
Uma pesquisa brasileira selecionou oito exoplanetas já conhecidos que apresentam características consideradas interessantes para estudos sobre habitabilidade. O trabalho é do pesquisador Fábio Calabrio Evangelista da Silva, aluno de mestrado em Astronomia do Observatório Nacional (ON).
Intitulado “Identificação e caracterização de planetas rochosos astrobiologicamente interessantes”, o trabalho aparece na relação oficial de pôsteres aprovados pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), na área de Astrobiologia. Fábio desenvolve o mestrado sob orientação do pesquisador Marcelo Borges Fernandes.
A análise partiu de informações do NASA Exoplanet Archive, banco da agência espacial norte-americana que reúne milhares de planetas confirmados fora do Sistema Solar. A partir das características dos mundos catalogados, Fábio chegou a oito considerados particularmente interessantes para pesquisas sobre condições favoráveis à vida.
O que os cientistas procuram?
Entre os fatores considerados em pesquisas sobre habitabilidade estão características físicas e orbitais, como massa, temperatura estimada e distância em relação à estrela.
Um dos principais critérios é a chamada zona habitável, região ao redor de uma estrela onde as condições podem permitir a existência de água líquida. Estar na zona, no entanto, não significa que um planeta tenha água ou vida. A atmosfera, a pressão, a composição química e a atividade da estrela também podem alterar completamente as condições na superfície.
Um dos mundos destacados na pesquisa é o GJ 1002 b, localizado a cerca de 16 anos-luz do Sistema Solar. O planeta já era conhecido pela ciência, e sua descoberta foi publicada em 2023 na revista Astronomy & Astrophysics.
O estudo publicado em 2023 identificou dois planetas de massa semelhante à da Terra ao redor da estrela GJ 1002. Segundo a Nasa, o GJ 1002 b tem massa mínima estimada em 1,08 vez a terrestre e completa uma órbita em aproximadamente 10,35 dias.
Os dados permitem avaliar se determinados mundos podem reunir condições teoricamente favoráveis à presença de água líquida. Confirmar uma atmosfera adequada, água ou sinais relacionados à atividade biológica exige observações adicionais.
A seleção dos oito exoplanetas funciona, portanto, como um filtro entre milhares de mundos já conhecidos, apontando candidatos que podem ser investigados com maior profundidade em busca de condições associadas à habitabilidade.

A Prefeitura de Palmeira dos Índios colocou no ar o novo Portal da Transparência do Município, ampliando e facilitando o acesso da população às informações da administração pública.
A implantação integra as medidas previstas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público de Alagoas, por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Palmeira dos Índios. Entre as providências estão a migração das informações dos últimos cinco anos, a atualização dos dados obrigatórios, melhorias na estabilidade do sistema e a capacitação dos servidores responsáveis pela alimentação do portal.
A nova plataforma permite ao cidadão acompanhar informações sobre receitas, despesas, licitações, contratos, servidores e outros dados públicos do município.
Para o controlador-geral do município, Marcondes Oliveira, o novo portal representa um avanço na prestação de informações à sociedade. “Estamos cumprindo os compromissos assumidos com o Ministério Público e, principalmente, oferecendo à população uma ferramenta mais moderna, estável e acessível. Transparência é uma obrigação da administração pública e o nosso trabalho é garantir que o cidadão tenha cada vez mais facilidade para acompanhar a aplicação dos recursos públicos”, destacou Marcondes.
O novo Portal da Transparência pode ser acessado por meio do site oficial da Prefeitura de Palmeira dos Índios.
https://novotransparencia.palmeiradosindios.al.gov.br/homepage

Uma fisioterapeuta foi presa preventivamente em Goiania, Goiás, após relatos de sete vítimas que teriam sofrido lesões graves por conta de procedimentos estéticos realizados pela profissional.
Segundo os depoimentos das vítimas, os procedimentos realizados por Magda Oliveira da Silva teriam causado desde lesões até cicatrizes, queimaduras e, em alguns casos, mutilação de estruturas anatômicas.
Busca e apreensão
Segundo a Polícia Civil de Goiás, agentes da 7ª Delegacia Distrital de Polícia de Goiânia e do Grupo Especial de Investigações Criminais (GEIC) da 1ª Delegacia Regional de Polícia cumpriram três mandados de busca e apreensão: uma na residência de Magda e dois em consultórios da fisioterapeuta.
Entre as apreensões estão, além de celulares e outros objetos relacionados à investigação, medicamentos com prazo de validade vencido.
Além disso, os policiais constataram ausência de licença sanitária para o funcionamento dos locais.
Vítimas relataram procedimentos estéticos invasivos
Até o momento, policiais conseguiram identificar sete vítimas dos procedimentos estéticos realizados por Magda. Entre os casos, afirma o anúncio feito pela polícia, estão procedimentos nas regiões íntima, facial, glútea e mamária, com relatos de cortes, queimaduras, sangramentos, infecções, necrose, perda de tecido, cicatrizes e outras complicações.
Num dos casos, relata uma vítima, houve retirada de tecido além do autorizado, atingindo o seu clítoris. Em outro relato, um procedimento teria provocado queimaduras graves nas mamas.
Além de fisioterapeuta, Magda Oliveira da Silva possui formação complementar na área de harmonização facial, corporal e íntima. Só que, de acordo com a investigação, durante os procedimentos: “teriam sido realizados cortes, retirada de partes de tecidos e alterações da anatomia das pacientes, além da prescrição ou fornecimento de medicamentos, circunstâncias que teriam extrapolado os limites técnicos e legais da atuação profissional”.
Investigação permanece em andamento
Com a divulgação do caso, a polícia goiana espera que outras pessoas submetidas a procedimentos pela investigada e que eventualmente tenham apresentado complicações sejam identificadas.
A Polícia Civil orienta que possíveis novas vítimas procurem a unidade policial responsável pela investigação para prestar informações e apresentar eventuais documentos, imagens ou outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.

Voltou à tona, nos últimos dias, o assunto exigência da biometria facial para a concessão, a manutenção ou a revisão de benefícios. O reconhecimento biométrico tornou-se uma ferramenta importante para o combate a fraudes, e a obrigatoriedade gradual já foi aprovada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Não existe, no entanto, necessidade de preocupação imediata, pois há um calendário a seguir.
Até 2028, a Carteira de Identidade Nacional (CIN) — que substitui o antigo RG e utiliza o CPF como número de identificação, evitando duplicidades e reduzindo erros nos registros — passará a ser o único documento aceito. Mas, até lá, há um caminho a percorrer. Outros documentos ainda são considerados (confira abaixo).
Quando o cidadão solicita a CIN, o órgão emissor coleta as impressões digitais das duas mãos e a fotografia da pessoa, que são armazenadas em uma base de dados do governo federal.
Entenda
Até o fim de 2026 — Documentos como a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), o título de eleitor e o passaporte — que hoje são emitidos mediante cadastramento biométrico — serão aceitos pelo INSS. O mesmo vale para quem já emitiu a CIN, embora esta ainda não seja obrigatória. Mas atenção: até o fim deste ano, a pessoa poderá até pedir um benefício do INSS sem um desses quatro documentos atualizados, mas precisará regularizar o cadastro biométrico para evitar o encerramento do pedido. O cidadão terá um prazo de 30 dias para cadastrar a biometria após o requerimento previdenciário.
A partir de 1º de janeiro de 2027 — O INSS ainda vai considerar a biometria vinculada à CNH, ao título de eleitor ou ao passaporte que tenha sido cadastrada até 31 de dezembro de 2026. Mas, caso a pessoa não tenha nenhum desses registros biométricos cadastrados, será preciso providenciar a CIN.
A partir de 1º de janeiro de 2028 — A CIN passará a ser a única base biométrica aceita para a concessão, a manutenção ou a renovação dos benefícios, substituindo outros documentos aceitos antes.
Exceções
- A apresentação da Carteira de identidade Nacional não será obrigatória nos seguintes casos:
- Se a pessoa tiver 80 anos ou mais;
- No caso de migrantes, refugiados e apátridas;
- Para residentes no exterior;
- No caso de pessoas impossibilitadas de se deslocar em razão de condição de saúde ou deficiência;
- Para pessoas que vivem em localidades de difícil acesso.
O que é a CIN
A CIN é o novo padrão de identificação nacional, unificando a identificação civil no país. O documento tem padrões de segurança e integração de dados, incluindo QR Code, a fim de aumentar a proteção contra fraudes. É aceita também em países do Mercosul.
O documento é liberado em formatos físico (papel e cartão) e digital (neste caso, no aplicativo Gov.br).
Além disso, a CIN permite que o usuário eleve sua conta no portal Gov.br ao nível ouro.
Como emitir a CIN
A emissão da nova identidade já está disponível e pode ser solicitada gratuitamente.
O primeiro passo é acessar o site gov.br/identidade, selecionar o estado e agendar o atendimento para a coleta da biometria e da foto. No dia marcado, é necessário apresentar a certidão de nascimento ou de casamento original.
Caso desejado, a versão digital da CIN permite a inclusão de outros números de documentos, como os da CNH e do título de eleitor.
Como usar o documento digital
A versão digital da CIN pode ser acessada no aplicativo Gov.br no celular. De acordo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), muitas pessoas emitem a nova carteira, mas não acessam a versão disponível na plataforma eletrônica Gov.br, na seção “Carteira de documentos”.

Um ensaio clínico internacional sugere que a suplementação de vitamina C pode trazer benefícios para pessoas com distúrbios sanguíneos que podem evoluir para leucemia. Os dados indicam redução de eventos adversos e sinais de melhora na sobrevida, embora ainda não haja comprovação de efeito sobre a progressão da doença.
O estudo acompanhou 109 pessoas com alterações no sangue que podem evoluir para leucemia, como a síndrome mielodisplásica. Nenhum dos participantes estava em tratamento contra o câncer no início da pesquisa.
Resultados do ensaio
Os voluntários foram divididos em dois grupos. Um recebeu 1.000 mg de vitamina C por dia durante um ano, enquanto o outro tomou placebo. Nem os participantes nem os pesquisadores sabiam quem estava em cada grupo até o fim do estudo.
Ao longo do acompanhamento, quem recebeu vitamina C apresentou menos eventos adversos. Também foram observadas mudanças em moléculas inflamatórias no sangue, associadas a melhores desfechos clínicos.
Não houve diferença relevante entre os grupos na progressão de células sanguíneas anormais, um dos principais indicadores de evolução para leucemia. Ainda assim, uma análise dos dados apontou maior probabilidade de sobrevivência após cerca de três anos entre os participantes que usaram o suplemento.
Como a vitamina C pode atuar
A vitamina C participa de processos que regulam o funcionamento das células. Entre eles está a atuação sobre enzimas ligadas ao controle da expressão de genes, como a TET2, que ajuda a conter o crescimento de células anormais.
Alterações nessa enzima são frequentes em doenças do sangue e podem favorecer a evolução para câncer. Estudos anteriores já indicavam que a vitamina C pode ajudar a restaurar parte dessa regulação.
No ensaio, mais da metade dos participantes apresentava deficiência da vitamina no início. Após a suplementação, os níveis foram normalizados.
Limitações e próximos passos
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que o estudo não permite conclusões definitivas sobre o uso da vitamina C como tratamento. Os dados de sobrevida ainda precisam ser confirmados em ensaios maiores.
Hoje, o acompanhamento dessas condições costuma se basear no monitoramento ao longo do tempo, sem terapias aprovadas para impedir a progressão para leucemia em muitos casos.
Os resultados foram publicados no periódico Cancer, da Sociedade Americana do Câncer nesta segunda-feira (21/9). Novas análises estão em andamento para entender melhor os mecanismos envolvidos e avaliar o potencial clínico da estratégia.

A agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) autorizou o primeiro dispositivo robótico capaz de realizar, de forma autônoma, praticamente todas as etapas de uma coleta de sangue. Batizado de Aletta, o equipamento foi desenvolvido pela empresa Vitestro e recebeu autorização em 19 de agosto.
O robô poderá ser usado em adultos atendidos em ambientes ambulatoriais, como clínicas e centros de coleta. Embora o procedimento seja automatizado, um profissional treinado precisa iniciar a sessão e permanecer disponível durante o funcionamento. Segundo a FDA, uma pessoa poderá supervisionar até três aparelhos simultaneamente.
Robô encontra a veia e faz a coleta
Após o braço do paciente ser posicionado e o procedimento ser iniciado, o Aletta utiliza luz próxima ao infravermelho e ultrassom Doppler para localizar uma veia adequada e diferenciá-la das artérias. Caso não encontre um vaso apropriado, o equipamento não tenta inserir a agulha.
Quando identifica uma veia, o robô coloca o garrote, prepara a pele, introduz a agulha, coleta o sangue e troca os tubos necessários. Ao terminar, retira e descarta a agulha e coloca um curativo no local.
O profissional responsável precisa confirmar se os tubos foram preenchidos na ordem correta e verificar se há quantidade suficiente de sangue em cada recipiente.
Sensores ajudam a evitar acidentes
O Aletta possui mecanismos de segurança para interromper a coleta quando identifica alguma situação de risco. Se o paciente movimentar muito o braço, por exemplo, a agulha se desprende automaticamente e o procedimento é interrompido.
Outros sensores podem pausar o processo e alertar o profissional responsável. Entre um paciente e outro, o equipamento também precisa ser higienizado por uma pessoa treinada.
A autorização considerou dados clínicos apresentados à FDA. Segundo a agência, nos casos em que o Aletta identificou condições adequadas para realizar a punção, as taxas de sucesso na coleta foram comparáveis ou superiores às alcançadas por profissionais treinados.
A avaliação incluiu pacientes com diferentes condições de saúde e tons de pele, além de pessoas que relataram dificuldade para encontrar uma veia durante coletas anteriores. De acordo com a FDA, os eventos adversos relacionados ao equipamento foram incomuns e leves.
Tecnologia cria nova categoria de dispositivo
O Aletta recebeu autorização pelo processo De Novo, utilizado pela FDA para dispositivos inéditos considerados de risco baixo a moderado. A solicitação da Vitestro havia sido recebida pela agência em 26 de setembro de 2025, e a decisão favorável foi concedida em 19 de agosto de 2026.
Com a autorização, a FDA estabeleceu uma nova categoria regulatória para sistemas robóticos destinados à coleta de sangue venoso periférico, além de definir exigências relacionadas à segurança, ao desempenho e aos estudos clínicos.
A tecnologia automatiza etapas que tradicionalmente dependem da atuação direta de profissionais, mas não elimina a necessidade de supervisão humana durante a coleta.

Um ato de solidariedade terminou em tragédia no último domingo (20/9) no Setor Central de Urutaí (GO). O aposentado Glaucio da Silva Rio, de 59 anos, foi morto a golpes de faca após tentar intervir em uma briga de casal que ocorria no interior de um estabelecimento comercial.
Segundo as informações preliminares, a discussão entre o casal se intensificou dentro do imóvel quando Glaucio decidiu interceder para conter os ânimos. Durante a tentativa de apaziguar a situação, o homem envolvido no desentendimento sacou uma faca e desferiu múltiplos golpes contra a vítima. Glaucio não resistiu à gravidade dos ferimentos e teve o óbito constatado ainda no local.
O agressor fugiu logo após o ataque mas é procurados por equipes das polícias Civil e Militar de Goiás.
Perícia e investigação
Equipes da Polícia Científica compareceram ao endereço para realizar os levantamentos periciais na cena do crime. Após a conclusão dos trabalhos praxe, o corpo foi removido e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exames necroscópicos.
A Polícia Civil de Goiás já instaurou um inquérito policial para apurar as circunstâncias do homicídio. Os investigadores trabalham para esclarecer a motivação exata da discussão inicial e a dinâmica detalhada do ataque.
Até o momento, os órgãos oficiais não confirmaram se Glaucio possuía qualquer grau de parentesco ou amizade com o casal, tampouco o teor das provocações antes da intervenção. Também não foi informado se a mulher envolvida na briga prestou depoimento formal na delegacia. As buscas pelo suspeito continuam na região.

Um homem identificado como José Robson da Silva morreu após perder o controle do veículo que conduzia, bater em uma mureta lateral da Rodovia AL-220 e capotar. O acidente aconteceu na noite desse domingo (20), nas proximidades do município de Jaramataia, Sertão de Alagoas.
Segundo as informações iniciais, José Robson seguia pela rodovia no sentido Arapiraca – Jaramataia, quando, por circunstâncias ainda não esclarecidas, perdeu o controle da direção. O veículo atingiu a mureta da pista e, na sequência, capotou.
A dinâmica do acidente ainda está sendo investigada. Entre as possibilidades que deverão ser analisadas pelas autoridades estão eventual sonolência do motorista ou uma possível interferência de outro veículo. Até o momento, no entanto, não há confirmação sobre o que teria provocado a perda de controle.
A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Científica, do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), da 6ª Companhia Independente e da Guarda Municipal de Jaramataia. A perícia foi realizada no local para reunir elementos que possam ajudar a esclarecer as circunstâncias do acidente.
O corpo de José Robson foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca, onde passou pelos procedimentos de necropsia. Após a liberação, os familiares ficaram responsáveis pelos procedimentos para o sepultamento.
A rodovia é duplicada no trecho onde ocorreu o acidente e não havia uma curva no ponto da ocorrência.

Uma noite de sono mal dormida pode atrapalhar a realização das obrigações no trabalho, na escola ou na faculdade.
De acordo com dados da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), cerca de 72% dos brasileiros enfrentam doenças relacionadas ao sono, que podem impactar profundamente na rotina e na saúde mental.
Existem, no entanto, dicas do que fazer quando uma pessoa precisa cumprir com suas obrigações mesmo sem ter dormido por um minuto sequer durante a noite.
Segundo Marco Abud, médico psiquiatra, reduzir o nível de atividades ou poupar energia após uma noite de sono mal dormida não é uma boa tática pois pode provocar mais uma crise de insônia no momento do descanso.
Quanto mais atividades físicas e mentais forem incluídas no dia, melhor será o sono noturno. A ideia é que os estímulos façam com que o corpo fique sempre em movimento para que a hora do descanso seja usada de forma propícia.
O especialista aponta que o dia após a insônia deve ser um dia repleto de atividades, e que nada seja cortado dela, apesar do cansaço.
Riscos de uma noite após insônia
É possível, porém, que uma noite de sono mal dormida se torne um risco para uma pessoa, de acordo com o estudo "The societal costs of insomnia" (Os custos sociais da insônia), e Alan G. Wade, publicado no periódico "Neuropsychiatric Disease and Treatment" em 2011.
A pesquisa aponta que a má qualidade do sono afeta negativamente as habilidades cognitivas e psicomotoras, a fadiga, o humor e a qualidade de vida geral.
Os riscos vão desde o aumento nos acidentes de trânsito e no trabalho, além de maior incidência de quedas e fraturas em idosos.
Além disso, os casos crônicos de insônia aumentam o uso de ansiolíticos e medicamentos para induzir o sono.
O estudo mostra que os casos recorrentes de insônia devem ser investigados e tratados com médicos especialistas no assunto.
A Prefeitura de Palmeira dos Índios, por meio da equipe de Iluminação Pública, iniciou uma nova etapa de manutenção e modernização do parque de iluminação do município. Os serviços estão sendo realizados no bairro Xucurus e também contemplarão a Serra do Padre Cícero, na Zona Rural.
A ação integra o programa municipal Minha Cidade Mais Iluminada, criado pela gestão da prefeita Tia Júlia com o objetivo de modernizar a iluminação pública, substituir equipamentos e ampliar a eficiência e a segurança nos espaços urbanos e nas comunidades rurais.
No Xucurus, os trabalhos já começaram e vão contemplar todo o bairro. Durante a execução do serviço, será necessária a interrupção temporária da iluminação pública em alguns trechos para permitir a substituição e manutenção das luminárias.
A Prefeitura pede a compreensão dos moradores durante esse período e reforça que a interrupção é temporária e necessária para que as equipes possam realizar o trabalho com segurança e concluir a modernização do sistema.
Como medida preventiva, a Guarda Civil Municipal (GCM) intensificará as rondas e a presença no bairro Xucurus e na região da Serra do Padre Cícero enquanto os serviços estiverem em andamento.
Com o Minha Cidade Mais Iluminada, a Prefeitura vem avançando na renovação do parque de iluminação pública, com ações tanto na cidade quanto na Zona Rural. A proposta é proporcionar ruas e comunidades mais iluminadas, melhorar a visibilidade no período noturno e contribuir para mais segurança e qualidade de vida para a população.

O envelhecimento da população mundial colocou a doença de Alzheimer diante de uma dimensão que dificilmente pode ser ignorada. Mais de 55 milhões de pessoas viviam com algum tipo de demência no mundo em 2020, segundo a Alzheimer’s Disease International (ADI). É um contingente próximo ao de toda a população da Itália, que atualmente tem cerca de 59 milhões de habitantes. A projeção é ainda mais preocupante: o número de pessoas com demência deve chegar a 78 milhões em 2030 e 139 milhões em 2050.
O Alzheimer responde por cerca de 60% a 70% dos casos de demência e tende a se tornar ainda mais frequente à medida que aumenta a expectativa de vida. As mulheres são desproporcionalmente afetadas, em parte porque vivem mais, mas a diferença não se explica apenas pela longevidade. Fatores biológicos e sociais vêm sendo investigados para compreender por que a doença atinge mais mulheres.
Para o neurologista Marcelo Zalli, esse cenário torna cada vez mais importante reconhecer a doença em suas fases iniciais. Durante muito tempo, diante de um paciente com comprometimento cognitivo leve, a evolução clínica tinha um peso decisivo: era necessário acompanhar se as dificuldades de memória e outras alterações cognitivas progrediriam até configurar uma demência por Alzheimer. Hoje, os biomarcadores permitem investigar a presença da própria patologia relacionada à doença antes que o quadro chegue a esse estágio.
O líquor ajuda a identificar o que está por trás do declínio cognitivo
A análise do líquido cefalorraquidiano, o líquor, permite pesquisar biomarcadores relacionados principalmente às proteínas beta-amiloide e tau, características da biologia do Alzheimer. Dessa forma, diante de um paciente com comprometimento cognitivo leve, é possível obter evidências de que as alterações estão associadas à patologia do Alzheimer ou investigar outras possíveis causas para os sintomas.
Essa mudança é relevante porque comprometimento cognitivo leve não significa necessariamente Alzheimer. Existem diferentes condições capazes de provocar alterações de memória e cognição. Os biomarcadores ajudam a separar situações que antes poderiam permanecer durante mais tempo em uma zona de incerteza diagnóstica.
Os critérios mais recentes para diagnóstico e estadiamento da doença reforçam essa mudança de perspectiva. O Alzheimer passou a ser entendido cada vez mais como uma doença definida também por sua biologia, que pode começar anos antes da instalação da demência. Além do líquor e do PET amiloide, biomarcadores sanguíneos vêm avançando rapidamente e começam a ampliar as possibilidades de investigação.
Diagnosticar cedo passou a interferir no tratamento
A identificação precoce ganhou ainda mais importância com a chegada dos anticorpos monoclonais dirigidos contra a beta-amiloide, como lecanemabe e donanemabe. Diferentemente dos medicamentos tradicionalmente utilizados para controlar sintomas, essas terapias atuam sobre um dos processos biológicos relacionados à doença, reduzindo a carga de placas amiloides no cérebro e podendo retardar a progressão do declínio cognitivo em pacientes selecionados.
Esses medicamentos não representam cura e não são indicados para todos os pacientes. Os estudos e aprovações concentram-se nas fases iniciais sintomáticas, como comprometimento cognitivo leve ou demência leve por Alzheimer, com confirmação da presença de patologia amiloide. O tratamento também exige avaliação criteriosa e acompanhamento por imagem devido ao risco de alterações cerebrais associadas à retirada do amiloide.
É justamente aí que diagnóstico e tratamento passam a caminhar juntos. Se as novas terapias têm sua indicação nas fases iniciais da doença, reconhecer o Alzheimer somente quando a perda cognitiva já está avançada significa perder uma parte importante da janela em que elas podem ser consideradas.
No Dia Mundial do Alzheimer, em 21 de setembro, a dimensão dos números chama atenção, mas a principal transformação talvez esteja na forma de enxergar a doença. A medicina está deixando de esperar apenas pela progressão dos sintomas para buscar sinais biológicos do Alzheimer mais cedo. Em uma doença que avança silenciosamente durante anos, antecipar o diagnóstico passou a ter consequências concretas sobre as possibilidades de tratamento.

Uma mulher deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Palmeira dos Índios, na manhã desse domingo (20), após ser agredida pelo companheiro durante uma discussão. Ele acabou preso em flagrante.
A Guarda Municipal foi acionada por meio de uma ligação que informava sobre uma possível situação de violência doméstica. Uma guarnição foi enviada imediatamente ao local indicado e, ao chegar à residência, encontrou os envolvidos em vias de fato.
Com autorização para entrar no imóvel, os agentes contiveram o homem apontado como autor das agressões, que, segundo a equipe, apresentava comportamento agressivo.
De acordo com o relato da vítima, ela foi atingida com socos e empurrões e chegou a ser jogada ao chão. Durante a discussão, os filhos do casal teriam presenciado a situação e entrado no meio da briga na tentativa de separar os envolvidos.
Após a intervenção da Guarda Municipal, a mulher foi encaminhada à UPA, onde recebeu atendimento médico. Depois dos procedimentos de saúde, ela foi conduzida ao Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) para o registro da ocorrência.
O homem foi preso em flagrante e encaminhado para os procedimentos legais cabíveis, ficando à disposição da Justiça.

A possibilidade de acordo para uma delação premiada entre a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e as autoridades investigadoras do caso Master segue indefinida em meio à crise institucional no STF (Supremo Tribunal Federal) e às incertezas quanto ao andamento do processo na Corte.
Com a falta de certeza sobre a relatoria do caso – o presidente do STF Edson Fachin determinou que o inquérito do Master fosse remetido a ele e ficasse "paralisado" até segunda ordem –, novos andamentos, incluindo a negociação para uma eventual delação, ficaram em "banho-maria".
O relator do processo, ministro André Mendonça, segue até o momento à frente do caso. No entanto, sem poder determinar diligências ou, ao menos por enquanto, homologar alguma colaboração de Vorcaro por conta da decisão de Fachin.
Além de assumir o controle provisório do caso Master, Fachin também "pausou" a condução dos processos sobre o escândalo de corrupção no INSS e acerca da suposta relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, ambos também estavam sobre o comando de André Mendonça.
No caso envolvendo Moraes, a derrubada do sigilo de relatórios da PF (Polícia Federal) – determinada por Mendonça – foi o estopim da crise entre membros do STF. Mendonça remeteu ao plenário da Corte um pedido de abertura de investigação contra o colega, o que ainda não foi decidido pelo colegiado do Tribunal.
A CNN apurou que, para os advogados de Daniel Vorcaro, a divulgação das mensagens com a suposta relação próxima entre o banqueiro e Moraes pode atrapalhar o fechamento de um acordo de delação em meio à exposição de menções a integrantes do STF no celular de Vorcaro.
No dia 30 de setembro, a PF prevê realizar um novo depoimento de Vorcaro e do pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, que também está preso. Será a primeira vez que o pai do empresário será ouvido. Segundo a PF, os depoimentos fazem parte da conclusão da 6ª fase da investigação.
PF e PGR
Em outra frente da crise, a possibilidade de colaboração premiada de Vorcaro também está incerta quanto à relação da defesa com a PF e a PGR (Procuradoria Geral da República), órgãos que têm previsão legal para negociar e fechar alguma delação com o banqueiro.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, esteve envolvido em dois movimentos recentes de Mendonça. Primeiro, conforme apurou a CNN, Andrei foi citado por Vorcaro em um depoimento ao gabinete do ministro que ocorreu sem a participação de policiais federais.
Na ocasião, Vorcaro afirmou que as negociações para fechar uma delação premiada não evoluíram porque ele poderia relatar como seria sua relação com o diretor-geral da PF – no caso, com Andrei Rodrigues. Procurada, a defesa de Vorcaro não quis se manifestar sobre o depoimento. Andrei também ainda não se manifestou sobre esse assunto.
Em um segundo momento, o ministro Mendonça determinou o afastamento de Andrei do comando da PF, alegando que o chefe da Polícia teria monitorado ilegalmente o magistrado. A decisão foi revertida pelo presidente do STF, Edson Fachin, mas ampliou a tensão entre Mendonça e a cúpula da PF, o que pode impactar o andamento das negociações com a defesa de Vorcaro.
Já em relação à PGR, a possibilidade de um acordo também é abstrata neste momento, visto que o procurador-geral da República Paulo Gonet também foi citado em mensagens e apareceu em uma foto ao lado de Daniel Vorcaro.
Desde a derrubada do sigilo do Caso Master, vieram a público citações que seriam ao nome de Gonet, além de uma foto, divulgada no último sábado (19), que mostra o PGR junto com Vorcaro fumando charutos durante evento em Londres, em 2024. Segundo a assessoria da PGR, o evento contou com a participação de diversas autoridades e Gonet já havia admitido publicamente ter comparecido.
Pedido para revogar prisão
Em meio a instabilidade no andamento dos inquéritos envolvendo Vorcaro no Supremo, a defesa do ex-dono do Master solicitou ao STF na última sexta-feira (18) a revogação da prisão preventiva. O pedido foi endereçado ao presidente Edson Fachin.
Os advogados alegaram que o requerimento é dirigido à Presidência do STF “porque a condução dos feitos relacionados à operação Compliance Zero encontra-se, neste momento, em situação de indefinição”.
Segundo esse pedido da defesa, o prazo de 90 dias para nova revisão da prisão já acabou. A prisão preventiva inicial foi cumprida em 4 de março de 2026 e o segundo ciclo de mais 90 dias terminou em 31 de agosto. Os advogados sustentam, portanto, que o STF deve fazer uma nova análise da detenção.
A defesa também afirmou a Fachin que houve um “esvaziamento dos motivos que levaram à prisão”, como intimidações, valores encontrados na conta do pai de Vorcaro e seu poder econômico e influência política, e que esses fatores teriam sido "neutralizados ou perdidos na atualidade".
Como mostrou a CNN, a crise no STF é vista pela defesa de Vorcaro como uma possibilidade maior para que os advogados consigam que o banqueiro deixe a cadeia. A incerteza no andamento do processo na Suprema Corte é citada diretamente também em outro trecho do pedido de liberdade:
“Na sessão plenária de 15 de setembro de 2026, a própria definição da relatoria e da competência para a condução dos procedimentos correlatos foi objeto de questão de ordem, cujo julgamento foi suspenso por pedido de vista. Não restou definida, portanto, autoridade com competência para exercer, com segurança, a revisão a que se refere o parágrafo único do artigo 316 do Código de Processo Penal senão o Presidente, ao qual os autos foram remetidos”, diz a solicitação da defesa

Ficar alguns minutos olhando pela janela, tomar um café sem mexer no celular ou simplesmente deixar os pensamentos vagarem pode parecer perda de tempo em uma rotina marcada pela produtividade. Mas quando não se está fazendo nada, o cérebro não fica parado. Ele apenas muda a forma de funcionar. Quando interrompemos a produtividade visível, a mente aciona redes neurais altamente complexas, que são essenciais para a criatividade, a saúde mental e o equilíbrio emocional.
Em momentos de menor demanda externa, ganha espaço a chamada rede de modo padrão, associada a processos como lembranças, imaginação, planejamento e reflexão. Estudos também indicam que períodos de repouso acordado podem contribuir para a consolidação de memórias, embora os efeitos variem conforme as condições.
“Pausa não é ausência de funcionamento. É uma mudança na forma de funcionamento”, explica a psicóloga Denise Milk, especialista em comportamento e desenvolvimento de lideranças. Segundo ela, durante o ócio, a mente pode integrar experiências, organizar informações, acessar memórias e estabelecer novas associações.
É por isso que uma solução pode surgir durante o banho ou uma caminhada, justamente quando a pessoa deixou de procurar ativamente por ela. “Nem toda solução nasce quando estamos olhando diretamente para o problema”, destaca Denise.
Ócio não substitui o sono
Embora o cérebro continue ativo durante esses momentos, isso não significa que ficar parado tenha os mesmos efeitos de dormir.
A neuropsicóloga e mestre em psicologia Keilla Gonçalves explica que o ócio acordado e o sono correspondem a estados diferentes. Durante o sono, especialmente nas fases mais profundas, acontecem processos fundamentais para a recuperação do organismo e a consolidação de memórias.
A privação de sono, por outro lado, está associada a prejuízos de atenção, memória e funções executivas. Por isso, uma pausa durante o dia pode aliviar temporariamente a fadiga, mas não substitui uma noite bem dormida.
Quando a pausa vira mais estímulo
Um dos obstáculos para o descanso está justamente no hábito de preencher cada intervalo com o celular.
Esperar o elevador, ficar alguns minutos na fila, tomar um café ou aguardar uma reunião começar pode se tornar, imediatamente, o momento perfeito a ser preenchido por uma tela.
O problema não é o aparelho, mas a sucessão constante de estímulos. Notificações e interrupções podem prejudicar a atenção, enquanto o uso de telas à noite pode interferir no sono por meio da exposição à luz e do estímulo cognitivo.
“Às vezes, o que chamamos de descanso é apenas uma troca de demanda: saímos da tela do trabalho e entramos na tela dos celulares”, resume a psicóloga.
Por que sentimos culpa ao parar?
A dificuldade de ficar sem fazer nada também tem relação com a cultura da produtividade. Para Denise, muitas pessoas passaram a associar o próprio valor à quantidade de tarefas realizadas.
“Descansar deixou de ser uma necessidade humana e passou a ser quase uma recompensa: ‘eu descanso depois que terminar tudo’. Só que esse ‘tudo’ nunca termina”, afirma.
Nesse cenário, parar pode trazer à tona pensamentos e emoções que a atividade constante ajudava a manter em segundo plano. Entre os sinais de que a mente pode estar sobrecarregada estão irritabilidade, dificuldade de concentração, esquecimentos, sensação de cabeça cheia e necessidade constante de estímulo.
Reaprender a ficar sem estímulo
Para quem vive em alta velocidade, a recomendação é não começar com longos períodos de silêncio. Denise sugere pequenas mudanças: tomar café sem celular, fazer um trajeto curto sem áudio, esperar sem abrir uma tela ou caminhar sem responder mensagens. “É quase uma reeducação da atenção”, afirma.
Keilla também destaca a importância de reduzir estímulos antes de dormir e manter uma rotina regular de sono. Em casos de insônia persistente, a terapia cognitivo-comportamental para insônia poder ser considerada uma das principais abordagens terapêuticas.

Diante das frequentes ondas de calor e do aumento exponencial na conta de luz, impulsionado pelo uso do ar-condicionado, a busca por alternativas sustentáveis de refrigeração tornou-se prioridade. Entre as inovações, estão os materiais de resfriamento radiativo passivo: tintas, filmes e tecidos tecnológicos capazes de baixar a temperatura de superfícies mesmo sob sol pleno, totalmente sem consumo de energia elétrica.
A física por trás dessa tecnologia baseia-se em um conceito chamado seletividade espectral. Como explica o mestre em ciência de materiais José Ribamar, esses materiais agem de forma oposta aos revestimentos comuns.
“A tinta convencional apenas reflete a luz visível, mantendo a superfície na mesma temperatura do ar. Já os materiais de resfriamento radiativo refletem a maior parte da radiação solar e possuem alta emissividade no infravermelho médio”, aponta.
Esse processo faz com que o material troque calor diretamente com o espaço através da chamada “janela de transparência atmosférica” (na faixa de 8 a 13 micrômetros). O resultado prático é um saldo radiativo negativo: a superfície consegue ficar entre 10 °C e 15 °C abaixo da temperatura do ar ao redor, superando os ganhos térmicos por condução e convecção.
Para alcançar esse comportamento, a nanotecnologia desempenha um papel fundamental. Betina Zanetti, doutora em nanotecnologia e diretora da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), destaca que o segredo está na manipulação da matéria em escalas microscópicas.
“Quando controlamos composição, tamanho de partículas, porosidade e organização estrutural, selecionamos como o material interage com a radiação solar para evitar o aquecimento e emitir calor eficientemente”, detalha a especialista.
Contudo, os especialistas são categóricos: o resfriamento radiativo passivo não substitui o ar-condicionado, mas atua como um aliado estratégico. O material passivo apenas alivia a carga térmica de superfícies, enquanto o ar-condicionado cooling remove ativamente o calor de volumes fechados de ar, permitindo o controle exato da temperatura.
Além disso, a tecnologia passiva enfrenta limitações ambientais. “O processo perde eficiência com umidade relativa acima de 60%, céu nublado ou ar parado, pois o vapor d’água absorve o infravermelho e devolve a radiação para a superfície”, explica Ribamar.
Alta ocupação humana ou calor interno gerado por eletrônicos também exigem a intervenção da refrigeração elétrica.
O verdadeiro trunfo da tecnologia está na prevenção e no impacto urbano. “O diferencial é que esses materiais atuam antes do consumo de energia. Evitar a entrada do calor reduz a demanda elétrica e o pico de consumo”, ressalta Betina. Em escala urbana, a aplicação em telhados e fachadas pode mitigar o efeito das ilhas de calor nas grandes metrópoles.
O principal obstáculo para a popularização, sobretudo em tecidos e tintas comerciais, reside na durabilidade das nanoestruturas frente à poeira, à chuva e aos raios UV. Superado esse desafio de engenharia, a tecnologia passiva se consolida como uma peça-chave na arquitetura sustentável e, possivelmente, na transição energética global.

Os Estados Unidos deportaram mais de 25.000 pessoas com base em acordos secretos estabelecidos com 35 países para receber migrantes que não têm vínculos com estas nações, segundo uma investigação publicada nesta segunda-feira (21).
Desde que o presidente Donald Trump assumiu o cargo em janeiro de 2025, o governo dos Estados Unidos assinou acordos com países em desenvolvimento para que recebam migrantes que não podem ser enviados legalmente de volta para suas nações de origem.
A investigação da organização sem fins lucrativos Forbidden Stories revela que o governo destinou 410 milhões de dólares (2,1 bilhões de reais) para entrega direta aos países receptores ou para organismos da ONU, com o objetivo de facilitar as deportações.
Pelo menos 25.447 pessoas foram deportadas para terceiros países até 31 de agosto de 2026, segundo dados compilados pela Forbidden Stories em conjunto com um consórcio de jornalistas internacionais.
A grande maioria — quase 20.000 — foi enviada para o México, enquanto as demais pessoas foram distribuídas entre outros 27 países da América Latina, África e Pacífico. Além disso, foram estabelecidos acordos com outros sete Estados.
Os acordos variam, inclusive a respeito das nacionalidades das pessoas que podem ser deportadas e se os países aceitam pessoas com antecedentes criminais.
Limbo legal
Uma investigação da AFP publicada no início do ano revelou que Washington está utilizando proibições de vistos e restrições contra países africanos para pressioná-los a aceitar deportados.
Advogados afirmaram à AFP que os deportados entram em um “limbo jurídico”, retidos sem acusações em países com os quais não têm vínculos e onde contam com poucos direitos, quando têm algum.
A Forbidden Stories detalhou que 49 dos 54 países da África foram contactados para avaliar se aceitariam deportados de terceiros países.
Uma divisão relativamente desconhecida do Departamento de Estado, o Escritório de Remigração — criado em maio de 2025 —, conduziu a maior parte das negociações e dos pagamentos, segundo a organização.
O escritório é dirigido por Christian Jove Ehrhardt, um diplomata de 41 anos que já atuou como agente de segurança.
O relatório detalha suas visitas a Camarões, país que, em dezembro do ano passado, assinou um memorando de entendimento com os Estados Unidos para aceitar deportados. Uma semana depois, também assinou um acordo para um programa de assistência em saúde de cinco anos, no valor de quase 400 milhões de dólares (2,05 bilhões de reais).
No mês seguinte, o Departamento de Estado indicou que forneceria outros 30 milhões de dólares (154 milhões de reais) para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em Camarões para “facilitar o retorno voluntário de refugiados e combater a imigração ilegal”.
O primeiro avião com deportados chegou a Camarões em 14 de janeiro.
Pagamentos
Outros acordos incluem pagamentos diretos a governos. Palau, uma pequena nação insular do Pacífico com uma população de menos de 18.000 habitantes, assinou, em dezembro de 2025, um acordo para aceitar até 75 cidadãos de terceiros países em troca de 7,5 milhões de dólares (38 milhões de reais). Até o momento, no entanto, apenas três pessoas foram enviadas ao país com base no acordo.
Essuatíni recebeu 32 pessoas desde julho de 2025, de um total potencial de 160 contemplado em um acordo avaliado em mais de 5 milhões de dólares (25 milhões de reais). Segundo a investigação, o país aceitou deportados com antecedentes criminais.
Dos 410 milhões de dólares previstos para os acordos, documentos internos do Departamento de Estado mostraram que 81 milhões de dólares (416 milhões de reais) estavam destinados aos governos signatários.
O restante estava destinado para organizações de ajuda, incluindo mais de 178 milhões de dólares (916 milhões de reais) para a Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU e US$ 123 milhões (R$ 623 milhões) para o ACNUR.
As agências enfrentam críticas por sua participação, mas o ACNUR afirmou à organização Forbidden Stories que não é parte dos acordos bilaterais e que os fundos americanos são utilizados de acordo com seu mandato para fortalecer os sistemas de asilo.
Um porta-voz da OIM disse à Forbidden Stories que as decisões da agência de aceitar fundos são baseadas “em uma única pergunta: se nossa participação vai melhorar a vida dos migrantes afetados. Nestes casos, acreditamos firmemente que sim”.