
Quem nunca foi picado ou incomodado com o zumbido de um mosquito antes de dormir e já se perguntou qual é a utilidade desses insetos no mundo? De primeira, a associação costuma ser negativa, principalmente por causa das doenças transmitidas por algumas espécies.
No entanto, do ponto de vista científico, os mosquitos têm funções muito importantes na natureza. Eles fazem parte de cadeias alimentares, participam do ciclo de nutrientes em ambientes aquáticos e também atuam na polinização de plantas.
“Existem mais de 3.500 espécies de mosquitos descritas no mundo, mas só algumas estão envolvidas na transmissão de doenças humanas. Os principais vetores pertencem aos gêneros Aedes, Anopheles e Culex, responsáveis pela transmissão de enfermidades como dengue, malária, zika e febre chikungunya”, explica a professora de biologia Camila Braga, do Colégio Objetivo de Brasília.

Os mosquitos fazem parte da dieta de vários organismos. Aves, morcegos, peixes, anfíbios e outros insetos usam os mosquitos como fonte de energia em fases diferentes da vida.
Em ambientes naturais, a presença deles ajuda a sustentar cadeias alimentares com oferta de nutrientes, já que muitos predadores dependem desse tipo de recurso para sobreviver.
Grande parte do ciclo de vida dos mosquitos ocorre na água. Nessa fase, as larvas se alimentam de algas, bactérias e matéria orgânica presente em lagoas, poças e outros reservatórios.
Esse processo participa da reciclagem de nutrientes e também fornece alimento para organismos aquáticos, como peixes e outros animais pequenos.
Apesar de serem conhecidos por se alimentarem com sangue, os mosquitos adultos obtêm a maior parte da energia no néctar das flores.
Ao visitar plantas para consumir açúcar, os insetos acabam transportando pólen entre flores e isso contribui para a reprodução de algumas espécies vegetais.
Existem milhares de espécies de mosquitos distribuídas em diferentes regiões do mundo. Nesse contexto, cada uma ocupa seu próprio nicho ecológico, com funções ligadas ao ambiente em que vive.
Além disso, por estarem conectados a vários organismos diferentes e processos naturais, os mosquitos participam do funcionamento de muitos ambientes.
“Reduzir populações de mosquitos que transmitem doenças é importante, mas extinguir esses insetos pode causar consequências ecológicas que muitas vezes não são previstas”, ressalta o médico veterinário Rodrigo Rabello Duemes, membro do Instituto de Biologia Marinha e Meio Ambiente (IBIMM).
