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Bactérias resistentes agravam infecções no pé diabético, aponta estudo

Feridas nos pés são uma das complicações mais comuns da diabetes. Quando não cicatrizam corretamente, as lesões podem se transformar em infecções graves, levando a internações prolongadas e, em casos extremos, à amputação do membro.

Entre as bactérias encontradas com frequência nessas feridas, está a Escherichia coli (E. coli), conhecida por causar infecções intestinais, mas que também pode provocar doenças fora do intestino.

Até agora, porém, pouco se sabia sobre quais tipos de E. coli estavam envolvidos nessas infecções relacionadas à diabetes e por que algumas delas evoluem de forma tão agressiva.

Pesquisadores da Escola de Imunologia e Ciências Microbianas da King’s College London, no Reino Unido, analisaram 42 amostras de E. coli retiradas de feridas do pé diabético de pacientes de vários países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Índia e China.

O estudo publicado no jornal científico Microbiology Spectrum em 13 de janeiro mostrou que não existe uma única cepa responsável pelas infecções. Pelo contrário: há uma grande diversidade genética entre as bactérias encontradas.

Isso significa que diferentes tipos de E. coli conseguem se adaptar ao ambiente das feridas crônicas, o que dificulta tanto o diagnóstico quanto o tratamento.

Resistência a antibióticos é comum

Um dos achados mais preocupantes foi a alta taxa de resistência a medicamentos. Cerca de 78% das amostras analisadas eram resistentes a múltiplos antibióticos, incluindo remédios usados apenas em casos graves, como carbapenêmicos e colistina. Na prática, isso reduz as opções de tratamento disponíveis, aumenta o risco de falha terapêutica e prolonga a infecção, elevando as chances de complicações.

Além da resistência, muitas cepas carregavam genes de virulência, que tornam a bactéria mais capaz de causar doença. Esses genes ajudam a E. coli a se fixar nos tecidos, escapar do sistema imunológico e obter nutrientes essenciais para sobreviver na ferida.

Algumas dessas características estão associadas a infecções invasivas, que podem se espalhar para a corrente sanguínea e causar quadros graves, como a sepse.

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O diabetes surge devido ao aumento da glicose no sangue, que é chamado de hiperglicemia. Isso ocorre como consequência de defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas

A função principal da insulina é promover a entrada de glicose nas células, de forma que elas aproveitem o açúcar para as atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na sua ação ocasiona o acúmulo de glicose no sangue, que em circulação no organismo vai danificando os outros órgãos do corpo
Uma das principais causas da doença é a má alimentação. Dietas ruins baseadas em alimentos industrializados e açucarados, por exemplo, podem desencadear diabetes. Além disso, a falta de exercícios físicos também contribui para o mal
O diabetes pode ser dividido em três principais tipos. O tipo 1, em que o pâncreas para de produzir insulina, é a tipagem menos comum e surge desde o nascimento. Os portadores do tipo 1 necessitam de injeções diárias de insulina para manter a glicose no sangue em valores normais
Já o diabetes tipo 2 é considerada a mais comum da doença. Ocorre quando o paciente desenvolve resistência à insulina ou produz quantidade insuficiente do hormônio. O tratamento inclui atividades físicas regulares e controle da dieta

 O que pode mudar após o estudo

Segundo os autores, entender melhor o perfil genético dessas bactérias pode ajudar médicos a escolher tratamentos mais adequados desde o início. Em vez de usar antibióticos de forma empírica, o sequenciamento genético permite identificar quais medicamentos têm mais chance de funcionar em cada caso.

O pesquisador Vincenzo Torraca, do King’s College London, afirma que esse tipo de análise pode reduzir infecções persistentes, hospitalizações longas e risco de amputações.

“Os dados são especialmente importantes para países com menos acesso a exames avançados, onde infecções do pé diabético são mais difíceis de tratar”, afirma.

Os cientistas agora pretendem investigar como esses fatores de virulência influenciam a evolução clínica das feridas. A expectativa é que, no futuro, essas informações ajudem a desenvolver diagnósticos mais rápidos, tratamentos personalizados e estratégias mais eficazes para prevenir complicações graves em pessoas com diabetes.

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