
Cientistas da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, descobriram uma bactéria presente no intestino que pode estar relacionada com a perda de memória. A pesquisa, feita a partir de experimentos com ratos, foi publicada nessa quarta-feira (11/3) na revista Nature.
O trabalho indica que o microrganismo identificado como Parabacteroides goldsteinii interfere na comunicação entre o intestino e o cérebro, prejudicando o funcionamento de circuitos envolvidos na memória e no aprendizado.
O estudo foi realizado em camundongos jovens e sugere que alterações específicas na microbiota intestinal — o conjunto de bactérias que vivem no sistema digestivo — podem influenciar diretamente o funcionamento do cérebro.
O intestino abriga trilhões de microrganismos que participam de diversas funções do organismo, como digestão, metabolismo e defesa do corpo. Nos últimos anos, cientistas também passaram a investigar o chamado eixo intestino-cérebro, um sistema de comunicação que conecta o sistema digestivo ao nervoso.
Essa comunicação ocorre por diferentes caminhos, incluindo hormônios, substâncias produzidas por bactérias e sinais transmitidos por nervos que ligam diretamente o intestino ao cérebro. Alterações nesse equilíbrio podem afetar não apenas a digestão, mas também funções neurológicas.
No estudo, os cientistas observaram que a Parabacteroides goldsteinii se torna mais abundante com o envelhecimento dos camundongos.
Para chegarem aos resultados, os cientistas introduziram essa bactéria em camundongos jovens e os animais passaram a apresentar déficits de memória semelhantes aos observados em ratos mais velhos.
Isso sugere que a bactéria não apenas aparece junto com o envelhecimento, mas pode contribuir diretamente para o declínio cognitivo observado nos experimentos.
De acordo com os autores, embora os experimentos tenham sido feitos apenas em camundongos, a descoberta reforça uma linha crescente de pesquisas que investigam como a microbiota intestinal pode influenciar o cérebro.
Segundo os pesquisadores, compreender melhor essa relação pode ajudar no futuro a desenvolver novas estratégias para lidar com a perda de memória associada à idade. No entanto, ainda serão necessários estudos adicionais — inclusive em humanos — para confirmar se mecanismos semelhantes também ocorrem nas pessoas.
