
A Delegacia de Trânsito da Capital finalizou o inquérito policial sobre o atropelamento que causou a morte do adolescente Ruan Wilson de Lima Silva, de 15 anos. O caso ocorreu no dia 25 de agosto deste ano, no Tabuleiro do Martins, parte alta de Maceió. O motorista que atropelou a vítima foi indiciado por homicídio culposo.
O delegado Carlos Reis, titular da unidade especializada, explica que, durante a investigação, foram ouvidas 26 pessoas. Também foram feitas 13 solicitações de imagens de câmeras de vigilância e 11 solicitações de informações e documentos a diferentes órgãos e instituições. Ao todo, realizadas 20 intimações.
"Entre as diligências, estão a solicitação de perícia no veículo envolvido no atropelamento, relatórios de órgãos que participaram do atendimento da ocorrência e informações sobre o monitoramento do trânsito no local", detalhou o delegado.
O pai do adolescente Ruan Wilson, que morreu após ser atropelado, chegou a cobrar esclarecimentos por meio das redes sociais sobre a investigação.
Na noite do acidente, Ruan havia saído para jantar com o pai. Ao retornar para casa, teria pedido à mãe para andar de bicicleta pelo bairro, quando foi atingido pelo veículo.
Em parceria, a Prefeitura de Tanque D’Arca e o Instituto Superar promoveram momentos de conscientização, acolhimento e segurança para nossos colaboradores.
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se na terça-feira (22) a favor de Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do Batom”, progredir para o regime semiaberto. O órgão também deu aval para a redução da pena em 212 dias.
Em despacho, a PGR informou que são quatro dias a menos em razão das leituras realizadas, 108 dias por trabalho feito internamente e 100 dias pela aprovação na edição de 2023 do Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoa Privada de Liberdade (Enem-PPL).
Ao pedido de redução da pena por aprovação na edição de 2024 do Enem-PPL, o órgão manifestou-se contrário à concessão do benefício. “A fim de evitar duplicidade”, explicou.
Débora foi condenada a 14 anos de prisão, inicialmente em regime fechado, por participação nos atos antidemocráticos, de 8 de Janeiro. Ela também ficou conhecida por escrever “Perdeu, mané” na estátua da Justiça com um batom.
Em março de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), substituiu a prisão preventiva de Débora por prisão domiciliar e impôs medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Uma pessoa chega ao pronto-socorro com falta de ar, mal-estar ou dor no peito. Entre os exames solicitados está a troponina, uma proteína liberada no sangue quando ocorre lesão das células do músculo cardíaco. O resultado vem elevado e surge imediatamente a preocupação: foi um infarto? Nem sempre.
Essa distinção, que já vinha sendo construída nos últimos anos, acaba de ganhar critérios mais claros com a 5ª Definição Universal de Infarto do Miocárdio, publicada em 2026 pelas principais sociedades internacionais de cardiologia. O documento reforça um conceito fundamental: troponina elevada indica injúria miocárdica, mas, para diagnosticar um infarto, é necessário demonstrar também que essa lesão ocorreu em um contexto de isquemia aguda.
Em outras palavras, todo infarto envolve uma injúria do músculo cardíaco, mas nem toda injúria é um infarto.
As troponinas cardíacas são proteínas presentes nas células do músculo do coração. Quando essas células sofrem uma lesão, ocorre liberação de troponina na circulação. Com os testes de alta sensibilidade utilizados atualmente, conseguimos detectar quantidades muito pequenas dessa proteína.
Quando o valor está acima do limite superior de referência, existe injúria miocárdica. Se medições sucessivas mostram elevação ou queda da troponina, falamos em injúria aguda. Quando os valores permanecem elevados, mas relativamente estáveis, a lesão pode ser considerada crônica. Nenhuma dessas situações, isoladamente, permite afirmar que houve infarto.
Insuficiência cardíaca, miocardite, sepse, arritmias, embolia pulmonar, doença renal e diferentes doenças críticas podem estar associadas à elevação da troponina. O coração sofreu algum grau de agressão, mas o mecanismo pode não ser o mesmo de um infarto.
Essa diferença é importante porque o tratamento depende da causa. Não faria sentido tratar automaticamente toda elevação de troponina como se existisse um trombo obstruindo uma artéria coronária.
Para que a injúria miocárdica aguda seja classificada como infarto, é preciso haver evidência de isquemia miocárdica aguda, ou seja, de que o músculo cardíaco sofreu pela redução do suprimento de sangue e oxigênio.
Essa evidência é construída pelo conjunto das informações. Entram nessa avaliação sintomas compatíveis, alterações isquêmicas no eletrocardiograma e exames de imagem capazes de mostrar uma nova perda de músculo viável ou alteração da contração em padrão compatível com isquemia. A investigação das artérias coronárias também pode revelar a causa do evento.
Portanto, o diagnóstico não deve ser feito olhando apenas para um número no exame de sangue. Troponina, sintomas, eletrocardiograma, contexto clínico e, quando necessários, exames de imagem precisam conversar entre si.
A nova definição internacional procura justamente tornar essa interpretação mais objetiva e reduzir situações em que uma elevação de troponina recebe automaticamente o rótulo de infarto.
Outra mudança importante de 2026 está na nomenclatura. A classificação anterior dividia o infarto em tipos numerados de 1 a 5, com subdivisões. O novo documento substituiu esse sistema por três categorias clínicas que procuram descrever melhor o mecanismo envolvido.
O infarto primário ocorre espontaneamente por um problema agudo na própria circulação coronariana. O exemplo mais conhecido é a ruptura ou erosão de uma placa de aterosclerose com formação de trombo, mas a categoria também inclui situações como dissecção espontânea da coronária, embolia e espasmo coronariano.
O infarto secundário acontece quando outra condição aguda provoca desequilíbrio entre a quantidade de oxigênio de que o coração necessita e aquela que consegue receber. Isso pode ocorrer, por exemplo, diante de anemia importante, hipóxia, alterações intensas da pressão ou algumas arritmias. Para ser chamado de infarto, entretanto, continua sendo necessária evidência de isquemia. Ter uma doença grave e troponina elevada, por si só, não basta.
Já o infarto relacionado a procedimento decorre de uma complicação de uma intervenção cardíaca percutânea ou cirúrgica, dentro dos critérios definidos pelo novo consenso.
Essa reorganização não é apenas uma troca de nomes. Identificar o mecanismo é importante porque pacientes com troponina elevada podem precisar de tratamentos completamente diferentes.
A 5ª Definição Universal também reforça uma questão que vinha ganhando importância nos testes de troponina de alta sensibilidade: homens e mulheres não devem necessariamente ser avaliados pelo mesmo limite de referência.
Em média, mulheres apresentam concentrações de troponina menores do que homens. Quando se utiliza um único ponto de corte para ambos os sexos, existe o risco de deixar de reconhecer injúria miocárdica em algumas mulheres.
Por isso, o novo documento recomenda a utilização do percentil 99 específico para cada sexo na definição de injúria miocárdica, quando esses limites estiverem estabelecidos para o ensaio utilizado pelo laboratório.
Isso não significa que exista um “exame feminino” de infarto. Significa interpretar um biomarcador levando em consideração diferenças biológicas capazes de interferir no diagnóstico.
A troponina continua sendo uma das ferramentas mais importantes da cardiologia de emergência. O que mudou foi a maneira de interpretar seu significado.
Um resultado elevado diz ao médico que existe lesão do músculo cardíaco e que é necessário descobrir por quê. Infarto é uma das possibilidades, mas não é a única. A nova definição deixa essa diferença mais clara e, ao separar a presença de lesão do mecanismo que a provocou, ajuda a direcionar a investigação e o tratamento para aquilo que realmente está acontecendo com o coração.
Testes realizados em camundongos que receberam altas doses de álcool durante a adolescência mostraram que o efeito da substância sobre o cérebro ainda em desenvolvimento gera impactos comportamentais que perduram até a vida adulta, como uma maior propensão a assumir riscos e o aumento no consumo da bebida. O estudo, conduzido na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp), recebeu apoio da FAPESP e originou dois artigos, publicados nas revistas Alcohol Clinical and Experimental Research e Physiology & Behavior.
Apesar de o Brasil proibir o consumo de álcool por menores de 18 anos, dados do 3º Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira mostram que 5% dos adolescentes entre 12 e 17 anos tiveram pelo menos um episódio de consumo excessivo de álcool em 30 dias. Entre jovens adultos – com idade entre 18 e 24 anos – a porcentagem sobe para 20,5%.
Nessas idades, o cérebro ainda não está totalmente desenvolvido, estando mais vulnerável ao efeito do álcool. “Embora a maior parte do nosso desenvolvimento como seres humanos ocorra dentro do útero, quando nascemos ainda não estamos completamente formados. E o cérebro é um dos últimos órgãos a finalizar essa formação”, explica Karina Possa Abrahão, professora adjunta no Departamento de Fisiologia da EPM-Unifesp. Ela acrescenta que uma das principais diferenças está na menor atividade de uma região chamada de córtex pré-frontal, importante para a tomada de decisões e o controle dos impulsos. Essa e outras regiões relacionadas à tomada de decisão só completam seu desenvolvimento em humanos por volta dos 25 anos de idade.
Para entender como o consumo de bebida alcoólica nessa fase da vida pode afetar o desenvolvimento do cérebro, o grupo de Abrahão aplicou injeções de álcool em camundongos simulando eventos de consumo excessivo da substância (binge drinking). “O intuito do protocolo era o de mimetizar algumas intoxicações esporádicas muito fortes, que é o que tem acontecido em adolescentes e jovens adultos”, conta Abrahão.
Nesses animais, a adolescência dura cerca de três a quatro semanas, começando logo após o desmame – entre o 21º e o 28º dia – e terminando por volta do 60º dia de vida. Cada animal recebeu quatro injeções durante sua adolescência, como uma forma de simular um consumo frequente. Essa quantidade, aparentemente pequena, foi calculada de forma proporcional. “Reduzimos o número de intoxicações considerando a duração da vida do animal. Em uma pessoa, seria o equivalente a, mais ou menos, umas duas intoxicações por mês durante toda a adolescência. É um consumo muito pesado”, ressalta.
Quando os camundongos receberam o álcool no início da adolescência, os machos passaram a demonstrar comportamentos de risco mais intensos, mesmo quando testados na vida adulta. O equivalente não foi observado nas fêmeas. Por outro lado, quando o álcool era disponibilizado para os camundongos na vida adulta, as fêmeas expostas ao álcool no início da adolescência beberam mais.
Já quando os animais receberam o álcool no final da adolescência, camundongos de ambos os sexos apresentaram maior comportamento de risco na vida adulta. Essas alterações comportamentais indicam um prejuízo no amadurecimento do cérebro. “O álcool pode causar um prejuízo da maturação final do cérebro, tornando aquele indivíduo adolescente por muito mais tempo, talvez a vida toda. Ele sempre vai ficar se colocando em risco. O adolescente se colocar em risco é normal, mas o adulto continuar fazendo isso é problemático”, comenta Abrahão.
Diferença entre os sexos
A origem da diferença observada no efeito do álcool entre machos e fêmeas no começo da adolescência ainda não foi encontrada. Em um primeiro momento, a equipe de Abrahão acreditou se tratar da diferença no ritmo do desenvolvimento do cérebro entre os sexos. “O que a gente sabe é que a maturação do cérebro das fêmeas acontece um pouco antes da dos machos”, explica Abrahão. Mas os resultados obtidos com animais intoxicados na fase final da adolescência contradizem essa hipótese. “Fomos pegos de surpresa, porque, quando a intoxicação é feita na segunda fase da adolescência, afeta tanto machos quanto fêmeas. Então, o que a gente achou que tinha protegido a fêmea na primeira fase da adolescência, por ela maturar mais cedo o cérebro, não é verdade. Porque houve o comprometimento da tomada de decisão quando a intoxicação foi feita na fase tardia”, detalha a pesquisadora.
Os efeitos deletérios do consumo excessivo de álcool no desenvolvimento do cérebro podem se estender até o início da vida adulta. O grupo de Abrahão já testou o efeito do uso excessivo de álcool em camundongos em idade equivalente a um humano de 20 anos no comportamento de risco e obteve resultados semelhantes aos obtidos com adolescentes.
Já em adultos mais velhos o impacto tende a ser mais brando. “A literatura mostra que os impactos existem, mas são menores. Não quer dizer que o indivíduo de 30 a 40 anos não vai ter alguns prejuízos cognitivos, mas esse impacto é bem menor do que quando essa intoxicação acontece durante a adolescência. Então, o que poderia ser dito é que a literatura indica que continua tendo impacto, mas vai diminuindo quanto mais amadurece o cérebro”, explica.
Aditivos alimentares fazem parte da rotina de quem consome produtos industrializados, mas o efeito dessa exposição ao longo do tempo segue em investigação. Um estudo publicado no European Heart Journal em maio associou o consumo frequente de alguns conservantes a maior risco de hipertensão e doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
A pesquisa acompanhou 112.395 adultos na França por cerca de sete a oito anos. Os dados vieram de registros detalhados da alimentação, feitos periodicamente pelos próprios participantes. Ao analisar os ingredientes consumidos, os pesquisadores observaram que pessoas com maior ingestão de determinados conservantes apresentaram risco 29% maior de hipertensão e 16% maior de doenças cardiovasculares.
O trabalho aponta associações, mas não estabelece relação de causa direta. Ainda assim, reforça um debate crescente sobre o consumo frequente de ultraprocessados.
Os aditivos alimentares são substâncias incluídas intencionalmente nos produtos para cumprir funções específicas, como conservar, dar cor, sabor ou melhorar a textura. A nutricionista Risoneide Calazans, diretora do Conselho Federal de Nutrição (CFN), esclarece que esses compostos podem atuar em diferentes etapas da produção.
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“Eles podem conservar o alimento por mais tempo, reduzir a deterioração, modificar textura e manter características sensoriais esperadas pelo consumidor”, explica.
Além disso, um produto pode conter apenas aditivos autorizados e, ainda assim, não ter um bom perfil nutricional. “O mais importante é avaliar o conjunto da alimentação e a frequência de consumo de ultraprocessados”, ressalta.
Entre os principais tipos estão conservantes, antioxidantes, corantes, aromatizantes, emulsificantes e edulcorantes. A presença desses ingredientes é comum em produtos ultraprocessados, que costumam combinar vários aditivos na formulação.
O estudo identificou oito conservantes ligados ao maior risco de hipertensão, entre eles sorbato de potássio, nitrito de sódio e ácido cítrico. O ácido ascórbico também apareceu associado a doenças cardiovasculares.
Uma das hipóteses para essa relação envolve o estresse oxidativo, processo em que há acúmulo de moléculas reativas que podem danificar células e tecidos. Outra linha de investigação analisa possíveis efeitos sobre o pâncreas e o metabolismo.
A nutricionista Giovanna Barreiro, do Hospital Brasília, explica que a função do aditivo no alimento não define automaticamente o que ele fará no organismo. “É preciso considerar dose, frequência de consumo, duração da exposição e características individuais”, destaca.
Ela ressalta que estudos como esse identificam padrões, mas não permitem concluir causa direta. “São necessárias diferentes linhas de evidência para entender melhor essas relações”, diz.
Um dos pontos de atenção é que os aditivos não são consumidos de forma isolada. Ao longo do dia, uma mesma pessoa pode ingerir diferentes produtos, cada um com vários compostos.
“Na alimentação cotidiana, há uma exposição combinada a diferentes substâncias. Avaliar apenas um aditivo isolado não representa completamente a realidade”, diz Giovanna.
Esse cenário tem levado pesquisadores a investigar possíveis interações entre compostos e seus efeitos acumulados. Ainda não há respostas definitivas sobre quais combinações oferecem maior risco ou em quais quantidades.
Os autores reforçam que o estudo não indica que um aditivo específico cause doença por si só. A principal recomendação segue centrada no padrão alimentar como um todo. A orientação é priorizar alimentos in natura e minimamente processados e reduzir a presença de produtos industrializados na rotina.
Duas pessoas morreram em acidente entre carro e caminhão na manhã desta quinta-feira (24), no bairro Cruzeiro do Sul, em Rio Largo. Com o impacto da colisão, as vítimas ficaram presas às ferragens e não resistiram aos ferimentos.
Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para retirar os ocupantes do veículo de menor porte. Após o desencarceramento, os corpos ficaram aos cuidados do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv).
Uma equipe de Unidade de Suporte Avançado (USA) do Samu esteve no local e confirmou as mortes.
As circunstâncias que provocaram a colisão ainda não foram divulgadas.
Veja vídeo:
Ao coletar amostras de um lago nos Estados Unidos, cientistas apoiados pela Nasa encontraram uma nova espécie de ameba capaz de se desenvolver em temperaturas de até 63 ºC, um patamar considerado recorde para a sobrevivência de formas de vida complexas na Terra. O recorde anterior para a replicação de células complexas em altas temperaturas era de pouco mais de 60 ºC.
Batizado de Incendiamoeba cascadensis (ou ameba-de-fogo das Cascatas), o ser eucarioto foi encontrado em uma pesquisa realizada no Parque Nacional Vulcânico Lassen, na Califórnia. Os resultados da descoberta foram publicados na revista Cell nessa terça-feira (22/9).
Além de estabelecer o recorde, a ameba-de-fogo sobreviveu a breves períodos em temperaturas de até 70 ºC.
“Fiquei muito surpresa. Tivemos que voltar e verificar se nossas incubadoras estavam calibradas corretamente. Foi realmente incrível”, afirma a primeira autora do estudo, Beryl Rappaport, em entrevista ao portal Live Science.
Estudos anteriores já haviam encontrado indícios de que as amebas conseguiam se desenvolver em fontes geotérmicas quentes, porém ainda não havia uma prova contundente em laboratório. Para isso, os pesquisadores foram até o Parque Nacional Vulcânico Lassen a fim de coletar amostras e estudá-las mais profundamente.
Entre as várias amostras coletadas, a ameba-de-fogo se destacou. Além de identificarem a nova espécie, os cientistas descobriram suas particularidades. Segundo eles, o organismo prospera em temperaturas entre 55 ºC e 57 ºC e para de crescer abaixo de 42 ºC, mostrando a preferência da espécie por altas temperaturas para se desenvolver.
Durante os testes, descobriu-se que a ameba-de-fogo se dividia e replicava em temperaturas de até 63 ºC. A 70 ºC, ela entrava em estado dormente e se recuperava após permanecer por até cinco minutos nesse patamar de aquecimento. A 80 ºC, o organismo não resistia.
Para os pesquisadores, essa capacidade provavelmente provém da adaptação genética ao estresse térmico presente em seres eucariotos
O próximo passo dos autores é encontrar e investigar parentes próximos da nova espécie, com o objetivo de compreender melhor como ela evoluiu até tolerar esse nível de calor.
A distribuição da gordura corporal é influenciada por fatores genéticos, hormonais e pelo estilo de vida. Embora o acúmulo em certas regiões seja visto como uma questão estética, a localização dessas reservas é um indicador importante para a saúde.
Especialistas reforçam que ter gordura localizada em certas regiões não é, por si só, sinal de doença ou descontrole hormonal. O determinante para a medicina está na diferença entre dois tipos de gordura: a subcutânea e a visceral.
A nutricionista Yasmim Duro, que atende no Rio de Janeiro, destaca que o maior perigo está na gordura visceral. “A gordura localizada, isoladamente, não significa que exista um problema de saúde ou que o organismo esteja inflamado. O maior alerta está relacionado principalmente ao excesso de gordura visceral, que pode trazer riscos reais de doenças”, explica.
O tecido gorduroso funciona como um órgão ativo no corpo, mas o seu impacto pode variar de acordo com a localização.
A gordura subcutânea fica abaixo da epiderme e funciona como um reservatório energético estável do corpo, apresentando menor taxa de liberação de ácidos graxos livres na circulação, sendo associada a um perfil metabólico mais neutro ou protetor.
Já a gordura Visceral, localizada na cavidade abdominal, envolve órgãos vitais como fígado, rins e intestinos. É um tecido inflamatório e prejudicial: ela libera substâncias tóxicas e gordura direto na circulação do fígado, aumentando o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, gordura no fígado (esteatose) e colesterol alto.
O endocrinologista Wandyk Allison destaca que a anatomia do acúmulo de gordura muda entre os sexos biológicos devido à ação dos hormônios.
Em mulheres com idade fértil, a predominância do estrogênio favorece o padrão ginoide, caracterizado pelo armazenamento subcutâneo nas regiões dos quadris, glúteos e coxas. Nos homens, a atuação hormonal e o perfil genético direcionam o acúmulo para a região abdominal, configurando o padrão androide.
“Áreas como abdômen inferior, flancos, quadris e coxas refletem genética, idade, composição corporal e características individuais dos receptores hormonais”, esclarece Allison.
O médico ressalta, no entanto, que isso não é uma regra engessada: sono, alimentação, treino, remédios e quantidade de massa muscular também alteram esse desenho corporal.
A avaliação da saúde corporal pautada exclusivamente no Índice de Massa Corporal (IMC) apresenta limitações metodológicas.Como o IMC calcula apenas a relação entre peso total e altura, ele não distingue músculo de gordura e não mostra onde a gordura está localizada.
“Uma pessoa pode estar com o peso ‘ideal’ pelo IMC e, ainda assim, ter uma quantidade perigosa de gordura abdominal profunda”, alerta Yasmim Duro. Esse é o típico cenário do “falso magro”, que apresenta alto risco metabólico devido à gordura visceral aliada à pouca massa muscular.
Mudanças bruscas e repentinas na distribuição de gordura merecem investigação médica imediata, especialmente se acompanhadas de sintomas como:
Nesses casos, os médicos podem investigar síndromes endócrinas, como a síndrome de Cushing ou a síndrome dos ovários policísticos (SOP), além de uma variedade de outras condições clínicas, hormonais e genéticas.
Uma operação do Ministério Público de Alagoas (MPAL) investiga um suposto esquema envolvendo empresas do setor de bebidas suspeitas de fraudes tributárias, sonegação fiscal, falsa identidade e lavagem de dinheiro. A ação, denominada Operação Dionísio, foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (24) e cumpre 17 mandados de busca e apreensão em Alagoas, São Paulo, Minas Gerais e Maranhão.
Coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e aos Crimes Contra a Ordem Tributária (GAESF), a operação tem como alvo empresas e pessoas investigadas em uma estrutura que, segundo o MPAL, teria atuação em diferentes estados.
Em Alagoas, empresas investigadas nos municípios de Maceió e Arapiraca acumulam aproximadamente R$ 190 milhões em débitos tributários, considerando valores inscritos e aqueles ainda em fase administrativa. Além disso, existem procedimentos fiscais em andamento na Secretaria de Estado da Fazenda de Alagoas (Sefaz-AL) que somam R$ 132.495.774,98.
Ao todo, a investigação envolve 30 pessoas e 42 empresas. Segundo o MPAL, quatro empresas sediadas em Alagoas seriam integrantes da estrutura investigada. Uma delas seria beneficiária de um centro de distribuição vinculado ao Decreto Estadual nº 38.631/2000.
De acordo com as investigações, o grupo teria utilizado diferentes mecanismos para reduzir ou evitar o recolhimento de tributos. Entre as suspeitas estão a manipulação da base de cálculo do ICMS por substituição tributária, o uso de benefícios fiscais estaduais e a entrada e saída de mercadorias sem a documentação fiscal correspondente.
O MPAL também aponta indícios de manipulação dos valores das operações comerciais. Segundo a investigação, haveria situações em que os preços das bebidas seriam elevados para operações destinadas a estados que utilizam o Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF) como referência para a tributação de cervejas. Para estados que não utilizam o PMPF, por outro lado, haveria indícios de subavaliação dos valores das mercadorias, com aplicação da Margem de Valor Agregado (MVA).

A investigação também apura indícios de descaminho e de cancelamento fictício de operações comerciais. Segundo o MPAL, notas fiscais teriam sido canceladas por meio do evento de “operação não realizada”, embora as mercadorias tivessem sido efetivamente comercializadas.
O Ministério Público identificou ainda três Certidões de Dívida Ativa relacionadas às empresas investigadas. Os valores são de R$ 18.469.475,51, R$ 22.292.821,49 e R$ 12.552.922,26. Somadas, as três certidões representam R$ 53.315.219,26 em dívidas.
Ainda conforme o MPAL, a apuração aponta para uma estrutura hierarquizada. Um empresário de atuação nacional teria orientado outras pessoas a abrir empresas que seriam utilizadas na estrutura investigada.

As apurações indicam que as mercadorias seriam transportadas por uma empresa ligada ao grupo. Inicialmente, as notas fiscais apontariam um estabelecimento como destinatário, mas as cargas seriam posteriormente direcionadas a empresas localizadas em outros estados.
O Ministério Público também investiga a possível participação de assessores jurídicos e contábeis, que teriam orientado os envolvidos sobre a utilização de empresas previamente estruturadas. A investigação apura ainda possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro, criação de empresas de fachada e blindagem patrimonial.
Os 17 mandados de busca e apreensão são cumpridos em Maceió e Arapiraca, em Alagoas; São José dos Campos, Boituva e Fernandópolis, em São Paulo; Frutal, em Minas Gerais; e São Luís, no Maranhão.
A operação conta com a participação do GAECO de São Paulo, CIRA de Minas Gerais e GAESF do Maranhão, além de forças de segurança e órgãos de fiscalização.
Os crimes investigados incluem organização criminosa, sonegação fiscal, falsa identidade e lavagem de dinheiro. O MPAL destaca que a investigação está em andamento e que os envolvidos têm assegurados o direito à defesa e ao devido processo legal.
O nome Operação Dionísio faz referência a Dionísio, figura da mitologia grega associada às festas, celebrações e excessos.
Uma brasileira, de 29 anos, foi detida pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) após uma crise de saúde mental relacionada à perda de uma gestação. O caso aconteceu em Malden, no estado de Massachusetts.
Iara do Carmo Santana estava grávida de, aproximadamente, seis semanas quando descobriu, em agosto, que o feto havia deixado de apresentar batimentos cardíacos. Segundo a brasileira, ela precisou passar por um procedimento para esvaziamento do útero e deveria continuar utilizando medicamentos durante a recuperação.
Em 3 de setembro, o noivo de Iara, Gabriel Lemos, acionou o serviço de emergência porque ela enfrentava um episódio de desestabilização emocional após o aborto espontâneo.
De acordo com o casal, a intenção era obter atendimento e ajuda para que ela se acalmasse. No entanto, em vez de ser encaminhada diretamente para atendimento médico, Iara acabou detida sob acusação de ter agredido o companheiro.
Gabriel nega que tenha sido vítima de agressão e afirma que havia chamado a emergência justamente para ajudá-la.
A brasileira permaneceu cerca de seis horas sob custódia da polícia de Malden e, posteriormente, foi entregue ao ICE, órgão responsável pela fiscalização e aplicação das leis de imigração nos Estados Unidos.
Detenção e atendimento médico
Iara foi levada para um centro de detenção de imigrantes em Burlington. Segundo seu relato, durante as três noites em que permaneceu no local, ela não recebeu os medicamentos que deveria utilizar após o procedimento relacionado à perda gestacional.
De acordo com Iara, ela desenvolveu uma infecção e teve dificuldades para se movimentar. Ela também relata ter dormido no chão durante o período de detenção.
A brasileira entrou nos Estados Unidos de forma irregular em 2021, pela fronteira com o México. Ela recebeu autorização de trabalho e tem uma audiência relacionada ao pedido de asilo marcada para 2029. O filho, de 6 anos, vive com ela e Gabriel.
Libertação por decisão judicial
A situação foi levada à Justiça norte-americana. Em 8 de setembro, o juiz Leo T. Sorokin determinou que Iara não fosse transferida para outro estado nem deportada dos Estados Unidos. Também ordenou a libertação dela.
Após deixar a detenção, a brasileira passou a responder em liberdade pela acusação de agressão e continua aguardando uma definição sobre a situação migratória.
O advogado de Iara, Todd Pomerleau, contesta a versão de que o episódio justificaria a prisão e alega que o companheiro havia acionado os serviços de emergência com o objetivo de obter ajuda para ela.
O caso ocorre em meio ao endurecimento das políticas de imigração nos Estados Unidos e chama a atenção para a situação de imigrantes que entram no sistema de fiscalização após serem atendidos por forças de segurança.
William Lacerda Borges (foto em destaque), de 36 anos, invadiu uma casa, esfaqueou a namorada e matou a sogra na manhã desta terça-feira (22/9), na Vila Império, região de Americanópolis, zona sul de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, a vítima tentou proteger a filha do ataque.
O crime aconteceu em um imóvel na Rua Dom João Soares Coelho, de onde a Polícia Militar foi chamada para atender a uma ocorrência de violência doméstica.
Quando chegaram ao local, os policiais encontraram vestígios de sangue na área externa da casa. Testemunhas contaram aos agentes que havia três pessoas feridas dentro do imóvel.
A primeira vítima a ser encontrada foi uma mulher de 42 anos. Ela tinha ferimentos na cabeça, mas estava consciente, foi socorrida e levada a um hospital.
Já dentro da casa, os policiais localizaram o corpo de Maria José dos Santos Lima, de 71 anos. Ela teria sido morta ao tentar proteger a filha do ataque do namorado durante uma discussão.
Após atacar a namorada e matar a sogra, William Lacerda Borges tentou tirar a própria vida. Ele foi levado a um hospital e segue internado sob escolta policial. O estado de saúde dele não foi divulgado.
De acordo com a polícia, Borges tinha antecedentes criminais.
O caso está sendo registrado no 98° Distrito Policial (DP), no Jardim Miriam.
O bacharel em direito João Munhoz Neto tornou-se centro das atenções ao ser preso nesta terça-feira (22/9), dias após a morte da namorada, a estudante de direito Isabelle Caracristi, de 22 anos. Ela foi encontrada morta no pátio do prédio em que morava com João, em Aldeota, Fortaleza (CE), no último dia 13.
Apesar de ser formado em direito, João não tem registro na Ordem de Advogados do Brasil (OAB). Conforme apurou o Metrópoles, ele está preso na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Fortaleza, situado no bairro Papicu.
João se formou em direito no Centro Universitário Uninassau de Fortaleza (Uninassau) e se apresenta como “correspondente jurídico”, conforme consta no seu perfil em plataformas trabalhistas.
Para compôr o currículo, João cita que teve experiência como estagário no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), assim como no Juizado Especial Cível e Criminal do estado.
No perfil profissional de João, ele ainda diz ser pós-graduado em direito civil/processo civil e pós-graduando em direito digital, direito médico e direito previdenciário. O Metrópoles contatou Uninassau para a confirmação das informações.
Segundo a mãe de Isabelle, Iorlanda Caracristi, o homem teria conhecido a filha dela em um escritório de advocacia em Fortaleza, onde ele é funcionário e ela era estagiária. Com o decorrer do tempo, João se aproximou da estudante e os dois passaram a namorar.
Ambos foram morar juntos poucos dias após o início do relacionamento, em julho deste ano. Meses depois, em 13 de setembro, Isabelle foi encontrada morta no pátio do condomínio.
Isabelle Caracristi teria passado o fim de semana retrasado com o namorado, sócio de um escritório da região.
Conforme a mãe de Isabelle, a última mensagem trocada com a filha foi em 12 de setembro, pouco antes de anoitecer. A jovem escreveu: “Mãe, eu te amo. Não esquece o frango na air fryer”. A mãe respondeu: “Eu te amo também. Não esquece de tomar o relaxante muscular”.
Naquela noite, Isorlanda sentiu que havia algo errado, ao mandar uma nova mensagem e não ter uma resposta da filha– algo que não costumava acontecer. Na manhã de 13 de setembro, ainda sem respostas da filha, Isorlanda ligou para o celular dela várias vezes, sem sucesso.
Ao ver que a filha não atendia, a mãe e o irmão (tio da vítima) foram ao condomínio onde o casal morava. Ao ameaçarem chamar a polícia na portaria, foram levados à sala da síndica, que confirmou que Isabelle havia morrido na noite anterior e que o corpo já estava no Instituto Médico-Legal.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) informou que exames periciais identificaram lesões no corpo da vítima compatíveis com impacto contra o solo.
Ainda segundo a SSPDS-CE, exames laboratoriais apresentaram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico.
A Polícia Civil do Ceará colheu o depoimento de quatro pessoas, enquanto outras quatro oitivas estão agendadas. Imagens de câmeras de segurança também estão sendo analisadas pelos investigadores.
Em um ato de extrema violência psicológica, um homem foi preso em flagrante pela Polícia Civil de Goiás na manhã desta terça-feira (22/9), em Formosa (GO). O indivíduo é acusado de praticar os crimes de injúria e ameaça contra sua companheira no âmbito da violência doméstica.
A vítima havia comparecido à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) do município para denunciar um histórico recente de agressões físicas, xingamentos e intimidações violentas praticadas pelo parceiro.
O caso tomou um rumo ainda mais grave enquanto a mulher prestava depoimento. Ao descobrir que a companheira estava no interior da delegacia formalizando a denúncia, o autor passou a enviar uma série de mensagens de áudio para o celular da vítima.
Nas gravações, o tom de agressividade se intensificou dramaticamente: o homem declarou expressamente que iria “arrancar a cabeça” da vítima e garantiu que “ela iria pagar” ainda no decorrer do dia.
Diante da gravidade dos fatos e da caracterização do crime em flagrante delito, a equipe da DEAM de Formosa iniciou diligências imediatas. Os policiais localizaram e efetuaram a prisão do agressor antes que ele pudesse cumprir as ameaças.
Após a realização dos procedimentos cabíveis na delegacia, o autor foi transferido para a Unidade Prisional de Formosa, onde permanece recluso e à disposição do Poder Judiciário.
Em nota, a Polícia Civil do Estado de Goiás reafirmou o compromisso permanente das forças de segurança no combate rigoroso à violência doméstica e familiar contra a mulher e na garantia da proteção integral às vítimas.
Uma nova estratégia de tratamento contra a hepatite B tenta conter o vírus sem alterar o DNA das células. Em vez disso, a técnica atua sobre marcas químicas que regulam a atividade genética, reduzindo a produção viral. Resultados iniciais indicam queda nos níveis do vírus em testes pré-clínicos e início de avaliação em humanos.
A hepatite B crônica afeta mais de 250 milhões de pessoas no mundo. Os medicamentos disponíveis conseguem controlar a infecção, mas raramente eliminam o vírus do organismo.
A abordagem, descrita no Nature Biomedical Engineering nessa segunda-feira (21/9), usa um sistema inspirado no CRISPR, mas sem cortar o DNA. A ferramenta é guiada até o material genético do vírus e adiciona marcas químicas que silenciam sua atividade. Com isso, o vírus deixa de produzir novas partículas.
O tratamento, chamado CRMA-1001, é transportado por nanopartículas lipídicas até as células do fígado. Ele atua tanto sobre o DNA viral livre quanto sobre fragmentos integrados ao genoma humano.
Em experimentos com camundongos, uma única aplicação reduziu proteínas e material genético do vírus. Em parte dos animais, esses níveis ficaram indetectáveis após seis meses.
O vírus da hepatite B consegue permanecer no organismo por longos períodos. Ele forma estruturas que ficam escondidas nas células do fígado e podem reativar a infecção mesmo após anos de tratamento.
Além disso, fragmentos do vírus podem se integrar ao DNA das células humanas. Esse processo está associado a alterações celulares e pode contribuir para o desenvolvimento de câncer hepático.
A segurança da terapia também foi avaliada em macacos. Houve aumento temporário de enzimas do fígado em doses mais altas, com retorno aos níveis normais em poucas semanas.
Um ensaio clínico já está em andamento em humanos, com aplicação intravenosa e diferentes doses. O objetivo inicial é avaliar segurança e resposta do organismo.
Os autores apontam que ainda é cedo para falar em cura. Mesmo assim, a técnica pode se tornar parte de uma combinação de tratamentos, caso consiga manter o vírus sob controle por períodos prolongados.
Arqueólogos encontraram novas evidências de que um complexo de quase 2.400 anos, no norte da Grécia, pode ser o local onde o filósofo Aristóteles ensinou Alexandre, o Grande, antes de o jovem se tornar um dos conquistadores mais conhecidos da Antiguidade. As descobertas foram divulgadas pelo Ministério da Cultura da Grécia.
O sítio fica na antiga cidade de Mieza, perto da atual Naousa, e corresponde ao chamado Ginásio Real, construído em meados do século 4º a.C., durante o reinado de Filipe II da Macedônia, pai de Alexandre.
A investigação sistemática começou em 2024, sob a direção da arqueóloga Angeliki Kottaridi. O complexo ocupa cerca de 30 mil metros quadrados e reúne estruturas destinadas ao ensino, à preparação física e à convivência dos jovens macedônios.
Na Grécia antiga, os ginásios não eram apenas locais para exercícios físicos, mas também espaços de educação e preparação dos jovens para a vida pública e militar.
As escavações revelaram uma área para exercícios, um estádio, corredores cobertos, sistemas de abastecimento de água e salas de ensino. Entre as estruturas está uma passagem coberta de aproximadamente 200 metros de comprimento, usada para atividades físicas.
Na área identificada pelos arqueólogos como “Didaskaleion”, termo relacionado ao espaço de ensino, foram encontradas salas com bancos de pedra onde os estudantes poderiam acompanhar as lições.
Os pesquisadores também recuperaram quatro estiletes usados para escrever, além de moedas, peças de cerâmica e elementos arquitetônicos, vestígios que ajudam a compreender como o complexo era utilizado.
Outro destaque é uma construção com mais de 160 metros quadrados, onde foram identificados dois andrones, ambientes destinados a banquetes e reuniões sociais.
As salas preservam pisos de mosaico e plataformas onde ficavam os leitos utilizados durante as refeições. Cada ambiente comportava dez leitos e podia receber pelo menos 20 pessoas. A técnica dos pisos apresenta semelhanças com a encontrada no palácio real de Aigai, importante centro da antiga Macedônia.
Elementos de arquitetura jônica e dórica também foram recuperados e poderão ajudar os pesquisadores a reconstruir a aparência original do complexo.
A ligação entre Mieza, Aristóteles e Alexandre é conhecida por registros históricos. Séculos depois dos acontecimentos, o escritor grego Plutarco relatou que Filipe II convocou Aristóteles para participar da educação do filho e que as aulas ocorreram em Mieza.
Durante muito tempo, outro ponto da região, conhecido como Santuário das Ninfas, foi associado à chamada Escola de Aristóteles. As pesquisas arqueológicas passaram, porém, a apontar o Ginásio Real como o candidato mais provável para o local das aulas, interpretação reforçada pelos achados recentes. Porém mais estudo serão necessário para a confirmação.
Alexandre tinha cerca de 13 anos quando Aristóteles foi chamado por Filipe II, em 343 a.C., para participar de sua formação e da educação de outros jovens de importantes famílias macedônicas. O príncipe assumiu o trono em 336 a.C. e, posteriormente, comandou campanhas militares que ampliaram o domínio da Macedônia.
As escavações continuam e devem fornecer mais informações sobre a organização e a função dos ambientes. Para os pesquisadores, os achados ajudam a reconstruir como funcionava um espaço dedicado à formação da elite macedônica e reforçam a possível ligação do local com um dos encontros entre professor e aluno mais conhecidos da Antiguidade.
