação ao conteúdo do relatório, “a resposta será apresentada ao presidente da Corte”.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) iniciou uma espécie de campanha intitulada “Acorda, Senado”, que pede o impeachment do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A intenção é pressionar o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).
O parlamentar disse que é “inacreditável como todo mundo está vendo os escândalos do Master, menos o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Já passou da hora de abrir o impeachment do Toffoli. Acorda, Senado!”.
Toffoli entra na mira do Congresso Nacional após ter o nome vinculado ao do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado pela Suprema Corte, suspeito de comandar um esquema de fraudes bancárias envolvendo compra e venda de carteiras sem valor para o Banco de Brasília (BRB).
O movimento também conta com o apoio de outros membros da oposição ao governo, como o líder da oposição, Cabo Gilberto (PL-PB), entre outros.
Recentemente, Nikolas também tentou emplacar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, também do Supremo Tribunal Federal, mas sem sucesso.
Além de outros critérios, um decisivo para que o processo de impeachment de um ministro do Supremo tramite no Senado Federal é o aval do presidente da Casa.
Entretanto, Alcolumbre, responsável pela decisão, não sinaliza que deve levar o pedido adiante, mesmo em meio à pressão.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, informações do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que incluem menções ao ministro Dias Toffoli, relator na Corte do processo envolvendo a instituição financeira.
Não há detalhes sobre o conteúdo, que está sob sigilo. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pelo EXTRA.
Após receber o material da PF, que pediu a suspeição de Toffoli, o presidente do STF encaminhou o documento para o ministro responder se há conflitos de interesse em sua atuação como relator da investigação do Master na Corte. Em nota, Toffoli nega qualquer irregularidade e diz que o pedido trata de "ilações".
"O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte", diz a nota.
O caso Master chegou ao STF após a defesa de Vorcaro argumentar que um material apreendido durante a investigação citava um deputado federal — e, por essa razão, o caso deveria tramitar na Corte. Na ocasião, Toffoli foi definido, por sorteio, como relator do processo e determinou que todos os inquéritos relacionados ao banco deveriam ser enviados ao seu gabinete.
O envio do caso ao STF foi criticado por parlamentares da oposição. Um pedido para que Toffoli fosse afastado da relatoria do processo, no entanto, foi rejeitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Parlamentares questionaram a parcialidade de Toffoli o colunista Lauro Jardim revelar que o ministro viajou para Lima, capital do Peru, para assistir a final da Copa Libertadores da América na companhia de um advogado de um dos executivos do Master investigado no inquérito.
Além disso, Toffoli também foi alvo de pedidos de afastamento após a revelação de que dois de seus irmãos venderam participação acionária no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), para um fundo administrado pelo cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel.
Reportagens da Folha de S.Paulo e do Estado de S.Paulo mostraram que Zettel está por trás de uma teia de fundos de investimentos administrados pela Reag, gestora investigada por suspeita de fraudes envolvendo o Master.
O jornal O Globo mostrou também que seguranças que atendem o STF viajaram durante feriados, fins de semana estendidos e recesso do Judiciário para a região onde fica o resort Tayayá, frequentado por Toffoli. Foram 128 dias ao todo, a um custo de R$ 460 mil em diárias.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “nada de definitivo” foi alcançado durante a nova reunião com o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, realizada em Washington. O encontro, que durou cerca de três horas, ocorreu nesta quarta-feira (11/2).
Em uma publicação divulgada na rede social Truth, o líder norte-americano afirmou que as recentes negociações nucleares entre EUA e Irã foram temas centrais na nova reunião com Netanyahu — a sétima desde que reassumiu a Casa Branca, em janeiro de 2025.
“Foi uma reunião muito produtiva, e a excelente relação entre nossos países continua”, escreveu Trump. “Nada de definitivo foi alcançado, além da minha insistência em que as negociações com o Irã prossigam para verificar se um acordo pode ser concretizado. Caso seja possível, informei ao Primeiro-Ministro que essa será a nossa preferência. Caso contrário, teremos que aguardar o desfecho”.
Na mensagem, o presidente dos EUA voltou a ameaçar o Irã, e sinalizou que o país persa pode voltar a ser alvos de ataques norte-americanos caso não aceite um acordo com Washington.
“Da última vez, o Irã decidiu que era melhor não fazer um acordo e foi atingido pela Operação Martelo da Meia-Noite — o que não funcionou bem para eles. Espero que desta vez sejam mais razoáveis e responsáveis”, disse.
Até o momento o teor completo da reunião não foi divulgado pelos EUA ou Israel. Trump, porém, revelou que a questão da paz na Faixa de Gaza também esteve em pauta nas conversas com o premiê israelense.
Anteriormente, o gabinete do primeiro-ministro israelense informou que a visita de Netanyahu à Washington tinha como objetivo não discutir somente o programa nuclear iraniano, visto como uma ameaça para Israel. Além do assunto, temas como o programa de mísseis balísticos do Irã, e o apoio a grupos regionais como o Hamas e Hezbollah, também seriam levados ao presidente dos EUA.
No último dia 6 de fevereiro, Washington e Teerã voltaram a mesa de negociações na tentativa de resolver o impasse que cerca o programa nuclear iraniano. Depois de Trump retirar os EUA de um acordo nuclear com o Irã em 2017, o líder norte-americano tem pressionado o governo do aiatolá Ali Khamenei a firmar um novo pacto neste sentido.
Alguns pontos, porém, travam as negociações. O maior deles é o desejo norte-americano de que o Irã pare de enriquecer urânio, a matéria prima para a construção de armas nucleares.
Estimativas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) apontam que o país possuí mais de 400 kg de urânio enriquecido a 60%, um nível muito próximo ao necessário para a fabricação de armas atômicas.
Para o Irã, contudo, enriquecer urânio para fins pacíficos é um direito legítimo da nação.
Na tentativa de contornar a pressão dos EUA, Teerã afirmou que poderia diluir seus estoques de urânio enriquecido a 60%, em troca do levantamento de sanções norte-americanas que atingem a economia do país.
Uma pesquisa realizada pelo instituto Nexus, divulgada nesta quarta-feira (11), mostra que a maioria da população é a favor do fim da jornada de trabalho 6×1. De acordo com o levantamento, 73% dos entrevistados são a favor da mudança, desde que ela não resulte em diminuição do salário.
No entanto, apenas 28% dos entrevistados seriam favoráveis ao fim da escala 6×1 se isso significasse receber menos no final do mês. No cenário geral, quando a questão salarial não é levada em conta, 63% se declaram a favor do projeto, enquanto 22% são contra. Veja os dados completos abaixo:

Pesquisa Nexus aponta que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 desde que não haja redução salarial
A pesquisa revela um aspecto interessante da discussão. A ampla maioria da sociedade é a favor do fim da jornada 6×1. No entanto, quando entra em campo o argumento da redução do salário, boa parte das pessoas passa a desaprovar o projeto. Isso se explica pelo lado da renda do brasileiro: boa parte das pessoas vive apertada financeiramente e precisa daqueles rendimentos, por isso acabam negando o projeto se isso lhes tirar parte da renda mensal Marcelo Tokarski, CEO da Nexus
Apesar de o tema ser comentado no país todo, poucos sabem a fundo sobre o assunto. A pesquisa revela que 62% já ouviram falar sobre o fim da escala 6×1, mas apenas 12% dizem entender bem o projeto. Outros 35% nunca ouviram falar da proposta.
O levantamento indica ainda que o conhecimento gera mais apoio: entre quem entende bem o projeto, a aprovação é de 71%. Já entre quem nunca ouviu falar, o apoio cai para 55%.
De acordo com a pesquisa, a opinião sobre o tema também muda conforme o lado político, embora seja majoritariamente favorável em ambos os lados:
Eleitores de Lula em 2022: 71% são a favor, 15% são contra e 15% não responderam;
Eleitores de Bolsonaro em 2022: 53% são a favor, 32% são contra e 15% não responderam;
A Nexus entrevistou 2.021 pessoas, com idade a partir de 16 anos, em todos os 27 estados do Brasil. As entrevistas ocorreram entre os dias 30 de janeiro e 05 de fevereiro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
O deputado federal Alberto Fraga (PL-DF) defendeu publicamente a prisão do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em meio às investigações sobre a aquisição de ativos do Banco Master pelo BRB.
Em discurso, Fraga afirmou que “só tem uma solução para que comece a dar resultados. É colocar o governador do Distrito Federal na cadeia”. O parlamentar disse que Ibaneis teria autorizado a compra de “12,2 bilhões em títulos podres, comprovadamente” e afirmou que o caso deve atingir “muitos graúdos”.
Fraga também insinuou que o sigilo imposto às investigações pelo Supremo Tribunal Federal poderia estar relacionado ao “nível” das pessoas envolvidas. Segundo ele, o governador estaria sendo usado como “boi de piranha”, embora tenha “envolvimento mais do que comprovado”.
O deputado citou ainda a recente saída de um diretor do BRB, que teria pedido demissão após o escândalo vir à tona, e cobrou atuação da Polícia Federal e da imprensa. “Prisão para Ibaneis”, concluiu.
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, voltou a falar, nesta quarta-feira (11/2), sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pela autoridade monetária em novembro do ano passado.
Ao participar de uma conferência promovida pelo BTG Pactual, em São Paulo, Galípolo fez uma série de elogios ao trabalho em conjunto da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP) nas investigações sobre as supostas irregularidades no Master. Ele também elogiou a atuação da imprensa independente.
“Desde o primeiro momento, percebemos que era um tema que extrapolava a supervisão bancária e demandava fazermos as comunicações que tivemos que fazer e envolver PF e o MP. O mercado financeiro fica com uma grande dívida com a PF, que tem feito um trabalho fantástico”, afirmou Galípolo.
Segundo o chefe da autoridade monetária, o episódio envolvendo o Banco Master foI um “evento específico”, que pode ocorrer não só no Brasil como em qualquer país do mundo.
“Também tivemos, no meio do ano, uma série de ataques, inicialmente identificados como ciberataques, que demandaram uma resposta rápida e ativa do BC. E, para isso, foi essencial contar com a parceria das principais instituições e do mercado, para que fizéssemos na dosagem correta”, explicou.
Galípolo defendeu o aprimoramento dos instrumentos de fiscalização por parte do BC e de outros órgãos competentes. “O que precisamos é estar aprimorando e melhorando para que não voltem a ocorrer os mesmos erros. Jogar a luz do sol é sempre o melhor desinfetante em um processo como esse”, disse, sob aplausos do público que acompanhava a palestra.
“Temos tido discussões permanentes sobre mudanças regulatórias. Já ocorreram mudanças sobre o que são ativos elegíveis para você ter como garantia o FGC (Fundo Garantidor de Créditos)”, prosseguiu Galípolo. “Está no nosso ‘pipeline’, mas é um trabalho contínuo e depende de um trabalho conjunto.”
O presidente do BC também aproveitou para agradecer ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que participou, na véspera, do mesmo evento do BTG Pactual e defendeu a atuação da autoridade monetária no caso Master.
“Preciso agradecer pelas palavras do ministro da Fazenda neste mesmo evento, mais uma vez dando apoio e sendo um parceiro de sempre”, afirmou Galípolo, que foi secretário-executivo da pasta e número 2 de Haddad antes de ser indicado para o BC.
O BC decretou, no dia 18 de novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master, cujo proprietário é Daniel Vorcaro. Ele chegou a ser preso pela PF durante a Operação Compliance Zero, que teve como alvo um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A liquidação extrajudicial é o regime de resolução que se destina a interromper o funcionamento de uma instituição e promover sua retirada, de forma organizada, do SFN. É adotada quando ocorrer situação de insolvência irrecuperável ou quando forem cometidas graves infrações às normas que regulam sua atividade, entre outras hipóteses legais. O BC nomeia um liquidante, que buscará a venda dos ativos existentes para viabilizar o pagamento, que for possível, aos credores.
Não há prazo determinado para o encerramento da liquidação. Ela termina por decisão do BC ou pela decretação da falência da instituição.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (10) o projeto de lei que cria a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte), com sede em Brasília, para atuar na área do conhecimento relativa à ciência do esporte. A proposta será enviada ao Senado.
O Projeto de Lei 6133/25 foi uma iniciativa do governo federal, apresentada no fim do ano passado. Na mesma época, o governo também anunciou a criação da Universidade Federal Indígena (Unind), cujo projeto segue em tramitação.
O texto aprovado em plenário é um substitutivo do relator, deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF). Ele retirou do texto expressões como misoginia, racismo e gênero no trecho sobre as finalidades da nova universidade ligadas ao enfrentamento dessas questões no esporte.
Pela proposta, fica permitida a abertura futura de campi em outros estados.O estatuto da nova autarquia definirá sua estrutura organizacional e forma de funcionamento, observado o princípio de não separação das atividades de ensino, pesquisa e extensão. A instituição poderá utilizar formas alternativas de ingresso, estratégias de atendimento e fomento, respeitadas as normas de inclusão e de cotas.
"A criação da UFEsporte se justifica pelo fato de o Brasil carecer de profissionais qualificados nas áreas de gestão, ciência do esporte e políticas públicas, situação que contrasta com a reconhecida capacidade do país em descobrir grandes talentos esportivos", destacou o relator, ao ler seu voto em plenário.
Além de outros bens, legados e direitos doados, a UFEsporte contará com bens móveis e imóveis da União que o projeto permite doar para a instituição começar a funcionar administrativamente. A autarquia contará ainda com receitas eventuais, a título de remuneração por serviços prestados compatíveis com sua finalidade; e de convênios, acordos e contratos celebrados com entidades e organismos nacionais e internacionais.
Parte da receita de apostas em bets também poderá ser direcionada pelo Ministério do Esporte. Segundo o que prevê o projeto, caberá ao governo federal nomear o reitor e o vice-reitor com mandato temporário até que a universidade seja organizada na forma de seu estatuto. Caberá ao reitor temporário estabelecer as condições para a escolha do reitor de acordo com a legislação.
Dentro de 180 dias da nomeação do reitor e vice-reitor temporários, a instituição enviará ao Ministério da Educação propostas de estatuto e regimento geral.
"A oferta pública e gratuita de cursos de tecnólogos, graduação e pós-graduação, com abrangência em todas as regiões do país, enfocando a qualidade da formação de novos profissionais e assegurando condições de acesso e permanência a atletas estudantes, parece-nos bastante positiva e tende a suprir uma carência histórica dos profissionais do setor", continuou o deputado Julio César Ribeiro, em seu voto.
Concurso público
Após autorização de lei orçamentária, a instituição poderá organizar concurso público de provas e de títulos para o ingresso na carreira de professor do magistério superior e na carreira de técnico-administrativo.
Para o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), a criação da universidade é muito mais uma demanda da sociedade do que iniciativa do governo.
"Isso vem sendo discutido há muito tempo. Todos os esportistas brasileiros pedem que essa universidade exista, inclusive como formadora de atletas e de diretrizes para o esporte brasileiro nas suas variadas modalidades", disse.
Contrário à proposta, o deputado Alberto Fraga (PL-DF), vice-líder da oposição, afirmou que o projeto é "eleitoreiro e populista". "O governo anuncia a criação sem colocar um centavo no Orçamento. É marketing puro, é uma promessa vazia que gera manchete hoje e será esquecida amanhã", disse.
A deputada Julia Zanatta (PL-SC) criticou o fato de o governo criar universidades sem conseguir manter as instituições de ensino já existentes.
A última leva de arquivos divulgada pelo FBI sobre o caso de Jeffrey Epstein aponta que Donald Trump teria ligado para o chefe de polícia da Flórida, em 2006, para falar que “todo mundo” sabia do comportamento do empresário.
O documento é um registro escrito de uma entrevista realizada pelo FBI em 2019 com o ex-chefe de polícia de Palm Beach, que não teve o nome revelado, na qual ele afirma ter recebido uma ligação de Trump, após o departamento iniciar investigação sobre Epstein.
“Graças a Deus que estão prendendo ele. Todo mundo sabia que ele estava fazendo isso”, disse o presidente dos Estados Unidos, segundo o registro.
Apesar de ter o nome omitido no documento, o policial foi identificado como Michael Reiter, chefe de polícia de Palm Beach à época da investigação
Suposta ligação
Durante coletiva de imprensa nessa terça-feira (10/2), a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi questionada sobre a suposta ligação e respondeu: “Pode ou não ter ocorrido em 2006. Eu não sei a resposta”.
“O que o presidente Trump sempre disse é que expulsou Jeffrey Epstein de seu clube em Mar-a-Lago porque ele era um sujeito problemático”, afirmou. “Se essa ligação aconteceu, ela apenas corrobora exatamente o que o presidente Trump disse desde o início”, ressaltou Leavitt.
Contudo, a suposta ligação pode levantar novos questionamentos sobre o que Trump sabia e quando.
Expulsão de clube
De acordo com o resumo da entrevista feita pelo FBI, Reiter ainda contou que Trump lhe disse, durante uma ligação telefônica, em julho de 2006, que havia expulsado Epstein de seu clube em Mar-a-Lago. “As pessoas em Nova York sabiam que ele era repugnante”, teria dito o presidente norte-americano
O ex-chefe da polícia também afirmou que Trump chegou a mencionar Ghislaine Maxwell como “agente” de Epstein. Segundo o policial, Trump teria dito que ela era má e que a corporação deveria se concentrar nela. Maxwell foi condenada em 2021 por aliciar garotas menores de 18 anos para Epstein.
O ex-Policial também reiterou ao FBI que Trump disse ter estado perto de Epstein quando ele estava com adolescentes e que “saiu de lá o mais rápido possível”.
Em 2006, a polícia de Palm Beach estava investigando Jeffrey Epstein por denúncias de exploração sexual de garotas menores de 18 anos. Segundo o documento, Trump foi uma das “primeiras pessoas a ligar” para a polícia da Flórida quando soube que estavam investigando Epstein.
Por fim, o caso foi encaminhado para procuradores federais, que, em 2008, fizeram um acordo polêmico com Epstein, incluindo um termo de não acusação, que o protegeu de acusações mais graves.
Trump nega envolvimento
O presidente Trump tem negado qualquer envolvimento com os crimes de Epstein e afirma que não tinha conhecimento das atividades do empresário.
Em 2019, quando Epstein foi preso por agentes federais por tráfico sexual, Trump foi questionado por repórteres se ele tinha “alguma suspeita” em relação ao bilionário. Na ocasião, Trump disse: “Não, eu tinha ideia. Eu não falo com ele há muitos anos”.
A missão institucional do Estado de Alagoas em Portugal teve início com uma intensa agenda acadêmica no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-ULisboa).
No primeiro dia de programação, a comitiva alagoana foi apresentada às instalações do ISCSP e de seus Centros de Investigação e Desenvolvimento (I&D), e aos programas de cooperação internacional desenvolvidos pela universidade com países de diferentes regiões do mundo.
Durante todo o dia, os representantes alagoanos conheceram projetos de pesquisa em andamento nas áreas de igualdade de gênero no ensino superior, políticas públicas e justiça restaurativa, impactos do teletrabalho no contexto da transformação digital, responsividade dos serviços sociais às demandas dos cidadãos, habitação, bem-estar e desigualdades sociais entre jovens da chamada Geração Z, além de estudos sobre direitos das pessoas com deficiência e indicadores de boa governança e coesão socioterritorial em regiões metropolitanas de Portugal e do Brasil.
As temáticas dialogam diretamente com políticas públicas e agendas estratégicas desenvolvidas em Alagoas, abrindo caminho para futuras cooperações acadêmicas e científicas.
De acordo com o secretário de Estado de Relações Federativas e Internacionais, Júlio Cezar, a abertura da missão marca um passo importante no processo de internacionalização das instituições públicas de ensino superior e de pesquisa do estado.
“Começamos essa missão oficial de Alagoas em Lisboa com todas as instituições públicas de pesquisa e ensino público superior estaduais e federais do nosso estado. É uma oportunidade de aprender mais, de buscar o saber e o conhecimento com quem coopera com o mundo inteiro, como o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa”, destacou.
A comitiva foi recepcionada pelo presidente do ISCSP-ULisboa, Ricardo Ramos, que avaliou a missão alagoana como uma oportunidade concreta de aprofundar laços institucionais. “É uma honra receber essa comitiva de Alagoas. É uma oportunidade de analisarmos juntos possibilidades de cooperação, pensarmos em formações e pesquisas em conjunto, aproximando nossos grupos de investigação para que nossas instituições produzam conhecimento e recomendações para melhores políticas públicas, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos nossos cidadãos”, pontuou.
Para a secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aline Rodrigues, a missão deve frutos importantes para o ensino e a pesquisa no estado “É um momento muito importante. Neste primeiro dia, conhecemos as diversas áreas de pesquisa da Universidade de Lisboa e já vislumbramos algumas parcerias com o Governo de Alagoas, que já existem, mas que queremos ampliar ainda mais. Agradecemos ao presidente Ricardo Ramos e aos professores que estiveram conosco, além da parceria de toda a comitiva de Alagoas que participa desta missão”, afirmou Aline.
Já a reitora da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), Pollyana Almeida, ressaltou que a missão fortalece a internacionalização do ensino superior e da pesquisa em saúde no estado. “A participação da Uncisal nessa agenda em Portugal reforça o trabalho que estamos desenvolvendo com a cooperação acadêmica internacional, especialmente em áreas fundamentais como ciência, inovação e saúde pública. O diálogo com a Universidade de Lisboa e com instituições de excelência do sistema português de ciência e tecnologia amplia as possibilidades de intercâmbio de conhecimento, desenvolvimento de pesquisas conjuntas e formação qualificada de nossos docentes e estudantes, com impactos diretos na melhoria da saúde e da qualidade de vida da população alagoana”, destacou.
O reitor do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), Carlos Guedes de Lacerda, também enfatizou os reflexos da cooperação internacional para a formação dos estudantes. “Essa iniciativa é muito importante e fundamental para que nós, enquanto instituições públicas de educação alagoanas, possamos promover ainda mais educação de qualidade e, por meio de intercâmbios, mobilizar nossos discentes para contribuírem efetivamente com o desenvolvimento do estado, transformando a vida dos nossos estudantes”, afirmou.
Segundo o reitor da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), Odilon Máximo, o primeiro dia de atividades abriu perspectivas concretas de cooperação acadêmica. “Hoje foi um dia muito produtivo. Além de conhecer a estrutura da Universidade de Lisboa, tivemos contato com projetos que podem se articular com nossas iniciativas de mestrado. Discutimos temas como gênero, violência contra a mulher, educação inclusiva, pessoas com deficiência e avaliações para pensar as regiões metropolitanas. São várias temáticas que levaremos à Uneal para, em parceria com nossos colegas, construirmos ações, pesquisas, projetos de pós-doutoramento e mobilidade acadêmica para a Universidade de Lisboa”, avaliou.
O diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), Fábio Guedes, destacou o potencial das parcerias institucionais. “Foi um dia muito proveitoso, em que vimos o que o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa tem a oferecer para futuras parcerias com o Governo de Alagoas e nossas instituições, com o apoio fundamental do governador Paulo Dantas”, ressaltou.
Já o reitor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Josealdo Tonholo, contextualizou o momento positivo vivido pelas instituições públicas de ensino superior do estado e a importância da internacionalização nesse processo. “A niciativa do Governo do Estado, por meio da Serfi, de aproximar nossas universidades de instituições de excelência global, como as de Portugal, reforça o processo de reposicionamento de Alagoas no cenário científico internacional”, afirmou, destacando que esse é um momento muito positivo para a Ufal e para as demais instituições públicas de ensino superior de Alagoas.
Tonholo fez questão de enfatizar que o apoio do governador Paulo Dantas, da Fapeal e da Secti, tem sido fundamental para alavancar as atividades de pesquisa, pós-graduação e inovação. Os resultados já aparecem na última avaliação quadrienal da pós-graduação, em que uma parte expressiva dos cursos do estado ampliou suas notas. “Em especial a Ufal, que foi a universidade federal da região Nordeste que mais cresceu percentualmente em seus conceitos”, comemorou Tonholo.
A missão institucional do Governo de Alagoas em Portugal segue até o dia 14, com agendas voltadas à consolidação de parcerias com instituições estratégicas do sistema português de ciência, tecnologia e inovação, ampliando oportunidades de cooperação acadêmica, mobilidade internacional e desenvolvimento de projetos conjuntos nas áreas de educação superior, pesquisa, saúde e inovação.
O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul como um “acordo ruim, antigo e mal negociado”. Em entrevista publicada nesta terça-feira (10) por vários jornais europeus — incluindo Le Monde, El País, The Economist e Süddeutsche Zeitung —, o mandatário criticou os termos atuais da negociação.
“Eu defendo acordos justos e, portanto, acordos que tenham salvaguardas e que respeitem o clima ao mesmo tempo em que se alcança o que queremos para a economia”, disse Macron aos veículos.
Em uma semana que será marcada por reuniões dos líderes europeus sobre competitividade e indústria, o presidente francês defendeu a simplificação, o aprofundamento do mercado interno da UE e a diversificação dos acordos comerciais. Macron pediu a proteção da indústria europeia por meio de uma “preferência europeia” em setores estratégicos como tecnologias limpas, química, aço, automóveis ou defesa. “Em caso contrário, os europeus serão varridos”, advertiu.
Esta terça-feira marcou a adoção do Parlamento Europeu de uma salvaguarda para os agricultores europeus contra a concorrência de preços mais baixos da América do Sul. Os membros do Parlamento, reunidos em Estrasburgo, aprovaram um mecanismo para restabelecer as tarifas, se necessário. Esta salvaguarda será aplicada à carne bovina, aves, ovos e mel, bem como ao arroz, açúcar, etanol e alho.
O pré-requisito para a intervenção da Comissão é que, em média, ao longo dos três anos anteriores, os preços das importações dos países do Mercosul tenham diminuído pelo menos 8% ou o volume das importações tenha aumentado pelo menos 8%. A Comissão tem então três meses para decidir sobre o restabelecimento temporário das tarifas. Com este acordo, a UE responde principalmente aos protestos da França. Os agricultores franceses têm protestado contra o acordo há meses, temendo, sobretudo, as importações de carne bovina a preços baixos. Há também resistência na Polônia, Hungria e Romênia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinou o acordo no Paraguai em meados de janeiro. A aprovação pelo Parlamento Europeu ainda está pendente e deverá levar meses, pois os parlamentares encaminharam a questão ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para revisão. Somente após essa revisão o Parlamento poderá votar a confirmação.
É improvável que isso altere muito a implementação efetiva do acordo. Assim que um dos países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — aprovar o acordo, a Comissão Europeia poderá colocá-lo em vigor provisoriamente. Em essência, o tratado elimina a maioria das tarifas e a Comissão espera que isso aumente as exportações da UE para os países do Mercosul em até 39%.
Além do comércio com o bloco sul-americano, Macron alertou que as “ameaças” comerciais e as “intimidações” dos Estados Unidos “não terminaram” e pediu um apelo por um despertar europeu. Ele mencionou uma “espécie de alívio covarde” por parte dos governantes europeus quando se saiu do “pico da crise” das tarifas com Donald Trump.
“Não acreditem nem por um segundo que isso acabou”, advertiu. “Observem o que vai acontecer com as tarifas sobre os produtos farmacêuticos e tudo o que vai acontecer. Todos os dias, todas as semanas, haverá ameaças”. Segundo ele, “quando há uma agressão manifesta, não devemos nos dobrar nem tentar chegar a um acordo”, pois isso leva estrategicamente a Europa a aumentar sua dependência.
Sobre a Rússia, Macron afirmou desejar que a retomada do diálogo com Vladimir Putin aconteça de maneira coordenada entre os europeus e com um número limitado de interlocutores. O presidente francês afirmou que o envio de seu conselheiro diplomático a Moscou no início de fevereiro gerou contatos técnicos que confirmaram que “a Rússia não quer a paz agora”, embora tenham permitido reconstruir “canais de diálogo”.
Após começar o ano mostrando uma proximidade com o Congresso Nacional, o governo federal busca, nos bastidores, a saída do deputado federal Guilherme Derrite (PP) da relatoria do projeto de lei Antifacção. A proposta é considerada prioritária pelo governo para endurecer o combate ao crime organizado e importante, na visão de Lula, para deixar a digital do governo na pauta da segurança pública.
Justificativa do Planalto é de que o deputado modificou a proposta original várias vezes e dificultaria o diálogo entre Executivo e Legislativo em torno de um texto que atendesse ambos os Poderes. Além disso, o governo avalia retirar a urgência constitucional, mecanismo utilizado pelo Presidente da República para solicitar uma tramitação acelerada para projetos de lei de sua autoria. Também impõe prazos de 45 dias para a Câmara e 45 dias para o Senado apreciarem a matéria, trancando a pauta caso não cumpridos.
A dificuldade está em convencer o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que confirmou nesta segunda-feira (9) que o deputado Guilherme Derrite deve ser mantido como relator do PL Antifacção. O governo acredita que a proposta modificada e aprovada no Senado, em dezembro do ano passado, é a que mais se aproxima do texto elaborado pelo Ministério da Justiça.
Procurado, Derrite não quis se manifestar sobre o assunto. Pessoas próximas relataram, no entanto, que ele e Motta devem conversar na próxima semana. O entendimento é que há uma promessa do presidente da Câmara de manter o deputado na relatoria – o que seria visto como uma derrota para o governo federal.
