Em poucos segundos, a inteligência artificial (IA) é capaz de resumir textos, organizar informações, criar argumentos e sugerir soluções para problemas que antes exigiam horas de pesquisa e reflexão. A facilidade, porém, traz uma provocação cada vez mais importante: quando as respostas estão disponíveis imediatamente, como evitar terceirizar também a capacidade de pensar?
Uma pesquisa recente da Common Sense Media ajuda a dimensionar o desafio. O levantamento mostrou que 70% dos adolescentes pesquisados utilizam inteligência artificial em atividades escolares e, entre os usuários da tecnologia, quase dois terços afirmam recorrer a ela de formas que transferem parte do pensamento crítico para a ferramenta. O dado reforça uma discussão que já ultrapassa a sala de aula e alcança profissionais, empresas e líderes: a forma como utilizamos a IA pode ampliar nossa capacidade de análise ou, simplesmente, substituir o esforço de pensar.
Para Marcelo Gonçalves, professor especialista em inteligência artificial da DomEduc, o cenário exige uma mudança de comportamento. “A grande oportunidade da inteligência artificial não é fazer com que as pessoas pensem menos, mas liberar tempo das tarefas repetitivas para que possam pensar melhor. O diferencial humano passa a estar justamente na capacidade de interpretar informações, fazer conexões, questionar respostas e tomar decisões que a tecnologia, sozinha, não consegue assumir”, analisa.
A seguir, Marcelo Gonçalves e Giuliana Tranquilini, especialista em branding, reputação e posicionamento executivo e cofundadora da Betafly, compartilham 7 práticas para desenvolver e preservar o pensamento crítico em uma era em que praticamente qualquer resposta pode ser gerada em segundos. Confira!
1. Não aceite a primeira resposta como definitiva
A velocidade da IA pode criar uma falsa sensação de segurança. Como as respostas costumam ser bem estruturadas e apresentadas com confiança, o risco é confundir fluidez com precisão. Por isso, o primeiro exercício de pensamento crítico é resistir à tentação de considerar a primeira resposta suficiente.
“Uma boa interação com a inteligência artificial começa quando deixamos de enxergá-la como uma fonte de respostas definitivas e passamos a tratá-la como uma ferramenta de apoio ao raciocínio. É preciso perguntar de onde aquela informação vem, o que pode estar faltando e quais outras interpretações são possíveis”, afirma Marcelo Gonçalves.
2. Use a IA para encontrar contrapontos, não apenas confirmações
Um dos maiores riscos no uso da tecnologia é utilizá-la apenas para validar aquilo que a pessoa já pensa. O pensamento crítico, porém, exige justamente a disposição de confrontar ideias, reconhecer limitações e considerar perspectivas diferentes.
“Eu gosto de ‘estressar’ a inteligência artificial. Em vez de aceitar a primeira resposta porque ela parece bem elaborada, é importante provocar a ferramenta, pedir contrapontos, questionar os argumentos e buscar outras perspectivas. A qualidade da resposta depende muito da qualidade das perguntas e da interação que construímos”, destaca Giuliana Tranquilini.
3. Pense antes de perguntar
A IA pode ajudar a organizar uma ideia, mas não deveria ser responsável por criá-la do zero em todas as situações. Antes de recorrer à ferramenta, vale fazer um exercício simples: o que eu penso sobre esse assunto? Que experiência tenho? Qual é a minha leitura sobre o problema?
“Antes de pedir uma resposta à IA, você precisa ter algo próprio para dizer. Pode ser uma opinião, uma experiência, um ponto de vista ou uma hipótese. A tecnologia pode ajudar a desenvolver, organizar e até desafiar esse pensamento, mas ela não deveria substituir a construção da sua própria visão”, explica Giuliana Tranquilini.
Saber interpretar os dados ajuda a tomar decisões diante de tantas informações disponíveis (Imagem: fizkes | Shutterstock)
4. Desenvolva o hábito de interpretar, e não apenas consumir dados
Ter acesso a mais informações não significa, necessariamente, compreender melhor uma situação. Em um ambiente em que relatórios, análises e recomendações podem ser produzidos instantaneamente, a capacidade de interpretar contextos ganha ainda mais relevância.
“Em muitas profissões, a máquina já consegue processar um volume enorme de dados e identificar padrões com muito mais velocidade. O que continua sendo decisivo é entender o que aquilo significa, relacionar os dados ao contexto e transformar informação em uma decisão estratégica”, afirma Marcelo Gonçalves.
Para o especialista, essa habilidade será cada vez mais importante em áreas como liderança, vendas, marketing, atendimento e gestão de pessoas, nas quais os dados ajudam a enxergar cenários, mas não substituem julgamento, empatia e sensibilidade humana.
5. Verifique informações e identifique possíveis vieses
A inteligência artificial trabalha a partir de padrões e probabilidades. Isso significa que uma resposta pode parecer convincente e, ainda assim, estar incompleta, reproduzir vieses ou simplesmente apresentar informações incorretas.
“Pensamento crítico também é curadoria. Não basta saber usar uma ferramenta: é preciso avaliar a qualidade daquilo que ela entrega e entender que a responsabilidade pela decisão continua sendo humana. Quanto maior o impacto de uma informação, mais necessário é verificar fontes, comparar referências e identificar possíveis vieses”, reforça Marcelo Gonçalves.
6. Proteja sua voz própria
Na era da produção em escala, uma das consequências da IA é a multiplicação de conteúdos corretos, mas parecidos. Textos podem ser tecnicamente bons e, ainda assim, não revelar quem está por trás deles.
“A IA trabalha muito a partir de probabilidades e tende a construir respostas que soam adequadas, bem organizadas e agradáveis. Mas um texto pode estar impecável e, ainda assim, não ter voz. O pensamento crítico também aparece quando a pessoa consegue perguntar: isso realmente representa o que eu penso? Existe aqui uma experiência ou uma interpretação que só eu poderia trazer?”, questiona Giuliana Tranquilini.
Segundo a especialista, desenvolver pensamento crítico também significa construir autoria. “Se retirarmos o nome de um conteúdo, ainda seria possível reconhecer quem está falando? Se qualquer pessoa poderia dizer exatamente a mesma coisa, existe conteúdo, mas talvez ainda não exista uma voz própria”, reflete.
7. Saiba o que não deve ser delegado à inteligência artificial
Nem toda tarefa precisa ser feita manualmente, assim como nem toda decisão deve ser entregue à tecnologia. Desenvolver pensamento crítico passa, justamente, por reconhecer os limites entre aquilo que pode ser automatizado e aquilo que exige responsabilidade, contexto e julgamento humano.
“Customer Success, vendas, liderança e marketing já estão mudando porque a inteligência artificial assumiu parte da execução. Isso não torna o profissional menos importante. Pelo contrário: aumenta o valor de quem sabe fazer as perguntas certas, interpretar cenários, criar estratégias e construir relações que exigem sensibilidade humana”, conclui Marcelo Gonçalves.
Para os especialistas, o futuro não deve ser marcado pela disputa entre inteligência humana e a artificial, mas pela capacidade de combinar eficiência tecnológica com discernimento. Em um cenário em que produzir respostas se tornou cada vez mais fácil, a verdadeira diferença estará em quem consegue questioná-las, contextualizá-las e decidir o que realmente merece ser feito com elas.
A queda da testosterona costuma ser associada ao envelhecimento masculino, mas um novo estudo indica que outro fator pode ter peso maior. A gordura acumulada no abdômen, especialmente a que envolve órgãos internos, aparece como um dos principais elementos ligados à redução do hormônio.
A análise, publicada no Journal of the Endocrine Society em julho, avaliou dados de quase cinco mil homens nos Estados Unidos, com idades entre 20 e 59 anos. Os resultados mostram que a gordura visceral teve relação mais forte com níveis baixos de testosterona do que a própria idade dentro dessa faixa etária.
Gordura abdominal no centro da análise
A chamada gordura visceral fica localizada em regiões profundas do abdômen, ao redor de órgãos como fígado, estômago e intestinos. O tecido possui muitos receptores de testosterona, o que o torna mais sensível às variações do hormônio.
Na análise, homens com maior quantidade desse tipo de gordura apresentaram níveis mais baixos de testosterona. Quando os pesquisadores consideraram a distribuição de gordura no corpo, a idade passou a ter relação menor com a variação do hormônio.
Os autores apontam que, nesse grupo, a gordura abdominal foi o fator mais consistente associado à queda da testosterona.
Limitações das medidas tradicionais
Medidas comuns como índice de massa corporal (IMC) e circunferência da cintura nem sempre refletem com precisão a quantidade de gordura visceral. Pessoas com valores semelhantes nesses indicadores podem ter diferenças importantes na distribuição de gordura.
Isso ajuda a explicar por que homens mais jovens podem apresentar baixa testosterona mesmo com peso considerado adequado, enquanto outros, mais velhos e com menor gordura visceral, mantêm níveis do hormônio mais estáveis.
Estudos anteriores já indicavam essa relação. Em uma pesquisa com mais de 1,6 mil homens, o aumento de alguns pontos no IMC foi associado a uma queda de testosterona semelhante à observada ao longo de cerca de dez anos de envelhecimento.
Possíveis explicações e caminhos
Os mecanismos por trás dessa relação ainda são investigados. Uma das hipóteses é que a gordura visceral favoreça a resistência à insulina, o que pode interferir na produção hormonal. Outra possibilidade envolve processos inflamatórios que alteram o equilíbrio entre testosterona e outros hormônios.
Para os autores, considerar onde a gordura está localizada pode ajudar a orientar melhor o cuidado clínico. Estratégias voltadas à redução da gordura abdominal podem ter efeito direto nos níveis de testosterona, antes mesmo de recorrer a terapias hormonais.
Para os pesquisadores, a análise reforça que a queda do hormônio não depende apenas da idade e pode estar ligada a fatores que modificáveis ao longo da vida.
Publicado na Revista Internacional de Prática Clínica, um estudo recente revelou que o ambiente de trabalho pode ser uma das causas de disfunção erétil em homens jovens. Em entrevista a um portal internacional, o urologista Leon Telis explicou que a perda de ereção, muitas vezes, está associada a preocupações excessivas, incluindo as de autoestima. Assim, para muitos, o trabalho acaba se tornando uma grande fonte de estresse.
“Uma grande parte da disfunção erétil em homens mais jovens é o que chamamos de psicossomática, basicamente induzida por estresse e ansiedade”, afirmou.
Como foi feita a pesquisa
O levantamento avaliou 826 homens com idades entre 22 e 40 anos e trabalhos de tempo integral. Além disso, foram utilizados cinco aspectos do ambiente para determinar o nível de tensão — horas semanais trabalhadas, autonomia para tomada de decisões, apoio de superiores, relacionamentos profissionais e pressão.
Dessa forma, os participantes foram classificados em categorias de baixo estresse, médio-baixo, médio-alto e alto nível. Segundo os pesquisadores, em comparação com o grupo mais baixo, aqueles que experimentaram os maiores níveis de estresse apresentaram uma probabilidade dez vezes maior de ter problemas de ereção, com uma prevalência de cerca de 54%.
O que indicam as análises
Os resultados foram baseados no fato de que, até a quarta semana, o aumento do cortisol aconteceu antes da queda da testosterona, seguida pela disfunção erétil. Entre os principais fatores, estavam a carga horária e pressão para ser promovido, tendo o grupo de alto nível trabalhado em média 65 horas semanais.
Isso é entendido ao considerar que, com uma carga excessiva de trabalho, as pessoas podem experimentar fadiga física, privação de sono e menos tempo para fazer sexo. No caso da pressão, o sentimento desencadeia respostas emocionais que afetam a libido e a função sexual.
Ao final, os autores destacaram que a pesquisa pretende fornecer dados para alertar que homens jovens têm mais risco de lidar com a disfunção erétil psicológica.
O consumo frequente de carne processada está associado a maior risco de câncer no estômago e no esôfago, segundo um estudo internacional com mais de 450 mil pessoas. A análise acompanhou os participantes por mais de 14 anos e comparou hábitos alimentares com registros de diagnóstico da doença.
Os resultados, publicados em maio no International Journal of Câncer, focaram em tumores do tipo adenocarcinoma, que se desenvolvem em células glandulares e estão entre os mais comuns nessas regiões do corpo.
Risco cresce com consumo diário
Os pesquisadores calcularam que o consumo adicional de 30 gramas por dia de carne processada esteve associado a aumento de 9% no risco de câncer gástrico e de 13% no risco de adenocarcinoma de esôfago.
A relação foi mais evidente em um subtipo de câncer gástrico conhecido como intestinal. Esse tipo está entre os mais frequentes no mundo, enquanto o câncer de esôfago ocupa posição importante nas estatísticas globais.
Produtos como bacon, salsicha e outros embutidos fazem parte do grupo de carnes processadas, que passam por métodos como cura, defumação ou adição de conservantes.
Ao analisar outros tipos de carne, os pesquisadores encontraram resultados diferentes. A carne vermelha não processada não mostrou relação relevante com esses tumores.
Já a carne branca apresentou um comportamento específico. Entre mulheres, o consumo adicional de 20 gramas por dia foi associado a maior ocorrência de câncer em partes do estômago, algo que não apareceu entre homens.
Os autores indicam que fatores como o modo de preparo dos alimentos e a forma como o organismo processa proteínas podem ajudar a explicar os achados, mas ressaltam que essa relação ainda precisa ser melhor investigada.
Possíveis explicações
No caso das carnes processadas, há mecanismos já estudados. O consumo pode aumentar a ingestão de sal e de substâncias formadas durante o processamento e o preparo, que podem irritar a mucosa do estômago.
Além disso, compostos gerados em altas temperaturas podem causar danos ao DNA e favorecer alterações celulares.
Limitações do estudo
Apesar do número elevado de participantes e do longo acompanhamento, o estudo não permite afirmar relação de causa direta. Os dados sobre consumo de carne foram coletados apenas no início da pesquisa e podem ter mudado ao longo do tempo.
Ainda assim, os resultados se somam a evidências anteriores que associam o consumo de carne processada a maior risco de câncer. Os autores defendem que novas pesquisas investiguem os mecanismos envolvidos e ajudem a orientar recomendações alimentares.
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) atendeu a um recurso especial e concedeu justiça gratuita para uma pessoa que passa por tratamento contra o câncer que recebe um salário mínimo por mês.A decisão foi divulgada nessa quarta-feira (9/9) pelo portal oficial do órgão.
O benefício foi concedido em uma ação de divórcio com partilha de bens, na qual a parte alegou piora de sua situação financeira. O tribunal entendeu que a existência de uma reserva de dinheiro não impede o direito, desde que fique comprovado que os custos do processo prejudicariam o pagamento de necessidades básicas e urgentes do tratamento oncológico.
O caso teve origem em Minas Gerais, onde o pedido de gratuidade havia sido negado em primeiro grau e mantido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Na recusa, o TJMG entendeu que o estado de saúde delicado e a isenção do Imposto de Renda não eram suficientes, já que extratos bancários mostravam saldo em poupança e aplicações financeiras.
Ao analisar o caso, o STJ reverteu a decisão. Entre os motivos que garantiram o benefício, o tribunal destacou que o dinheiro guardado — oriundo da venda de um imóvel e destinado à moradia e à saúde — não impede a gratuidade, pois exigir esse valor para custear despesas processuais violaria a dignidade humana e criaria um obstáculo ao acesso à Justiça.
Como o benefício pode ser solicitado em qualquer fase do processo diante de novos impactos financeiros, o STJ concluiu que a recusa afrontaria as garantias e os direitos previstos no Estatuto da Pessoa com Câncer (Lei 14.238/2021) para pacientes em situação de vulnerabilidade.
Os moradores de Palmeira dos Índios terão um novo motivo para comemorar neste sábado (12). A prefeitura realizará, às 17h, a entrega de obras de pavimentação da Avenida Norte/Sul, que garantem mais mobilidade, segurança e qualidade de vida para a população. em um importante corredor de mobilidade urbana construído no entorno da linha férrea para melhorar o trânsito da cidade
As ruas beneficiadas receberam drenagem, pavimentação, iluminacão, urbanismo e meio-fio, além de melhorias na infraestrutura, e deixaram para trás trechos que dificultavam o deslocamento de moradores, veículos e serviços públicos, principalmente nos períodos de chuva.
A Norte/Sul conecta a região da entrada do Agreste até as proximidades da Passarela, corta trechos importantes da cidade e passa por bairros como Vila Maria. A entrega oficial acontecerá neste sábado (12), às 17h, por trás do Restaurante Danny Lanches, na Avenida Vieira de Brito.
A obra faz parte das ações de melhoria da infraestrutura urbana do município e representa uma mudança concreta na rotina das famílias que vivem na região. “Com ruas pavimentadas, a expectativa é de mais facilidade no acesso às residências, redução da lama e da poeira e melhores condições de circulação para toda a comunidade”, disse a prefeita Tia Júlia.
Agosto de 2026 foi o mês mais quente já registrado no planeta, com as temperaturas dos oceanos também atingindo níveis sem precedentes, informou nesta quinta-feira (10) o observatório climático europeu Copernicus.
Em resposta à avaliação do Serviço Copernicus de Mudança Climática, a ONU advertiu que o planeta continuará avançando em direção a níveis nunca observados até que a humanidade abandone os combustíveis fósseis.
As análises do Copernicus remontam a 1940, mas outras evidências, como núcleos de gelo, anéis de árvores e os esqueletos de corais, permitem que os cientistas observem o clima atual em seu contexto histórico.
“Os humanos provavelmente não viram temperaturas tão elevadas como as atuais, pelo menos nos últimos 100.000 anos”, declarou à AFP Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, que coordena o Copernicus.
As temperaturas médias do ar foram de 16,96ºC em agosto, o que superou em 0,01ºC o recorde mensal anterior, registrado em julho de 2023.
O Copernicus destacou que, com a diferença estreita, considera que os dois meses compartilham o recorde.
Cientistas afirmam que a atividade humana, em particular a queima de carvão, petróleo e gás, aqueceu o planeta em quase 1,4ºC desde a era pré-industrial, o que aumenta a gravidade e a probabilidade de fenômenos meteorológicos extremos.
Além disso, as emissões de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento, atingiram níveis históricos em 2025.
“As evidências são irrefutáveis: este é o preço em espiral da dependência da humanidade dos combustíveis fósseis e da crise climática global que está alimentando”, afirmou o chefe de clima da ONU, Simon Stiell, sobre o relatório do Copernicus.
Influência do El Niño
As temperaturas das superfícies marinhas também atingiram um máximo diário global e igualaram o recorde de calor para um mês de agosto, o que prolonga uma sequência de três meses de temperaturas sem precedentes nos oceanos do planeta.
Mais de 90% do excesso de calor retido pelas emissões de gases do efeito estufa foi absorvido pelos oceanos, com um custo severo para a vida marinha, os recifes e as comunidades costeiras.
As temperaturas de agosto quebraram recordes em bacias como o Atlântico, o Mediterrâneo e o Pacífico tropical, onde o fenômeno El Niño mais intenso da era moderna ganha força rapidamente.
Os episódios são caracterizados por águas do Pacífico incomumente quentes, que aumentam a probabilidade de fenômenos meteorológicos extremos a milhares de quilômetros de distância, de inundações no Peru até secas na África ou incêndios florestais na Austrália.
O El Niño, que constitui a fase mais quente de um ciclo climático natural, costuma provocar um aumento temporário nas temperaturas globais, que já estão elevadas devido ao aquecimento de longo prazo.
Os cientistas esperam que os recordes continuem sendo quebrados nos próximos meses, à medida que o “super El Niño” se aproxime de sua intensidade máxima por volta de dezembro, e que 2027 — e talvez até 2026 — se torne o ano mais quente já observado.
1,3 bilhão de afetados no verão
O Copernicus também destacou que agosto “marcou o fim do verão mais quente da Europa Ocidental”, superando o recorde estabelecido em 2003.
O período entre junho e agosto foi marcado por severas ondas de calor consecutivas, que provocaram o fechamento de escolas, secaram rios e prepararam o terreno para incêndios florestais devastadores.
Uma análise da AFP com dados do programa europeu Copernicus constatou que quase 1,3 bilhão de pessoas em todo o mundo viveram, entre junho e agosto, o verão (hemisfério norte) mais quente já registrado.
O estudo detalhado de bilhões de dados do modelo climático ERA5 revela que 52 países de todos os continentes superaram seus recordes de temperatura durante todo o período do verão meteorológico do hemisfério norte.
Onze países da Europa Ocidental, entre eles Espanha e Itália, bateram o recorde de temperatura média durante a estação.
Um levantamento da AFP, baseado em relatórios de saúde de oito países (Alemanha, Reino Unido, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Países Baixos e Portugal), contabiliza pelo menos 35.000 mortes adicionais ou diretamente associadas ao calor entre meados de junho e o fim de agosto.
Cientistas da rede World Weather Attribution concluíram que a onda de calor particularmente intensa em junho teria sido “praticamente impossível” sem a influência das mudanças climáticas.
O corpo de uma mulher foi encontrado dentro de um saco plástico, na manhã desta quinta-feira (10/9), no Jardim Marabá, zona leste de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, a vítima tinha um ferimento provocado por disparo de arma de fogo.
O corpo foi abandonado na Rua Osmano Ungaretti. No local, os policiais encontraram o corpo da mulher enrolada em um cobertor e dentro de um saco plástico.
Inicialmente, a polícia identificou lesão por disparo de arma de fogo no rosto e cabeça. A identidade da vítima ainda é desconhecida.
O caso é investigado como homicídio pelo 53° Distrito Policial (DP), no Parque do Carmo.
A Polícia Federal (PF) faz, na manhã desta quinta-feira (10), a Operação Make Up, para apurar desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares repassadas a empresa privada.
São 49 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em São Paulo, no Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
Segundo a PF, as investigações feitas até o momento apontam a existência de organização criminosa que usou recursos públicos de maneira irregular e sem prestação de contas. As irregularidades ocorreram até o mês de julho deste ano.
De acordo com as autoridades, os desvios são da ordem de centenas de milhões de reais.
A Polícia Federal investiga a existência de crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
A idade em que a menopausa ocorre pode influenciar a saúde do cérebro ao longo do envelhecimento. Um estudo com mais de 2,6 mil mulheres indica que entrar nessa fase mais cedo está associado à perda de memória mais rápida e diagnóstico de Alzheimer em idade menor.
A pesquisa, publicada no JAMA Network Open em 25 de agosto, acompanhou participantes por até 18 anos. Os dados fazem parte de dois grandes estudos de longo prazo nos Estados Unidos, com avaliações anuais de memória, raciocínio e saúde neurológica.
Os resultados mostram que mulheres que tiveram menopausa antecipada apresentaram pior desempenho cognitivo ao longo do tempo, com destaque para a memória episódica, ligada à lembrança de fatos e experiências do dia a dia.
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Também foram diagnosticadas com Alzheimer mais cedo. Em média, antecipar a menopausa em 10 anos esteve ligado a quase dois anos a menos até o diagnóstico da doença.
O que é o Alzheimer?
O Alzheimer é uma doença que afeta o funcionamento do cérebro de forma progressiva, prejudicando a memória e outras funções cognitivas.
Ainda não se sabe exatamente o que causa o problema, mas há indícios de que ele esteja ligado à genética.
É o tipo mais comum de demência em pessoas idosas e, segundo o Ministério da Saúde, responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil.
O sinal mais comu no início é a perda de memória recente. Com o avanço da doença, surgem outros sintomas mais intensos, como dificuldade para lembrar de fatos antigos, confusão com horários e lugares, irritabilidade, mudanças na fala e na forma de se comunicar.
Papel dos hormônios
A menopausa marca a queda na produção de estrogênio — hormônio que participa de funções ligadas ao cérebro. Ele atua na regulação do metabolismo, na resposta inflamatória e na comunicação entre neurônios.
Com a redução desse hormônio, o cérebro pode ficar mais vulnerável a alterações associadas ao envelhecimento, o que ajuda a explicar por que mulheres apresentam maior frequência de Alzheimer em comparação aos homens.
Os pesquisadores buscaram entender se essa relação também aparecia em mudanças físicas no cérebro ao longo dos anos, algo que ainda era pouco documentado em estudos anteriores.
Mudanças visíveis no cérebro
Para aprofundar a análise, parte das participantes passou por exames de imagem ao longo do acompanhamento. Os resultados mostraram que mulheres com menopausa mais precoce tiveram um aumento mais rápido de alterações na substância branca, região importante para a comunicação entre diferentes áreas do cérebro.
As alterações aparecem como pequenas áreas nos exames e estão associadas à perda de função cognitiva com o envelhecimento. Em um intervalo de 10 anos, mulheres que entraram na menopausa cinco anos antes apresentaram cerca de 15% mais dessas alterações em comparação a outras com perfil semelhante.
O efeito foi observado principalmente em casos de menopausa natural, quando a redução hormonal ocorre de forma gradual, e não após cirurgia.
O que os dados indicam
Os autores apontam que a menopausa pode ser um período importante para acompanhar a saúde cerebral e identificar riscos mais cedo. A partir dessas informações, estratégias de cuidado podem ser ajustadas ao longo da vida.
Apesar da associação, o estudo não prova causa direta. Ainda assim, os resultados reforçam a importância de considerar fatores hormonais na avaliação do envelhecimento do cérebro e no acompanhamento de mulheres ao longo dos anos.
A trombose é desencadeada pela formação de coágulos no interior dos vasos sanguíneos
Herik pontua que a trombose arterial acomete as artérias e, geralmente, tem início com a aterosclerose, ou seja, a formação de placa de gordura nesses vasos sanguíneos: “A formação de um trombo pode ocasionar a obstrução ou entupimento dessas estruturas.”
O surgimento de placas de gordura nas artérias está associado ao quadro arterial
Prevenção da doença
Segundo o cirurgião vascular, a trombose desencadeia complicações sérias e graves se não for feito um tratamento adequado. A condição arterial pode avançar com a isquemia, gerando uma necrose tecidual e aumentando o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal. Agravado, o quadro venoso tende a causar embolia pulmonar e úlceras ou feridas na região do tornozelo.
“A longo prazo, o paciente pode ter o inchaço crônico do membro acometido pela trombose venosa”, acentua o especialista.
A produção do cimento, um dos componentes básicos para formar o concreto, é uma das principais fontes de emissão de dióxido de carbono mundialmente. Mas, segundo um novo estudo, há uma forma de corrigir o problema: fezes humanas.
Ao testar a ideia, os pesquisadores descobriram que um concreto produzido com biochar a partir da lama fecal humana – um tipo de biocarvão feito do aquecimento de restos orgânicos – se mostrou 42% mais resistente à flexão do que o concreto tradicional.
A pesquisa liderada pela Universidade Manipal de Jaipur, na Índia, teve os resultados publicados na revista Scientific Reports em 5 de setembro.
Segundo os cientistas, além de diminuir as emissões de carbono, o concreto com fezes humanas ajudaria a dar um destino às toneladas de excrementos produzidas pela nossa espécie diariamente.
Testes de concreto com fezes humanas têm bons resultados
Para iniciar os experimentos, os pesquisadores utilizaram restos fecais de uma estação de tratamento na Índia. Na produção do biochar, primeiro eles secaram o lodo fecal; em seguida, o aqueceram em temperaturas entre 350 e 450 ºC; e, por fim, o moeram e peneiraram até virar um pó fino.
Nos testes, o pó substituiu quantidades variáveis de cimento (5%, 10% e 15%) para produzir o concreto e, posteriormente, o material passou por avaliações de resistência, como provas de retração, resistência à compressão, resistência à flexão, absorção de água e porosidade das misturas. Entre os principais resultados, estão:
Concreto com 5% de fezes humanas se mostrou 20% mais resistente à compressão e 36% mais resistente à flexão;
Concreto com 10% de fezes humanas se mostrou 21% mais resistente à compressão e 42% mais resistente à flexão;
Concreto com 15% de fezes humanas se mostrou mais resistente durante a cura do material, mas a resistência geral ficou abaixo das versões com 5% e 10%;
Concreto com 5% de fezes humanas absorvia menos água e tinha menos porosidade que o concreto convencional, enquanto com 10% o desempenho era comparável ao exemplar utilizado atualmente.
De acordo com os pesquisadores, a adição de fezes humanas no concreto pode deixá-lo mais forte, pois os efeitos atuam conjuntamente. Por exemplo, o biochar de cocô é muito poroso e cheio de cavidades minúsculas que absorvem água e a liberam gradualmente durante a cura do concreto.
Assim, a água se mantém disponível para realizar reações químicas, ajudando a endurecer e fortalecer ainda mais o cimento. Basicamente, o biochar ajuda a compactar e ligar os ingredientes do concreto de forma mais eficaz.
Apesar dos resultados promissores, os cientistas avaliam que ainda são necessários mais estudos para determinar se o concreto com fezes humanas é resistente a outras situações corriqueiras em algumas partes do mundo, como ciclos de congelamento e descongelamento, salinidade e temperaturas muito altas.
O gerente de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil, Frederico de Moraes Rudorff, afirmou na quarta-feira (10) que é muito provável que Santa Catarina entre, nas próximas semanas ou no próximo mês, na categoria de El Niño muito forte, também chamada de “Super El Niño”.
O especialista explica que o El Niño costuma potencializar os volumes de chuva em Santa Catarina, principalmente durante as estações de transição. Por esse motivo, a Defesa Civil considera a primavera de 2026 e o outono de 2027 os períodos mais críticos para o acompanhamento dos volumes de precipitação no Estado.
De acordo com Rudorff, a atenção da instituição está voltada principalmente para a evolução das chuvas e para a possibilidade de eventos extremos durante essas estações.
No entanto, o especialista alerta que a classificação de “Super El Niño” não significa que desastres naturais ocorrerão no Estado necessariamente.
Ele lembra que as enchentes que atingiram o Vale do Itajaí em 2023 e o Rio Grande do Sul em 2024, por exemplo, ocorreram durante um El Niño moderado e foram mais intensas do que as registradas em 2015, quando o fenômeno atingiu uma das maiores intensidades já observadas.
O especialista lembra ainda que o La Niña, padrão oposto ao El Niño, também já esteve associado a episódios de tempo severo no Sul do Brasil. Entre os exemplos estão as catástrofes climáticas de 2008, as inundações no Alto Vale do Itajaí em 2011 e o ciclone-bomba de 2020.
El Niño pode ser classificado como Super El Niño
Conforme a Defesa Civil de Santa Catarina, as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial apresentavam uma anomalia térmica positiva de 1,8°C na quarta-feira (9).
Projeções da NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos) também indicam continuidade do aquecimento, com possibilidade de o fenômeno alcançar magnitude extrema.
A classificação internacional considera a persistência das anomalias de temperatura por pelo menos três meses consecutivos. O El Niño é considerado fraco entre 0,5°C e 0,9°C, moderado entre 1,0°C e 1,4°C, forte entre 1,5°C e 1,9°C e muito forte quando supera 2,0°C.
Benjamin Netanyahu esteve no Monte Hermon, localizado na Síria, e afirmou que Israel possui um “controle absoluto como nunca se viu antes” de diversas áreas na região. A declaração do premiê israelense aconteceu nesta quarta-feira (9/9).
‘Estamos no topo do Monte Hermon. Damasco está bem aqui, o Líbano está bem ali, as Colinas de Golã sírias estão bem ali, e nós controlamos toda a área desde a coroa do Hermon até o rio Yarmouk [que passa pelo território da Síria], e daqui até o mar Mediterrâneo — controle absoluto como nunca se viu antes”, afirmou Netanyahu em um vídeo nas redes sociais.
Desde a queda de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, as Forças de Defesa de Israel (FDI) expandiram a ocupação militar. Na época, o governo Netanyahu ordenou que tropas tomassem o controle de uma zona tampão patrulhada por forças da Organização das Nações Unidas (ONU), e se instalassem na parte síria do Monte Hermon — localizado na fronteira com o Líbano.
Além da região, as FDI também estão presentes nas Colinas de Golã desde 1967, após a Guerra dos Seis Dias. A ocupação da região é considerada ilegal por grande parte da comunidade internacional.
A justificativa israelense é a de que a ocupação busca prevenir possíveis ataques de grupos que operam na região contra o país.
Durante a visita a região, Netanyahu afirmou que “desses picos, ainda há trabalho a fazer”. Segundo o primeiro-ministro de Israel, “a principal tarefa é derrotar o regime terrorista no Irã”. Por anos, a Síria fez parte de um grupo de países e grupos apoiados por Teerã na região, chamado Eixo da Resistência.
Críticas
Após o episódio, o novo governo sírio condenou a entrada de Netanyahu no território sírio ocupado ilegalmente. Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Síria classificou a ação como “provocação”, e uma flagrantes violação da “integridade territorial e do direito internacional”.
“O Ministério das Relações Exteriores e dos Expatriados afirma que a continuidade das incursões e ataques israelenses em território sírio representa uma escalada perigosa que ameaça a segurança e a estabilidade na região”, disse um trecho da nota.
Apesar da nova administração síria ter se afastado da influência de Teerã, e se aproximado do Ocidente, Israel tem feito ataques esporádicos contra o país desde a queda de Assad — e da ascensão de Ahmed al-Sharaa ao poder.
Segundo um estudo apresentado durante o encontro anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), os níveis de testosterona tiveram uma queda aproximada de 54% nos últimos 50 anos entre os homens, acarretando uma diminuição significativa da fertilidade em escala global. A pesquisa reuniu informações de 118.593 homens de Israel, Estados Unidos, Brasil, Finlândia e Dinamarca, acompanhados entre 1972 e 2019. De acordo com os autores, a redução foi superior a 1% ao ano e se intensificou a partir dos anos 2000.
As evidências apontam que mudanças no estilo de vida da população podem estar relacionadas a essa tendência. De um lado, está o aumento da obesidade, associado a fatores como o consumo elevado de alimentos ultraprocessados e o sedentarismo. Do outro, chama atenção o uso de esteroides anabolizantes, especialmente entre homens que buscam mudanças na composição corporal, uma prática que pode comprometer a produção de espermatozoides e afetar a fertilidade masculina.
Enquanto a terapia de reposição de testosterona (TRT) prevê acompanhamento profissional e dosagem calculada para o tratamento de uma deficiência hormonal comprovada laboratorialmente e clinicamente, os anabolizantes são utilizados, clandestinamente, para fins estéticos e/ou melhora de desempenho físico, por meio de dosagens suprafisiológicas e perigosas, sem nenhuma segurança.
“Em vigência do uso de anabolizantes, o cérebro percebe que há excesso desses hormônios circulando e reduz a liberação dos estímulos necessários à produção endógena de testosterona. Aos poucos, o corpo passa a ter cada vez mais dificuldade para produzir sozinho esse hormônio fundamental para a fertilidade”, afirma a Dra. Bruna Pedrosa, endocrinologista da Casa de Saúde São José.
Reposição de testosterona e impacto na fertilidade
De acordo com a médica, a interferência sobre a fertilidade pode acontecer até mesmo nos casos em que a reposição de testosterona possui indicação adequada: “Mesmo em doses corretamente calculadas e bem indicadas para suprir a necessidade fisiológica do organismo masculino desse hormônio, a TRT pode levar à infertilidade, já que, ao fornecer ao corpo qualquer fonte de testosterona externa, a regulação hormonal fisiológica inibe a produção de testosterona endógena. Com isso, há queda abrupta na produção de espermatozoides, causando infertilidade.”
Diante desses casos, a especialista comenta que é importante conversar com o paciente sobre os benefícios e possíveis riscos da TRT, considerar seus planos de ter filhos e avaliar alternativas para aumentar os níveis de testosterona, em vez de recorrer apenas à reposição hormonal.
Mesmo diante do possível impacto sobre a fertilidade, a terapia hormonal continua ganhando popularidade entre os homens. Segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), a venda legal desses medicamentos subiu 700% entre 2018 e 2026.
Uso de anabolizantes e os riscos à saúde
Em casos de uso de esteroides anabolizantes, o problema é maior ainda, ultrapassando as questões de fertilidade. Com doses que podem chegar a dezenas de vezes a quantidade produzida pelo corpo, o uso indiscriminado dessas substâncias possui outros efeitos, que incluem hipertensão arterial, alterações do colesterol, doenças cardiovasculares, lesão hepática, acne importante, ginecomastia e alterações psiquiátricas, como irritabilidade, impulsividade e transtornos do humor.
Como muitas outras drogas, esses hormônios também podem gerar dependência. É a chamada “síndrome de abstinência de esteroides”. “Nessa fase, são frequentes sintomas como perda da libido, disfunção erétil, fadiga intensa, redução da força e da massa muscular, desânimo e sintomas depressivos. Por isso, se faz necessário acompanhamento médico especializado para lidar com esse desmame”, completa a Dra. Bruna Pedrosa.
A busca pela “masculinidade” e pelo “corpo perfeito” pode, ironicamente, provocar os mesmos sintomas e inseguranças atrelados à baixa testosterona, levando à diminuição geral da fertilidade entre homens.
Alterações nos níveis de testosterona podem afetar a libido, a massa muscular, a saúde óssea e a fertilidade masculina (Imagem: New Africa | Shutterstock)
Testosterona: como atua o hormônio no organismo masculino?
Por que a presença excessiva ou a ausência da testosterona são tão impactantes na saúde masculina? Principal hormônio sexual dos homens, a testosterona é responsável pelo desenvolvimento dos caracteres sexuais masculinos (com aumento da massa muscular, crescimento dos pelos e mudança da voz) e pela manutenção da libido, da função sexual, da densidade óssea e do bem-estar físico geral.
“Em situações normais, após o estímulo dos hormônios FSH e LH (produzidos pela glândula hipófise), os testículos produzem testosterona. E a partir de concentrações fisiológicas desse hormônio a nível testicular, acontece a produção de espermatozoides, garantindo também a função reprodutiva”, explica a endocrinologista.
No entanto, em casos de deficiência hormonal (hipogonadismo), podem surgir sinais como: redução da libido, disfunção erétil, fadiga persistente, diminuição da força e da massa muscular, aumento da gordura corporal, perda da massa óssea, alterações de humor e redução da fertilidade. Sintomas como esses, porém, não são exclusivos da falta de testosterona. Estresse, depressão, obesidade, privação de sono, sedentarismo e diversas doenças crônicas também podem causar manifestações semelhantes nos homens.
“O diagnóstico nunca deve ser feito apenas com base nos sintomas ou em um único exame de sangue. A deficiência de testosterona deve ser cuidadosamente comprovada em duas etapas de exames, além de exigir uma série de cuidados prévios no preparo para coleta, que devem ser orientados pelo médico assistente, somados a sintomas relevantes”, alerta a endocrinologista.
Obesidade e mudanças no estilo de vida
Existem também evidências consistentes de que mudanças no estilo de vida da população têm uma influência grande na tendência global de queda de testosterona, como apontado pelos pesquisadores da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia.
Segundo a Dra. Bruna Pedrosa, o aumento da obesidade é o principal fator envolvido nessa tendência. Isso acontece porque o excesso de gordura corporal interfere diretamente na produção hormonal, junto a outros fatores como: sedentarismo, alimentação rica em alimentos ultraprocessados, privação crônica de sono, estresse persistente, consumo excessivo de álcool e doenças metabólicas, como o diabetes tipo 2.
Portanto, nem todo caso de testosterona baixa depende apenas do tratamento hormonal. Alguns casos podem ser reversíveis por meio do controle metabólico com a adoção de práticas como exercício físico constante, alimentação equilibrada e mudanças de estilo de vida.
“Nem todo homem com testosterona baixa precisa imediatamente de reposição hormonal. Muitas vezes, tratar a obesidade e melhorar o estilo de vida é a abordagem mais eficaz e segura, com impacto direto na causa do problema”, conclui a endocrinologista da Casa de Saúde São José.
Dezesseis anos depois de fugir após ser denunciado por agredir a companheira e incendiar a casa onde os dois moravam, um homem de 48 anos foi preso preventivamente nesta terça-feira (9), em Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas. Segundo a Polícia Civil, ele era procurado desde 2010.
O caso aconteceu no bairro Camuxinga. Na época, conforme a investigação, o homem não aceitou a decisão da mulher de terminar o relacionamento e a espancou. Depois da agressão, ele teria colocado fogo na residência e destruído pertences da vítima, entre eles documentos e roupas.
A mulher conseguiu fugir da casa e procurou a delegacia para denunciar o caso. O suspeito, porém, não foi localizado e permaneceu foragido pelos 16 anos seguintes.
A delegada Daniella Andrade, titular da 2ª Delegacia Regional de Polícia (2ª DRP), em Santana do Ipanema, explicou a prisão e o histórico do caso. Confira o vídeo abaixo:
Por causa da fuga, o processo que tramitava na Justiça ficou suspenso. Com a prisão, a ação poderá ser retomada e o homem deverá responder pelos crimes apontados pela Polícia Civil.
Segundo a polícia, ele responde por lesão corporal e dano qualificado, relacionados à agressão contra a ex-companheira e à destruição dos bens. Pertences da filha da vítima também teriam sido atingidos pelo incêndio.
Após a prisão, o suspeito foi levado para o CISP de Santana do Ipanema, onde permanece recolhido e aguarda a audiência de custódia.