
As oscilações na pressão arterial ao longo do tempo podem estar associadas a maior risco de morte e de acidente vascular cerebral (AVC). A conclusão vem de uma análise com mais de 57 mil participantes do UK Biobank, no Reino Unido.
O estudo acompanhou os voluntários por cerca de cinco anos e avaliou como a pressão variava entre diferentes consultas. Os resultados foram apresentados na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, realizada em Milão, que acontece entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro.
Os pesquisadores observaram que quanto maior a variação da pressão entre as medições, maior foi o risco de morte por qualquer causa. Essa relação apareceu em diferentes formas de medir a pressão, como a sistólica e a diastólica, e se manteve mesmo após considerar fatores como a média da pressão e os níveis de glicose no sangue.
A cada aumento na variação da pressão sistólica, o risco de morte cresceu 11%. No caso da pressão diastólica, o aumento foi de 8%.
As oscilações também foram associadas ao risco de AVC. A probabilidade do evento foi maior entre pessoas com maior variação da pressão diastólica e da pressão média ao longo do tempo.
O estudo também analisou a combinação entre variação da pressão e níveis de açúcar no sangue. Pessoas com diabetes tipo 2 e maior oscilação da pressão sistólica apresentaram risco quase três vezes maior de morte em comparação com aquelas com glicose normal e pressão mais estável.
Entre participantes com pré-diabetes, a combinação com maior variação da pressão também foi associada a aumento do risco.
Segundo os autores, esses resultados não permitem separar completamente o efeito de cada fator, já que envolvem tanto a glicose quanto a pressão.
A pesquisa incluiu 57.611 pessoas com idade média de 55 anos. Todas tiveram a pressão medida no início e em pelo menos uma consulta posterior. Os cientistas analisaram o quanto esses valores mudaram entre as visitas.
Durante o acompanhamento, 571 participantes tiveram AVC e 1.460 morreram. Também foram avaliados casos de demência, mas não houve associação consistente com a variação da pressão.
Os autores destacam que o estudo mostra uma associação, mas não prova que as oscilações da pressão causem diretamente esses problemas. Ainda assim, os dados indicam que acompanhar não só a média, mas também a estabilidade da pressão ao longo do tempo pode ajudar a identificar pessoas com maior risco.
Pelas estimativas da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o Brasil tem em torno de 20 milhões de pessoas com a condição. Devido a esse índice, o país ocupa a sexta posição no ranking mundial de casos gerais. Uma forma de controlar a doença é por meio da alimentação, adoção de bons hábitos e do uso de medicamentos. Entretanto, alguns pacientes misturam outras fórmulas medicamentosas para obter maior efeito.
Para entender a respeito da combinação de medicamentos por pessoas com diabetes, a coluna Claudia Meireles entrevistou os endocrinologistas Ramon Marcelino e Marcela Cohen.
De acordo com o especialista, informar a população sobre a diabetes é fundamental: “Interações medicamentosas são complexas e exigem atenção constante do médico.”
Segundo o médico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), ao analisar as fórmulas usadas no próprio tratamento da diabetes, há combinações que merecem destaque. “A primeira é a de medicamentos redundantes, que agem pela mesma via. Juntos, não somam benefícios. Somam custo e risco”, sustenta.

Integrante do corpo clínico do Hospital DF Star, da Rede D’Or, Marcela faz uma ressalva: “O problema está principalmente em fazer essas combinações por conta própria, sem avaliação médica e sem ajuste das doses”. Os dois especialistas mencionam o mesmo exemplo de associação.
Ramon e Marcela abordam “a combinação de medicamentos da classe dos inibidores da enzima DPP-4, sitagliptina, linagliptina e vildagliptina, com medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, como semaglutida, dulaglutida ou liraglutida”.
A endocrinologista frisa que essa mistura não é recomendada por não oferecer benefício adicional relevante no controle da glicemia, ou seja, do açúcar no sangue.

“O exemplo mais comum é associar os inibidores da DPP-4, as chamadas gliptinas (sitagliptina, vildagliptina, saxagliptina, alogliptina, linagliptina), aos agonistas do receptor de GLP-1, as conhecidas ‘canetas emagrecedoras’, como a semaglutida (Ozempic, Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro). As gliptinas atuam no mesmo sistema, com potência muito menor. Usadas junto às canetas, não acrescentam nada ao tratamento”, esclarece o especialista.
Os médicos citam “outro ponto de atenção”. O endocrinologista do Hospital das Clínicas destaca que essa combinação não é proibida, mas exige cautela: “No caso, é o uso de insulina com sulfonilureias, como a gliclazida e a glibenclamida”. Ele pontua que a associação aumenta bastante o risco de hipoglicemia. “A glibenclamida, em especial, tem risco ainda maior, sobretudo em idosos”, complementa.
Marcela Cohen adiciona que essas combinações podem ser utilizadas em situações específicas, mas frequentemente exigem redução das doses e monitorização mais cuidadosa para evitar hipoglicemia.
A especialista, que atende no Hospital DF Star, avisa sobre o cuidado com a ingestão de medicamentos que não são especificamente para diabetes. “Alguns deles podem interferir na glicemia ou na ação das fórmulas antidiabéticas, como os corticoides, por exemplo”.

Conforme Ramon Marcelino, combinar medicamentos sem critério, abre-se mão da exatidão do que está sendo prescrito. “Deixa-se de saber quanto de cada fórmula o organismo realmente recebe”, argumenta. Ele detalha que o tratamento tende a não funcionar como deveria. “Se a absorção cai, o efeito diminui junto. E o paciente, muitas vezes, nem percebe”, alerta.
À avaliação, Marcela reitera ser um problema quando o indivíduo associa medicamentos por conta própria, duplica princípios ativos ou mantém doses que deveriam ter sido reduzidas após a introdução de uma medicação.
“Uma hipoglicemia importante, por exemplo, tende a representar um risco cardiovascular e neurológico, além de aumentar o risco de acidentes e quedas. Já determinados medicamentos podem provocar alterações gastrointestinais, desidratação ou outros efeitos que precisam ser avaliados individualmente”, endossa a médica.
De acordo com a especialista, algumas combinações são recomendadas atualmente por oferecerem benefícios não apenas para a glicemia, mas também para o peso, coração e rins. “Muitas vezes uma medicação apenas não é o suficiente para controlar o diabetes e atingir as metas de glicemia e hemoglobina glicada, sendo necessária essa associação”, defende.
Ao concluir, Marcela Cohen ressalta que, quando a combinação é bem indicada e acompanhada pelo endocrinologista, pode ser extremamente útil para a pessoa com diabetes e fazer parte do tratamento adequado da condição.

Cientistas conseguiram acompanhar como um glioblastoma cresce e modifica o ambiente ao redor dentro do cérebro. Com uma técnica de ultrassom, pesquisadores observaram alterações nos vasos sanguíneos, deslocamento de estruturas cerebrais e mudanças na atividade de regiões próximas ao tumor.
O estudo, publicado na
revista científica iScience
A pesquisa foi realizada em apenas três camundongos e, por isso, os resultados não podem ser diretamente aplicados a pacientes. O experimento funciona como uma prova de conceito para mostrar o potencial da técnica.
Os cientistas usaram células humanas U87, uma linhagem empregada como modelo experimental de glioblastoma. As células foram modificadas para produzir pequenas estruturas preenchidas por gás, que funcionaram como marcadores e ajudaram o ultrassom a identificar o tumor.
As células foram implantadas no tálamo esquerdo dos animais e os tumores foram acompanhados durante 11 dias. Conforme cresciam, eles deslocavam estruturas próximas, entre elas o núcleo geniculado lateral, região envolvida no processamento das informações visuais.
Mesmo com a deformação provocada pelo crescimento tumoral, os pesquisadores ainda conseguiram detectar respostas relacionadas a estímulos visuais. Os resultados mostram como o avanço do câncer pode modificar fisicamente regiões próximas sem necessariamente interromper de imediato toda a atividade local.
A comparação com a criação de um “ninho”, usada para descrever o fenômeno, é uma metáfora. O glioblastoma não constrói literalmente uma nova estrutura, mas seu crescimento altera progressivamente o ambiente cerebral ao redor.
Os sintomas variam de acordo com a localização do tumor no cérebro e costumam ser progressivos. Eles podem facilmente ser confundidos com os sintomas mais comuns do AVC. Entre os mais comuns, estão:
As imagens revelaram mudanças importantes na circulação sanguínea próxima ao tumor. Os pesquisadores observaram alterações na arquitetura dos vasos, aumento da tortuosidade e redução da velocidade do fluxo sanguíneo à medida que o glioblastoma avançava.
A técnica também identificou mudanças na conectividade funcional, medida que ajuda a avaliar como diferentes regiões do cérebro apresentam atividades coordenadas.
Ao reunir informações sobre o tumor, os vasos e a função cerebral em uma mesma plataforma, o ultrassom permitiu acompanhar diferentes efeitos da progressão do glioblastoma ao longo do tempo.
O método poderá ajudar pesquisadores a estudar como tumores cerebrais crescem e respondem a tratamentos, mas ainda está longe de representar uma ferramenta clínica comprovada para pacientes.
Entre as limitações, os próprios autores destacam o número reduzido de animais, o uso de apenas uma linhagem celular e a implantação do tumor em uma única região cerebral.
Novos estudos serão necessários para verificar os resultados em outros modelos e avaliar até onde a técnica poderá ser aplicada no acompanhamento do glioblastoma.
Nos últimos anos, o tema da saúde mental ganhou mais espaço no debate público, nas redes sociais e nos serviços de saúde. No fim de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que esses problemas estão mais presentes no dia a dia.
A dúvida que fica é se houve, de fato, um aumento dos casos ou se hoje se fala mais sobre o assunto. A resposta, segundo especialistas, não é simples e envolve diferentes fatores, que vão desde mudanças no diagnóstico até transformações sociais recentes.
Dados epidemiológicos apontam que houve, sim, crescimento de alguns transtornos, especialmente entre jovens. Segundo o psiquiatra Eduardo Perin, especialista em terapia cognitivo-comportamental (TCC), estudos indicam aumento de depressão, ansiedade e transtornos alimentares nas últimas décadas.
“Entre jovens de 10 a 24 anos, a prevalência de transtornos mentais aumentou cerca de 6,8% entre 1990 e 2021, e a depressão teve alta de aproximadamente 22,5%”, afirma.
Ao mesmo tempo, ele destaca que esse cenário não pode ser explicado apenas como um aumento da doença em si. “Parte do crescimento observado também está relacionada ao maior reconhecimento, à busca por tratamento, à redução do estigma e à ampliação dos diagnósticos”, diz.
A pandemia da Covid-19 também teve um papel importante nesse cenário. De acordo com Perin, houve aumento real de transtornos psiquiátricos durante o período, e não apenas de sintomas passageiros. “O Global Burden of Disease estimou aumento de cerca de 28% nos casos de depressão e 26% nos transtornos de ansiedade em 2020”, explica.
Além disso, estudos mostram que pessoas que tiveram Covid apresentaram maior risco de desenvolver problemas de saúde mental no ano seguinte, incluindo ansiedade, depressão e distúrbios do sono.
Outro ponto que ajuda a entender o aumento dos números é a forma como os transtornos são classificados. O psiquiatra Raphael Boechat, da Universidade de Brasília (UnB), destaca que mudanças nos critérios diagnósticos aumentaram o número de pessoas enquadradas em determinadas condições.
“Como exemplo podemos citar o autismo. Antes, a prevalência era muito baixa. Com a definição de espectro autista, esse número aumentou muito, porque passou a abranger mais pessoas”, afirma.
Segundo ele, isso não significa necessariamente que houve um aumento real de casos, mas sim uma ampliação das categorias diagnósticas.
A forma como cada pessoa percebe e relata o próprio sofrimento também influencia esse cenário. Para Boechat, há diferença entre sentir-se mal e ter um transtorno mental diagnosticável. “A percepção subjetiva varia muito. Nem todo sofrimento é um quadro clínico, e o diagnóstico precisa ser feito de forma cuidadosa”, aponta.
Ele também chama atenção para o uso crescente de testes e escalas. “Esses instrumentos ajudam, mas não foram feitos para fechar diagnóstico. Quando usados de forma isolada, podem gerar muitos falsos positivos”, ressalta.
As transformações no estilo de vida, especialmente o uso intenso de redes sociais, também entram na conta. O aumento do tempo online, combinado com menos interação presencial, pode contribuir para o agravamento de sintomas.
“As redes sociais são um fator que pode intensificar problemas de saúde mental, principalmente quando há exposição excessiva”, diz Boechat.
Entre os grupos mais afetados, os médicos apontam jovens, mulheres, pessoas com histórico de transtornos e indivíduos em situação de vulnerabilidade social.
Fatores como isolamento, insegurança financeira, desemprego, violência e dificuldades de acesso a tratamento ajudam a explicar esse cenário. No caso dos jovens, somam-se pressão social, ambiente digital e episódios de cyberbullying.
Perin destaca que o início mais precoce dos sintomas chama atenção. “Estamos vendo quadros aparecendo cada vez mais cedo, o que levanta preocupações sobre o impacto ao longo da vida”, afirma.
Para os especialistas, o aumento dos diagnósticos reflete uma combinação de fatores. Há sinais de crescimento real de alguns transtornos, mas também maior acesso à informação, mudanças nos critérios e redução do estigma.
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O campeão mundial de sinuca Graeme Dott foi condenado a sete anos de prisão nesta terça-feira (29), na Escócia, após ser considerado culpado de abusar sexualmente de duas crianças. A sentença foi proferida no Tribunal Superior de Edimburgo.
Dott, de 49 anos, havia sido condenado em agosto, após um julgamento de cinco dias no Tribunal Superior de Glasgow. O júri o considerou culpado por dois crimes de comportamento lascivo, indecente e libidinoso contra uma menina de nove anos e um menino de oito anos.
Os casos ocorreram em períodos diferentes. A menina foi alvo de abusos entre 1993 e 1996, enquanto os crimes contra o menino aconteceram entre 2006 e 2010. Segundo a acusação, Dott se expôs e tocou as duas vítimas de maneira inadequada.
Juiz fala em violação de confiança
Ao determinar a pena, o juiz Lord Harrower afirmou que as vítimas eram crianças vulneráveis e classificou a conduta de Dott como uma grave violação de confiança. O magistrado também disse que o comportamento apresentava características clássicas de aliciamento.
Harrower afirmou que os crimes retiraram das vítimas uma parcela significativa da infância. A pena de sete anos foi retroativa a 24 de agosto, quando Dott foi colocado em prisão preventiva. Ele também foi incluído no registro de criminosos sexuais da Escócia.
Durante o julgamento, Dott negou as acusações e afirmou que nunca havia agido de maneira inadequada com ninguém. Mesmo após a condenação, o ex-jogador continua mantendo sua declaração de inocência.
A defesa afirmou que Dott é pai de dois filhos e continua recebendo apoio de familiares e amigos. Também foi informado ao tribunal que ele recebeu ameaças enquanto estava preso e precisou ser transferido dentro do sistema penitenciário.
Dott foi campeão mundial em 2006
Dott se tornou profissional em 1994 e alcançou o principal título da carreira em 2006. Na decisão do Campeonato Mundial de Sinuca, disputada no Crucible Theatre, em Sheffield, o escocês derrotou Peter Ebdon por 18 a 14.
O ex-jogador também chegou à final em outras duas oportunidades. Em 2004, perdeu para Ronnie O'Sullivan. Seis anos depois, em 2010, foi derrotado pelo australiano Neil Robertson. Dott chegou a ocupar a segunda posição do ranking mundial na temporada 2007/08.
Condenação encerra vínculo com a sinuca
A carreira de Dott já havia sido afetada antes da sentença. A World Professional Billiards and Snooker Association (WPBSA), entidade que administra a modalidade, suspendeu o atleta depois que as acusações foram apresentadas, em 2025.
Após a condenação, a entidade revogou permanentemente sua filiação. O nome de Dott também foi retirado do Hall da Fama da sinuca.
Um jovem foi encontrado morto com marcas de tiros nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (28), em Joaquim Gomes, na Zona da Mata de Alagoas. O corpo estava às margens da estrada que liga o bairro João Batista da Hora ao bairro Cacimbas, em um trecho que passa por obras de pavimentação.
A vítima estava sem camisa e usando apenas um calção, às margens da estrada de barro. Segundo as primeiras informações repassadas pela polícia, havia pelo menos três perfurações provocadas por disparos de arma de fogo.
Uma guarnição da Polícia Militar foi acionada e esteve no local. A área foi isolada para a realização dos primeiros procedimentos e para preservar possíveis vestígios que possam ajudar na investigação.
O Instituto de Criminalística (IC) foi chamado para fazer a perícia no local, enquanto o Instituto Médico Legal (IML) ficou responsável pelo recolhimento do corpo.
Crime aconteceu durante a madrugada
As informações iniciais apontam que o homicídio pode ter acontecido durante a madrugada. Até o momento, porém, não foram esclarecidas as circunstâncias que antecederam a morte.
A vítima foi identificada inicialmente apenas pelo primeiro nome, João.
Também não há informações confirmadas sobre quem teria cometido o crime ou qual seria a motivação.
A hipercolesterolemia familiar é uma doença genética que faz o organismo manter níveis muito elevados de colesterol no sangue. Entre suas formas, está a hipercolesterolemia familiar homozigótica (HFHo), a manifestação mais grave e rara da condição. Nesses casos, os níveis de LDL, conhecido como “colesterol ruim”, podem permanecer extremamente elevados desde os primeiros anos de vida, aumentando a exposição das artérias ao colesterol e o risco de complicações cardiovasculares precoces.
O LDL é a partícula responsável por transportar colesterol pelo sangue. Em excesso, pode penetrar na parede das artérias e contribuir para a formação de placas de gordura, processo conhecido como aterosclerose. Na hipercolesterolemia familiar, alterações genéticas comprometem a capacidade do organismo de retirar o LDL da circulação. Na HFHo, esse comprometimento é mais intenso, o que explica as concentrações excepcionalmente altas da partícula e a possibilidade de alterações cardiovasculares ainda na infância e na adolescência.
“Na HFHo, o colesterol pode atingir níveis muito elevados desde os primeiros anos de vida. O paciente nem sempre apresenta sintomas, mas o excesso de LDL já pode estar contribuindo para um processo de aterosclerose. Por isso, diante de concentrações muito acima do esperado, principalmente em pessoas jovens, é importante investigar uma possível causa genética”, explica o Dr. Henrique Tria Bianco, presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Um dos principais desafios é reconhecer a condição, já que o colesterol elevado geralmente não provoca sintomas. A suspeita costuma partir de um exame de sangue, sobretudo quando o LDL aparece em concentrações muito acima do esperado. A avaliação também considera a idade em que a alteração foi identificada, o histórico pessoal de doenças cardiovasculares e a ocorrência de colesterol elevado ou eventos cardiovasculares precoces entre familiares.
Em algumas pessoas, níveis muito altos de colesterol podem estar associados a alterações visíveis, como os xantomas, pequenos depósitos de gordura que podem formar nódulos ou espessamentos amarelados na pele, inclusive sobre tendões. Outro possível sinal é o arco corneano, um círculo esbranquiçado ou acinzentado na borda do olho. Esses sinais não estão presentes em todos os pacientes e, por isso, sua ausência não exclui a doença.
A partir dessa avaliação, o médico pode solicitar outros exames para esclarecer o quadro. O teste genético, quando indicado, pode contribuir para confirmar a origem hereditária e identificar a alteração responsável pela condição. A combinação entre os resultados laboratoriais, as características clínicas e as informações sobre a família também ajuda a diferenciar a HFHo de outras causas de colesterol elevado e a estabelecer a necessidade de acompanhamento especializado.
“O diagnóstico muitas vezes começa com um resultado de dosagem de colesterol que chama atenção. O desafio é entender que aquele número pode representar algo além de uma alteração isolada. Quando há níveis extremamente elevados, principalmente em pacientes jovens ou com histórico familiar de eventos cardiovasculares precoces, é preciso investigar a possibilidade de hipercolesterolemia familiar e, nos casos mais graves, de HFHo”, afirma o Dr. Henrique Tria Bianco.

Quando a doença é identificada, a investigação não precisa terminar no paciente que chegou ao consultório. Por se tratar de uma condição hereditária, pais, irmãos, filhos e outros parentes podem apresentar a mesma alteração genética.
O chamado rastreamento em cascata permite avaliar familiares a partir de um caso já identificado e localizar pessoas que ainda não sabem que apresentam níveis elevados de LDL. A estratégia é importante porque possibilita iniciar a avaliação e o cuidado mais cedo, antes que surjam complicações cardiovasculares.
Com o diagnóstico estabelecido, o tratamento passa a fazer parte de uma rotina de cuidados que se estende por toda a vida. O objetivo é reduzir o LDL e, consequentemente, diminuir a exposição das artérias ao colesterol. Alimentação equilibrada, atividade física e outros hábitos associados à saúde cardiovascular são importantes, mas não corrigem a alteração genética. Por isso, pessoas com HFHo precisam de estratégias específicas para redução do LDL, definidas de acordo com a idade, a gravidade do quadro, os níveis de colesterol e a resposta individual ao tratamento.
Em situações de maior gravidade, pode ser indicada a aférese de LDL, procedimento invasivo que retira parte dessas partículas da circulação por meio da filtragem do sangue e que ainda tem disponibilidade limitada no país.
Como o controle precisa ser mantido continuamente, o cuidado pode envolver consultas periódicas, exames e diferentes estratégias terapêuticas ao longo dos anos. A avaliação regular permite acompanhar a resposta ao tratamento e ajustar a conduta de acordo com a evolução de cada paciente.
O acesso a esse cuidado também representa um desafio. Por ser uma condição rara e de alta complexidade, a HFHo exige profissionais familiarizados com a doença e pode demandar exames e tratamentos especializados. A disponibilidade dessas alternativas, assim como a continuidade do acompanhamento, é fundamental para manter o controle do LDL e reduzir o risco de complicações cardiovasculares ao longo da vida.
“O tratamento da HFHo precisa ser encarado como um cuidado de longo prazo. Não basta identificar a doença e reduzir o colesterol em um determinado momento. É necessário manter o controle ao longo dos anos, com acompanhamento especializado e acesso às estratégias terapêuticas adequadas para cada paciente. Esse cuidado contínuo é fundamental para reduzir o risco cardiovascular“, destaca o Dr. Henrique Tria Bianco.
Embora rara, a hipercolesterolemia familiar homozigótica pode ter consequências graves quando não é reconhecida e tratada de forma adequada. Por isso, concentrações extremamente elevadas de LDL, sobretudo quando identificadas desde os primeiros anos de vida ou em pessoas jovens, devem ser investigadas. A atenção aos antecedentes familiares também pode ajudar a encontrar outros casos. Para pacientes e familiares, reconhecer a possibilidade de uma condição hereditária é o primeiro passo para encurtar o caminho até o diagnóstico e garantir o cuidado necessário ao longo da vida.
Uma mulher de 47 anos foi assassinadas a pauladas, na noite desse domingo, 27, em um assentamento na zona rual de Olho d’Água do Casado, Sertão de Alagoas. O suspeito do crime foi preso.
De acordo com informações de testemunhas, o feminicídio teria sido registrado dentro da residência do próprio suspeito. Segundo os relatos, ele e a vítima se conheciam e tinham o hábito de consumir bebidas alcoólicas juntos.
Em nota, a Polícia Militar de Alagoas informou que foi acionada para o local. Equipes do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal também foram acionadas paras os trabalhos de perícia e recolhimento do corpo, respectivamente.
O caso deve ser investigado pela Polícia Civil de Alagoas. Até o momento, não há informações sobre a motivação do crime.
Vivemos em uma sociedade que ainda insiste em simplificar a obesidade como uma questão de força de vontade. Durante anos, ouvimos frases como: “basta fechar a boca”, “é só ter disciplina” ou “quem quer, consegue”. Mas a ciência já demonstrou que o excesso de peso é muito mais complexo do que uma simples escolha alimentar.
A obesidade é reconhecida como uma doença crônica, multifatorial e progressiva. Ela envolve fatores genéticos, hormonais, emocionais, ambientais, comportamentais e sociais. Isso significa que duas pessoas podem seguir a mesma dieta e obter resultados completamente diferentes.
O problema é que, enquanto a medicina e a ciência evoluíram, grande parte da sociedade continua presa a julgamentos que apenas aumentam a culpa e o sofrimento de quem enfrenta essa condição.
O ciclo da culpa e do efeito sanfona
Muitas pessoas passam anos alternando entre períodos de extrema restrição alimentar e momentos de descontrole. Fazem dietas radicais, eliminam grupos alimentares, seguem promessas milagrosas e, quando não conseguem sustentar aquele padrão, acreditam que falharam.
Na realidade, o que falhou foi o método.
O corpo humano não foi criado para viver em estado constante de privação. Quando submetido a restrições severas, ele desenvolve mecanismos de defesa para preservar energia, aumentar a fome e reduzir o gasto energético.
É por isso que tantas pessoas emagrecem rapidamente e recuperam o peso pouco tempo depois.
O chamado “efeito sanfona” não acontece porque falta caráter. Na maioria das vezes, ele acontece porque o processo utilizado foi incompatível com a vida real.
A saúde vai muito além da balança
Outro erro comum é acreditar que emagrecimento significa apenas perder peso.
Na prática clínica, observo frequentemente pacientes que melhoram exames laboratoriais, reduzem processos inflamatórios, recuperam energia, regulam o sono, aumentam massa muscular e desenvolvem uma relação mais saudável com a comida antes mesmo de grandes mudanças aparecerem na balança.
A saúde não pode ser resumida a um número.
Quando focamos apenas no peso, ignoramos conquistas importantes que realmente transformam a qualidade de vida.
O papel das novas estratégias no tratamento
Nos últimos anos, novas abordagens terapêuticas surgiram para auxiliar no tratamento da obesidade. Medicamentos modernos passaram a fazer parte da realidade de muitos pacientes, sempre sob acompanhamento profissional.
No entanto, é importante compreender que nenhuma medicação substitui hábitos saudáveis.
Não existe caneta, cápsula ou fórmula capaz de ensinar alguém a lidar com a fome emocional, organizar uma rotina alimentar ou construir hábitos sustentáveis.
A ferramenta pode ajudar. A transformação acontece através da mudança de comportamento.
O que realmente funciona?
Depois de anos acompanhando pacientes, uma verdade permanece constante: os melhores resultados não são os mais rápidos.
São aqueles construídos de forma consistente.
Pessoas que aprendem a se alimentar sem culpa, que entendem seus gatilhos, que respeitam seus limites e que desenvolvem uma rotina possível costumam manter os resultados por muito mais tempo.
Em vez de buscar a dieta perfeita, talvez a pergunta mais importante seja:
“Eu conseguiria viver assim pelos próximos cinco anos?”
Se a resposta for não, provavelmente não é uma estratégia sustentável.
Um novo olhar sobre o emagrecimento
Precisamos parar de tratar a obesidade como uma falha moral e começar a enxergá-la como uma condição que merece acolhimento, conhecimento científico e acompanhamento adequado.
O emagrecimento não deveria ser uma guerra contra o próprio corpo.
Deveria ser um processo de reconexão com a saúde, com a autoestima e com a qualidade de vida.
Quando a busca deixa de ser apenas pela balança e passa a ser pela construção de uma identidade saudável, os resultados se tornam mais duradouros e significativos.
Maiara Figueiredo é nutricionista, pós-graduada em Obesidade e Emagrecimento, com atuação voltada ao emagrecimento, mudança de hábitos e promoção da saúde. Acredita que a nutrição deve ser acessível, sustentável e livre de terrorismo nutricional. Atendimento presencial e online. Instagram: @maiarafigueiredo_nutri.
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
O advogado Igor Veloso de Sousa, suspeito de matar o próprio filho, Gustavo Feitosa Veloso, de 3 anos, será indiciado por vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. A informação foi divulgada pela Polícia Civil do Tocantins (PCTO) nesta segunda-feira (28/9), após a conclusão do inquérito.
A madrasta, Kathellen Moreira, também será indiciada por vicaricídio e fraude processual. Os dois estão presos desde 5 de agosto.

A investigação concluiu que Gustavo morreu após sofrer múltiplas agressões e violência sexual. Inicialmente, Igor relatou que o menino teria se afogado em uma piscina.
Com isso, a Justiça do estado determinou o trancamento definitivo da investigação contra Sabrina Silva Feitosa, mãe biológica da criança, e a advogada dela, Stella Bueno, por falta de justa causa.
Igor negou violência sexual e disse que lesões no ânus foram provocadas pelas agressões. A versão será confrontada com novos exames. Segundo a perícia, as lesões foram causadas por inserção de objetos e a criança ainda estava viva quando ocorreram, o que sustenta o indiciamento por estupro de vulnerável e tortura.
A investigação também apontou fraude processual. “Ficou claro que houve movimentação na cena do crime. Ajeitaram o corpo do menino para parecer que acordaram e encontraram ele morto”, disse Menezes.
O pedido de prisão foi feito 48 horas após a morte. Segundo a polícia, os dois esconderam celulares antes de serem detidos.
A Justiça tocantinense negou dois habeas corpus para Kathellen. Apesar de ter uma filha bebê, o Judiciário considerou que a criança está com a avó e que a gravidade dos fatos justifica a prisão.
A defesa de Igor e Kathellen afirma que discorda das imputações e que o indiciamento não representa conclusão definitiva de culpa. Segundo os advogados, as responsabilidades devem ser individualizadas e baseadas em provas técnicas, com garantia de ampla defesa.
Confira nota na íntegra:
“A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa e Kathellen Moreira da Silva informa que tomou conhecimento do indiciamento divulgado pela autoridade policial e analisará, com serenidade e responsabilidade, a íntegra do relatório final e os elementos utilizados para fundamentar suas conclusões.
Embora respeite o trabalho desenvolvido durante a investigação, a defesa discorda das imputações formuladas e ressalta que o indiciamento constitui manifestação da autoridade policial no âmbito do inquérito, não representando juízo definitivo de culpa.
Em uma investigação de elevada complexidade e repercussão, é indispensável que as condutas sejam rigorosamente individualizadas e que qualquer conclusão esteja amparada em provas técnicas seguras, sem presunções ou transferência automática de responsabilidade entre os investigados.
As questões fáticas, jurídicas e periciais serão enfrentadas no momento e no foro adequados, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. A defesa reafirma sua confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos no decorrer do processo.”
Corações transplantados podem mudar sua idade biológica após a cirurgia e passar a se comportar de acordo com o organismo do receptor. É o que indica um novo estudo que analisou esse processo em animais e em pacientes humanos.
Os resultados sugerem que órgãos mais velhos podem funcionar melhor do que se imaginava em pessoas mais jovens. A pesquisa, publicada no servidor de pré-impressão bioRxiv, ainda não foi revisada por pares.
Os cientistas avaliaram a chamada idade biológica, que reflete o desgaste das células ao longo do tempo. Para isso, analisaram alterações químicas no DNA associadas ao envelhecimento.
Em testes com camundongos, corações jovens transplantados para animais mais velhos passaram a apresentar sinais de envelhecimento mais rápido. Já corações de animais idosos mostraram sinais de rejuvenescimento quando transplantados para indivíduos jovens.
O mesmo efeito foi observado em pacientes. Em 11 casos analisados, com grande diferença de idade entre doador e receptor, os corações passaram a apresentar características biológicas mais próximas das pessoas que os receberam.
Os pesquisadores também observaram que o funcionamento do coração após o transplante se relaciona mais com a idade do receptor do que com a do doador, já que indicadores como frequência cardíaca, espessura do músculo cardíaco e capacidade de exercício passaram a acompanhar o perfil de quem recebeu o órgão.
Nem todas as características, porém, mudam com o tempo, o que sugere limites nesse processo de adaptação.
Os achados podem influenciar critérios usados na escolha de órgãos para transplante. Hoje, há preferência por doadores mais jovens, embora pessoas mais velhas também possam ser consideradas em alguns casos.
A possibilidade de adaptação biológica sugere que corações de doadores idosos podem ser usados com mais frequência, o que ajudaria a reduzir a fila de espera.
Ainda assim, os autores destacam que os resultados precisam ser confirmados em estudos maiores antes de qualquer mudança nas recomendações clínicas.
Uma falha no sistema de reparo do DNA em células reprodutivas femininas pode prejudicar o início do desenvolvimento do embrião e aumentar o surgimento de mutações. A conclusão vem de um estudo com camundongos que analisou o papel de uma proteína envolvida na correção de danos genéticos.
A pesquisa mostra que, mesmo com o crescimento e a fecundação ocorrendo normalmente, a ausência da proteína RAD51 compromete etapas logo após a formação do embrião. O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) com apoio de instituições internacionais e publicado em 3 de setembro na revista Molecular Human Reproduction.
Os ovócitos — células que dão origem aos óvulos — conseguem se desenvolver e ser fecundados mesmo sem a proteína. O problema aparece depois. Nos primeiros dias após a fecundação, o número de embriões viáveis diminui.
Nos experimentos, camundongos sem a proteína tiveram redução no número de filhotes. Enquanto os animais do grupo de comparação geraram de sete a oito descendentes, os demais tiveram de dois a três.
Além disso, os embriões que conseguem seguir o desenvolvimento apresentam mais mutações genéticas. Muitas dessas alterações surgem logo após a fecundação e não estão presentes nos pais.
O DNA pode sofrer quebras por diferentes motivos, como erros durante a divisão celular ou exposição a agentes externos. Em condições normais, as células usam um mecanismo preciso para corrigir esses danos, copiando a informação correta de uma sequência intacta.
Sem a RAD51, esse processo falha. A célula passa a usar caminhos alternativos, que apenas unem as partes quebradas sem conferir o código original. O reparo é menos preciso e aumenta a chance de erros no material genético.
Estudos anteriores já indicavam que a produção de proteínas ligadas ao reparo do DNA diminui com o envelhecimento. Esse processo está associado à redução da fertilidade e ao aumento do risco de alterações genéticas nas gerações seguintes.
Alterações nesses mecanismos também têm sido relacionadas a doenças raras e a maior risco de alguns tipos de câncer.
Os pesquisadores apontam que entender esse processo pode ajudar no desenvolvimento de estratégias em reprodução assistida. Uma das possibilidades em estudo é fornecer a proteína ou seu material genético ao óvulo antes da fertilização em laboratório, como forma de proteger o embrião nos primeiros dias.
A ideia ainda precisa ser testada, mas segundo os autores, pode contribuir para reduzir perdas gestacionais iniciais e a ocorrência de mutações nesse período.
A Unimed Maceió foi condenada a pagar R$ 5 mil de indenização por danos morais aos pais de uma criança com alergia à proteína do leite de vaca (APLV), por negar o fornecimento da fórmula infantil prescrita para o tratamento. Além da compensação moral, o valor de R$ 18.359,40 foi liberado para a autora, a título de danos materiais.
Em decisão anterior, a Justiça determinou o fornecimento da fórmula em 24 horas, sob pena de multa de R$ 500. No entanto, com o descumprimento da ordem, a multa diária foi elevada para R$ 5 mil e foi determinado o bloqueio de R$ 18.359,40, valor que compensou os gastos comprovados pela autora na compra de 60 latas da fórmula.
Segundo consta nos autos, a criança apresentava recusa alimentar, irritabilidade e baixo ganho de peso, tendo melhora nos sintomas após o uso da fórmula.
Apesar disso, a Unimed negou a cobertura sob o argumento de que se tratava de um alimento de uso domiciliar, não um medicamento. Sustentou também que o produto não está previsto no rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
O juiz Gilvan de Santana reforçou que a fórmula integra o tratamento da APLV e que sua ausência no rol da ANS não afastava a obrigatoriedade de cobertura.
“Tratando-se de lactente que apresentava, desde os primeiros dias de vida, recusa alimentar, irritabilidade e baixo ganho de peso, com melhora apenas com a fórmula prescrita, teve negada a cobertura, e a ré, mesmo após a tutela deferida, manteve a recusa por período que exigiu a majoração da multa e o bloqueio judicial de valores, o que, por si só, já autoriza o pagamento de indenização por dano moral”, ressaltou.
Além da indenização por danos morais, a sentença confirmou a decisão que havia determinado o fornecimento da fórmula pela Unimed Maceió.
Matéria referente ao processo nº 0700318-24.2026.8.02.0090
A Justiça de São Paulo acatou nesta semana um recurso da defesa de Lindemberg Alves, condenado a 39 anos de prisão pela morte da ex-namorada, Eloá Pimentel, para reduzir o tempo da pena na prisão, em Potim, no interior de São Paulo.
A redução foi acatada sob a alegação de que Lindemberg fez a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no ano passado. O pedido da defesa havia sido em feito em março deste ano.
Em julho, uma primeira decisão da Justiça havia rejeitado o pedido da defesa. Na ocasião, o magistrado citou que ele não havia atingido a pontuação mínima necessária para a aprovação.
A justificativa da defesa, no entanto, era de que Lindemberg atingiu a média de notas em quatro áreas de conhecimento da prova do Enem de 2025.
Em nota, a advogada Márcia Renata citou que a remição de pena pelo Enem "é um direito legítimo do reeducando que, durante o cumprimento da pena, demonstra compromisso com os estudos e com o processo de ressocialização".
"Valorizar quem estuda, busca conhecimento e se prepara para retornar à sociedade é justamente dar efetividade à finalidade ressocializadora da pena", concluiu.
Reduções anteriores
Ao todo, Lindemberg já conseguiu reduzir 887 dias da pena prevista. Segundo o último cálculo da pena, ao qual o g1 teve acesso, foram 465 dias remidos por trabalho na prisão, entre janeiro de 2009 e fevereiro de 2015, além de 313 dias, também por trabalho, entre novembro de 2015 e fevereiro de 2020.
A mais recente das reduções foi autorizada pela Justiça em março do ano passado. Diferente do novo pedido, o Ministério Público havia se manifestado favoravelmente ao pedido.
A redução de 109 dias foi referente ao trabalho realizado por Lindemberg na prisão entre 2021 e 2024, além dele ter feito curso de empreendedorismo.
🔍 A redução de pena é prevista em lei. Segundo a Lei de Execução Penal, cada detento tem o direito de remir 1 dia da pena a cada 3 dias trabalhados.
Caso Eloá
O crime aconteceu em 13 de outubro de 2008, em Santo André (SP). Na época, Lindemberg invadiu o apartamento onde morava Eloá e manteve ela, sua amiga Nayara Rodrigues e outros dois colegas de escola delas, reféns.
Eloá ficou cinco dias em cárcere privado, sob ameaças do namorado. Os outros reféns foram liberados, mas Nayara voltou ao local por orientação da polícia. No dia 17 de outubro de 2008, a polícia invadiu o local após escutar um ruído que seria de um tiro.
Antes da entrada da PM, o Lindemberg ainda conseguiu balear Nayara (que sobreviveu) e deu dois tiros em Eloá, que morreu.
Lindemberg foi preso em flagrante e, quatro anos depois, condenado a 98 anos de prisão. Em 2013, a pena dele foi reduzida para 39 anos.
Em 2021, o detento chegou a obter progressão ao regime semiaberto, mas o benefício foi revogado quatro meses depois. No fim de 2022, conseguiu progredir novamente ao semiaberto.
Foi identificado como Nailson Cesário dos Santos, de 52 anos, o motociclista que morreu após uma colisão envolvendo uma moto e um carro na noite desse domingo (27), na AL-487, na zona rural de Traipu, Agreste de Alagoas.
Militares do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) foram acionados para atender à ocorrência. A equipe realizou o isolamento do local e o controle do fluxo de veículos na rodovia.
O Instituto de Criminalística (IC) foi acionado para a perícia no local do acidente. O corpo de Nailson foi posteriormente recolhido pelo Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos de necropsia.
A dinâmica da colisão ainda não foi esclarecida. O caso será investigado pela Polícia Civil (PC).
