
Antes de receber as primeiras doses do calendário de vacinação, um bebê pode chegar ao mundo carregando uma proteção que começou a ser construída ainda durante a gravidez. Os anticorpos não foram produzidos pelo organismo da criança, que ainda está amadurecendo, mas pela mãe, em resposta à vacinação.
Quando uma gestante recebe imunizantes, o sistema imunológico reconhece os componentes da vacina e passa a produzir anticorpos específicos contra os agentes infecciosos. Parte dessas proteínas de defesa circula pelo sangue materno, atravessa a placenta e alcança o feto antes do nascimento. Assim, a criança pode nascer com uma proteção temporária contra infecções que representam risco especialmente elevado nos primeiros meses de vida.
A estratégia, conhecida como imunização materna, pode cumprir duas funções ao mesmo tempo. Algumas vacinas reduzem o risco de adoecimento grave da própria gestante e também permitem que parte da resposta imunológica seja compartilhada com o bebê. Em outros imunizantes, como a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), a proteção da criança nos primeiros meses está entre os principais objetivos.
A importância da vacinação durante a gravidez, portanto, vai além de manter o cartão atualizado. O período gestacional cria uma oportunidade específica de proteger duas pessoas em momentos diferentes: em primeiro lugar, a mulher, que atravessa mudanças fisiológicas importantes e pode apresentar maior risco de complicações causadas por algumas infecções; depois, o bebê, que nasce sem ter completado o próprio calendário vacinal.
A própria Caderneta Brasileira da Gestante destaca que os anticorpos produzidos após a vacinação durante a gravidez podem passar para o bebê e contribuir para a proteção nos primeiros meses de vida.
Nos primeiros meses de vida, o sistema imunológico continua em amadurecimento. O bebê ainda não teve tempo de entrar em contato com muitos agentes infecciosos nem de completar os esquemas de vacinação que estimularão a própria memória imunológica.
“O sistema imunológico do recém-nascido ainda está em formação e ele simplesmente não teve tempo de criar proteção própria”, explica Eduardo Jorge da Fonseca Lima, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
O risco não depende apenas da imunidade porque a anatomia dos bebês também pode tornar algumas infecções mais perigosas. As vias aéreas são menores e, por isso, uma inflamação respiratória capaz de provocar sintomas leves em um adulto ou em uma criança maior pode causar, em um lactente, dificuldade importante para respirar.
“O vírus que causa um resfriado bobo em um adulto ou criança maior pode fechar o brônquio de um lactente e mandá-lo direto para a internação. É por isso que o VSR, a coqueluche e a gripe metem tanto medo nessa fase”, afirma o pediatra.
VSR, coqueluche, influenza e Covid-19 estão entre as infecções que preocupam no início da vida. O tétano neonatal representa outro exemplo histórico da importância da imunização materna.
A vulnerabilidade é maior porque o calendário da própria criança ainda está começando. Algumas vacinas são administradas nos primeiros meses, mas exigem mais de uma dose até que a resposta esteja consolidada. Outras só entram mais tarde.
Enquanto o organismo infantil amadurece e o esquema vacinal avança, existe uma janela na qual a criança ainda não consegue produzir sozinha toda a proteção de que necessita. É justamente nessa lacuna que entram os anticorpos maternos.
“A vacina da mãe funciona como uma ponte. O bebê recebe anticorpos prontos e atravessa protegido justamente os primeiros meses, que é quando a doença bate mais forte”, reforça Lima.
A estratégia não transforma o recém-nascido em alguém imune a todas as infecções, tampouco elimina a necessidade de outros cuidados. O que ela faz é reduzir uma vulnerabilidade que, em alguns casos, pode significar a diferença entre uma infecção leve e um quadro com necessidade de hospitalização.
A vacina não chega diretamente ao feto. Quem responde ao imunizante é o organismo materno. Após a aplicação, células do sistema imunológico reconhecem o estímulo e começam a construir uma resposta contra alguns agentes.
Entre os produtos dessa resposta, estão os anticorpos, proteínas capazes de reconhecer alvos específicos e ajudar o organismo a combatê-los. Na gravidez, parte dos anticorpos presentes no sangue materno pode ser transportada da placenta para a circulação fetal.
“Essa transferência é essencial para que o bebê recém-nascido tenha uma proteção temporária enquanto ainda não dispõe de suas próprias ferramentas imunológicas”, explica a infectologista Carolina Ciprano, membro do comitê de imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
A placenta tem um papel central nesse processo. O órgão temporário, formado durante a gravidez, é responsável pela troca de oxigênio, nutrientes e outras substâncias entre mãe e bebê, além de participar da transferência de anticorpos. A Caderneta Brasileira da Gestante descreve a placenta como essencial para o desenvolvimento fetal e para a passagem de elementos necessários ao bebê ao longo da gravidez.
O intercâmbio de anticorpos não ocorre com a mesma intensidade durante toda a gestação. Segundo Carolina, a transferência transplacentária aumenta principalmente no fim da gravidez. “De forma geral, considera-se que a transferência transplacentária de anticorpos é máxima a partir da 28ª semana”, destaca.
Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que é preciso olhar individualmente para cada vacina. Em algumas situações, o benefício começa pela própria gestante.
“Alguns dos imunizantes têm o objetivo de proteção da mãe também. Por exemplo, no caso da gripe (influenza), a gestante tem maior risco de desenvolver a doença com algumas consequências que podem ser mais graves”, afirma.
Ao reduzir o risco de infecção complicada na mulher, a vacinação também protege indiretamente a gravidez e o bebê. Uma doença capaz de provocar comprometimento respiratório importante, febre ou necessidade de internação durante a gestação pode ter repercussões que ultrapassam a saúde materna.
Em outros imunizantes, parte importante da estratégia é justamente fazer com que a proteção chegue à criança. É o caso do VSR – a vacinação na gestante pretende fornecer anticorpos ao bebê antes que ele enfrente os primeiros meses de maior vulnerabilidade.
“Quando a gente pensa na proteção após o nascimento, vão ser os anticorpos passados pela mãe durante a gravidez”, explica Cunha.
A vacinação materna cria uma cadeia de prevenção. A aplicação ocorre na gestante, a resposta imunológica é produzida por ela, parte dos anticorpos chega ao feto e o efeito pode continuar sendo observado depois do parto.

A principal vantagem da imunidade recebida da mãe é também a característica que determina sua limitação: os anticorpos chegam prontos ao organismo da criança, mas não foram produzidos por ela. Por isso, a proteção é classificada como passiva. A criança nasce com aquelas moléculas circulando no organismo, mas suas concentrações diminuem progressivamente à medida que os anticorpos são degradados.
Carolina estima que a proteção materna permaneça, de forma geral, por cerca de seis meses, embora a duração varie conforme o anticorpo, a doença, o momento da vacinação e as características individuais.
“Esses anticorpos diminuem naturalmente ao longo dos meses, pois são moléculas de meia-vida finita e não estão sendo produzidas ativamente pelo bebê”, explica a infectologista.
Enquanto a proteção passiva perde força, o bebê começa a desenvolver a própria imunidade. O amadurecimento natural do sistema imunológico se soma à vacinação infantil, que apresenta ao organismo da criança os estímulos necessários para produzir uma resposta ativa.
A diferença é importante porque, na imunidade passiva, o bebê recebe defesas produzidas pela mãe. Na imunidade ativa, o próprio sistema imunológico reconhece o estímulo e constrói uma resposta que tende a ser mais robusta e duradoura.
A vacinação da gestante e a vacinação infantil não concorrem entre si. Elas ocupam momentos diferentes do desenvolvimento da criança. “Não dá para a gente contar só com os anticorpos maternos. A criança também vai precisar desenvolver suas defesas”, afirma Cunha.
Mesmo um bebê que recebeu anticorpos em grande quantidade durante a gestação deve seguir normalmente todas as doses previstas no calendário infantil.
Há um fenômeno conhecido como blunting, no qual a presença de anticorpos maternos pode reduzir discretamente alguns marcadores da resposta imunológica produzida pelo bebê após determinadas vacinas, situação observada, por exemplo, em estudos sobre coqueluche. Segundo Lima, porém, a alteração laboratorial não significa perda da proteção clínica e não muda a recomendação.
“Uma coisa é uma queda discreta de números na bancada do laboratório, outra é a vida real. Na prática, o bebê continua protegido e não há registro de falha vacinal por causa disso. O calendário do bebê não muda um dia”, afirma.
Uma das dúvidas mais comuns sobre a vacinação materna surge quando a mulher descobre que precisará receber novamente uma vacina que já tomou em uma gestação anterior. A recomendação pode parecer contraditória para quem associa vacinação apenas à ideia de completar um esquema e permanecer protegido por anos.
Na imunização materna, porém, algumas doses têm o objetivo de fazer com que o organismo esteja produzindo uma quantidade adequada de anticorpos justamente durante aquela gravidez. Uma mulher que recebeu dTpa (tríplice bacteriana acelular tipo adulto) durante a primeira gestação deve receber outra dose em uma gravidez futura. A mesma lógica se aplica à vacina contra o VSR e o motivo é simples: trata-se de outro bebê.
Ainda que a mulher mantenha memória imunológica da vacinação anterior, a concentração de anticorpos disponível anos depois pode não ser a ideal para fornecer proteção suficiente ao feto de uma nova gestação.
A revacinação funciona como um novo estímulo, capaz de elevar novamente os níveis dessas defesas no momento em que elas poderão atravessar a placenta. “Todas as vacinas que eu preciso ter passagem de anticorpos para o nenê, vou precisar repetir a cada gestação”, explica Cunha.
A lógica é diferente para a hepatite B. Quando a mulher já completou adequadamente o esquema anteriormente, não é necessário repetir todas as doses simplesmente porque engravidou. Segundo a Caderneta Brasileira da Gestante, a vacina deve ser iniciada ou completada durante a gestação quando o histórico vacinal estiver incompleto.
Na dTpa, por outro lado, a recomendação é uma dose em cada gravidez a partir da 20ª semana, independentemente de a mulher ter sido vacinada anteriormente. Para o VSR, a lógica também é renovada a cada gestação, com aplicação a partir da 28ª semana.
A repetição não significa que a vacina anterior “deixou de funcionar”. Significa que a estratégia pretende criar um pico de anticorpos capaz de beneficiar uma nova criança.

A recente incorporação da vacina contra o VSR ao SUS criou uma oportunidade para acompanhar, em grande escala, o impacto da imunização materna sobre uma doença que pesa especialmente sobre os primeiros meses de vida.
O VSR é uma das principais causas de infecções respiratórias em crianças pequenas e está fortemente associado à bronquiolite e à pneumonia. Nos bebês, a inflamação pode comprometer vias respiratórias muito estreitas e levar à necessidade de atendimento hospitalar ou terapia intensiva.
A vacinação materna contra o vírus começou na rede pública em dezembro de 2025, destinada às gestantes a partir da 28ª semana. A proposta segue o mesmo mecanismo já observado para outras infecções: a mulher produz anticorpos após receber a vacina, parte deles atravessa a placenta e o bebê nasce com uma proteção que pode ajudá-lo justamente durante os meses em que o VSR representa maior ameaça.
Os primeiros dados nacionais após a incorporação chamaram a atenção. No primeiro semestre de 2026, o Ministério da Saúde registrou redução de 52,5% nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associados ao VSR entre menores de seis meses, em comparação com o mesmo período de 2025.
A queda foi mais acentuada nessa faixa etária do que entre crianças maiores, justamente o grupo diretamente alcançado pela estratégia de vacinação durante a gravidez.
O Ministério da Saúde também conduz uma análise para estimar o impacto da imunização sobre os casos graves evitados. Os resultados divulgados até agora são preliminares, razão pela qual a estimativa não deve ser tratada como um número definitivo.
Para Lima, presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP, os dados ajudam a dimensionar o efeito que uma estratégia aplicada antes do nascimento pode ter depois do parto. “Quando a gente vacina a gestante, ganha tempo e salva o bebê na fase em que ele é mais frágil”, afirma.
A concentração da transferência de anticorpos no fim da gravidez também ajuda a entender por que a prematuridade exige atenção especial. Quanto mais cedo ocorre o parto, menor é o tempo disponível para que os anticorpos maternos atravessem a placenta.
Um bebê que nasce muito antes do previsto pode receber uma quantidade menor de proteção, mesmo quando a mãe foi vacinada. Alterações anatômicas ou funcionais da placenta também podem interferir no processo, segundo a infectologista Carolina.
A situação cria um paradoxo: justamente as crianças que podem apresentar maior vulnerabilidade às complicações de determinadas infecções podem ter recebido menos anticorpos antes do nascimento.
Lima explica que a vacinação materna continua sendo importante, mas pode precisar ser complementada por outras estratégias nos grupos de maior risco. No caso do VSR, o SUS disponibiliza o nirsevimabe para grupos definidos pelo Ministério da Saúde, incluindo recém-nascidos prematuros e crianças menores de 24 meses com determinadas condições que aumentam o risco de formas graves.
O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal, o que significa que a criança recebe diretamente a proteína pronta, capaz de oferecer proteção por um período determinado.
Enquanto a vacina aplicada na gestante estimula o organismo materno a fabricar anticorpos que serão transferidos ao bebê, o nirsevimabe elimina essa etapa e fornece a defesa pronta diretamente à criança. A própria Caderneta Brasileira da Gestante cita a proteção contra bronquiolite com nirsevimabe entre os cuidados destinados a bebês prematuros.
O parto encerra a transferência de anticorpos pela placenta, mas não interrompe todas as formas de proteção compartilhadas entre mãe e filho. Depois do nascimento, o leite materno oferece anticorpos e outros componentes imunológicos que ajudam a proteger o bebê contra agentes presentes no ambiente. O mecanismo, porém, é diferente daquele observado durante a gestação.
Os anticorpos transferidos pela placenta chegam diretamente à circulação fetal e oferecem uma proteção sistêmica. No leite materno, componentes de defesa atuam principalmente nas superfícies que estão em contato constante com microrganismos, como as mucosas do trato gastrointestinal e de outras regiões.
“Assim como acontece na transferência transplacentária, os anticorpos maternos podem ser transferidos para o bebê pelo leite materno, o que aumenta a importância da amamentação”, afirma Carolina.
Isso não significa que o leite substitua a proteção recebida durante a gravidez ou as vacinas da criança. A vacinação durante a gestação permite que o bebê já nasça com anticorpos circulantes. A amamentação continua fornecendo componentes imunológicos depois do parto. Paralelamente, as vacinas infantis ensinam o próprio organismo da criança a produzir respostas contra diferentes agentes infecciosos.
A proteção do bebê é construída em camadas. Primeiro, existem as defesas recebidas da mãe durante a gestação. Depois do nascimento, entram a amamentação e os outros cuidados de prevenção.
Ao mesmo tempo, o calendário infantil começa a estimular o sistema imunológico da criança para que ela deixe de depender progressivamente daquela imunidade emprestada. Carolina explica que a diferença está justamente na duração da resposta.
“A imunidade recebida da mãe protege o bebê num primeiro momento em que ele está mais vulnerável. No entanto, ela é limitada e diminui com o tempo. Com o amadurecimento, a criança passa a produzir a sua própria resposta imunológica, tanto às vacinas quanto às exposições ambientais, e essa resposta tende a ser mais robusta e duradoura”, afirma.
Não existe uma escolha entre vacinar a gestante, amamentar ou vacinar o bebê. As estratégias são complementares e atuam em diferentes momentos e por mecanismos distintos.
O Brasil recuperou parte das coberturas vacinais nos últimos anos, inclusive entre gestantes, mas o avanço não ocorre da mesma forma para todos os imunizantes.
A dTpa é um dos exemplos mais expressivos. Segundo o Ministério da Saúde, a cobertura passou de 33,81% em 2016 para 93,59% em 2025. Os dados preliminares de 2026 apontam 87,86%. Desde 2023, mais de 6,6 milhões de doses foram distribuídas pelo SUS para gestantes. A vacina contra o VSR também alcançou adesão elevada nos primeiros meses de oferta na rede pública.
O cenário é mais difícil para influenza e Covid-19. Cunha, da SBIm, afirma que as coberturas ainda são preocupantes e relaciona parte da baixa adesão à hesitação vacinal e à desinformação, que ganharam força nos últimos anos.
“A gente sabe que a hesitação vacinal tem dificultado a recuperação das coberturas. Talvez o principal seja a própria confiança, porque não é só a confiança em que a vacina vai ser segura e eficaz. A gente precisa ter confiança nos profissionais de saúde e nas instituições”, afirma.
A decisão de se vacinar, porém, não depende apenas da confiança individual. Horários de funcionamento incompatíveis com a jornada de trabalho, distância do local de trabalho, dificuldade de deslocamento e falta eventual de imunizantes podem criar barreiras adicionais. Uma cobertura nacional elevada também pode esconder desigualdades importantes dentro do país.
Um município pode apresentar índices altos enquanto outro permanece abaixo da meta. Mesmo dentro da mesma cidade, bairros podem ter realidades completamente diferentes. Uma unidade de saúde em uma região central pode enfrentar obstáculos diferentes daqueles encontrados em uma periferia, em uma comunidade rural ou em uma área de difícil acesso. A resposta também precisa considerar essas diferenças.
Entre as barreiras apontadas pelos especialistas, está o medo de possíveis efeitos da vacinação durante a gravidez. A preocupação ganha um peso particular porque a gestante não pensa apenas na própria saúde. Dúvidas sobre possíveis repercussões para o desenvolvimento fetal, prematuridade ou outras complicações podem levar mulheres a adiar ou recusar imunizantes recomendados.
Para Cunha, a comunicação com os profissionais de saúde é decisiva. “É algo bastante comum que precisa ser trabalhado, em especial com os profissionais de saúde, porque a gente precisa ter informação adequada para comunicar corretamente”, afirma.
A recomendação durante o pré-natal pode influenciar diretamente a decisão. Quando obstetras, enfermeiros e outros profissionais explicam por que uma vacina está indicada, em qual momento deve ser aplicada e qual benefício pode trazer ao bebê, a vacinação deixa de parecer uma intervenção isolada e passa a fazer parte da própria assistência à gestação.
A Caderneta Brasileira da Gestante estabelece que a equipe do SUS deve orientar, indicar, acompanhar e explicar as vacinas necessárias de acordo com cada fase da gravidez e com as necessidades da mulher. O documento também reconhece o acesso às vacinas como parte da assistência durante o pré-natal.
A imunização materna trabalha com uma janela pequena, mas decisiva. Primeiro, a mulher recebe a vacina e o sistema imunológico responde. Depois, parte dos anticorpos produzidos atravessa a placenta. O bebê nasce carregando uma defesa que não produziu sozinho e que começa a diminuir gradualmente após o nascimento.
Ao mesmo tempo, outras formas de proteção entram em cena. A amamentação fornece componentes imunológicos, o organismo infantil continua amadurecendo e as primeiras vacinas começam a ensinar o sistema imunológico da criança a produzir a própria resposta.
A proteção materna não elimina a vulnerabilidade do recém-nascido tampouco substitui o calendário infantil. A amamentação também não exerce o mesmo papel das vacinas. Cada recurso atua de maneira diferente, mas todos podem fazer parte de uma mesma construção de proteção ao longo dos primeiros meses.
A imunidade emprestada tem prazo para diminuir. A importância está justamente nisto: ela não precisa durar para sempre. Precisa, somente, atravessar o período em que a criança mais necessita dela.
Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (14) aponta um cenário preocupante: as condições e as características do trabalho jornalístico, aliadas ao constante assédio e ao baixo apoio social, expõem os profissionais de imprensa do Brasil a uma série de potenciais problemas de saúde mental.
Produzido pela Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro) com o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o estudo Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil aponta a urgência de empregadores, entidades de classe e formuladores de políticas públicas reconhecerem a gravidade da situação e atuarem para promover um ambiente de trabalho mais seguro, justo e saudável para os profissionais da categoria.
Quase metade (48%) dos 257 jornalistas brasileiros recrutados via amostragem para responder a um questionário online afirmaram sofrer com sintomas de insônia.
O percentual é superior à média nacional registrada no relatório Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel Brasil) 2006-2024, do Ministério da Saúde, que registra média entre 28,7% (em Natal) e 38% (em Maceió).
Trinta e seis por cento dos entrevistados também relataram episódios típicos de um quadro de ansiedade, enquanto metade dos entrevistados (50%) disse enfrentar quadro de depressão. Desses últimos, 9% elencaram sintomas de depressão severa e 16%, extremamente severa.
Além disso, 21,5% dos que responderam ao questionário revelaram consumir bebidas alcoólicas em consonância com padrões de frequência e de quantidade que sugerem o uso de risco (18,7%) ou nocivo (1,6%). Além disso, as respostas de 1,2% dos entrevistados indicam uma provável dependência.
Analisando outros estudos, Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze, as responsáveis pela pesquisa apresentada durante reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional, destacam que o dinamismo e, consequentemente, o estresse, são características intrínsecas ao jornalismo que expõem os profissionais a riscos psicossociais.
Assédio
Não bastasse isso, os trabalhadores são alvo constante de diferentes formas de assédio, principalmente moral.
Ao menos 26% dos profissionais de imprensa reportaram já ter sido alvo de assédio moral no ambiente de trabalho – percentual que pode atingir 37% quando aplicados outros critérios de pesquisa.
“A prevalência de assédio moral no trabalho, variando de 26% a 37%, e de cyberbullying (30%), representam um dos achados mais críticos deste estudo”, sustentam as autoras do relatório da pesquisa.
“Esses percentuais elevados indicam que uma parcela substancial dos jornalistas brasileiros está exposta a formas de violência psicossocial, tanto no ambiente físico quanto no digital.”
Um agravante à situação é que 61% dos entrevistados afirmam receber baixo apoio social – definido como os níveis de interação social no trabalho, tanto com colegas quanto com superiores.
Segundo Bruna e Elaine, junto com o baixo controle sobre as atividades que os jornalistas têm que executar sob pressão, essa situação pode gerar consequências negativas à saúde ou agravá-las. O que, talvez, ajude a explicar o fato do quesito avaliação da satisfação no trabalho ter ficado levemente abaixo da média.
Para as pesquisadoras, as consequências das condições de trabalho dos profissionais de imprensa geram reflexos que afetam além da própria categoria, uma vez que esta é considerada essencial para o adequado funcionamento das instituições democráticas. Opinião compartilhada com a presidenta da Fenaj, Samira de Castro Cunha.
“Os dados evidenciam um cenário preocupante, marcado por altas taxas de estresse, ansiedade, depressão, insônia, assédio moral e violência digital. Além disso, revelam um ambiente de trabalho caracterizado por altas demandas, baixo controle sobre as atividades e insuficiente apoio social", diz Samira.
"Esses elementos não apenas afetam a saúde dos profissionais, mas também impactam a qualidade da informação produzida [pelos jornalistas] e, consequentemente, o próprio direito da sociedade à informação”, concluiu.
Pequenos e capazes de viver por décadas, alguns morcegos desafiam um padrão comum entre os mamíferos: animais menores geralmente têm vidas mais curtas. Agora, cientistas encontraram no DNA desses pequenos voadores, pistas que podem ajudar a explicar a longevidade de algumas espécies e a relação com mecanismos de defesa contra vírus e câncer.
O estudo, publicado em aogsto na revista Nature, analisou morcegos do gênero Myotis, que apresentam diferenças expressivas na expectativa de vida, apesar de serem relativamente semelhantes em tamanho. Enquanto o Myotis nigricans pode viver cerca de sete anos, o Myotis brandtii chega a 42 anos, uma diferença de seis vezes.
Para investigar o que poderia explicar tamanha variação, pesquisadores produziram genomas quase completos de oito espécies e procuraram adaptações genéticas relacionadas à longevidade, ao sistema imunológico e à resistência a doenças.
A análise revelou sinais de seleção positiva em genes ligados à longevidade e a processos relacionados ao câncer. A seleção positiva ocorre quando determinadas características genéticas vantajosas são favorecidas ao longo da evolução e se tornam mais frequentes em uma população.
Os pesquisadores também encontraram uma relação entre genes associados à longevidade e aqueles envolvidos na interação com vírus. Segundo os autores, os resultados sugerem que adaptações desenvolvidas pelos morcegos durante a evolução para enfrentar infecções podem ter proporcionado benefícios para outras funções do organismo, incluindo a manutenção das células e a resistência ao câncer.
A resposta aos vírus também apresentou diferenças. Proteínas que interagem com vírus de DNA mostraram fortes sinais de seleção positiva, enquanto proteínas relacionadas aos vírus de RNA apresentaram maior variação no número de cópias dos genes.
Entre os mecanismos investigados está o PKR, uma proteína importante para a defesa antiviral. A equipe encontrou duplicações antigas relacionadas ao gene responsável pela proteína, indicando uma longa história de adaptação do sistema imunológico dos animais.
Os cientistas também fizeram experimentos com células do Myotis lucifugus, uma espécie longeva, para observar como elas reagiriam a danos no DNA. Em vez de aumentar principalmente a atividade de genes responsáveis pelo reparo, as células apresentaram maior ativação de mecanismos relacionados à morte celular.
A resposta pode ser importante porque eliminar uma célula gravemente danificada impede que ela continue acumulando alterações e se multiplicando, processo relacionado ao desenvolvimento do câncer.
O resultado reforça a hipótese de que a longevidade dos morcegos pode estar relacionada não apenas à capacidade de enfrentar infecções, mas também à maneira como o organismo controla células danificadas.
Os achados não significam que exista um único “gene da longevidade”, nem que os mecanismos identificados possam ser aplicados diretamente aos seres humanos. O trabalho buscou compreender como diferentes características evoluíram em animais que vivem muito mais do que seria esperado para o próprio tamanho.
Segundo os autores, longevidade e imunidade podem estar conectadas por adaptações que oferecem mais de um benefício ao organismo. Uma mudança genética favorecida pela proteção contra vírus, por exemplo, também pode contribuir para o controle celular e a resistência a doenças relacionadas ao envelhecimento.
Ao compreender como morcegos desenvolveram estratégias para lidar com vírus, danos no DNA e câncer ao longo de milhões de anos, os pesquisadores esperam encontrar novas pistas sobre os mecanismos biológicos envolvidos em uma vida longa e saudável.
Vinte e três alunos e visitantes de uma feira de ciências de um colégio particular do Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, foram atendidos no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, após serem expostos ao risco de contaminação por doenças transmissíveis pelo sangue. Durante o evento escolar, um grupo utilizou a mesma agulha em diversas pessoas para medição de glicose.
O caso aconteceu na manhã do último sábado (12/9) e está sendo investigado pela 42ª DP (Recreio), da Polícia Civil. O diretor da unidade Recreio II do Colégio Tamandaré foi chamado para prestar esclarecimentos, e os investigadores solicitaram imagens das câmeras de segurança para reconstituir o que ocorreu durante a feira.
Segundo a direção do colégio, um dos estandes da feira abordava o tema diabetes, com alunos de idades entre 11 e 12 anos, e uma das estudantes levou para a exposição um aparelho utilizado para medição de glicose e uma caixa de lancetas, pequenas agulhas usadas para furar o dedo e coletar uma gota de sangue. Ela teria utilizado a mesma lanceta em até três pessoas diferentes.
A instituição informou que professores e coordenadores haviam orientado os alunos a não utilizar o equipamento para medição e a mantê-lo apenas em exibição durante a feira. No entanto, próximo ao fim do evento, a estudante teria usado o material para medir a glicemia de pessoas que visitavam o estande.
As pessoas que utilizaram a mesma lanceta correm risco de exposição a doenças infectocontagiosas transmitidas pelo sangue, como hepatites B e C, HIV e sífilis.
Em nota, a direção do Hospital Municipal Lourenço Jorge informou que recebeu 20 pacientes com relato de exposição de risco por compartilhamento de lancetas. Todos foram avaliados e iniciaram o protocolo de profilaxia pós-exposição, tratamento preventivo indicado em situações que envolvem contato com material biológico potencialmente contaminado. A Secretaria Municipal de Saúde informou que todos os testes realizados até o momento tiveram resultado negativo.
Um pequeno caroço que parecia uma espinha mudou a vida da norte-americana Hope Schiefer. Aos 13 anos, ela percebeu a alteração no rosto e, acreditando que poderia ser uma espinha ou um cisto, tentou espremê-la, mas nada aconteceu. Após procurar atendimento médico, foi encaminhada a um cirurgião vascular e recebeu o diagnóstico de hemangioma.
Hoje, aos 32 anos, Hope afirma conviver há 19 com a protuberância, que continuou crescendo e, nos últimos anos, avançou em direção ao pescoço. A técnica de limpeza, que vive em College Station, no Texas, relata que consegue sentir o sangue circulando pela região e que, em alguns momentos, o tumor pulsa que chega a ser visível.
Depois de anos encarando a alteração como uma fraqueza, ela decidiu chamá-la de Betty. “Betty representa tudo o que sobrevivi: os procedimentos médicos, o desconforto físico, o bullying e os anos lutando com a minha autoestima”, contou.
Ao longo dos anos, Hope passou por ressonâncias magnéticas, tomografias e ultrassonografias para avaliar a relação da alteração com vasos sanguíneos importantes do rosto. Ela também foi submetida a duas cirurgias que buscavam bloquear ou reduzir o fornecimento de sangue para a região, porém a protuberância continuou crescendo e inchando.
Hemangiomas são alterações vasculares formadas pelo crescimento anormal de vasos sanguíneos. Apesar de serem chamados de tumores vasculares, são benignos, ou seja, não são câncer.
No caso de Hope, uma nova intervenção é considerada arriscada. Segundo o relato da paciente, médicos explicaram que a alteração está ligada a um grande vaso sanguíneo da face, e uma cirurgia poderia provocar complicações graves. Por ser mãe, ela decidiu não correr o risco de uma nova operação.
Aos 27 anos, Hope também recebeu o diagnóstico de síndrome do anticorpo antifosfolípide, conhecida pela sigla APS, uma doença autoimune associada à formação de coágulos. Ela relata ainda que a protuberância muda de tamanho, fica mais sensível durante o período menstrual e aumentou depois da gravidez.
Além do desconforto físico, a alteração afetou a autoestima de Hope. Durante a adolescência, ela começou a faltar às aulas para evitar comentários sobre a aparência e, já adulta, passou a receber ataques nas redes sociais, onde foi comparada ao personagem Glenn Quagmire, da animação Family Guy.
A norte-americana conta que ainda teme como o rosto poderá mudar no futuro, porém decidiu não deixar a aparência determinar sua vida. Para ela, os riscos de uma nova cirurgia atualmente pesam mais do que a possibilidade de retirar a protuberância.
“Por mais que eu tenha dificuldades com a minha aparência, sou mãe, e meu filho precisa muito mais de mim viva e presente do que precisa que eu tenha um rosto convencionalmente ‘perfeito’”, afirmou em sua página no Tik Tok.
Para tratar e oferecer qualidade de vida à pacientes com doenças cardiovasculares, o diagnóstico precoce é um forte aliado e, por isso, a campanha do Setembro Vermelho busca conscientizar a população sobre os cuidados necessários.
Embora frequentemente associados aos adultos, problemas no coração também exigem atenção redobrada na infância.
O acompanhamento médico nesse período pode garantir o desenvolvimento saudável para a fase adulta, já que as cardiopatias congênitas estão entre as principais causas de complicações cardíacas em crianças.
A médica pediatra Michelle Loyola, especializada em Cardiologia Pediátrica, explica que alterações na formação do coração podem ocorrer ainda durante a gravidez.
Segundo ela, as cardiopatias congênitas estão presentes desde a formação do coração, reforçando a importância dos exames na gestação, já que algumas dessas condições podem ser identificadas durante o pré-natal, por meio da ultrassonografia ou do ecocardiograma fetal.
Quando o bebê nasce, é essencial que o pediatra realize uma avaliação clínica, como o Teste do Coraçãozinho. Esse exame é realizado por meio da oximetria de pulso, importante para identificar algumas cardiopatias congênitas críticas.
Prevenção
Outras doenças podem surgir ao longo da infância, como miocardites, algumas arritmias e alterações das valvas cardíacas. Por isso, é importante manter o acompanhamento pediátrico regular, para identificar precocemente qualquer alteração.
Entre os sinais que merecem atenção na infância estão:
- Dificuldade para mamar;
- Cansaço ou falta de ar;
- Suor excessivo durante as mamadas;
- Baixo ganho de peso;
- Coloração arroxeada dos lábios ou da pele;
- Palpitações e desmaios.
Além do acompanhamento regular, é importante a manutenção de uma alimentação equilibrada, atividade física adequada para a idade, sono adequado e se atentar ao crescimento, ao peso e a pressão arterial da criança.
Setembro Amarelo é uma das campanhas mais famosas e consolidadas em prol da saúde mental, no entanto, é válido ressaltar que os cuidados como bem-estar da mente não devem acontecer somente durante este período e, muito menos o hábito de falar sobre o assunto deve se restringir a meros 30 dias do ano.
A valorização da vida deve acontecer de maneira constante, por isso, em Palmeira, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) conta com estratégias para que a população tenha acesso a atendimentos especializados, uma delas é o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Dr. Osvaldo Silva.
De acordo com a coordenadora do Caps II Larissa Almeida, o Centro, que fica localizado na Rua Pedro Carnaúba, nº 88, atende, atualmente, 378 usuários. “Contamos com atendimento psicológico, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes administrativos”, explicou.
A secretária municipal de Saúde Zoé Duarte explicou que os dois Caps estão à disposição da população. “Lá, atendemos pessoas com ansiedade, depressão, síndrome do pânico, entre outros transtornos. Para ser atendido, basta que o paciente procure o local munido de comprovante de residência, identidade, CPF e Cartão do SUS”, disse.
Um pedaço de plástico pode se transformar em um biscoito. Sim, a frase não está errada e foi o que cientistas internacionais fizeram em uma nova descoberta. A partir da engenharia genética de leveduras, eles conseguiram desenvolver um sistema capaz de modificar compostos plásticos e resíduos agrícolas em proteínas, vitaminas, aromatizantes e outros ingredientes comestíveis.
A inovação, desenvolvida pela Southern Illinois University Carbondale (SIU), nos Estados Unidos, pode facilitar a chegada de alimentos a locais com recursos limitados. Outra aplicação possível é em missões tripuladas ao espaço, onde a disponibilidade de comida também é mais escassa.
Além da universidade norte-americana, a Nasa participou da pesquisa. Os resultados das primeiras avaliações da nova técnica foram apresentados na reunião de outono da Sociedade Americana de Química (ACS, na sigla em inglês) em agosto.
Para desenvolver a técnica, os cientistas levaram em consideração dois problemas que assolam o mundo atualmente: a poluição por plástico e a insegurança alimentar. Em seguida, sabendo que o uso de microrganismos para produzir substâncias úteis já é algo bem estabelecido, eles resolveram aplicar engenharia genética em leveduras.
Para o processo funcionar, inicialmente os resíduos precisam ser quebrados em pedaços menores, utilizando-se água e oxigênio sob alta temperatura e pressão. Dessa forma, a ação dos microrganismos é facilitada. Por fim, as leveduras transformam os materiais em compostos alimentares, incluindo proteínas, gorduras e ácidos.
Segundo os pesquisadores, as leveduras foram modificadas geneticamente para converter esses resíduos em ingredientes culinários.
“Os micróbios são muito inteligentes. Portanto, estamos usando suas características para resolver os problemas que criamos”, afirma Lahiru Jayakody, um dos professores envolvidos no projeto, em comunicado.
O processo descrito é somente a primeira etapa. Após a obtenção dos compostos alimentares, eles são misturados com fibras, amido e adoçante. O resultado vai para uma impressora 3D capaz de criar os biscoitos, apelidados de microbites (ou µBites).
Até o momento, as evidências apontam que o consumo dos microbites é seguro. No entanto, ainda não foram realizados testes de degustação formais, pois os pesquisadores aguardam autorização. Caso o consumo do alimento seja aprovado, a expectativa é que ele ajude a mitigar a insegurança alimentar no mundo.
“A demanda global por alimentos deverá aumentar entre 35% e 56% até 2050, e cerca de 30% da população mundial estará em risco de passar fome no futuro. Acredito que a solução para esse problema seja o uso de microrganismos”, conclui Jayakody.
A forma como o cérebro processa a visão pode mudar em pessoas com surdez profunda desde a infância. Um estudo recente indica que esse grupo tende a usar mais áreas do sistema visual para captar o que está nas laterais do campo de visão.
A pesquisa foi publicada em 4 de setembro nos Anais da Academia Nacional de Ciências e analisou como o cérebro organiza as informações visuais em pessoas surdas e ouvintes.
Os cientistas avaliaram 16 adultos com surdez profunda precoce e compararam os resultados com os de 16 pessoas com audição normal. Para isso, usaram exames de ressonância magnética que permitem mapear quais regiões do cérebro respondem a diferentes pontos do campo visual.
Os dados mostraram que, nas pessoas surdas, áreas iniciais do processamento visual já apresentam maior resposta a estímulos periféricos. Isso ocorre antes mesmo de a informação chegar ao córtex visual primário, região central no processamento da visão.
Uma das estruturas envolvidas é o núcleo geniculado lateral, no tálamo, que funciona como uma etapa intermediária entre os olhos e o cérebro. Nessa região, a atividade já se mostra mais direcionada ao que acontece fora do centro da visão.
Os pesquisadores também analisaram o córtex visual primário, localizado na parte posterior do cérebro. O volume total dessa área foi semelhante entre os grupos, mas a forma como ele é utilizado apresentou diferenças.
Pessoas surdas mostraram maior representação da visão periférica, enquanto pessoas ouvintes concentraram mais recursos na visão central. Isso indica que o cérebro distribui suas funções de maneira diferente ao longo da vida, possivelmente como resposta à ausência de estímulos sonoros.
Segundo os autores, essa reorganização pode ajudar na detecção de movimentos ou mudanças no ambiente, especialmente fora do campo central da visão. Sem pistas sonoras, a visão passa a ter um papel mais importante na identificação de possíveis riscos ou eventos ao redor.
Apesar disso, o estudo não indica que pessoas surdas enxerguem melhor em todas as situações. Os resultados apontam uma redistribuição do processamento visual, com maior atenção às bordas do campo de visão.
Os pesquisadores destacam que parte dos participantes tinha surdez de origem genética, enquanto outros não tinham causa definida. Essa diferença pode influenciar os resultados.
Também foram observados indícios de que mudanças semelhantes podem começar ainda na retina, antes mesmo de os sinais chegarem ao cérebro.
Novos estudos devem investigar como fatores como linguagem de sinais e origem da surdez interferem nessas adaptações do sistema visual.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo sobre um processo que trata da rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A medida foi tomada após determinação do presidente do STF, ministro Edson Fachin. Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia opinado pela retirada do sigilo que ainda vigorava sobre o processo.
Fachin, por sua vez, havia sido acionado pelo ministro Alexandre de Moraes, que em ofício disse ser essencial a quebra do sigilo da petição sobre os pagamentos de Vorcaro antes do julgamento marcado para terça-feira (15). Amanhã, o plenário decidirá sobre uma abertura ou não de investigação sobre Moraes.
Com a nova retirada de sigilo, o STF derrubou o segredo judicial sobre 54 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro.
Julgamento
No julgamento de terça, os ministros devem se debruçar sobre um relatório da Polícia Federal (PF) que traz 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro a Moraes, com quem o ex-banqueiro demonstra ter relação próxima.
O material foi recuperado do celular apreendido de Vorcaro. As mensagens foram enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, dia em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.
Nas mensagens, Vorcaro aparenta compartilhar com Moraes um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro busca informações sobre a operação da PF para prendê-lo. As respostas do interlocutor não puderam ser resgatadas, informaram os investigadores.
O relatório veio à tona no início de setembro, quando o sigilo sobre material foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo. O ato desencadeou uma crise sem precedentes na Corte, com embate direto entre os ministros.
A PGR pediu ao Supremo a anulação do relatório, devido a supostas irregularidades na sua produção. Segundo o órgão, o relator não poderia ter autorizado o avanço das investigações sobre um ministro do Supremo sem ter informado ao plenário previamente.
Reação
Em resposta, Moraes divulgou o que disse ser um “relatório de inteligência” da PF segundo o qual haveria direcionamento das investigações do caso Master por Mendonça, com objetivo de atingir desafetos políticos.
O documento, contudo, não é assinado nem traz o timbre da corporação, além de trazer na capa o alerta de que o material foi produzido como uma conjectura e “sem valor probatório”.
Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do Supremo marcou o julgamento deste pedido para 23 de setembro.
Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou, na última sexta-feira (11), a apreensão de todos os lotes de produtos à base de berberina comercializados sem registro, notificação ou cadastro na agência. A medida impede que os produtos sejam fabricados, importados, distribuídos, divulgados, comercializados ou utilizados.
Vendida e divulgada como "Ozempic natural", a berberina é um composto encontrado em plantas como Hydrastis canadensis e espécies do gênero Berberis. A substância é utilizada na medicina tradicional asiática há séculos e, mais recentemente, passou a ser estudada por seus possíveis efeitos sobre a glicemia, o colesterol e outros parâmetros metabólicos.
Segundo o jornal The New York Times, existem estudos sugerindo efeitos da berberina sobre o metabolismo, mas as pesquisas sobre sua capacidade de provocar perda de peso ainda são limitadas.
Melinda Ring, especialista em medicina integrativa da Northwestern Medicine, disse ao jornal americano que a substância tem evidências que justificam esses estudos, mas que o entusiasmo nas redes sociais sobre seu potencial para emagrecimento é "exagerado".
Craig Hopp, vice-diretor de uma divisão do Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa dos Estados Unidos, também afirmou que há alguma plausibilidade para um efeito sobre o peso, baseada sobretudo em estudos preliminares e em modelos animais, mas faltam ensaios clínicos robustos em humanos.
A comparação entre berberina e Ozempic ganhou força nas redes sociais principalmente por causa da busca por alternativas aos medicamentos que se tornaram populares para perda de peso. O Ozempic, fabricado pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, contém semaglutida, uma substância que pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1 e atua na regulação da glicose e do apetite.
A berberina tem mecanismos de ação diferentes e não é uma versão natural da semaglutida, disseram Ring e Hopp ao The New York Times. Embora alguns estudos tenham observado possível redução de peso entre pessoas que utilizaram a substância, as evidências disponíveis ainda são insuficientes para estabelecer um efeito de emagrecimento comparável ao dos medicamentos dessa classe.
A substância também pode interagir com medicamentos. Segundo Hopp, a berberina pode alterar a concentração de determinados remédios no sangue. A combinação com a metformina, utilizada no tratamento do diabetes tipo 2, por exemplo, pode potencializar o efeito do medicamento e aumentar o risco de hipoglicemia.
Yufang Lin, especialista em medicina integrativa na Cleveland Clinic, também alertou ao jornal que a ideia de que uma substância é necessariamente segura por ser "natural" pode levar pacientes a subestimar seus riscos e possíveis interações com medicamentos.
Além dos produtos à base de berberina, a mesma resolução da Anvisa determinou medidas contra outros produtos.
A agência determinou a apreensão de todos os lotes do Soll*Q 75, nas apresentações de 180, 360 e 720 cápsulas, com concentrações de 300 mg e 150 mg, fabricado pela empresa Métodos Quantumbio Distribuidora e Serviços como item da Medicina Tradicional Chinesa (MTC).
Segundo a Anvisa, o produto era vendido diretamente ao consumidor sem exigência de prescrição e dispensação por profissional habilitado. A agência também afirmou ter identificado a divulgação de alegações de finalidade terapêutica para o produto.
Na mesma resolução, a Anvisa determinou o recolhimento de lotes do medicamento cloridrato de dobutamina, produzido pela Hypofarma, após a confirmação de um desvio de qualidade. Foram identificados precipitados, partículas suspensas, cristalização e alterações de cor em ampolas íntegras e/ou depois da diluição.
A resolução também determinou a suspensão da propaganda de todos os produtos manipulados divulgados no site da marca Pharmes, da empresa Lupatini e Pinheiro Instituto de Manipulação Ltda.
Uma discussão entre duas mulheres terminou em agressões físicas na manhã deste domingo (13), no Centro de Arapiraca, no Agreste de Alagoas. Segundo a Polícia Militar, as duas apresentaram versões diferentes sobre o que provocou o conflito.
Ainda conforme a polícia, uma das mulheres, que trabalha como garota de programa, estava em um bar quando iniciou uma discussão com a proprietária do estabelecimento. Ela relatou que a discussão teria ocorrido após um possível surto relacionado ao uso de drogas e negou que a briga tivesse relação com um suposto furto de R$ 200 de um cliente.
Já a proprietária do bar relatou que a outra mulher teria pego o dinheiro de um cliente e que ela recuperou a quantia e a devolveu.
Ainda conforme o relato da proprietária, depois de devolver o dinheiro, ela pediu que a mulher deixasse o estabelecimento. As duas então discutiram e passaram a trocar agressões.
A Polícia Militar foi acionada e ouviu as duas envolvidas. Como ambas confirmaram as agressões recíprocas, as duas foram identificadas no registro como autora e vítima.
As duas foram orientadas sobre o procedimento e se comprometeram a comparecer à Justiça caso sejam intimadas. Elas foram liberadas no local.
No Instituto Superar, vivemos um momento especial de reflexão, aprendizado e acolhimento com nossos colaboradores, unindo as mensagens do Setembro Amarelo e Setembro Verde.
Foi um encontro para falar sobre saúde mental, prevenção ao suicídio, doação de órgãos e, acima de tudo, sobre o valor de cada vida. Um dia de escuta, carinho, partilha e esperança, que nos lembrou que um gesto, uma palavra ou simplesmente estar presente pode transformar o dia — e até a vida — de alguém. 💚💛
Porque superar também é cuidar, acolher e estender a mão.
🌱 Instituto Superar — todos juntos pela vida!
#InstitutoSuperar #SetembroAmarelo #SetembroVerde #CuidarDaVida #SaúdeMental PrevençãoAoSuicídio DoaçãoDeÓrgãos TodosJuntosPelaVida
A memória é a capacidade do cérebro de registrar, armazenar e recuperar informações. É ela que nos permite reconhecer rostos, reviver experiências, aprender uma nova língua ou até lembrar do caminho de casa. A memória é como um fio que costura nossas experiências, emoções e aprendizados, dando sentido à vida. É ela que nos faz lembrar o sabor da comida preferida da infância, o nome de um velho amigo ou a lição aprendida um livro marcante. Longe de ser apenas um “arquivo” na mente, a memória é viva: muda, se adapta e até se reinventa a cada nova vivência. Graças a essa incrível capacidade, não apenas guardamos o passado, mas também construímos o futuro, aprendendo, planejando e nos transformando continuamente.
Mas, se a memória é tão essencial, por que tantas vezes sentimos dificuldade reter o que estudamos? A boa notícia é que lembrar mais e melhor não depende apenas de talento: a memória pode ser treinada. Diversas técnicas, antigas e modernas, comprovam que é possível aprender com mais eficiência quando se utilizam imagens, associações e experiências.
Métodos como o palácio da memória, conhecidos desde a Grécia Antiga, mostraram ao mundo que a imaginação pode ser uma grande aliada. Ao associar informações abstratas a cômodos de uma casa, oradores e pensadores conseguiam memorizar longos discursos sem precisar recorrer a anotações.
As técnicas de memória são estratégias criadas para facilitar o armazenamento e a recuperação de informações, tornando o aprendizado mais eficiente — métodos que utilizam associações mentais, organização de ideias sequências lógicas, visualização de imagens marcantes e a criação de histórias que conectam conceitos.
Você já se perguntou por que se recorda com agilidade dos lugares que visitou, muitas vezes com riqueza de detalhes, mas não se lembra do que estudou há apenas 15 dias?
O segredo está na experiência vivida.
Entre as técnicas contemporâneas que vêm ganhando destaque está a Memory City, que virou um livro e curso de mesmo nome que desenvolvi como neurologista e professor titular da Universidade do Vale do Itajaí. A proposta é uma evolução criativa do antigo palácio da memória: em vez de se apoiar um espaço pronto, o estudante é convidado a criar uma cidade dentro da mente.
Nesta cidade, locais funcionam como pontos de ancoragem para conteúdos que precisam ser fixados. O grande diferencial da técnica está no uso da memória experiencial. Ao personalizar sua cidade com elementos próprios — cores, sons, cheiros e emoções — cada pessoa transforma o ato de estudar em uma experiência única e vívida.
Imagine estar estudando biologia e, na sua Memory City, você cria um ambiente colaborativo, por exemplo, uma cafeteria em Paris, próxima à Torre Eiffel. Enriqueça esse espaço com uma música ao fundo, o aroma de um croissant delicioso, pessoas passando pela rua, a temperatura do ambiente — enfim, elementos que tornam o local vívido na mente. Após isso, inicie o estudo e, a cada distração ou pausa, retome mentalmente o ambiente cocriado, como se o estudo estivesse acontecendo ali, com aquelas imagens mentais.
O conhecimento semântico, que normalmente seria aprendido e armazenado uma espécie de arquivo mental, é realocado para um contexto de experiência e vivência. Não foi apenas um estudo de biologia, mas um estudo em uma cafeteria Paris, próximo à Torre Eiffel, com múltiplas informações sensoriais que tornam o ambiente propício para receber o conteúdo aprendido.
Dessa forma, o conhecimento deixa de ser abstrato e ganha vida forma de experiências mentais.
Antes de se tornar um livro, a metodologia foi testada um curso e validada por meio de um experimento com alunos de medicina, que utilizaram a técnica ao longo de seis meses. O grupo que aplicou o método obteve notas 32% superiores em comparação aos alunos que não a praticaram. Esses resultados levaram à validação e publicação da técnica.
A Memory City mostra que aprender não precisa ser um exercício frio e repetitivo. Pelo contrário: quando transformamos informações em imagens criativas, experiências sensoriais e narrativas opcionais, criamos vínculos mais fortes no cérebro. O aprendizado se torna leve, prazeroso e, acima de tudo, duradouro, pois a memória passa a ter um “lugar” onde foi construída.
O segredo é simples: para memorizar melhor, precisamos entrar no jogo da imaginação e da cocriação. Quanto mais ativa e criativa for a forma de estudar, mais sólida será a construção do conhecimento.
Uma criança, que não teve a idade revelada, morreu após ser atingida pela estrutura de um brinquedo em um parque de diversões em Muriaé, na Zona da Mata mineira, na noite desse domingo (13/9). Segundo o relato do operador aos bombeiros, o menino tentava recuperar um chinelo que havia caído quando ocorreu o acidente.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 22h para atender à ocorrência no parque de exposições do município, localizado na Avenida Alfredo Pedro Carneiro, no bairro Boa Vista.
De acordo com os militares, parte da estrutura de um brinquedo chamado Space Loop atingiu a criança. A vítima ficou gravemente ferida e teve a morte constatada ainda no local.
Segundo o relato do operador do equipamento aos bombeiros, a criança estava no brinquedo quando deixou o chinelo cair. O equipamento teria sido parado para que o menino recuperasse o calçado.
Ainda conforme o relato, a criança pulou a grade de proteção e, ao tentar pegar o chinelo, acabou atingida pelo brinquedo.
Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi ao local em apoio à Unidade de Suporte Avançado do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os socorristas atenderam a vítima, mas o óbito foi constatado no parque.
Após a confirmação da morte, a área foi preservada para o trabalho da perícia da Polícia Civil.
A dinâmica exata do acidente e as circunstâncias que contribuíram para a morte da criança serão investigadas pelos órgãos competentes.
Um traficante de Minnesota (EUA) foi preso após adotar uma estratégia de marketing bem conhecida em outros "negócios": Andi Selencia, de 27 anos, distribuía "cartões de fidelidade" aos seus clientes.
Os cartões permitiam descontos na compra de cogumelos alucinógenos e outros entorpecentes dele, de acordo com a denúncia contra ele.
Andi acabou preso durante uma operação do mês passado na qual um agente se passou por cliente. O traficante declarou a ele que "estava indo para o Oregon e o Colorado buscar mais mercadoria", conforme relatado no site "The Smoking Gun", especializado em crimes.
Os documentos judiciais não informam quantos clientes participavam do programa de fidelidade, nem qual era o desconto ou as recompensas oferecidas.
O "negócio" de Andi funcionava principalmente nas imediações do campus da Minnesota State University, em Mankato, cidade localizada a cerca de 120 quilômetros de Minneapolis. Lá, ele distribuía drogas e os seus "cartões de fidelidade" com a sua marca, a "Flower Daddy".
O traficante pode ser condenado a até 40 anos de prisão.
Andi é albanês, e já havia uma ordem de detenção pelo ICE (polícia de Imigração e Alfândega dos EUA), "indicando que ele é passível de deportação segundo a legislação dos EUA".
