
A falta de ar costuma ser associada a problemas pulmonares, crises de ansiedade ou doenças cardíacas comuns. No entanto, em situações raras, o sintoma também pode estar ligado ao câncer no coração, condição incomum, mas que exige atenção quando os sinais persistem.
Segundo o oncologista Tiago Kenji, do Hospital Santa Paula, da Rede Américas, tumores que surgem diretamente no músculo cardíaco são extremamente raros. Já o acometimento do pericárdio, membrana que envolve o coração, pode ser um pouco mais comum.
“O tumor no próprio músculo do coração é muito raro. Já o pericárdio, que é a membrana que recobre o órgão, pode ser afetado com mais frequência, especialmente quando há câncer em outras partes do corpo”, explica.
O pericárdio funciona como uma espécie de saco que envolve e protege o coração. Por estar próximo de estruturas importantes do tórax, ele pode ser afetado por tumores originados em outros órgãos.
Cânceres como os de mama e pulmão estão entre os que mais podem se espalhar para essa região. Quando isso acontece, pode surgir uma inflamação no pericárdio que leva ao chamado derrame pericárdico, acúmulo de líquido ao redor do coração.
Esse líquido pode comprimir o órgão e dificultar seu funcionamento. Em quadros mais graves, ocorre o chamado tamponamento cardíaco, uma situação de emergência em que o coração tem dificuldade para se encher de sangue e bombear normalmente.
Entre os sinais que podem aparecer, a falta de ar é um dos mais frequentes. Isso acontece porque qualquer problema que comprometa o funcionamento do coração tem o potencial de afetar diretamente a respiração.
O cardiologista Marcelo Bittencourt, da Dasa Genômica, esclarece que tumores cardíacos podem atrapalhar o fluxo normal do sangue dentro do órgão.
“Quando isso ocorre, o paciente pode sentir falta de ar, principalmente durante esforço físico ou ao se deitar. Outros sintomas incluem cansaço, palpitações, tontura, inchaço nas pernas e até episódios de desmaio”, afirma.
Em alguns casos, fragmentos do tumor podem se desprender e provocar embolias, bloqueando vasos sanguíneos em outras partes do corpo.
Um dos grandes desafios no diagnóstico é que os sintomas são muito semelhantes aos de problemas cardíacos ou respiratórios mais comuns.
De acordo com o cardiologista Felix Ramires, do Hospital Samaritano Paulista, a falta de ar, a perda de capacidade física e as palpitações são sinais que também aparecem em diversas doenças pulmonares e cardíacas.
“Como os tumores no coração são raros, eles dificilmente são a primeira suspeita. Muitas vezes o paciente apresenta sintomas muito parecidos com os de insuficiência cardíaca, arritmias ou doenças pulmonares”, explica.
Por isso, o diagnóstico costuma depender de exames de imagem.
Quando há suspeita de alteração no coração, o primeiro exame indicado costuma ser o ecocardiograma, um ultrassom que permite visualizar as estruturas cardíacas.
Dependendo do caso, também podem ser solicitados:
Esses exames ajudam a identificar massas dentro do coração, derrames no pericárdio ou alterações no funcionamento do órgão.
Os especialistas dizem que a falta de ar persistente nunca deve ser ignorada, principalmente quando aparece acompanhada de outros sintomas. Entre os sinais que merecem investigação médica estão:
“Na maioria das vezes a causa da falta de ar não é um tumor no coração. Mas sintomas persistentes precisam sempre ser avaliados. Em oncologia, quanto mais cedo se investiga, maiores são as chances de diagnóstico correto”, reforça Tiago Kenji.
Embora o câncer no coração seja raro, os especialistas destacam que a atenção aos sinais do corpo e a busca por avaliação médica são fundamentais para identificar doenças cardíacas, e outras condições graves, de forma precoce.
