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Uma mulher deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Palmeira dos Índios, na manhã desse domingo (20), após ser agredida pelo companheiro durante uma discussão. Ele acabou preso em flagrante.

A Guarda Municipal foi acionada por meio de uma ligação que informava sobre uma possível situação de violência doméstica. Uma guarnição foi enviada imediatamente ao local indicado e, ao chegar à residência, encontrou os envolvidos em vias de fato.

Com autorização para entrar no imóvel, os agentes contiveram o homem apontado como autor das agressões, que, segundo a equipe, apresentava comportamento agressivo.

De acordo com o relato da vítima, ela foi atingida com socos e empurrões e chegou a ser jogada ao chão. Durante a discussão, os filhos do casal teriam presenciado a situação e entrado no meio da briga na tentativa de separar os envolvidos.

Após a intervenção da Guarda Municipal, a mulher foi encaminhada à UPA, onde recebeu atendimento médico. Depois dos procedimentos de saúde, ela foi conduzida ao Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) para o registro da ocorrência.

O homem foi preso em flagrante e encaminhado para os procedimentos legais cabíveis, ficando à disposição da Justiça.

A possibilidade de acordo para uma delação premiada entre a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e as autoridades investigadoras do caso Master segue indefinida em meio à crise institucional no STF (Supremo Tribunal Federal) e às incertezas quanto ao andamento do processo na Corte.

Com a falta de certeza sobre a relatoria do caso – o presidente do STF Edson Fachin determinou que o inquérito do Master fosse remetido a ele e ficasse "paralisado" até segunda ordem –, novos andamentos, incluindo a negociação para uma eventual delação, ficaram em "banho-maria".

O relator do processo, ministro André Mendonça, segue até o momento à frente do caso. No entanto, sem poder determinar diligências ou, ao menos por enquanto, homologar alguma colaboração de Vorcaro por conta da decisão de Fachin.

Além de assumir o controle provisório do caso Master, Fachin também "pausou" a condução dos processos sobre o escândalo de corrupção no INSS e acerca da suposta relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, ambos também estavam sobre o comando de André Mendonça.

No caso envolvendo Moraes, a derrubada do sigilo de relatórios da PF (Polícia Federal) – determinada por Mendonça – foi o estopim da crise entre membros do STF. Mendonça remeteu ao plenário da Corte um pedido de abertura de investigação contra o colega, o que ainda não foi decidido pelo colegiado do Tribunal.

A CNN apurou que, para os advogados de Daniel Vorcaro, a divulgação das mensagens com a suposta relação próxima entre o banqueiro e Moraes pode atrapalhar o fechamento de um acordo de delação em meio à exposição de menções a integrantes do STF no celular de Vorcaro.

No dia 30 de setembro, a PF prevê realizar um novo depoimento de Vorcaro e do pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, que também está preso. Será a primeira vez que o pai do empresário será ouvido. Segundo a PF, os depoimentos fazem parte da conclusão da 6ª fase da investigação.

PF e PGR

Em outra frente da crise, a possibilidade de colaboração premiada de Vorcaro também está incerta quanto à relação da defesa com a PF e a PGR (Procuradoria Geral da República), órgãos que têm previsão legal para negociar e fechar alguma delação com o banqueiro.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, esteve envolvido em dois movimentos recentes de Mendonça. Primeiro, conforme apurou a CNN, Andrei foi citado por Vorcaro em um depoimento ao gabinete do ministro que ocorreu sem a participação de policiais federais.

Na ocasião, Vorcaro afirmou que as negociações para fechar uma delação premiada não evoluíram porque ele poderia relatar como seria sua relação com o diretor-geral da PF – no caso, com Andrei Rodrigues. Procurada, a defesa de Vorcaro não quis se manifestar sobre o depoimento. Andrei também ainda não se manifestou sobre esse assunto.

Em um segundo momento, o ministro Mendonça determinou o afastamento de Andrei do comando da PF, alegando que o chefe da Polícia teria monitorado ilegalmente o magistrado. A decisão foi revertida pelo presidente do STF, Edson Fachin, mas ampliou a tensão entre Mendonça e a cúpula da PF, o que pode impactar o andamento das negociações com a defesa de Vorcaro.

Já em relação à PGR, a possibilidade de um acordo também é abstrata neste momento, visto que o procurador-geral da República Paulo Gonet também foi citado em mensagens e apareceu em uma foto ao lado de Daniel Vorcaro.

Desde a derrubada do sigilo do Caso Master, vieram a público citações que seriam ao nome de Gonet, além de uma foto, divulgada no último sábado (19), que mostra o PGR junto com Vorcaro fumando charutos durante evento em Londres, em 2024. Segundo a assessoria da PGR, o evento contou com a participação de diversas autoridades e Gonet já havia admitido publicamente ter comparecido.

Pedido para revogar prisão

Em meio a instabilidade no andamento dos inquéritos envolvendo Vorcaro no Supremo, a defesa do ex-dono do Master solicitou ao STF na última sexta-feira (18) a revogação da prisão preventiva. O pedido foi endereçado ao presidente Edson Fachin.

Os advogados alegaram que o requerimento é dirigido à Presidência do STF “porque a condução dos feitos relacionados à operação Compliance Zero encontra-se, neste momento, em situação de indefinição”.

Segundo esse pedido da defesa, o prazo de 90 dias para nova revisão da prisão já acabou. A prisão preventiva inicial foi cumprida em 4 de março de 2026 e o segundo ciclo de mais 90 dias terminou em 31 de agosto. Os advogados sustentam, portanto, que o STF deve fazer uma nova análise da detenção.

A defesa também afirmou a Fachin que houve um “esvaziamento dos motivos que levaram à prisão”, como intimidações, valores encontrados na conta do pai de Vorcaro e seu poder econômico e influência política, e que esses fatores teriam sido "neutralizados ou perdidos na atualidade".

Como mostrou a CNN, a crise no STF é vista pela defesa de Vorcaro como uma possibilidade maior para que os advogados consigam que o banqueiro deixe a cadeia. A incerteza no andamento do processo na Suprema Corte é citada diretamente também em outro trecho do pedido de liberdade:

“Na sessão plenária de 15 de setembro de 2026, a própria definição da relatoria e da competência para a condução dos procedimentos correlatos foi objeto de questão de ordem, cujo julgamento foi suspenso por pedido de vista. Não restou definida, portanto, autoridade com competência para exercer, com segurança, a revisão a que se refere o parágrafo único do artigo 316 do Código de Processo Penal senão o Presidente, ao qual os autos foram remetidos”, diz a solicitação da defesa

Ficar alguns minutos olhando pela janela, tomar um café sem mexer no celular ou simplesmente deixar os pensamentos vagarem pode parecer perda de tempo em uma rotina marcada pela produtividade. Mas quando não se está fazendo nada, o cérebro não fica parado. Ele apenas muda a forma de funcionar. Quando interrompemos a produtividade visível, a mente aciona redes neurais altamente complexas, que são essenciais para a criatividade, a saúde mental e o equilíbrio emocional.

Em momentos de menor demanda externa, ganha espaço a chamada rede de modo padrão, associada a processos como lembranças, imaginação, planejamento e reflexão. Estudos também indicam que períodos de repouso acordado podem contribuir para a consolidação de memórias, embora os efeitos variem conforme as condições.

“Pausa não é ausência de funcionamento. É uma mudança na forma de funcionamento”, explica a psicóloga Denise Milk, especialista em comportamento e desenvolvimento de lideranças. Segundo ela, durante o ócio, a mente pode integrar experiências, organizar informações, acessar memórias e estabelecer novas associações.

É por isso que uma solução pode surgir durante o banho ou uma caminhada, justamente quando a pessoa deixou de procurar ativamente por ela. “Nem toda solução nasce quando estamos olhando diretamente para o problema”, destaca Denise.

Ócio não substitui o sono

Embora o cérebro continue ativo durante esses momentos, isso não significa que ficar parado tenha os mesmos efeitos de dormir.

A neuropsicóloga e mestre em psicologia Keilla Gonçalves explica que o ócio acordado e o sono correspondem a estados diferentes. Durante o sono, especialmente nas fases mais profundas, acontecem processos fundamentais para a recuperação do organismo e a consolidação de memórias.

A privação de sono, por outro lado, está associada a prejuízos de atenção, memória e funções executivas. Por isso, uma pausa durante o dia pode aliviar temporariamente a fadiga, mas não substitui uma noite bem dormida.

Quando a pausa vira mais estímulo

Um dos obstáculos para o descanso está justamente no hábito de preencher cada intervalo com o celular.

Esperar o elevador, ficar alguns minutos na fila, tomar um café ou aguardar uma reunião começar pode se tornar, imediatamente, o momento perfeito a ser preenchido por uma tela.

O problema não é o aparelho, mas a sucessão constante de estímulos. Notificações e interrupções podem prejudicar a atenção, enquanto o uso de telas à noite pode interferir no sono por meio da exposição à luz e do estímulo cognitivo.

“Às vezes, o que chamamos de descanso é apenas uma troca de demanda: saímos da tela do trabalho e entramos na tela dos celulares”, resume a psicóloga.

Por que sentimos culpa ao parar?

A dificuldade de ficar sem fazer nada também tem relação com a cultura da produtividade. Para Denise, muitas pessoas passaram a associar o próprio valor à quantidade de tarefas realizadas.

“Descansar deixou de ser uma necessidade humana e passou a ser quase uma recompensa: ‘eu descanso depois que terminar tudo’. Só que esse ‘tudo’ nunca termina”, afirma.

Nesse cenário, parar pode trazer à tona pensamentos e emoções que a atividade constante ajudava a manter em segundo plano. Entre os sinais de que a mente pode estar sobrecarregada estão irritabilidade, dificuldade de concentração, esquecimentos, sensação de cabeça cheia e necessidade constante de estímulo.

Reaprender a ficar sem estímulo

Para quem vive em alta velocidade, a recomendação é não começar com longos períodos de silêncio. Denise sugere pequenas mudanças: tomar café sem celular, fazer um trajeto curto sem áudio, esperar sem abrir uma tela ou caminhar sem responder mensagens. “É quase uma reeducação da atenção”, afirma.

Keilla também destaca a importância de reduzir estímulos antes de dormir e manter uma rotina regular de sono. Em casos de insônia persistente, a terapia cognitivo-comportamental para insônia poder ser considerada uma das principais abordagens terapêuticas.

Diante das frequentes ondas de calor e do aumento exponencial na conta de luz, impulsionado pelo uso do ar-condicionado, a busca por alternativas sustentáveis de refrigeração tornou-se prioridade. Entre as inovações, estão os materiais de resfriamento radiativo passivo: tintas, filmes e tecidos tecnológicos capazes de baixar a temperatura de superfícies mesmo sob sol pleno, totalmente sem consumo de energia elétrica.

A física por trás dessa tecnologia baseia-se em um conceito chamado seletividade espectral. Como explica o mestre em ciência de materiais José Ribamar, esses materiais agem de forma oposta aos revestimentos comuns.

“A tinta convencional apenas reflete a luz visível, mantendo a superfície na mesma temperatura do ar. Já os materiais de resfriamento radiativo refletem a maior parte da radiação solar e possuem alta emissividade no infravermelho médio”, aponta.

Esse processo faz com que o material troque calor diretamente com o espaço através da chamada “janela de transparência atmosférica” (na faixa de 8 a 13 micrômetros). O resultado prático é um saldo radiativo negativo: a superfície consegue ficar entre 10 °C e 15 °C abaixo da temperatura do ar ao redor, superando os ganhos térmicos por condução e convecção.

Para alcançar esse comportamento, a nanotecnologia desempenha um papel fundamental. Betina Zanetti, doutora em nanotecnologia e diretora da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), destaca que o segredo está na manipulação da matéria em escalas microscópicas.

“Quando controlamos composição, tamanho de partículas, porosidade e organização estrutural, selecionamos como o material interage com a radiação solar para evitar o aquecimento e emitir calor eficientemente”, detalha a especialista.

Contudo, os especialistas são categóricos: o resfriamento radiativo passivo não substitui o ar-condicionado, mas atua como um aliado estratégico. O material passivo apenas alivia a carga térmica de superfícies, enquanto o ar-condicionado cooling remove ativamente o calor de volumes fechados de ar, permitindo o controle exato da temperatura.

Além disso, a tecnologia passiva enfrenta limitações ambientais. “O processo perde eficiência com umidade relativa acima de 60%, céu nublado ou ar parado, pois o vapor d’água absorve o infravermelho e devolve a radiação para a superfície”, explica Ribamar.

Alta ocupação humana ou calor interno gerado por eletrônicos também exigem a intervenção da refrigeração elétrica.

O verdadeiro trunfo da tecnologia está na prevenção e no impacto urbano. “O diferencial é que esses materiais atuam antes do consumo de energia. Evitar a entrada do calor reduz a demanda elétrica e o pico de consumo”, ressalta Betina. Em escala urbana, a aplicação em telhados e fachadas pode mitigar o efeito das ilhas de calor nas grandes metrópoles.

O principal obstáculo para a popularização, sobretudo em tecidos e tintas comerciais, reside na durabilidade das nanoestruturas frente à poeira, à chuva e aos raios UV. Superado esse desafio de engenharia, a tecnologia passiva se consolida como uma peça-chave na arquitetura sustentável e, possivelmente, na transição energética global.

Os Estados Unidos deportaram mais de 25.000 pessoas com base em acordos secretos estabelecidos com 35 países para receber migrantes que não têm vínculos com estas nações, segundo uma investigação publicada nesta segunda-feira (21).

Desde que o presidente Donald Trump assumiu o cargo em janeiro de 2025, o governo dos Estados Unidos assinou acordos com países em desenvolvimento para que recebam migrantes que não podem ser enviados legalmente de volta para suas nações de origem.

A investigação da organização sem fins lucrativos Forbidden Stories revela que o governo destinou 410 milhões de dólares (2,1 bilhões de reais) para entrega direta aos países receptores ou para organismos da ONU, com o objetivo de facilitar as deportações.

Pelo menos 25.447 pessoas foram deportadas para terceiros países até 31 de agosto de 2026, segundo dados compilados pela Forbidden Stories em conjunto com um consórcio de jornalistas internacionais.

A grande maioria — quase 20.000 — foi enviada para o México, enquanto as demais pessoas foram distribuídas entre outros 27 países da América Latina, África e Pacífico. Além disso, foram estabelecidos acordos com outros sete Estados.

Os acordos variam, inclusive a respeito das nacionalidades das pessoas que podem ser deportadas e se os países aceitam pessoas com antecedentes criminais.

Limbo legal

Uma investigação da AFP publicada no início do ano revelou que Washington está utilizando proibições de vistos e restrições contra países africanos para pressioná-los a aceitar deportados.

Advogados afirmaram à AFP que os deportados entram em um “limbo jurídico”, retidos sem acusações em países com os quais não têm vínculos e onde contam com poucos direitos, quando têm algum.

A Forbidden Stories detalhou que 49 dos 54 países da África foram contactados para avaliar se aceitariam deportados de terceiros países.

Uma divisão relativamente desconhecida do Departamento de Estado, o Escritório de Remigração — criado em maio de 2025 —, conduziu a maior parte das negociações e dos pagamentos, segundo a organização.

O escritório é dirigido por Christian Jove Ehrhardt, um diplomata de 41 anos que já atuou como agente de segurança.

O relatório detalha suas visitas a Camarões, país que, em dezembro do ano passado, assinou um memorando de entendimento com os Estados Unidos para aceitar deportados. Uma semana depois, também assinou um acordo para um programa de assistência em saúde de cinco anos, no valor de quase 400 milhões de dólares (2,05 bilhões de reais).

No mês seguinte, o Departamento de Estado indicou que forneceria outros 30 milhões de dólares (154 milhões de reais) para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em Camarões para “facilitar o retorno voluntário de refugiados e combater a imigração ilegal”.

O primeiro avião com deportados chegou a Camarões em 14 de janeiro.

Pagamentos

Outros acordos incluem pagamentos diretos a governos. Palau, uma pequena nação insular do Pacífico com uma população de menos de 18.000 habitantes, assinou, em dezembro de 2025, um acordo para aceitar até 75 cidadãos de terceiros países em troca de 7,5 milhões de dólares (38 milhões de reais). Até o momento, no entanto, apenas três pessoas foram enviadas ao país com base no acordo.

Essuatíni recebeu 32 pessoas desde julho de 2025, de um total potencial de 160 contemplado em um acordo avaliado em mais de 5 milhões de dólares (25 milhões de reais). Segundo a investigação, o país aceitou deportados com antecedentes criminais.

Dos 410 milhões de dólares previstos para os acordos, documentos internos do Departamento de Estado mostraram que 81 milhões de dólares (416 milhões de reais) estavam destinados aos governos signatários.

O restante estava destinado para organizações de ajuda, incluindo mais de 178 milhões de dólares (916 milhões de reais) para a Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU e US$ 123 milhões (R$ 623 milhões) para o ACNUR.

As agências enfrentam críticas por sua participação, mas o ACNUR afirmou à organização Forbidden Stories que não é parte dos acordos bilaterais e que os fundos americanos são utilizados de acordo com seu mandato para fortalecer os sistemas de asilo.

Um porta-voz da OIM disse à Forbidden Stories que as decisões da agência de aceitar fundos são baseadas “em uma única pergunta: se nossa participação vai melhorar a vida dos migrantes afetados. Nestes casos, acreditamos firmemente que sim”.

A demência afeta milhões de pessoas no mundo e tende a crescer nas próximas décadas. No Brasil, cerca de 2,7 milhões de pessoas com 60 anos ou mais vivem com a condição, número que pode chegar a 5,6 milhões até 2050.  Diante desse cenário, estratégias como a estimulação cognitiva entram no debate por ajudarem a manter funções do cérebro e a autonomia no dia a dia, inclusive em pessoas com Alzheimer.

O que pode ser feito ao longo da vida

Embora fatores como idade e genética não possam ser alterados, parte do risco está ligada a condições que podem ser controladas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 45% dos casos de demência estejam associados a fatores modificáveis, como sedentarismo, tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade, consumo de álcool e isolamento social.

“Uma pessoa pode levar um estilo de vida saudável e ainda assim desenvolver Alzheimer. Mas isso não significa que nossos hábitos sejam irrelevantes. Podemos agir sobre determinados fatores para reduzir a probabilidade de declínio cognitivo”, afirma a neuropsicóloga Martha Valeria Medina, da startup espanhola de neurorreabilitação NeuronUP.

Segundo ela, o cuidado com a saúde cerebral deve começar antes do surgimento de sintomas e seguir ao longo da vida. Manter atividade física, estímulo mental e vínculos sociais faz parte desse processo.

Como a estimulação cognitiva atua

A estimulação cognitiva envolve atividades planejadas para manter ativas diferentes funções do cérebro. Não se limita à memória, que costuma ser a mais afetada no Alzheimer, mas inclui atenção, linguagem, raciocínio, orientação e funções executivas.

“A ideia é adaptar as atividades à pessoa e ao momento da doença. Trabalhamos tanto as funções que começam a ser afetadas quanto aquelas que ainda estão preservadas”, explica Martha.

Na prática, essas atividades ativam redes cerebrais e ajudam a manter o funcionamento por mais tempo. O objetivo não é interromper a doença, mas retardar a perda de funções e favorecer a autonomia.

Quem pode se beneficiar?

A estimulação cognitiva não se restringe a quem já tem diagnóstico. Manter o cérebro ativo faz parte de um estilo de vida associado à saúde cognitiva e pode ser adotado como estratégia ao longo da vida. Ainda assim, o momento faz diferença.

“Quanto antes nos anteciparmos, mais margem temos para trabalhar”, afirma a especialista. Em pessoas com Alzheimer, a abordagem costuma ser mais efetiva nas fases iniciais, quando ainda há mais capacidades preservadas.

Com a progressão da doença, as atividades são ajustadas. Em fases mais avançadas, o foco passa a ser comunicação, conexão com o ambiente e bem-estar.

Atividades simples também estimulam o cérebro

Além de programas estruturados, atividades do cotidiano têm papel importante. Conversar, cozinhar, ouvir música ou organizar fotografias envolvem memória, atenção, linguagem e tomada de decisões.

“Cozinhar exige planejamento e sequenciamento. Uma conversa trabalha linguagem e memória. Olhar fotos pode estimular lembranças e favorecer a comunicação”, aponta Martha.

Ela destaca que a interação social também faz parte da estimulação e contribui para o bem-estar. Por isso, a recomendação é combinar atividades planejadas com uma rotina ativa e com vínculos mantidos.

Apesar dos benefícios, a estimulação cognitiva tem limites claros. Não impede a progressão do Alzheimer nem recupera funções já comprometidas. “O objetivo é trabalhar com o que a pessoa ainda conserva e ajudá-la a manter o maior nível possível de autonomia e participação no dia a dia”, afirma a neuropsicóloga.

Imagine que o corpo humano possui uma rede postal microscópica, onde bilhões de encomendas circulam a todo momento para manter os tecidos em pleno funcionamento. Essas “encomendas” são os exossomas — pequenas vesículas ou “bolhas” lipídicas liberadas pelas células para transportar mensagens biológicas de um ponto a outro do organismo. Longe de serem um mero detalhe da biologia, essas estruturas estão no centro de uma revolução na medicina diagnóstica e regenerativa.

Por muito tempo, a comunidade científica encarava essas vesículas como um tipo de “lixo celular”, descartado pelo organismo sem maior relevância. Contudo, essa visão mudou radicalmente. “A descoberta das vias de sinalização por exossomas revelou uma forma sofisticada de comunicação e coordenação celular”, explica Érico Vasconcelos, professor de medicina no Centro Universitário Uniceplac.

Na prática, as células sinalizadoras empacotam dentro do exossoma moléculas específicas, como proteínas, lipídios e fragmentos de RNA. O pacotinho ganha a circulação carregando “ligantes” em sua superfície — uma espécie de código de endereçamento que se encaixa apenas nos receptores da célula-alvo. Ao ser entregue, o conteúdo modifica o comportamento e o metabolismo da região que a recebe.

Esse mecanismo de alta precisão abre caminho para diagnósticos incrivelmente precoces, conhecidos como biópsias líquidas. Como os exossomas circulam pelo sangue trazendo biomarcadores que refletem o estado de saúde da célula de origem, doenças graves podem ser identificadas muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas.

“Um exemplo real é o estudo de exossomas contendo RNA associado a produtos metabólicos pancreáticos para o diagnóstico precoce de câncer de pâncreas”, cita Vasconcelos, destacando que os testes ainda passam por validações clínicas e aprovações regulatórias.

Outro ponto promissor é a vantagem do uso de exossomas em relação ao de células-tronco inteiras. Por não serem células vivas e não possuírem capacidade de reprodução, os exossomas entregam a “mensagem” terapêutica sem os riscos associados ao comportamento imprevisível ou à rejeição da implantação celular.

Uso de exossomas na medicina estética

A versatilidade do sistema chamou a atenção da dermatologia e da medicina estética, que investigam seu uso para rejuvenescimento, cicatrização e tratamento de queda de cabelo (alopecia).

“Estudos iniciais sugerem benefícios na regeneração da pele e estímulo à atividade dos fibroblastos, inclusive associados a procedimentos como laser e microagulhamento”, afirma Andressa Vargas, médica dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)

Apesar do entusiasmo do mercado, a cautela é fundamental. Andressa pondera que as pesquisas atuais ainda são pequenas e heterogêneas, sem evidência científica suficiente para afirmar que os exossomas superam os tratamentos dermatológicos tradicionais.

“O paciente deve desconfiar de promessas de “regeneração garantida”. Nem todo produto comercializado como exossomo possui a mesma composição ou qualidade dos estudos científicos, e aplicações invasivas exigem atenção quanto à segurança e à situação junto à Anvisa”, alerta a médica.

A expectativa para os próximos anos é de padronização nas doses e métodos de aplicação. Ao unir a capacidade de alertar sobre doenças antes dos sintomas com o poder de regenerar tecidos, os exossomas provam que as menores mensagens do organismo podem trazer as maiores respostas para a saúde humana.

O réu José Wellington Pacheco será julgado nesta terça-feira (22), por atropelar violentamente Fabrycio Jorge Cavalcante de Melo, que veio à óbito após ser arremessado a cerca de seis metros da faixa de pedestre que atravessava. O julgamento está previsto para começar às 8h e será conduzido pelo juiz substituto Lucas Tavares Takada, da 9ª Vara Criminal da Capital.

O caso

No dia 27 de outubro de 2014, por volta das 18h, na Avenida Fernandes Lima, no bairro do Farol, o réu José Wellington Pacheco conduzia seu carro quando ultrapassou o sinal vermelho e atropelou violentamente Fabrycio Jorge Cavalcante de Melo, que atravessava na faixa de pedestre.

De acordo com os autos, o denunciado dirigia acima da velocidade permitida na via e, momentos antes do impacto, passou para a faixa azul, que é exclusiva para ônibus e para conversões à direita. Segundo uma testemunha, o réu não prestou socorro e a vítima teria agonizado no chão antes de vir à óbito.

Em depoimento, o réu confessou a autoria e alegou que entrou na faixa azul com o objetivo de ir a um supermercado próximo, e que não teria parado pois o sinal estava amarelo. Ele confirmou ter atropelado Fabrycio na faixa de pedestre, alegando ter entrado em desespero depois do ocorrido, motivo pelo qual não parou o carro para prestar socorro à vítima.

O filho de um policial militar, de iniciais L. C. dos S. J., foi preso em flagrante no bairro Baixa Grande, em Arapiraca, nesse domingo (20), suspeito de agredir a esposa e a filha. O homem ainda teria tentado tirar a própria vida antes da chegada dos policiais à residência.

De acordo com o 3º Batalhão, a equipe foi acionada pelo pai do rapaz para atender à ocorrência de tentativa de suicídio. O militar relatou aos agentes que possui desavenças com o filho e que esse seria o motivo da ação do suspeito, encontrado no local com escoriações.

Durante o atendimento, a sogra do suspeito entrou em contato com a guarnição e informou que a filha estava, naquele momento, registrando queixa contra o companheiro em uma delegacia por agressão contra ela e a filha. A vítima confirmou o relato posteriormente.

Diante das acusações, o homem recebeu atendimento médico em uma unidade de saúde e foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, onde o boletim de ocorrência foi formalizado.

 

Flávio Ferreira, diretor-presidente do Instituto Superar, recebe a Comenda Volnei Cavalcanti Leite em reconhecimento a uma trajetória dedicada a transformar vidas e cuidar de quem mais precisa.
Em uma manhã de emoção e reconhecimento, Flávio Ferreira recebeu, no dia 19 de setembro, na sede do IFAL, em Palmeira dos Índios (AL), a Comenda Volnei Cavalcanti Leite, concedida pela Poderosa Assembleia Legislativa Estadual da Maçonaria e indicada pela Loja Maçônica União Palmeirense.
A honraria reconhece pessoas que se destacam pelos relevantes serviços prestados à sociedade, especialmente por ações que promovem o bem e impactam a vida de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Por meio do Instituto Superar, Flávio e sua equipe transformam compromisso social em ações concretas, levando acolhimento, dignidade, oportunidades e esperança a famílias e pessoas que mais necessitam.
Ao receber a homenagem, Flávio fez questão de dividir o reconhecimento:
“Essa comenda não é minha. Ela pertence ao Instituto Superar e a todos os profissionais e à equipe que fazem tudo acontecer com excelência e muito amor no coração.”
Esta não é apenas uma homenagem a um homem. É o reconhecimento de uma causa, de uma equipe e de um propósito.
É o reconhecimento de cada vida alcançada, de cada família ajudada e de cada história que ganhou uma nova esperança.
Flávio Ferreira recebe a honraria. Mas essa conquista pertence a todos que fazem do Instituto Superar uma força de transformação social.
INSTITUTO SUPERAR — onde o propósito de fazer o bem se transforma em vidas transformadas. ❤️

 

Ao menos 16 pessoas morreram e 57 ficaram feridas nesta sexta-feira (18) após um carro carregado de explosivos ser jogado contra uma instalação policial no noroeste do Paquistão, enquanto policiais e seus familiares oravam em uma mesquita no local, informaram autoridades.

Cinco policiais estão entre os mortos, disse o chefe de polícia da província, Zulfikar Hameed.

Segundo ele, o veículo colidiu com o muro externo do edifício. Além disso, homens armados que acompanhavam o veículo abriram fogo na cidade de Kohat.

Não houve reivindicação imediata de autoria pelo ataque na província fronteiriça de Khyber Pakhtunkhwa, que tem registrado um aumento nos ataques de grupos islâmicos que lutam para derrubar o governo federal.

Vídeos compartilhados por equipes de resgate mostram o muro destruído pela explosão e pessoas tentando retirar os feridos dos escombros enquanto as ambulâncias chegavam ao local.

Pessoas estavam deitadas na estrada, enquanto outras, com roupas manchadas de sangue, tentavam ajudá-las.

Todos os sete agressores morreram na explosão e no tiroteio que se seguiu, informaram as autoridades em um comunicado.

O Ministério do Interior do Paquistão afirmou que as "ações covardes" dos agressores não poderiam enfraquecer a "firme determinação da nação".

A atividade de grupos armados nas áreas de fronteira do Paquistão aumentou drasticamente nos últimos meses, tendo como alvo principalmente militares e policiais.

O Tehreek-e-Taliban Pakistan, ou Talibã Paquistanês — o principal grupo armado da região, que funciona como uma organização que reúne diversos grupos sunitas — emitiu um comunicado negando qualquer envolvimento no ataque desta sexta.

O governo paquistanês afirma que combatentes utilizam refúgios no Afeganistão para treinar e planejar ataques no Paquistão. O governo talibã do Afeganistão negou a acusação e declarou que a situação é um problema interno do Paquistão.

Você já ouviu falar do “Café da manhã dos campeões”? Na internet, alguns vídeos caseiros estão circulando nas redes sociais, ensinando misturas de medicamentos controlados com energéticos que prometem mais energia e alta performance para as atividades diárias.

Essa mistura é considerada altamente perigosa pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A agência alerta que medicamentos não devem ser usados de forma recreativa em nenhuma hipótese.

A função dos medicamentos é apoiar, sob supervisão médica, o tratamento de quadros de saúde de pacientes diagnosticados. De acordo com a Anvisa, além dos riscos físicos, as misturas podem causar danos à saúde mental.

Segundo cardiologistas, a combinação pode levar a problemas cardíacos e ao aumento da pressão arterial.

A administração dessas substâncias sem acompanhamento médico pode causar dependência física, química ou psicológica, alterações na forma de sentir e pensar e maior exposição a situações de acidentes e violência.

Ainda de acordo com a Anvisa, o consumo recreativo de alguns medicamentos associados a substâncias como cafeína e taurina pode gerar efeitos inesperados, como taquicardia (aumento dos batimentos cardíacos) e elevação da pressão arterial.

Esses sintomas podem levar a um colapso, mesmo em pessoas jovens e sem histórico de problemas cardíacos.

Como, de fato, posso melhorar a minha disposição?

Embora pareça contraditório, gastar energia para ter mais energia é um dos métodos mais eficazes. O exercício físico reduz o estresse e a ansiedade, aumentando a sensação de bem-estar. Além disso, melhora a oxigenação do corpo e o condicionamento cardiovascular.

Outras práticas, já muito conhecidas, são dormir bem e manter uma alimentação saudável. Além disso, dedicar um tempo a momentos de lazer e atividades prazerosas também pode ajudar na busca por mais disposição.

 

O cérebro humano pode não ser um único órgão com origem comum, como se acreditava. Um estudo da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, indica que suas principais regiões se formam a partir de dois grupos distintos de células, já nas fases iniciais do desenvolvimento embrionário.

A pesquisa, publicada nesta sexta-feira (18/9) na revista Nature Neuroscience, mostra que a parte anterior do cérebro e a região posterior seguem trajetórias independentes desde o início. A descoberta contraria a ideia de que todo o cérebro surge de uma única célula progenitora.

Segundo os autores, isso significa que estruturas responsáveis por funções básicas e aquelas ligadas ao pensamento mais complexo têm origens diferentes, embora funcionem de forma integrada no organismo.

Duas origens no início da formação

O cérebro adulto é dividido em três regiões principais. O prosencéfalo está ligado a funções como linguagem, consciência e raciocínio. O mesencéfalo atua na integração de informações sensoriais e no controle de movimentos. Já o rombencéfalo, na parte posterior, controla atividades automáticas, como respiração, batimentos cardíacos e sono.

Ao analisar embriões em estágio inicial, os pesquisadores identificaram dois tipos distintos de células que dão origem a essas regiões. Um grupo está associado ao prosencéfalo e ao mesencéfalo. O outro é responsável pelo rombencéfalo.

Essas células seguem caminhos separados desde o começo e não se misturam ao longo do desenvolvimento. A equipe também observou diferenças na forma como o DNA está organizado em cada grupo, o que direciona o destino de cada célula.

Por que isso importa

A descoberta ajuda a explicar por que cientistas tinham dificuldade em produzir certos neurônios em laboratório. Tentativas anteriores buscavam transformar um tipo de célula em outro, algo que o estudo indica não ser possível.

Com essa nova compreensão, os pesquisadores conseguiram gerar neurônios do rombencéfalo a partir de células-tronco humanas. As células apresentaram características funcionais semelhantes às encontradas no organismo, incluindo atividade elétrica e produção de proteínas específicas.

Esse avanço pode facilitar o estudo de doenças que afetam essa região do cérebro, como a atrofia muscular espinhal e a esclerose lateral amiotrófica (ELA).

Ligação com doenças e evolução

O rombencéfalo é responsável por funções vitais e está ligado a doenças neurológicas graves. Quando os neurônios dessa região deixam de funcionar, a pessoa pode perder a capacidade de engolir e até de respirar. Conseguir estudar essas células em laboratório pode ajudar a entender melhor essas doenças e testar novas formas de tratamento.

Os pesquisadores também analisaram outras espécies e encontraram o mesmo padrão de duas origens para o sistema nervoso. Esse modelo aparece em animais como peixes, aves e até organismos marinhos simples.

Os resultados indicam que, ao longo da evolução, sistemas nervosos distintos passaram a atuar de forma integrada, formando o cérebro como conhecemos hoje.

Não é apenas o tempo total de sono que importa para a saúde. Um estudo internacional indica que a qualidade do descanso, especialmente a quantidade de sono REM e de sono profundo, está associada ao risco de desenvolver uma série de doenças.

A pesquisa, publicada na PLOS Medicine em 17 de setembro, analisou dados de 95.559 participantes do UK Biobank, que usaram acelerômetros de pulso por sete dias seguidos. Com base nessas informações, os cientistas calcularam os estágios do sono e acompanharam a saúde dos voluntários por cerca de nove anos.

Sono e risco de doenças

Os resultados mostram que maior tempo de sono REM — fase do sono associada a sonhos e à consolidação da memória — esteve ligado a menor risco de 83 doenças. Entre elas estão insuficiência cardíaca, demência e doença de Parkinson.

Já o sono profundo apareceu ligado a menor risco de sete condições, como diabetes tipo 2 e depressão grave.

Por outro lado, padrões irregulares de sono e despertares frequentes durante a noite foram associados a maior risco de problemas de saúde, incluindo ansiedade e transtornos relacionados ao uso de substâncias.

Quanto tempo dormir

A duração total do sono também teve relação com a saúde, mas de forma não linear. O menor risco foi observado entre pessoas que dormiam de seis a oito horas por noite.

Dormir menos de cinco horas esteve associado a maior vulnerabilidade, com aumento do risco para 37 condições.

Como o estudo foi feito

Para chegar aos resultados, os pesquisadores usaram um algoritmo de aprendizado de máquina capaz de identificar os diferentes estágios do sono com base nos dados dos sensores.

Além do tempo total de descanso, foram avaliados fatores como o tempo acordado após adormecer e a regularidade do sono ao longo da semana.

Os autores destacam que o estudo identifica associações, mas não prova causa e efeito. Ainda assim, os dados reforçam a importância de manter um padrão de sono regular e com boa qualidade para a saúde ao longo do tempo.

Imagens capturadas pela sonda espacial Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO, na sigla em inglês), da Nasa, ajudaram cientistas a detectar uma nova cratera que se abriu na Lua. Segundo os especialistas, a abertura tem 222 metros de largura — tamanho próximo ao comprimento de dois campos de futebol — e 43 metros de profundidade, o que seria o suficiente para alocar três ônibus escolares empilhados verticalmente.

A detecção foi realizada inicialmente pelo cientista Robert Wagner, que trabalha analisando os dados obtidos pela LRO. Ao observar um mapa da Lua, ele encontrou uma mancha brilhante cercada por um circulo escuro, padrão que sugeria a ocorrência de uma perturbação recente na superfície lunar.

“Eu simplesmente parei, larguei tudo e comecei a investigar o que era aquele ponto. Foi de longe o padrão de detritos de impacto mais óbvio que já vi em uma dessas imagens”, conta Wagner, em comunicado.

Posteriormente, ao comparar imagens do antes e do depois da mesma região, os pesquisadores descobriram que se tratava de uma cratera de impacto recém-formada. A descoberta foi publicada na revista Science Advances nesta quarta-feira (16/9).

A capacidade da LRO foi fundamental para o achado. Isso porque a sonda possui sete instrumentos capazes de estudar a paisagem, a composição da superfície, a temperatura e o ambiente de radiação na Lua. A sonda orbita o satélite natural há mais de 17 anos e, nesse período, já foram identificadas ao menos mil novas crateras de impacto.

Segundo os pesquisadores, a grande quantidade de crateras está ligada à atmosfera lunar. Ao contrário da Terra, que possui uma atmosfera que desacelera rochas espaciais e as queima antes de elas atingirem o solo, a do satélite natural não tem essa capacidade, fazendo com que asteroides, meteoroides e outros objetos colidam diretamente contra o solo da Lua.

Quanto à nova cratera gigante, batizada de McGetchin em homenagem ao cientista lunar Tom McGetchin, os cientistas afirmam que ela se formou na borda leste da Lua entre abril e maio de 2024, quando um asteroide ou cometa de tamanho aproximado ao de um prédio de até seis andares colidiu com a superfície.

Apesar de a Lua sofrer vários impactos anualmente, um desta magnitude não ocorre com tanta frequência, acontecendo apenas uma vez por século.

 

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