
O governo federal avança no desenho de um novo programa de renegociação de dívidas que, diante do alto nível de endividamento das famílias, tornou-se uma das preocupações do presidente Lula (PT) para o ano eleitoral. A proposta prevê a substituição de débitos antigos por um novo financiamento, que teria juros menores e prazos maiores.
A operação deve contar com garantia do FGO (Fundo de Garantia de Operações), que é abastecido com recursos federais. O fundo cobriria eventuais inadimplências, reduzindo o risco para os bancos e permitindo o barateamento do crédito. A equipe econômica quer colocar a iniciativa de pé antes do período eleitoral, e o programa deve durar três meses, segundo integrantes do governo.
As próprias instituições financeiras darão um desconto no saldo devedor e oferecerão uma nova linha com juros menores. A proposta também prevê a possibilidade de uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço): trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) poderão sacar até 20% do saldo para quitar dívidas, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
A expectativa é que o programa movimente entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões em dívidas repactuadas, dentro de um universo estimado entre R$ 70 bilhões e R$ 100 bilhões.
Dentro da área econômica, há preocupação de que o pacote seja interpretado como um estímulo ao crédito para impulsionar o consumo, o que poderia gerar pressão adicional sobre a inflação.
QUE TIPOS DE DÍVIDAS PODERÃO SER RENEGOCIADAS?
O financiamento vai abarcar três tipos de linha de crédito em atraso: cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado. Essas linhas são consideradas mais arriscadas porque nenhuma delas tem garantia, como acontece com o crédito consignado, no qual as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento de servidores públicos e de aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
COMO E PARA QUEM AS OFERTAS PODERÃO SER FEITAS?
Cada instituição financeira poderá oferecer os três tipos de dívida de cada cliente (CPF). Sobre esse valor total da dívida, o banco dará o desconto, que poderá chegar a 90%. Serão renegociadas dívidas de pessoas físicas que ganham até cinco salários mínimos (R$ 8.105).
COMO O DESCONTO SERÁ DEFINIDO?
O desconto vai ser proporcional ao dia de atraso. Quanto mais velha a dívida, maior será o desconto. Por exemplo, uma dívida de cem dias de atraso terá um abatimento menor do que uma de 300 dias.
SERÁ NECESSÁRIO PROCURAR CADA BANCO INDIVIDUALMENTE?
Sim. O endividado terá que buscar a negociação em cada banco em que tiver contraído a pendência. Por exemplo, se tiver dívidas em três bancos diferentes, terá que fazer a negociação em cada um deles.
COMO SERÁ O USO DO FGTS?
Trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) poderão sacar até 20% de seu saldo no FGTS para quitar dívidas.
O DESCONTO SERÁ DE QUANTO?
Segundo o ministro da Fazenda, a expectativa é que o desconto chegue a 90%. O ministro citou um exemplo: a pessoa tem uma dívida de R$ 10 mil com juros de 8% ao mês. Com o desconto de 90%, fica com uma dívida de R$ 1.000. A partir daí, o pagamento desse saldo pode ser renegociado com taxas menores.
QUAL DEVE SER A TAXA DE JUROS PARA AS DÍVIDAS RENEGOCIADAS?
As dívidas de pessoas físicas renegociadas deverão ter uma taxa de juros de até 1,99% ao mês.
HAVERÁ RESTRIÇÃO PARA APOSTAR EM BETS?
Sim. O programa também prevê restringir o acesso a bets para quem renegociar dívidas, criando uma espécie de quarentena. O prazo dessa restrição ainda não foi oficialmente definido, mas o governo trabalha com um período de cerca de seis meses.
QUAL DEVE SER O PERÍODO DE ATRASO DAS DÍVIDAS ELEGÍVEIS?
A Fazenda e os bancos ainda discutem esse ponto. O governo defende que possam ser refinanciadas, com garantia do FGO, dívidas com atraso superior a 61 dias e de até 360 dias.
Já os bancos propõem a repactuação de débitos com mais de 91 dias e até três anos de inadimplência, faixa que demanda maior volume de provisões que os bancos têm que fazer nos seus balanços.
SERÁ POSSÍVEL NEGOCIAR DÍVIDAS DE MEIs, TRABALHADORES INFORMAIS E CRÉDITOS ESTUDANTIS?
Sim. O governo discute incluir no programa dívidas de MEIs (microempreendedores individuais), além de micro e pequenas empresas. Em outra frente, a equipe econômica ainda avalia a possibilidade de contemplar também débitos de crédito estudantil.
O pacote deve prever linhas específicas para caminhoneiros, motoristas de aplicativos e taxistas, além de medidas de apoio a setores como construção civil e fertilizantes.
QUAL DEVE SER A PLATAFORMA UTILIZADA PARA A RENEGOCIAÇÃO?
Bancos propuseram um modelo operacional em que a renegociação das dívidas não passe por uma plataforma do governo, como ocorreu no Desenrola Brasil, mas seja realizada diretamente nos canais das próprias instituições financeiras, o que tende a simplificar as operações.
A proposta prevê a exigência de um curso de educação financeira como condição para adesão ao programa.
QUAIS SÃO OS PONTOS DE DESAFIO PARA FECHAR O PROGRAMA FINAL?
Um dos principais entraves é como reforçar o FGO para viabilizar as garantias das novas operações. Técnicos ouvidos pela reportagem afirmam que o fundo tem hoje menos de R$ 1 bilhão disponível, valor considerado insuficiente.
Um novo aporte exigiria espaço no Orçamento por se tratar de despesa primária sujeita ao arcabouço fiscal, o que implicaria cortes em outras áreas.
Com isso, surgiu a ideia de usar o "dinheiro esquecido" em bancos e outras instituições financeiras, que somam cerca de R$ 10,5 bilhões, segundo o Banco Central. Embora uma lei de 2024 autorize o Tesouro a se apropriar desses valores, há controvérsias sobre seu tratamento fiscal e questionamentos jurídicos, especialmente se os recursos forem transferidos diretamente ao FGO sem passar pelo Orçamento.
COMO FUNCIONOU A PRIMEIRA EDIÇÃO DO DESENROLA BRASIL?
O Desenrola Brasil foi lançado em 2023 em um contexto de recorde de inadimplência, que então atingia 71,4 milhões de pessoas, segundo a Serasa. O programa durou cerca de dez meses e reduziu o número de inadimplentes que ganhavam até dois salários mínimos ou eram inscritos no Cadastro Único de 25,2 milhões para 23,1 milhões ao seu término, em maio de 2024.
Desde então, porém, a inadimplência voltou a crescer. Quase dois anos após o fim do Desenrola, o país soma cerca de 81,7 milhões de pessoas com contas em atraso, com o calote do consumidor no maior nível desde 2012.
Os preços internacionais do petróleo registravam leve alta, na manhã desta quinta-feira (16/4), mas se mantinham abaixo dos US$ 100, em meio à expectativa do mercado pelo avanço das negociações entre Estados Unidos e Israel para o possível fim do conflito no Oriente Médio.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, destacou, nessa quarta-feira (15/4), o papel do Paquistão como principal mediador nas negociações entre EUA e Irã.
“Os paquistaneses têm sido mediadores incríveis ao longo de todo este processo e realmente apreciamos sua amizade e seus esforços para concluir este acordo. Eles são os únicos mediadores nesta negociação”, afirmou.
Segundo Leavitt, apesar de outros países terem se oferecido para ajudar, o presidente norte-americano, Donald Trump, considera estratégico manter o diálogo por meio de Islamabad. “O presidente considera importante continuar a facilitar a comunicação por meio dos paquistaneses, e é isso que continua acontecendo”, completou.
As declarações ocorrem em meio a uma nova tentativa de retomada das negociações entre Washington e Irã, após uma rodada frustrada no último fim de semana. Também na quarta, Trump afirmou à Fox Business que o Irã “quer muito fazer um acordo” e que a guerra estaria “muito perto do fim”.
Segundo a mídia estatal iraniana, a delegação levou uma mensagem dos EUA para tentar estender o cessar-fogo e viabilizar uma nova rodada de negociações.
Autoridades iranianas confirmaram que o Paquistão tem mantido a interlocução entre os dois lados, transmitindo posições de Teerã a Washington após encontros diplomáticos em Islamabad.
Apesar dos esforços, ainda não há acordo formal para prorrogar o cessar-fogo anunciado pelo republicano em 7 de abril.
O acordo enfrenta divergências, especialmente sobre a inclusão do Líbano. Enquanto o Irã defende que o país está contemplado, os EUA discordam.
Israel e Líbano, por sua vez, avançaram no campo de negociações durante reunião em Washington. Durante o encontro, o embaixador israelense Yechiel Leiter afirmou que as delegações teriam identificado uma convergência de interesses em relação ao grupo libanês.
“Descobrimos hoje que estamos do mesmo lado da equação. Estamos unidos na libertação do Líbano de uma potência ocupante dominada pelo Irã, chamada Hezbollah”, declarou.
Outro ponto de impasse é o Estreito de Ormuz, que permanece fechado pelo Irã desde o início do conflito, em 28 de fevereiro – condição considerada central pelos EUA nas negociações de paz.
Donald Trump confirmou que Israel e o Líbano vão se reunir nesta quinta-feira para uma negociação de paz. Em uma publicação nas redes sociais, Trump disse que a conversa vai acontecer após “muito tempo que os dois líderes não conversam, uns 34 anos”. Ele não disse, no entanto, onde e como a conversa vai acontecer.
“Tentando criar um pouco de espaço entre Israel e Líbano. Faz muito tempo que os dois líderes não conversam, uns 34 anos. Isso vai acontecer amanhã. Ótimo!”, escreveu.
Aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e de órgãos próprios que tenham doenças graves podem conseguir isenção do Imposto de Renda. Com isso, deixam de pagar o IR sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão e verba de reforma ou reserva.
As regras estão em lei específica e apenas as doenças listadas nesta legislação garantem o benefício. Dentre elas estão câncer, cardiopatias graves, cegueira e doença de Alzheimer, entre outras.
Segundo José Carlos Fonseca, supervisor nacional do IR, a Receita segue exatamente o que diz a lei na hora de conceder a isenção tanto no que diz respeito ao direito quanto na análise da documentação. "A lei é literal. Ela define tanto o tipo de doença quanto o tipo de rendimento. Não alcança, por exemplo, o aluguel ou o salário de quem ainda está trabalhando", afirma.
Para conseguir o benefício, o aposentado ou pensionista vai precisar de um laudo médico, que siga os critérios para ser aceito. "Tem que estar exatamente como a lei descreve. Se não estiver, o pedido não passa", diz . É necessário que o laudo seja de médico público, que atende pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Isso ocorre porque servidores têm a chamada fé-pública.
O documento deve indicar a data exata do diagnóstico, já que é a partir dessa data que o contribuinte passa a ter direito à isenção ou à restituição de valores pagos. Mas na hora assinar o atestado, o médico precisa colocar o dia exato em que aquela consulta está sendo feita.
"A data do laudo é a atual e, no laudo, deve ter a data de início da doença. Se não houver a data de início, será considerado como início o dia da emissão daquele laudo", explica Fonseca.
A lei 7.713, de 1988, traz a lista de doenças consideradas graves e que garantem isenção do Imposto de Renda para aposentados, pensionistas e militares reformados ou da reserva.
Juan Carlos Serafim Parrilha Nascimento, advogado tributarista e sócio do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados, afirma que a lista pode mudar, caso o Congresso aprove alguma alteração e essa mudança seja sancionada pelo presidente da República.
Hoje, há projetos em tramitação para ampliar esse rol, como o PL 585/2019, que propõe incluir diabetes mellitus, mas a doença ainda não consta da lista.
A solicitação de isenção do Imposto de Renda por doenças graves deve ser feita diretamente ao órgão pagador do benefício, seja o INSS ou o órgão público. Não é necessário apresentar nenhum documento para a Receita neste primeiro momento.
Depois, é possível retificar declarações anteriores para recuperar o imposto pago em anos em que a doença já existia, mas o cidadão não tinha feito o pedido. É preciso ter laudo com data retroativa, de quando a moléstia começou.
Mesmo assim, especialistas apontam que erros na documentação e interpretações equivocadas da regra ainda levam a negativas frequentes, muitas vezes contestadas na Justiça.
Entre os principais motivos de indeferimento está justamente o desencontro entre o diagnóstico e o que está previsto na legislação. A lei traz uma lista fechada de doenças, e não permite interpretações mais amplas. "As pessoas leem e acham que se encaixam, mas a descrição tem que ser exatamente a da lei", diz Fonseca, da Receita Federal.
Também há dúvidas sobre a necessidade de a doença estar ativa. Na prática, o entendimento aplicado é que o direito pode ser mantido mesmo após a cura, desde que haja um laudo que comprove o diagnóstico. "A lei não prevê cancelamento do benefício nesses casos", afirma o supervisor da Receita.
O especialista em Imposto de Renda da King Contabilidade Eduardo Marciano diz que o primeiro passo sempre é reunir a documentação médica que comprove o diagnóstico de doença grave prevista em lei.
Ele afirma que o pedido é feito por meio de requerimento administrativo, acompanhado de laudo médico oficial ou documentos que possam ser submetidos à perícia médica do próprio órgão. "Após a análise e, quando necessário, realização de perícia, sendo reconhecido o direito, a isenção passa a ser aplicada nos rendimentos", diz Marciano.
Segundo Marciano, o contribuinte deve apresentar os seguintes documentos:
Documento de identificação e CPF
Comprovante de aposentadoria, pensão ou reforma
Laudo médico com diagnóstico da doença, contendo a CID (Classificação Internacional da Doença)
Exames, relatórios e demais documentos que comprovem o histórico da enfermidade
Formulário ou requerimento específico do órgão pagador
Sim. Após o reconhecimento do direito, Marciano afirma que o contribuinte pode solicitar a restituição dos valores pagos indevidamente nos últimos cinco anos. De acordo com o consultor, isso pode ser feito por meio da retificação das declarações de IR, informando corretamente os rendimentos como isentos, ou via pedido administrativo específico, quando aplicável.
"A Receita Federal realiza a análise e, sendo o caso, efetua a restituição com a devida correção", diz.
Segundo José Carlos Fonseca, supervisor do IR, quem retifica a declaração informando doença grave cai na malha fina e deverá apresentar à Receita o laudo contendo as informações médicas com a data de início da enfermidade.
Sim. Marciano afirma que caso o pedido seja indeferido, o contribuinte pode apresentar recurso administrativo dentro do próprio órgão que analisou a solicitação, respeitando os prazos estabelecidos.
"Se a negativa for mantida, ainda é possível buscar a via judicial, especialmente quando há documentação médica consistente que comprove a condição prevista em lei. Nesses casos, o Judiciário tem reconhecido o direito em diversas situações", diz.
Não necessariamente. Tárcio Queiroz Calixto, advogado tributarista do Ronaldo Martins Advogados, diz que a legislação não exige, de forma expressa, que a doença esteja em estágio ativo para o acesso ao benefício, mas a Receita Federal informa que, se o paciente estiver curado, não há direito ao benefício.
O advogado diz que a jurisprudência, inclusive no STF (Superior Tribunal de Justiça), consolidou o entendimento de que, em determinadas hipóteses, a isenção pode ser mantida mesmo quando a doença se encontra em remissão ou sob controle, sobretudo quando persistirem sequelas ou necessidade de acompanhamento médico contínuo.
Em regra, segundo Marciano, ele precisa conter:
A legislação menciona ainda a necessidade de laudo emitido por serviço médico oficial (hospital público). O especialista diz, no entanto, que a jurisprudência tem flexibilizado essa exigência quando os pedidos são feitos no Judiciário, admitindo laudos particulares, desde que consistentes, detalhados e corroborados por outros documentos médicos.
Não. Serafim afirma que aposentados e pensionistas com doenças graves podem ter isenção do IR independentemente da renda. Segundo ele, o benefício foi mantido como exceção à taxação dos super-ricos por razões humanitárias, já que esses contribuintes costumam arcar com custos elevados de tratamento.
Um dos principais pontos de disputa é a definição do termo inicial da isenção. Quando o pedido é feito de forma administrativa, há casos em que se leva em consideração a data do atestado médico, e não do início da doença. Essa diferença pode reduzir o valor da restituição a que o contribuinte teria direito, ou até mesmo levar a uma negativa do direito.
José Carlos Fonseca, supervisor do IR, diz que o atestado deve ter a data do dia em que cidadão passou na consulta, e conter, no laudo, a data de início da incapacidade.
"Outro entrave que gera muitas negativas na via administrativa e na Receita Federal atinge aqueles contribuintes que estão com a doença em remissão ou aqueles que foram curados da doença", afirma Serafim.
Para ele, essa negativa recorrente está em desacordo com a própria lei e com o entendimento dos tribunais superiores. Por fim, outro problema recorrente envolve a forma como o benefício é concedido por algumas fontes pagadoras. Em certos casos, mesmo após comprovar a doença grave, o contribuinte tem a isenção autorizada apenas por um período determinado, como um ou dois anos.
Segundo Serafim, essa limitação é indevida. A lei não estabelece prazo para a isenção nem exige que o contribuinte passe por perícias periódicas para manter o benefício.
Fonseca diz que, no caso da Receita, o órgão não faz nenhuma limitação.
O volume de serviços referente a transporte aéreo de passageiros recuou 7,5% em fevereiro deste ano, na comparação com o mês anterior, conforme dados divulgados nesta terça-feira (14/4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A queda de 7,5% no volume de serviços referente a transporte aéreo de passageiros foi a maior entre os itens pesquisados pelo IBGE. O grupo de transportes, como um todo teve alta de 0,6% e ajudou o setor de serviços voltar ao recorde histórico, promovendo uma alta de 1% em relação a janeiro.
Em janeiro deste ano, o transporte aéreo de passageiros teve um crescimento de 4,6% em relação a dezembro de 2025. O resultado de janeiro deste ano ocorreu após uma queda de 5,5% no item em dezembro quando comparado a novembro.
Em 2025, o transporte aéreo de passageiros cresceu 15,6%.
A situação do setor é alvo de preocupação dos agentes deste mercado. O principal motivo é a influência dos aumentos no querosene de aviação (QaV) nos custos.
Por causa da guerra no Oriente Médio, a Petrobras reajustou os preços em cerca de 56%, a depender do local e modalidade de entrega.
“A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alerta para os impactos do reajuste de 54,6% no preço do Querosene de Aviação (QAV). Somado ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, o combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas”, afirmou a Abear no dia 1º deste mês.
A guerra no Oriente Médio foi iniciada em 28 de fevereiro, portanto, o resultado apresentado pelo IBGE não tem relação com o conflito bélico.
No entanto, os preços das passagens aéreas têm um histórico consistente de inflação. As passagens aéreas subiram 17% nos últimos dois meses, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que representa a inflação oficial, divulgados na última sexta-feira (10/4) pelo IBGE.
Os preços internacionais do petróleo operavam próximos da estabilidade, na manhã desta sexta-feira (10/4), perdendo força em relação ao dia anterior e operando abaixo dos US$ 100.
O avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã pelo possível fim da guerra no Oriente Médio trouxe novamente uma onda de otimismo aos mercados e ajudou a aliviar a pressão sobre a commodity, diminuindo as tensões da véspera – quando o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz.
Trata-se do canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
O que aconteceu
Por volta das 8h10 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) recuava 0,15% e era negociado a US$ 97,72.
No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) caía 0,05%, a US$ 95,87, também praticamente estável.
Na véspera, o barril do petróleo WTI fechou em alta de 3,66%, cotado a US$ 97,87 o barril, enquanto o brent avançou 1,23%, a US$ 95,92.
Negociações avançam no Paquistão
A mesa de negociações entre EUA e Irã, entre esta sexta-feira e sábado (11/4), ocorre sob forte esquema de segurança em Islamabad, no Paquistão, onde autoridades decretaram feriado e esvaziaram as ruas para viabilizar o encontro.
A capital do Paquistão virou o epicentro da diplomacia global, com delegações iniciando conversas diretas para tentar encerrar uma guerra que já deixou milhares de mortos e provocou impactos econômicos em escala mundial.
Islamabad foi praticamente isolada para sediar as negociações. Áreas estratégicas, como a Zona Vermelha, foram bloqueadas, enquanto o Hotel Serena Islamabad foi reservado para sediar o encontro. Hóspedes foram retirados e forças de segurança reforçaram o controle de acesso.
A delegação norte-americana é liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, acompanhado por Steve Witkoff e Jared Kushner. Do lado iraniano, participam o chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
A presença do vice de Donald Trump é vista como um sinal de maior disposição dos EUA para negociar, diante da desconfiança iraniana em relação a rodadas anteriores conduzidas por outros interlocutores.
“É melhor que parem agora”
Na véspera, o tom foi bem diferente. Na noite dessa quinta-feira, Donald Trump fez um alerta ao Irã após relatos de que o país estaria cobrando taxas de petroleiros que passam pelo Estreito de Ormuz.
“Há relatos de que o Irã está cobrando taxas de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz. É melhor que não estejam fazendo isso e, se estiverem, é melhor que parem agora!”, escreveu em publicação na Truth Social.
Trump também criticou a atuação iraniana na região, sugerindo que Teerã não está respeitando sua parte no acordo de cessar-fogo. “O Irã está fazendo um trabalho muito ruim, desonroso, alguns diriam, em sua liberação da passagem do petróleo pelo Estreito de Ormuz. Isso não é o acordo que temos!”, completou.
O tempo está se esgotando”
Também na quinta-feira, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que “o tempo está se esgotando” no contexto do frágil cessar-fogo envolvendo o Oriente Médio e alertou para respostas “firmes”, caso o acordo seja violado.
Em mensagem divulgada nas redes sociais, Ghalibaf reforçou que o Líbano é parte “inseparável” do cessar-fogo, em linha com a posição defendida por Teerã de que o acordo inclui aliados regionais.
O iraniano também advertiu que violações terão “custos explícitos e respostas fortes”, pedindo que os ataques sejam interrompidos imediatamente.
A escalada da inflação em março deste ano, revelada nesta sexta-feira (10/4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acendeu um sinal de alerta no mercado e deve reforçar a cautela por parte do Banco Central (BC) na condução da política monetária.
A avaliação é de economistas e analistas do mercado financeiro ouvidos pela reportagem do Metrópoles nesta manhã, pouco depois do anúncio dos resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país.
De acordo com o IBGE, a inflação no Brasil ficou em 0,88% em março, acelerando em relação ao mês anterior (0,77%). No acumulado de 12 meses até março, segundo as projeções, o IPCA avançou para 4,14%, ante 3,81% de fevereiro.
Os resultados vieram acima do esperado pelo mercado. A média das estimativas dos analistas era de uma inflação de 0,77% (na base mensal) e 4% (anual).
Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação no Brasil para este ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ela será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.
Em março, a alta da inflação foi puxada, principalmente, pelos grupos de transportes – que inclui combustíveis – e alimentação e bebidas, com elevações de 1,64% e 1,56%, respectivamente.
Este foi o primeiro dado do IPCA já com os preços sob os efeitos causados pela guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, que vem afetando diretamente a cotação internacional do petróleo.
Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, apesar da forte alta em março, “o qualitativo do índice melhorou, na margem, em todas as medidas relevantes”. “A média dos núcleos desacelerou de 0,62% em fevereiro para 0,44% em março, mantendo a tendência de desaceleração no acumulado em 12 meses, que recuou para 4,39%, menor valor desde dezembro de 2024”, observa.
“A leitura de março foi amplamente impactada pelos impactos globais do conflito no Irã, como se nota no comportamento dos combustíveis. Entretanto, a melhoria no qualitativo reafirma a tendência de moderação da inflação subjacente”, analisa o economista.
Para Valério, com o cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã, “a chance de uma contaminação do restante da inflação pelo choque do petróleo diminui”. “Mesmo que o cessar-fogo tenha sido alcançado sob bases frágeis, esperamos que ele persista, pelo menos pelas próximas duas semanas, tendo em vista que os EUA não parecem ter muita opção para escalonar o conflito”, afirma.
“O preço do barril de petróleo opera sob essa premissa desde o anúncio do cessar-fogo, tendo ficado abaixo de US$ 100 consistentemente. Ainda assim, não vemos a melhora do conflito como suficiente para dar tranquilidade ao Copom (Comitê de Política Monetária do BC), mas esperamos que o comitê continue o ciclo de cortes, em ajustes de 25 pontos-base (0,25 ponto percentual)”, pondera Valério.
Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, afirma que os juros futuros reagiram imediatamente, com movimento de alta, “refletindo a leitura de que o espaço para cortes mais rápidos de juros pode ficar mais limitado”. “A principal pressão veio da gasolina, das passagens aéreas e da alimentação em casa – sinais claros de que os efeitos da guerra no Oriente Médio já começam a aparecer no bolso do consumidor brasileiro”, avalia.
“Outro ponto que chama atenção é a difusão da inflação, que subiu de 61,3% para 67,4%, indicando que a alta de preços está mais espalhada pela economia”, prossegue Spyer. “A inflação veio mais forte do que o esperado e mostra que energia e alimentos seguem pressionando os preços, já sob influência do cenário global.”
Para o analista, “não é uma crise inflacionária, mas é um sinal de alerta” para o mercado. “E, para o investidor, isso significa um BC mais cauteloso nos próximos passos, ou seja, apoiando um corte mais moderado neste mês de abril”, pontua.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, reforça que “os dados indicam que os efeitos do conflito no Oriente Médio, que tem afetado os preços do petróleo e dos fertilizantes usados no agronegócio, já começam a aparecer na inflação brasileira”.
“No curto prazo, as medidas anunciadas pelo governo, que incluem subsídios e redução de impostos, devem limitar os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação, mas outros impactos sobre os combustíveis e os alimentos ainda podem surgir mais à frente. Além disso, o mercado de trabalho aquecido e a perspectiva de desvalorização do real devem fazer com que os preços voltem a acelerar no segundo semestre. Nossa projeção é de que o IPCA encerre o ano em 4,8%, acima do intervalo de tolerância da meta, de 4,5%”, afirma Moreno.
Segundo a economista, “o Copom sinalizou que a Selic deve continuar caindo, mas o ritmo dependerá da evolução do conflito no Oriente Médio”. “Na nossa leitura, as restrições na produção de petróleo e de outros insumos já começam a pressionar a inflação. Por isso, esperamos um corte mais moderado na próxima reunião, no final do mês: 0,25 ponto percentual, levando os juros para 14,5%. No nosso cenário, a Selic deve encerrar o ano em 13,5%.”
Na avaliação de Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, “a surpresa altista foi relevante e reforçou uma leitura de piora tanto no quantitativo quanto no qualitativo da inflação”. “Em nossa decomposição, a surpresa apareceu de forma disseminada entre os grupos”, destaca.
“O diesel também chamou atenção, com alta de 13,9% em março, apesar do baixo peso no índice. Em conjunto, o IPCA de março reforça a escalada dos combustíveis e aumenta o risco de efeitos indiretos sobre os demais grupos nos próximos meses, especialmente por meio do custo do frete”, aponta Pestana.
Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, “o choque de oferta provocado pela alta do preço do barril de petróleo após o início do conflito no Oriente Médio foi o principal responsável pela elevação acima do previsto no período”.
“O IPCA de março reforça a necessidade por parte do BC de manter a cautela e parcimônia em termos de direcionamento de seu ciclo de calibragem de juros. Contrariando o maior otimismo que havia atingido o mercado nos últimos dias, quando apostas de um corte de 50 pontos-base na próxima reunião do Copom ganharam espaço, o resultado de hoje faz com que uma redução de 25 pontos-base se torne uma decisão ainda mais correta do que foi no caso da reunião de março”, afirma. “Além de absorver o choque inicial já esperado no preço dos combustíveis e dos alimentos, a expectativa agora é entender o quanto este movimento pode se disseminar no interior da economia.”
Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos, por sua vez, afirma que, mesmo com a alta, a inflação ainda não preocupa tanto graças ao trabalho do BC. “Evidentemente, essas questões de guerra podem desacelerar a queda da Selic ou até mesmo, em casos extremos, fazer com que ela volte a subir, o que não acredito. O acumulado em 12 meses está em 4,12%, abaixo da tolerância da meta. O cenário mais provável é o de uma Selic que caia de forma lenta, principalmente por causa do cenário turbulento externo”, avalia.
Também ouvido pelo Metrópoles, o economista Maykon Douglas afirma que “começamos a sentir os primeiros efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis, mesmo com as recentes medidas de alívio dos preços pelo governo”.
“O fluxo de notícias continua bastante volátil e, mesmo com um acordo de paz nos próximos dias, o mercado de petróleo sofrerá por algum tempo. Logo, o cenário é de novas pressões nos preços, uma vez que o preço da commodity deve se estabilizar em patamares superiores aos do período pré-guerra”, projeta.
“É importante notar que, desconsiderando o fator guerra, os últimos números de inflação já vinham superando as projeções, a despeito da gradual desaceleração dos núcleos. O BC teria de manter a cautela mesmo sem o quadro de conflito. Com ele em jogo, mais ainda”, conclui o economista.
Com os preços já sob os efeitos da guerra no Oriente Médio, a inflação nos Estados Unidos em março deste ano acelerou em relação ao mês anterior e veio em linha com as estimativas dos analistas do mercado, de acordo com números divulgados nesta sexta-feira (10/4) pelo Departamento do Trabalho.
O núcleo da inflação nos EUA, que exclui variações de preços de alimentos e energia, mais voláteis, foi de 2,6% em março, na base anual.
O resultado, que veio dentro do esperado pelo mercado, ficou levemente acima do mês anterior (2,5%).
Na comparação mensal, o núcleo da inflação norte-americana ficou em 0,2%, estável em relação a fevereiro (0,2%).
O dado de inflação é considerado um dos mais importantes para a definição da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).
Na última reunião do Fed, em março, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 28 e 29 de abril.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
Os preços do petróleo deram um salto nesta quinta-feira (9), uma vez que as dúvidas sobre um frágil cessar-fogo de duas semanas no Oriente Médio aumentaram as preocupações de que os fluxos através do crucial Estreito de Ormuz permanecerão restritos.
Os contratos futuros do petróleo Brent LCOc1 subiam 4%, para US$98,51 por barril, por volta das 8h (horário de Brasília), enquanto o petróleo WTI dos EUA CLc1 avançava mais de 5%, para US$99,35 por barril.
Ambos os valores de referência caíram abaixo de US$100 por barril no pregão anterior, com o WTI registrando sua maior queda desde abril de 2020, devido ao otimismo de que o cessar-fogo resultaria na reabertura do estreito.
No entanto, os analistas disseram que os participantes do mercado estavam hesitantes em eliminar totalmente o prêmio de risco geopolítico e que não havia clareza sobre o que as negociações entre os EUA e o Irã significariam para os fluxos de petróleo.
“As chances de uma reabertura significativa (do estreito) em breve parecem escassas”, disse Vandana Hari, fundadora do provedor de análises do mercado de petróleo Vanda Insights, prevendo uma volatilidade contínua nos preços do petróleo.
“O mercado de futuros parece um pouco quebrado”, disse ela. Caso contrário, “os preços já deveriam ter voltado aos níveis anteriores ao cessar-fogo”.
A hidrovia de Ormuz conecta o fornecimento dos produtores do Golfo Pérsico, como Iraque, Arábia Saudita, Kuweit e Catar, aos mercados globais e, normalmente, transporta cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás.
“Mesmo que os embarques sejam retomados, os riscos não desaparecerão da noite para o dia”, disse Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos do Wealth Club.
“Os navios-tanque podem ser forçados a navegar em águas minadas e uma maior presença militar, o que manterá os prêmios de seguro altos e os custos de frete elevados.”
A viabilidade do cessar-fogo está em questão em meio aos contínuos ataques israelenses ao Líbano na quarta-feira, levando o Irã a sugerir que seria “irracional” prosseguir com as negociações para forjar um acordo de paz permanente.
Os transportadores disseram na quarta-feira que precisavam de clareza sobre os termos do cessar-fogo antes de retomar o trânsito pelo Estreito de Ormuz. O Irã emitiu mapas para orientar os navios sobre as minas e mostrar caminhos seguros para a passagem, informou a mídia iraniana.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou nesta quinta-feira (9) que o governo quer liberar R$ 7 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de 10 milhões de trabalhadores que tinham o valor retido por terem aderido ao saque-aniversário. A medida deve ajudar a conter o endividamento no país, uma das preocupações do governo em ano eleitoral.
Em entrevista no programa Alô Alô Brasil, apresentado por José Luiz Datena, Marinho citou as duas medidas provisórias assinadas pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para liberar o valor retido do fundo para quem tinha sido demitido e estava com restrição de saque por conta da lei do saque-aniversário.
“Liberamos no primeiro semestre R$ 12 bilhões para 12 milhões de trabalhadores e, no final do ano, liberamos R$ 8 bilhões e meio para 14 milhões de trabalhadores”, disse Marinho. “A Caixa (Econômica Federal), no meu entendimento, cometeu um erro aqui porque ela não liberou a totalidade desses recursos”, afirmou.
E complementou: “Tem um resíduo de R$ 7 bilhões que nós estamos trabalhando e propondo que libere agora. Estamos apurando exatamente a quantidade de trabalhadores e trabalhadoras que vão receber o que é direito legítimo deles, mas acreditamos que é em torno de 10 milhões.”
Na entrevista, Marinho citou o processo grande de endividamento de parte da população. “Nós estamos trabalhando essa lógica de buscar criar condições de redução desse endividamento”, disse. “Criar condições efetivas para que os trabalhadores possam voltar à sua vida normal.”
O saque-aniversário foi criado por lei em 2019 e permite ao trabalhador sacar parte do saldo da conta do FGTS todos os anos no mês de seu aniversário.
No entanto, caso ele seja demitido, poderia sacar apenas o valor referente à multa rescisória, sem ter acesso ao valor integral da conta.
No final do ano passado, o governo editou uma medida provisória para permitir, temporariamente, a liberação do saldo do FGTS retido para trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário e foram demitidos entre janeiro de 2020 e 23 de dezembro de 2025.
O FGC (Fundo Garantidor de Operações) informou que iniciou nesta terça-feira (7) a segunda fase do pagamento de garantias ao credores do Will Bank. Os valores contemplados variam entre R$ 1 mil e R$ 250 mil.
Nesta nova fase, a estimativa do FGC é que o montante de pagamentos seja de R$ 6,06 bilhões, atingindo 312 mil credores.
Os pagamentos serão realizados pelo aplicativo do FGC, e os credores devem efetuar o cadastro na plataforma. É necessário preenchimento de informações e envio de documentos para comprovar o direito ao ressarcimento.
O FGC ressaltou ainda que caso os credores tenham recebido valores de até R$ 250 mil do Banco Master, Master Investimentos, e Letsbank, não terá valores a receber do Will Bank. Isso porque as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro.
Dessa forma, os títulos adquiridos até 31 de agosto de 2024 contam com a garantia do limite de R$ 250 mil. Após essa data, o limite passa a ser consolidado correspondendo a todo o conglomerado Master.
A poucas horas do fim do prazo final imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Irã, para que o país persa libere o Estreito de Ormuz, os preços internacionais do petróleo continuavam em disparada no fim da manhã desta terça-feira (7/4).
Os mercados globais acompanham, com grande preocupação, os desdobramentos da guerra entre norte-americanos e iranianos. O presidente dos EUA, Donald Trump, deu um ultimato ao Irã que termina às 21 horas (pelo horário de Brasília) desta terça.
Trump exige que o regime iraniano reabra o Estreito de Ormuz. Trata-se de um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
Em coletiva na Casa Branca, nessa segunda-feira (6/4), Trump afirmou que o país persa poderia ser “eliminado em uma noite”. A escalada ocorre em meio ao fracasso de uma proposta de cessar-fogo mediada pelo Paquistão, rejeitada tanto por Washington quanto por Teerã.
O plano previa uma trégua inicial de 45 dias e a reabertura gradual da principal rota global de transporte de petróleo. O governo iraniano classificou os termos como “ilógicos” e reiterou que não negocia sob ameaça.
Em paralelo, Trump voltou a ameaçar diretamente a infraestrutura iraniana, citando pontes e usinas de energia como alvos potenciais. “Eles não terão pontes, nem usinas de energia. Não terão nada”, declarou, ao sugerir que ataques poderiam ocorrer em poucas horas caso não haja acordo.
O Irã, por sua vez, rechaçou as ameaças de Trump, classificando-as como “delirantes” e “insolentes”. Em pronunciamento na TV estatal, o chefe do Comando Militar, Ebrahim Zolfaghari, afirmou que os EUA não conseguirão reparar a “humilhação” sofrida na região da Ásia Ocidental.
Em tom de provocação, o porta-voz militar iraniano disse que as declarações de Trump são “grosseiras e infundadas” e não têm poder para alterar o curso dos acontecimentos.
O avanço da tecnologia somado às mudanças nas regras na concessão de crédito consignado facilitaram a contratação de serviços financeiros sem o consentimento claro dos beneficiários, ampliando a aplicação de golpes.
Por esse motivo, aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) precisam redobrar a atenção com seus extratos de pagamento; verificar regularmente as informações do benefício tornou-se uma medida de segurança essencial.
Essa prática permite identificar rapidamente descontos indevidos, empréstimos não autorizados ou cartões de crédito consignado que nunca foram solicitados. Manter esse controle é a forma mais eficaz de proteger sua renda e evitar dores de cabeça com dívidas fraudulentas.
O processo de consulta é rápido e pode ser feito inteiramente on-line, pelo portal Meu INSS, disponível tanto em site quanto em aplicativo para celular.
Passo a passo para consultar o extrato no Meu INSS
A plataforma oficial do governo federal centraliza todas as informações do seu benefício de forma segura. Para acessar seu histórico e verificar se há algum contrato suspeito, siga estas etapas:
Acesse o site ou o aplicativo Meu INSS, disponível para Android e iOS.
Faça o login com sua conta Gov.br, utilizando seu CPF e senha. Caso ainda não tenha uma conta, o próprio sistema orienta como criar uma.
Na tela inicial, procure pela opção “extrato de empréstimo” ou utilize a barra de busca digitando o termo.
O sistema exibirá um documento detalhado com todos os contratos de empréstimo e cartões de crédito consignado ativos em seu nome.
Analise o extrato com atenção, verificando os nomes das instituições financeiras, os valores das parcelas, as datas de contratação e o número de parcelas restantes.
Encontrou um empréstimo que não reconhece? Saiba como agir
Caso identifique no seu extrato algum empréstimo ou cartão que não solicitou, existem três medidas principais que você pode tomar:
Contate o INSS: ligue para a central de atendimento no número 135 e registre uma reclamação formal. Informe que não reconhece o desconto e peça orientações sobre o procedimento de contestação.
Bloqueie seu benefício: no próprio portal Meu INSS, você pode solicitar o bloqueio do seu benefício para a contratação de novos empréstimos. Essa é uma medida preventiva importante para evitar novas fraudes.
Registre uma queixa: formalize uma reclamação contra a instituição financeira no portal Consumidor.gov.br, mantido pelo governo federal. O banco será notificado e terá um prazo para responder e solucionar o problema.
A Crefisa está na mira do Ministério Público Federal (MPF). O motivo: irregularidades na portabilidade de contas usadas para pagamentos de benefícios previdenciários. Na prática, dificuldade ou impedimento no recebimento do benefício, registro de atrasos, recusas de pagamento e limitações de saque, além de suposta coação para abertura de conta corrente e venda casada de produtos.
Os problemas começaram em agosto de 2025, quando o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) decidiu suspender o contrato com a Crefisa, que vendeu 25 dos 26 lotes disponíveis para o pagamento de novos beneficiários do órgão, justamente por conta da enxurrada de queixas.
“O INSS não compactua com práticas que acarretem prejuízos ou desconfortos aos beneficiários, especialmente àqueles em situação de vulnerabilidade social”, afirmou o INSS ao comunicar a suspensão do contrato.
O episódio chamou a atenção do MPF, que deu início, à época, a um procedimento preparatório que deu origem ao inquérito aberto este ano. Recentemente, os investigadores determinaram diligências à Crefisa, ao INSS e ao Banco Central (BC).
“Diante das informações apresentadas pelo Banco Crefisa S.A., Instituto Nacional do Seguro Social e Banco Central do Brasil, oficie-se ao INSS, solicitando-lhe que informe se todas as portabilidades requeridas pelos beneficiários antes da suspensão do contrato com a Crefisa, que ainda estavam pendentes por ato da instituição financeira, foram realizadas”, pediu o MPF.
O MPF também intimou as partes para que “apresente cópia do contrato firmado entre o INSS e as instituições financeiras decorrente do Pregão Eletrônico nº 39/2024 e encaminhe cópia do processo administrativo interno instaurado em face da Crefisa para apurar o descumprimento contratual e aplicar sanções previstas no contrato e no regulamento do Pregão Eletrônico”.
O avanço das investigações acendeu um alerta no mercado, mexido com a liquidação do Banco Master e de instituições financeiras ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Durante muito tempo, falar em sustentabilidade parecia um adendo – importante, sim, mas ainda à margem das decisões estruturais. Isso mudou, ainda bem.
O Brasil, com todas as suas contradições, vem mostrando algo raro: a capacidade de produzir mais e melhor, ao mesmo tempo em que incorpora práticas mais eficientes, integra sistemas produtivos e avança na adoção de tecnologias de baixo carbono. Não é pouco. Num mundo cada vez mais pressionado por eventos climáticos extremos e pela insegurança alimentar, isso nos coloca em um lugar estratégico. Uma posição hoje reconhecida por especialistas de todo o mundo.
Um dado recente ajuda a dimensionar esse movimento: o Brasil já representa cerca de 20% do mercado de dívida sustentável da América Latina. Ainda estamos atrás de Chile e México, é verdade, mas essa participação cresce à medida que políticas públicas se consolidam e o apetite dos investidores aumenta.
Por trás desses números, existe um trabalho menos visível, mas fundamental. Desde 2019, o mercado de títulos verdes no agro brasileiro vem se estruturando de forma gradual e consistente. O que se viu, de lá para cá, foi uma sofisticação crescente: mais instrumentos, mais investidores, mais critérios climáticos incorporados às decisões. Em outras palavras, mais maturidade.
Programas como o Plano Safra, o ABC e o RenovAgro foram, e continuam sendo, peças-chave nessa engrenagem. Eles não apenas incentivam práticas mais sustentáveis – ajudam a reduzir riscos, dar previsibilidade e, talvez o mais importante, tornar o setor mais “investível”. Porque, no fim das contas, é disso que estamos falando: de como transformar boas intenções em fluxos reais de capital.
Mais recentemente, novas iniciativas vêm ampliando esse ecossistema. O EcoInvest, por exemplo, surge com uma proposta relevante: atrair capital internacional para o Brasil, reduzindo riscos cambiais e estruturais. Já o Caminho Verde Brasil busca organizar o que muitas vezes está disperso, conectando projetos, produtores e investidores a oportunidades concretas de financiamento sustentável.
E oportunidades não faltam.
Um relatório recente da Climate Bonds aponta um potencial de investimento de US$ 141 bilhões em restauração nos próximos 30 anos. Um número que revela tanto a dimensão do desafio quanto a escala das soluções possíveis. Outro estudo, focado na redução de metano na pecuária, evidencia um conjunto robusto de projetos com viabilidade econômica e impacto climático relevante. Ou seja: não se trata apenas de fazer o certo, mas de fazer algo que também faz sentido financeiro.
O futuro da agricultura brasileira – mais sustentável, mais resiliente e alinhado às demandas climáticas – já deixou de ser promessa. Ele está sendo construído na prática, por meio de políticas públicas, instrumentos financeiros mais sofisticados e um pipeline crescente de projetos com viabilidade econômica e impacto ambiental mensurável.
O desafio agora é acelerar essa transição com escala e consistência, garantindo coordenação entre setor público, sistema financeiro e produtores. É isso que permitirá transformar avanços pontuais em fluxos estruturais de investimento, e consolidar o Brasil como um dos principais polos globais de agricultura sustentável.
A produção industrial do Brasil avançou 0,9% na passagem de janeiro para fevereiro de 2026. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (2/4)
Em comparação com o mesmo período do ano passado, a indústria recuou 0,7% na produção. O IBGE destacou, no entanto, que a indústria acumula expansão de 3% nos primeiros meses de 2026.
Com esses resultados, a produção industrial se encontra 3,2% acima do patamar pré-pandemia, em fevereiro de 2020, mas ainda está 14,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.
O crescimento da produção industrial foi registrado nas quatro grandes categorias econômicas e em 16 dos 25 ramos pesquisados.
Entre as atividades as influências positivas mais importantes foram assinaladas por veículos automotores, reboques e carrocerias e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis.
Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, nesses setores, as principais pressões positivas vêm de automóveis e autopeças, na indústria automobilística, e derivados do petróleo e álcool etílico, na atividade dos derivados do petróleo e biocombustíveis.
Entre as atividades que apresentaram recuo, a principal influência veio da produção de farmoquímicos e farmacêuticos, com queda de 5,5%, que intensificou a magnitude de queda verificada no primeiro mês do ano, de 1,4%.
“Na indústria farmacêutica, caracterizada pela maior volatilidade de seus resultados, observa-se o segundo mês consecutivo de queda, influenciado, em grande medida, pela elevada base de comparação, em função do avanço de 19,0% acumulado nos dois últimos meses de 2025”, comenta o gerente da pesquisa.
A PIM produz indicadores de curto prazo desde a década de 1970, relativos ao comportamento do produto real das indústrias extrativa e de transformação. Em março de 2023, o índice passou por reformulação e teve início a divulgação da nova série de índices mensais da produção industrial do país.
O mercado reagiu ao pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o aumento do preço do barril do petróleo nesta quinta-feira (2/4). O petróleo brent chegou a US$ 106 após a fala em que Trump promete continuar os ataques ao Irã por pelo menos mais duas semanas. Antes da fala, o petróleo chegou a ser negociado abaixo de US$ 98 durante o dia.
No pronunciamento, Trump também voltou a cobrar que países que dependem do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz ajudem a desbloquear a passagem. O local, por onde são transportados 20% do petróleo mundial, está fechado pelo Irã desde o início do conflito, impactando o fluxo do óleo ao redor do mundo. Com isso, o petróleo acumula alta de quase 50% no mês.
“Eles dependem disso — e precisam agir. Nós vamos apoiar, mas eles devem liderar esse esforço e garantir a segurança do fluxo de energia do qual tanto necessitam”, disse, destacando que os Estados Unidos não dependem da importação de petróleo.
Essa independência enérgica, no entanto, não protegeu os Estados Unidos de sofrerem os impactos. O preço da gasolina no país subiu para mais de US$ 4 por galão desde o início da guerra.
Fim da guerra
Trump voltou a falar que a guerra contra o Irã está “perto do fim” e que deve ser concluída em “duas ou três semanas”. No entanto, ele não apresentou uma data concreta para o cessar-fogo e nem um plano para chegar a um acordo.
Contudo, o norte-americano falou que todos os “objetivos militares americanos” foram alcançados. “Temos todas as cartas na mão. Eles não têm nenhuma”, disse durante o pronunciamento na Casa Branca, o primeiro desde o início da guerra.
“Esta noite, tenho o prazer de dizer que esses objetivos estratégicos fundamentais estão perto da conclusão… Nessas últimas quatro semanas, nossas forças armadas conquistaram vitórias rápidas, decisivas e esmagadoras no campo de batalha – vitórias como poucas pessoas já viram antes”, destacou.
