Um ex-agente de segurança que trabalhava para a família de Michael Schumacher foi preso por supostamente ter desempenhado um papel fundamental na tentativa de chantagem de pessoas próximas ao ex-piloto da Fórmula 1, informou nessa sexta-feira (5) o Ministério Público de Wuppertal (oeste da Alemanha).
O homem de 52 anos foi preso na quinta-feira no âmbito da investigação deste caso, revelado no final de junho, informa o Ministério Público.
"O suspeito teria sido empregado no passado como agente de segurança da família Schumacher e encarregado, entre outras coisas, de digitalizar imagens privadas", segundo a mesma fonte.
O acusado teria desempenhado o papel de intermediário entre a família Schumacher e os dois acusados de chantagem, em prisão provisória.
Os dois homens, de 53 e 30 anos respectivamente, disseram a pessoas próximas dos Schumacher que possuem informações comprometedoras sobre o ex-piloto, de 55 anos, que sofreu um traumatismo craniano há mais de uma década, segundo um comunicado da promotoria publicado no final de junho.
Em troca de não divulgarem as informações na 'Deep Web', exigiram uma indenização milionária, informou o comunicado.
Eles podem ser condenados a cinco anos de prisão pelo crime de chantagem.
Schumacher, que foi sete vezes campeão mundial de Fórmula 1 e marcou época entre 1994 e 2004, sofreu um grave acidente enquanto esquiava na França, em dezembro de 2013. Depois de seis meses em coma no hospital, passou a receber atendimento médico em casa, mas pouco se sabe sobre seu atual estado de saúde.
A condição está na mesa: o West Ham só aceita negociar Lucas Paquetá se for de maneira definitiva. O Flamengo sabe disso e se cerca de cuidados jurídicos que justifiquem o investimento para trazer de volta para casa o meia da seleção brasileira.
O risco é inerente à operação. Está claro para o Flamengo que em condições normais de mercado não haveria nenhuma possibilidade de repatriar Lucas Paquetá a esta altura da carreira. Há dois anos, o West Ham investiu mais de 60 milhões de euros no jogador e o valor estimado antes da acusação de envolvimento em apostas girava perto dos 100 milhões de euros.
Lucas Paquetá durante o hino antes de Flamengo x Atlético-PR — Foto: Pedro Martins / SOCCERIS
Neste cenário, os ingleses são taxativos: aceitam, sim, negociar, mas sequer sentam na mesa para discutir empréstimo. Diante do risco de uma grave punição por parte da Federação Inglesa, o West Ham entende que recuperar ao menos parte do valor investido é a única alternativa que lhe resta.
Em negociação há cerca de um mês, o Flamengo sabe há, no mínimo, três semanas que uma cessão temporária com compra condicionada ao julgamento é rechaçada pelo clube de Londres. A partir daí, foi atrás de fundamentos para avaliar o investimento para a compra definitiva.
Internamente há uma estimativa de que o veredito da investigação não sairá em um período breve e há recursos suficientes para mantê-lo em atividade mesmo em caso de sanção.
O Flamengo acionou o escritório de advocacia Bichara e Motta, especialista em FIFA, para consultoria com o intuito de entender o desenrolar jurídico caso Paquetá seja punido. O parecer é de que há recursos que poderiam manter o atleta em atividade e até mesmo tentar manter a sanção apenas para dentro da Inglaterra.
Lucas Paquetá no Maracanã na torcida pelo Flamengo contra o Millionarios — Foto: André Durão
De maneira didática, a partir do momento que for dado o veredito, Lucas Paquetá poderá recorrer na própria Federação Inglesa e em um segundo momento na Corte Arbitral do Esporte (CAS). Neste cenário, enquanto a pena estiver vinculada ao futebol inglês, o meia poderia seguir em atividade no Brasil.
Há ainda a parte que cabe à FIFA, que habitualmente nestes casos homologa a pena a nível mundial - o que costuma acontecer meses após a condenação. Assim, caberia recurso no Comitê de Apelação da entidade e, em última instância, novamente no CAS.
Paquetá comemora gol do Brasil contra o Paraguai — Foto: Buda Mendes/Getty Images
Brechas jurídicas que são postas na mesa para que o Flamengo decida sobre o investimento. Enquanto a negociação se desenrola, Lucas Paquetá segue concentrado com a Seleção para a disputa da Copa América. O jogador já deu o ok para que as partes avancem e, caso os clubes se entendam, sentará para negociar suas condições com o clube do coração.
Com Lucas Paquetá à disposição e sem Vini Jr, o Brasil encara o Uruguai de Arrascaeta, De la Cruz, Viña e Varela neste sábado, às 22h (de Brasília), no Allegiant Stadium, em Las Vegas, pelas quartas de final da Copa América. Quem vencer, pega Colômbia ou Panamá na semifinal.
Zumbi e CEO estarão na disputa da Segundinha em 2024. Divulgação/FAF
O Campeonato Estadual da 2ª Divisão é a principal competição do segundo semestre em Alagoas. Nesta terça-feira (2), após o encerramento do período de inscrições, a Federação Alagoana de Futebol (FAF) convocou os clubes inscritos para o Conselho Arbitral do torneio, que está marcado para o dia 12 de julho, às 14 horas, no Estádio Rei Pelé. Ao todo, 12 clubes estarão na disputa.
Entre os participantes, estão figuras recorrentes, clubes tradicionais e seis campeões da divisão. Os inscritos foram: CEO, Dimensão Saúde, Desportivo Aliança, FF Sport, Igaci, Capela, Guarany, Jaciobá, Miguelense, São Domingos, Zumbi e Penedense B. Inclusive, o clube ribeirinho foi a maior surpresa entre os inscritos e deve mandar um elenco formado por jovens.
Desses clubes, CEO, Dimensão, Aliança, Igaci, Capela, Jaciobá e São Domingos já foram campeões. O Zumbi, por outro lado, já foi vice-campeão em cinco oportunidades.
Mantendo o formato de anos anteriores, o campeonato ainda será disputado pela categoria Sub-23, com limite de contratações de jogadores acima dos 23 anos.
No Conselho Arbitral, deverão ser definidos a fórmula de disputa e se haverá desistentes antes de a competição iniciar. A FAF estabeleceu um prazo limite de até dois dias antes da realização do Conselho, para que os clubes com eventuais pendências possam regularizar suas situações.
Ainda não há uma data para o torneio iniciar, mas a previsão é entre a metade final de agosto e o início de setembro. Além disso, apenas o campeão conquista o acesso para a elite do futebol alagoano em 2025.
Mano Menezes vai comandar seu primeiro treino no Fluminense nesta terça-feira. Além de irar o Tricolor da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, o gaúcho de 62 anos terá outras missões neste início de trabalho. A principal delas é mudar o ambiente do CT Carlos Castilho e o estilo de jogo da equipe. A outra pode ser a troca de peças, dependendo do desempenho de cada um.
O ambiente foi um dos fatores que fez o Fluminensevoltar atrás na ideia de manter Marcão até dezembro e contratar Mano Menezes. Como o elenco trabalhou por mais de dois anos no "Dinizismo", há uma natural reação de tristeza por parte de alguns jogadores após a saída do antigo treinador. Mas o Fluminense não tem tempo a perder no Campeonato Brasileiro e precisa superá-lo o quanto antes. Mano Menezes seria responsável por "energizar" o grupo novamente.
Cabe destacar que Marcão continua tendo a confiança da diretoria do Fluminense. Mas, no atual cenário, esbarrou no fato de já estar inserido no dia a dia do elenco e no ambiente de trabalho, o que poderia atrasar essa mudança. Com a lanterna do Campeonato Brasileiro em mãos, o clube não poderia perder mais tempo.
Mano Menezes em Corinthians x Inter — Foto: Marcos Ribolli
Sobre estilo de jogo, Mano terá liberdade para impor aquilo que deseja. O seu perfil bate com o que foi buscado pelo presidente Mário Bittencourt, pelo diretor executivo Paulo Angioni e diretor de planejamento Fred: um comandante com bom histórico no Brasileirão de pontos corridos, de estilo mais defensivo e jogo equilibrado.
Além disso, o fato de Mano conhecer e ter trabalhado com alguns atletas do grupo, o que facilitaria a gestão do dia a dia. No atual elenco do Fluminense, ele já trabalhou com 11 atletas.
Por fim, Mano Menezes é visto como alguém experiente para lidar com um vestiário recheado de medalhões, como Thiago Silva, Felipe Melo e Marcelo. A sua chegada não significa que todos os jogadores de maior idade serão barrados de imediato, mas é esperado que ele mantenha o seu estilo de pulso firme para retirar alguém que não agrade ou não esteja rendendo.
Por ter um estilo mais defensivo do que Fernando Diniz, é natural esperar trocas de peça e também de esquema tático.
Mano Menezes chega ao Fluminense parar tirar o clube da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Neste momento, o Tricolor é o lanterna, com apenas seis pontos em 13 rodadas.
Desde que cortou Gabigol da partida com o Cruzeiro, o departamento de futebol do Flamengo decidiu analisar jogo a jogo sobre a utilização ou não do atacante na sequência da temporada. Para o duelo da próxima quarta-feira, contra o também mineiro Atlético, em Belo Horizonte, o comando da pasta já definiu que Gabigol não viaja.
Foi com essa decisão tomada que os homens que cuidam do futebol deixaram o Maracanã. A mudança de panorama só aconteceria diante de uma improvável reviravolta na negociação de renovação de contrato. Gabigol tem cinco jogos no Campeonato Brasileiro. Se ele chegar a sete, não poderá mais disputar a competição por outro clube ainda em 2024.
Mas Júnior Pedroso, agente de Gabigol, afirmou que já trabalha no sentido de conseguir um novo clube para o cliente. Marcos Braz, por sua vez, disse que um entendimento está cada vez mais distante.
— O Flamengo não está abrindo mão do Gabriel. O Flamengo ainda tem contrato com o Gabriel até 31/12. Caso não seja viável nessa próxima semana ou na outra a saída dele, ele continuará aqui no Flamengo fazendo o que tem de fazer e exercendo o contrato até o final. Não quer dizer que a gente vai abrir mão. A renovação continua muito difícil.
Embora o Flamengo projete jogo a jogo, a tendência é que Gabigol não atue pelos nas duas próximas semanas. O clube quer entender se o staff do camisa 99 conseguirá uma proposta satisfatória para viabilizar a saída já na próxima janela, que abre no próximo dia 10.
Por outro lado, o Flamengo se resguarda para uma eventual baixa no setor de ataque. Se por ventura Pedro tiver algum problema de cartão ou lesão, ainda daria para ter Gabigol num eventual sexto jogo. Como o titular - artilheiro do Brasil em 2024 com 24 gols em partidas oficiais - segue bem fisicamente, o Rubro-Negro evita colocar Gabriel Barbosa no limite de jogos.
Gabigol vive seu momento mais delicado dentro do Flamengo — Foto: André Durão / ge
Embora sempre tenha sido o dirigente que mais fez força por Gabigol dentro do Flamengo, Marcos Braz não esconde que a outrora relação visceral e inabalável composta por 286 jogos, 156 gols e 12 títulos está no fim. Por isso, o vice de futebol diz que o Rubro-Negro trabalha de forma colaborativa com Júnior Pedroso no sentido de resolver o futuro de Gabriel fora da Gávea.
- Mais uma vez: ele não está afastado de absolutamente nada no dia a dia, vai treinar nos mesmos horários, vai fazer as mesmas atividades. Somente nesse período curto a gente deu uma segurada para ver se a gente ajuda o empresário e a decisão do empresário dele de procurar o novos ares.
A boa fase do Botafogo na temporada 2024 tem como um dos personagens o atacante Luiz Henrique. Contratado há quatro meses como o jogador mais caro da história do futebol brasileiro, o atacante vem se firmando no sistema e participando da construção do terceiro colocado do Brasileirão.
O camisa 7, que foi revelado pelo rival Fluminense, chegou ao Brasil após um período de pouco mais de um ano na Espanha, em que defendeu o Real Bétis. O período na Europa ajudou na evolução do atacante e ele apontou as diferenças que sentiu entre o futebol nos dois países.
- Eu sinto muito diferença que o jogo lá é mais corrido que aqui no Brasil. Aqui tem bastante espaço para pensar, fazer as jogadas. Lá na Europa não. Quando você pega a bola já tem três caras em cima de você. Por isso, acho que o europeu é muito mais difícil que o brasileiro - afirmou o atacante.
Acho que [a diferença] é mais a velocidade mesmo, a pegada. Os europeus têm mais gana que os jogadores brasileiros
— Luiz Henrique
Apesar de ter passado pelo Bétis, foi só na volta ao Brasil que Luiz Henrique trabalhou com um treinador europeu pela primeira vez, já que o time espanhol é treinado pelo chileno Manuel Pellegrini desde 2020.
Com Artur Jorge, passou a ser utilizado em diferentes funções e posicionamentos. O português passou a utilizar o ponta cada vez mais centralizado, o que o jogador tratou como algo positivo para o futuro da carreira.
- Vai me ajudar muito. O Artur Jorge é um treinador europeu, conhece a Europa. Tá me ajudando a cada treino, cada jogo. Isso vai me ajudar até mais lá na frente. Ele vem ajustando meu posicionamento, minha forma de jogar, porque eu nunca joguei naquela posição - completou.
Luiz Henrique, do Botafogo — Foto: Vítor Silva/Botafogo
Com Luiz como titular, o Botafogo volta a campo neste sábado, às 18h30, em São Januário para enfrentar o Vasco pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro. A equipe é a terceira colocada da competição.
O Flamengo está próximo de acertar a contratação de um desejo antigo: Marcos Antônio, meio-campista que pertence à Lazio, da Itália. O jogador de 24 anos é acompanhado há algum tempo pelo scout rubro-negro, e o clube discute detalhes para concluir a transferência por empréstimo - em caso de compra após o período de cessão, o Flamengo pode pagar de 5 a 6 milhões de euros.
"Bahia" voa de Poções a Seleção ao lado de Vini
Nascido em Poções, na Bahia, Marcos Antônio, foi para o Athletico-PR aos 11 anos de idade e lá ficou até os 18. Integrante da geração de Vinicius Junior e Paulinho, virou jogador de seleção brasileira e sagrou-se campeão sul-americano sub-15 e sub-17. Uma briga entre Mario Celso Petraglia, dirigente do Furacão, e a empresa que o representava à época encerrou a passagem por Curitiba, e o jovem deixou o clube sem ter realizado nem uma partida sequer como profissional.
Marcos Antônio, que ganhou o apelido de Bahia ainda na base do Athletico, profissionalizou-se com a camisa do Estoril, de Portugal. Depois de apenas seis jogos, transferiu-se para o Shakhtar Donetsk, da Urcrânia, onde viveu o melhor momento da carreira. Depois de três temporadas, chegou à Lazio, da Itália. Não se firmou e acabou emprestado ao Paok, da Grécia.
No clube ucraniano, entrou em campo em 102 jogos - 62 como titular - e marcou oito gols entre 2019 e 2022. O bom futebol fez a Lazio desembolsar 8 milhões de euros para contratá-lo. Mas na liga italiana, não conseguiu se firmar e fez apenas 22 jogos (nove como titular) antes de ser emprestado para o Paok, da Grécia, no último ano. Na equipe grega, fez 17 jogos e saiu do banco 10 vezes.
"Retrato falado do meio-campista clássico"
Para apresentar o baixinho de 1,68m à torcida do Flamengo, o ge conversou com três jornalistas que acompanharam de perto diferentes momentos da carreira do atleta, Raphael Zarko, Rodrigo Coutinho e Andersinho Marques. Completa o time de especialistas o treinador Guilherme Dalla Déa, que o dirigiu no título sul-americano sub-15 de 2015 e foi auxiliar da comissão de Carlos Amadeu na conquista da mesma competição no sub-17, em 2017.
Raphael Zarko
- Ele é o retrato mais bem falado da figura do meio-campista clássico. Acompanhei na Seleção sub-17 e na sub-20, ouvia maravilhas sobre ele do saudoso Carlos Amadeu, que o treinou nas duas categorias, e o enxergava no futuro da Seleção.
- Claro que o futebol tem diversos obstáculos e não há como negar que os seus 1,68m contribuem para uma dificuldade em mostrar toda sua qualidade no meio de jogadores muito mais altos e mais fortes. Mas ele tem inteligência em posicionamento, nos passes de primeira, nos lançamentos precisos, nas tabelas curtas. O enxergo jogando ao lado e um pouco à frente do primeiro meio campista escalado por Tite, com a certeza de que pode ajudar muito um elenco tão forte como o do Flamengo - comentou Raphael Zarko, jornalista do Grupo Globo que acompanhou Marcos Antônio nas convocações.
Zarko ainda destacou que enxergava em Bahia um jogador raro, com características de meio-campistas muito técnicos que fizeram sucesso no futebol sul-americano entre os anos 90 e 2000. Ricardinho, comentarista do Sportv, foi um dos citados.
- Em 2020, fiz matéria antes da Copa sobre a ausência de meias (clique aqui e leia) e lembrei que André Jardine - ainda na sub-20 - o convocara para amistosos num contexto de pouquíssimos jogadores de criação - porque geralmente viram pontas ou algo parecido. Bahia me lembra um pouco Ricardinho pela capacidade de conduzir a equipe ao ataque, de trocar de lado junto com a bola. Um tipo de jogador que a Argentina sempre produziu muito mais do que o Brasil - Veron era esse jogador. Riquelme, embora mais avançado, também era.
Marcos Antônio, ex-Athletico-PR e Shakhtar, comemora seu primeiro gol pela Lazio — Foto: Jennifer Lorenzini/Reuters
Andersinho Marques (Rede 98 e Mondo Sportivo)
Brasileiro que atua na Itália há 24 anos, o jornalista Andersinho Marques acredita que o brasileiro não conseguiu se firmar no "Calcio" devido ao pragmatismo tático de muitos treinadores que por lá militam. Marques, porém, citou o "pé maravilhoso" de Marcos Antônio para encaixar passes.
- Ele foi muito bem na Lazio, mas deu azar porque italiano é muito complicado com tática, e há certos treinadores que não dão o braço a torcer. Esse ano ele fez um bom campeonato na Grécia. Ele é dinâmico, é veloz e muito bom tecnicamente. Tem a capacidade de jogar em qualquer time no Brasil e ser titular absoluto sem nenhum problema. Ele é um jogador muito inteligente, muito veloz e tem um pé maravilhoso para passes - destacou Andersinho.
Rodrigo Coutinho (comentarista)
Embora tenha atuado por muitas vezes com um camisa 5, Marcos Antônio é visto por Rodrigo Coutinho como um segundo homem de meio-campo ou um meia para atuar à frente do volante central. O comentarista do Grupo Globo destaca que acompanhou o atleta mais na época em que atuava pelas seleções brasileiras de base e no início do Shakhtar Donetsk.
- Ele é um meio-campista de muita técnica. Eu sempre vi muito potencial nele, de drible curto, passe, capacidade de organização, visão de jogo. Dá muita dinâmica para circulação de bola no time. Ele só não é um jogador que se impõe fisicamente. Ele é baixinho e franzino. Jogo com duelo físico no meio-campo ele tem dificuldade. Com a bola no chão, jogo controlado, com a posse, ele se destaca. Ele pode chegar e jogar muito bem no Brasil. Não sei como está no momento, mas a teoria e a parte técnica dele são de alto nível - comentou Rodrigo Coutinho, comentarista do Grupo Globo.
Embora admita que tenha assistido a menos partidas a partir do momento em que Marcos Antônio chegou à Itália, Rodrigo Coutinho cita o fato de o atleta ter conseguido ter minutos com Roberto De Zerbi e Maurizio Sarri comprova a qualidade do baiano.
- Foi comandado por vários treinadores que prezam muito a qualidade do meio-campista. O Roberto De Zerbi, que foi técnico do Brighton nessas temporadas e é um cara chatíssimo com essa questão, até da forma que o jogador domina a bola, como ele vai dar o próximo passe em campo. E também o Maurizio Sarri, que fez um time muito bom no Napoli, passou pela Juventus e estava na Lazio recentemente. Ele é o cara responsável por desenvolver o Jorginho, que é volante da seleção italiana. Se ele não tivesse qualidade, ele não jogaria com nenhum desses caras, e ele foi em algum momento titular desses caras nos clubes em que ele foi treinado.
Guilherme Dalla Déa
Atual treinador do time sub-20 do Atlético-MG, Guilherme Dalla Déa foi figura importante no crescimento de Marcos Antônio dentro da Seleção. O comandou na conquista do Sul-Americano Sub-15 em 2015 e, como auxiliar de Carlos Amadeu (que morreu em 2020 após ataque cardíaco), o ajudou a se consolidar com a Amarelinha no sub-17.
- O Bahia é um atleta muito dinâmico, que entendia muito da questão tática, de espaço. Ele sempre foi um 5 e um 8 no Athletico-PR. E se encaixou muito bem na ideia que o Amadeu tinha no Sul-Americano de 2017. Já estando no sub-17, ele foi muito bem. O meio tinha Bobsin, Marcos Antônio, Vitinho, do Corinthians, e depois apareceu o Alanzinho, do Palmeiras. Tínhamos um trio de meio-campo fantástico, cada um com sua particularidade.
- Bahia sempre foi um jogador box-to-box, andava muito para frente, com a perna rápida demais, apesar de ele não ter aquela biotipia tão avantajada. Mas ele supria através da dedicação e da característica de se entregar muito para a equipe. Jogador muito técnico e muito inteligente para o espaço. Ele é um controlador do jogo, acelera e dá timing para o jogo. Isso nos chamava muita atenção na seleção brasileira.
Dalla Déa cita um vídeo divulgado pela CBF antes da disputa do Mundial Sub-17 (veja no topo da matéria), em 2017, em que Marcos Antônio chora ao falar do início no Athletico-PR. O atleta se emociona ao lembrar que deixou Poções aos 11 anos de idade. Para o treinador, a renúncia deu resultado.
- Jogava muito por trás, pisava muito na área. Era um atleta que sempre nos chamou atenção pela dedicação. Ele já sabia que estava chegando a uma geração fantástica e tomou conta do meio-campo junto com o Bobsin. Menino que sempre foi muito dedicado, um jogador muito técnico e agregador. Quando fomos para a Copa do Mundo Sub-17, tinha um depoimento de todos os atletas. E ele foi um dos que chamou atenção pela fala dele, pela questão familiar e por tudo do que ele abriu mão. E vivendo um sonho de jogar a Copa do Mundo pela Seleção. É bem emocionante, e ele também se emociona.
Por fim, Dalla Déa destaca que Tite e Cleber Xavier, auxiliar do treinador, têm muitas informações sobre Marcos Antônio por terem dialogado muito com as comissões técnicas da seleções inferiores.
- Pelo que eu vi na reportagem de hoje, o Flamengo está atrás. O Clebinho (Cleber Xavier) e o professor Tite sabiam dessa geração, tinham baita conhecimento sobre, principalmente o Clebinho. Tínhamos uma sinergia e falávamos de vários jogadores que teriam grande potencial para servir à seleção brasileira principal.
Marcos Antônio em pré-temporada da Lazio — Foto: Getty Images
Flerte antigo
Marcos Antônio é um desejo antigo do Flamengo, que acompanha a sua carreira na Europa de forma constante principalmente nos últimos dois anos. O investimento, no entanto, só se tornou viável nesta janela de transferência.
O ge apurou que as partes conversaram e encaminharam um acordo na janela do início do ano. Porém, Marcos Antônio estava defendendo o Paok, e o contrato não previa o direito da Lazio pedir o retorno do atleta naquele momento.
Agora, o Flamengo retomou o contato e negocia com o clube italiano o empréstimo por um ano com opção de compra. As três partes estão dispostas a um acordo e tratam o acerto como questão de tempo para ser concretizado.
O Flamengo pagará um valor pelo empréstimo que será abatido um ano depois caso decida exercer a cláusula de compra. A expectativa é de que o valor de compra gire entre 5 e 6 milhões de euros, mais bônus.
Está em discussão ainda a cláusula de obrigação de compra. A Lazio deseja que o Flamengo a exerça caso o jogador atue em 50% dos jogos do clube no período de empréstimo. O Rubro-Negro avalia as condições para fazer sua contraproposta.
Policiais federais cumprem 11 mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (26) em uma operação que investiga possível manipulação de resultado em uma partida de futebol da série D do Campeonato Brasileiro.
A Polícia Federal não divulgou os nomes dos alvos, e nem detalhes sobre os times e a data da partida sob investigação.
A TV Globo apurou que a investigação é sobre uma partida entre Inter de Limeira e Patrocinense, no último dia 1º. O jogo foi disputado em Limeira, e o Inter venceu o Patrocinense por 3 a 0.
Segundo a PF, há indícios de que apostadores tinham "conhecimento prévio de que determinada equipe viria a perder o primeiro tempo da partida por ao menos dois gols".
Os mandados foram autorizados pela Justiça de São Paulo e são cumpridos nas cidades de Patrocínio (MG), São José do Rio Preto (SP), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Tanguá (RJ) e Nova Friburgo (RJ).
Segundo investigadores, os alvos incluem jogadores, empresário e o técnico que comandava o Patrocinense na época da partida. Há, também, buscas na sede do time em Patrocínio.
Tabela do grupo A7 da série D do Brasileirão — Foto: ge/reprodução
Ofício da Sportradar alertou CBF
Segundo a Polícia Federal, a investigação começou após um ofício da Sportradar à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com uma suspeita identificada.
A multinacional, com sede na Suíça, desenvolve tecnologias para ajudar federações a identificarem fraudes esportivas. A SportRadar e a CBF têm um protocolo de entendimento assinado para colaborar na investigação desses casos.
Segundo o relatório da Sportradar, a movimentação nas casas de aposta dava a entender que os apostadores tinham conhecimento prévio de detalhes da partida – por exemplo, que o time visitante (no caso, o Patrocinense) terminaria o primeiro tempo em desvantagem.
O "total de gols no primeiro tempo" é uma das variáveis em que um cliente das bets pode apostar, geralmente. No caso dessa partida, a aposta na derrota do Patrocinense foi quase unânime.
"De acordo com a empresa, 99% da tentativa da rotatividade no mercado de 'totais de gols do primeiro tempo' nesta partida foi para tal resultado", diz o material da PF.
"Durante a partida, verificou-se que a equipe visitante sofreu três gols ainda no primeiro tempo, sendo um deles contra", detalha o material divulgado.
Pena pode chegar a seis anos
De acordo com as informações preliminares da PF, uma empresa de agenciamento de jogadores está sendo investigada.
Ela teria firmado "parceria" com o Patrocinense para que seus atletas fossem contratados pelo time. Agora, a PF quer saber se a suposta manipulação de resultados existiu, e se foi negociada no contexto dessa parceria.
Se o esquema for confirmado, os envolvidos podem responder pelos chamados "crimes contra a incerteza do resultado esportivo", previstos na Lei Geral do Esporte. A pena varia de dois a seis anos de reclusão.
A PF diz atuar no caso com "autorização expressa do Ministro da Justiça e Segurança Pública, tendo em vista a repercussão nacional do caso, que exige repressão uniforme".
Novo atacante do Real Madrid, Kylian Mbappé notificou o PSG e exige o pagamento de mais de € 100 milhões (R$ 581 milhões) em salários e bônus atrasados. O atacante não teria recebido os vencimentos de abril e maio na equipe francesa. As informações são do jornal L’Equipe, Le Parisien e da rádio RMC Sport.
De acordo com o diário, a notificação veio por meio da Liga Profissional de Futebol (LFP). Além dos dois meses de salários atrasados, Mbappé também reivindica o pagamento de alguns bônus acordados, como a recompensa prevista pela permanência dele no clube em 2022. O craque recebia cerca de € 72 milhões (R$ 418 milhões) líquidos por ano no Paris Saint-Germain.
Mbappé, no banco da França contra a Holanda — Foto: Anna Szilagyi/EFE
A imprensa francesa previa uma batalha judicial entre o clube o jogador desde a decisão de Mbappé de não exercer a renovação por mais um ano com o clube, antes do acerto com o Real Madrid. Veículos franceses davam conta de que o PSG não pagaria o bônus de lealdade na totalidade.
No entanto, segundo o L’Equipe, nenhum acordo foi assinado, e os termos do contrato original ainda têm validade jurídica. Mbappé não pretende se desfazer que teria direito, e as duas partes devem brigar na Justiça. A notificação da LFP obriga o Paris a pagar seu ex-jogador até o dia 30 de junho. Ao jornal, o PSG limitou-se a dizer que “as negociações continuam”.
São grandes as chances de Ramón Díaz voltar para o Vasco.
O técnico argentino e seu filho, o auxiliar Emiliano Díaz, largam na frente das outras opções analisadas pelo clube e têm a preferência de Pedrinho, que está no mercado em busca de um treinador para substituir Álvaro Pacheco. O desejo da dupla de voltar aproxima as duas partes de um acerto.
O ge apurou que Ramón Díaz enxerga com bons olhos a possibilidade de voltar ao Vasco quase dois meses depois de sua saída. O argentino foi desligado do cargo depois da goleada sofrida para o Criciúma, no dia 27 de abril, pela quarta rodada do Brasileirão.
A pessoas próximas, Ramón já disse mais de uma vez que não gostaria sequer de ter saído. O que ocorreu nos momentos seguintes à derrota para o Criciúma em São Januário é motivo de discordância entre clube e treinador: o Vasco entende que ele pediu demissão, mas Ramón defende a tese de que foi demitido e se prepara para entrar com uma ação cobrando a multa contratual.
Ramón Díaz e Emiliano Díaz - Vasco x Fluminense — Foto: André Durão
Um acerto para o retorno de Ramón Díaz, inclusive, é tratado no Vasco como possível solução para essa questão.
Menos reservado que o pai, Emiliano vive flertando com o Vasco em publicações nas redes sociais, com declarações de amor ao clube e fotos utilizando o uniforme vascaíno.
Os dois estão no Rio de Janeiro neste momento por causa do aniversário de Emiliano. Neste sábado, o auxiliar e ex-jogador completa 42 anos de idade.
Pedrinho dispensa aposta
Com a saída do diretor-executivo Pedro Martins, Pedrinho tem as rédeas das negociações e não quer trazer um treinador de fora. Ele deseja trazer alguém que já conheça o elenco e o futebol brasileiro. A diretoria entende que o novo técnico precisará ter impacto imediato sobre a equipe, que não vence no Brasileirão desde o dia 12 de maio (2 a 1 no Vitória) e acabou de entrar na zona de rebaixamento.
Pedrinho e seus pares admitem que a briga do Vasco será contra o rebaixamento. O time tem sete pontos em 10 rodadas e ocupa no momento a 17ª posição na tabela, um ponto à frente dos lanternas Fluminense e Grêmio.
Em meio à crise vivida pelo Fluminense no Campeonato Brasileiro, torcedores picharam muros da sede do clube em Laranjeiras nesta quinta-feira. Um grupo escreveu frases cobrando a demissão do técnico Fernando Diniz e afirmando que o clube "vai virar o inferno".
Torcedores do Fluminense picham muros de Laranjeiras em meio a crise no Brasileirão — Foto: Reprodução
Os desempenhos em 2024 e 2008 - quando o clube lutou contra o rebaixamento em meio ao vice da Libertadores - são quase idênticos. A diferença está no saldo de gols: há 15 anos, o clube terminou a décima rodada com saldo negativo de quatro gols. Neste ano, a desvantagem no quesito é de oito.
Torcedores do Fluminense picham muros de Laranjeiras em meio a crise no Brasileirão — Foto: Reprodução
Novas fotos mostram que as frases de protesto foram cobertas pelo Fluminense já na noite desta quinta-feira. A matéria foi atualizada.
Torcedores do Fluminense picham muros de Laranjeiras em protesto; clube cobre — Foto: Reprodução
Álvaro Pacheco e sua comissão técnica em Palmeiras x Vasco — Foto: Ettore Chiereguini/AGIF
Durou pouco o trabalho de Álvaro Pacheco no Vasco. Anunciado como treinador da equipe no dia 21 de maio, ele foi demitido nesta quinta-feira, exatos 30 dias depois. Nesse tempo, foram quatro partidas disputadas, com três derrotas (para Flamengo, Palmeiras e Juventude) e um empate (com o Cruzeiro).
O português de 52 anos deixa o Vasco sem ter conquistado uma vitória sequer, portanto. Desde 2003, início da era dos pontos corridos no Brasileirão, isso jamais havia acontecido no Vasco, de acordo com levantamento do Espião Estatístico.
O Vasco teve 36 treinadores diferentes nesse período.
Álvaro Pacheco, por muito pouco, também não ficou marcado por outra marca negativa: ele agora é o segundo treinador do Vasco com a passagem mais curta desde 2003. O português perde apenas para Celso Roth, que em 2010 ficou 26 dias no comando do clube - na ocasião, Roth disputou cinco partidas, com uma vitória, um empate e três derrotas.
Veja o top-5 treinadores do Vasco com passagens mais curtas
O Botafogo quitou uma parte da dívida com o ex-treinador Luís Castro, que havia notificado o clube na Fifa por falta de pagamento. Assim, evita a chance de sofrer transferban e ficar impedido de registrar jogadores nas próximas três janelas.
Foi combinado entre as partes que o Botafogo quitaria o valor em cinco parcelas até dezembro de 2023. Apenas a primeira foi paga, ainda na época. O português entrou com a notificação, e o clube pagou mais uma. Assim, ainda faltam três parcelas.
Luis Castro durante Vasco x Botafogo — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Mesmo tendo pedido demissão para assumir outro clube, Luís Castro tinha dinheiro a receber do Botafogo em relação ao salário e 13º proporcionais, direitos garantidos pela lei brasileira, além de premiações previstas em contrato. O português abriu mão de juros e da multa por atraso.
O Alvinegro, portanto, cortou o risco de não poder inscrever jogadores. O clube, vale lembrar, já tem acordos fechados com o atacante Igor Jesus e o volante Allan para a próxima janela.
"Muitos pediram para que eu ignorasse, outros tantos disseram que minha luta era em vão e que eu deveria apenas "jogar futebol". Mas, como sempre disse, não sou vítima de racismo. Eu sou algoz de racistas. Essa primeira condenação penal da história da Espanha não é por mim. É por todos os pretos. Que os outros racistas tenham medo, vergonha e se escondam nas sombras. Caso contrário, estarei aqui para cobrar. Obrigado a La Liga e ao Real Madrid por ajudarem nessa condenação histórica. Vem mais por aí"
Vini Jr. está concentrado com a seleção brasileira nos Estados Unidos, para a disputa da Copa América no país. Saiu do banco e participou da vitória do Brasil sobre o México, por 3 a 2, em amistoso no Texas, no sábado passado, no qual o técnico Dorival Júnior optou por testar jogadores reservas desde o início. A Seleção enfrenta os EUA em outro amistoso nesta quarta, em Orlando, e estreia na Copa América no dia 24 de junho, contra a Costa Rica, em Los Angeles.
Em março deste ano, Vinicius Junior voltou ao estádio Mestalla para novo confronto entre Valencia e Real Madrid. O brasileiro fez os dois gols dos visitantes no empate em 2 a 2. De acordo com relatório da LaLiga, Vinicius foi alvo da torcida do Valencia em pelo menos três momentos do confronto deste ano.
Vini Jr Vinicius Junior Valencia x Real Madrid — Foto: Alex Caparros/Getty Images
Logo aos oito minutos, fãs locais cantaram "Vinicius, que tonto você é" e "Vinicius, que ruim você é". Depois, após ofensas contra o Real Madrid, a torcida Gritou "Tonto, tonto" e repetiu "Vinicius, que tonto você é" mais duas vezes, aos 23 minutos do primeiro tempo e aos cinco do segundo tempo.
Relembre os ataques racistas
Em 21 de maio, Vinicius sofreu o maior de todos os ataques racistas dentre vários sofridos nos últimos anos na Espanha. No Mestalla, em jogo entre Valencia e Real Madrid, já havia sido possível ouvir alguns gritos de "mono" (macaco, em espanhol) ao longo do jogo. Mas a situação explodiu aos 24 minutos do segundo tempo.
Numa jogada pela esquerda, Vinicius Junior foi atrapalhado por uma segunda bola dentro de campo. O atacante do Real Madrid reclamou disso com a arbitragem, e parte da torcida mais perto do gol do Valencia o hostilizou fortemente com xingamentos racistas.
Vinicius Junior, do Real Madrid, é xingado pelos torcedores do Valencia
Foto: Aitor Alcalde Colomer/Getty Images
Vinicius puxou o árbitro Ricardo De Burgos Bengoetxea para denunciar um determinado torcedor atrás do gol. Pelas imagens de transmissão e fotos, é possível ver que outros jogadores, dos dois times, tentam acalmar os ânimos. Caso do lateral-esquerdo Gayà, capitão do Valencia.
O árbitro então conversou com jogadores e com os técnicos dos dois times, além do quarto oficial. O sistema de som do Mestalla emitiu dois avisos: um de que a partida tinha sido paralisada por causa desse episódio de racismo, e o segundo de que ela só voltaria caso os xingamentos e cânticos fossem encerrados.
Foram cerca de oito minutos entre o início da confusão da segunda bola em campo, passando pela denúncia de racismo, até a retomada do jogo.
O segundo tempo continuou, e por volta dos 48 minutos do segundo tempo, começou mais uma confusão na área do Valencia. O goleiro Mamardashvili partiu para cima de Vinicius Junior — ambos receberam cartão amarelo inicialmente —, e outros atletas foram envolvidos.
Vinicius Junior discute com Mamardashvili durante o jogo entre Valencia e Real Madrid
Foto: Getty Images
No meio do empurra-empurra, o atacante Hugo Duro deu um mata-leão no brasileiro, segurando-o pelo pescoço. Ao se desvencilhar, Vinicius acertou o rosto do adversário. Acalmados os ânimos, o VAR chamou Burgos Bengoetxea, que reviu o lance e decidiu expulsar o brasileiro.
Após levar o cartão vermelho, Vinicius Junior saiu de campo aplaudindo e fazendo gesto com o número 2, em referência ao risco de rebaixamento do Valencia. Integrantes da comissão técnica e jogadores do time da casa foram tirar satisfação. O brasileiro precisou ser escoltado por colegas de Real Madrid.
Hugo Duro segura Vinicius Junior pelo pescoço durante confusão em Valencia x Real Madrid — Foto: Reprodução / Internet
Tite pode não ser unanimidade entre a torcida do Flamengo, mas os números são um forte aliado do treinador gaúcho no comando rubro-negro. Apesar de ter atravessado um momento turbulento entre abril e maio, o time hoje é líder do Campeonato Brasileiro e vive o seu melhor início de temporada desde 2020, quando ainda era dirigido por Jorge Jesus.
O ge comparou os primeiros 30 jogos oficiais de cada temporada, completados em 2024 na histórica goleada por 6 a 1 sobre o Vasco no último domingo no Maracanã. A vitória sobre o Philadelphia Union e o empate com o Orlando City, em amistosos nos Estados Unidos em janeiro, não entraram na conta. Já os empates com Nova Iguaçu e Portuguesa, com um time de garotos dirigido pelo interino Mário Jorge, foram contabilizados.
Primeiros 30 jogos por temporada
Temporada
Técnico(s)
Aproveitamento
2024
Tite e Mário Jorge
74,4%
2023
Vítor Pereira, Mário Jorge e Jorge Sampaoli
56,6%
2022
Paulo Sousa e Fábio Matias
68,8%
2021
Rogério Ceni e Maurício Souza
71,1%
2020
Jorge Jesus, Maurício Souza e Domènec Torrent
78,8%
A última dança de Jesus
Em 2020, o Flamengo começou o ano com um time de garotos dirigido pelo interino Maurício Souza, enquanto o grupo principal ainda estava de férias após disputar o Mundial de Clubes no fim de 2019. Jorge Jesus volta com a "cavalaria" na quinta rodada do Carioca e comanda 18 partidas até se transferir para o Benfica, de Portugal. Os oito duelos restantes para fechar os 30 da pesquisa foram com o técnico espanhol Domènec Torrent.
Em um ano complicado, que contou com uma paralisação de três meses sem futebol em função da pandemia da Covid-19, o Flamengo teve nos primeiros 30 jogos um alto aproveitamento de 78,8%, com 22 vitórias, cinco empates e apenas três derrotas. No período, o Rubro-Negro conquistou três títulos (Carioca, Supercopa do Brasil e Recopa Sul-Americana) e estava em quinto na oitava rodada da Série A. No final daquela temporada, o time com Rogério Ceni ainda conquistou o Brasileirão.
Jorge Jesus é festejado após ganhar o Carioca de 2020 — Foto: André Durão / GloboEsporte.com
Ceni vai do céu ao inferno
Em 2021, o Flamengo também começou com uma equipe reserva sob o comando do interino Maurício Souza, enquanto os titulares estavam de férias após a temporada anterior ter terminado só em fevereiro. Rogério Ceni e a força máxima rubro-negra voltaram na sétima rodada do Carioca. Somando os dois períodos, foram 19 vitórias, sete empates e quatro derrotas (um aproveitamento de 71,1%), além de dois títulos: do Carioca e da Supercopa do Brasil.
Porém, o time começou mal o Campeonato Brasileiro e era só o 12º colocado na oitava rodada, após o recorte dos 30 jogos. Ceni não durou muito mais tempo no cargo: em meio aos desfalques durante a Copa América daquele ano e uma crise por áudio vazado da comissão técnica, ele acabou demitido. Aquela temporada terminou sob o comando de Renato Gaúcho, mas o Flamengo não ganhou mais títulos e bateu na trave na Libertadores, perdendo a final para o Palmeiras.
Rogério Ceni durante Flamengo x Fluminense em 2021 — Foto: Marcos Ribolli / ge
Aposta furada em novo português
Para 2022, o clube contratou o português Paulo Sousa, mas começou o ano com o interino Fábio Matias para o técnico europeu ter mais tempo de trabalho antes da estreia. Ele assumiu o time na terceira rodada do Carioca, e o Flamengo teve nos primeiros 30 jogos um aproveitamento de 68,8%, sendo 18 vitórias, oito empates e quatro derrotas.
Em números o rendimento pode não ter sido dos piores, mas o técnico português não deixou saudades na Gávea: ele perdeu os dois títulos que disputou (foi vice no Carioca e na Supercopa), e no recorte da pesquisa o time era só o 14º no Brasileirão após a sétima rodada. O treinador não durou muito no cargo, e o Flamengo terminou aquela temporada sob o comando de Dorival Júnior, que conquistou a Libertadores e a Copa do Brasil.
Paulo Sousa em Talleres x Flamengo em 2022 — Foto: Fotobairesarg/AGIF
Pior início teve dois estrangeiros
No ano passado, a diretoria rubro-negra apostou suas fichas no também português Vítor Pereira, que estreou junto com o time no Carioca. Por conta da disputa do Mundial de Clubes de 2022, mas realizado no início de 2023 por causa da Copa do Mundo entre novembro e dezembro no Catar, o interino Mário Jorge comandou a equipe em duas rodadas do Estadual.
Vítor Pereira acumulou fracassos e foi demitido após ficar em terceiro no Mundial e ter sido vice do Carioca, da Supercopa do Brasil e da Recopa Sul-Americana. Mário Jorge reassumiu o comando por mais duas partidas até a chegada de Jorge Sampaoli. Nos 30 primeiros jogos, o Flamengo teve só 56,6% de aproveitamento (16 vitórias, três empates e 11 derrotas) e era o nono colocado no Brasileiro após seis rodadas. O técnico argentino depois ainda perdeu a final da Copa do Brasil, e aquela temporada chegou ao fim sem nenhum título rubro-negro, algo que não acontecia desde 2018.
Vítor Pereira em Flamengo x Madureira em 2023 — Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
A Era Tite
Tite foi contratado na reta final de 2023 e conseguiu classificar o time para a Libertadores. Mas seu trabalho ganhou mais destaque na atual temporada. Incluindo duas partidas comandadas pelo interino Mário Jorge enquanto o elenco fazia pré-temporada nos Estados Unidos, o Flamengo atingiu 74,4% de aproveitamento nos primeiros 30 jogos. Com o técnico gaúcho, o Rubro-Negro voltou a ser campeão carioca depois de dois anos e está na liderança do Brasileirão após sete rodadas.
No total, Tite já comandou o Flamengo em 42 jogos desde o ano passado (incluindo amistosos) e tem 72,2% de aproveitamento no cargo. Para defender a liderança do Brasileirão, o técnico terá que reinventar a equipe após perder cinco jogadores (sendo quatro titulares): Arrascaeta, De la Cruz, Pulgar, Varela e Viña, que estão com as seleções do Uruguai e Chile para a Copa América.
Tite em treino do Flamengo — Foto: Gilvan de Souza / CRF
Não é novidade que o calendário brasileiro é apertado, mas você sabia que entre os times que mais jogaram no mundo, os 14 primeiros colocados são da Série A do Campeonato Brasileiro? Além disso, 16 das 17 equipes que jogaram mais de 60 partidas, são brasileiras. Todos os 20 clubes da primeira divisão ocupam as primeiras 60 colocações entre 267 clubes de 13 ligas pesquisadas pelo Espião Estatístico.
O levantamento feito pelo ge considera a temporada brasileira de 2023 e a europeia de 2023/2024 que acaba de terminar. O primeiro colocado entre os não-brasileiros é o Club Brugge, que jogou 63 partidas.
Todas as 78 partidas do Fortaleza de Juan Pablo Vojvoda foram disputadas entre 326 dias. Isso dá o equivalente a um jogo a cada 4 dias. Vice-campeões da Sul-Americana em 2023, o Laion disputou outras cinco competições no ano passado: Brasileirão, Campeonato Cearense, Conmebol Libertadores, Copa do Brasil e Copa do Nordeste. O número chegaria em 80 caso não tivesse sido eliminado nas oitavas de final da Copa do Brasil.
Entre os clubes da Série A de 2023 que não figuram nos 20 que mais jogaram no mundo na temporada passada estão: Cuiabá (57 jogos, em 26º lugar), Coritiba(55, em 35º), Vasco (53, em 48º) e Cruzeiro (52, em 59º).
Média das ligas
A predominância brasileira entre os times que mais jogam no mundo também se sobressai quando o assunto é a média de jogos por equipes. Os clubes que estiveram na Série A em 2023 jogaram, em média, 66,5 partidas no ano. Esse número é maior do que as competições que têm até mesmo mais equipes do que no Brasileirão. O segundo colocado, por exemplo, é a segunda divisão inglesa, com 15 jogos a menos do que a elite do Brasil, apesar de ter quatro times a mais.
Essa diferença é parecida quando falamos também dos times que mais disputaram competições na temporada passada. No Brasil, o Flamengo esteve presente em sete torneios, mesmo número que o Manchester City. Os rubro-negros, porém, atuaram em 17 jogos a mais do que os atuais campeões da Premier League. Fortaleza, Al-Ittihad e Benfica aparecem logo atrás, com seis competições cada. Os brasileiros participaram de 22 jogos a mais que os sauditas e portugueses.
DM dos clubes
Tanto jogo acaba cobrando o seu preço, naturalmente. O levantamento feito pelo Espião Estatístico com os departamentos médicos dos clubes da Série A do ano passado mostrou que seis dos nove clubes que tinham 70 ou mais jogos na temporada ocupavam a primeira metade das quantidades de lesões. Com os três líderes sendo pertencentes a esse grupo.
Clubes com mais baixas médicas em 2023 — Foto: Infoesporte
Há solução?
Em 25 de janeiro deste ano, o jornalista e pesquisador de futebol Irlan Simões publicou em seu blog aqui no ge um texto com a seguinte provocação:
Nele, Irlan sugere que além do problema tradicional de muitos jogos para os clubes grandes, há um grande vácuo de partidas para os pequenos. Isso também afeta os atletas, como o ge mostrou na reportagem de Heitor Machado, em abril.
Se a ideia dele fosse levada adiante - e há várias outras possibilidades - o Campeonato Carioca tiraria Flamengo, Fluminense e Botafogo do grupo de mais de 70 jogos porque eles fariam no máximo seis partidas no Estadual. Diferentemente das 15 de 2023.
A discussão se mostra necessária, uma vez que o Brasil está liderança apenas na quantidade de jogos. O que não significa, necessariamente, qualidade. A discrepância evidencia que há alternativas possíveis e viáveis. A questão é querer.
*A equipe do Espião Estatístico é formada por: Davi Barros, Guilherme Maniaudet, Guilherme Marçal, João Guerra, Leandro Silva, Roberto Maleson, Roberto Teixeira, Valmir Storti e Zé Victor Meirinho.