
A ingestão de bebidas adulteradas com metanol pode parecer inofensiva nas primeiras horas, mas rapidamente evolui para um quadro grave, com risco de cegueira e morte. O processo é traiçoeiro porque o organismo interpreta o metanol de forma semelhante ao etanol — o álcool encontrado em bebidas comuns — e só revela sua toxicidade quando já está em plena ação.
O Brasil, principalmente o estado de São Paulo, tem registrado um aumento no número de casos de intoxicação por consumo de metanol misturado a bebidas alcoólicas.
Primeiras 12 horas: sintomas discretos e enganosos
De início, a intoxicação por metanol se parece com a de uma bebedeira comum. O paciente pode sentir náuseas, dor abdominal, tontura e dor de cabeça. Muitas vezes, os sintomas são leves, o que retarda a procura por atendimento médico.
Segundo Luis Fernando Penna, gerente médico do Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês, mesmo nesse estágio inicial o fígado já está trabalhando. A substância começa a ser metabolizada pela enzima álcool desidrogenase — a mesma que atua sobre o etanol — em duas etapas: primeiro em formaldeído e depois em ácido fórmico — os verdadeiros agentes tóxicos.
“Nas primeiras horas ainda há muito metanol intacto circulando, mas a conversão já se inicia”, explica o médico.
É justamente essa “falsa calmaria” que engana: enquanto a vítima sente apenas mal-estar inespecífico, os exames de sangue já podem indicar alterações, como aumento do chamado osmolar gap (um índice que denuncia a presença de álcool tóxico) e queda dos níveis de bicarbonato — sinais de que o organismo caminha para uma acidose metabólica.
“O metanol em si não é tão tóxico quanto seus metabólitos. A pessoa pode se sentir como numa embriaguez comum e até achar que melhorou. Mas, à medida que o fígado converte a substância, começam a se acumular os compostos tóxicos. É nesse momento que surgem os sintomas graves, como alterações visuais e confusão mental”, acrescenta Igor Mochiutti, infectologista do Hospital Metropolitano Lapa.
Até 24 horas: o fígado fabrica o veneno e os olhos sofrem primeiro
Com a progressão, surgem os sintomas mais característicos. “O fígado funciona como um laboratório: ele tenta transformar o metanol em água eliminável, mas nesse caso o resultado são produtos muito piores, como formaldeído e ácido fórmico”, explica Indianara Brandão, médica hematologista da Faculdade de Medicina do ABC e diretora da Clínica First.
O ácido fórmico é altamente tóxico porque inibe a produção de energia nas mitocôndrias das células. Tecidos que demandam mais energia — como os nervos e a retina — são os primeiros a sofrer. Entre 12 e 24 horas após a ingestão, é comum aparecer visão borrada, fotofobia e até a sensação de enxergar pontos luminosos, descrita como “chuva de pixels”.
“O nervo óptico sofre duplamente: pela falta de energia das mitocôndrias e também pela degeneração das fibras nervosas e da bainha protetora, o que pode levar à perda visual irreversível em pouco tempo”, afirma Igor Mochiutti, infectologista do Hospital Metropolitano Lapa.
Além disso, instala-se a acidose metabólica, uma condição em que o sangue fica excessivamente ácido. Isso leva a respiração acelerada, fraqueza, confusão mental e sobrecarga no coração e nos pulmões.
Até 48 horas: risco de cegueira e falência múltipla
Se não tratado, o quadro evolui para complicações graves em até dois dias. O ácido fórmico atinge de forma agressiva o sistema nervoso central, podendo causar convulsões, rebaixamento de consciência, coma e arritmias cardíacas.
De acordo com Penna, esse é o ponto em que a perda visual pode se tornar irreversível. “Não há um relógio exato, mas a combinação de acidose profunda e lesão estabelecida do nervo óptico marca um limiar de pior prognóstico”, afirma.
Nesse estágio, os danos deixam de ser apenas metabólicos ou neurológicos e avançam para uma falência sistêmica. Coração, pulmões e rins entram em colapso progressivo, consequência direta da acidose metabólica severa e da sobrecarga tóxica. É nesse momento que o risco de morte se torna elevado e, mesmo com tratamento, as chances de reversão caem drasticamente.
Por que o metanol engana o corpo
A confusão entre etanol e metanol acontece porque ambos são álcoois de cadeia curta e disputam a mesma enzima no fígado. O organismo “não distingue” entre eles na primeira etapa do metabolismo. A diferença é que o etanol gera acetaldeído, que depois vira ácido acético (um composto processável pelo corpo), enquanto o metanol gera ácido fórmico — muito mais tóxico.
“Esses casos mostram que o fígado não é só um filtro, ele é também uma biofábrica. Normalmente, ele nos protege. Mas, no caso do metanol, ele fabrica o próprio veneno”, resume Indianara Brandão.
Os especialistas alertam que cada hora conta. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, maiores as chances de reverter os danos neurológicos e visuais. Passadas 48 horas sem intervenção, as possibilidades de recuperar a visão diminuem drasticamente.
O tratamento para intoxicação por metanol inclui o uso de antídotos como o fomepizol — que bloqueia a enzima que inicia a metabolização tóxica — ou o próprio etanol, que compete pela mesma via enzimática. Em casos graves, é necessária a hemodiálise para remover rapidamente o metanol e seus metabólitos.
A chegada da primavera traz dias de variação climática e baixa umidade, cenário perfeito para a proliferação de vírus e bactérias que podem enfraquecer as defesas do organismo. Nesse contexto, a alimentação desempenha papel essencial na manutenção da imunidade, ajudando a prevenir gripes, resfriados e outras infecções.
Para transformar esse cuidado em algo prático, é possível recorrer a escolhas simples na rotina alimentar. Pensando nisso, a nutricionista Jéssica Benazzi, do Divino Fogão, lista 11 alimentos para reforçar a imunidade na primavera. Confira!
Clássicas quando o assunto é imunidade, as frutas cítricas são ricas em vitamina C e antioxidantes. Nesta época, laranja-lima, kiwi e abacaxi são boas pedidas.
Além do sabor marcante, as frutas vermelhas trazem vitamina C e ácido elágico, com ação antioxidante e anti-inflamatória. O destaque da temporada é o morango.
Fonte de licopeno, que dá a cor vermelha ao fruto e combate radicais livres, além de vitamina C, o tomate é um reforço extra contra gripes e resfriados.
Brócolis, couve e espinafre fornecem ácido fólico (vitamina B9), essencial para a formação de glóbulos brancos, além de propriedades anti-inflamatórias.
Cenoura, abóbora, batata-doce e batata-baroa se transformam em vitamina A no organismo, um potente antioxidante que fortalece as defesas.

Peixes como sardinha, salmão e atum, além de azeites de boa qualidade, oferecem gorduras boas que agem como anti-inflamatórios naturais.
Carregada de quercetina, a cebola ajuda a prevenir infecções bacterianas e fúngicas, além de proteger contra radicais livres.
Rico em vitamina B6 e C, o gengibre fortalece a imunidade e tem ação antimicrobiana, sendo um aliado no combate a gripes e resfriados.
Nozes, castanhas, amêndoas, pistache e avelãs são fontes de vitamina E e selênio, antioxidantes que protegem as células do organismo.
Com probióticos que equilibram a flora intestinal, onde se concentra a maior parte das células de defesa, o iogurte é essencial para manter a imunidade em alta.
Feijão, lentilha e grão-de-bico oferecem zinco, mineral que auxilia na prevenção de doenças respiratórias típicas da estação.
A Vigilância Sanitária de Maceió informou, nesta quinta-feira (2), que está acompanhando a situação dos casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas em alguns locais do país.
O órgão orientou que os consumidores devem adotar cuidados essenciais, como: verificar o rótulo, que deve conter CNPJ, dados do fabricante e registro no MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; observar a presença do selo fiscal; exigir nota fiscal no momento da compra; e evitar adquirir bebidas em locais sem credibilidade ou com preços muito abaixo do mercado.
“Até o momento, não há registros formais de denúncia relacionados a bebidas adulteradas em nossa jurisdição. No entanto, em parceria com o MAPA, o PROCON e demais órgãos de fiscalização, estamos estruturando uma força-tarefa de prevenção e monitoramento para ampliar a vigilância e garantir mais segurança à população”, tranquilizou Airton Santos, chefe especial da Vigilância Sanitária.
A intoxicação por metanol pode causar intoxicação grave, cegueira e até morte. As denúncias podem ser feitas pelo telefone (82) 3312-5495, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, ou pelo WhatsApp (82) 98752-2000, disponível 24 horas por dia para mensagens de texto, fotos e vídeos. As denúncias são anônimas e repassadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Seis detentas de uma unidade prisional em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), foram alvo de mandados de prisão preventiva sob a acusação de envolvimento em um brutal “ritual de tortura” contra colegas de cela. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) cumpriu os mandados na última terça-feira (30/9), concluindo parte de uma investigação que chocou o sistema prisional.
O crime teria ocorrido em 30 de agosto deste ano e, segundo a PCMG, foi motivado por uma correspondência extraviada. O que se seguiu foi uma sessão de violência organizada para punir duas internas, de 23 e 26 anos.
As investigações conduzidas pela 1ª Delegacia de Polícia Civil de Vespasiano revelaram a natureza chocante das agressões. As vítimas não apenas foram agredidas e asfixiadas, mas também submetidas a atos de profunda humilhação e crueldade, como ter as sobrancelhas e os cílios arrancados.
Além disso, as presas foram coagidas a ingerir desinfetante e fezes de outras detentas, configurando um cenário de tortura que extrapolou a violência física.
O inquérito policial apurou que seis internas, com idades entre 23 e 33 anos, participaram diretamente das torturas. As suspeitas ainda teriam se valido de intimidação para coagir outras presas a participarem das agressões, sob ameaça de também se tornarem alvos de punição.
Com a prisão preventiva decretada, os mandados foram cumpridos na unidade prisional. No entanto, o caso ganhou um adendo: uma das seis investigadas havia obtido liberdade provisória antes da expedição do mandado pelo crime de tortura e, agora, é considerada procurada pela Justiça.
Vale destacar que o inquérito policial está em fase final de conclusão e deve ser remetido à Justiça em breve para o prosseguimento da ação penal contra as mulheres.
Duas mulheres foram presas com 162 garrafas de uísque falsificadas, na noite dessa quarta-feira (1°/10), no município de Dobrada, no interior de São Paulo. As bebidas estavam sem documentação fiscal e possuíam rótulos sequer disponíveis para comercialização no Brasil.
Segundo a polícia, uma equipe do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR) recebeu, por volta das 21h30, uma denúncia de um carro suspeito na Rodovia Brigadeiro Faria Lima, entre Matão e Dobrada, no interior paulista. O veículo, um Kia, modelo Sportage, foi abordado e foram localizadas diversas garrafas de bebidas alcoólicas falsificadas.
Durante a revista ao carro, 162 garrafas de whisky de diversas marcas foram encontradas em posse de duas mulheres. Nenhuma das mercadorias possuía documentação fiscal e apresentavam sinais de contrafação (cópia não autorizada).
Questionadas pelos policiais, as suspeitas, de 23 e 34 anos, relataram que adquiriram os produtos pelo valor de R$ 9.760,00 em uma tabacaria, localizada na Galeria Pagé, no bairro do Brás, em São Paulo. Os produtos teriam destino final em Guariba, onde possuem uma adega.
Representantes das associações Alliance Against Counterfeit Spirits (AACS) e Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) foram acionados e, após análise das imagens das garrafas e rótulos, confirmaram a falsificação, destacando que alguns dos rótulos apreendidos sequer estão disponíveis para comercialização no Brasil.
Diante da constatação, foi dada voz de prisão em flagrante às mulheres. As comerciantes foram encaminhadas à Cadeia Pública de São Carlos.
A condutora do veículo já possuía antecedentes criminais pelo mesmo motivo e também por estelionato, enquanto a passageira não tinha registros anteriores. Os produtos falsificados e o veículo também foram apreendidos e encaminhados ao Instituto de Criminalística (IC) de Araraquara.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º) um projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês. O texto ainda precisa passar pelo Senado e ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para entrar em vigor.
Além da isenção de IR para pessoas com renda mensal até R$ 5 mil (R$ 60 mil ao ano), o projeto prevê um desconto progressivamente menor para quem ganha até R$ 7.350 mensais. (veja mais abaixo)
O g1 elaborou, com o apoio da Confirp Contabilidade, uma calculadora que mostra quanto você vai deixar de pagar de IR a partir de janeiro de 2026, caso o projeto seja aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Lula.
A redução do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 7.350 mensais, mas não considera a sobretaxa aplicada a quem recebe acima de R$ 50 mil por mês.
Na prática, esses são os valores que deixarão de ser descontados do salário todos os meses a partir de janeiro de 2026, caso o PL 1.087/25 seja aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Lula.
O ganho para quem tem salário de R$ 5 mil será de R$ 312,89 por mês. Em um ano, considerando também o décimo terceiro salário, a economia pode chegar a R$ 4.067. Na prática, isso representa um aumento anual equivalente a 81,35% do salário de um mês. (veja exemplos mais abaixo)
O projeto aprovado pela Câmara ainda prevê uma mudança na sistemática de cobrança do IR para quem ganha até R$ 7.350, com desconto progressivamente menor para rendas a partir de R$ 5.001. Com isso, esse público também será beneficiado, mesmo que em menor escala.
Quem recebe R$ 7 mil por mês, por exemplo, deverá ter ganhos de R$ 46,61 mensais e de R$ 605,87 no ano, considerando o décimo terceiro salário.
Já os contribuintes que recebem acima dessa faixa não serão impactados pelas mudanças, pois a tabela progressiva do Imposto de Renda não foi alterada. Nada muda também para quem ganha até R$ 3.036 — parcela já isenta pela tabela em vigor.
"Se a pessoa ganhar acima de R$ 7.350, ela não vai ter redução alguma: seguirá a tributação normal da tabela progressiva", pontua Welinton Mota, da Confirp.
Veja simulações na tabela abaixo:

O que mudou?
🔎 Hoje, estão isentos do Imposto de Renda os contribuintes com renda tributável de até R$ 3.036 por mês — equivalente a dois salários mínimos. Com a proposta, essa faixa de isenção será ampliada para rendimentos de até R$ 5 mil mensais.
A ampliação da faixa de isenção do IR foi uma promessa de campanha do presidente Lula. Se sancionada sem novas mudanças, deve incluir cerca de 10 milhões de contribuintes na lista de isenção a partir de 2026, ano de eleições.
O projeto entrou em pauta esta semana após o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmar que a Câmara precisava tirar da frente "pautas tóxicas". A medida faz parte de um esforço para aliviar a imagem dos deputados após, no fim de setembro, a Casa aprovar PEC da Blindagem, texto polêmico que virou alvo da opinião pública e que foi, posteriormente, derrubado no Senado.
Qual o total de isentos no país?
Caso o projeto seja posteriormente sancionado, o Brasil terá mais de 26,6 milhões de contribuintes isentos do Imposto de Renda (aproximadamente 65% dos declarantes).
Esse número inclui:
mais de 15,2 milhões de declarantes isentos atualmente;
quase 2 milhões de pessoas isentas pela Lei n.º 15.191/25, que eleva a atual faixa de isenção para quem ganha até dois salários-mínimos por mês; e
quase 10 milhões de contribuintes que passarão a ser isentos com o PL 1.087/25.
Quanto vai custar aos cofres públicos?
Em 2026, a isenção do IR para quem recebe até R$ 5 mil terá um impacto estimado de R$ 25,8 bilhões. Para compensar a queda na arrecadação, a Câmara manteve a proposta do governo de aplicar uma alíquota progressiva de até 10% sobre rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil.
Com a progressão do imposto, a alíquota máxima para pessoas de alta renda será aplicada a quem tiver ganhos anuais a partir de R$ 1,2 milhão. Segundo o projeto, a cobrança não irá atingir contribuintes que já pagam a alíquota de 27,5% do IR — ou seja, que já têm esse desconto em folha.
"Atualmente, os lucros e dividendos são isentos do IR. O projeto prevê que, a partir de 2026, eles sejam tributados em 10%, desde que a distribuição mensal para um mesmo sócio da empresa seja acima de R$ 50 mil", explica Welinton Mota, da Confirp Contabilidade.
Entenda o projeto:
Em março, o governo federal propôs ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda, a partir de 2026, de R$ 3.036 (dois salários mínimos) para R$ 5 mil.
Além de ampliar a faixa de isenção, a equipe econômica também propôs uma isenção parcial para valores entre R$ 5 mil e R$ 7 mil por mês.
Para compensar a perda de arrecadação com a ampliação da faixa de isenção do IR para rendimentos até R$ 5 mil mensais, o governo pretende taxar os super-ricos — ou seja, aqueles com renda mensal superior a R$ 50 mil (equivalente a R$ 600 mil por ano).
O projeto do governo, relatado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), impede que a cobrança sobre dividendos de pessoa física e empresa supere 34% para empresas e 45% para financeiras.
Em paralelo, há outro projeto de isenção do IR em tramitação no Senado, apresentado por Renan Calheiros (PP-AL). O texto, originalmente apresentado em 2019, foi resgatado sob o argumento de que o texto da Câmara estava parado.
Uma disputa política entre Lira e Renan é o pano de fundo da articulação dos projetos. Os dois devem concorrer ao Senado em 2026.

A Justiça Federal em Alagoas condenou o Município de Maceió, a União, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a adotar providências concretas para a proteção das tartarugas marinhas no litoral da capital. A condenação aconteceu após atender a uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF).
Na sentença, o Juízo da 4ª Vara Federal reconheceu que os réus foram omissos no cumprimento do dever constitucional de proteger as tartarugas marinhas, formando um quadro de ineficiência estrutural marcado pela persistência no tempo, multicausalidade e falta de integração institucional.
O magistrado ressaltou a densidade técnica das provas produzidas pelo MPF e reconheceu que, mantido o cenário atual de ausência de políticas públicas, os danos à fauna marinha e ao equilíbrio do ecossistema costeiro tendem a se intensificar progressivamente, comprometendo de forma irreversível a biodiversidade da região e violando preceitos constitucionais fundamentais.
De acordo com a decisão, os entes federais réus deverão apresentar em conjunto, no prazo de 90 dias, um plano de ação local para evitar a captura incidental por artes de pesca, bem como para intensificar o monitoramento e a fiscalização da atividade pesqueira. Já o Município de Maceió terá o mesmo prazo para elaborar um plano de ação local para a conservação das tartarugas marinhas, o qual deverá englobar medidas estruturais para combater o aumento do número de mortes desses animais no curto, médio e longo prazo. A sentença atendeu, ainda, os pedidos do MPF quanto ao conteúdo mínimo de cada um dos planos de ação a serem elaborados.
Além disso, o Município de Maceió deverá decidir, no prazo máximo de 30 dias, o processo administrativo referente à proposta de criação da unidade de conservação Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Costeiro-Marinha das Tartarugas, paralisado desde 2017.
Reconhecimento — A sentença destacou expressamente a importância da atuação do Instituto Biota: “A manifestação técnica do Instituto Biota de Conservação, nos autos, é de especial valor jurídico e probatório” e demonstrou que o litoral de Maceió concentra o maior número de encalhes de tartarugas em Alagoas, com média três vezes superior à de outros trechos avaliados.
Sobre o depoimento do professor da UFAL, o magistrado afirmou: “O testemunho técnico também corrobora as teses centrais sustentadas pelo Ministério Público Federal: a existência de um problema estrutural de omissão estatal, a inércia na implementação de medidas específicas para proteção das espécies marinhas, e a absoluta necessidade de criação de unidade de conservação ambiental”.
Para a procuradora da República Juliana Câmara, autora da ação, a decisão representa uma vitória importante na defesa do meio ambiente: “Os números e estudos apresentados comprovaram a gravidade da situação em Maceió e evidenciaram que a omissão do poder público não poderia mais ser tolerada. A sentença reconhece a responsabilidade solidária dos entes e impõe a adoção de medidas concretas para garantir a sobrevivência das tartarugas marinhas, animais que funcionam como verdadeiros sentinelas e indicadores de qualidade ambiental do ecossistema marinho”, afirmou.
Entenda — Desde 2012, o MPF acompanha os altos índices de encalhes e mortes de tartarugas marinhas na costa de Maceió. Em 2017, foi aberto processo administrativo no Município para criação da unidade de conservação ARIE Costeiro-Marinha das Tartarugas, mas até hoje não houve deliberação.
Diante da paralisia administrativa e da ausência de políticas públicas efetivas, o MPF ajuizou ação civil pública em 2022. O Instituto Biota de Conservação participou do processo como amicus curiae, oferecendo dados técnicos detalhados, enquanto especialistas da UFAL reforçaram, em audiência, a urgência ecológica da adoção de medidas protetivas.
O TNH1 buscou contato e deixa espaço aberto para manifestação do Município de Maceió, da União, do IBAMA e do ICMBio.
Alagoas é o destino nacional com o maior gasto em viagens, indicam dados divulgados nesta quinta-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2024, quem visitou o estado nordestino desembolsou R$ 366 por dia, em média, conforme o órgão.
São R$ 98 a mais do que a média das viagens no Brasil (R$ 268). Os dados consideram viagens nacionais com pernoite.
O gasto diário em Alagoas até diminuiu se comparado a 2023, quando estava em R$ 380. Ainda assim, foi o maior do país pelo segundo ano consecutivo.
O IBGE publica os valores em termos reais corrigidos pela inflação. Os dados integram um módulo anual de turismo da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).
O levantamento não detalha o que está por trás do gasto mais elevado em Alagoas, mas é possível que a demanda explique o cenário, de acordo com William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE. Ou seja, por essa lógica, a procura pelos serviços turísticos pressionaria os preços no estado.
A beleza das praias é um dos atrativos de Alagoas que chamam a atenção dos visitantes. Maragogi e São Miguel dos Milagres são exemplos de pontos turísticos locais.
Depois de Alagoas, os destinos que tiveram os maiores gastos diários em viagens nacionais com pernoite foram Distrito Federal (R$ 362), Pernambuco (R$ 351) e Rio de Janeiro (R$ 348).
O Acre, por outro lado, registrou o menor valor (R$ 88). Trata-se do único patamar abaixo de R$ 100 por dia.
Outra forma de analisar o cenário é por meio do gasto médio total ao longo das viagens e não apenas por dia. Alagoas, mais uma vez, lidera o ranking dos destinos: R$ 3.790.
É mais que o dobro da média no Brasil (R$ 1.843). O Ceará (R$ 3.006) apareceu na segunda posição.
Rondônia, por outro lado, teve o menor valor: R$ 930. Trata-se do único destino com despesas abaixo de R$ 1.000.
VIAJANTES DE DF E SP GASTAM MAIS
Os dados ainda permitem analisar os gastos de acordo com a origem dos turistas.
Os viajantes que saíram do Distrito Federal desembolsaram o maior valor médio em viagens nacionais com pernoite (R$ 3.090). Os visitantes que partiram de São Paulo vieram na sequência (R$ 2.313).
O Maranhão, por sua vez, registrou o menor valor (R$ 941). Foi o único abaixo de R$ 1.000.
Distrito Federal e São Paulo mostraram os maiores rendimentos domiciliares per capita do país em 2024, enquanto o Maranhão teve a menor renda, segundo dados divulgados em fevereiro pelo IBGE.
ESPESAS TURÍSTICAS CRESCEM 11,7%
De acordo com a Pnad, os gastos em viagens nacionais com pernoite somaram R$ 22,8 bilhões em 2024.
O montante cresceu 11,7% na comparação com 2023 (R$ 20,4 bilhões). É quase o dobro do registrado em 2021 (R$ 11,5 bilhões), quando as restrições da pandemia dificultaram os deslocamentos.
Em 2024, o número de viagens nacionais com pernoite foi de quase 15,2 milhões. Houve avanço de 1,4% em relação a 2023 (quase 15 milhões).
Quando a análise considera o total de viagens nacionais ou internacionais, com ou sem pernoite, o número foi de 20,58 milhões em 2024. O indicador ficou relativamente estável, com leve baixa de 0,1% ante 2023 (20,6 milhões).
O ano passado foi marcado pelo aumento da renda do trabalho, mas a alta dos custos pode ter "inibido" a expansão das viagens, segundo William Kratochwill, do IBGE.
O percentual de domicílios nos quais pelo menos um morador declarou ter viajado foi de 19,3% em 2024, abaixo de 2023 (19,8%). Já a proporção de lares sem viajantes subiu a 80,7% em 2024, após marcar 80,2% em 2023.
Entre os domicílios sem viagem, a maior justificativa para não sair de casa foi a falta de dinheiro (39,2%). Não ter tempo (19,1%) e não ter necessidade (18,4%) vieram na sequência dos motivos.
Ao chegar a R$ 1.843 em 2024, o gasto médio em viagens nacionais com pernoite aumentou 8% ante 2023 (R$ 1.706), disse o IBGE.
Após determinação de notificação imediata pelo Ministério da Saúde, o número de suspeitas de intoxicação por metanol chagou a 43 no país. Desse total, foram registradas no Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) 39 casos em São Paulo, sendo dez confirmados e 29 em investigação, além de quatro casos em investigação em Pernambuco.
Apenas uma morte decorrente desse tipo de intoxicação foi confirmada pelo Ministério da Saúde no estado de São Paulo. Mais sete óbitos seguem em investigação, sendo dois em Pernambuco e os outros cinco também em São Paulo.
“Estamos diante de uma situação anormal e diferente de tudo o que consta na nossa série histórica em relação à intoxicação por metanol no país”, declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
De acordo com o órgão do governo federal, os números atuais extrapolam a média anual de 20 casos de intoxicação por metanol no Brasil. A Polícia Federal conduz a investigação por suspeita de envolvimento de organização criminosa, por meio da adulteração de bebida alcoólica.
Sala de Situação
Para monitorar os casos de intoxicação, o Ministério da Saúde instalou, nessa quinta-feira (1º), em caráter extraordinário, uma Sala de Situação que reúne equipes técnicas dos ministérios da Saúde, Justiça e Segurança Pública, Agricultura e Pecuária; dos conselhos Nacional de Saúde (CNS), Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e das secretarias de Saúde de São Paulo e Pernambuco.
Os profissionais atuarão na análise sistemática dos casos suspeitos, além do planejamento, da organização, coordenação e do controle das medidas a serem adotadas enquanto persistirem o risco sanitário e a necessidade de resposta nacional à intoxicação por metanol após o consumo de bebida alcoólica.
O Ministério Público de Alagoas (MPAL), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Coruripe, denunciou dois homens acusados de tentativa de latrocínio contra um idoso, crime ocorrido na madrugada de 22 de setembro de 2024.
A denúncia foi oferecida pelo promotor de Justiça Leonardo Novaes Bastos, que também pediu a prisão preventiva dos réus — solicitação acolhida pelo Judiciário.
Segundo a denúncia, os acusados invadiram a residência da vítima exigindo dinheiro. Após subtraírem cerca de R$ 180, passaram a agredi-la com socos, pedaços de madeira e pedras, deixando-a inconsciente. Em estado grave, o idoso precisou ser socorrido e transferido para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió.
A denúncia foi formalizada em 19 de setembro de 2025 e recebida pela Justiça no dia 24 do mesmo mês, ocasião em que também foi decretada a prisão preventiva.
A dupla foi capturada em 30 de setembro e, em audiência de custódia realizada no dia seguinte, a manutenção da prisão foi confirmada. O processo segue agora para a fase de instrução.
Para o promotor Leonardo Novaes Bastos, a violência praticada no caso exige resposta firme das instituições.
“A brutalidade contra uma vítima idosa e indefesa reforça a necessidade da atuação rigorosa do Ministério Público para proteger a sociedade e responsabilizar os acusados pelos graves crimes cometidos”, destacou.
A Novo Nordisk e a Eurofarma anunciaram uma parceria para a distribuição exclusiva no Brasil de duas novas marcas da versão injetável semanal da semaglutida, medicamento usado no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Pelo acordo, a Eurofarma será responsável pela distribuição e promoção das novas marcas: Poviztra, indicada para o tratamento da obesidade e do sobrepeso com comorbidades associadas, e Extensior, voltada ao tratamento do diabetes tipo 2.

Com a parceria, a Novo Nordisk traz a capacidade de pesquisa com a molécual e a Eurofarma a capacidade de distribuição no território nacional. A ideia é, com isso, ampliar o acesso do medicamento no mercado nacional.
O movimento ocorre em meio à crescente competição, com a chegada de outras moléculas voltadas ao tratamento dessas doenças no país, como o Mounjaro, da concorrente Eli Lilly, lançado em junho.
Segundo especialistas, a ampliação da oferta pode fortalecer o atendimento — alcançando mais cidades pelo Brasil — e também ajudar a reduzir os preços dos medicamentos.
A Polícia Federal, com o apoio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, deflagrou a Operação Última Fase, com o objetivo de desarticular organização criminosa especializada em fraudes a concursos públicos. Alagoas e outros dois estados do Nordeste registraram ações nesta quinta-feira (2). Três pessoas foram presas.
Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, três mandados de prisão preventiva e diversas medidas cautelares, incluindo afastamento de cargos públicos e sequestro de bens, nos estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco.

As investigações apontaram fraudes no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) de 2024 e em certames das Polícias Civis de Pernambuco e Alagoas, Universidade Federal da Paraíba, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
Os investigados foram excluídos dos processos seletivos, afastados dos cargos públicos já ocupados e poderão responder pelos crimes de fraude em certame de interesse público, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsificação de documento público.
A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, vem ampliando mecanismos de fiscalização para garantir maior segurança, transparência e integridade nos processos seletivos realizados em todo o país.
As medidas nesta quinta-feira contaram com o apoio do Ministério Público Federal na Paraíba.
O homem suspeito de matar outro após boatos de traição no município de Lagoa da Canoa, no Agreste alagoano, foi preso durante operação policial nessa quarta-feira (1º) . O crime aconteceu em maio deste ano, e a vítima foi identificada como Jeferson Santos de Jesus. O segundo suspeito segue foragido.
As investigações apontaram que o homicídio foi motivado por uma suposta traição amorosa, depois de boatos de envolvimento entre a vítima e a esposa de um dos suspeitos.
Foram cumpridos mandados de prisão, e de busca e apreensão, e durante as diligências, um dos investigados foi localizado.
Os policiais apreenderam celulares e peças de vestuário compatíveis com aquelas utilizadas no dia do crime, segundo imagens de câmeras de segurança anexadas ao inquérito.
O preso agora fica à disposição da Justiça e a polícia continua em busca do paradeiro do comparsa dele.
A operação
A ação foi coordenada pela Polícia Civil de Alagoas, por meio da Delegacia de Homicídios da 12ª Região, e contou com o apoio da Diretoria de Inteligência da PM (DINT), do Comando de Missões Especiais (CME) e da Companhia de Operações Policiais Especiais do Sertão (COPES).
“As forças de segurança reforçam que o trabalho integrado segue em andamento para localizar o segundo suspeito e garantir a responsabilização dos envolvidos”, divulgou a assessoria.
Durante a tarde desta quarta-feira (01) a secretária de Saúde Zoé Duarte e sua adjunta Ivone Basílio representaram a prefeita Tia Júlia em um momento lúdico e de bastante emoção: a entrega do “Mural do Inconsciente”. Na prática, o mural se trata de um muro situado na Praça do Lago do Goiti, que foi pintado por 20 usuários dos centros de Atenção Psicossocial (CAPS) das cidades de Igaci, Estrela de Alagoas e, claro, Palmeira dos índios. A ação fez parte de uma atividade integrada entre o Governo de Alagoas e as secretarias municipais de Saúde, Assistência Social e Cultura.
De acordo com Adriana Rocha, que é uma das coordenadoras da ação e representante dos CAPS AD – situado no bairro Juca Sampaio – e Osvaldo Silva – no Paraíso , o momento integra o projeto “Nise em cores e formas”, uma iniciativa do Governo Estadual que conta com o apoio das prefeituras para levar a terapia por meio da arte a diversas cidades do interior alagoano. “Ao todo, foram feitas 9 oficinas aqui em Palmeira dos Índios e a atividade de hoje marca o término deste ciclo, com a entrega do Mural do Inconsciente”, disse.
O responsável pela condução das oficinas em Palmeira foi o artista plástico Saruel que, apesar de ser palmeirense, atualmente vive em Maceió e vive da sua arte há mais de 30 anos. Ele se mostrou satisfeito com os resultados dos participantes da ação e observou a evolução dos alunos. “À medida que avançávamos as técnicas, eu conseguia perceber um maior interesse deles”, declarou.
Emocionada, a secretária municipal de Saúde Zoé Duarte aproveitou a oportunidade para enfatizar o compromisso da gestão pública atual com a temática da saúde mental. “Eu me sinto honrada de prestigiar momentos como estes, porque eles significam muito para a nossa população. Cuidar da saúde mental das pessoas é um compromisso que assumimos diariamente”, elucidou.
Cientistas americanos produziram, pela primeira vez, embriões humanos em estágio inicial, manipulando DNA retirado das células da pele de pessoas, fertilizadas com espermatozoides.
A técnica pode superar a infertilidade causada por doenças ou pela idade avançada, utilizando praticamente qualquer célula do corpo como ponto inicial da vida. Ela poderá até permitir que casais do mesmo sexo tenham filhos geneticamente relacionados aos dois parceiros.O método ainda precisa ser consideravelmente refinado e pode levar ainda uma década para que as clínicas de fertilidade possam chegar a considerar o seu uso.
Mas especialistas afirmam que este é um avanço impressionante, que exige um debate público aberto sobre as possibilidades que estão sendo criadas pela ciência.
Como funciona a técnica
A reprodução costumava se resumir ao encontro entre o espermatozoide do homem e o óvulo da mulher. Eles se fundem para criar um embrião e, nove meses depois, nasce o bebê.
Agora, os cientistas estão mudando as regras do jogo. E este experimento recente começa com a pele humana.
A técnica criada pela equipe de pesquisa da Universidade de Ciências e Saúde de Oregon, nos Estados Unidos, retira o núcleo de uma célula da pele.
Este núcleo contém uma cópia de todo o código genético necessário para a construção do corpo humano. Ele é colocado no interior de um óvulo doador, que teve suas instruções genéticas retiradas.
Até aqui, a técnica é a mesma empregada para criar a ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado do mundo (1996-2003).
Mas este óvulo não está pronto para ser fertilizado pelo espermatozoide, pois ele já contém um conjunto completo de cromossomos.
De cada um dos nossos pais, nós herdamos 23 conjuntos de DNA. O total é de 46, que já estão contidos no óvulo formado.
Por isso, a próxima etapa é convencer o óvulo a descartar metade dos seus cromossomos. Os pesquisadores chamam este processo de "mitomeiose" — uma fusão dos termos "mitose" e "meiose", que são as duas formas de divisão celular.
O estudo foi publicado na revista Nature Communications e mostra que foram produzidos 82 óvulos funcionais.
Eles foram fertilizados com espermatozoides e alguns deles progrediram para os estágios iniciais de desenvolvimento de embriões. Nenhum deles se desenvolveu além do estágio de seis dias.
"Atingimos algo que acreditávamos ser impossível", declarou o professor Shoukhrat Mitalipov, diretor do centro de terapia genética e com células embriônicas da Universidade de Ciências e Saúde de Oregon, nos Estados Unidos.
A técnica está longe de ser perfeita, já que o óvulo escolhe aleatoriamente quais cromossomos irá descartar. Ao final do processo, ele precisa ter um cromossomo de cada um dos 23 tipos para evitar doenças, mas acaba ficando com dois cromossomos de alguns tipos e nenhum de outros.
O índice de sucesso também é baixo (cerca de 9%) e os cromossomos perdem um processo importante de recombinação do DNA, conhecido como permutação cromossômica.
Mitalipov é um pioneiro neste campo, reconhecido mundialmente. Ele declarou à BBC que "precisamos aperfeiçoar isso".
"Acho que é para onde irá o futuro algum dia, pois existem cada vez mais pacientes que não conseguem ter filhos", segundo o professor.
Esta tecnologia faz parte de um campo em crescimento que pretende produzir espermatozoides e óvulos fora do corpo. Ele é conhecido como gametogênese in vitro.
A técnica ainda está no seu estágio inicial de descoberta científica, não para uso clínico. Mas a intenção é ajudar os casais que não conseguem se beneficiar da fertilização in vitro, por não terem espermatozoides ou óvulos para utilizar.
Ela poderá ajudar mulheres idosas que não possuem mais óvulos viáveis, homens que não produzem espermatozoides em quantidade suficiente ou pessoas que passaram por tratamento de câncer, que causou infertilidade.
Este campo também reescreve as regras da paternidade.
A técnica descrita não precisa usar as células da pele de uma mulher. Por isso, ela abre a possibilidade de que casais do mesmo sexo tenham filhos geneticamente relacionados a ambos os pais.
Neste caso, a pele de um homem poderá ser empregada para produzir o óvulo e o espermatozoide do parceiro seria usado para a fertilização.
"Além de oferecer esperança para milhões de pessoas com infertilidade, devido à falta de óvulos ou espermatozoides, este método poderá trazer a possibilidade de que casais do mesmo sexo tenham um filho geneticamente relacionado aos dois parceiros", explica a professora Paula Amato, da Universidade de Ciências e Saúde de Oregon.
Responsabilidade e confiança
O professor de medicina reprodutiva Roger Sturmey, da Universidade de Hull, no Reino Unido, afirmou que esta descoberta científica é "importante" e "extraordinário".
Para ele, "esta pesquisa reforça, paralelamente, a importância do diálogo aberto contínuo com o público sobre os novos avanços da pesquisa reprodutiva".
"Descobertas como esta destacam para nós a necessidade de controle rigoroso, para garantir a responsabilidade e adquirir a confiança do público."
O professor Richard Anderson, vice-diretor do centro MRC de saúde reprodutiva da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, declarou que a capacidade de gerar novos óvulos "seria um avanço importante".
"Haverá preocupações muito importantes em relação à segurança, mas este estudo é uma etapa de um processo que irá ajudar muitas mulheres a terem seus próprios filhos biológicos", destaca o professor.
A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar o Banco Master. A decisão foi tomada após o Banco Central (BC) repassar informações detalhadas sobre as negociações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) ao Ministério Público Federal (MPF). O inquérito inicial terá duração de 30 dias, com possibilidade de prorrogação. O MPF, após uma apuração inicial, concordou com o posicionamento do Banco Central e solicitou a abertura da investigação à PF.
A investigação da PF irá analisar a negociação frustrada de compra de parte do Banco Master pelo BRB. O Banco Central impediu a compra inicialmente por considerar que a saúde financeira do Banco de Brasília, que é uma instituição pública, seria comprometida caso assumisse os prejuízos e dívidas do Banco Master. O BC avaliou que a transação poderia causar dano ao erário.
A PF também passará a investigar suspeitas apontadas em um relatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O documento identificou investimentos de R$ 2 bilhões do Banco Master em empresas que não possuíam capacidade econômica.
Em nota, o Banco Master disse ter sido “surpreendido” com a abertura do inquérito e que ainda não foi notificado oficialmente. O Banco de Brasília também se disse surpreso, mas afirmou que irá colaborar com a Polícia Federal, assim como tem feito com o Banco Central e o Ministério Público.
*Com informações de Igor Damasceno
