
O Governo de Alagoas publicou, no Diário Oficial do Estado (DOE) desta sexta-feira (20), o edital do concurso público da Polícia Militar (PM), com 1.060 vagas para os cargos de oficial e soldado, entre imediatas e cadastro de reserva.
De acordo com o edital, são 30 vagas imediatas e 30 para cadastro de reserva para o cargo de oficial. Já para soldado, são 500 vagas imediatas e 500 para cadastro de reserva.
A seleção será organizada pela Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag), em conjunto com a Polícia Militar, e executada pelo Cebraspe.
O concurso será composto por várias etapas, incluindo provas objetivas e discursivas, teste de aptidão física, avaliação médica, avaliação psicológica, investigação social e exame toxicológico.
As provas objetivas e discursivas serão realizadas nas cidades de Maceió e Arapiraca. Já as demais fases ocorrerão em Maceió.
Entre os requisitos, é necessário ter ensino médio completo, idade mínima de 18 anos e máxima de 30 anos até a data limite de inscrição, além de atender critérios físicos, psicológicos e de idoneidade moral.
Os candidatos aprovados serão submetidos ao curso de formação, em regime de dedicação integral, conforme as normas da Polícia Militar de Alagoas.
Diversas pesquisas mostram que mulheres convivem mais frequentemente com dor crônica e doenças autoimunes do que os homens. Condições como lúpus, artrite reumatoide, fibromialgia e síndrome de Sjögren são exemplos em que a presença feminina é predominante.
A explicação, segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, envolve uma combinação de fatores biológicos, hormonais e até sociais.
O reumatologista Henrique Dalmolin, chefe da equipe de reumatologia do Hospital Samaritano de Higienópolis, em São Paulo, explica que o sistema imunológico feminino tende a ser naturalmente mais reativo.
“Isso é uma vantagem porque elas respondem melhor a infecções e vacinas. Mas essa mesma característica aumenta o risco de o organismo acabar atacando os próprios tecidos”, esclarece.
O mecanismo ajuda a entender por que doenças autoimunes aparecem com mais frequência entre mulheres. Nesses quadros, o sistema imunológico passa a reconhecer partes do próprio corpo como se fossem ameaças.
Além disso, a forma como o sistema nervoso processa os sinais de dor também pode ser diferente nelas.
“Em média, as mulheres apresentam uma sensibilização central mais acentuada, o que significa que o cérebro pode interpretar os estímulos dolorosos de forma mais intensa”, destaca Henrique.
Os hormônios também têm papel importante. O endocrinologista Ricardo Barroso, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) de São Paulo, explica que o estrogênio influencia diretamente o funcionamento do sistema imunológico.
“A presença do estrogênio favorece uma resposta imunológica mais forte, que em alguns casos pode se tornar exagerada e contribuir para o surgimento de doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide”, afirma.
Segundo ele, a testosterona parece exercer efeito oposto, oferecendo certa proteção contra essas condições.
As variações hormonais ao longo da vida também interferem na percepção da dor. Oscilações nos níveis de estrogênio podem alterar substâncias do cérebro responsáveis por modular a dor e a inflamação.
Durante a menopausa, por exemplo, a queda do estradiol pode favorecer o aumento de dores crônicas.
“A redução desse hormônio pode intensificar quadros como fibromialgia e enxaqueca, além de contribuir para alterações na composição corporal, com aumento de gordura e perda de massa muscular, fatores que também influenciam processos inflamatórios”, explica Ricardo.
A reumatologista Sandra Maria Andrade, da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), afirma que as doenças autoimunes também têm relação com os genes.
“As pessoas podem nascer com uma predisposição genética que, dependendo de fatores externos e hábitos de vida, pode ativar esses genes e desencadear a doença”, informa.
Mesmo assim, a genética não explica tudo. Fatores ambientais, estilo de vida e aspectos emocionais também podem influenciar o desenvolvimento dessas condições. O estresse crônico, por exemplo, pode desregular o sistema imunológico e favorecer processos inflamatórios no organismo.
Outro ponto importante é o histórico. Durante décadas, sintomas relatados por mulheres foram frequentemente subestimados na prática médica.
“A dor feminina muitas vezes foi atribuída a causas emocionais. Doenças como fibromialgia, endometriose e lúpus têm um histórico de diagnóstico tardio porque os sintomas foram ignorados ou mal interpretados”, ressalta o reumatologista Henrique.
Para os especialistas, melhorar o diagnóstico dessas condições passa por mudanças na forma como os sintomas são investigados e interpretados. Para Henrique, um dos principais pontos é valorizar o relato das pacientes.
“Muitas vezes o diagnóstico não demora por falta de exames, mas por falta de atenção ao que a paciente está relatando. Escutar com cuidado, sem minimizar os sintomas, é frequentemente o primeiro passo para o tratamento”, aponta.
Ele acrescenta que também é importante ampliar a formação dos profissionais de saúde para reconhecer que diversas doenças podem se manifestar de forma diferente em homens e mulheres.
Os natufianos foram um dos primeiros povos precursores da agricultura e da transição do estilo de vida nômade para o sedentário – ou seja, que vive em uma moradia fixa. No entanto, antes das “inovações” da época, eles já produziam deliberadamente objetos simbólicos feitos de argila. Algumas das peças eram feitas até por crianças.
Os ornamentos datados de 15 mil anos pertenciam ao povo pré-histórico que viveu no Levante, atual região de Israel. Os 142 achados encontrados em sítios arqueológicos no norte israelense são as peças de argila mais antigas já identificadas do Sudoeste Asiático.
“Essa descoberta muda completamente a forma como entendemos a relação entre argila, simbolismo e o surgimento da vida sedentária”, aponta o autor principal do estudo, Laurent Davin, em comunicado.
O estudo liderado por Davin, do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, teve os resultados publicados na revista Science Advances nessa quarta-feira (18/3).
Os ornamentos eram pequenos e muitos foram produzidos com ocre vermelho. A grande quantidade e diversidade das contas de argila, um tipo de peça feito pelo material, indicava que o artesanato era uma forma de comunicação visual entre os natufianos.
Entre os 19 tipos de contas identificados, a maioria era uma reprodução do formato das plantas que o antigo povo colhia e consumia, sugerindo um papel simbólico à natureza e não apenas de fonte de alimento.
Ao analisar as impressões digitais nos objetos, foi descoberto que elas pertenciam a adultos, adolescentes e até crianças. O achado alimenta a hipótese de que a produção dos objetos era uma atividade com função educacional, passando valores sociais de geração para geração.
Anteriormente, acreditava-se que o uso simbólico da argila tinha vindo apenas com o surgimento da agricultura. No entanto, o mais novo achado rebate a teoria. “Esses objetos mostram que profundas mudanças sociais e cognitivas já estavam em curso [entre os natufianos]”, diz um dos autores do estudo, Leore Grosman.
Um homem foi preso suspeito de espancar a ex-companheira com diversos socos após ela cobrar uma dívida de R$ 3 mil nessa quinta-feira (19), no bairro Tabuleiro do Martins, na parte alta de Maceió.
A vítima relatou que o suposto autor lhe deve R$ 5 mil e foi cobrar uma parte desse valor. Ao chegar na residência dele, ela foi espancada com socos na cabeça e ameaçada com arma de fogo.
Os militares foram acionados e encontraram o suspeito com uma arma de choque na cintura. Ele informou ainda que tinha uma arma de fogo no quarto e que seria CAC (Caçador, Atirador OU Colecionador).
A mulher foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Santa Lúcia, onde recebeu atendimento médico. O estado de saúde não foi atualizado.
O suspeito foi encaminhado para a Central de Flagrantes, onde foi autuado e preso e por posse ilegal de arma de fogo, violência doméstica e lesão corporal dolosa.
Um homem foi preso suspeito de tráfico de drogas em um condomínio do bairro Cidade Universitária, na parte alta de Maceió, na noite dessa quinta-feira (19).
De acordo com a polícia, equipes realizavam patrulhamento na região quando foram abordadas por moradores, que relataram a ocorrência frequente de tráfico de entorpecentes no condomínio.
Os militares também tiveram acesso a uma denúncia formal indicando movimentação intensa de pessoas em um dos imóveis, além de forte odor de maconha.
Ao chegarem ao endereço informado, os policiais fizeram contato com o morador, que estava em um dos quartos. Durante a abordagem, ele admitiu possuir droga no local e, pela janela, mostrou aos agentes uma quantidade de maconha guardada no guarda-roupa.
Segundo a polícia, foram apreendidos aproximadamente 80 gramas da substância. O suspeito foi encaminhado à Central de Flagrantes, no Tabuleiro do Martins, onde permaneceu preso e à disposição da Justiça.
E os preparativos para a Páscoa já começaram em Palmeira dos Índios. Já faz dias que as equipes de urbanismo e iluminação trabalham nos últimos detalhes para deixar a cidade completamente preparada para receber turistas de outras localidades que costumam visitar a cidade para participar do momento religioso. Na manhã desta quinta-feira (19), a prefeita Tia Júlia realizou uma visita técnica ao Santuário de Nossa Senhora Mãe do Amparo onde estão sendo realizadas obras de manutenção, como pintura capinação, além de substituição de lâmpadas.
No local, os funcionários da prefeitura trabalhavam com afinco para garantir que todo o trabalho esteja hábil em tempo hábil para receber os fiéis para a realização da tradicional via-sacra, que já é consolidada no calendário religioso nordestino.
Para o coordenador da equipe de Urbanismo velho da Roça o trabalho é extremamente necessário ara garantir a limpeza da cidade. “É para frente que se anda e é assim que se constrói uma cidade melhor”, disse o profissional.
Para a prefeita Tia Júlia, todos os reparos que estão sendo feitos às vésperas da Páscoa evidenciam o compromisso da gestão pública não apenas com a infraestrutura de Palmeira dos Índios, mas também com o progresso do turismo religioso. “Convidamos a todos para vir participar conosco deste momento tão especial que é a páscoa”, disse a chefe do poder executivo
O Brasil ocupa a 7ª colocação entre os 29 países na lista do Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede os níveis de felicidade da população.
Entre os cerca de 1 mil brasileiros entrevistados, quatro em cada cinco (80%) se declaram felizes ou muito felizes – a média global é de 74% da população.
Por aqui, 28% dos entrevistados se dizem muito felizes; 52%, felizes; 15%, não muito felizes; e 5% se dizem nada felizes – a média global é de 18%, 56%, 22% e 5%, respectivamente.
Para o brasileiro, sentir-se amado é o que mais contribui para a felicidade (34%), seguido da saúde física e mental (31%), relacionamento com a família e os filhos (29%), sentir-se no controle da própria vida (29%) e sentir que a vida tem um significado (27%).
No cenário global, houve uma melhora geral na percepção de felicidade: neste ano, os cidadãos se mostraram mais felizes em 25 dos 29 países pesquisados.
Os países com a maior porcentagem de pessoas felizes são Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%).
A pesquisa também mostra que, no geral, a felicidade começa alta na juventude, diminui por volta dos 50 anos e depois sobe novamente, atingindo seu pico após os 70 anos. No Brasil, por exemplo, a soma daqueles que têm entre 50 e 74 anos e se dizem “muito felizes” e “bastante felizes” corresponde a 82%, a maior média por faixa etária.
Os dados apresentam ainda uma correlação entre renda e felicidade. Pessoas com renda mais alta tendem a ser mais felizes (79%) do que as de renda mais baixa (67%). Na pesquisa, a amostra de respondentes no nosso país era mais urbana, mais educada e/ou com maior renda do que a população brasileira como um todo.
A situação financeira foi citada como um fator importante por todas as gerações em território nacional, na seguinte ordem: Baby Boomers (68%), Geração X (62%), Millennials (49%) e Geração Z (49%).
“Não importa a sua idade, onde você mora ou quanto você ganha. Se você está infeliz, suas finanças pessoais são a causa mais provável dessa infelicidade”, afirma Lucymara Andrade, diretora de pesquisas na Ipsos, empresa que reuniu os dados.
A pesquisa foi realizada em 29 países entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026. Ao todo, foram entrevistados 23.268 adultos. Os dados são ponderados para que a composição da amostra de cada país reflita melhor o perfil demográfico da população adulta, de acordo com os dados do censo mais recente.
A capacidade de silenciar o próprio ego para dar lugar à voz do outro tem se revelado mais do que uma virtude de etiqueta; é um indicador de alta performance cognitiva e social. Segundo a psicologia moderna, indivíduos que priorizam a escuta em detrimento da fala tendem a navegar com maior facilidade em ambientes complexos, desde mesas de negociação até círculos íntimos.
A psicóloga Cibele Santos explica que essa postura não é passiva, mas sim uma estratégia ativa de processamento de informações. “Quem ouve mais, coleta dados que quem fala muito acaba ignorando”, afirma a especialista.
De acordo com Cibele, um dos maiores diferenciais de quem possui inteligência social é o domínio da pausa. Em uma sociedade pautada pela pressa, o hábito de refletir sobre o que foi dito antes de emitir uma opinião é uma ferramenta de poder.
“Ao processar a informação antes de reagir, o indivíduo demonstra controle emocional e pensamento crítico, o que valida a fala do outro e evita conflitos desnecessários”, pontua a psicóloga.

Para além do som, a inteligência social se manifesta na capacidade de ler o que não é dito. O observador atento consegue identificar sinais corporais e hesitações que mudam completamente o contexto de um diálogo. Essa sensibilidade permite antecipar necessidades e ajustar o discurso de forma estratégica, tornando a comunicação muito mais assertiva.

No entanto, praticar a escuta ativa não é uma tarefa simples. O cérebro humano muitas vezes luta contra a ansiedade de validar os próprios sentimentos, gerando interrupções que bloqueiam o fluxo de informação. “É um exercício constante de autoconsciência”, alerta Santos.
No mundo corporativo, essa habilidade é o que define líderes de alto impacto. Pesquisas indicam que gestores que cultivam a arte de ouvir promovem equipes mais engajadas e tomam decisões mais fundamentadas. Ao valorizar a voz do time, o líder não apenas absorve conhecimento técnico, mas constrói uma cultura de pertencimento e inovação.
Um advogado confessou ter matado a esposa com um tiro na cabeça, na última quarta-feira, 18, na cidade de São Lourenço do Oeste, em Santa Catarina. Sergio Fabian Schneider, de 36 anos, se entregou à polícia no mesmo dia do crime. A vítima é Sara Bianca Moyses Fabian Schneider, de 29 anos, com quem Sergio tinha uma filha de 4 anos.
De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, os dois teriam se conhecido em Curitiba, no Paraná, mas estavam morando na cidade catarinense há alguns meses, onde Sergio tinha família. A motivação do crime teria sido uma discussão em que a vítima disse que queria voltar para Curitiba com a filha.
De acordo com o delegado Ricardo Melo, o crime aconteceu no banheiro da suíte do casal. A filha deles estava em outro cômodo da casa, com a avó, quando ocorreu o disparo de arma de fogo.
O suspeito teria tentado atribuir o barulho do tio a uma queda acidental de um móvel no andar superior e pedido para que a menina fosse retirada pela avó da cena do crime. Depois, o advogado se dirigiu à unidade policial.
O Terra não encontrou a defesa do advogado Sergio Fabian Schneider para pedir um posicionamento.
Segundo os delegados Regional de São Lourenço do Oeste, Wilherm Negrão, e o da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) do município, Ricardo Melo, a cidade não registrava nenhum feminicídio desde 2015.
Uma bactéria resistente a antibióticos, antes associada principalmente a hospitais, está se espalhando também fora dessas unidades em São Paulo. O alerta vem de um estudo conduzido pela Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (Afip) em parceria com a Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicado em 19 de fevereiro de 2026 na revista científica Research Connections, da Oxford University Press.
A pesquisa analisou 51.532 casos únicos da bactéria Staphylococcus aureus registrados entre 2011 e 2021 e identificou uma mudança importante no padrão de transmissão.
Ao longo desse período, os casos ligados a hospitais diminuíram, enquanto as infecções associadas à comunidade aumentaram — indicando que a bactéria já não está restrita ao ambiente hospitalar.
O estudo mostra que o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), uma das formas mais difíceis de tratar da bactéria, está cada vez mais presente fora dos hospitais.
Esse tipo de microrganismo costuma ser associado a infecções hospitalares, mas os dados indicam que ele passou a circular também entre pessoas que não foram internadas recentemente.
Segundo os pesquisadores, a MRSA associada a hospitais apresentou queda ao longo dos anos, com redução média anual de 2,48%. Em contrapartida, a MRSA associada à comunidade cresceu, com aumento médio de 3,61% ao ano.
Essa inversão indica uma mudança epidemiológica relevante, já que a transmissão deixa de ocorrer majoritariamente em ambientes controlados e passa a acontecer também no cotidiano da população.
Entre todos os casos analisados, as taxas de MRSA foram de 42,6% entre pacientes com infecção ativa e de 37,4% entre pessoas colonizadas — quando a bactéria está presente no organismo, mas sem causar sintomas.
A prevalência foi maior em dois grupos específicos: crianças menores de 3 anos e idosos com 65 anos ou mais, o que indica maior vulnerabilidade nessas faixas etárias.
Os pesquisadores também observaram um aumento mais acentuado de um tipo de MRSA associado à comunidade e sensível à clindamicina, um antibiótico utilizado em alguns tratamentos. Esse grupo apresentou crescimento médio anual de 8,77%, reforçando a expansão da bactéria fora dos hospitais.
Para chegar a esses resultados, os cientistas analisaram dados de uma rede com mais de 600 unidades de saúde na região metropolitana de São Paulo. Os casos foram classificados de acordo com o tipo — infecção ou colonização — e com o local de origem, se hospitalar ou comunitário.
A resistência da bactéria foi identificada por meio de testes laboratoriais específicos, e a evolução ao longo do tempo foi avaliada com métodos estatísticos.
Além disso, os pesquisadores mapearam a distribuição geográfica dos casos, o que permitiu identificar áreas com maior concentração da bactéria. Esse mapeamento revelou a existência de regiões com taxas de MRSA superiores a 20% na comunidade, indicando focos importantes de disseminação.
O Staphylococcus aureus é uma bactéria comum, que pode viver na pele e nas vias respiratórias sem causar sintomas. No entanto, quando entra no organismo, pode provocar infecções que variam de leves a graves, como pneumonia e infecção generalizada.
O problema se torna mais sério quando a bactéria é resistente a antibióticos, como no caso do MRSA, já que isso dificulta o tratamento e pode limitar as opções terapêuticas.
Com o avanço fora do ambiente hospitalar, o risco deixa de estar restrito a pacientes internados e passa a atingir também pessoas na comunidade, o que torna o controle mais complexo. Os autores concluem que houve uma mudança significativa no perfil da bactéria ao longo da última década.
Este é um dos maiores estudos já realizados em países de baixa e média renda com análise ao longo do tempo e distribuição geográfica e reforça a necessidade de estratégias de saúde pública mais amplas, que considerem não apenas hospitais, mas também a circulação da bactéria na população.
Na prática, isso significa que o combate à resistência bacteriana precisa ir além dos ambientes hospitalares e envolver medidas no dia a dia, como o uso correto de antibióticos e a atenção a sinais de infecção.
Através de um dos dispositivos do Rover Perseverance, da Nasa, pesquisadores detectaram a presença de um delta mais antigo enterrado abaixo do que era explorado anteriormente pelo robô em Marte. O delta é um sistema fluvial que ocorre quando um rio deságua e começa a depositar sedimentos que ele carregou em outra região.
Além dessa pista, cientistas já encontraram outros diversos indícios de que a água já esteve em abundância no planeta, como a presença de paisagens e minerais formados através da água líquida. No entanto, o novo achado evidencia que o planeta era “molhado” antes do que se imaginava preliminarmente.
A descoberta veio por meio do radar do Perseverance chamado Rimfax. Basicamente, o apetrecho a bordo do robô funciona como um “ultrassom” do solo. Para medir o que está embaixo, ele envia ondas para o subsolo. Assim, revela camadas de rocha, antigos depósitos de sedimentos e estruturas ocultas, como no caso do delta.
O trabalho liderado pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, em parceria com cientistas internacionais, teve os resultados publicados na revista Science Advances.
Foram realizadas quase 80 travessias entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024 na cratera Jazero. O radar conseguiu coletar informações em uma extensão de cerca de 6,1 km e a profundidades maiores a 35 metros.
Ao analisar os dados extraídos pelo Rimfax, foi detectada a presença de um delta oculto. Eles mostravam camadas inclinadas e estruturas específicas, que só aparecem quando sedimentos são carregados por rios e se acumulam no fundo de lagos ou mares. Os atributos caracterizavam um sistema fluvial.
A detecção também indica que a água não existiu por pouco tempo em Marte. Na verdade, a existência de mais um delta no planeta mostra que a água fluiu por milhões de anos e de diferentes maneiras, criando até dois sistemas fluviais.
“O projeto Rimfax revelou um ambiente deltaico subterrâneo anterior sob o delta atual, estendendo assim o período de potencial habitabilidade de Jezero para um passado ainda mais remoto”, diz a autora principal do estudo, Emily Cardarelli, em entrevista ao portal ScienceAlert.
Como os deltas preservam potenciais bioassinaturas, como restos de bactérias e moléculas orgânicas, o próximo passo deverá ser estudá-los para descobrir mais detalhes sobre o passado “aquático” de Marte.
Um homem de 36 anos foi preso após tentar matar o dono da casa onde vivia para não pagar aluguéis atrasados em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo.
O caso foi nessa quarta-feira (18/3), no bairro Alvarenga. Segundo a Polícia Militar (PM), Joel Batista dos Santos ligou para o proprietário da residência para combinar de entregar as chaves do imóvel. No local, porém, ele retirou uma faca da cintura e golpeou a vítima, de 72 anos.
Joel fugiu depois do crime, mas foi preso logo depois, na mesma região.
A vítima atingida no antebraço foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Alves Dias, onde foi atendida e liberada.
Em depoimento à Polícia Civil, o dono do imóvel contou que vinha cobrando o acusado há dias, em função do atraso de aluguéis, e que não acreditava que o inquilino pudesse estar planejando o ataque. O valor da dívida chegava a R$ 6 mil.
O Metrópoles apurou que o acusado já responde a 11 processos relacionados a dívidas com imóveis, no interior paulista. Entre eles, há cobrança de valores que ultrapassam R$ 50 mil.
Dados do Serviço de Epidemiologia do Hospital de Emergência do Agreste (HEA) apontam para um aumento do número de casos de picada de escorpião em Arapiraca, o que tem assustado a população e elevado o número de atendimentos na unidade. Somente neste ano, o local já registrou quase 400 incidentes envolvendo os animais peçonhetos.
Durante entrevista à Rádio Gazeta 101.1 nesta quinta-feira (19), a coordenadora do Serviço de Epidemiologia Hospitalar, a assistente social Ana Lúcia Alves, destacou que a média atual de picadas de escorpião é de cerca de 150 casos por mês.
“À medida que acontece o acidente, a primeira providência é procurar o serviço de saúde com urgência. Quanto menor o tempo entre a picada e o atendimento, melhor será a evolução do paciente”, explicou.
Somente nos primeiros meses deste ano, Arapiraca já registrou 399 casos de picadas de escorpião, e, no ano passado, 1.723 casos envolvendo esses animais, o que vem sendo uma preocupação por parte da população local e das autoridades de saúde.
O que fazer em caso de picada
A orientação principal é simples e imediata: lavar o local da picada apenas com água e sabão e procurar atendimento médico o mais rápido possível.
A especialista alertou que práticas caseiras, como o uso de borra de café, fumo ou outras substâncias, não são recomendadas e podem agravar a situação.
Segundo ela, a avaliação médica é essencial para identificar a gravidade do caso. Em situações mais leves, o paciente pode apresentar apenas dor intensa. No entanto, há risco de evolução para sintomas mais graves, como náuseas, vômitos e taquicardia, podendo ser necessário o uso de soro antiveneno, disponível apenas em ambiente hospitalar.
Ana Lúcia reforçou que crianças e idosos têm maior risco de complicações, podendo, em casos mais graves, evoluir para óbito. “São as fases da vida que mais preocupam. Mas qualquer pessoa que sofra esse tipo de acidente precisa buscar atendimento imediato”, destacou.
Animais peçonhentos
A coordenadora também explicou que o procedimento é o mesmo para acidentes com outros animais peçonhentos, como cobras e aranhas. “O tratamento depende do tipo de animal e da gravidade do caso. O soro é o antídoto, mas só deve ser administrado após avaliação médica”, pontuou.
Alerta à população
Diante do aumento dos casos, o hospital reforça a importância da prevenção e da conscientização da população para evitar acidentes, além de procurar rapidamente uma unidade de saúde ao ser vítima de picada de escorpião.
Duas crianças morreram num incêndio em um apartamento no Residencial Ignêz Andreazza, no bairro de Areias, na Zona Oeste do Recife. As vítimas dormiam no mesmo quarto, no segundo andar do bloco, quando, na madrugada desta quinta-feira (19), as chamas começaram. Elas tentaram escapar pela janela, mas morreram sentadas na grade que protege o cômodo.
As vítimas eram dois irmãos de 9 e 11 anos. Além deles, moravam no apartamento três adultos. Todos ficaram feridos. Segundo relatos dos moradores, o incêndio começou entre por volta das 3h30 da madrugada.
A tragédia aconteceu no Bloco 342, que fica no Módulo 1 do residencial, próximo à Rua Tapajós. Construído em 1983, o Ignêz Andreazza é o maior conjunto residencial da América Latina.
Segundo o Corpo de Bombeiros, os feridos são dois homens de 78 e 39 anos, e uma mulher de 44 anos. Eles foram encaminhados ao Hospital da Restauração, no Derby, no Centro do Recife. Os nomes das vítimas não foram divulgados.
A unidade de saúde confirmou que os três pacientes deram entrada nas emergências e estão em atendimento. Porém, até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre o estado de saúde deles.
Entretanto, no local, bombeiros disseram que eles não tinham ferimentos visíveis, mas tinham inalado bastante fumaça.
Vídeos do momento do incêndio foram encaminhados ao Canal Globo, mas que não serão divulgados, porque as imagens são fortes. Eles mostram as crianças sentadas na grade, já mortas, após terem tentado fugir das chamas. Outras imagens também mostram os corpos pegando fogo.
Bombeiros disseram, ainda, que o incêndio aparentemente começou próximo à porta do quarto das crianças. Na manhã desta quinta-feira (19), a grade da janela em que os meninos morreram foi coberta por um pano branco. A parede externa, ao redor da abertura, apresentava manchas escuras pelo fogo.
O Corpo de Bombeiros encaminhou cinco equipes para a ocorrência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que foi acionadao às 3h58, atendeu cinco pessoas no local do incêndio, incluindo as duas crianças mortas.
Causas do incêndio
Hélio Ribeiro, síndico do residencial, informou que o apartamento tinha muitos equipamentos eletrônicos, e que isso pode ter agravado o incêndio.
"O morador é acumulador de materiais, de objetos. Ele é técnico de eletrônica. Então, acumulava dentro do apartamento muitos eletrodomésticos antigos. Isso talvez tenha facilitada a propagação do fogo", disse.
De acordo com o perito André Amaral, a quantidade de eletrodomésticos e eletrônicos acumulados dentro do apartamento impressionou a equipe da perícia.
"O local é totalmente irregular, cheio de entulho, acumulado, e há um risco iminente de incêndio. A situação que estava, eu não sei como não aconteceu antes. Se não fosse a equipe do Corpo de Bombeiros ali, o prédio viria abaixo", afirmou o perito.
As chamas foram controladas pelos bombeiros, que confirmaram a presença de muitos entulhos dentro do apartamento.
"O pessoal conteve essa questão do incêndio que estava no local. Se ele se alastrasse para a sala, seria até pior a situação. O que foi observado pela equipe que chegou primeiro é que as crianças estavam no quarto, sem condições de sair", disse o tenente-coronel Paulo Roberto.
Equipes da Polícia Militar e do Instituto de Criminalística também foram ao local acompanhar a ocorrência. A perícia realizada no local identificou rachaduras graves no apartamento do terceiro andar, acima do que pegou fogo. Os dois imóveis foram interditados pela Defesa Civil.
Por causa da quantidade de material encontrada, a causa do incêndio ainda não foi identificada. Porém, ao que indica a perícia, o foco das chamas começou próximo à porta do quarto onde as duas crianças que morreram estavam.
Por meio de nota, a Polícia Civil informou que está investigando o caso por meio da Delegacia de Afogados.
Quando falamos em desmatamento na Amazônia, quase sempre pensamos na paisagem terrestre: grandes árvores derrubadas, expansão agropecuária, incêndios e perda de biodiversidade. Mas boa parte dos impactos do desmatamento ocorre fora do campo de visão. Eles acontecem dentro da água.
A Amazônia abriga milhares de igarapés — pequenos cursos d’água que drenam a floresta e alimentam rios maiores. Esses ambientes sustentam alta diversidade de insetos, peixes e microrganismos. Também desempenham papel central na manutenção da qualidade da água e na ciclagem de nutrientes, que é o transporte de matéria orgânica e nutrientes (por exemplo, nitrogênio, fósforo, potássio) da floresta para o meio aquático.
Diferentemente de grandes rios, a maioria dos igarapés amazônicos são fortemente dependentes da floresta ao seu redor. A copa das árvores reduz a entrada de luz solar. Por isso, a produção de algas dentro da água é limitada.
A principal fonte de energia desses ecossistemas vem de fora. Folhas, galhos e outros materiais orgânicos caem na água e formam a base da cadeia alimentar. Esse material é colonizado por microrganismos e consumido por insetos aquáticos. Esses insetos, por sua vez, alimentam predadores, como insetos maiores e peixes. A floresta, portanto, sustenta diretamente a vida dentro do igarapé.
Mas o que acontece quando essa floresta é removida? Foi essa a pergunta que orientou nosso estudo, publicado na revista Freshwater Biology.
Ao comparar igarapés preservados com igarapés em áreas desmatadas, observamos uma mudança clara na base alimentar do sistema.
A retirada da vegetação ciliar reduz a entrada de folhas e matéria orgânica nos corpos d’água. Com menos recurso disponível, os insetos que dependem da decomposição desse material para sobreviver tornam-se menos abundantes.
Em seu lugar, aumentam organismos associados a ambientes mais abertos e com maior incidência de luz. A cadeia alimentar passa a depender mais de produção primária interna do que de insumos da floresta. Essa mudança pode parecer sutil. Mas ela reorganiza toda a estrutura trófica – que é a organização alimentar de um ecossistema e que define a transferência de energia e nutrientes entre os organismos produtores, consumidores e decompositores.
Com a redução na abundância de insetos associados a matéria orgânica, predadores passam a consumir presas diferentes. A diversidade funcional se altera. A rede alimentar tende a se simplificar. Redes mais simples costumam ser menos resilientes a novas perturbações. Secas mais intensas, aumento de temperatura ou poluição podem gerar impactos mais fortes em sistemas já empobrecidos estruturalmente.
Os dados mais recentes de uso e cobertura da terra no Brasil mostram que o desmatamento segue transformando paisagens amazônicas. Informações do projeto MapBiomas indicam a expansão de áreas convertidas para agropecuária nas últimas décadas. Enquanto algumas regiões na Amazônia seguem relativamente menos desmatadas, outras áreas já apresentam menos de 30% de sua cobertura florestal original.
Grande parte dessa conversão ocorre próxima a cursos d’água. Embora a legislação brasileira determine a manutenção de faixas de vegetação ao redor de rios e igarapés, a implementação nem sempre é efetiva. Em muitos casos, a vegetação ciliar é reduzida ou eliminada.
Mas essa remoção não é apenas uma alteração visual na paisagem. Nosso estudo mostra que ela compromete processos ecológicos fundamentais. A vegetação ciliar regula a entrada de matéria orgânica, controla a temperatura da água, estabiliza margens e reduz o carreamento de sedimentos. Ela funciona como zona de amortecimento entre atividades humanas e o ecossistema aquático. Ignorar essas funções significa comprometer a toda a integridade do sistema.
Os resultados do nosso estudo comprovam que a conservação de matas ciliares deve ser tratada como prioridade em políticas públicas e estratégias de manejo. Não se trata apenas de cumprir uma exigência legal. Trata-se de manter o funcionamento ecológico dos igarapés. Programas de restauração florestal precisam considerar a largura e a qualidade da vegetação ciliar. A simples presença de uma faixa estreita de árvores pode não ser suficiente para restabelecer processos ecológicos complexos.
Além disso, estratégias de uso do solo devem integrar a dimensão aquática. Muitas vezes, o planejamento territorial foca apenas na produção agrícola ou na cobertura terrestre, sem considerar impactos hidrológicos e ecológicos. Os igarapés conectam paisagens. Eles transportam matéria, energia e organismos. Alterações locais podem se propagar para sistemas maiores.
A Amazônia é frequentemente discutida em termos de carbono, clima e biodiversidade terrestre. Esses temas são centrais. Mas os ecossistemas aquáticos também merecem atenção. Mudanças na base da cadeia alimentar podem afetar comunidades de peixes e a disponibilidade de recursos para populações humanas. Podem alterar a decomposição de matéria orgânica e a dinâmica de nutrientes.
São processos menos visíveis, mas essenciais. Proteger a vegetação ciliar é uma medida concreta e baseada em evidências para reduzir impactos do desmatamento sobre sistemas aquáticos.
A floresta não sustenta apenas o que está acima do solo. Ela também alimenta o que corre dentro da água. Reconhecer essa conexão é um passo importante para um manejo mais integrado e sustentável da Amazônia.
Os rins operam como os filtros vitais do corpo humano, mas possuem uma característica implacável: não se regeneram. Uma vez que os néfrons — suas unidades funcionais — são destruídos, o dano é permanente. Diante de um cenário onde mais de 170 mil brasileiros dependem de diálise, especialistas reforçam que a prevenção, baseada no controle rígido da pressão arterial e do diabetes, é a única barreira eficaz contra a falência renal e o avanço silencioso de tumores.
O crescimento da Doença Renal Crônica (DRC) no Brasil é alarmante. Dados da Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) indicam que o número de pacientes em diálise saltou de 156 mil para mais de 170 mil em apenas um ano. Segundo o nefrologista Pedro Aparecido Dotto Júnior, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o segredo da saúde renal reside no equilíbrio metabólico.
“O controle do sódio e do açúcar é vital. O excesso de sal eleva a pressão arterial, que castiga os vasos sanguíneos renais por serem muito delicados. Já o açúcar elevado compromete a capacidade de filtragem do órgão”, explica o médico.
O nefrologista destaca ainda que a hidratação deve ser personalizada: a cor da urina (idealmente amarelo claro ou palha) é um termômetro mais preciso do que a regra fixa de dois litros de água por dia.
A projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2050 é preocupante: os casos de câncer nos rins devem subir 79,5% no Brasil. O grande desafio é que a doença raramente apresenta sintomas em estágios iniciais, sendo frequentemente descoberta em exames de rotina para outras finalidades.
Dotto Júnior ressalta que sinais como sangue na urina (mesmo um episódio isolado), dor lombar persistente que não melhora com repouso e a percepção de massas ou caroços no abdômen são alertas críticos. Sintomas sistêmicos, como fadiga extrema, perda de peso sem motivo e febre baixa constante, também não devem ser ignorados.
Para garantir a longevidade dos rins, o especialista recomenda um protocolo simples de monitoramento. “O exame de creatinina no sangue, que mede a taxa de filtração, e um exame de urina comum são suficientes para detectar a maioria das anomalias antes que se tornem críticas”, conclui. Manter o peso, não fumar e praticar atividades físicas completam o “pacote de sobrevivência” desses filtros essenciais.
