A cena se repete no consultório. A paciente senta, abre o celular e vira a tela para mim. É uma reportagem sobre uma terapia que teria curado o lúpus na Alemanha. A pergunta vem sempre igual: “doutor, isso serve para mim?” A resposta honesta quase nunca é sim. E o motivo de não ser sim diz mais sobre o futuro do seu tratamento do que a manchete.
O que a terapia celular faz de diferente
Todo tratamento que usamos hoje em lúpus, esclerose sistêmica ou miopatia inflamatória tem a mesma lógica: segurar a doença enquanto o remédio está sendo tomado. Se o paciente para, a doença tende a voltar.
Boa parte do problema vem dos linfócitos B, células de defesa que passaram a produzir anticorpos contra o próprio corpo. Já existem medicamentos que atacam essas células, como o rituximabe. Eles retiram os linfócitos B principalmente da circulação sanguínea. Nos tecidos, onde parte dessas células se esconde, a limpeza é incompleta. Sobra reservatório. O reservatório repovoa. A doença retorna.
A terapia CAR-T parte de outro caminho. Coletamos os linfócitos T do próprio paciente e, em laboratório, instalamos neles um receptor programado para reconhecer o linfócito B onde quer que ele esteja. Devolvemos essas células em uma única infusão. Elas se multiplicam dentro do corpo, entram nos tecidos, fazem a limpeza e depois desaparecem. O organismo, então, volta a produzir linfócitos B novos, a partir da medula óssea, sem a memória autoimune que existia antes.
O objetivo deixa de ser controlar a doença com medicação contínua e passa a ser reprogramar o sistema imune. Nos primeiros pacientes tratados, o desfecho relatado foi remissão sem uso de qualquer medicação para a doença de base.
O caso que abriu essa porta
A jovem Vu-Thi Thu-Thao foi diagnosticada com lúpus aos 16 anos, na Alemanha, depois de meses de dor muscular e articular que não foram levadas a sério. Seguiu o percurso que reconheço em muitos pacientes: tratamentos cada vez mais agressivos, remissões temporárias, recaída. Chegou aos 20 anos com o corpo em falência e sem terapia aprovada restante. Em 2020, recebeu uma única infusão de células CAR-T na Universidade de Erlangen. Teve febre e fadiga nos dias seguintes, que passaram. Cinco anos depois, segue em remissão, sem medicação, e trabalha na mesma clínica onde foi tratada.
Depois dela vieram séries maiores, com pacientes de lúpus, esclerose sistêmica e miopatia inflamatória, todos com falha prévia a múltiplos imunossupressores. Os resultados se mantiveram consistentes. Ainda assim, falamos de dezenas de pacientes no mundo, com seguimento medido em poucos anos. Cinco anos de remissão em uma pessoa é a melhor evidência que temos. Não é a mesma coisa que cura estabelecida para uma população.
Não é uma infusão simples
Essa parte quase sempre fica de fora das reportagens, e é a que mais importa para quem está considerando o tratamento.
Antes de receber as células, o paciente passa por quimioterapia em dose baixa, chamada linfodepleção, para abrir espaço no sistema imune. Depois da infusão, fica internado. A complicação mais comum é a síndrome de liberação de citocinas, uma reação inflamatória com febre alta e queda de pressão. Nas séries em doenças autoimunes, ela costuma ser mais leve do que em câncer. Existir, existe. Há, ainda, risco de alterações neurológicas transitórias, queda prolongada das células do sangue e um período de meses com defesa imunológica reduzida, no qual infecções são a principal preocupação.
Por isso, a terapia só pode ser feita em centro preparado, com equipe de hematologia experiente em terapia celular, estrutura de coleta e processamento, leito de internação e protocolo de manejo de toxicidade. A segurança aqui não é uma propriedade da célula. É uma propriedade da estrutura que a aplica.
Por que a maioria não é candidata
Este é o ponto que mais gera frustração no consultório. Os critérios são estreitos por desenho: doença ativa e grave, com comprovação objetiva, falha documentada a linhas específicas de tratamento, ausência de infecção ativa e condição clínica para suportar a linfodepleção e a internação.
Existe, ainda, um critério mal compreendido. A terapia atua sobre a inflamação em curso e não desfaz dano já estabelecido. Rim que perdeu função de forma irreversível, pulmão já fibrosado ou articulação já destruída não voltam. Paciente cujo problema principal passou a ser sequela não se beneficia. No outro extremo, quem está com a doença controlada com o tratamento atual também não entra, porque não se troca um controle estável por um procedimento com internação e risco.
Sobra uma faixa estreita: doença grave, ativa, refratária, em paciente com órgãos ainda preservados. Da maioria das pessoas que me procura perguntando sobre CAR-T, uma parcela pequena chega perto desse perfil.
O que ainda não sabemos
Durabilidade é a pergunta aberta. Os seguimentos mais longos chegam a cinco anos, o que é animador e insuficiente para falar em cura. Recaída também existe. O custo é alto e ainda está em discussão.
E o principal: no Brasil e na maior parte do mundo, a terapia celular ainda não tem aprovação regulatória para doenças autoimunes. O acesso hoje ocorre dentro de pesquisa clínica, com critérios rígidos e vagas limitadas.
O que fazer com essa informação
Mantenha o tratamento atual; além disso, tenha sua doença documentada: atividade medida em consulta, exames de função de órgão em dia, histórico de quais medicamentos você usou e por que foram trocados. Elegibilidade se prova com registro.
E leve a pergunta certa ao seu reumatologista. Não é “posso fazer CAR-T”. É “meu caso está caminhando para um cenário em que isso passaria a ser discutido, e o que estamos fazendo hoje para preservar essa possibilidade?”.
A terapia celular mudou o teto do que é possível em reumatologia. Quem chega lá é quem foi acompanhado de perto até a porta abrir.
Dr. Henrique Dalmolin – CRM-SP 211.167 | RQE 98901
Reumatologista.
Um dos 22 participantes de "A fazenda 18", Serginho Hondjakoff, de 42 anos, tenta voltar aos holofotes após anos afastado da televisão por problemas pessoais e pela dependência química. Nascido em Nova York, nos Estados Unidos, o ator tem como principal personagem da carreira o Cabeção, de "Malhação", o qual viveu por seis temporadas, entre 2000 e 2006.
Antes da trama teen, Serginho chegou a atuar como ator mirim na "Escolinha do professor Raimundo", como filho de Rolando Nero, e participou de quadros do programa apresentado por Angélica. Em 2014, sem proposta de emprego, decidiu investir na carreira de funkeiro, e se lançou como dupla de Dino Boyer.
Três anos após a aventura como cantor, se mudou para Nova York, onde nasceu, e trabalhou como caixa em um restaurante. Ao EXTRA, ele contou que a decisão de ir aos Estados Unidos foi para aperfeiçoar o inglês e fazer uma "desintoxicação" da vida artística.
Hondjakoff também superou um momento delicado em sua vida. O ator passou por 12 internações devido ao vício em drogas e substâncias alucinógenas. Em 2024, porém, gravou um vídeo afirmando que estava há dois anos sóbrio.
Serginho é pai de Benjamim, de seis anos, e já chegou a afirmar que o filho o fez "enxergar a vida com mais brilho".
Medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, serão distribuídos via Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com obesidade. A oferta, de acordo com o Ministério da Saúde, será feita com base em estudos e na definição de um protocolo clínico.
Em nota, a pasta avaliou como positivos os primeiros resultados observados em pacientes com obesidade do Grupo Hospitalar Conceição, da rede pública de Porto Alegre, selecionados desde junho para fazer uso da semaglutida, um dos princípios ativos das canetas emagrecedoras.
“O objetivo é garantir maior segurança aos participantes [do estudo] e estabelecer diretrizes para o acompanhamento contínuo por médicos especialistas da unidade. Ao todo, serão acompanhados 250 pacientes do SUS atendidos pelo hospital com obesidade grave ou associada a outras morbidades”, informou o ministério.
Dentre as situações avaliadas pelo estudo estão pacientes na fila para cirurgia bariátrica. A proposta é entender se o uso da medicação é capaz de controlar o quadro de obesidade de forma que a cirurgia não se faça mais necessária. Outras questões analisadas são a redução de problemas cardíacos e de reincidência de câncer de mama.
A exposição a um plastificante comum durante a gravidez pode estar ligada a alterações no desenvolvimento cerebral e a sintomas mais intensos de autismo e TDAH na infância. A associação foi observada em um estudo com mulheres grávidas e seus filhos acompanhados até os 4 anos.
O composto analisado é o DEHP, um tipo de ftalato presente em plásticos do dia a dia. Ele pode entrar no organismo por ingestão, inalação ou contato com a pele.
Os pesquisadores mediram os níveis da substância em amostras de urina de 847 gestantes no fim da gravidez e analisaram o sangue do cordão umbilical após o nascimento. Também acompanharam o comportamento das crianças aos 2 e 4 anos, com base em questionários respondidos pelos pais.
Os resultados, publicados em 11 de setembro no periódico Med, indicaram que maior exposição ao DEHP durante a gestação esteve ligada a mais sinais de desatenção, hiperatividade e dificuldades de interação social.
Alterações no funcionamento dos genes
A análise apontou mudanças na metilação do DNA, um processo que regula a ativação dos genes sem alterar o código genético. Essas alterações atingiram redes ligadas ao desenvolvimento do cérebro, especialmente em áreas relacionadas à emoção, atenção e comportamento social.
Os cientistas identificaram um conjunto de 531 genes associado à exposição ao plastificante. Parte desses genes já é conhecida por ter relação com o risco de autismo e TDAH.
Segundo os autores, os achados ajudam a explicar de que forma substâncias químicas presentes no ambiente podem influenciar o neurodesenvolvimento ainda no período pré-natal.
Efeitos observados nas crianças
Crianças com maior exposição ao DEHP apresentaram mais sintomas comportamentais nos primeiros anos de vida. Os efeitos foram mais marcantes entre aquelas com níveis mais altos de contato com a substância durante a gestação.
O estudo também encontrou um resultado na direção oposta. Uma alimentação baseada em alimentos integrais durante a gravidez esteve associada a menos problemas de atenção e a melhor interação social nas crianças.
Limites atuais e próximos passos
Os efeitos foram observados mesmo em níveis de exposição considerados seguros por padrões europeus, o que levanta dúvidas sobre os limites atuais para esse tipo de substância, especialmente durante a gravidez.
Apesar da associação, o estudo não estabelece relação direta de causa e efeito. Ainda assim, os autores defendem a redução da exposição a ftalatos no dia a dia e a revisão de parâmetros de segurança para gestantes.
Os pesquisadores também destacam a necessidade de novos estudos para confirmar os resultados e aprofundar o entendimento sobre como esses compostos interferem no desenvolvimento cerebral.
Ao analisar dados de arquivos coletados pelo Observatório W. M. Keck, nos Estados Unidos, pesquisadores encontraram o Elias 2-24 b, um exoplaneta com idade estimada em menos de 1 milhão de anos — o que o torna o mais jovem já conhecido até hoje. Para se ter uma ideia, considerando os padrões astronômicos, o novo planeta é um verdadeiro “recém-nascido”.
Localizado a 450 anos-luz da Terra, Elias 2-24 b é tão jovem que ainda estava imerso no gás e na poeira de seu local de nascimento. A descoberta, liderada pela cientista Andrea Bernardi, da Universidade Diego Portales, no Chile, foi publicada no periódico The Astrophysical Journal Letters nessa quarta-feira (16/9).
O recorde anterior pertencia a quatro exoplanetas, todos com mais de 5 milhões de anos. Apesar de ser um “bebê” em termos astronômicos, o exoplaneta tem massa semelhante à de Júpiter, o maior planeta do nosso Sistema Solar.
O achado do exoplaneta “recém-nascido”
A investigação nos dados do Observatório Keck concentrou-se na estrela Elias 2-24, que estava cercada por um disco de poeira e gás. A principal suspeita era que a estrela abrigava algo ainda não detectado pelos pesquisadores.
Para confirmar que se tratava de um planeta, os cientistas utilizaram o coronógrafo do observatório. O aparelho bloqueia o brilho direto da estrela, permitindo identificar a luz refletida pelos corpos que a orbitam. Ao todo, sete sistemas foram analisados, e em um deles o Elias 2-24 b foi localizado.
A detecção de um planeta nessa fase abre caminho para compreender melhor os estágios iniciais da formação planetária.
“A galáxia produz novas estrelas e planetas continuamente, então há corpos em todos os estágios de evolução. Isso significa que, em teoria, podemos observar todo o processo, mas existe uma grande limitação no que a maioria dos telescópios consegue detectar. Atualmente, somos praticamente cegos para esses planetas recém-nascidos”, explicou o coautor do estudo, Lucas Cieza, em comunicado.
Após a descoberta, a expectativa é que o lançamento do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, considerado um dos observatórios mais modernos dos últimos tempos e equipado com um coronógrafo potente, possa revelar mais exoplanetas espalhados pelo Universo.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) atualizou as regras para a realização da mamografia digital. A partir de 1º de outubro, o exame passa a ter cobertura para todas as pessoas que necessitam da tecnologia, sem restrições de idade e gênero, conforme prescrição médica. A decisão foi tomada durante a Reunião Extraordinária da Diretoria Colegiada de 2026, realizada na primeira quinzena de setembro.
A cobertura do exame já era obrigatória para mulheres com idade entre 40 e 69 anos, mas não são raros os casos de câncer de mama em mulheres com idades abaixo da idade estipulada.
Segundo a especialista em câncer de mama Gabrielle Scattolin, oncologista do Hospital Brasília e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), é frequente o atendimento e diagnóstico da doença em mulheres na faixa dos 30 anos de idade
“Não significa que todas as mulheres muito jovens devam fazer mamografia de rotina, mas que, quando existe uma indicação médica — seja por sintomas, alterações no exame físico, histórico familiar ou risco aumentado — a idade não deve representar uma barreira para o acesso ao exame”, explica Gabrielle.
Facilidade no acesso amplia as possibilidades de tratamento
Gabrielle destaca que facilitar o acesso a investigação permite diagnósticos mais precoces e maior possibilidade de tratamento curativo, sem intervenções necessárias.
“O que chama atenção é que as pacientes jovens, frequentemente, chegam com tumores maiores e doença mais avançada. Por isso, facilitar o acesso à investigação quando houver indicação clínica pode permitir diagnósticos mais precoces. E, em câncer de mama, o estágio em que a doença é diagnosticada tem enorme impacto”, afirma.
Segundo um estudo publicado na revista científica The Lancet Oncology, os casos anuais da doença podem chegar a 3,5 milhões até 2050. Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a pesquisa aponta que o aumento tende a ser mais acelerado em países de baixa e média renda, onde o acesso a exames, diagnóstico precoce e tratamento adequado ainda é limitado.
“A doença continua a ter um impacto profundo na vida das mulheres e nas comunidades”, afirma a autora principal do estudo e pesquisadora do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde da Universidade de Washington, Kayleigh Bhangdia, em comunicado.
Homens também têm câncer de mama
Para além da saúde feminina, a cobertura do exame sem restrição de gênero possibilita o diagnóstico da doença em homens. Embora o câncer de mama masculino seja raro e corresponda a, aproximadamente, 1% dos casos, ele existe. A possibilidade não significa rastrear homens assintomáticos indiscriminadamente, mas facilitar a investigação em quem tem suspeitas médicas.
Segundo Gabrielle, retirar a restrição de gênero é importante pois permite que, diante de alterações suspeitas e indicação médica, o homem pode ter acesso à mamografia digital sem que o gênero seja uma barreira administrativa.
“Na prática, entretanto, sabemos que existem diferenças regionais importantes na disponibilidade de equipamentos, no tempo para realizar os exames e no acesso à investigação complementar e à biópsia. Portanto, qualquer avanço tecnológico que aconteça mais rapidamente na saúde suplementar pode evidenciar desigualdades que já existem. O objetivo de uma política pública deve ser não apenas disponibilizar o exame, mas garantir uma linha completa de cuidado: acesso, diagnóstico rápido e início oportuno do tratamento”, conclui.
Uma noite inteira acordado pode prejudicar a concentração, deixar o raciocínio mais lento e comprometer a capacidade de realizar tarefas. Um experimento científico encontrou u
O trabalho, publicado na revista Scientific Reports, investigou se uma grande quantidade de creatina ingerida de uma só vez seria capaz de interferir nos efeitos da falta de sono sobre o cérebro.
Os resultados chamaram atenção porque os pesquisadores observaram mudanças no metabolismo energético cerebral acompanhadas de melhora temporária em testes de desempenho cognitivo.
Embora a substância seja muito associada aos músculos, ela não fica restrita ao sistema muscular. A creatina também está presente no cérebro e participa do processo relacionado à produção de energia das células.
É justamente essa característica que despertou o interesse dos pesquisadores. Quando uma pessoa permanece muitas horas sem dormir, o cérebro continua trabalhando enquanto enfrenta uma condição de estresse fisiológico. A hipótese investigada é que aumentar rapidamente a disponibilidade de creatina poderia fornecer uma espécie de reserva energética adicional para o órgão.
O experimento não avaliou apenas a percepção dos participantes. Os pesquisadores também analisaram alterações relacionadas ao metabolismo cerebral para entender o que acontecia após a suplementação.
Participaram do estudo 15 adultos saudáveis. Eles foram submetidos a um período prolongado de vigília, permanecendo acordados durante a noite e realizando tarefas destinadas a avaliar diferentes aspectos do funcionamento cognitivo.
Em determinado momento, receberam uma dose única de creatina calculada de acordo com o peso corporal. A quantidade utilizada foi considerada alta: 0,35 grama por quilo. Os participantes foram avaliados novamente em diferentes momentos depois da ingestão.
A resposta não foi imediata. Os pesquisadores identificaram alterações cerca de três horas após a suplementação, enquanto o efeito sobre o desempenho cognitivo atingiu seu ponto máximo aproximadamente quatro horas depois.
Segundo os resultados publicados, a influência positiva observada permaneceu por até nove horas.
Um ponto importante do estudo é que a pesquisa não demonstrou simplesmente que a creatina torna uma pessoa mais inteligente ou melhora a memória de maneira geral. O que foi observado foi uma redução temporária de determinados prejuízos cognitivos associados à falta de sono.
A diferença é importante porque os testes foram realizados em uma situação específica: adultos saudáveis submetidos à privação de sono.
Portanto, não é possível concluir a partir desse trabalho que pessoas descansadas terão o mesmo benefício ou que a creatina possa ser utilizada para aumentar a capacidade intelectual no dia a dia.
Por que o efeito demorou algumas horas?
A creatina precisa ser absorvida e distribuída pelo organismo antes de provocar as alterações observadas pelos pesquisadores. Como o cérebro possui seu próprio metabolismo energético, o aumento da disponibilidade da substância pode modificar temporariamente a maneira como as células lidam com a demanda por energia.
No experimento, justamente durante o período em que os participantes estavam enfrentando os efeitos da vigília prolongada, os pesquisadores identificaram alterações nos marcadores relacionados à energia cerebral.
O resultado reforça a hipótese de que a creatina pode ter uma atuação além daquela tradicionalmente estudada nos músculos.
Outro detalhe que não deve passar despercebido é a quantidade utilizada. A dose do experimento foi muito superior àquela normalmente associada ao uso cotidiano da creatina. Por isso, o estudo não deve ser interpretado como uma recomendação para tomar uma grande quantidade do suplemento depois de uma noite mal dormida.
A pesquisa teve apenas 15 participantes e foi conduzida em condições controladas. Estudos maiores serão necessários para verificar se o efeito se repete em diferentes grupos de pessoas e para determinar qual seria a quantidade adequada, caso esse uso venha a ser confirmado.
Mesmo diante do resultado, a conclusão não é que a creatina consiga compensar os efeitos de dormir pouco. A privação de sono está relacionada a diversas alterações no organismo e pode afetar atenção, memória, humor, tempo de reação e desempenho físico. Um possível efeito temporário sobre alguns testes cognitivos não elimina essas consequências.
Qual é a principal função da creatina?
No uso mais conhecido, a creatina funciona como parte do sistema que fornece energia rapidamente aos músculos durante atividades de alta intensidade. A suplementação pode aumentar os estoques musculares da substância e, quando associada ao treinamento, favorecer ganhos de força e massa muscular.
Uma parcela menor da creatina corporal está localizada no cérebro. É essa presença que vem ampliando o interesse científico pelo suplemento. Os resultados obtidos em pesquisas sobre cognição ainda não permitem afirmar que a creatina seja um tratamento para problemas de memória, concentração ou sono.
A Prefeitura de Palmeira entregou na última quarta-feira (16) as obras de pavimentação da Avenida Norte/Sul, um importante corredor de mobilidade urbana construído no entorno da linha férrea para melhorar o trânsito e facilitar o deslocamento entre diferentes regiões da cidade.
A intervenção contemplou serviços de drenagem, pavimentação, iluminação, urbanismo e instalação de meio-fio, além de melhorias na infraestrutura viária. Com a obra, trechos que antes apresentavam dificuldades de circulação, principalmente durante o período chuvoso, passam a oferecer melhores condições para moradores, veículos e serviços públicos.
A Avenida Norte/Sul conecta a região da entrada do Agreste às proximidades da Passarela, atravessa pontos importantes do município e beneficia áreas como o bairro Vila Maria. A nova estrutura também contribui para a organização do trânsito e amplia as alternativas de deslocamento dentro da cidade.
A obra integra as ações da prefeitura voltadas à melhoria da infraestrutura urbana e representa uma mudança na rotina das famílias que vivem ou circulam pela região. “Esta obra representa o compromisso da nossa gestão com questões básicas para a população, mas que são cruciais para seu bem-estar, como a mobilidade urbana”, destacou a prefeita Tia Júlia.
Durante décadas, decisões sobre pessoas foram tomadas principalmente a partir de currículos, entrevistas, avaliações de desempenho e da percepção dos gestores. Esses elementos continuam importantes, mas algumas empresas começam a acrescentar outra camada ao processo: informações sobre perfis comportamentais, motivações e formas de interação no trabalho.
O objetivo é compreender não apenas se o profissional possui conhecimento técnico para exercer uma função, mas também como tende a agir diante de mudanças, conflitos, cobranças e trabalhos em grupo. Esses dados podem ser considerados em contratações, promoções, reorganizações de equipes e preparação de novas lideranças.
A discussão ganha importância em um mercado no qual as competências exigidas mudam rapidamente. Segundo o relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, 39% das habilidades consideradas essenciais deverão se transformar até 2030. A falta de profissionais qualificados já é apontada por 63% das empresas como a principal barreira para seus processos de transformação.
Nesse cenário, conhecer melhor os profissionais que já estão na organização pode ajudar as empresas a encontrar pessoas com potencial para assumir novas responsabilidades ou ocupar funções diferentes. “A pergunta sempre foi se alguém era um bom profissional. Hoje, também precisamos entender se essa pessoa está na função adequada, se combina com a dinâmica da equipe e de que forma responde ao estilo da liderança”, afirma Marco Sinicco, CEO da RH99, empresa de instrumentos digitais para avaliação psicológica organizacional.
Além do currículo
Uma contratação tecnicamente correta nem sempre produz o resultado esperado. O profissional pode dominar as competências exigidas e, ainda assim, encontrar dificuldades para acompanhar o ritmo da equipe, trabalhar com autonomia ou responder à forma de comunicação do gestor.
O mesmo pode acontecer nas promoções. Um funcionário que apresenta bom desempenho individual não necessariamente está preparado para coordenar pessoas, administrar conflitos ou tomar decisões sob pressão. Sem informações estruturadas, essas incompatibilidades costumam aparecer somente depois da mudança de função.
Os dados comportamentais procuram antecipar parte dessa análise. Em vez de classificar alguém como apto ou inapto, o mapeamento identifica características que podem favorecer ou dificultar sua adaptação a determinado contexto.
“O perfil não deve funcionar como um rótulo. Ele indica tendências e ajuda o RH a formular perguntas melhores, mas precisa ser analisado junto com a experiência, as entregas e o momento profissional de cada pessoa”, explica Marco Sinicco.
O mapeamento comportamental permite comparar características predominantes em diferentes áreas e avaliar como elas se relacionam com as atividades desempenhadas (Imagem: Andrey_Popov | Shutterstock)
Informações chegam à rotina das empresas
A Baumer, indústria brasileira de equipamentos para a saúde, começou a utilizar dados comportamentais em agosto de 2025. Segundo Elaine Cristina Barbosa Silva, gerente de RH da companhia, a dificuldade de avaliar esses aspectos durante a seleção poderia resultar em rotatividade e baixo desempenho nos primeiros meses de trabalho.
A empresa passou a utilizar uma plataforma para reunir informações sobre características individuais e coletivas. Inicialmente, os dados foram incorporados aos processos de recrutamento. Com o tempo, também começaram a ser considerados em promoções, mudanças de função, formação de equipes e conversas entre gestores e funcionários.
“O que mais chamou nossa atenção foi conseguir identificar as forças específicas de cada nível hierárquico. Isso nos permite olhar para os talentos de outra maneira e avaliar possibilidades de realocação com mais inteligência”, afirma Elaine Cristina Barbosa Silva.
Na prática, o mapeamento ajuda a comparar as características predominantes em diferentes áreas da companhia. Uma equipe pode apresentar maior disposição para experimentar novas soluções, enquanto outra tende a valorizar previsibilidade, organização e cumprimento de procedimentos. Nenhuma dessas características é positiva ou negativa. A importância de cada uma depende da atividade desempenhada.
Para a gerente, as informações também ampliaram a capacidade de antecipar dificuldades. Em vez de esperar que um conflito ou problema de adaptação se torne evidente, o RH pode observar possíveis diferenças entre o profissional, o grupo e o gestor.
Tecnologia não elimina a decisão humana
O crescimento dessas ferramentas também traz questionamentos. Informações comportamentais podem ser interpretadas de maneira equivocada, reforçar preconceitos ou limitar oportunidades quando são utilizadas isoladamente.
Por essa razão, as avaliações devem complementar outros elementos, como histórico profissional, entrevistas, resultados, conversas individuais e observações da rotina. O contexto também precisa ser considerado, já que o comportamento pode mudar conforme o ambiente, a experiência e as responsabilidades assumidas.
A coleta dessas informações exige ainda transparência. Os profissionais devem saber por que estão sendo avaliados, quem terá acesso aos dados e como os resultados poderão ser empregados pela empresa. O uso responsável também pressupõe acesso controlado e interpretação feita por pessoas qualificadas.
Para Marco Sinicco, o aumento da quantidade de informações disponíveis não retira do gestor a responsabilidade pela decisão. Ao contrário, exige mais cuidado para que tendências comportamentais não sejam confundidas com características imutáveis. “Quanto mais dados temos, maior é a responsabilidade de interpretar. A tecnologia pode complementar percepções e indicar pontos que merecem atenção, mas a decisão continua sendo humana”, conclui.
Um medicamento já usado para controlar convulsões pode ajudar a conter um tipo agressivo e raro de tumor cerebral em crianças. O levetiracetam, indicado na rotina clínica para epilepsia, foi associado a uma redução no crescimento de gliomas difusos da linha média, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (17/9) revista Nature Medicine.
Esses tumores atingem regiões do cérebro e da medula espinhal e estão entre os mais difíceis de tratar. Nos Estados Unidos, afetam cerca de 300 a 400 crianças por ano. A taxa de sobrevida em cinco anos gira em torno de 1%.
Os pesquisadores observaram que o fármaco interfere na comunicação elétrica entre as células tumorais e neurônios saudáveis. Essa conexão é usada pelo câncer para sustentar o próprio crescimento.
Dados de prontuários de 218 pacientes pediátricos também indicaram que crianças que receberam o medicamento viveram, em média, mais tempo do que aquelas que não usaram a substância.
Como o medicamento atua
Gliomas difusos da linha média utilizam sinais de células nervosas para crescer. Esses sinais chegam por meio de conexões chamadas sinapses, que permitem a troca de impulsos elétricos entre células. O levetiracetam reduz esse tipo de sinalização
No estudo, os cientistas verificaram que ele bloqueia a transmissão desses estímulos para as células tumorais, o que desacelera a multiplicação do câncer.
Experimentos com camundongos reforçaram o achado. Nos animais com esse tipo de tumor, o crescimento das células malignas foi menor após o uso do medicamento. Já em outros tumores cerebrais, o efeito não foi observado.
Resultados diferentes entre tumores
A análise mostrou que o efeito do levetiracetam varia conforme o tipo de câncer. Em gliomas que surgem em outras áreas do cérebro, o medicamento não alterou a evolução da doença. Isso ocorre porque esses tumores não apresentam o mesmo tipo de conexão elétrica com neurônios, o que limita a ação do fármaco.
Os pesquisadores também indicam que o mecanismo de ação nas células tumorais não é o mesmo que explica o efeito anticonvulsivante em neurônios saudáveis. Esse processo ainda está em investigação.
Próximos passos
Os cientistas planejam iniciar ensaios clínicos para testar o uso do levetiracetam de forma direcionada nesses tumores. A expectativa é avaliar com mais precisão o efeito do medicamento em pacientes.
Mesmo com os resultados, o fármaco não é visto como solução isolada. A proposta é que ele seja usado em combinação com outras estratégias, como terapias com células modificadas para atacar o câncer.
O estudo também sugere que medicamentos já disponíveis podem ser reaproveitados contra tumores, já que muitos deles conseguem atingir o cérebro e têm perfil de segurança conhecido.
O laboratório Cristália anunciou nessa quarta-feira (16/9) o início do primeiro ensaio clínico com a polilaminina em pacientes com lesão medular. O estudo de fase 1 começa no dia 24 de setembro e vai avaliar a segurança da substância em cinco voluntários.
A pesquisa em humanos ocorre cerca de oito meses após a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), concedida em janeiro. A polilaminina foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o laboratório.
Quem pode participar
Os participantes devem ter entre 18 e 72 anos e apresentar lesão completa na medula espinhal na região torácica, entre as vértebras T2 e T10. O quadro precisa ter indicação cirúrgica e ter ocorrido em até 72 horas antes da inclusão no estudo.
Os critérios seguem os mesmos adotados no uso compassivo da substância, modalidade que permite o acesso a tratamentos ainda em investigação em casos graves sem alternativa terapêutica.
Como será o estudo
A seleção dos pacientes será feita com apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, que vai encaminhar possíveis voluntários aos centros responsáveis.
O estudo será conduzido no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) e na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. A aplicação da polilaminina será feita diretamente no local da lesão.
Após o procedimento, os participantes serão acompanhados por seis meses. A reabilitação contará com suporte da AACD.
O ensaio de fase 1 tem como objetivo principal avaliar a segurança do tratamento. Caso os resultados permitam, a substância poderá avançar para novas etapas de estudo, que analisam a eficácia.
O que é a polilaminina?
A polilaminina é uma substância derivada da laminina, proteína presente no corpo humano que participa da estrutura dos tecidos e do desenvolvimento celular. O tratamento busca favorecer a regeneração de células nervosas danificadas, com possibilidade de recuperação de movimentos em pessoas com lesão na medula espinhal.
Esquecer tarefas simples, perder objetos ou ter dificuldade de concentração são queixas frequentes durante a gravidez. Um novo estudo indica que essas mudanças têm uma explicação biológica ligada à ação de hormônios no cérebro.
A pesquisa, conduzida por cientistas do Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, identificou um circuito cerebral afetado por altos níveis de estrogênio, comuns na gestação. Os resultados foram publicados em 25 de agosto na revista Science Bulletin.
Como o hormônio atua no cérebro
Os pesquisadores usaram modelos animais para reproduzir níveis elevados e contínuos de estrogênio. Nessa condição, observaram alterações específicas na memória, sem mudanças no humor ou na motivação.
A análise mostrou que o estrogênio interfere na atividade de neurônios localizados no hipotálamo, uma região do cérebro ligada a funções hormonais. Essas células passam a enviar sinais com mais frequência e influenciam diretamente o hipocampo, área associada à formação de memórias.
Quando os cientistas bloquearam a ação do estrogênio nesses neurônios, as falhas de memória desapareceram. O mesmo ocorreu quando a comunicação entre hipotálamo e hipocampo foi interrompida. Por outro lado, a ativação dessa via foi suficiente para prejudicar a memória, mesmo sem níveis elevados do hormônio.
Diferença depende da quantidade e do local
Os resultados ajudam a entender por que o estrogênio pode ter efeitos diferentes no cérebro. Em alguns contextos, como na reposição hormonal após a menopausa, ele já foi associado a melhora cognitiva.
O estudo sugere que o efeito depende da quantidade do hormônio e da região do cérebro onde ele atua. Níveis mais baixos e variações ao longo do tempo tendem a favorecer a função cognitiva, enquanto níveis altos e contínuos ativam um circuito diferente, ligado às falhas de memória.
Evidências também em mulheres
Para verificar se o mecanismo também ocorre em humanos, os pesquisadores avaliaram mulheres em diferentes fases da gravidez. Eles identificaram alterações específicas de memória no fim da gestação, associadas aos níveis de estrogênio.
Segundo os autores, essas mudanças são temporárias e não indicam perda cognitiva mais generalizada. A hipótese é que o fenômeno esteja ligado a adaptações do organismo durante a gravidez.
Os resultados ajudam a explicar relatos comuns entre gestantes e indicam um caminho para futuras pesquisas sobre como hormônios influenciam o funcionamento do cérebro.
Muita gente ficou assustada e outras acreditaram ter se deparado com uma falha na Matrix ao se depararem com o mugshot - a foto feita em uma delegacia no momento da prisão - de uma mulher que qualquer um juraria de pé junto ser a cantora e atriz Jennifer Lopez.
Para alívio dos fãs e admiradores da artista, a detenta em questão é outra pessoa que guarda incríveis semelhanças com a famosa, e sua imagem já roda o mundo por conta dessa curiosa confusão.
Cyrena Anne Quast, de 35 anos, foi presa em 30 de agosto, acusada de furtar dois pacotes duplos de baterias para ferramentas elétricas, avaliados em cerca de 580 dólares, de uma loja em Monticello, segundo uma denúncia criminal obtida pelo jornal The Watch MN.
Um funcionário da loja teria reconhecido a mulher de um suposto furto ocorrido dois dias antes e teria chamado a polícia. Cyrena teria admitido ter furtado os pacotes de bateria e foi autuada por uma contravenção penal grave de furto, conforme mostram os registros de prisão online.
As comparações tomaram conta da internet, principalmente depois que usuários das redes sociais perceberam que a criminosa em questão não é a estrela de 57 anos. "Por um momento, pensei que fosse a J.Lo, rs", comentou um internauta. "Tem uma falha na Matrix, rs", brincou um segundo. "Na prisão, ela é conhecida como Jenny do Bloco D!", uma terceira pessoa parodiou usando a música "Jenny from the Block". "JENNIFER, SE VOCÊ NÃO VIER BUSCAR SUA IRMÃ AGORA MESMOOOOOOO E FIZER ESSE TESTE DE DNAAAAA. Faça isso por nós. Essa é sua irmãããããã, garotaaaaa", brincou outro usuário.
Um levantamento nas redes feito pelo Daily Mail apontou que Cyrena foi liberada no dia seguinte à sua prisão, mas que o incidente faz parte de uma longa ficha criminal que inclui infrações como posse de drogas, dirigir sob influência de álcool, fuga da polícia e fornecimento de identificação falsa, além de várias infrações de trânsito.
Há cerca de dois mil anos, uma violenta erupção vulcânica do Monte Vesúvio soterrou e destruiu as cidades romanas de Pompeia e Herculano. Na ocasião, vários pergaminhos da época, os quais continham escritos de filósofos antigos, foram carbonizados e enterrados, causando a perda dos materiais históricos.
No entanto, um novo estudo liderado pela Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos, afirma que há uma maneira de ler os textos perdidos: pelo chumbo presente em algumas partes do material. A aposta dos cientistas é que uma nova técnica, baseada em tecnologias de raios X e inteligência artificial (IA), será capaz de revelar pelo menos parte das mensagens gravadas nos papiros.
Os resultados do novo estudo foram publicados na revista Plos One nessa quarta-feira (16/9).
Em outros trabalhos, a IA já tinha ajudado a decodificar digitalmente alguns pergaminhos encontrados em Herculano. Porém, o uso do raio X ainda não era bem estabelecido na área. Isso porque a maioria está escrito em tintas à base de carbono, o que a tecnologia não consegue “ler”.
No entanto, nesse estudo, os pesquisadores sugerem que a procura na composição deve ser pelo chumbo, um elemento que o raio X consegue decodificar.
A afirmativa dos pesquisadores vem de testes bem-sucedidos. Em experimentos, eles criaram um pergaminho de papiro falso com tinta à base de chumbo e carbonizaram o material para reproduzir as condições dos materiais originais provenientes de Herculano.
Em seguida, por meio da fluorescência de raios X, os cientistas determinaram os elementos presentes na amostra e quantidades deles. Depois, foi utilizada tomografia de raios X e uma técnica para criar imagem 3D, com ajuda de um software desenvolvido especificamente para o trabalho. Dessa maneira, os especialistas conseguiram reler parte do texto no material de teste.
A leitura foi possível mesmo em partes com níveis mínimos de chumbo. Apesar de não conseguir decifrar todo o material, os pesquisadores afirmam que a técnica pode ajudar a decodificar os pergaminhos de Herculano.
“Isso proporciona um método de baixo risco para desenvolver algoritmos sem colocar em perigo os artefatos de valor inestimável”, destaca a equipe no artigo.
Alagoas está entre os oito Estados alvos da segunda fase da Operação Última Chamada, ação nacional voltada ao combate à comercialização irregular de aparelhos celulares. No Estado, quatro servidores da Receita Federal participam da fiscalização de cinco pontos de venda.
A operação é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), e tem caráter permanente. O foco é identificar estabelecimentos que comercializam celulares de forma irregular, incluindo aparelhos relacionados a crimes e produtos sem comprovação de origem ou com pendências junto aos órgãos de fiscalização.
Em Alagoas, as equipes também podem identificar outros produtos que tenham entrado irregularmente no país, como celulares sem importação regular e dispositivos clandestinos de transmissão de canais fechados, conhecidos como TV Box.
A atuação da Receita Federal busca ainda combater a concorrência desleal e proteger comerciantes que trabalham dentro das normas legais.
Fiscalização em oito Estados
Ao todo, a segunda fase da Operação Última Chamada mobiliza 67 servidores da Receita Federal para fiscalizar 72 pontos de venda nos Estados de Alagoas, Rio Grande do Norte, Pará, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Acre.
Na 4ª Região Fiscal, que reúne Alagoas e Rio Grande do Norte, são 29 pontos incluídos na operação. Em território potiguar, oito servidores atuam em 21 alvos. Já em Alagoas, quatro servidores foram mobilizados para cinco locais.
A operação dá continuidade às ações realizadas em agosto, quando a primeira fase resultou na recuperação de 9.989 celulares, além de 396 prisões em flagrante e da fiscalização de 601 estabelecimentos comerciais em dez dias.
Alagoas é alvo de operação nacional contra venda de celulares ligados a crimes. Reprodução
Na ocasião, também foram enviadas 51.604 notificações a pessoas que estavam de posse de aparelhos identificados como objetos de crime.
A Operação Última Chamada reúne órgãos federais e forças de segurança com o objetivo de fortalecer a fiscalização e combater a cadeia de comercialização irregular de celulares. A iniciativa também busca dificultar a circulação de aparelhos relacionados a crimes e de produtos que ingressaram no país sem a regularização exigida.
O índice de massa corporal (IMC) é um dos principais indicadores usados na prática clínica para avaliar o peso corporal, mas pode não ser o parâmetro mais preciso para estimar o risco de morte. É o que sugere um novo estudo, segundo o qual a combinação entre o acúmulo de gordura abdominal e a força muscular pode ser um indicador mais eficaz desse risco.
A pesquisa, publicada em 22 de agosto no Archives of Gerontology and Geriatrics, acompanhou 5.674 adultos nos Estados Unidos por quase sete anos. Durante o período, 373 participantes morreram. Os pesquisadores observaram que pessoas com maior acúmulo de gordura no abdômen e menor força de preensão manual apresentavam maior risco de morte.
Como as medidas foram analisadas
A gordura abdominal foi estimada pelo diâmetro do abdômen. Isoladamente, essa medida não apresentou relação significativa com a mortalidade.
Já a força de preensão foi avaliada de forma proporcional ao tamanho do corpo. Em vez de considerar apenas a força total, os pesquisadores analisaram o quanto ela é adequada para o porte físico de cada pessoa.
Indivíduos com menor força relativa tiveram risco de morte cerca de 60% maior. Quando essa condição apareceu junto com o excesso de gordura abdominal, o risco foi ainda maior.
Resultados combinados
Participantes com as duas características apresentaram risco de mortalidade 97% maior em comparação com aqueles sem essas alterações. A associação foi observada mesmo após considerar fatores como idade, renda, hábitos de vida e presença de doenças.
Segundo os autores, o diâmetro abdominal pode indicar melhor a gordura visceral, que se acumula ao redor dos órgãos. Já a força de preensão relativa ajuda a identificar fraqueza, inclusive em pessoas com maior massa corporal.
Limites e o papel do IMC
Apesar dos resultados, os pesquisadores afirmam que ainda são necessárias mais evidências antes que essas medições sejam adotadas de forma rotineira.
Eles também destacam que nenhum indicador isolado é suficiente para prever a saúde futura. O IMC continua útil, mas deve ser interpretado em conjunto com outros fatores, como força muscular, mobilidade e composição corporal.
Quando excesso de gordura e baixa força aparecem juntos, a condição é conhecida como obesidade dinapênica. Estudos anteriores já associaram esse quadro a maior risco de morte, reforçando a importância de avaliar o corpo além do peso total.