Ao contrário do que se pensa, a obesidade não está ligada apenas a doenças metabólicas e cardiovasculares — ela também pode criar um ambiente propício para o desenvolvimento de câncer.
Um novo estudo identificou um mecanismo biológico que ajuda a explicar essa relação: o crescimento anormal de células em tecidos do corpo, processo que pode abrir caminho para tumores.
A pesquisa foi publicada na última terça-feira (24/3) na revista científica American Association for Cancer Research. Os cientistas analisaram como o excesso de gordura corporal influencia diretamente o comportamento das células, especialmente em tecidos que passam por renovação constante.
Crescimento celular desregulado
Os pesquisadores observaram que a obesidade pode levar a um processo chamado hiperplasia — quando há aumento no número de células em um tecido. Esse crescimento, embora nem sempre seja cancerígeno por si só, cria um cenário mais favorável para o surgimento de alterações malignas.
Na prática, isso acontece porque o organismo, sob influência do excesso de nutrientes e de sinais inflamatórios, estimula a multiplicação celular de forma contínua. Esse ambiente aumenta as chances de erros durante a divisão das células, o que pode desencadear mutações associadas ao câncer.
Outro ponto importante destacado pelo estudo é o papel da inflamação crônica. Pessoas com obesidade frequentemente apresentam níveis elevados de inflamação no corpo, mesmo sem infecções aparentes. Esse estado inflamatório interfere no funcionamento normal dos tecidos e pode contribuir para:
Desequilíbrio nos sinais que controlam o crescimento celular;
Maior resistência à morte natural das células (apoptose);
Alterações no microambiente dos tecidos.
Com isso, o corpo passa a favorecer a sobrevivência de células que deveriam ser eliminadas — um dos passos importantes para o desenvolvimento de tumores.
Mais do que uma associação estatística, os pesquisadores mostram um possível caminho biológico que liga o excesso de peso ao câncer: a hiperplasia funcionando como uma ponte entre o acúmulo de gordura e o crescimento tumoral.
Entender esse mecanismo ajuda a reforçar a importância da prevenção. Controlar o peso corporal não é apenas uma questão estética — é uma estratégia concreta para reduzir riscos à saúde.
Embora o estudo aprofunde o entendimento sobre a relação entre obesidade e câncer, os autores destacam que a doença é multifatorial. Ou seja, diversos fatores — genéticos, ambientais e comportamentais — também influenciam o risco individual.
Em resumo, a obesidade não apenas aumenta o risco de câncer, mas pode alterar diretamente o funcionamento das células, criando condições favoráveis para o surgimento da doença.
A NASA anunciou novas iniciativas para levar humanos de volta à Lua e estabelecer uma presença permanente no satélite natural da Terra. O plano, alinhado à política espacial dos Estados Unidos, envolve não apenas missões tripuladas, mas também a construção de infraestrutura e o avanço de pesquisas em um ambiente ainda pouco compreendido — o que levanta preocupações sobre riscos à saúde e à segurança dos astronautas.
“A NASA está empenhada em alcançar o quase impossível mais uma vez: retornar à Lua antes do fim do mandato do presidente Trump, construir uma base lunar, estabelecer uma presença permanente e fazer tudo o que for necessário para garantir a liderança americana no espaço”, disse o administrador da NASA, Jared Isaacman, em um comunicado.
Mas, há cientistas que encararam o comunicado de forma diferente. “Os astronautas serão, sem dúvida, participantes de testes”, afirmou o bioeticista da Universidade da Pensilvânia, Ezekiel Emanuel, em análise publicada pela Live Science.
O que a NASA pretende fazer na Lua
Segundo o comunicado oficial da NASA, o objetivo vai além de simplesmente pousar novamente na superfície lunar. A proposta inclui o desenvolvimento de tecnologias para sustentar a vida fora da Terra, a criação de uma base lunar e a preparação para missões futuras a Marte.
Na prática, isso significa que astronautas passarão mais tempo em um ambiente extremo, com condições muito diferentes das encontradas na Terra. A Lua apresenta desafios significativos.
Não há atmosfera protetora, o que expõe os astronautas a altos níveis de radiação. Além disso, a gravidade é cerca de seis vezes menor que a da Terra, o que pode causar efeitos no corpo humano ainda não totalmente compreendidos.
Como as missões de longa duração ainda são limitadas, muitos desses impactos seguem em estudo — o que faz com que cada viagem também funcione como uma etapa de pesquisa.
Para o especialista em saúde e professor de fisiologia e genômica na Weill Cornell Medicine, Christopher Mason “O espaço profundo é um ambiente muito diferente de tudo o que conhecemos na Terra”, afirmou também à Live Science.
Principais riscos das missões à Lua
Exposição à radiação espacial sem proteção natural;
Gravidade reduzida, com impacto em ossos e músculos;
Poeira lunar tóxica e abrasiva;
Temperaturas extremas e instáveis;
Isolamento prolongado e efeitos psicológicos.
A nova estratégia da NASA não é apenas científica, mas também política e estratégica. O plano busca consolidar a presença dos Estados Unidos no espaço em um cenário de crescente competição internacional.
Ao mesmo tempo, a iniciativa levanta um debate relevante: até que ponto é aceitável expor seres humanos a riscos elevados em nome do avanço científico.
A exploração da Lua representa um passo importante para o futuro das missões espaciais. No entanto, o sucesso do programa dependerá da capacidade de equilibrar inovação com segurança, monitoramento constante da saúde dos astronautas e desenvolvimento de tecnologias mais seguras.
O retorno à Lua pode abrir caminho para novas descobertas — mas também exigirá decisões cuidadosas sobre os limites da presença humana fora da Terra.
"Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito". Esta é a frase inicial de uma redação que recebeu nota zero na 2ª fase da Fuvest 2026, vestibular da Universidade de São Paulo (USP). O candidato, Luis Henrique Etechebere Bessa, de 18 anos, disputava uma vaga no curso de Direito e foi desclassificado do processo seletivo. Diante disso, entrou na Justiça para solicitar uma justificativa da instituição de ensino.
“Recebi um e-mail genérico quando perguntei qual o motivo da eliminação. Juntamente à minha mãe, que é advogada, entrei com pedido de mandado de segurança”, diz Luiz ao g1. “Ainda estou aguardando uma resposta do reitor da USP. Só queria entender minha nota.”
O que diz a universidade?
Segundo a Fuvest afirmou à reportagem, o candidato foi eliminado porque o texto não abordou o tema definido pela frase temática (“O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado”).
“Não há indícios suficientes que demonstrem essa compreensão [do tema] e desenvolvimento (...), o que prejudica sensivelmente a pertinência das informações e da efetiva progressão textual", diz a nota.
A organização do vestibular informou ainda que, para que a nota zero fosse atribuída, o texto “passou por mais de três avaliações cegas”. E que, exatamente por já haver uma banca com até quatro corretores, não há possibilidade, em caso algum, de pedir uma revisão da nota da redação.
Professores de cursinhos pré-vestibulares ouvidos pelo g1 analisaram a redação de Luiz e concordaram com a atribuição da nota zero. Segundo eles, houve uma preocupação maior com o uso de vocabulário rebuscado e de citações eruditas do que com a clareza de argumentos. (leia mais abaixo a explicação
'Nessa vereda, sobrepuja-se a subjetividade'
O jovem fez posts no X relatando o caso, mas deletou todos após receber centenas de comentários com críticas e piadas em relação ao léxico usado na redação, como nos trechos:
“Sob essa perspectiva, Ferdinand de Saussure preconiza a relação simbiótica entre significado e significante a partir da coesão engendrada pelo domínio tradicional concomitante ao coercitivo.”
“Nessa vereda, sobrepuja-se a subjetividade ao “modus vivendi” da superestrutura cívico-identitária.”
“Nesse sentido, é diminuída a grandiloquência condoreira pela tecnocracia e pela violência simbólica, sendo o sofrer recôndito o seu suplício, em distintos significantes.”
“Pessoalmente, sempre tive estilo de escrita com vocabulário não tão usual. Em todas as dissertações que escrevi nos últimos anos, nunca recebi nenhum apontamento sobre excesso de rebuscamento”, diz.
“As dissertações argumentativas dos candidatos ao curso de Direito sempre se destacam, em especial no processo de vestibular da USP, por serem textos densos em termos de conteúdo e de vocabulário. Sei que meu texto tinha inconsistências e que eu poderia ter me aprofundado mais, mas não recebi até agora a justificativa da anulação da redação.”
'Zero é justificável', afirmam professores; veja motivos
O g1 enviou o texto a três professores de redação de cursinhos pré-vestibular — e todos concordaram que o excesso de rebuscamento no vocabulário acabou comprometendo a argumentação do candidato e a clareza da expressão de suas ideias.
“O aluno elabora construções sintáticas extremamente confusas devido ao alto teor de formalidade. Essas estruturas comprometem a compreensão do texto, o que é um grave problema em termos de vestibular”, afirma Marina Rocha, professora de redação do Curso Skued e do Curso Raio-X.
Para Sérgio Paganim, professor e coordenador de Redação do Curso Anglo, “o texto é um exemplo de um zero” pelos seguintes motivos:
Falta de conexão de ideias: “Há uma série de afirmações, de autores e de conceitos que são arrolados no texto. Eles vão se ligando um ao outro, porém não se ligam frontalmente, explicitamente, ao tema. Ou seja, o texto acaba sendo uma colagem de uma série de pensadores, de conceitos, mas que não estão a serviço de um posicionamento claro a respeito do tema do perdão limitado ou condicionado.”
“Parece mais um texto em que há uma série de argumentos de autoridade, de pensadores e de conceitos articulados entre si e só”, diz.
Estrutura pouco clara: “É difícil, por meio desse tipo de linguagem, identificar um projeto de texto em que se perceba uma clareza de tese e os argumentos que a sustentem. A linguagem também dificulta essa articulação das partes de um texto dissertativo-argumentativo.”
Excesso de citações: “Quando a Fuvest fala em traço de autoria, ela está pensando em um posicionamento do autor do texto, uma reflexão autoral que pode, sim, se escorar, por exemplo, em pensadores”, afirma.
“Mas este é um texto em que há, na verdade, mais a preocupação com uma coleção de pensadores e de conceitos e com a exposição de uma erudição do que, de fato, com a construção de um texto dissertativo que apresenta um posicionamento a respeito do tema do perdão ser limitado ou condicionado.”
Thiago Braga, autor e professor de Língua Portuguesa do Colégio e Sistema pH, também concorda que o excesso de erudição prejudicou o aluno.
“O que pode parecer uma qualidade, na verdade, é o maior defeito dessa redação: as referências ficam empilhadas e não são utilizadas com o intuito de formular uma argumentação que responda à proposição temática”, diz.
“Elas mais ornamentam o texto do que sustentam uma tese dentro do recorte sugerido pela banca.”
Redação completa de Luis
Abaixo, veja a íntegra do texto:
Intentona pela Reconstituição da Interioridade
Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito. Djaimilia de Almeida concebe, em A Visão das Plantas, valer-se a epísteme lírico-narrativa de concepções hermenêutico-historiográficas, as quais decorrem da dialética antagônica e maquiavélica ao postularem a teleologia hodierna. Sob essa perspectiva, Ferdinand de Saussure preconiza a relação simbiótica entre significado e significante a partir da coesão engendrada pelo domínio tradicional concomitante ao coercitivo. Entretanto, à medida em que impera a dinamicidade, fragilizam-se axiomas em difusas postulações. Nesse ínterim, ressoa o sofrer recôndito na fragmentação identitária ao se concernir ao perdão - significado - múltiplos significantes: o condicionamento e a limitação, seja em razão da violência simbólica ou da tecnocracia.
Nessa vereda, sobrepuja-se a subjetividade ao “modus vivendi” da superestrutura cívico-identitária. Articula a dialética bourdiana - de Pierre Bourdieu - a internalização de signos culturais, fundamentados por efemérides violentas, a partir da impotência reflexiva inerente ao sujeito-interlocutor, o qual se resigna à unidimensionalidade distópica que o cerca. Dessa forma, transfigura-se a universalidade associada ao imperativo categórico no perdão condicionado: busca incessante por relegar a outrem o esvaziamento eudaimônico da individualidade esvaziada.
Ademais, nota-se haver a instrumentalização da razão a partir do Antropo-tecno-ceno - era em que ocorre a comodificação cultural a partir do uso de emergentes adventos tecnológicos. Nesse ínterim, Michael Sandel postula ser promovida pela tecnocracia a associação de concepções desenvolvimentistas à égide capitalista, ocasionando a negligência da seguridade social. Assim, desnuda-se o perdão limitado como sendo uma intentona à valorização do indivíduo cujo “status quo” encontra-se invisibilizado, uma vez que ocorre a busca mercadológica pelo perdão.
Diante do exposto, revela-se a tendência, no espectro contemporâneo, à fragmentação da “psique” coletiva, sendo o “perdão” a elucidação de sua fenomenologia. Nesse sentido, é diminuída a grandiloquência condoreira pela tecnocracia e pela violência simbólica, sendo o sofrer recôndito o seu suplício, em distintos significantes.
A Secretaria de Estado da Ressocialização e Inclusão Social (Seris) negou as denúncias de violência, superlotação e irregularidades no sistema prisional de Alagoas, como problemas relacionados à transferência de detentos entre unidades. As acusações foram apresentadas à Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL), que solicitou a apuração dos fatos junto aos órgãos competentes.
Em nota, a Seris afirmou que não pratica nem compactua com atos de violência e repudiou as denúncias divulgadas. Segundo o órgão, todas as ações adotadas no sistema prisional seguem a legislação vigente, especialmente a Lei de Execução Penal, além de normas administrativas e protocolos de segurança.
O secretário da pasta, Diogo Teixeira, encaminhou ofício à OAB convidando representantes da entidade para uma visita às unidades prisionais, com o objetivo de garantir transparência e permitir a verificação das condições estruturais e operacionais.
A secretaria também destacou que medidas como visitas e transferências de custodiados "são realizadas com base em critérios técnicos, legais e de segurança, sempre com autorização judicial e respeito aos direitos dos detentos."
SEGUE A NOTA NA ÍNTEGRA
A Secretaria de Estado da Ressocialização e Inclusão Social (Seris) esclarece que não procede as denúncias feitas a respeito de violações de direitos ocorridas no sistema prisional alagoano. A Seris não pratica e não compactua de atos de violência e de irregularidades no sistema prisional, nega e repudia veementemente as denúncias veiculadas.
O secretário de Estado da Ressocialização e Inclusão social, Diogo Teixeira, enviou documento à OAB convidando os membros da entidade para uma visita ao sistema prisional e assim possam conhecer as instalações das unidades prisionais.
"Todas as ações e procedimentos adotados no âmbito do sistema prisional são pautados estritamente na legislação vigente, em especial na Lei de Execução Penal, bem como nas normas administrativas e protocolos de segurança estabelecidos", informa trecho do ofício enviado pela seris à OAB.
Com o intuito de assegurar total transparência e reforçar o compromisso institucional com a legalidade e a dignidade humana, a Seris convidou os membros da Comissão, bem como o representante da Comissão de Relações Penitenciárias, o Coordenador de Estruturas Penais, representante da ACRIMAL e representante da ABRACRIM, para realizarem visita in loco à unidade prisional mencionada nas denúncias, oportunidade em que poderão verificar diretamente as condições estruturais, operacionais e de tratamento dispensado aos reeducandos.
"Ressaltamos que eventuais medidas relacionadas à visitação e transferência de custodiados são realizadas com base em critérios técnicos, legais e de segurança, sempre observando os direitos e garantias fundamentais dos reeducandos. Destaca-se, ainda, que todas as transferências de custodialidade são efetuadas com as devidas autorizações judiciais", completa seris em documento enviado à OAB.
DENÚNCIAS
Segundo a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da OAB/AL, as denúncias foram recebidas ao longo do mês de março. De acordo com a entidade, familiares de presos e advogados relataram situações como tortura, superlotação e condições precárias nos Presídios de Segurança Máxima II e III, em Maceió.
Entre os principais pontos levantados está o agravamento da superlotação no Presídio de Segurança Máxima II, que, segundo os relatos, teria sido intensificado após a transferência de detentos de outras unidades.
Ainda conforme as denúncias, haveria uso desproporcional da força por parte de agentes penitenciários, aplicação de sanções coletivas e submissão dos custodiados a situações consideradas degradantes.
Diante das acusações, a OAB informou que acionou o Ministério Público de Alagoas (MPAL) e o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Tribunal de Justiça para que os casos sejam apurados.
O presidente da comissão, Arthur Lira, afirmou que foram adotadas providências imediatas para investigar possíveis violações de direitos humanos, além de buscar diálogo com a Seris para adequação de procedimentos e atendimento das demandas apresentadas por familiares e advogados.
O Irã classificou nesta sexta-feira (27) como um ataque americano “calculado” o bombardeio mortal contra uma escola iraniana no primeiro dia da guerra no Oriente Médio.
A acusação foi formulada diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que organizou uma reunião de emergência sobre a segurança das crianças no conflito, após o bombardeio da escola de Minab, no sul do Irã, em 28 de fevereiro.
Em uma mensagem em vídeo, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou ao Conselho de Direitos Humanos que o ataque não foi um erro, e sim uma operação “calculada” dos Estados Unidos, na qual, segundo ele, morreram “mais de 175 estudantes”.
“As declarações contraditórias dos Estados Unidos, que visam justificar seu crime, não podem, de forma alguma, exonerá-los de sua responsabilidade”, declarou o ministro iraniano, que qualificou o ataque de 28 de fevereiro como “um crime de guerra e um crime contra a humanidade”.
Em outra mensagem, o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, denunciou o “horror profundo” provocado pelo bombardeio e exigiu “justiça”.
O bombardeio aconteceu no primeiro dia da ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Segundo o jornal New York Times, que citou funcionários do governo em Washington e fontes próximas à investigação, um míssil americano Tomahawk atingiu a escola por um erro de localização.
O alvo, de acordo com o jornal, era uma base iraniana adjacente e o erro aconteceu porque as forças americanas utilizaram coordenadas desatualizadas.
O presidente Donald Trump sugeriu em um primeiro momento que o Irã poderia ter sido responsável pelo ataque, apesar de Teerã não possuir mísseis Tomahawk.
Türk insistiu que “corresponde àqueles que efetuaram o ataque investigar de maneira rápida, imparcial, transparente”. Ele pediu a Washington que publique os resultados o mais rápido possível.
Araghchi, sem aguardar a conclusão da investigação, afirmou que, dado o nível tecnológico dos Estados Unidos e de Israel, “ninguém pode acreditar que o ataque à escola não tenha sido deliberado e intencional”.
O chanceler qualificou o bombardeio como uma “atrocidade, que não pode ser justificada nem acobertada”, e criticou as declarações contraditórias dos Estados Unidos. A AFP não teve acesso ao local para verificar de maneira independente o balanço nem as circunstâncias dos acontecimentos.
O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou, nesta sexta-feira (27), a Operação Leito de Procusto com o objetivo de apurar a existência de um suposto esquema criminoso envolvendo a realização de cirurgias ortopédicas custeadas pelo Estado a partir de decisões judiciais.
A investigação aponta indícios de superfaturamento de cerca de R$ 10 milhões por parte de advogados, profissionais da saúde e empresas, além de possíveis irregularidades no fornecimento de órteses, próteses e materiais cirúrgicos.
De acordo com o MP-AL, nesta primeira fase da operação, estão sendo cumpridos três mandados de busca e apreensão em unidades hospitalares localizadas nas partes alta e baixa de Maceió, onde parte dos procedimentos foi realizada de 2023 até agora. As diligências têm como finalidade a coleta de documentos, prontuários médicos e registros administrativos que possam comprovar irregularidades em procedimentos já pagos com recursos públicos, além de subsidiar o aprofundamento das investigações.
As apurações tiveram início há cerca de um ano, após provocação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que identificou um aumento significativo e atípico nos valores relacionados a demandas judiciais para realização de cirurgias ortopédicas. A partir dessa constatação, o Ministério Público passou a investigar a regularidade dos procedimentos, dos custos apresentados e dos materiais efetivamente utilizados.
De acordo com os elementos já reunidos, cerca de 50 prontuários médicos estão sob análise. Os procedimentos envolvem, principalmente, cirurgias de tornozelo, joelho e coluna, com fornecimento de órteses e próteses adquiridas por força de decisões judiciais.
O suposto esquema
Os primeiros núcleos investigados são formados, em tese, por advogados, médicos cirurgiões ortopédicos e anestesistas. A suspeita é de que esses grupos tenha participado de um esquema que pode ter gerado um superfaturamento estimado em aproximadamente R$ 10 milhões.
De acordo com os elementos já levantados, o suposto esquema funcionaria a partir da atuação desses advogados, que identificavam pacientes com necessidade de procedimentos cirúrgicos e ingressavam com ações judiciais para garantir o custeio pelo Estado. Após o deferimento das demandas, o poder público era obrigado a arcar com as cirurgias. O ponto central sob investigação é que há indícios de que os valores apresentados nesses processos seriam significativamente superiores aos praticados no mercado e que os custos de órteses e próteses eram inflados, resultando em cobranças muito acima do valor real dos procedimentos.
Vítimas ouvidas
Durante o curso das investigações, o GAECO já colheu depoimentos de pacientes submetidos a alguns dos procedimentos investigados. Alguns confirmaram a realização das cirurgias, enquanto outros relataram resultados insatisfatórios, incluindo casos em que os procedimentos não tiveram êxito e sequer foram refeitos. Há, inclusive, relatos de vítimas que permaneceram com sequelas, o que amplia a gravidade dos fatos apurados, por envolver não apenas possível prejuízo ao erário, mas também impactos diretos na saúde e na qualidade de vida dessas pessoas.
Além das diligências já realizadas, outras medidas investigativas seguem em execução, com o objetivo de robustecer o conjunto probatório.
Três anos de cirurgias sob suspeita
As investigações indicam que tal prática pode estar ocorrendo há pelo menos três anos, revelando a possível existência de uma estrutura organizada que envolveria profissionais da saúde, unidades hospitalares e empresas fornecedoras, formando uma teia articulada para obtenção de vantagens indevidas.
Significado de Leito de Procusto
Assim como na mitologia grega, em que o personagem Procusto submetia suas vítimas a um leito que não respeitava suas características, moldando-as à força a um padrão arbitrário, o esquema investigado pelo MPAL teria transformado a necessidade real de pacientes em um modelo distorcido de atendimento.
Em vez de a medicina se adaptar às necessidades do paciente, seriam os pacientes que, na prática, acabavam inseridos em um “leito” previamente ajustado a interesses econômicos, com procedimentos potencialmente superfaturados, uso de materiais de qualidade inferior e resultados, em alguns casos, insatisfatórios ou até danosos.
“O Ministério Público reforça que as medidas adotadas nesta fase têm caráter investigativo e que a apuração seguirá de forma rigorosa, com o objetivo de identificar todos os envolvidos, delimitar responsabilidades e assegurar a correta aplicação dos recursos públicos, especialmente em uma área sensível como a saúde”, explicou o coordenador do GAECO, Napoleão Amaral.
“Outras frentes investigativas também estão em andamento, diante da possibilidade de existência de novos núcleos envolvidos”, acrescentou o promotor de Justiça Jorge Bezerra, também integrante do GAECO.
O GAECO
O GAECO é o núcleo especializado do Ministério Público voltado ao enfrentamento de organizações criminosas, atuando de forma estratégica, integrada e com técnicas investigativas avançadas para desarticular esquemas complexos que causam prejuízos à administração pública e à sociedade. Em Alagoas, o grupo é composto pelos promotores de Justiça Napoleão Amaral, Hamílton Carneiro, Jorge Bezerra, Elísio Maia e Ilda Regina e Martha Bueno.
A reportagem não conseguiu contato com os envolvidos citados na matéria, e o espaço segue aberto para posicionamento.
Três adolescentes de 13, 14 e 15 anos foram apreendidos por policiais civis da Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai), nessa quinta-feira (26/03), por ato infracional análogo ao crime de estupro coletivo de vulnerável. A vítima é uma adolescente de 13 anos.
Conforme investigado, a agressão sexual ocorreu no dia 3 de março deste ano, no bairro Jorge Teixeira, zona leste de Manaus.
Segundo o delegado Luiz Rocha, a vítima relatou que, no dia do crime, se dirigiu até a casa de um dos suspeitos, de 14 anos, que é seu vizinho, para beber água.
“No momento em que ela entrou na casa, ele a trancou e cometeu o ato infracional. Em seguida, chegaram os outros dois autores, amigos dele, de 13 e 15 anos, que também obrigaram a vítima a manter relação sexual com eles. A vítima também relatou agressões físicas durante o ato”, detalhou o delegado.
Ainda segundo a autoridade policial, todo o ato infracional foi filmado pelos autores e, posteriormente, divulgado em redes sociais.
“Logo após a denúncia, realizamos diligências e conseguimos identificar os autores. Representei à Justiça pelos mandados de busca e apreensão cumulados com internação provisória dos três envolvidos, sendo estes decretados pelo Poder Judiciário”, relatou.
Os adolescentes foram apreendidos nessa quinta (26). Eles passarão por audiência junto ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) e serão encaminhados à Unidade de Internação Provisória (UIP), onde ficarão à disposição do Juizado da Infância e Juventude Infracional do Tribunal de Justiça do Amazonas (Jiji/TJAM).
“Os picos de glicose são mais perigosos do que muitas pessoas imaginam”, destaca o endocrinologista Nemer Finotelo, de Florianópolis (SC). Segundo o médico, a hiperglicemia não se trata apenas de “açúcar alto” na corrente sanguínea em um momento isolado, mas de um padrão que, quando se repete, favorece inflamação, aumento da fome, maior acúmulo de gordura abdominal e piora progressiva do metabolismo, além de prejudicar determinados órgãos, como o pâncreas.
O metabologista explica que os picos de glicêmicos, quando persistentes, sobrecarregam o pâncreas: “Inicialmente, o órgão tenta compensar produzindo mais insulina para controlar a glicose no sangue”. O médico expert em saúde hormonal complementa: “O problema é que essa exigência constante pode desgastar as células beta-pancreáticas, que são justamente as responsáveis por essa síntese.”
“A glucotoxicidade gera três efeitos principais, sendo a hiperestimulação das células beta, exaustão pancreática e inflamação das ilhotas pancreáticas [células endócrinas no órgão]”, menciona o especialista, que atende em Balneário Camboriú (SC). Conforme o especialista, os picos de glicose provocam um fluxo que afeta o funcionamento da glândula.
Quando os picos de glicose são persistentes, o pâncreas tende a ficar sobrecarregado
O Burj Khalifa, em Dubai (Emirados Árabes Unidos), o prédio mais alto do mundo, foi atingido por raios na noite de quinta-feira (26/3). Vídeos foram compartilhados em redes sociais.
As imagens mostram os raios sendo desviados com segurança pelo sistema de proteção do gigante arquitetônico de 828 metros de altura.
O horizonte de Dubai tem estado longe de estar limpo em meio ao conflito no Irã, mas os raios são um espetáculo raro.
Desde o início da guerra, Dubai tem sofrido ataques frequentes de mísseis e drones iranianos, incluindo ataques ao aeroporto, um dos mais movimentados do mundo.
O Gabinete de Imprensa do Dubai emitiu um alerta de segurança para que os residentes se mantenham cautelosos durante a tempestade.
"Dubai enfrentará condições meteorológicas instáveis até a manhã de sexta-feira, 27 de março de 2026. Chuva: De intensidade variável, por vezes acompanhada de raios e trovões. Vento: Ocasionalmente forte, podendo levantar poeira e areia, o que pode reduzir a visibilidade horizontal."
A publicação acrescentou que se deve evitar ir ao mar, ter cautela ao dirigir, reduzir a velocidade e evitar vales, áreas sujeitas a inundações e locais onde a água da chuva possa acumular.
"Um raio gigantesco acaba de atingir o Burj Khalifa com 300 milhões de volts e 9 trilhões de watts de potência! Isso é eletricidade suficiente para iluminar uma cidade inteira... em uma fração de segundo. O prédio mais alto do mundo suportou o impacto direto como um campeão. Pura genialidade da engenharia ou a natureza se exibindo?", postou um usuário do X.
De acordo com o Centro Nacional de Meteorologia (NCM), o fenômeno climático incomum deveria começar a impactar o oeste do país no fim da quinta-feira, antes de se deslocar gradualmente para o interior e para o leste, contou o "Express".
Fortes chuvas e condições tempestuosas devem causar mais transtornos em Dubai.
Um homem identificado como Maicon Nascimento Soares, 39 anos, foi preso em flagrante após matar a companheira e esfaquear a filha dentro do apartamento onde a família morava, em Conceição do Jacuípe, na Bahia. O crime ocorreu na tarde de quarta-feira (25/3), no loteamento João Paulo II, e chocou moradores da região pela violência.
A vítima, Sandra Lima Alves, de 54 anos, foi atingida por diversos golpes de faca e não resistiu aos ferimentos. A filha do casal também foi atacada durante a ação e precisou ser socorrida para uma unidade de saúde. Segundo informações iniciais, o crime teria sido motivado por uma crise de ciúmes.
A Secretaria de Saúde de Palmeira dos Índios deu mais um importante passo na melhoria de serviços voltados para o planejamento familiar e reprodução.
O setor da Atenção Primária, por meio da gerência da Saúde da Mulher, apresentou o novo fluxo de métodos contraceptivos da rede pública de saúde municipal para médicos e enfermeiros.
A partir do próximo mês a rede passará a contar com os serviços de laqueadura, vasectomia e Implanon, o implante contraceptivo mais moderno ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço é em parceria com o Hospital Santa Rita, que será o executor dos serviços de laqueadura e vasectomia.
A gerente da Saúde da Mulher, a enfermeira Maryanne Passos, reforçou o compromisso com o público feminino de Palmeira. “Agora temos mais serviços disponíveis voltados pra saúde da mulher. Elas agora podem contar com outros métodos contraceptivos e se manterem seguras com seu corpo e vida sexual”, frisa Maryanne.
A secretária Zoé Duarte também ressaltou a implantação dos novos serviços. “A Secretaria de Saúde dá mais um passo importante ao ofertar esses serviços. É preciso disseminar informação e educação, para que nossas mulheres saibam que podem contar com métodos contraceptivos seguros e que, além do dispositivo, há o acompanhamento contínuo dessa mulher na rede SUS, tudo dentro das leis estipuladas pelo Ministério da Saude”, pontuou Zoé.
O consumo de energético se tornou comum entre jovens e adultos que buscam mais disposição para estudar, trabalhar ou sair à noite. No entanto, especialistas alertam que ingerir esse tipo de bebida todos os dias pode trazer riscos ao sistema cardiovascular, especialmente quando o consumo é frequente ou em grandes quantidades.
De acordo com a cardiologista Déborah Fernandes, que atende na Clínica Maxicor, o principal problema está no efeito estimulante dessas bebidas no organismo. “Os energéticos podem aumentar a pressão arterial, acelerar os batimentos cardíacos e sobrecarregar o sistema cardiovascular. Em longo prazo, isso pode elevar o risco de complicações, principalmente em pessoas mais sensíveis”, explica.
Déborah Fernandes reforça que o risco aumenta justamente pela combinação desses ingredientes.
“O energético não é uma bebida inocente. Ele pode ser um gatilho para alterações cardiovasculares importantes, especialmente quando usado de forma frequente ou sem orientação”, afirma.
Quantidade de cafeína pode ser alta
O cardiologista Felix Ramires, do Hospital Samaritano Paulista, explica que uma única lata de energético pode conter uma dose significativa de cafeína.
“Uma latinha pode equivaler a cerca de quatro cafés expressos. Se a pessoa consome duas latas em pouco tempo, é como ingerir oito cafés em um intervalo curto”, afirma.
Essa carga estimulante aumenta o chamado tônus adrenérgico do organismo, mecanismo ligado à liberação de adrenalina, que acelera os batimentos cardíacos e eleva a pressão arterial.
Energético pode causar arritmia?
Sim. Em algumas pessoas, o consumo frequente de energético pode provocar palpitações ou até desencadear arritmias.
Especialistas reforçam que o consumo ocasional pode ser tolerado por adultos saudáveis, mas o uso diário e sem controle aumenta os riscos para o coração.
Responsáveis por filtrar toxinas do sangue, regular a pressão arterial e controlar o balanço de líquidos no corpo, os rins são órgãos essenciais para o equilíbrio do organismo. Por conta disso, é preciso estar atento aos diversos hábitos do dia a dia, os quais podem prejudicar o funcionamento desses órgãos.
Segundo a nefrologista Daphnne Camaroske Lopes, da clínica Fenix Nefrologia, o problema é que os danos costumam se desenvolver de forma silenciosa. “Os rins são órgãos silenciosos, e por isso muitos hábitos prejudiciais passam despercebidos por anos. O problema não está em um único hábito isolado, mas na repetição diária de pequenas agressões que, ao longo do tempo, podem levar à perda progressiva da função renal”, explica.
A seguir, especialistas apontam cinco comportamentos comuns que podem prejudicar a saúde dos rins.
De acordo com o urologista Douglas de Pádua Rodrigues, do Hospital Mater Dei Goiânia, isso pode favorecer problemas urinários e renais. “A baixa ingestão hídrica reduz o volume urinário e aumenta a concentração de substâncias na urina, o que favorece a formação de cálculos renais e infecções”, diz.
Além disso, a urina mais concentrada também pode facilitar o acúmulo de minerais, aumentando o risco de pedras nos rins.
Segundo Daphnne Camaroske Lopes, alimentos ultraprocessados costumam concentrar grandes quantidades de sódio e aditivos químicos. “Esses produtos podem sobrecarregar os rins de forma contínua e, com o tempo, contribuir para alterações na função renal”, afirma.
A nefrologista explica que medicamentos como anti-inflamatórios podem reduzir o fluxo de sangue que chega aos rins, prejudicando a capacidade de filtração. Mesmo em pessoas saudáveis, o uso frequente e sem orientação pode causar lesão renal aguda ou contribuir para perda de função ao longo do tempo.
4. Dietas com excesso de proteína
Dietas hiperproteicas, comuns em programas de emagrecimento ou ganho de massa muscular, também exigem atenção.
Segundo Douglas, o excesso de proteína pode aumentar a carga de trabalho dos rins. “Esse tipo de alimentação eleva a taxa de filtração renal. Em pessoas saudáveis, geralmente é tolerado, mas em indivíduos com predisposição ou doença renal pode acelerar a perda de função”, explica.
Por isso, o especialista recomenda avaliação médica antes de iniciar dietas muito restritivas ou com alto teor de proteínas.
5. Ignorar sinais do corpo
Um dos maiores desafios no diagnóstico de problemas renais é que os sintomas costumam surgir apenas em fases mais avançadas da doença.
O urologista Rodrigo Arbex Chaves, do Hospital Mantevida, diz que alguns sinais podem indicar alterações nos rins. “Inchaço nas pernas ou no rosto ao acordar, pressão alta, diminuição do volume de urina, dor nas costas e presença de sangue na urina são sinais de alerta importantes”, explica.
Exames simples ajudam na prevenção
Mesmo sem sintomas, especialistas recomendam acompanhamento médico e exames de rotina para avaliar a saúde renal.
Daphnne Lopes ressalta que exames simples podem identificar alterações precocemente. “A dosagem de creatinina no sangue e a análise de proteína na urina são fundamentais para detectar problemas renais ainda no início. O ideal é realizar esses exames pelo menos uma vez por ano”, orienta.
O cuidado com a hidratação, a alimentação equilibrada e o uso responsável de medicamentos são medidas importantes para preservar a saúde renal e evitar complicações futuras.
A análise de dados feita pela investigação da Polícia Civil no celular da soldado Gisele Alves Santana, que morreu após ser encontrada baleada na cabeça dentro do apartamento em que morava no Brás, Centro de São Paulo, apontou que o aparelho foi manuseado e desbloqueado minutos após o tiro disparado e teve mensagens apagadas pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Neto.
Geraldo foi preso preventivamente em 18 de março, quando se tornou réu na Justiça por feminicídio e fraude processual. Inicialmente, ele afirmou que a esposa havia se suicidado após uma discussão, mas a versão foi descartada após laudos apontarem feminicídio.
Segundo a investigação, o celular de Gisele foi desbloqueado pela última vez às 7h58min18s. Também houve outros desbloqueios às 7h47min29s e às 7h49min24seg. No entanto, o tenente-coronel já havia ligado para o 190 antes disso, às 7h54min58s.
A essa hora, Gisele já havia sido baleada. Aos investigadores, uma vizinha afirmou que ouviu um estampido único e forte às 7h28.
Já em relação às mensagens, a polícia afirma que não havia, no celular do tenente-coronel, nenhuma conversa com Gisele no dia anterior à morte, 17 de fevereiro. No entanto, os dados recuperados do aparelho dela mostram o contrário: os dois trocaram mensagens naquele dia, incluindo discussões sobre o divórcio.
As conversas apagadas foram recuperadas pela polícia e apontam que a última mensagem de Gisele para o marido foi enviada às 23h, em que ela dizia que Geraldo podia entrar com o pedido de divórcio. Veja transcrição abaixo das mensagens recuperadas:
Gisele às 22h47: Mas já que decidiu separar
Gisele às 22h48: Agora podemos tratar de como vou sair
Gisele às 22h59: Vc confundiu carinho com autoridade, amor com obediência, provisão com submissão
Gisele às 23h: Vejo que se arrependeu do casamento, eu tbm, e tem todo direito de pedir o divórcio não quero nada seu, como te disse eu me viro pra sair tenho minha dignidade
Gisele às 23h: Pode entrar com pedido essa semana
Para a investigação, as conversas foram apagadas para o tenente-coronel sustentar a versão de que seria o responsável pelos pedidos de separação, e não a vítima.
Episódios de agressividade
Policiais militares relataram à Polícia Civil que tiveram conhecimento de episódios de agressividade do marido dela, o tenente-coronel Geraldo Neto, dentro do quartel.
Uma das testemunhas, que atuava no Departamento de Suporte Administrativo do Comando Geral (DSA/CG), afirmou que soube que, durante uma discussão em um corredor entre a reserva de armas e a seção de logística, ele teria segurado Gisele pelos braços e a pressionado contra a parede.
Outra policial do mesmo departamento disse ter ouvido de colegas que câmeras de segurança do quartel já teriam registrado o oficial com as mãos no pescoço da vítima, em uma situação descrita como um tipo de sufocamento.
Há ainda relatos de que, antes do casamento, o comportamento do tenente-coronel já havia motivado medidas internas. Uma policial afirmou que ele chegou a ser impedido de entrar no quartel após militares da guarda presenciarem uma discussão considerada mais agressiva entre o casal.
O caso teria chegado ao comando, que conversou com Gisele, e o tenente-coronel foi afastado temporariamente do local. Depois do casamento, segundo a mesma testemunha, ele voltou a frequentar o quartel.
Após esses episódios, os depoimentos apontam para um padrão de comportamento considerado controlador e marcado por ciúmes excessivos. Testemunhas relataram que Gisele demonstrava preocupação com a reação do marido até mesmo em relação ao ajuste da farda ou ao uso de itens de beleza.
Por fim, policiais disseram que, na presença do tenente-coronel, Gisele mudava de comportamento. Descrita como uma pessoa extrovertida no ambiente de trabalho, ela ficava mais calada, reservada e tensa quando ele aparecia, o que, segundo os relatos, era percebido por diversos colegas.
Laudos e provas de feminicídio
Segundo o Ministério Público, laudos periciais, reprodução simulada e mensagens analisadas indicam que o tenente-coronel segurou a cabeça de Gisele e atirou contra ela, descartando a hipótese de suicídio.
Na sequência, ainda segundo a acusação, ele teria manipulado a cena do crime para simular que a soldado teria tirado a própria vida, o que fundamenta a imputação de fraude processual.
Gravações das câmeras corporais de policiais militares mostram a disputa de poder hierárquico entre um cabo, que queria preservar o local em que Gisele foi baleada na cabeça – e a autoridade de um oficial de alta patente, o marido dela. As imagens foram feitas no dia do crime, em 18 de fevereiro.
Fotos e diálogos das imagens feitas pela câmera corporal do cabo mostram esse embate entre ele e o tenente-coronel.
É essa soma de condutas, insistir em tomar banho, entrar e circular apesar das advertências, afastar equipes, permitir limpezas e retornar para retirar itens, que robustece a desconfiança sobre a tese de suicídio defendida por Neto e reposiciona o foco do inquérito.
Próximos passos
Como o feminicídio é classificado como crime doloso contra a vida, a tendência é que o caso seja julgado pela Justiça comum, possivelmente pelo Tribunal do Júri. O MP pediu que, em caso de condenação, seja fixada indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima.
A defesa nega o crime, questiona a competência da Justiça Militar e afirma que o oficial colaborou com as investigações. O caso ocorre em meio às mudanças recentes na legislação: desde 2024, o feminicídio é crime autônomo, com penas de 20 a 40 anos de prisão.
Por meio de nota, o Tribunal de Justiça Militar (TJM) informou que a decisão de prender o coronel está amparada pelo fato de o oficial ter cometido um crime contra outro membro da corporação, uma soldado, que era sua esposa.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, este é o primeiro caso desde 2015 de um oficial da Polícia Militar de São Paulo preso por feminicídio.
Na sexta (20), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de liberdade feito pela defesa do tenente-coronel.
Na decisão, o ministro Reynaldo da Fonseca, relator do caso, apontou que o tipo de ação apresentado pela defesa só é cabível em situações específicas, como quando há descumprimento de decisões do próprio STJ ou usurpação de competência da Corte, o que não ocorreu no caso, segundo o órgão. Com isso, a reclamação foi considerada incabível e não chegou a ser analisada no mérito.
O que diz a defesa
Durante audiência de custódia realizada por videochamada na Justiça Militar na tarde da quinta-feira (19), Geraldo voltou a afirmar que a esposa cometeu suicídio.
Na audiência, ao ser questionado se alguma arma havia sido apreendida, ele respondeu: "Teve apreensão de uma arma no dia em que minha esposa cometeu o suicídio, pq ela se suicidou com minha arma no meu apartamento no Brás, onde nós morávamos, no dia 18 de fevereiro. Aquela arma foi apreendida".
Nota enviada em 18 de março pelo escritório de advocacia Malavasi Sociedade de Advogados, que faz a defesa de Geraldo Neto, informa que "sabedor dos pedidos de prisão em seu desfavor desde a data do dia 17/3 não só não se ocultou, como forneceu espontaneamente comprovante de endereço perante a Justiça, local onde foi cumprido o mandado de prisão, ato ao qual, embora manifestamente ilegal pois proferido por autoridade incompetente, não se opôs, tendo mantido a postura adotada desde o início das apurações de colaboração com as autoridades competentes".
E "reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade".
"A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal (art. 5º, X), razão pela qual a divulgação de elementos pertencentes a essas esferas encontra limites nas garantias constitucionais, sendo certo que, no momento oportuno, sua equipe jurídica irá reprochar toda e qualquer divulgação ou interpretação que venha vilipendiar tais direitos em relação ao Tenente-Coronel."
"Por fim, o escritório reafirma sua confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução das investigações e reitera que o Tenente-Coronel aguarda a completa elucidação dos fatos."
A Polícia Civil recuperou, nessa quinta-feira (26), um veículo roubado durante um sequestro ocorrido na semana passada, no município de Água Branca, no Sertão de Alagoas.
De acordo com as informações, o crime aconteceu quando um homem de 48 anos foi sequestrado em Água Branca. Após a ação criminosa, a vítima foi liberada na cidade de Santana do Ipanema, enquanto os suspeitos fugiram levando o carro.
Desde então, as equipes das duas delegacias iniciaram diligências com o objetivo de localizar tanto os autores do crime quanto o veículo roubado.
As investigações seguiram ao longo da semana, com levantamentos de campo e coleta de informações que levaram ao automóvel. O carro foi encontrado no povoado Areias, em Santana do Ipanema, e devolvido ao seu legítimo proprietário.
As buscas pelos suspeitos continuam, e a Polícia Civil segue trabalhando para identificar e prender os responsáveis pelo crime.
A ação foi realizada de forma conjunta pela Delegacia Regional de Santana do Ipanema, sob coordenação da delegada Daniella Andrade, e pela delegacia de Água Branca.
Um casal foi condenado pelo Tribunal do Júri pela morte da própria filha recém-nascida no município de Sério, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul. O julgamento começou na terça-feira (24/3) e terminou na madrugada desta quarta-feira (25/3), no Fórum de Lajeado.
A mãe foi sentenciada a 32 anos e 1 mês de prisão, enquanto o pai recebeu pena de 28 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão. Os dois deverão cumprir pena em regime fechado.
O crime ocorreu entre a noite de 12 de setembro de 2024 e a madrugada do dia 13, dentro da casa onde o casal morava. De acordo com a investigação, a criança foi morta logo após o nascimento. Após o crime, o corpo da recém-nascida foi escondido dentro da residência. Entre os dias 13 e 14 de setembro, os pais levaram o corpo para uma área de mata próxima a um lixão, onde tentaram incinerar os restos mortais para ocultar o crime.
Os laudos periciais apontaram que a bebê nasceu com vida, mas foi morta por um corte profundo no pescoço feito com uma faca de cozinha. A arma foi apreendida no banheiro da casa do casal.
Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), os pais foram condenados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo torpe e fútil, emprego de meio cruel e crime cometido contra menor de 14 anos, além do fato de os acusados serem os pais da vítima.
Os promotores responsáveis pelo caso afirmaram que o casal pretendia eliminar a criança desde o início da gestação. Como não conseguiram realizar um aborto clandestino, teriam escondido a gravidez e decidido matar a filha logo após o parto.
A perícia também concluiu que a mãe não estava sob influência de estado puerperal, condição que ocorre após o parto e pode afetar o estado emocional da mulher. Com isso, foi descartada a possibilidade de enquadramento do caso como infanticídio.
Os réus estavam presos preventivamente desde janeiro de 2025, após pedido do Ministério Público na denúncia. Durante o julgamento, também foi reconhecida a atenuante da menoridade, já que ambos tinham 19 anos na época do crime, além da confissão do pai sobre a ocultação do cadáver.