
Guarnições do Batalhão de Rotam, da Polícia Militar de Alagoas, prenderam um homem de 25 anos que estava foragido da Justiça após abordagem na rodovia AL-101 Sul, nas proximidades do Povoado Barreiras, na zona rural de Coruripe, na noite dessa quarta-feira (22).
Os militares realizavam diligências referentes à Operação Nexus quando avistaram o indivíduo em atitude suspeita pilotando um ciclomotor. Com a aproximação das viaturas, o suspeito se desfez de uma sacola jogando-a às margens da pista. Diante do fato, foi feito o acompanhamento tático com o objetivo de abordá-lo.
Durante a abordagem, foi possível verificar que o material dispensado tratava-se de uma bolsa com 448 gramas de maconha e duas balanças de precisão. Os militares também constataram que havia um mandado de prisão preventiva em aberto contra o indivíduo pelo crime de roubo qualificado, expedido pela Comarca de Iturama, em Minas Gerais.
O infrator foi então encaminhado ao Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) da cidade para a realização dos procedimentos cabíveis. Junto à Polícia Civil, foi dado cumprimento à decisão judicial e ainda a autuação do jovem pelo crime de tráfico de drogas. O veículo ficou apreendido.
A Operação Nexus é uma ação integrada coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça e tem intensificado o enfrentamento à criminalidade em todo o estado. Nexus é uma palavra de origem latina que significa conexão, ligação, elo ou nexo. Também nessa quarta, em Coruripe, um homem apontado como integrante de organização criminosa morreu ao entrar em confronto com a polícia.
A anemia, condição caracterizada pela redução da hemoglobina ou da quantidade de glóbulos vermelhos no sangue, foi associada a um risco maior de demência em pessoas com 60 anos ou mais. A conclusão é de um estudo publicado em 17 de abril no periódico científico JAMA Network Open.
De acordo com os pesquisadores, idosos com anemia apresentaram 66% mais risco de desenvolver demência quando comparados aos participantes sem a condição. O trabalho também encontrou relação entre anemia e marcadores biológicos ligados a doenças neurodegenerativas, incluindo o Alzheimer.
O estudo utilizou dados do Swedish National Study on Aging and Care in Kungsholmen (SNAC-K), projeto que acompanha o envelhecimento de moradores de Estocolmo, na Suécia.
Foram analisadas 2.282 pessoas com 60 anos ou mais, todas sem demência no início da pesquisa. Os participantes entraram no estudo entre 2001 e 2004 e foram acompanhados até 2019. O tempo médio de seguimento foi de nove anos e três meses.
Durante o período, 362 participantes desenvolveram demência, o equivalente a 15,9% do total analisado. Após ajustes estatísticos para fatores como idade, sexo, escolaridade e doenças crônicas, a anemia permaneceu associada a maior risco de diagnóstico futuro.
Além do aumento no risco de demência, os cientistas observaram que participantes com anemia apresentavam níveis mais elevados de biomarcadores sanguíneos relacionados a lesão e degeneração cerebral. Entre eles estavam:
Segundo os autores, os achados sugerem que a anemia pode estar conectada a processos biológicos envolvidos no declínio cognitivo. Os pesquisadores reforçam que o trabalho mostra associação, e não relação direta de causa e efeito. Ou seja, o estudo não prova que a anemia provoca demência.
Os dados chamam atenção porque a anemia é uma condição frequente em pessoas idosas e, muitas vezes, pode estar ligada a causas tratáveis, como deficiência de ferro, falta de vitamina B12, doenças renais, inflamações ou perdas de sangue.
Para os autores, acompanhar exames de sangue e investigar anemia em adultos mais velhos pode ser importante não apenas para a saúde geral, mas também para monitorar fatores ligados ao envelhecimento cerebral. Novos estudos ainda serão necessários para descobrir se tratar a anemia pode reduzir o risco de demência no futuro.
Um professor universitário que estava desaparecido havia mais de cinco anos foi localizado caminhando às margens da rodovia Washington Luís (SP-310), no trecho de Taquaritinga, interior de São Paulo.
O homem foi encontrado na terça-feira (21) pela equipe do TOR (Tático Ostensivo Rodoviário), do 3º Batalhão de Polícia Militar Rodoviária.
Os agentes faziam patrulhamento na rodovia quando viram o homem caminhando às margens da via. Em razão dos riscos de atropelamento, eles fizeram uma abordagem preventiva e pediram sua identificação. Nesse momento, constataram que ele era um professor universitário desaparecido, cujo boletim de ocorrência registrado pelos parentes, anos atrás, permanecia sem solução, segundo a Polícia Militar.

Durante conversa com os policiais, o professor revelou que enfrentava problemas pessoais quando desapareceu, sem manter qualquer contato com seus familiares.
Os agentes conseguiram localizar a família do professor, que mora na cidade de São Paulo, e avisar que o haviam localizado.
A mãe dele foi prontamente ao local indicado pelos policiais e o reencontro com o filho aconteceu na Base Operacional da Polícia Militar Rodoviária, em Araraquara.
A mulher ficou bastante emocionada e disse que não acreditava que o filho ainda estivesse vivo.
Quando se ouve falar de tomografias, o que vem à cabeça primeiro são os exames de imagens comuns do dia a dia hospitalar. De fato, a descrição está correta. Mas além de criar imagens detalhadas dos nossos ossos, órgãos e tecidos através do raios-X, elas podem fazer o mesmo em múmias – e o melhor: os detalhes são revelados sem precisar danificar os fragmentos antigos e valiosos.
De forma inédita, através da técnica de imagem, os pesquisadores do Museu de História da Medicina Semmelweis, na Hungria, conseguiram analisar e descobrir particularidades curiosas sobre fragmentos de múmias egípcias com mais de 2,3 mil anos de existência.
As peças já tinham sido investigadas anteriormente utilizando outros métodos, mas os resultados não se mostraram confiáveis.
“As imagens atuais fornecem uma visão mais detalhada do que nunca e espera-se que revelem novas descobertas cientificamente válidas sobre os restos mortais que foram preservados na coleção por décadas”, explica a curadora da coleção do museu, Krisztina Scheffer, em comunicado.
Os resultados da investigação ainda estão em andamento e não foram publicados, mas os primeiros detalhes começaram a ser revelados pela equipe de pesquisa em comunicado divulgado em 14 de abril. Em um dos fragmentos, uma perna mumificada, houve um dos achados mais interessantes: foram identificados sinais de osteoporose, a doença que fragiliza a saúde dos ossos. No total, estão sendo analisadas seis pedaços de restos mortais.
Durante as análises, o achado dos sinais de osteoporose em uma das pernas é mais uma evidência de que no Egito Antigo os indivíduos sofriam com as mesmas doenças de atualmente. Em estudos anteriores, já foram encontrados indícios de artrite, anemia e câncer nas múmias.
Outro detalhe curioso da investigação foi uma confusão esclarecida pelas tomografias. Inicialmente, os pesquisadores achavam que um dos fragmentos era de um pássaro, já que era comum egípcios mumificarem aves. Porém, a investigação mostrou que era um pé.
Houve também a análise de um dos membros inferiores, que pertencia a um indivíduo jovem, e uma das mãos, na qual ainda há dúvida se era de uma criança ou de um adulto. Os estudos pioneiros com tomografias das múmias continuarão para trazer respostas concretas sobre todos os fragmentos.
“Com base nos resultados obtidos até agora, é evidente que a tecnologia moderna de imagem abre novas perspectivas na pesquisa de múmias. Pode revelar informações ocultas em achados com milhares de anos sem danificá-los”, conclui Krisztina.
Após ser alvo de ação judicial movida pela Prefeitura de Palmeira dos Índios, a Conasa – Águas do Sertão recuou e informou que não entrará com liminar para tentar reverter a decisão que proibiu a abertura de novos buracos na cidade.
Nesta quarta-feira (22), diretores da empresa se reuniram com a prefeita Tia Júlia e reconheceram a necessidade de reorganizar os serviços. Na ocasião, garantiram que irão priorizar imediatamente o fechamento das valas abertas e a recuperação das vias já afetadas.
A decisão da Justiça veio após uma série de irregularidades na execução das obras de saneamento, que vinham sendo realizadas sem planejamento adequado, causando transtornos à população, prejudicando o comércio e dificultando o acesso de moradores às próprias casas. A atuação firme da prefeitura foi determinante para interromper os abusos e restabelecer o mínimo de respeito à população.
A prefeita Tia Júlia destacou que a medida representa uma vitória da população diante dos transtornos enfrentados nos últimos meses. “O povo venceu. Não vamos permitir desrespeito com a nossa gente. O interesse da população é o que prevalece. Vamos fiscalizar rigorosamente o cumprimento da decisão judicial, até que a cidade volte à normalidade”, ressaltou a prefeita.
A Polícia Federal realizou, nesta quinta-feira (23), a Operação “Fake Money”, com o objetivo de investigar a compra de moeda falsa, com a remessa sendo distribuida por meio de objetos postais dos Correios.
Durante a ação, foi cumprido um mandado de busca e apreensão em Rio Largo, na Região Metropolitana de Maceió. A decisão judicial foi expedida pela Justiça Federal. Não foi divulgado a quantidade de dinheiro falso comprada.
As investigações iniciaram a partir da atuação da Subgerência de Segurança Corporativa dos Correios. Agora, os agentes federais buscam confirmar os crimes e avançar na identificação dos distribuidores e dos falsificadores de cédulas.
“O crime de moeda falsa constitui grave ofensa à fé pública e está tipificado no artigo 289 do Código Penal, cuja pena prevista é de reclusão de três a doze anos, além de multa”, divulgou a PF.
Um voo partiu da Louisiana, nos Estados Unidos, e pousou na sexta-feira (17/4) no aeroporto internacional da República Democrática do Congo (RDC), levando à revelia ao menos 15 sul-americanos requerentes de asilo, homens e mulheres, do Peru, Equador e Colômbia.
Foi a primeira leva de deportados desde que o governo de Donald Trump firmou um acordo com o país da África central, no começo de abril, para enviar dezenas de pessoas detidas pelo serviço de imigração americano que não são da RDC. Lá, elas ficarão até serem enviadas de vez para os países de origem, em um processo que pode durar meses.
Este foi o episódio mais recente de uma prática que tem se tornado cada vez mais comum nos EUA e que tem atingido cada vez mais a comunidade latina: a deportação para países terceiros, sobretudo, nações pobres africanas.
Esse processo acelera deportações de migrantes em busca de refúgio e se mostrou uma solução para o governo Trump desafogar seu sistema prisional, sobrecarregado após uma série de operações de grande repercussão e detenções em massa pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE).
Os deportados têm ordens de proteção da Justiça dos EUA e não podem, em tese, ser enviados de volta para seus países de origem, onde alegam serem perseguidos e correr sérios riscos. Dessa forma, os EUA “terceirizam” o serviço, por meio de acordos com nações dispostas a receber temporariamente esses migrantes
Até o momento, os EUA gastaram ao menos 40 milhões de dólares para deportar 300 imigrantes para países com os quais não têm qualquer vínculo familiar, linguístico, cultural ou jurídico. Os dados são de um relatório divulgado recentemente pela equipe democrata da Comissão de Relações Exteriores do Senado americano.
Esses países recebem incentivos financeiros dos EUA e quase todos são classificados pelo próprio Departamento de Estado americano como inseguros e com violações de direitos humanos. Um dos parceiros mais ilustres dessa empreitada é El Salvador. Há acordos com Guatemala, Honduras, Paraguai, Equador e Belize.
O governo Trump tem ampliado suas parcerias de deportação na África. Suazilândia, Gana, Camarões, Libéria, Líbia, Ruanda, Sudão do Sul, Uganda são alguns dos países que concordaram em receber imigrantes dos EUA. O acordo com a RDC foi o mais recente, e o próximo deverá ser com a República Centro Africana, segundo reportagem do New York Times.
“Essas expulsões constituem violações dos direitos humanos e do direito internacional dos refugiados. Elas se enquadram em acordos de readmissão ou transferência com países terceiros, acordos opacos e, às vezes, assinados em segredo, que desconsideram os padrões mínimos”, afirma à DW Cécile Blouin, pesquisadora do Instituto de Democracia e Direitos Humanos da Pontifícia Universidade Católica do Peru.
Ainda não há detalhes sobre em que condições a transferência desses imigrantes latinos aconteceu. A RDC afirmou que a permanência dos deportados será temporária. Até esta segunda-feira (20/04), todos estavam hospedados em um hotel próximo ao aeroporto de Kinshasa, sob vigilância da polícia congolesa.
Há relatos anteriores de maus tratos e ambientes insalubres nessas operações. “Eles nos algemaram na cintura, nas mãos e nos pés. Perguntei mais uma vez para onde estávamos indo e disse que temia pela minha vida e precisava falar com meus advogados”, relatou o nigeriano D.A., que prefere se manter anônimo, ao Third Country Deportation Watch, uma iniciativa que monitora deportações para países terceiros.
Ele pediu refúgio aos EUA em 2019, devido à probabilidade de ser perseguido ou morto por sua atuação política no país. Em setembro de 2025, já casado com uma americana, ele foi deportado para Gana, meses depois de um juiz ter determinado a suspensão de sua deportação.
“O agente finalmente me disse que íamos para Gana. Eu disse a ele que tinha medo de ir para Gana e que não podia ir para lá. Ele nos disse ‘gostem ou não, vocês vão embarcar naquele avião’. Em seguida, ele me colocou uma camisa de força extremamente apertada, me amarrou dos ombros aos pés”, relembra. Ele então foi colocado em um avião militar junto com as outras pessoas que foram retiradas de suas celas do ICE.
Segundo o relato de D.A., as condições no campo de detenção onde está em Gana são horríveis. Ele chega a passar uma semana com a mesma roupa. Falta água corrente, comunicação e energia elétrica contínua.
O governo do Peru foi o primeiro a reconhecer que sete de seus cidadãos estavam no voo da semana passada para a RDC. Segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores peruano, todos eles teriam aderido por sua própria vontade a esse “benefício”, dentro de um acordo que permite a custódia desse tipo de migrante “até que a Justiça americana decida sobre seus pedidos de asilo ou refúgio”.
Cécile Blouin chama atenção para o fato de “não haver uma rejeição clara e um questionamento a esses fatos tão graves” por parte do governo peruano. Para ela, o que Washington busca é demonstrar “uma política de terror, medo e dissuasão em relação aos migrantes e seus familiares”.
A lista de violações nessas operações é extensa, aponta a especialista: “violação da liberdade pessoal, do devido processo legal, do direito de não repulsão (enviar a pessoa para um local onde teme pela vida ou pode ser reenviada para seu país, onde corre risco), do direito de viver em família e do direito de não sofrer desaparecimento forçado, neste último caso, devido à opacidade das expulsões e à falta de informação para os familiares, que muitas vezes desconhecem o paradeiro dos deportados”.
“O Executivo americano tem o poder de deportar pessoas sob condições mínimas de devido processo legal e somente quando elas não possuem status legal de permanência ou existe uma ordem firme de deportação”, explica à DW o advogado Moisés Montiel, professor de direito internacional no Centro de Pesquisa e Ensino Econômico (Cide) na Cidade do México. Nesses casos, afirma ele, o que prevalece é o direito interno de cada país e não o direito internacional humanitário.
De qualquer forma, acrescenta, “a norma que sem dúvida se aplica a pessoas que necessitam de proteção internacional é a proibição de repatriação para o país que as persegue ou onde sua vida, integridade e direitos estejam ameaçados, com base em evidências sólidas”, o que seria o caso.
No entanto, observa Montiel, “não devemos perder de vista que a República Democrática do Congo é um país que atualmente vive um sangrento conflito armado interno”, e mesmo que esse país aceite as pessoas, é obrigação dos Estados Unidos “garantir que o país terceiro seja seguro”.
“Minha cliente não está, de forma alguma, em um lugar seguro”, responde à DW a advogada Alma David, representante legal de uma colombiana enviado à RDC. “E isso é intencional: é precisamente por isso que o governo dos EUA a colocou nessa situação. É uma forma de obrigá-la a abandonar sua busca por segurança e proteção. Agora ela se encontra detida de facto em um hotel, em um país onde não tem nenhum vínculo nem rede de apoio”, acrescenta.
“As deportações para países terceiros do governo Trump violam tanto o direito americano quanto o direito internacional”, defende.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) está prestando assistência humanitária aos deportados e teria oferecido um retorno voluntário assistido aos seus países de origem. Isso, para David, é coação.
“Minha cliente está sendo coagida a retornar ao país de onde fugiu e no qual um juiz de imigração americano já determinou que existe um risco superior a 50% de que ela seja torturada pelo governo ou com sua aprovação. Não há qualquer garantia quanto à sua segurança ou aos cuidados que receberá”, afirma.
MC Ryan SP e MC Poze do Rodo tiveram habeas corpus concedidos pela Justiça nesta quinta-feira (23). A notícia foi divulgada durante a manhã pelo advogado de Ryan, Felipe Cassimiro, com capturas de tela da decisão judicial que apontava a soltura do funkeiro e de outros réus que estavam na mesma situação jurídica.
Ryan e outros investigados foram presos durante a Operação Narcofluxo, deflagrada pela Polícia Federal no dia 15 de abril, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro. "Vem para a rua, meu amigo! Obrigado por ter acreditado em nosso time", comemorou o advogado. Procurada pela Quem, a Polícia Federal ainda não retornou a solicitação até o momento de publicação da nota.
Segundo o portal Leo Dias, Poze e outros influenciadores envolvidos no caso também serão liberados. Eles foram detidos em caráter temporário, um tipo de prisão usado durante investigações e que tem prazo limitado. O problema, que acabou sendo decisivo para a soltura, foi técnico: ao pedir a prisão, a própria Polícia Federal havia solicitado um período de cinco dias. Ainda assim, a Justiça autorizou inicialmente a detenção por 30 dias.
Ao analisar o caso, o ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça, entendeu que houve uma “flagrante ilegalidade”. Isso porque a Justiça não poderia ter concedido um prazo maior do que o pedido pela própria autoridade policial. Com isso, o magistrado determinou que a prisão fosse limitada aos cinco dias originais e, como esse prazo já havia sido ultrapassado, não havia mais justificativa legal para mantê-los presos.

Uma vacina personalizada contra o câncer de pâncreas apresentou resultados promissores em pacientes acompanhados por até seis anos após o tratamento.
A pesquisa, publicada em fevereiro de 2025 na revista científica Nature, indica que a estratégia pode ajudar a reduzir o retorno da doença em um dos tumores mais difíceis de tratar.
O câncer de pâncreas está entre os mais letais porque costuma crescer de forma silenciosa e, em muitos casos, é descoberto apenas em fases avançadas. Mesmo quando a cirurgia é possível, o risco de recidiva costuma ser alto.
Vacina personalizada
O estudo avaliou 16 pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático, tipo mais comum de câncer de pâncreas. Todos passaram por cirurgia para retirada do tumor e, depois, receberam um tratamento combinado.
A sequência incluiu imunoterapia com atezolizumabe, doses da vacina personalizada chamada autogene cevumeran e quimioterapia mFOLFIRINOX.
A vacina foi produzida de forma individualizada. Para isso, cientistas analisaram mutações presentes no tumor removido de cada paciente e criaram uma fórmula específica para treinar o sistema imunológico a reconhecer células cancerígenas remanescentes.
Segundo os pesquisadores, oito dos 16 participantes desenvolveram forte resposta imune após a vacinação. Nesses casos, células de defesa conhecidas como linfócitos T passaram a identificar alvos ligados ao tumor.
Na atualização mais recente do acompanhamento, sete dos oito pacientes que responderam imunologicamente continuavam vivos entre quatro e seis anos depois do tratamento. Dentre os que não apresentaram a mesma resposta, dois permaneciam vivos no mesmo período.
Os dados foram apresentados por pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, responsável pelo estudo. Os autores observaram que parte das células T estimuladas pela vacina permaneceu ativa no organismo, o que sugere memória imunológica duradoura.
Na prática, isso significa que o corpo pode continuar preparado para reconhecer sinais do tumor por um período prolongado. Embora os resultados tenham animado a comunidade científica, os próprios pesquisadores reforçam que ainda não se trata de cura comprovada.
Sintomas do câncer de pâncreas:
Dor abdominal ou nas costas;
Perda de peso sem explicação;
Pele e olhos amarelados;
Falta de apetite;
Cansaço persistente;
Alterações digestivas.
Próximos passos antes de virar tratamento
O ensaio foi de fase 1, etapa voltada principalmente para avaliar a segurança e sinais iniciais de eficácia. Como o número de pacientes ainda é pequeno, serão necessários estudos maiores para confirmar o benefício.
Uma nova fase da pesquisa já está em andamento. Se os resultados forem repetidos em grupos maiores, a vacina poderá abrir caminho para uma nova estratégia contra o câncer de pâncreas.
O chamado vício em dopamina se popularizou nas redes sociais: o retorno rápido da sensação recompensadora de receber muitos likes ou o quentinho no coração ao ver um vídeo fofo de cachorro é a base do vício em telas para adultos e crianças. Porém, do ponto de vista clínico, o conceito é mais complexo — e muitas vezes, mal interpretado.
Segundo o psiquiatra Fabrício Valiante, de São Paulo, a dopamina não é exatamente o “hormônio do prazer”, como costuma ser divulgado. “Ela está muito mais ligada à antecipação e ao aprendizado por recompensa”, explica. O problema não é sentir prazer, mas entrar em um ciclo de busca constante por estímulos rápidos.
O psiquiatra Oswaldo Petermann Neto, da plataforma Doctoralia, reforça que o ponto central não é o excesso da substância, mas o padrão de comportamento aprendido. “Atividades como redes sociais e jogos utilizam reforços imprevisíveis, que aumentam a repetição do comportamento”, afirma.
Na prática, isso significa que o cérebro passa a funcionar em modo de expectativa contínua, sempre esperando a próxima recompensa, como curtidas, notificações ou novidades no feed.
Nem todo uso intenso de celular ou redes sociais configura um vício em dopamina. A diferença está no grau de controle. De acordo com Valiante, o critério mais claro é direto: “Hábito você controla, compulsão te controla”. Clinicamente, isso aparece em três pontos principais: perda de controle, continuidade mesmo com prejuízos e necessidade crescente de estímulo.
O psiquiatra Petermann Neto complementa com outro sinal importante: a fissura. “A pessoa sente necessidade constante, usa para aliviar desconforto e, muitas vezes, vem culpa depois”, diz.
Já a psicóloga Flavia Marsola, do Hospital Brasília Águas Claras, chama atenção para a perda de sentido. “Quando o comportamento acontece no piloto automático e gera mais culpa do que satisfação, não é mais escolha, é padrão compulsivo”, explica. Ou seja: o prazer deixa de ser o objetivo. O comportamento passa a existir para aliviar ansiedade, tédio ou vazio.
Os especialistas são consistentes ao apontar os principais sinais de que o vício em dopamina pode estar se instalando. Entre eles estão:
Valiante destaca um ponto menos óbvio, mas decisivo: quando o comportamento ocupa a mente o tempo todo. “A pessoa não está no celular, mas continua pensando nele. Isso indica que o comportamento passou a organizar a vida mental”, afirma.
Esse fenômeno é conhecido como saliência cognitiva, quando o estímulo domina a atenção mesmo na ausência dele.
Tratar o vício em dopamina como um problema isolado costuma ser um erro. Em muitos casos, ele é apenas a ponta do iceberg.
Segundo os especialistas, os quadros mais associados são:
Marsola explica que, muitas vezes, o comportamento é uma estratégia de sobrevivência emocional. “Não é sobre falta de controle, mas sobre uma tentativa de regulação emocional que ficou limitada”, afirma. Isso muda completamente a abordagem: se a causa não for tratada, o comportamento tende a voltar.
Não existe solução simples ou única para o vício em dopamina, e promessas rápidas costumam falhar. O tratamento eficaz é combinado e exige mudança real de comportamento.
A psicoterapia, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), é a principal abordagem. Segundo Petermann Neto, ela ajuda na regulação emocional, no controle de impulsos e na reestruturação de padrões de pensamento.
Valiante destaca que mudanças práticas têm impacto subestimado: regulação do sono, redução de notificações e reorganização do ambiente. “São intervenções simples, mas com forte evidência científica”, afirma.
A psicóloga acrescenta um ponto que muita gente ignora: não basta cortar o comportamento, é preciso substituir. “Autocontrole não é força, é estratégia. Pequenas mudanças no ambiente são mais eficazes do que depender só da vontade”, diz.
Em casos com transtornos associados, a medicação pode ser necessária, especialmente em quadros como TDAH, ansiedade ou depressão.
No fim, o objetivo não é eliminar o prazer ou a tecnologia, mas recuperar a capacidade de escolha. Porque o verdadeiro problema não é sentir vontade, é não conseguir decidir o que fazer com ela.
Familiares do italiano Fábio Campagnola, assassinado a tiros na praia do Francês, em Marechal Deodoro, cobram que o policial militar da reserva José Pereira da Costa, acusado do crime, seja levado a júri popular e condenado pelo homicídio. O empresário foi morto em frente a uma soverteria de sua propriedade após uma discussão pela instalação de um carro de churros em frente ao estabelecimento, em janeiro de 2023.
Em entrevista à reportagem da TV Pajuçara/RECORD, os advogados da família da vítima cobraram mais "rapidez" da Justiça para levar o militar ao banco dos réus. José Pereira responde ao crime em liberdade.
"Toda essa instrução processual, que foi levado até o Supremo Tribunal de Justiça (STJ), já transcorreu. O processo, hoje, está transitado em julgado. O que falta é esse processo chegar até a Comarca de Marechal, pois ele já voltou de Brasília e está no Tribunal de Justiça de Alagoas. Ele tem que chegar aqui na Comarca para que a juíza possa marcar a data do júri", explicou Marcelo Ferreira.
"Esse já era um desejo do Fábio, quando ele ainda estava vivo. Ele deixou esse desejo escrito, e todos os familiares expõem esse desejo. Mas, até o momento, não foi possível concretizar esse desejo, pois se tratou de uma morte violenta e o processo civil tem a prerrogativa que possibilita essa espera enquanto houver um processo em trâmite", disse a advogada.

FAMÍLIA COBRA POR JUSTIÇA
A morte de Fábio Campagnola completou três anos em janeiro de 2026. O italiano, que era casado com a brasileira Ana Lúcia Bila, construiu a sorveteria da família na Praia do Francês, onde vivia coma esposa e o filho, que à época tinha 9 anos.
Em entrevista à reportagem da TV Pajuçara, a viúva do empresário fez um apelo para a definição de uma data para o júri.
"Estamos esperando a definição da data do júri, para que tudo seja o mais rápido possível. É importante para encerrar o caso e para que ele possa realmente pagar pelo crime", disse Ana Lúcia.
Já Dário Campagnola, filho mais velho do empresário, veio para o Brasil para acompanhar as investigações e o processo. Durante entrevista, ele citou a busca por Justiça.
"Se eu pudesse falar novamente com ele, diria a mesma coisa que disse no enterro: que o caso não ficaria impune”, afirmou Dário.
O TNH1 não conseguiu contato da defesa do policial militar da reserva José Pereira da Costa, mas deixa o espaço aberto para eventuais manifestações.

O QUE DIZ A JUSTIÇA
Sobre a cobrança por celeridade, a Justiça informou que o processo tramita regularmente e retornou à vara no último dia 13. O juiz do caso também afirmou que o “processo está na fase de providências preliminares ao julgamento no Tribunal do Júri”.
Já sobre o pedido de exumação do corpo do empresário, a Justiça citou que o processo sobre a exumação é cível e não tem nenhuma relação com o andamento do processo criminal por homicídio.
Ainda sobre o pedido de exumação, a Justiça disse que o Ministério Público de Alagoas solicitou informações ao Instituto Médico Legal, mas que não houve resposta.
A reportagem do TNH1 entrou em contato com o IML, e aguarda um retorno para incluir na matéria.
Um casal foi conduzido à delegacia após deixar o filho, de 1 ano e 5 meses, sozinho em casa, enquanto saíram para lanchar, na noite dessa terça-feira (21/4), em Rio Verde de Mato Grosso (MS).
De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada pelo Conselho Tutelar após denúncia anônima de abandono de incapaz. Ao chegar ao endereço, a equipe encontrou dificuldades para acessar o imóvel, que tem muro alto e cães no quintal, e iniciou buscas pela região para localizar os responsáveis.
As estações mais frias do ano são tradicionalmente marcadas pelo aumento dos casos de gripe, infecção causada pelo vírus influenza. A sazonalidade está relacionada ao clima mais seco e a mudanças de comportamento típicas dos meses frios, como a maior permanência em ambientes fechados e pouco ventilados, o que favorece a transmissão.
Entre o fim de março e o início de abril, o Brasil registrou elevação na incidência da doença, embora ainda não haja um consolidado nacional de infecções em 2026. O boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indica crescimento dos casos de influenza A, com maior impacto na região Centro-Sul. Segundo o levantamento, até o último dia 4 de abril, mais de 31 mil casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) já foram notificados neste ano, condição clínica que pode exigir hospitalização. Desses, mais de 13 mil tiveram confirmação laboratorial para vírus respiratórios, incluindo influenza e outros agentes.
“A gripe pode evoluir com febre mais alta e complicações, incluindo infecções bacterianas como sinusite, otite e pneumonia com necessidade de internação, exacerbação de doenças crônicas, evolução para síndrome respiratória aguda grave e óbito, especialmente em grupos vulneráveis”, alerta a médica alergista e imunologista Cristina Maria Kokron, do Einstein Hospital Israelita.
Para reduzir os impactos da enfermidade, a campanha nacional de vacinação é realizada anualmente, a partir do outono, na maior parte do país. Na região Norte, a imunização ocorre no segundo semestre, antes do período de maior circulação viral, que acontece durante o chamado “inverno amazônico” — caracterizado por maior volume de chuvas e aumento de síndromes respiratórias. No caso dessa região, a vacina contém as cepas predominantes no Hemisfério Norte.
Apesar de ocorrer desde 1999, a campanha de vacinação contra a gripe ainda é cercada por dúvidas e desinformação. Uma das principais diz respeito à necessidade de tomar a vacina todos os anos. O vírus influenza é um dos agentes infecciosos mais antigos conhecidos pela humanidade. Amplamente disseminado, já provocou grandes epidemias, como a Gripe Russa (1889), a Gripe Espanhola (1918) e, mais recentemente, a pandemia de H1N1 (2009). Hoje, permanece em circulação contínua e associado a quadros leves e graves.
Uma das principais características do influenza é sua alta capacidade de mutação. Esse processo ocorre por dois mecanismos: pequenas alterações genéticas durante a replicação viral e rearranjos mais amplos quando diferentes variantes infectam a mesma célula. Essas mudanças fazem com que o sistema imunológico perca, ao longo do tempo, a capacidade de reconhecer o vírus com eficiência, mesmo em pessoas que já tiveram gripe ou foram vacinadas anteriormente. Daí por que a proteção não é duradoura.
A vacina contra a gripe é reformulada todos os anos justamente para acompanhar essas transformações. Uma rede global de vigilância monitora a circulação e a evolução das cepas e, com base nesses dados, a Organização Mundial da Saúde (OMS) define quais variantes devem compor as vacinas de cada temporada. Ao se vacinar anualmente, a população aumenta a proteção contra os vírus mais recentes em circulação, reduzindo o risco de complicações e formas graves da doença
Nos últimos meses, uma variante conhecida como gripe K — um subclado do vírus influenza A (H3N2) — tem chamado a atenção de autoridades de saúde em diferentes países. O aumento de infecções associado a esse subtipo acendeu um alerta global, e ele foi identificado no Brasil pela primeira vez no fim de 2025. No início de abril, o Ministério da Saúde informou ter intensificado a vigilância epidemiológica para monitorar a circulação do vírus e suas mutações.
Circulam com frequência boatos de que a vacina contra a gripe poderia provocar a doença ou aumentar o risco de infecção. Isso não é verdade: o imunizante é produzido com vírus inativados e fragmentados, o que o torna incapaz de causar gripe. “As doses para influenza disponíveis no Brasil não têm vírus vivo, ou seja, não têm o RNA, somente uma fração”, detalha o pediatra Alfredo Elias Gilio, coordenador da Clínica de Imunização do Einstein. “Brinco com meus alunos que o vírus está ‘morto e esquartejado’, portanto, é impossível causar a doença.”
Sintomas gripais após a vacinação podem ser causados por outros agentes infecciosos. “Nesta época do ano, circulam diversos vírus com quadros parecidos aos de gripe, que podem ser confundidos no dia a dia. Em geral, o que pode acontecer são casos de resfriado causados por outro grupo de vírus, chamado rinovírus, cujos sintomas são mais lves, como nariz escorrendo, tosse, dorzinha, febre baixa e mal-estar”, pontua Gilio.
Os efeitos adversos mais comuns da vacina são leves e passageiros, como dor, vermelhidão e endurecimento no local da aplicação, geralmente com melhora em até 48 horas. Reações menos frequentes incluem febre, mal-estar e dor muscular. A vacinação é a principal forma de prevenir complicações da gripe, reduzindo o risco de hospitalização e morte.
A vacina contra a gripe ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Ela é formulada na versão trivalente — ou seja, com três cepas do vírus consideradas predominantes em circulação no mundo. Cerca de 80 milhões de doses são enviadas ao Ministério da Saúde, responsável pela distribuição aos estados e municípios.
A campanha nacional de vacinação segue até 30 de maio e é direcionada a grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, como crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos com 60 anos ou mais e gestantes. Também estão incluídas pessoas com maior risco de exposição ao vírus ou de agravamento da doença, caso de puérperas, povos indígenas, quilombolas e pessoas em situação de rua.
Profissionais considerados essenciais, como trabalhadores da saúde, professores, integrantes das forças de segurança, salvamento e das Forças Armadas, também fazem parte do público-alvo, assim como caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, portuários e funcionários dos Correios.
A estratégia contempla ainda indivíduos privados de liberdade, jovens em medidas socioeducativas e pessoas com deficiência permanente ou doenças crônicas, independentemente da idade. “Em públicos prioritários, a vacina é especialmente crucial para desafogar o sistema de saúde, proteger os mais vulneráveis via imunidade coletiva e minimizar agravamentos em condições pré-existentes, como problemas cardíacos ou respiratórios”, ressalta Cristina Kokron.
Em anos anteriores, diante da disponibilidade de doses, a campanha foi ampliada para toda a população acima de 6 meses, com estados e municípios tendo autonomia para incluir novos públicos conforme o estoque. Por isso, após o encerramento oficial da campanha, é comum que prefeituras anunciem a chamada “xepa da vacina”, abrindo a imunização para mais pessoas.
O imunizante também está disponível na rede privada, com preços que variam entre R$ 75 e R$ 230. Nesses casos, a versão mais comum é a quadrivalente, que inclui uma cepa adicional do vírus influenza B. Mas tanto a vacina oferecida pelo SUS quanto a da rede privada são eficazes na prevenção de casos graves. “A vacina trivalente tem a mesma abrangência de proteção que a tetravalente”, assegura a médica Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Nem toda pessoa com alterações cerebrais típicas do Alzheimer desenvolve perda de memória ou demência. É o que diz um novo estudo publicado em 4 de abril na revista científica Acta Neuropathologica Communications, que investigou justamente por que alguns cérebros conseguem manter funções cognitivas preservadas mesmo com sinais biológicos associados à doença.
A pesquisa analisou dados humanos e também testou hipóteses em camundongos modificados geneticamente. Os autores afirmam que o trabalho ajuda a entender mecanismos de “resiliência cognitiva”, termo usado para descrever quando o cérebro tolera lesões ou alterações sem apresentar sintomas clínicos importantes.
Segundo o estudo, cerca de 20% a 30% das pessoas idosas podem apresentar acúmulo relevante de placas beta-amiloide e proteína tau — duas marcas clássicas do Alzheimer — e, ainda assim, permanecerem cognitivamente intactas.
Essa condição é chamada de Alzheimer assintomático. Em termos práticos, significa que o cérebro apresenta alterações vistas na doença, porém sem impacto evidente sobre memória, linguagem ou raciocínio. Os pesquisadores destacam que compreender por que isso acontece pode ser tão importante quanto estudar a progressão do Alzheimer sintomático.
A equipe utilizou ferramentas computacionais para analisar grandes bancos de dados de expressão gênica em tecidos cerebrais humanos. O objetivo era identificar padrões moleculares capazes de diferenciar envelhecimento normal, Alzheimer com sintomas e Alzheimer assintomático.
Depois, os cientistas aplicaram o conhecimento obtido em modelos animais para testar se os mecanismos encontrados também poderiam ser observados em laboratório.
Um dos principais achados envolve a Chromogranin A (CgA). Segundo os autores, a ausência da proteína em camundongos com tauopatia levou a um quadro incomum, no qual os animais mantiveram desempenho preservado em testes de memória e aprendizagem, apesar de apresentarem alterações moleculares e neuropatológicas compatíveis com Alzheimer.
Nas fêmeas, o efeito foi ainda mais marcante, com redução da agregação de tau e preservação de estruturas sinápticas, responsáveis pela comunicação entre neurônios.
O estudo não aponta cura imediata nem mudança no tratamento atual. Porém, sugere que alguns fatores biológicos podem proteger o cérebro mesmo diante de lesões associadas ao Alzheimer.
Se os resultados forem confirmados em novas pesquisas, a descoberta pode abrir caminho para medicamentos voltados não apenas a combater a doença, mas também a fortalecer mecanismos naturais de resistência cerebral. Por enquanto, entender por que alguns cérebros resistem pode ser uma das chaves para enfrentar o Alzheimer no futuro.
Quando há um crescimento desordenado de células nas gônadas masculinas, o quadro é classificado como câncer de testículo. A condição está mais associada a homens jovens, dos 15 aos 50 anos. Por outro lado, quando descoberta cedo, a doença tem tratamento e com altas chances de cura.
No levantamento mais recente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), foram registradas pouco mais de 4 mil mortes ligadas ao câncer de testículo na última década. Entre 2016 e 2025, 17 mil pacientes tiveram que realizar cirurgias para retirar a gônada em decorrência da doença. Os dados são do Ministério da Saúde (MS).
A fim de evitar a condição, os urologistas entrevistados pelo Metrópoles são unânimes: a melhor prevenção é a realização do autoexame nos testículos.
“O autoexame testicular é uma das coisas mais simples que um homem pode fazer pelo próprio corpo. Leva menos de dois minutos e não precisa de equipamento nenhum. O melhor momento é durante ou logo após o banho quente, quando o calor relaxa a pele do saco escrotal, e fica mais fácil sentir o que está lá dentro”, explica o urologista Marcelo Schneider Goulart, da clínica EndoUro, em Florianópolis.
Não há outra forma de detectar um tumor maligno nos testículos. Tornar o toque nas gônadas parte da rotina é um passo essencial a fim de se curar de qualquer alteração. Diferentemente de outros, o câncer na região tem um dos melhores prognósticos, com taxas de cura entre 80% a 90%, a depender do caso.
“Recomenda-se iniciar a prática a partir da adolescência, especialmente após a puberdade. Homens jovens são o principal grupo de risco, o que torna esse hábito ainda mais relevante nessa fase da vida”, aponta o urologista André Rezek, do Hospital DF Star, em Brasília.
Conforme alertam os especialistas, a partir da puberdade, recomenda-se fazer o autoexame uma vez ao mês. A qualquer alteração na região, como caroço firme, endurecimento, inchaço, sensação de peso ou dor, é essencial buscar um profissional para investigação. “É importante ressaltar que nem todo caroço é câncer, mas todo caroço precisa ser avaliado”, diz o urologista Alexandre Cavalcante, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.
A resposta é simples e curta: nada. Segundo Goulart, não há nenhum cuidado primário para prevenir o câncer de testículo. Seja uma rotina alimentar, suplemento ou hábitos especiais, as ações não são capazes de livrar totalmente o indivíduo do risco da doença.
“A maioria dos fatores de risco, como criptorquidia – condição em que o testículo que não desce para o saco escrotal na infância –, histórico familiar ou alterações genéticas, estão fora do controle do paciente”, diz Goulart.
A única prevenção é realmente a realização do autoexame testicular. Apesar do tabu em volta do tema, conhecer o corpo e saber perceber quando há algo de errado a tempo de procurar ajuda cedo pode melhorar consideravelmente o quadro clínico.
“O constrangimento do paciente em procurar ajuda e a desinformação ainda são muito frequentes nos dias atuais. Os meios de comunicação, as campanhas feitas pela comunidade médica e o apoio de familiares são fundamentais para quebrar essa barreira”, ressalta Cavalcante.
Sob as colinas verdes da Toscana, na Itália, a Terra ferve intensamente. É o que descobriram pesquisadores da Universidade de Genebra, na Suíça, ao encontrarem uma enorme câmara de magma. O reservatório geotérmico abrange cerca de 6 mil quilômetros cúbicos — aproximadamente 120 vezes o volume do Lago de Garda, o maior lago italiano.
O diferencial da descoberta é que não há indício na superfície do gigantesco reservatório de magma. Enquanto estruturas dessa magnitude, em outras regiões do mundo, costumam se manifestar por meio de erupções vulcânicas, formação de crateras ou gêiseres, na pitoresca região não se vê absolutamente nada da rocha derretida e quente no subsolo.
“Sabemos que essa região, que se estende do norte ao sul da Toscana, é geotermicamente ativa”, afirma Matteo Lupi, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Genebra e autor principal do estudo, publicado em abril na revista científica Nature. “Mas não estava claro para nós que ali existisse um volume de magma tão grande, comparável a sistemas de supervulcões.”
Apesar do tamanho, a câmara magmática não representa perigo para a população local. “Em algum momento, provavelmente ocorrerá uma erupção aqui”, segundo Lupi. “Mas estamos falando de escalas de tempo geológicas. Provavelmente, nessa época, já não haverá mais pessoas vivendo ali.”
Os pesquisadores encontraram o reservatório utilizando uma técnica chamada tomografia de ruído ambiente. Esse método já é empregado na sismologia, área que estuda a origem e a propagação das ondas sísmicas associadas a terremotos.
“Utilizamos sensores que registram ruídos sísmicos. Afinal, a Terra está sempre fazendo barulho,” diz Lupi. Esses ruídos têm origem tanto em atividades humanas quanto em processos naturais, como a variação das marés ou o vento.
Quando as ondas sonoras levam um tempo especialmente longo para se deslocar de um ponto de medição a outro, isso indica que as rochas abaixo da superfície terrestre têm um alto teor de fluidos — como ocorre, por exemplo, no caso do magma.
Os pesquisadores na Toscana identificaram esse tipo de ondas lentas ao analisar os dados de 60 sensores instalados para o estudo.
“A uma profundidade entre 8 e 10 quilômetros, as ondas eram particularmente lentas”, relata Lupi. Foi ali que sua equipe encontrou a câmara magmática. A partir da análise dos registros, os pesquisadores conseguiram criar imagens em 3D da região abaixo da superfície terrestre.
A capacidade de gerar esse tipo de imagem e identificar câmaras magmáticas quentes com essa tecnologia é valiosa para o futuro da transição energética. A energia geotérmica, uma fonte renovável que não depende de condições climáticas, vem se tornando cada vez mais importante.
Segundo Lupi, empresas já poderiam utilizar a tecnologia de tomografia empregada por ele e sua equipe para identificar os locais mais promissores para perfuração em busca de energia geotérmica. O método seria rápido e relativamente barato.
“O único obstáculo é que empresas conservadoras não querem adotar uma tecnologia que não compreendem”, afirma. “Na Ásia, já existem muitas empresas que trabalham com esse método. Na Suíça, o ambiente é mais conservador, e ele ainda é pouco utilizado.”
A tomografia de ruído ambiente também pode ajudar a identificar depósitos de lítio ou terras raras. Esses recursos são utilizados, por exemplo, em baterias de carros elétricos e chips de computador. Atualmente, o mundo depende fortemente da China para o fornecimento de terras raras, país onde a maioria dos depósitos dessa matéria-prima foram descobertos até o momento.
