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O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta quinta-feira (12/3) que o país pode capturar território do Líbano caso o Hezbollah continue realizando ataques contra Israel.

“Avisei o presidente do Líbano que, se o governo libanês não souber como controlar o território e impedir que o Hezbollah ameace as comunidades do norte e atire contra Israel, nós mesmos tomaremos o território e faremos isso“, ameaçou.

Além disso, Israel reforçou que o Hezbollah “lançou ontem (11/3) pesados bombardeios contra o Estado de Israel, e o exército respondeu com força”.

Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram que “iniciaram uma onda de ataques contra a infraestrutura terrorista do Hezbollah em Beirute”.

Ataque

A declaração ocorre após o ataque israelense que atingiu o bairro de Ramlet al-Baydaa, em Beirute, deixando ao menos oito mortos e 21 feridos, conforme informou a mídia iraniana.

A mãe dos meninos mortos pelo secretário de Itumbiara desabafou sobre a morte dos filhos um mês após o crime. No dia 11 de fevereiro, Thales Machado, pai das crianças, atirou contra os filhos e se matou em seguida. Em entrevista exclusiva à TV Anhanguera, Sarah Araújo disse que é muito difícil seguir em frente e que ainda não consegue acreditar no que aconteceu.

"Até hoje não consigo acreditar. É muito difícil de olhar as fotos deles, os vídeos, e eles não estarem aqui. Eu não me conformo, ainda mais na forma que foi", disse a mãe.
O crime aconteceu na casa em que a família morava. Miguel Araújo Machado, de 12 anos, foi socorrido, mas morreu durante a madrugada. Benício Araújo Machado, de 8 anos, ficou internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual de Itumbiara, mas morreu dias depois.

Na entrevista, Sarah falou sobre a dificuldade de seguir sem os filhos e agradeceu buquê de rosas brancas que recebeu de um grupo que reúne mais de 300 mulheres de todo o país. As flores foram entregues a ela na casa do prefeito Dione Araújo, pai de Sarah, pela coordenadora da Casa da Mulher de Itumbiara.

"Quero agradecer a todas elas, a Josiane que está representando. Eu sinto muito o carinho de todas por mim, a solidariedade, sinto as orações, sinto que está me sustentando o apoio de todas elas", disse.

Mortos pelo secretário
Segundo a polícia, Thales atirou contra os filhos enquanto eles dormiam e, em seguida, contra si mesmo. Quando a polícia chegou ao local, o secretário já estava morto.

A família descobriu o crime após uma publicação feita pelo secretário nas redes sociais. O texto, que tinha tom de despedida, foi apagado posteriormente. Horas antes de atirar nos filhos, Thales publicou um vídeo nas com Miguel e Benício: "Que Deus abençoe sempre meus filhos, papai ama muito".

Segundo a polícia, o Dione foi o primeiro a ver os netos na cena do crime. O delegado Felipe Sales, responsável pela investigação, contou que o prefeito foi até a casa da família cerca de 20 minutos após a publicação de Thales que sugeria uma despedida.

Premeditação

Os homicídios ocorreram entre 23h39 e meia-noite. A Polícia Civil concluiu que os meninos estavam deitados com a face esquerda no travesseiro e que ambos foram baleados na têmpora direita. Depois de atirar nos filhos, Thales atirou na própria boca.

O secretário usou uma Glock G25 .380, registrada em seu nome, para cometer o crime. A polícia também identificou que ele comprou galões de gasolina naquele dia, que o combustível foi despejado na casa e que um isqueiro foi encontrado na cena do crime, apesar de o imóvel não ter sido incendiado.

Além desses fatos, que revelam a premeditação do crime, a polícia também descobriu que Thales teve um jantar com os pais naquela noite e que demonstrou um comportamento diferente.

"Os pais de Thales nos informaram que posteriormente aos fatos eles conseguiram observar que Thales ali, houve ali nesse jantar um tom de despedida, um carinho a mais, e que eles só conseguiram notar após os fatos", contou o delegado.

Comoção

A tragédia abalou Itumbiara e teve repercussão nacional, gerando forte comoção. Durante o último mês, Miguel e Benício receberam homenagens de amigos e familiares. Dione Araújo, avô das crianças fez um pronunciamento na última terça-feira (10).

“É uma perda irreparável, é algo que a gente não imagina na vida e a gente pede a Deus para que nos dê força para que eu possa, enquanto possível, cumprir com o meu papel como prefeito e, claro, um olhar também muito grande pra família", declarou durante coletiva de imprensa sobre programa de moradia em Itumbiara.

A Missa de 7º Dia, realizada na cidade, foi marcada por homenagens. Amigos de escola dos irmãos estavam vestidos com camisetas com a foto de Miguel e Benício. Ao final da missa, um grupo de mães caminhou pelas ruas como forma de apoio à mãe dos meninos.

Hoje em dia é muito comum ver paredes grafitadas pelas ruas, mas pesquisadores internacionais descobriram que a prática estava presente há dois mil anos. Ao analisar marcas em tumbas egípcias, foi constatado que elas pertenciam a visitantes da Índia, já que foram escritas em tâmil antigo, uma linguagem indiana.

Entre as escritas, o nome do turista “Cikai Korran” foi pichado oito vezes, quando ele visitou o Vale dos Reis, um ponto turístico no Egito onde eram sepultados faraós e nobres da época. No total, havia cerca de 30 marcas em três línguas indianas distintas nas tumbas analisadas da região.

Segundo os pesquisadores, as descobertas são uma forte evidência de que havia a presença de pessoas do sul asiático no Egito antigo.

Os achados foram publicados no livro “Tamil Epigraphy: A four-day international conference 11-14 February 2026, Proceedings Volume 1″ (Governo de Tamil Nadu, 2026). As descobertas foram apresentadas durante conferência realizada em fevereiro, na Índia.

Descoberta do texto dos turistas da Índia

As inscrições nas tumbas já haviam sido notadas anteriormente, porém somente agora pesquisadores conseguiram traduzi-las. A maioria estava escrita em tâmil antigo – um tipo de língua da Índia.

Outro achado que confirmou de fato que as marcas estavam escritas em indiano foi que um dos textos escritos por um homem chamado Indranandin dizia que ele era um “mensageiro do Rei Kshaharata”. Em entrevista ao portal Live Science, o pesquisador Ingo Strauch, um dos responsáveis pela tradução, afirma que essa dinastia ocorreu na Índia.

“É possível que Indranandin tenha chegado de navio a Berenike [na costa leste do Egito], talvez junto com outros indianos, e de lá tenha continuado para o interior até o Vale dos Reis”, sugere Strauch.

“Cikai Korran veio aqui e viu”

No entanto, o grande destaque das descobertas foi Cikai Korran. Com os dizeres: “Cikai Korran veio aqui e viu”. Ele pichou cinco túmulos distintos por oito vezes.

A pesquisadora Charlotte Schmid, que também ajudou na tradução dos textos, revela que ele gostava de deixar sua marca em lugares altos – uma delas estava a cerca de 5 a 6 metros de altura. Ainda não se sabe como Korran chegou tão alto.

Outro ponto que chamou a atenção foi que um dos túmulos marcados por ele tinha o acesso fechado à época e mesmo assim havia sua inscrição por lá. Também não foi identificado como Korran entrou no local.

Apesar de não saberem ao certo a identidade do homem, os pesquisadores apontam que ele pode ter sido um mercenário ou um comerciante, mas outras possibilidades também estão em aberto.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nessa segunda-feira (9/3) a comercialização do teplizumabe no Brasilprimeiro medicamento autorizado no país com ação direta sobre o processo que leva ao diabetes tipo 1.

A terapia representa uma mudança importante na forma de lidar com a doença, já que não se baseia na reposição de insulina, estratégia tradicional usada atualmente.

O remédio é indicado para adultos e crianças a partir dos 8 anos que estejam no estágio 2 da doença. Nessa fase, o organismo já apresenta alterações relacionadas ao diabetes tipo 1, como presença de autoanticorpos e mudanças nos níveis de glicose, mas os sintomas ainda não apareceram.

A proposta do tratamento é justamente retardar a evolução para o estágio seguinte da doença, quando a hiperglicemia se torna evidente e o diagnóstico clínico costuma ser feito.


O que é diabetes tipo 1?


Como o medicamento age no organismo?

O teplizumabe é um anticorpo monoclonal, um tipo de medicamento produzido em laboratório para atuar de forma específica em determinadas células do sistema imunológico.

Na diabetes tipo 1, o próprio sistema de defesa do organismo ataca e destrói as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Com o tempo, a perda dessas células impede o controle adequado da glicose no sangue.

O medicamento atua justamente nesse processo. Ao modular a resposta imunológica, ele ajuda a preservar parte das células beta, retardando a progressão da doença.

Estudos indicam que essa estratégia pode adiar o surgimento dos sintomas da diabetes tipo 1 por até dois anos em alguns pacientes.

Para famílias que convivem com alto risco da doença, esse intervalo pode representar mais tempo para se preparar para o tratamento e para as mudanças de rotina que costumam acompanhar o diagnóstico.

Como é feito o tratamento?

O teplizumabe é administrado por infusão intravenosa, geralmente em ambiente hospitalar ou ambulatorial. O tratamento é feito uma vez ao dia durante duas semanas consecutivas.

Por atuar diretamente no sistema imunológico, o medicamento é considerado um imunomodulador. Isso significa que ele modifica a forma como o organismo responde ao processo que leva ao diabetes tipo 1.

A terapia não substitui completamente a necessidade de insulina quando a doença já está instalada. O principal objetivo é retardar a progressão da condição antes que os sintomas apareçam.

Normalmente usadas na culinária devido às suas propriedades, as algas marinhas também têm potencial para impedir infecções por norovírus, ao criar uma barreira protetora no corpo. A contaminação causada pelo microrganismo é a responsável por provocar gastroenterite aguda, uma condição caracterizada por náuseas, vômitos, diarreia aquosa, febre, dores no estômago, de cabeça e musculares.

Atualmente, não há vacinas ou tratamentos antivirais capazes de combater o norovírus humano. Estima-se que ele cause mais de 685 milhões de infecções por ano pelo mundo todo. A descoberta da capacidade das algas é importante para prevenir novos surtos.

O achado sobre os organismos marinhos foi liderado pela Universidade Griffith e a empresa de biotecnologia Marinova, ambas da Austrália. Os resultados foram publicados na revista Microbiology Spectrum nessa segunda-feira (9/3).

Como as algas marinhas agem contra a gastroenterite

A investigação focou nos compostos de algas marinhas verdes e marrons. O objetivo era analisar se eles conseguiam bloquear a gastroenterite ainda nos primeiros estágios infecciosos. Em comunicado, o autor principal do estudo, Grant Hansman, explica que, para nos contaminar, o norovírus se liga a moléculas no intestino chamadas antígenos de grupos sanguíneos histológicos (HBGAs).

Durante testes, a equipe verificou se o fucoidan, composto das algas marrons, e ulvan, composto das algas verdes, eram eficazes para atrapalhar a ligação de partículas semelhantes ao norovírus a amostras de saliva humana com HBGAs.

“O fucoidan, extraído de algas marrons, demonstrou a atividade de bloqueio mais forte e consistente contra duas cepas principais de norovírus, GII.4 e GII.17”, afirma Hansman.

Segundo o pesquisador, o próprio composto das algas marrons se liga ao ponto de fixação do HBGA, formando uma barreira de proteção e dificultando a ação do vírus.

Os próximos passos devem focar em como o fucoidan pode ser produzido de forma que seus efeitos protetores sejam maximizados. O composto já é utilizado em alguns suplementos alimentares atuais e demonstrou ter boa aceitação em estudos com humanos.

“Nosso estudo destaca que o fucoidan pode ser um tratamento natural promissor para a prevenção da infecção por norovírus”, aponta o coautor do estudo, Thomas Haselhorst, da Universidade Griffith.

O Governo de Alagoas decretou situação de emergência no município de Piranhas em razão dos impactos provocados pelas fortes chuvas que atingiram a região no fim de fevereiro. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 107.250, publicado no Diário Oficial do Estado e assinado pelo governador Paulo Dantas.

De acordo com o decreto, a situação de emergência terá validade de 180 dias e foi motivada pelas enxurradas registradas entre os dias 26 e 28 de fevereiro, quando o volume de chuvas superou a média histórica para o período. O excesso de precipitações provocou alagamentos em áreas urbanas e rurais, transbordamento de canais de drenagem e sobrecarga no sistema pluvial do município. Duas pessoas perderam a vida.

Os efeitos das chuvas resultaram em danos humanos, materiais e ambientais, além de prejuízos a estruturas públicas e propriedades privadas. Relatórios técnicos elaborados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Alagoas apontaram o aumento expressivo das precipitações, enquanto a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Alagoas confirmou, em parecer técnico emitido no início de março, a necessidade de reconhecimento da situação emergencial.

Com a decretação da emergência, órgãos estaduais que atuam nas áreas atingidas poderão adotar, em conjunto com a Prefeitura de Piranhas, medidas imediatas de resposta e assistência à população afetada. A iniciativa também facilita a mobilização de recursos e a execução de ações voltadas à recuperação das áreas prejudicadas.

A medida segue diretrizes da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil e tem como objetivo garantir condições para que o Estado e o Município atuem de forma integrada no enfrentamento dos efeitos provocados pelas chuvas intensas. A situação de anormalidade é válida apenas para as áreas do município comprovadamente afetadas pelo desastre.

Um homem, que não teve a idade divulgada, foi condenado pela Justiça a 29 anos de prisão por crimes sexuais virtuais contra uma menina de 9 anos, moradora de Barreiras (BA). De acordo com a investigação conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), da PCDF, o pedófilo se passava por uma criança e dizia se chamar “Clarinha”.

Com a falsa identidade, a Polícia Civil revelou que o criminoso começou a conversar com as vítimas por meio de um perfil falso na rede social Kwai. Após os primeiros contatos, a conversa foi migrada para o WhatsApp, onde ele passou a manipular a vítima com um “desafio”.

A menina e outras vítimas tinham que passar por 60 fases: quem vencesse seria premiada com uma grande quantia em dinheiro. Além disso, a ganhadora iria aumentar o número de seguidores nas redes sociais.

Cada fase consistia no envio de fotos e vídeos de práticas libidinosas, algumas severas, nas quais a criança expunha sua nudez e praticava atos contra a própria segurança física e intimidade. Até a descoberta, a vítima foi incitada passar cerca de 40 “fases”, cada uma expressa em um ato libidinoso diverso e exposto ao agressor.

Na sentença, a Justiça destacou que o crime de estupro de vulnerável pode ocorrer mesmo sem contato físico, quando o agressor induz ou dirige a prática de atos libidinosos para satisfazer sua própria lascívia, violando a dignidade sexual da vítima.

O réu foi condenado por estupro de vulnerável (art. 217-A do Código Penal), além dos crimes de produção, compartilhamento e posse de pornografia infantil, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente. Somadas, as penas totalizam 28 anos e 10 meses de prisão, além de multa.

A PCDF segue investigando outras prováveis vítimas do autor, que podem ser de qualquer unidade da Federação.

 

A Justiça de Santos, no litoral de São Paulo, condenou um homem a pagar R$ 6 mil à ex-namorada, em uma indenização por danos morais, após xingá-la por meio de mensagens em transferências via Pix.

O homem encaminhou 11 mensagens à mulher. As transações foram feitas em fevereiro de 2024, após o término do relacionamento. Nas capturas de tela, obtidas pelo g1, é possível ver que ele enviou os xingamentos em transferências de R$ 10.

Além dos valores, o homem enviou xingamentos em mensagens ao pai da vítima. Ele chamou a mulher de "infiel" e disse que o "namoradinho baiano" dela havia tomado uma "coça". Há outro processo, este em segredo de Justiça, em que o homem é acusado de agredir um colega de trabalho dela.

Decisão

A juíza Rejane Rodrigues Lage, da 9ª Vara Cível de Santos, decidiu pela condenação no dia 20 de janeiro.

“O réu, com sua conduta, agiu com manifesto dolo de ofender e humilhar a autora, utilizando-se de diversas transações bancárias PIX – para proferir xingamentos. Tal conduta extrapolou os limites de um mero desentendimento ou dissabor cotidiano”, destacou Rejane.

Segundo a defesa da vítima, o homem não aceitou o término do relacionamento e também agrediu um colega de trabalho dela em fevereiro de 2024, além de persegui-la na academia diversas vezes. Um boletim foi registrado e a mulher obteve uma medida protetiva.

O homem, porém, contestou a versão e disse que a mulher não aceitava o término da relação. Ele citou à Justiça um boletim de ocorrência que registrou contra a ex-companheira alegando que ela foi ao seu apartamento e o agrediu.

A vítima havia solicitado uma reparação de 20 salários mínimos [cerca de R$ 30 mil], mas a juíza fixou a indenização em R$ 6 mil após entender que ela não conseguiu comprovar as outras denúncias.

Recursos

Apesar da condenação por danos morais em razão das mensagens, a vítima entrou com recurso para aumentar a indenização para R$ 15 mil. "O montante, embora reconheça a ocorrência do dano, mostra-se manifestamente insuficiente para cumprir as funções compensatória, punitiva e pedagógica da responsabilidade civil", concluiu a defesa dela.

O homem, por sua vez, entrou com recurso ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) solicitando que as capturas de tela passem por uma perícia para verificar a autenticidade. O caso será julgado pela 4ª Câmara de Direito Privado.

Rejane, porém, chegou a declarar na sentença que os comprovantes eram “um documento formal dotado de elementos de autenticidade (ID da transação, CPF do pagador e do recebedor, data e hora), que confere um grau de confiabilidade extremamente alto à prova”.

O g1 entrou em contato com a defesa do homem em busca de um posicionamento, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Os representantes da vítima não foram localizados.

 

Quando em 1986, o mergulhador japonês Kihachiro Aratake encontrou uma formação rochosa com estruturas retangulares bem definidas debaixo d’água, ele não imaginava que a origem daquele achado seria alvo de discussão até hoje. A detecção ocorreu há quatro décadas na costa de Yonaguni, no Japão.

Mesmo que a maioria dos cientistas atuais apontem que as rochas subaquáticas foram produzidas através de processos naturais, outras correntes científicas defendem que elas têm origem humana. O local foi batizado como Monumento de Yonaguni.

As investigações começaram há 40 anos, assim que Aratake achou as rochas. À primeira vista, o mergulhador imaginou que elas tinham origem humana pela escultura ter até degraus retos. Como não tinha certeza, à época ele acionou pesquisadores da Universidade de Ryūkyūs, no Japão, para obter mais investigações, o que gerou uma onda de teorias não apenas dos cientistas da instituição.

Teorias sobre a formação do monumento subaquático

Entre as principais teorias atuais que defendem a origem humana da construção, está a do biólogo marinho japonês Masaaki Kimura. Em seu livro “O Continente de Mu estava em Ryukyu” (1997), ele aponta que a estrutura pode ter sido construída por uma civilização antiga devido às formas geométricas detalhistas do local. As informações são do portal IFL Science.

Segundo Kimura,o monumento estava localizado no continente perdido de Mu, uma suposta massa de terra no Oceano Pacífico que teria abrigado uma civilização antiga e que submergiu após uma catástrofe natural de grandes proporções.

Outras teses que apontam uma origem humana no monumento indicam que ela pode ter sido construída entre 10 mil e 14 mil anos. Porém, nenhuma civilização conhecida até hoje na região tinha tamanha capacidade para construir uma estrutura como a de Yonaguni.

A ideia mais aceita, atualmente, entre os cientistas pelo mundo é que a estrutura subaquática foi formada por processos geológicos naturais.

O pesquisador Robert Schoch, da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, que realizou mergulhos no local, afirma que a geologia básica e a estratigrafia clássica explicam o motivo da estrutura apresentar bordas tão retas que parecem até terem sido planejadas.

“Quanto mais eu comparava as características naturais, porém altamente regulares, de intemperismo e erosão observadas na costa moderna da ilha com as características estruturais do Monumento de Yonaguni, mais me convencia de que o Monumento de Yonaguni é principalmente o resultado de processos geológicos e geomorfológicos naturais em ação”, afirmou Schoch, em comunicado divulgado em seu próprio site.

Apesar do consenso atual, a expectativa é que estudos mais aprofundados na região revelem cada vez mais detalhes sobre o monumento. Diante de tanto mistério e com aparência peculiar, a estrutura subaquática é considerada um ponto turístico no Japão.

A análise de um fóssil encontrado no norte da Patagônia, na Argentina, ajudou os cientistas a compreender melhor a evolução das características físicas e de distribuição dos alvarezsauros, um grupo de dinossauros pequenos semelhante às aves modernas.

Ao contrário da maioria dos exemplares, que tinham dentes pequenos e braços curtos, o Alnashetri cerropoliciensis encontrado tinha braços longos e dentição maiorO animal foi achado em 2014, mas o estudo de longa duração só foi publicado no final de fevereiro deste ano.

“Agora temos um ponto de referência que nos permite identificar com precisão achados mais fragmentados e mapear transições evolutivas na anatomia e no tamanho corporal”, destaca o autor principal do estudo, Peter Makovicky, em comunicado.

O trabalho de análise foi liderado por Makovicky, da Universidade de Minnesota Twin Cities, nos Estados Unidos, e pelo paleontólogo Sebastian Apesteguía, da Universidade Maimónides, na Argentina. Os resultados foram publicados na revista Nature.

Evolução de um dos menores grupos de dinossauros

Por ter características frágeis, o estudo da espécie foi um processo lento e cuidadoso. Tratava-se de indivíduo adulto e com pelo menos quatro anos. Pesando menos de 900 gramas, o dinossauro é considerado um dos menores já achados na América do Sul.

Os resultados da investigação sugerem que os atributos dos alvarezsauros diminuíram com o tempo para possivelmente facilitar a caça de formigas, base da dieta deles.

Além disso, ao comparar o fóssil com outros de museus na América do Norte e na Europa, estima-se que eles surgiram antes do que se imaginava. A principal hipótese é que o grupo se disseminou pelo mundo através da Pangeia, quando quase todos os continentes estavam interligados na Terra, há de cerca de 300 a 200 milhões de anos.

Outros esqueletos foram encontrados no sítio arqueológico argentino La Buitrera, local onde ocorreu a detecção do fóssil de Alnashetri cerropoliciensis. “Já encontramos ali o próximo capítulo da história dos alvarezsaurídeos, e ele está sendo preparado neste momento em laboratório”, afirma Makovicky.

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou com penas de mais de 30 anos em regime fechado dois homens acusados de matar a jovem Beatriz Sorrilha Munhos, de 20 anos, em novembro de 2025, em Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo.

CNN Brasil teve acesso a sentença judicial nesta terça-feira (10).

No último dia 5 de março, Isaias Bispo de Souza e Lucas Kauan da Silva Pereira foram condenados pelos crimes de latrocínio consumado e roubo majorado. O primeiro réu responderá por 31 anos e 6 meses de reclusão, além do pagamento de 15 dias de multa.

Já seu comparsa responderá a 30 anos e 4 meses, também com pagamento de multa.

Segundo a investigação, eles armaram uma emboscada planejada por meio de um anúncio falso de venda de drone em redes sociais, que atraíram a jovem, o namorado dela e seu pai -- que acompanhava os dois -- até o local do crime.

Em seus interrogatórios, ambos os réus confessaram a prática dos crimes de latrocínio e roubo de celular do companheiro da jovem. Isaias admitiu ter efetuado o disparo contra a vítima, alegando ter se assustado quando Beatriz utilizou um spray de pimenta contra ele. Lucas também confirmou sua participação como condutor da motocicleta em que eles utilizaram para assaltar o casal.

O juízo concluiu que a prova testemunhal do pai e do namorado, quanto a câmera de segurança da rua e o celular da vítima encontrado com os criminosos, foi desfavorável aos réus e que não restavam dúvidas sobre a autoria do crime.

Lucas está desde o dia 3 de novembro de 2025. Já Isaías, que havia fugido para a Bahia após o assassinato, foi identificado e preso no estado no dia 18 de novembro do ano passado.

Relembre o caso

O latrocínio ocorreu na noite de 1º de novembro. Beatriz, que era natural de Sorocaba, no interior paulista, estava acompanhada de seu pai, Lucas Munhos, e de seu namorado, aguardando o suposto comprador do drone, quando foram surpreendidos pelos assaltantes.

Imagens de câmeras de segurança registraram toda a ação, mostrando quando um dos criminosos, utilizando uma bolsa térmica vermelha semelhante à de entregadores de aplicativo, desceu da moto com a arma na mão.

Durante a abordagem, o assaltante armado rendeu o namorado e o levou até o carro da família, enquanto o comparsa permaneceu na moto rendendo o pai da jovem, de quem roubaram o aparelho celular.

Beatriz desceu do veículo e tentou atingir o criminoso armado com um spray de pimenta. Neste momento, o homem disparou contra a cabeça da estudante. O namorado ainda tentou segurar um dos ladrões puxando a mochila que ele carregava, mas a dupla conseguiu fugir na motocicleta, abandoning a bolsa térmica no local do crime.

Beatriz chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Estadual de Sapopemba, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. Posteriormente, a PM (Polícia Militar) localizou e apreendeu a motocicleta utilizada na fuga.

Uma mulher de 44 anos de idade foi resgatada com vida, no começo da tarde desta terça-feira, 10, após se afogar na piscina de um condomínio, em Marechal Deodoro, na região Metropolitana de Maceió. As informações foram confirmadas pelo Corpo de Bombeiros. O TNH1 apurou que o estado dela é grave, porém estável.

A corporação recebeu o chamado às 13h14 e enviou sete militares para ocorrência. O Departamento Estadual de Aviação (DEA) também destacou o helicóptero Falcão 05 para agilizar no socorro.

"Ao chegar no local os guarda-vidas encontraram a vítima já fora da piscina de um condomínio em Marechal Deodoro, recebendo massagem cardíaca de um civil. Os militares do CBMAL fizeram o atendimento e continuaram a RCP (Ressuscitação Cardiopulmonar) até a chegada do suporte médico da guarnição do aéreo (Falcão 05). A vítima, uma mulher de 44 anos, recebeu o atendimento médico e foi conduzida pelo helicóptero para o HGE, para os cuidados médicos especializados".

A reportagem está tentando apurar mais informações sobre o estado de saúde da vítima junto ao Hospital Geral do Estado.

Polícia Civil pediu a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da policial militar (PM) Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro na residência onde o casal morava no Brás, centro da capital. O pedido é analisado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Polícia pede prisão de coronel casado com PM morta com tiro na cabeça - destaque galeria

Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta

Gisele Alves Santana tinha 32 anos
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Mensagens trocadas pelo oficial indicam que o  tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, monitorava conversas de Gisele Alves

O caso vinha sendo tratado pela polícia como morte suspeita, após, inicialmente, ser registrado como suicídio. O coronel Geraldo disse, em depoimento, que a mulher havia se matado após uma discussão em que ele teria anunciado que queria se separar. Ele alegou que estava no banho quando escutou o tiro, e ao sair do banheiro encontrou a mulher ferida na sala — a família da PM contesta essa versão.

Gisele chegou a ser socorrida, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.

Perícias e imagens de câmeras de segurança, além de depoimentos de testemunhas, integram o conjunto de provas que tentam reconstruir o que aconteceu no apartamento no dia do crime.

Laudo aponta esganadura

O laudo necroscópico do corpo de Gisele revelou a presença de lesões no pescoço e rosto da vítima, apresentando sinais de que ela teria desmaiado pouco antes de ser baleada na cabeça.

No documento, elaborado após a exumação do corpo da vítima realizada na última sexta-feira (6/3), consta que as lesões teriam sido feitas por meio de “pressão digital e escoriação compatível com marcas de unha”.

Pessoas entraram no imóvel

No depoimento de uma testemunha obtido pelo Metrópoles, a inspetora do condomínio em que o casal vivia, Fabiana, contou que diversas pessoas foram até o apartamento após a morte da soldado.

Segundo o relato, três policiais teriam ido até o imóvel às 17h48 do mesmo dia para realizar a limpeza do local.

No relato consta também que o coronel Geraldo Rosa Neto teria retornado ao apartamento no mesmo dia para buscar alguns pertences antes de ir para São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

A mesma testemunha relatou, ainda, que logo após o atendimento inicial à vítima, o coronel havia permanecido no corredor do prédio enquanto falava ao telefone, além de conversar com policiais que atendiam a ocorrência. Em certo momento, ao saber que ela ainda estava viva, ele teria dito que “ela não ia sobreviver”.

Investigação da morte

Gisele Alves Santana foi baleada por uma arma de fogo em seu apartamento por volta das 7h. Equipes de resgate foram enviadas até o local para realizar manobras de reanimação. Ela foi encaminhada em estado gravíssimo ao Hospital das Clínicas, mas morreu por volta das 12h do dia 18 em decorrência de um traumatismo cranioencefálico.

O marido, tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, afirmou à polícia que estava no banheiro tomando banho quando ouviu um barulho e, ao sair do cômodo, encontrou a esposa caída no chão da sala, com a arma nas mãos.

Depoimentos contraditórios

O coronel afirmou ter acionado o resgate da PM e a presença de um amigo desembargador para comparecer ao local. Um delegado chegou a questionar o fato de o marido ter retornado ao apartamento para tomar banho e, em resposta, o militar argumentou que “passaria um longo período fora de casa”.

Ainda segundo seu depoimento, Geraldo afirmou que não era aceito pela família da esposa e já havia entrado com pedido de divórcio, fato que teria causado “reação negativa” na companheira — o que, segundo ele, teria motivado o suposto suicídio.

Já o depoimento da mãe de Gisele refutou a versão do genro. Ela afirmou que o casal vivia um “relacionamento conturbado” e que o tenente-coronel era “abusivo e violento”. Ela disse que o marido não deixava a filha usar batom e salto alto.

A mãe alegou ainda que, uma semana antes do ocorrido, a filha teria pedido, em ligação, que os pais a buscassem por “não suportar a pressão” e por querer se separar.

O laudo necroscópico feito após a exumação do corpo da policial militar Gisele Santana, encontrada morta em casa com um tiro na cabeça, apontou que havia lesões no rosto e no pescoço da vítima. Segundo peritos, há sinais de que ela desmaiou antes de ser baleada na cabeça e que não apresentou defesa.

O documento obtido com exclusividade pela TV Globo diz que essas lesões eram "contundentes" e feitas "por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal" (marcas de unha).

A PM, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central da capital. Ele estava no local e foi quem acionou o socorro. A defesa dele ainda não se pronunciou sobre o resultado do laudo.

O caso foi registrado inicialmente como suicídio, mas passou a ser investigado como morte suspeita após a família dela contestar essa versão. O corpo dela foi, então, exumado e passou por novos exames nno sábado (7) no Instituto Médico-Legal (IML) Central da capital, incluindo uma tomografia.

Horário da morte

Alguns pontos chamam a atenção dos investigadores sobre a morte. Um deles é o horário da morte. Uma vizinha do casal afirmou à polícia que acordou às 7h28 depois de ouvir um estampido único e forte vindo do apartamento.

Isso aconteceu cerca de meia hora antes da primeira ligação feita pelo marido da vítima ao serviço de emergência. Na chamada para a PM, registrada às 7h57, ele disse que a esposa havia se matado.

“Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor”, afirmou Neto na ligação.

Minutos depois, às 8h05, ele ligou para o Corpo de Bombeiros e disse que a mulher ainda estava respirando. As equipes chegaram ao local às 8h13.

Posição da arma

Outro questionamento é sobre o disparo. Um dos socorristas relatou que a arma parecia estar "bem encaixada" na mão da mulher, de uma forma que nunca havia visto em casos de suicídio. Por achar a cena incomum, decidiu fotografá-la.

O profissional também afirmou que o sangue já estava coagulado quando a equipe chegou ao apartamento e que não havia cartucho de bala no local.

Banho

No mesmo inquérito da Polícia Civil, depoimentos de socorristas que atenderam a ocorrência levantam questionamentos sobre a versão apresentada pelo marido da vítima.

Em depoimento, o oficial afirmou que estava no banho no momento em que ouviu o disparo, mas os primeiros bombeiros que chegaram ao local disseram que ele estava seco e que não havia marcas de água no chão do apartamento.

O tenente-coronel disse que entrou no banheiro para tomar banho por volta das 7h e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho que pensou ser de uma porta batendo. Ao sair do banheiro, afirmou ter encontrado Gisele caída na sala.

Um sargento do Corpo de Bombeiros com 15 anos de experiência relatou que, ao chegar ao apartamento, encontrou Geraldo de bermuda, sem camisa e inteiramente seco.

"O declarante afirma que não havia nenhum tipo de pegada molhada que indicasse que o Tenente-Coronel teria saído imediatamente durante o banho, inclusive ele estava seco"
— registrou o socorrista em depoimento.

Ele também afirmou que o chuveiro do banheiro do corredor estava ligado, mas não havia poças de água no chão ou no corredor.

A observação foi reforçada por um tenente da PM cuja equipe foi a primeira a chegar ao local dos fatos. Ele apontou que nem Geraldo nem Gisele aparentavam estar molhados ou terem tomado banho antes do disparo.

Conduta e falta de desespero

Outro ponto que chamou a atenção da equipe de resgate foi o estado emocional do marido. O sargento do Corpo de Bombeiros afirmou que não viu nenhum tipo de desespero por parte do tenente-coronel nem o viu chorando.

Um segundo bombeiro também estranhou a conduta do marido porque ele "falava calmamente" ao telefone, questionava a todo momento o atendimento prestado pelos bombeiros e insistia que a vítima fosse retirada com pressa e levada imediatamente ao hospital.

Os socorristas também observaram que o oficial não apresentava nenhuma marca de sangue no corpo ou nas vestimentas, o que indicaria que ele não teria tentado prestar os primeiros socorros à esposa.

Ligação para desembargador

Entre os contatos feitos por Geraldo na manhã da ocorrência, um deles chamou a atenção da família da policial: a ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Ele chegou ao prédio às 9h07 e subiu para o apartamento com o tenente-coronel. O advogado da família, José Miguel da Silva Junior, questiona a presença do magistrado no local.

“Ele vai ter que explicar por que estava lá. Pelo relato que temos, o desembargador foi a primeira pessoa acionada após o disparo.”

9h18: o desembargador reaparece no corredor.
9h29: Após 11 minutos, o tenente-coronel surge com outra roupa.

O que dizem as defesas

Em nota divulgada antes do laudo feito após a exumação, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto afirma que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo até o momento. Segundo os advogados, o oficial tem colaborado com as autoridades desde o início e permanece à disposição para ajudar na elucidação dos fatos.

Já a defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou que ele foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia judiciária.

O caso, inicialmente registrado como suicídio, segue sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar.

 

A vitamina B12 é uma das engrenagens mais silenciosas e fundamentais da saúde humana. Responsável por manter a integridade dos nervos e a produção de energia, sua ausência não costuma fazer barulho imediato, mas deixa rastros físicos e cognitivos que muitas vezes são confundidos com o estresse do cotidiano. De acordo com especialistas, o monitoramento preventivo é a única forma de evitar danos neurológicos que, em casos graves, podem se tornar irreversíveis.

Entenda

O escudo do sistema nervoso

A principal função da B12 está na manutenção da bainha de mielina. Em entrevista ao Metrópoles, o nutrólogo Raimundo Penaforte explica que essa estrutura funciona como o isolamento de um fio elétrico.

“Essa ‘capa’ garante que os impulsos circulem com velocidade e precisão. Quando a vitamina falta, a comunicação falha”, afirma.

Essa falha na fiação interna do corpo manifesta-se por meio de sensações físicas incômodas. Os pacientes costumam relatar formigamentos, dormência nas extremidades, sensação de choque ou queimação e até perda de equilíbrio. Se os nervos perdem sua proteção, a sensibilidade e a força muscular são as primeiras a sofrer.

Alimentos ricos em vitamina B12 - Metrópoles
A vitamina B12 está presente em alimentos de origem animal, como carnes vermelhas, peixes, ovos e laticínios

Sangue cansado e mente “nublada”

exaustão que não passa com o sono pode ser um sinal hematológico. A B12 é peça-chave na formação das células vermelhas. “Quando existe deficiência, o sangue carrega menos oxigênio, e o corpo responde com falta de disposição e fraqueza”, destaca Penaforte.

Além do cansaço físico, o cérebro — órgão extremamente exigente em nutrientes — começa a operar em marcha lenta. A falta do nutriente interfere nos neurotransmissores e na energia celular, resultando em:

  1. Dificuldade de concentração;
  2. Lapsos de memória frequentes;
  3. Raciocínio lento;
  4. Alterações súbitas de humor.

A importância da prevenção

Por ser um processo lento, a ciência recomenda o monitoramento constante, especialmente para grupos de risco como idosos, vegetarianos, pessoas com doenças gastrointestinais ou pacientes que utilizam medicamentos crônicos que interferem na absorção da vitamina.

“Identificar a deficiência precocemente é fundamental para evitar complicações neurológicas e hematológicas”, alerta o nutrólogo. O check-up regular é a ferramenta mais eficaz para garantir que a “fiação” e o combustível do corpo continuem operando em plena capacidade.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, no último dia 27 de fevereiro, uma resolução que regulamenta o uso da inteligência artificial (IA) na prática médica no BrasilA norma estabelece que a decisão diagnóstica, terapêutica e prognóstica deve permanecer sob responsabilidade do médico, responsável por supervisionar o uso dessas ferramentas e informar o paciente quando elas forem utilizadas como apoio relevante.

A medida ocorre em meio à rápida expansão de sistemas conversacionais voltados ao público. Em janeiro, o ChatGPT, sistema de IA generativa da empresa estadunidense OpenAI, ganhou uma funcionalidade exclusiva para a saúde: o GPT Health.

A ferramenta foi desenhada para apoiar o usuário na compreensão de exames, no preparo para consultas e no acompanhamento de cuidados. Segundo a empresa, trata-se de um recurso exclusivamente informacional, com salvaguardas de privacidade e sem uso dos dados para treinamento de modelos.

As novidades formalizam uma tendência já em curso. De acordo com a própria OpenAI, mais de 230 milhões de pessoas fazem perguntas sobre saúde e bem-estar no ChatGPT toda semana. No Brasil, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de 2025 com 200 pacientes e 92 médicos identificou que 85,6% das pessoas pesquisaram informações de saúde na internet.

Mas, se por um lado essa prática ajuda o paciente a ter acesso a mais informações, por outro, pode gerar medo e preocupação desnecessários, além de impactar o atendimento.

“Os pacientes já chegam no consultório com a informação que muitas vezes é obtida de uma IA. Então, o médico tem que conhecer isso para orientá-los melhor”, afirma o médico Edson Amaro, superintendente de Dados Globais e Tecnologias Avançadas para Equidade do Einstein Hospital Israelita.

A tecnologia já permeia todo o ciclo do cuidado, da prevenção ao acompanhamento de doenças crônicas, apoiando decisões clínicas e a gestão de dados. Contudo, o uso autônomo dessas ferramentas por leigos levanta dúvidas sobre segurança e impacto real na tomada de decisões em saúde.

Além dos chatbots

Existem diferentes tipos e usos possíveis de sistemas de IA. Na medicina, eles abrangem desde ferramentas conversacionais voltadas ao público — como GPT Health, Gemini (MedGem), do Google, e algoritmos treinados para tarefas específicas — como análise de imagens, apoio ao diagnóstico e predição de risco em hospitais.

Modelos de linguagem (também conhecidos pela sigla em inglês LLM, que significa large language models), como os do GPT, geram respostas a partir de texto e dependem da qualidade da interação com o usuário. Já ferramentas de visão computacional e modelos clínicos são desenvolvidos para operar em contextos mais controlados, com dados estruturados e supervisão profissional.

Um dos principais avanços práticos está na organização e tradução da informação médica. De acordo com um estudo publicado em maio de 2025 no Communications Medicine, o uso do modelo GPT-4o para simplificar 60 resumos de alta hospitalar cardiológicos aumentou significativamente a clareza e a compreensão do conteúdo para os pacientes.

A avaliação realizada por 12 especialistas médicos confirmou que essas versões simplificadas mantiveram altos índices de correção (85%) e integridade clínica, sem comprometer a segurança da informação.

Há também avanço no apoio ao diagnóstico e à tomada de decisão clínica. Uma metanálise de 50 estudos, publicada em janeiro no npj Digital Medicine, demonstrou que profissionais de saúde apoiados por modelos de linguagem superam o desempenho daqueles que trabalham de forma isolada, alcançando maior precisão diagnóstica. O estudo ressalta que essas ferramentas são mais eficazes como instrumentos de aumento cognitivo e apoio técnico, visto que esses modelos ainda não estão prontos para realizar diagnósticos de maneira independente.

“O mundo contemporâneo é fortemente alavancado por soluções de inteligência artificial. Na saúde não é diferente”, observa Amaro. “O principal risco é o profissional não saber o que está fazendo. As pessoas que usam IA têm que estar treinadas para entender suas deficiências, porque esta ferramenta não é 100% precisa.” Ele defende que existam mecanismos “de contingência e contenção”.

“Contingência é um planejamento de como agir quando acontecer algo e, assim, você já sabe de antemão o que fazer. E contenção é um processo para, antes de algo acontecer, você já estar preparado e evitar consequências inadequadas”, explica.

Para o especialista, os resultados mais consistentes até agora ocorreram em áreas que lidam com dados não estruturados, como imagem, áudio e vídeo. Radiologia, patologia, dermatologia e oftalmologia estão entre as especialidades que mais se beneficiaram, em parte porque a análise automatizada desses dados já vem sendo explorada há décadas. Nesses casos, a IA contribui para detectar padrões, priorizar exames e reduzir variabilidade, sem substituir a decisão final do médico.

Além do cuidado direto, a inteligência artificial também tem gerado ganhos relevantes na gestão de sistemas de saúde. Amaro aponta como exemplo o Einstein, que já utiliza algoritmos para predição de risco, otimização de exames, redução de desperdício e gestão de recursos hospitalares.

Mão em luva médica apontando para a tecnologia médica de tela virtual. Conceito de IA na medicina. Metrópoles
A incorporação da IA à saúde esbarra em desafios que vão além do desempenho técnico

IA não é médico

Mas a expansão do uso de IA na saúde não significa que todas as aplicações tenham o mesmo nível de segurança. No caso de ferramentas conversacionais voltadas ao público, a exemplo do GPT Health, o desafio está na forma como a informação é produzida e apropriada por quem não tem formação médica.

Isso porque modelos de linguagem são sistemas de propósito geral, treinados para responder sobre diferentes temas, e não ferramentas especializadas. “Esses modelos são treinados para escrever coisas que façam sentido do ponto de vista de linguagem, não necessariamente corretos do ponto de vista técnico”, pondera Telma Soares, diretora-executiva do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (UFG).

“Dependendo, podem ser até alarmistas. Se você estiver em tratamento, fazendo uma série de exames, e colocar só o último [exame], não necessariamente a IA vai dar um resultado mais exato. Ela deveria ser usada como apoio para a pessoa entender melhor aquele assunto”.

Um estudo recém-publicado na Nature Medicine testou 10 cenários médicos com 1.298 participantes e concluiu que, na prática, o uso de modelos de IA para autoavaliação em saúde enfrenta limitações relevantes. Segundo a pesquisa, quando avaliados isoladamente, os modelos identificaram corretamente as condições clínicas em 94,9% dos casos.

Na interação com usuários, porém, o desempenho caiu: em cenários de uso combinado com humanos, as IAs reconheceram menos de 34,5% das condições de saúde relevantes.

Os autores apontam que o principal problema está na troca incompleta de informações e na dificuldade dos modelos em comunicar respostas corretas de forma compreensível. “A IA nunca vai eliminar a busca por um profissional médico, mas pode ajudar o paciente a chegar com as perguntas certas e até a procurar o especialista adequado”, pondera Soares.

No dia a dia, esses limites aparecem menos como erros explícitos e mais como mudanças na dinâmica da consulta. Em vez de sintomas e dúvidas, pacientes chegam com hipóteses prontas e pedidos objetivos por exames — agora não só a partir de buscas no Google, mas também de respostas geradas por IA.

“Hoje em dia, a gente não vê mais pacientes com queixas inespecíficas, sem direcionamento. Eles já chegam com ideias fixas de coisas que acham que têm, de exames que acreditam ser necessários naquela ocasião”, relata a médica de família e comunidade Luisa Portugal Marques, do Einstein Hospital Israelita.

Esse padrão antecede a popularização das IAs. Em 2003, um estudo do Journal of Medical Internet Research já havia mostrado que pacientes recorrem à internet para interpretar sintomas e reduzir incertezas, revelando que 69% daqueles que fazem perguntas online buscavam, na verdade, um aconselhamento personalizado para sua situação.

Poucos anos depois, um estudo publicado no The Journal of the American Board of Family Medicine identificou que 79% dos pacientes pesquisavam doenças ou condições específicas na internet. O trabalho também mostrou impacto direto na consulta: 54% dos usuários discutiam as informações encontradas com seus médicos para verificar se estavam corretas, o que frequentemente exigia mais tempo de atendimento para contextualizar o que o paciente havia lido e corrigir interpretações equivocadas.

A diferença no cenário atual é que as IAs oferecem respostas contínuas, personalizadas e com aparência de autoridade, o que tende a intensificar esses efeitos. “Percebo os pacientes mais ansiosos e muitas vezes muito seguros daquilo, o que dificulta criarmos uma relação e fazermos as negociações dentro da consulta sobre o que pedir e o que não pedir de exame, por exemplo”, conta Marques. Para ela, o papel do médico é acolher.

“Tudo bem as pessoas pesquisarem, porque isso dá a elas acesso a informações sobre saúde, o que ajuda de certa forma na autonomia e na autorresponsabilidade”, analisa a médica de família e comunidade.

Novos riscos

Embora ansiedade, autodiagnóstico e pressão sobre a consulta médica sejam fenômenos conhecidos desde a popularização da internet, estudos recentes sugerem que as IAs — especialmente as de modelos de linguagem — introduzem novos mecanismos de risco ligados à forma como a informação é produzida, apresentada e analisada.

Um deles é a tendência de validar premissas equivocadas, fenômeno conhecido como sycophancy, no qual os modelos priorizam concordar com o usuário em vez de aplicar raciocínio crítico.

Um estudo publicado em 2025 mostrou que, quando uma afirmação clinicamente falsa é apresentada na própria pergunta, os modelos frequentemente a aceitam como válida e constroem a resposta a partir dela, em vez de corrigi-la. Em saúde, esse comportamento pode reforçar erros e transformar suposições em aparentes “verdades médicas”, sobretudo quando formuladas com linguagem segura e técnica.

Esse efeito se intensifica quando a desinformação aparece como registro clínico. Um artigo divulgado na Lancet Digital Health conclui que modelos de linguagem têm maior probabilidade de aceitar e reproduzir informações falsas quando elas são apresentadas com tom médico, semelhante ao de prontuários, laudos ou notas de alta. O achado é relevante para ferramentas voltadas à explicação de exames, resumos pós-alta e orientação domiciliar, nas quais a aparência de precisão técnica pode induzir confiança excessiva.

Há ainda evidências de vieses estruturais. Uma análise publicada em 2024 na Mayo Clinic Proceedings: Digital Health identificou que LLMs apresentam vieses em decisões simuladas de saúde, favorecendo determinados perfis de pacientes de acordo com raça, gênero, idade e outras características. Os autores alertam que, sem mecanismos explícitos de mitigação, o uso dessas tecnologias pode amplificar desigualdades já existentes.

Riscos específicos também aparecem em saúde mental, sobretudo quando a IA é usada como interlocutora. Uma análise de prontuários feita na Dinamarca e publicada em preprint em 2025 identificou casos em que o uso de chatbots esteve associado ao agravamento de delírios, ideação suicida e outros sintomas psiquiátricos.

Um estudo de caso do mesmo ano, conduzido por médicos da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), descreveu episódios de psicose de início recente em usuários sem histórico prévio, nos quais a interação prolongada com a IA e o fenômeno de bajulação do sistema funcionaram como elementos de reforço de crenças delirantes.

No Brasil, esse tipo de uso tende a crescer. Um relatório da consultoria Talk Inc., publicado em 2025, indicou que 13% dos brasileiros já utilizam essas ferramentas como “amigo ou conselheiro” para trocar e resolver questões pessoais e emocionais.

Gargalo da governança

A incorporação da IA à saúde esbarra em desafios que vão além do desempenho técnico. Uma das principais dificuldades é transpor resultados experimentais para o uso real, sobretudo quando ferramentas validadas em ambientes controlados passam a ser usadas em larga escala por profissionais ou diretamente pelo público.

Outro obstáculo é a fragmentação regulatória. Embora o CFM tenha publicado resolução específica para o uso da IA na prática médica no país, ainda não há diretrizes abrangentes, como leis, para o uso dessas ferramentas fora do contexto clínico supervisionado.

Esses riscos se tornam ainda mais relevantes em contextos de maior vulnerabilidade social. Em países como o Brasil, onde parte significativa da população tem menor escolaridade e acesso limitado a serviços de saúde, essas ferramentas podem reforçar a percepção de que a consulta médica é dispensável.

Além disso, podem ser instrumentalizadas para amplificar desinformação, servindo como fonte de argumentos para discursos negacionistas sobre vacinas e tratamentos.

“Tem um lado positivo que pode ajudar tanto os profissionais quanto as pessoas que realmente só estão em busca de mais informação sobre saúde, mas também precisamos de ações para cuidar da outra parte da população que não está tão preparada para isso”, conclui Telma Soares, da UFG. A discussão sobre um marco legal para o uso da inteligência artificial em saúde está em andamento no Congresso.

Para Edson Amaro, a ausência de regras claras sobre quais soluções podem ser adotadas como boas práticas dificulta decisões de investimento e implementação, já que desenvolvedores e instituições não sabem se determinadas tecnologias poderão ser utilizadas.

Ele avalia que iniciativas como a recente resolução do CFM representam um avanço ao estabelecer parâmetros para o uso da IA na prática médica. “Existem vários caminhos para que a gente atinja o máximo potencial do uso de IA de maneira responsável, mas isso ainda requer uma conversa maior da sociedade”, afirma.

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