
Com o passar dos anos, é normal perceber que nosso sono muda. Dormimos menos horas, acordamos mais vezes durante a noite e temos mais dificuldade para pegar no sono. Na verdade, existe uma ideia generalizada de que os idosos precisam de menos descanso noturno.
Mas as evidências científicas sugerem que o problema não é uma menor necessidade, mas uma menor capacidade de gerar um sono profundo e contínuo. O cérebro envelhecido continua precisando descansar, mas tem mais dificuldade para fazê-lo bem. Ele continua “dormindo”, mas de forma mais superficial. É como se o interruptor que mantém o sono estável perdesse firmeza com o passar do tempo.
Um dos principais fatores para o pior descanso com o avanço da idade é a perda de estabilidade do sistema que regula o sono e a vigília. No cérebro jovem, esse sistema funciona como um interruptor firme: ou estamos acordados ou estamos dormindo. À medida que envelhecemos, alguns neurônios responsáveis por promover e manter o sono vão se perdendo, e outros que sustentam a vigília também se enfraquecem. Como consequência, o cérebro muda de estado com maior facilidade, o que favorece um sono mais leve e fragmentado.
A isso se soma o envelhecimento do relógio biológico. O núcleo supraquiasmático, um grupo de neurônios que coordena os ritmos circadianos de todo o organismo, continua funcionando, mas o dia se torna mais curto e seu “fim” se antecipa. Além disso, seu sinal se torna menos intenso. Isso faz com que os idosos tendam a adormecer e acordar mais cedo, e explica por que o sono noturno é menos consolidado e mais sensível a estímulos externos, ao mesmo tempo em que aumenta a sonolência durante o dia. O cérebro recebe um sinal menos claro de quando deve dormir e quando deve permanecer acordado.
Outra mudança importante afeta a chamada pressão do sono, que se acumula ao longo do dia e nos leva a dormir à noite, e que depende em parte de uma substância conhecida como adenosina. Com o envelhecimento, o cérebro continua acumulando cansaço, mas responde pior a esse sinal. Embora a necessidade de dormir continue existindo, é mais difícil traduzi-la em um sono profundo e contínuo.
Além disso, esse sono profundo, fundamental para a recuperação cerebral, também é diretamente afetado pelas mudanças estruturais do cérebro. Essa fase do sono é gerada principalmente nas regiões frontais, que com a idade perdem espessura e conexões. Como resultado, as ondas cerebrais lentas que caracterizam o sono profundo tornam-se mais fracas e menos frequentes — especialmente no início da noite —, quando antes eram mais abundantes.
Durante o sono, o cérebro também emite sinais breves que ajudam a consolidar as memórias do dia. Com o envelhecimento, esses sinais diminuem e se coordenam pior com o sono profundo. Isso contribui para que a aprendizagem e a memória se tornem menos eficientes, mesmo em idosos saudáveis.
Por fim, o envelhecimento afeta as conexões que permitem que as diferentes regiões do cérebro trabalhem de forma sincronizada durante a noite. Embora os neurônios que geram o sono continuem presentes, seus sinais se propagam com menos eficácia. O resultado é um sono menos profundo, mais fragmentado e menos reparador.
É importante destacar que, embora o sono do idoso saudável seja mais frágil, essas mudanças não implicam necessariamente em problemas cognitivos, mas são consideradas parte natural do envelhecimento fisiológico do cérebro.
A essas mudanças biológicas somam-se fatores não estritamente cerebrais que influenciam de forma decisiva o sono do idoso e que, muitas vezes, interagem com os mecanismos neurobiológicos já descritos. A perda de rotinas diárias, como horários de trabalho regulares, atividade física estruturada ou exposição constante à luz natural, enfraquece os sinais externos que ajudam a sincronizar o relógio biológico, ampliando a fragmentação do sono.
Nesta fase da vida, são mais frequentes distúrbios do sono como a insônia e a apneia obstrutiva do sono, que vão fragmentá-lo. Ao mesmo tempo, uma maior incidência de doenças crônicas, como dor persistente, doenças cardiovasculares ou respiratórias e distúrbios do humor, provoca despertares noturnos adicionais e reduz a continuidade do descanso.
A isso se soma o uso frequente de medicamentos que, embora necessários, podem alterar a arquitetura do sono: desde hipnóticos e ansiolíticos que modificam o sono profundo, até antidepressivos, betabloqueadores ou diuréticos que interferem no início, na estabilidade ou na continuidade do sono.
Em conjunto, esses fatores atuam como moduladores que, por si sós, não explicam o envelhecimento do sono, mas podem intensificá-lo e torná-lo clinicamente relevante quando se sobrepõem a um cérebro já mais vulnerável.
Nos últimos anos, tem-se acumulado evidências crescentes sobre os efeitos nocivos da privação do sono e dos distúrbios do sono na saúde cerebral. Dormir mal não está associado apenas a um pior desempenho cognitivo a curto prazo, mas também a um maior risco de deterioração cognitiva e demência a longo prazo.
Esse interesse crescente colocou em foco o sono dos idosos, uma fase da vida em que o descanso muda de forma quase universal. Mas um dos maiores desafios atuais é traçar uma linha clara entre as alterações do sono que fazem parte do envelhecimento normal, sem consequências físicas ou mentais negativas, e aquelas que podem constituir uma manifestação precoce de processos neurodegenerativos ainda subclínicos. Diante de uma pessoa que, com a idade, começa a perceber uma piora nas características do seu sono (mais despertares, sono mais superficial, etc.), não existem biomarcadores que permitam determinar se essas são mudanças normais e esperadas com a idade ou se, de fato, trata-se de uma manifestação de processos neurodegenerativos.
Embora seja normal que o sono se torne mais leve com a idade, algumas alterações vão além do esperado e podem indicar um envelhecimento cerebral não saudável. Um dos principais sinais de alerta é uma fragmentação acentuada e progressiva do sono, com múltiplos despertares noturnos prolongados e uma sensação persistente de descanso não reparador, mesmo quando o tempo total na cama é adequado. Ao contrário do envelhecimento normal, nesses casos o sono perde estabilidade e continuidade.
Outro sinal relevante é o aparecimento ou o agravamento rápido da sonolência diurna excessiva, especialmente quando interfere nas atividades cotidianas ou surge de forma desproporcional em relação às horas dormidas. Esse padrão sugere uma perda da capacidade do sono de cumprir sua função restauradora.
Do ponto de vista neurocognitivo, é especialmente preocupante a coexistência de distúrbios do sono com alterações cognitivas sutis, como dificuldades recentes de memória, atenção ou aprendizagem, mesmo que ainda não atendam aos critérios de deterioração cognitiva. Estudos indicam que essa combinação pode refletir processos neurodegenerativos incipientes.
Também são considerados sinais de alarme alterações qualitativas do sono, mais do que seu simples encurtamento: desaparecimento quase completo do sono profundo, redução clara do sono REM ou uma inversão progressiva do ritmo sono-vigília, com maior atividade noturna e sonolência diurna. Esses padrões não são típicos do envelhecimento saudável.
Por fim, merece atenção a necessidade crescente de uso de hipnóticos ou sedativos para dormir, bem como a perda brusca de eficácia de tratamentos que antes funcionavam. Nesses casos, o problema geralmente não é apenas de insônia, mas de uma alteração subjacente dos mecanismos cerebrais do sono. Todos esses sinais, por si sós, não permitem diagnosticar uma doença neurodegenerativa, mas indicam a conveniência de avaliar o sono como um possível marcador precoce de risco, especialmente quando as mudanças são recentes, progressivas e associadas a alterações cognitivas.
Alagoas deve enfrentar um novo período de chuvas intensas já nas próximas horas, com previsão de continuidade até esta terça-feira (31), segundo atualização da Sala de Alerta da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh). O cenário mantém o estado em nível de atenção, especialmente nas regiões mais afetadas nos últimos dias.
De acordo com o coordenador da Sala de Alerta do órgão, Vinícius Pinho, a chuva começa a ganhar força inicialmente pelo Litoral Sul do Estado e, ao longo do dia, avança para a Região Metropolitana de Maceió, seguindo em direção ao interior. A expectativa é de aumento gradual da intensidade ainda pela manhã, com picos entre o fim da manhã e o início da tarde.
“A gente tem sim previsão de chuva já para as próximas horas. Ela deve cair com mais intensidade começando pelo Litoral Sul, depois se estendendo pela Região Metropolitana e avançando pelo Estado ao longo da tarde”, explicou.
A previsão indica volumes significativos de chuva ao longo de todo o dia, com persistência das instabilidades pelo menos até amanhã. O alerta é maior para as regiões do Litoral, Zona da Mata e parte do Agreste, áreas que já registraram altos acumulados recentemente.
Nessas localidades, o solo encharcado aumenta o risco de alagamentos, deslizamentos de terra e elevação do nível de rios e lagoas. Por isso, a recomendação é de atenção redobrada, principalmente para moradores de áreas consideradas vulneráveis.
Imagens do radar meteorológico de Maceió já mostram a aproximação das instabilidades. Áreas de chuva, indicadas por manchas em verde e amarelo, avançam em direção à costa alagoana, com núcleos mais intensos próximos da capital.
Equipes seguem monitorando a situação em tempo real, e novos avisos podem ser emitidos conforme a evolução das condições climáticas.
Os picos glicêmicos — ou seja, de açúcar no sangue, — não prejudicam apenas o cérebro e o pâncreas, conforme já foi abordado pela coluna Claudia Meireles. A hiperglicemia também afeta o funcionamento da tireoide. De acordo com o endocrinologista Nemer Finotelo, a glicose elevada não costuma causar uma lesão na glândula fixada no pescoço de forma direta. “Mas, indiretamente, pode haver prejuízo do equilíbrio hormonal”, reforça o médico.
O especialista de Florianópolis (SC) detalha que a resistência à insulina, a inflamação e o excesso de gordura corporal decorrentes dos picos de glicose criam um “ambiente metabólico desfavorável”. “Isso pode interferir no funcionamento global do organismo, incluindo o eixo hormonal”, frisa. O metabologista pontua que alterações metabólicas e hormonais frequentemente “caminham juntas”, especialmente em pacientes com obesidade, fadiga e dificuldade para emagrecer.
Pós-graduado em endocrinologia e fisiologia, o médico Wandyk Allison esclarece que a glicose elevada tende a afetar a função tireoidiana por vários mecanismos metabólicos, sendo um dos principais efeitos a redução da conversão do hormônio tiroxina (T4) em triiodotironina (T3).
“A resistência à insulina e a inflamação metabólica diminuem a atividade da enzima deiodinase tipo 1, responsável por converter T4 em T3 ativo”, ressalta.
Segundo o especialista, que atende em Balneário Camboriú (SC), essa ação nos hormônios da tireoide tem por consequência menor metabolismo basal. Outro efeito da hiperglicemia na glândula é o aumento do rT3, também chamado de T3 reverso. O médico sustenta: “O organismo passa a produzir mais triiodotironina reversa, uma forma inativa da substância, gerando fadiga, metabolismo lento e dificuldade para emagrecer.”
Wandyk Allison argumenta que os picos de glicose causam interferência no eixo hipotálamo-hipófise-tireoide. “A instabilidade altera o cortisol, leptina e insulina”, lista o médico atuante em metabologia e nutrição clínica. Ele atesta sobre esses hormônios mencionados influenciarem diretamente a regulação do hormônio tireoestimulante, produzido pela hipófise e regulado pela tireoide.

Imagine que seu corpo é uma grande empresa e cada órgão tem uma ocupação determinada para que tudo funcione. Nesse exemplo, é consenso que o cérebro teria uma posição de liderança. Responsável por ser o nosso centro de comando, ele processa informações sensoriais, controla as ações voluntárias e involuntárias e ainda cuida da inteligência, emoção e memória dos seres humanos.
Em outras palavras, o cérebro é o chefe da empresa “chamada” corpo. Por isso, qualquer intercorrência nele costuma provocar consequências. Os acidentes cerebrais podem ser classificados em:
Seja qual for o caso, o cérebro não funciona como o fígado, por exemplo, que tem capacidade de se regenerar, mesmo após perdas significativas. Para a recuperação cerebral, o sistema nervoso reorganiza sua estrutura para cumprir a função da região afetada. O processo é chamado de neuroplasticidade.
“O cérebro tem uma capacidade limitada de regeneração, mas uma grande capacidade de adaptação. Muitas vezes, ele não ‘reconstitui’ totalmente a área lesada, mas consegue reorganizar circuitos e recuperar funções de forma parcial ou até bastante significativa”, explica o neurologista Mario Peres, do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo.
De acordo com a neurologista Natalia Nasser Ximenes, a recuperação dependerá da extensão, localização e a gravidade da lesão, além do tempo até o atendimento médico após a lesão. Outros fatores também influenciam a neuroplasticidade, como o estilo de vida e a idade – jovens costumam se recuperar melhor.
“O cérebro tem uma capacidade limitada de regeneração estrutural — ou seja, neurônios mortos geralmente não são substituídos de forma significativa. No entanto, ele possui uma impressionante capacidade de reorganização funcional. Isso significa que outras áreas podem assumir funções das regiões lesionadas, parcial ou até amplamente, dependendo do caso”, conta a especialista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro da Academia Americana de Neurologia.
Por outro lado, é importante ressaltar que nem toda lesão é reversível. Em alguns casos, a recuperação pode levar anos para ocorrer, além de ter risco de deixar sequelas permanentes. Se muito grave, o acidente cerebral também pode levar à morte.
Realizar terapias de reabilitação é essencial para a recuperação cerebral. O tratamento é feito através de uma abordagem multidisciplinar, que envolve fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, reabilitação cognitiva e acompanhamento neuropsicológico.

Quanto mais rápido for iniciado, mais chances de melhora existem. Isso porque as primeiras semanas são a fase de maior ganho funcional do cérebro. “Até seis meses a recuperação significativa ainda é comum. Após um ano, o progresso continua, mas tende a ser mais lento”, afirma Natalia.
Para Mario, o importante é não tratar a reabilitação como um processo de “tudo ou nada”. “Mesmo quando não há retorno completo ao estado anterior, muitas pessoas conseguem recuperar autonomia e qualidade de vida com tratamento adequado”, completa o especialista.
Quase 40 anos depois de se desprender da Antártica, o mega iceberg A23a está chegando ao fim de sua longa trajetória. Considerado por anos um dos maiores icebergs do planeta, o enorme bloco de gelo começou a se desintegrar e pode desaparecer completamente nas próximas semanas.
Quando ainda estava intacto, o A23a impressionava pelo tamanho. No início de 2025, ele pesava cerca de um trilhão de toneladas e tinha aproximadamente 3.672 quilômetros quadrados, uma área quase duas vezes e meia maior que a cidade de São Paulo.
Nos últimos meses, grandes pedaços se desprenderam da estrutura principal. Alguns fragmentos chegaram a ter cerca de 400 quilômetros quadrados. À medida que o iceberg se desloca por águas mais quentes, novos pedaços continuam se separando, o que também pode representar riscos para embarcações que cruzam a região.
O iceberg A23a tem uma história incomum. Ele se desprendeu da plataforma de gelo Filchner-Ronne, na Antártica, em 1986. Apesar do tamanho gigantesco, o bloco permaneceu praticamente imóvel por cerca de três décadas no mar de Weddell, encalhado no fundo do oceano.
Segundo o professor Gustavo Baptista, do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), as dimensões do iceberg ajudaram a transformá-lo em um dos mais observados pelos cientistas ao longo das últimas décadas.
“Durante esse período ele pesava cerca de um trilhão de toneladas e tinha aproximadamente 4 mil quilômetros quadrados. Para se ter uma ideia, isso representa quase três vezes o tamanho da cidade de São Paulo”, explica.
A situação começou a mudar apenas recentemente. A partir de 2020, o bloco começou a se deslocar lentamente em direção ao norte, carregado pelas correntes oceânicas.
À medida que avançou para regiões mais quentes do oceano, o A23a passou a sofrer processos naturais de fragmentação e derretimento.
Em 2024, por exemplo, o iceberg chegou a girar sobre si mesmo sem sair do lugar devido a um fenômeno conhecido como Coluna de Taylor, causado por correntes marítimas que giram ao redor de uma massa submersa.
Gustavo diz que o aquecimento global pode ter contribuído para acelerar esse processo.
“A década entre 2015 e 2025 foi considerada a mais quente da história, e 2024 foi o ano mais quente dessa série histórica. Tivemos ainda a influência de um El Niño muito forte e um aquecimento anômalo no oceano Atlântico. Esse conjunto de fatores provavelmente reduziu a massa do iceberg e facilitou seu deslocamento e posterior derretimento”, afirma.
Ele também chama atenção para a velocidade com que o gigante de gelo perdeu volume nos últimos anos.
“Uma massa desse tamanho que ficou mais de 30 anos parada e que até o ano passado era considerada o maior iceberg do mundo perder cerca de 80% da sua massa em pouco tempo não é algo considerado normal”, diz.
De acordo com o pesquisador, imagens recentes da Nasa mostraram que o iceberg chegou a apresentar coloração azul em algumas áreas, sinal de acúmulo de água de degelo em sua superfície.
O deslocamento de icebergs gigantes também pode gerar impactos locais no ambiente marinho. No entanto, esses efeitos costumam fazer parte da dinâmica natural do oceano.
Segundo o glaciologista Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a fragmentação de icebergs ocorre regularmente à medida que essas massas de gelo se deslocam para latitudes mais baixas.
“Conforme o iceberg se move para o norte, a água ao redor fica mais quente e ele começa a se quebrar e mudar de forma. Esse é um processo natural que acontece com todos os icebergs”, afirma o pesquisador membro da Academia Brasileira de Ciências.
Ele explica que os efeitos ambientais costumam ser localizados. “O impacto das massas de gelo ocorre principalmente nas áreas próximas onde elas estão derretendo. Existe uma diferença de temperatura na água ao redor, mas os ecossistemas marinhos evoluíram adaptados a esse tipo de fenômeno”, diz.
O pesquisador destaca que problemas maiores poderiam surgir caso a frequência de desprendimento de grandes icebergs aumente significativamente.
“Se começarmos a observar um aumento muito grande na formação de icebergs, isso pode indicar que o manto de gelo da Antártica está perdendo mais massa e liberando mais gelo no oceano”, explica.
Entre os cientistas, ainda existe debate sobre o quanto eventos como esse estão diretamente ligados às mudanças climáticas.
Para Gustavo Baptista, o processo atual tem relação com o aquecimento global. Ele reforça que relatórios recentes apontam que vários dos limites ambientais do planeta já foram ultrapassados, incluindo a acidificação dos oceanos provocada pelo aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera.
Já Jefferson afirma que ainda é difícil estabelecer uma relação direta entre a fragmentação de um iceberg específico e as mudanças do clima.
“Em algumas regiões da Antártica Ocidental existem evidências de aumento na formação de icebergs, principalmente em áreas onde as plataformas de gelo estão recuando. Mas isso acontece em regiões específicas que estão aquecendo mais do que a média do continente”, esclarece.
O Brasil vive um cenário de aumento preocupante da incidência de câncer de cólon e reto, mais conhecido como câncer colorretal. Estimativas epidemiológicas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), descritas em fevereiro na Revista Brasileira de Cancerologia, projetam que 53.810 pessoas desenvolverão a doença a cada ano entre 2026 e 2028. Isso significa que esse tipo de tumor representará cerca de 10,4% de todos os novos diagnósticos de neoplasias no país.
Esse fenômeno não se reflete apenas em um maior número de casos, mas também em mais internações e óbitos. Em um artigo publicado em março no ANZ Journal of Surgery, uma equipe de pesquisadores do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS), do Einstein Hospital Israelita, analisou os dados de internações em hospitais públicos do estado de São Paulo entre 2000 e 2023. Uma das conclusões é que, conforme a faixa etária avança, a probabilidade de óbito após a cirurgia para retirar o tecido tumoral no cólon e reto aumenta de forma consistente.
Outro achado importante diz respeito ao tipo de internação. Pacientes submetidos a cirurgias de urgência apresentam risco significativamente maior de morte em comparação aos operados de forma eletiva. Isso sugere que o diagnóstico tardio e a necessidade de intervenção em situações críticas contribuem para piores desfechos clínicos.
O tempo de internação e a presença de comorbidades também influenciam o risco de mortalidade. Hospitalizações mais longas e pacientes com outras doenças associadas tendem a apresentar maior probabilidade de morrer, o que indica quadros clínicos mais complexos e maior gravidade.
“Com base nesses achados, treinamos alguns modelos de inteligência artificial utilizando dados clínicos dos pacientes e variáveis socioeconômicas, como índice de desenvolvimento humano (IDH) do município, escolaridade, sexo e idade. Ao combinar todos esses preditores, conseguimos desenvolver um modelo com boa capacidade de previsão de mortalidade por câncer colorretal”, explica o cientista de dados Felipe Delpino, coautor da pesquisa e membro do CEPPS.
A equipe espera que ferramentas desse tipo possam ser integradas a hospitais no futuro, de maneira a contribuir para direcionar recursos, ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento em áreas mais vulneráveis e reduzir desigualdades socioeconômicas.
A tendência de crescimento no número de casos de câncer no cólon e reto é observada há, pelo menos, quatro décadas e não afeta apenas os brasileiros. De acordo com um estudo publicado em fevereiro no periódico Nature Medicine pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1,9 milhão de casos de tumores colorretais foram identificados globalmente durante 2022.
“Não sabemos exatamente a causa desse fenômeno, mas ele parece estar mais relacionado a fatores comportamentais do que puramente genéticos”, analisa o coloproctologista Sergio Eduardo Araujo, diretor médico da Rede Cirúrgica do Einstein. “O sedentarismo e a adoção de uma dieta rica em ultraprocessados, com alto teor de gordura animal e pobre em fibras, contribuem diretamente para o aumento da incidência da doença.” O tabagismo e o consumo exagerado de álcool também figuram como fatores de risco para essa e outras neoplasias.
O tumor colorretal é caracterizado pelo crescimento anormal de células no cólon, um tubo muscular que corresponde à maior parte do intestino grosso, e no reto, câmara que liga o final do intestino grosso ao ânus.
Seus sintomas típicos incluem episódios persistentes de sangramento retal, alterações nos hábitos intestinais, sensação de evacuação incompleta, perda de peso sem razão aparente e dor abdominal que não responde a medicamentos comuns. “De forma geral, sintomas que duram mais de uma semana já merecem atenção”, orienta Araujo.
O diagnóstico costuma ser feito por meio de colonoscopia com biópsia. Esse exame permite visualizar o interior do intestino grosso, identificar eventuais lesões e coletar uma amostra desses tecidos.
No laboratório, o material é analisado em um exame anatomopatológico, que verifica suas particularidades. Com isso, é possível confirmar sua natureza benigna ou maligna, bem como estabelecer seu estadiamento, ou seja, o grau de infiltração do tumor na parede intestinal e arredores.
Quando se trata de câncer no cólon, o tratamento tende a ser essencialmente cirúrgico. “Existem alguns poucos casos de tumores muito iniciais que podem ser tratados endoscopicamente durante a colonoscopia, com a retirada de um pólipo que posteriormente se descobre ser maligno”, observa Sergio Araujo.
Dependendo dos achados no exame anatomopatológico, o paciente pode precisar passar por sessões de quimioterapia adjuvante, a fim de eliminar células tumorais que possam estar circulando no organismo e evitar o surgimento de metástases.
Quando os tumores apresentam determinadas características biológicas, é possível recomendar a imunoterapia, uma forma de tratamento relativamente recente que emprega medicamentos para tentar ativar o próprio sistema imunológico do paciente. “Mesmo que nem todo mundo responda à abordagem, no Einstein, temos obtido bons resultados com nossos pacientes”, relata Araujo.
Já quando o tumor está localizado no reto, o tratamento inicial tende a envolver quimioterapia e radioterapia. “Na maioria das vezes, após esse tratamento inicial, o paciente ainda precisa passar por cirurgia. Contudo, em cerca de 20% a 30% das vezes, ele pode apresentar uma resposta completa ao tratamento, o que permite evitar a cirurgia”, lembra o coloproctologista.
Nos casos em que há metástase, o cuidado primário costuma ter abordagem sistêmica, com encaminhamento para a quimioterapia. Outro avanço é o uso de robôs no procedimento cirúrgico. Essa abordagem oferece algumas vantagens importantes, como maior precisão e recuperação pós-operatória mais rápida. Como consequência, o paciente consegue prosseguir mais cedo com seu tratamento oncológico e ter maior chance de cura.
Há evidências de que o câncer de intestino pode estar relacionado a fatores comportamentais. Adotar boas práticas de saúde, como exercícios físicos regulares, alimentação equilibrada e rica em fibras, além de boa ingestão de água, é importante para a boa saúde intestinal.
Uma segunda frente de prevenção ao câncer colorretal é o diagnóstico precoce. Ao detectar as lesões tumorais em estágio inicial, o tratamento tende a ser facilitado e dá mais chances de cura.
“Sabemos que o câncer de cólon e reto ocorre principalmente a partir dos 45 ou 50 anos de idade. Por isso, a partir dessa faixa etária, são recomendadas estratégias de rastreamento”, indica o médico do Einstein.
Há dois métodos principais de rastreamento: o teste de sangue oculto nas fezes, que deve ser realizado anualmente, e a colonoscopia, que costuma ser realizada a cada dez anos. Para pessoas sem histórico familiar da doença, essas estratégias devem começar aos 45 anos.
Quando esse tipo de câncer já atingiu algum parente de primeiro grau, a recomendação é que o rastreamento seja iniciado cerca de dez anos antes da idade na qual o familiar recebeu seu diagnóstico.
Por exemplo, se o tumor do pai foi identificado aos 50 anos, os filhos devem começar a ficar mais atentos aos exames de rastreamento quando completarem 40 anos. Combinadas, essas estratégias podem ajudar a reduzir a incidência da doença e otimizar o tratamento em boa parte dos casos.
Um motorista foi preso nesse domingo (29) por embriaguez após se envolver em uma colisão traseira na rodovia AL-220, no cruzamento da Igrejinha, em Arapiraca. O acidente não deixou vítimas e envolveu um Fiat Mobi branco e um Chevrolet Traker preto.
No local, a guarnição do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) identificou que o condutor do Chevrolet Traker, de 51 anos, apresentava sinais visíveis de embriaguez, como hálito alcoólico, olhos vermelhos, fala arrastada e desordem nas vestes, além de estar bastante alterado.
Foi oferecido a ele o teste de etilômetro, mas ele se recusou a realizar, mesmo admitindo ter ingerido bebida alcoólica.

Diante disso, o motorista foi conduzido à Central de Polícia Civil, onde foi lavrado o auto de constatação de embriaguez e realizado o flagrante, além do auto de infração por recusa ao teste. Ele teve a habilitação suspensa.
Uma dúvida comum entre quem frequenta academia é: afinal, o que deve vir primeiro no treino, cardio ou musculação? A resposta não é tão simples quanto parece e depende, principalmente, do objetivo de cada pessoa.
De acordo com especialistas, a ordem entre cardio e musculação pode influenciar no desempenho do treino, mas nem sempre altera os benefícios para a saúde do coração.
O cardiologista Antonio Carlos Avanza Junior, presidente do Departamento de Ergometria, Exercício, Cardiologia Nuclear e Reabilitação Cardiovascular (DERC), explica que quando o foco é a saúde cardiovascular, a sequência das atividades não é o fator mais importante.
“Para quem está visando apenas saúde cardiovascular e prevenção de doenças cardíacas, a ordem entre aeróbico e musculação não tem tanto significado. Inclusive, os exercícios podem ser realizados em dias diferentes”, explica.
A situação muda quando o objetivo envolve desempenho físico, ganho de força ou hipertrofia. Nesses casos, começar pelo exercício aeróbico pode comprometer o rendimento no treino de força.
Segundo Avanza Junior, isso ocorre porque o cardio consome parte das reservas de energia do corpo.
“Para quem tem foco em força e hipertrofia, o ideal é realizar a musculação antes do exercício aeróbico, pois o cardio pode desgastar as reservas de glicogênio”, afirma.
O cardiologista recomenda uma estrutura simples de treino:
Essa sequência permite aproveitar melhor a energia disponível para o treino de força.
O cardiologista Carlos Nascimento, do Hospital Brasília Águas Claras, reforça que muitas pessoas se preocupam excessivamente com a ordem das atividades e acabam ignorando o principal fator para a saúde.
“Para o coração, o mais importante não é a ordem, e sim a consistência. Tanto o exercício aeróbico quanto o treino de força trazem benefícios cardiovasculares importantes e complementares”, explica.
Segundo ele, quando bem combinados, cardio e musculação funcionam quase como um tratamento completo para o organismo, ajudando no controle do peso, na melhora da circulação e na prevenção de doenças cardiovasculares.
A ordem ideal entre cardio e musculação pode variar conforme o objetivo principal da pessoa.
Nascimento explica que iniciar o treino cansado pode comprometer o desempenho.
“Se você começa já fadigado, naturalmente seu desempenho cai. Por isso, eu sempre oriento começar pelo que é prioridade no treino”, diz.
Para pessoas saudáveis, combinar cardio e musculação no mesmo treino é considerado seguro e altamente recomendado.
A prática regular de exercícios é um dos pilares mais importantes para a prevenção de doenças cardiovasculares.
No entanto, especialistas alertam que pessoas com doenças cardíacas ou fatores de risco devem passar por avaliação médica antes de iniciar ou intensificar os treinos.
“Pessoas com cardiopatias ou fatores de risco devem ser avaliadas individualmente e liberadas para atividade física seguindo as diretrizes médicas”, destaca Avanza Junior.
Além disso, os cardiologistas recomendam uma avaliação cardiológica pré-participação, especialmente para quem pretende iniciar uma rotina de exercícios ou aumentar a intensidade das atividades.
Embora a dúvida sobre cardio e musculação seja comum, os especialistas reforçam que o fator mais importante continua sendo a regularidade.
Treinar de forma consistente, respeitar os limites do corpo e manter orientação profissional são atitudes que fazem mais diferença do que a ordem dos exercícios.
No fim das contas, mais importante do que decidir o que vem primeiro é garantir que cardio e musculação façam parte da rotina. Isso já é suficiente para trazer benefícios importantes para a saúde e a qualidade de vida.
A Doença de Crohn (DC), inflamação intestinal crônica que pode afetar qualquer trecho do sistema digestivo, tem avançado no Brasil e preocupa especialistas pela dificuldade de diagnóstico precoce e pelo risco de complicações graves.
Com maior incidência nas regiões Sul e Sudeste, a doença tem avançado no Brasil. Dados da pesquisa "Tendências temporais na epidemiologia das doenças inflamatórias intestinais no sistema público de saúde no Brasil: um grande estudo de base populacional", publicada na revista The Lancet Regional Health - Américas e repercutida pelo Jornal da USP, indicam crescimento médio de 12% ao ano no país.
De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista, especialista em doença de Crohn do Instituto Medicina em Foco, Dr. Rodrigo Barbosa, a DC impacta profundamente a rotina do paciente. No aspecto alimentar, muitas pessoas passam a temer a alimentação devido à dor, à diarreia ou à distensão abdominal, o que pode levar à restrição excessiva e à desnutrição.
No ambiente de trabalho, as crises inflamatórias podem provocar afastamentos frequentes, fadiga intensa e dificuldade de concentração. "Do ponto de vista emocional, é comum observar ansiedade, insegurança social e até sintomas depressivos, especialmente em pacientes jovens que convivem com uma doença crônica e imprevisível", acrescenta o médico.
Segundo o especialista, a origem é multifatorial. Há predisposição genética, sobretudo em indivíduos com histórico familiar de doenças inflamatórias intestinais. "Fatores ambientais também influenciam, como tabagismo, alterações da microbiota intestinal, dieta ultraprocessada e possíveis gatilhos infecciosos. No entanto, nenhum fator isolado explica totalmente o desenvolvimento da doença", detalha o Dr. Rodrigo Barbosa.
Diagnóstico precoce evita complicações
Diagnosticado em 2020 com a doença de Crohn, o jornalista Evaristo Costa foi internado no início de 2024 para tratar uma crise relacionada à condição. "Quero que saibam que agora estou bem. Sem dores, medicado e assistido 24h", publicou em seu perfil no Instagram. Casos envolvendo figuras públicas ampliam o debate sobre a doença e reforçam a importância do diagnóstico e do tratamento adequados.
Conforme ressalta o especialista, o atraso no diagnóstico está entre os principais fatores associados a complicações. A inflamação persistente pode evoluir para estenoses, fístulas, abscessos e demandar cirurgias mais complexas.
"Quanto mais tempo a doença permanece ativa sem tratamento adequado, maior o risco de dano estrutural irreversível ao intestino. O diagnóstico precoce permite controle inflamatório antes que essas complicações se instalem", observa.
Entre os sinais que exigem investigação especializada estão diarreia persistente por mais de quatro semanas, dor abdominal recorrente, perda de peso involuntária, presença de sangue nas fezes, febre sem causa definida e anemia.
Avanços no tratamento e cuidado contínuo
Segundo o Dr. Rodrigo, que também é fundador do NuDii (Núcleo de Doenças Inflamatórias Intestinais do Instituto Medicina em Foco), o tratamento da Doença de Crohn evoluiu de forma importante nos últimos anos. Além das terapias imunomoduladoras e biológicas já consolidadas, novas abordagens vêm ampliando o controle da inflamação intestinal, como o Guselcumabe, anticorpo monoclonal direcionado à via da interleucina-23, que tem demonstrado resultados promissores na indução e manutenção da remissão da doença.
"O objetivo atual não é apenas controlar sintomas, mas alcançar a cicatrização da mucosa intestinal e evitar a progressão da inflamação", explica.
Ele destaca ainda que o manejo da doença exige acompanhamento contínuo e abordagem multidisciplinar, com orientação nutricional, controle de fatores de risco -- como o tabagismo -- e adesão adequada ao tratamento, mesmo durante os períodos de remissão.
Pesquisa clínica e novos medicamentos
Além do cuidado assistencial, o NuDii também participa do desenvolvimento de novas terapias para doenças inflamatórias intestinais por meio da pesquisa clínica. O braço de pesquisa do núcleo é a Solare Trials, centro dedicado à condução de estudos clínicos que avaliam medicamentos inovadores para condições como a Doença de Crohn.
Esses estudos permitem ampliar o conhecimento científico e, em alguns casos, oferecer aos pacientes acesso a terapias em investigação sob acompanhamento especializado.
Portadores de Doença de Crohn que buscam cuidado integrado podem acessar o portal do NuDii e saber mais sobre acompanhamento especializado e oportunidades de participação em pesquisas clínicas.
Pela primeira vez, pesquisadores da Nasa observaram um cometa desacelerar até quase parar e, em seguida, voltar a girar no sentido oposto. O fenômeno foi registrado pelo cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák, em 2017, logo após a sua passagem pelo Sol. Detalhes da observação foram descritos em um artigo publicado na revista The Astronomical Journal na última quinta-feira (26).
Segundo dados do Telescópio Espacial Hubble, em março, o corpo celeste girava em um ritmo considerado normal. Dois meses depois, em maio, ele já estava três vezes mais lento. Meses mais tarde, voltou a acelerar, mas na direção contrária à original.
Os especialistas acreditam que o cometa 41P provavelmente se formou no Cinturão de Kuiper, uma região distante do Sistema Solar repleta de corpos gelados. Em algum momento, ele teria se deslocado pela gravidade de Júpiter para a órbita atual, passando a visitar a região interna do Sistema Solar a cada 5,4 anos. Estima-se que o corpo celeste esteja nessa trajetória há cerca de 1.500 anos.
O que fez o cometa mudar seu giro?
A explicação para tal ocorrência envolve um processo relativamente simples, embora pouco intuitivo. Quando um cometa se aproxima do Sol, o calor faz com que o gelo em sua superfície passe diretamente para o estado gasoso, em um fenômeno chamado de sublimação.
O gás tende a escapar em forma de jatos, como pequenos “sopros” que empurram o corpo no espaço. Se esses jatos saem de forma desigual, é possível que eles funcionem como propulsores desbalanceados. Dessa forma, eles podem frear o giro original e acabarem forçando o cometa a girar no sentido contrário.
“É como empurrar um carrossel”, exemplifica David Jewitt, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles e autor da pesquisa, em comunicado. “Se ele estiver girando em uma direção, e você empurrar contra essa direção, você pode diminuir a velocidade e inverter o sentido de rotação.
As observações do Hubble indicam que foi exatamente isso que ocorreu: o cometa desacelerou progressivamente até quase parar e, em seguida, foi forçado a girar na direção oposta por esses jatos de gás.
Objeto pequeno e vulnerável
Outro fator decisivo para a ocorrência do fenômeno foi o tamanho do cometa. O núcleo do 41P tem cerca de 1 km de diâmetro — aproximadamente três vezes a altura da Torre Eiffel, na França. Em termos astronômicos, isso é considerado muito pequeno.
Da mesma forma, por ter pouca massa e baixa gravidade, ele é mais sensível a forças externas. Assim, os jatos de gás conseguem alterar sua rotação de maneira muito mais intensa do que ocorreria em um cometa maior.
Esse tipo de núcleo também tende a ser irregular, o que contribui para a emissão desigual dos jatos. Isso reforça ainda mais o efeito de “empurrão” desbalanceado.
Sinais de desgaste acelerado
Além da mudança de rotação, os cientistas identificaram que o cometa está menos ativo do que no passado. Em 2001, ele apresentava uma liberação de gás relativamente intensa para seu tamanho. Já em 2017, essa atividade havia caído cerca de dez vezes.
Isso sugere que sua superfície está mudando rapidamente. Entre as hipóteses estão o esgotamento de materiais voláteis (como gelo) próximos à superfície ou a formação de uma camada de poeira que “isola” o interior, dificultando a liberação de gás.
Tais transformações indicam que o cometa está evoluindo e, possivelmente, sendo degradados em um ritmo incomum. Normalmente, alterações estruturais em cometas acontecem ao longo de séculos ou até milênios. Mas, no caso do 41P, mudanças significativas foram registradas no intervalo de alguns meses.
Modelos baseados nas medições de rotação e perda de massa indicam que esse comportamento pode ter consequências dramáticas. Se o cometa continuar acelerando seu giro, a força gerada pode superar sua fraca gravidade, levando à fragmentação ou até à desintegração completa.
Um homem foi preso em flagrante suspeito de furto qualificado após supostamente invadir uma residência e ser encontrado dormindo nu dentro do imóvel, em Arapiraca, nessa sexta-feira (27).
O proprietário da casa acionou a Polícia Militar ao se deparar com a situação inusitada. Segundo relato do morador à PM, ao chegar em casa e subir até um quarto no primeiro andar, ele encontrou um desconhecido completamente despido, deitado em sua cama.
Autorizado pelo propietário, policiais entraram na residência e, no cômodo indicado, confirmaram a presença do suspeito, que foi acordado e rendido.
Durante a ação, o homem confessou que invadiu o imóvel após pular o muro, cortar os fios da cerca elétrica e arrombar a fechadura de uma porta lateral. Ele também relatou que consumiu alimentos e bebidas alcoólicas encontrados na casa e, por estar cansado, decidiu deitar para dormir.
Ainda segundo a polícia, o suspeito já havia separado objetos dentro da residência com a intenção de furtá-los. O imóvel estava revirado, com roupas e pertences espalhados, além de sinais de uso do banheiro, onde o invasor chegou a realizar higiene pessoal e até fazer a barba.
O homem afirmou morar em Maceió, na comunidade Vale do Reginaldo, mas não soube informar endereço completo. Durante a abordagem, ele apresentou resistência e comportamento alterado.
O suspeito foi conduzido à Central de Polícia Civil de Arapiraca, onde foi autuado em flagrante por furto qualificado.
Um homem foi preso suspeito de perseguir sua ex-companheira no bairro Cidade Universitária, na parte alta de Maceió, nessa sexta-feira (27).
Populares acionaram a Polícia Militar, que encontrou o suspeito correndo atrás da vítima próximo de um supermercado.
Ao perceber a aproximação da viatura, a mulher relatou que estava sendo perseguida pelo ex-companheiro, que não aceitava o término do relacionamento. Durante a abordagem, o homem desobedeceu às ordens da polícia, proferiu xingamentos e desacatou os militares.
O suspeito foi levado à Central de Flagrantes e autuado pelos crimes de perseguição (stalking), enquadrado na Lei Maria da Penha, e desacato. O caso segue sob acompanhamento da autoridade policial para medidas cabíveis de proteção à vítima.
Nem todo cérebro funciona da mesma forma. Nos últimos anos, o conceito de neurodiversidade ganhou espaço nas redes sociais e no debate público, trazendo novas formas de entender diferenças no comportamento, na atenção e na aprendizagem.
Mas afinal, o que significa ser neurodivergente? E será que todo mundo se encaixa nesse termo?
Segundo o psiquiatra André Botelho, do Hospital Sírio-Libanês, a ideia de neurodivergência surgiu justamente para ampliar o olhar sobre essas diferenças, sem reduzi-las automaticamente a doenças.
“Neurodivergência é um termo amplo, usado para descrever pessoas cujo modo de pensar, aprender, perceber o mundo ou se comunicar foge do padrão mais comum, chamado de neurotípico”, explica.
Ele ressalta que o conceito não é, por si só, um diagnóstico médico, mas uma forma de descrever diferentes maneiras de funcionamento do cérebro.
No uso mais comum, o termo costuma englobar condições relacionadas ao neurodesenvolvimento, como autismo, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e dislexia. No entanto, não há uma lista única e oficial do que pode ou não ser considerado neurodivergente.
“De forma mais ampla, algumas pessoas também incluem condições como discalculia, dispraxia e até altas habilidades dentro desse conceito”, afirma André.
A neuropsicóloga Nárrina Ramos, do Grupo Reinserir, em São Paulo, destaca que esse campo ainda está em construção e vai além de uma visão puramente médica.
“Discutir diversidade apenas pelo ponto de vista biomédico empobrece o debate. O conceito de neurodiversidade ainda está sendo construído e envolve diferentes formas de compreender o funcionamento humano”, pontua.
Para ela, esse olhar mais amplo também ajuda a incluir outras condições que podem impactar o funcionamento cognitivo, embora nem sempre sejam tradicionalmente associadas ao termo.
Com a popularização do tema, especialmente nas redes sociais, o termo passou a ser utilizado com mais frequência no dia a dia, o que, segundo especialistas, pode gerar confusão. André alerta que nem todo comportamento fora do padrão indica uma neurodivergência.
“Quando qualquer timidez, distração ou dificuldade cotidiana passa a ser chamada de neurodivergência, o termo perde precisão, o que pode levar a autodiagnósticos e até atrasar o cuidado adequado”, afirma.
Ele explica que sintomas semelhantes podem ter origens diferentes, como estresse, ansiedade, privação de sono ou outras condições de saúde.
Nárrina também chama atenção para o risco de transformar diagnósticos em rótulos fixos. “Muitas vezes o diagnóstico limita a discussão em vez de ampliá-la. A gente precisa lembrar que a experiência humana não é algo imutável”, diz.
Outro ponto importante é que identificar condições relacionadas à neurodivergência exige avaliação clínica adequada. Isso porque os sinais podem variar bastante de pessoa para pessoa.
Segundo André, o processo não se baseia apenas em listas de sintomas ou conteúdos vistos na internet.
“Uma boa avaliação considera a história do desenvolvimento, a intensidade dos sinais, o impacto na vida da pessoa e o funcionamento em diferentes contextos, como casa, escola e trabalho”, explica.
Ele reforça que a principal diferença entre traços de personalidade e um transtorno está no impacto causado no dia a dia do indivíduo.
“Todo mundo pode ser distraído, tímido ou inquieto em algum momento. Mas isso só é considerado um transtorno quando é persistente, aparece em diferentes situações e traz prejuízo importante para a vida da pessoa”, finaliza.
A endometriose é uma doença ginecológica que afeta milhões de mulheres e pode causar dores intensas, alterações intestinais, desconforto durante a relação sexual e infertilidade.
Mesmo sendo relativamente comum, muitas pacientes levam anos para receber o diagnóstico correto. Entre os motivos estão sintomas que costumam ser confundidos com cólicas menstruais consideradas “normais”, além de dificuldades de acesso a exames especializados e a profissionais treinados para identificar a doença.
A condição ocorre quando células semelhantes às do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, passam a crescer fora do órgão, podendo atingir ovários, intestino e outras estruturas da pelve. Esses focos reagem aos hormônios do ciclo menstrual e provocam inflamação e dor.
“Muitas pacientes usam pílula anticoncepcional para evitar gravidez e isso acaba mascarando os sintomas da endometriose. A cólica diminui, o fluxo menstrual fica menor e a paciente muitas vezes não percebe que há algo errado”, esclarece.
Segundo o especialista, a doença também está diretamente ligada à infertilidade feminina. “A endometriose é a maior causa de infertilidade feminina. Toda paciente que está tentando engravidar e não consegue precisa ser investigada para essa possibilidade”, diz.
Depois da avaliação clínica, alguns exames são fundamentais para confirmar a suspeita de endometriose. O principal deles é o ultrassom transvaginal com preparo intestinal, que permite observar com mais precisão estruturas da pelve e possíveis focos da doença.
“O ultrassom transvaginal com preparo intestinal é o método de escolha para identificar a endometriose em diversas regiões da pelve, especialmente quando realizado por profissionais experientes”, explica o ginecologista Alexandre Pupo Nogueira, membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Outro exame frequentemente utilizado é a ressonância magnética pélvica, que também ajuda a identificar focos da doença, aderências e comprometimento de outros órgãos. Geraldo aponta, porém, que esses exames exigem experiência e preparo específico para detectar lesões menores.
“Não é o ultrassom ginecológico de rotina que vai diagnosticar a endometriose. É um exame com preparo intestinal e feito por profissionais acostumados a identificar a doença. Em muitas cidades ainda existem poucos locais com essa especialização”, afirma.
Quando há cistos ovarianos associados à endometriose, chamados de endometriomas, o diagnóstico costuma ser mais simples. Já os casos em que a doença se manifesta em pequenas lesões ou em áreas menos evidentes podem ser mais difíceis de identificar.
Em algumas situações, a confirmação definitiva ocorre apenas por meio de cirurgia, quando o médico consegue visualizar diretamente as lesões e realizar biópsias para análise laboratorial.
Além da dificuldade de reconhecer os sintomas, especialistas apontam que o próprio funcionamento do sistema de saúde pode contribuir para o atraso no diagnóstico. Segundo Alexandre, o primeiro obstáculo é o acesso à consulta médica e a profissionais com formação adequada.
“O acesso à saúde no Brasil é bastante desigual e a formação médica também é heterogênea. É fundamental que o médico esteja atualizado e investigue ativamente os sinais e sintomas da endometriose”, afirma.
Outro problema é o tempo reduzido de consulta, especialmente em atendimentos vinculados a planos de saúde.
“Muitas consultas ginecológicas são marcadas com apenas quinze minutos de duração. Nesse tempo é muito difícil realizar uma investigação completa dos sintomas e fazer um exame adequado”, diz.
A realização dos exames necessários também pode ser um desafio. A ressonância magnética, por exemplo, é um exame de alto custo e nem sempre está facilmente disponível na rede pública ou nos planos de saúde.
O ultrassom especializado também depende de profissionais com experiência específica na identificação da doença, o que ainda é considerado um gargalo em muitas regiões.
Os médicos defendem que ampliar o acesso à informação e criar centros especializados podem ajudar a reduzir o tempo até o diagnóstico da endometriose. Para Alexandre, o Brasil já avançou bastante nesse campo, mas ainda há espaço para melhorias.
“O país tem um papel importante na pesquisa e no tratamento da endometriose. Já conseguimos reduzir o tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico, mas ainda precisamos ampliar o acesso à informação para pacientes e médicos”, destaca.
Uma das estratégias sugeridas é a criação de centros de referência dedicados ao diagnóstico e tratamento da doença, semelhante ao que já acontece em áreas como a oncologia.
“A endometriose é uma doença complexa e muitas vezes exige tratamento cirúrgico especializado. A primeira cirurgia é a mais importante e deve ser feita com o máximo de cuidado para evitar procedimentos incompletos ou repetidos”, explica.
Para os especialistas, ouvir com atenção as queixas das pacientes e ampliar o acesso a exames e profissionais especializados são passos fundamentais para que menos mulheres convivam durante anos com dor antes de receber o diagnóstico correto.
Duas ocorrências de violência contra a mulher registradas nessa sexta-feira (27) resultaram na prisão de suspeitos em diferentes regiões de Maceió. Os casos envolveram perseguição, ameaças e até o descumprimento de medida protetiva, mobilizando equipes do 12º Batalhão da Polícia Militar.
A primeira ocorrência foi registrada no bairro Cidade Universitária, nas proximidades de um supermercado. Durante patrulhamento, uma guarnição da Força Tática foi acionada por populares que relataram uma possível agressão entre um casal. Ao chegar ao local, os militares constataram um homem perseguindo uma mulher.
A vítima informou que vinha sendo seguida pelo companheiro, que não aceitava o fim do relacionamento. Durante a abordagem, o suspeito avançou contra a guarnição, desobedecendo ordens legais e proferindo xingamentos contra os policiais. Foi necessário o uso de algemas para contê-lo. Ele foi conduzido à Central de Flagrantes, onde foi autuado por perseguição (stalking), no contexto de violência doméstica, e desacato.
Já o segundo caso ocorreu no bairro Santos Dumont. Equipes foram acionadas para atender uma ocorrência de violência doméstica e, ao chegar ao local, encontraram a vítima, que relatou que o ex-companheiro havia invadido sua residência, mesmo ciente de uma medida protetiva em vigor contra ele.
Segundo o relato, o homem entrou no imóvel armado com uma faca e passou a ameaçar a mulher e sua filha, causando temor pela integridade física das duas. O suspeito ainda estava dentro da residência quando os policiais chegaram e foi localizado durante a intervenção. Ele recebeu voz de prisão e não apresentou resistência.
As partes foram conduzidas à Central de Flagrantes, onde o homem foi autuado por ameaça no contexto de violência doméstica e descumprimento de medida protetiva, permanecendo preso.
A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) garantiu a liberdade de uma mulher que permaneceu presa por mais de cinco meses após reagir a uma agressão do ex-companheiro. A prisão preventiva, considerada indevida, foi baseada em um equívoco que a apontava como ré em processos nos quais, na verdade, ela figurava como vítima de violência doméstica.
O caso foi identificado pela defensora pública Daniela Damasceno, coordenadora do Núcleo Criminal da DPE/AL, durante visita ao Presídio Santa Luzia, em Maceió. Ao analisar a situação, a Defensoria constatou inconsistências na decisão que manteve a prisão da assistida.
De acordo com os autos, em outubro do ano passado, a mulher voltou a ser perseguida pelo ex-companheiro, que a atacou com um paralelepípedo. Ao tentar se defender, ela o feriu com um golpe de faca. O homem não sofreu ferimentos graves, mas a ocorrência foi registrada como tentativa de homicídio, colocando a mulher na condição de ré.
A manutenção da prisão preventiva se baseava no entendimento de que a mulher representaria risco à sociedade, sob a justificativa de que ela possuía três processos criminais em seu nome. No entanto, a Defensoria demonstrou que esses registros se referiam a ações em que ela era vítima de violência doméstica, todas relacionadas ao mesmo agressor.
Na manifestação apresentada à Justiça, a defensora também destacou que a mulher possuía medida protetiva em vigor, que proibia a aproximação do ex-companheiro. Ainda assim, ele continuava a persegui-la e, no dia do ocorrido, voltou a agredi-la, momento em que ela reagiu.
Diante dos esclarecimentos, o Judiciário reconheceu o erro na análise do histórico processual e concluiu que não havia elementos concretos que justificassem a manutenção da prisão preventiva, determinando a soltura da mulher.
O processo criminal segue em tramitação, e a Defensoria Pública continua acompanhando o caso para garantir a proteção dos direitos da assistida.
