
A sirene de alerta precisa tocar em alto e claro som nos arredores da Vila Belmiro nos próximos dias. Neste domingo, o Santos tropeçou novamente no Campeonato Brasileiro e, dessa vez, perdeu para um rival direto na briga contra o rebaixamento, o Grêmio, por 1 a 0.
O time ocupa a penúltima posição no torneio, com quatro pontos em sete rodadas. A pontuação baixa pode cobrar um preço alto em dezembro.
Não há, no clube, quem escape de responsabilidade por esse momento ruim. De diretoria ao elenco, é preciso uma reflexão e correção de rota para que 2025 não acabe de forma tão trágica como em 2023. O penúltimo lugar é reflexo de um time desequilibrado e individualmente falho na temporada.
Cleber Xavier mostrou ideias e, principalmente, coragem ao mexer na equipe de forma contundente para visitar a equipe gremista, mas não será nenhum salvador da pátria em um cenário adverso.
Cleber apostou em um Santos bastante modificado em Porto Alegre: entraram no time Luisão, Luan Peres, Tomás Rincón, Thaciano, Soteldo e Deivid Washington. Um 11 arrojado que, no papel, parecia ter chances de um melhor resultado do que no jogo passado.
Pouco mais de dez minutos de jogo foram suficientes para mostrar que nem tudo é o que parece: Luan Peres, um dos melhores zagueiros do Santos num passado não tão distante, foi um dos piores em campo, com cartão logo no início, um quase pênalti e totalmente sem tempo de bola.
Luisão, escalado novamente para atuar como um lateral-direito em que pese sua posição de origem ser a de zagueiro, também não correspondeu, dando espaços, sendo amarelado e falhando na marcação no gol marcado pelo Grêmio no fim da partida.
Rollheiser, outrora destaque por sua atuação como camisa 10, centralizado e dono da construção das jogadas ofensivas, acabou deslocado para a ponta direita com a entrada de Thaciano no time. Nem Thaciano foi efetivo como construtor, nem o argentino funcionou encaixotado na marcação pelo lado.
Coube a Soteldo, então, a missão de arrastar o time do Santos para o ataque. E assim o fez com maestria, foi o dono das ações ofensivas alvinegras pela ponta esquerda, com velocidade, bom posicionamento e drible, mas deixou a desejar na tomada de decisão final nas jogadas.
Deivid Washington, mais leve e veloz do que Tiquinho Soares, tentou sair da área para ajudar o Santos a chegar de forma mais contundente ao gol de Thiago Volpi, mas a maioria das finalizações acabaram indo para fora das traves.
A situação piorou para o Santos, que chegou a dominar o jogo no terço final do primeiro tempo, com as mudanças feitas por Clebinho. Escobar, segundo o treinador, sentiu um desconforto e quase não foi relacionado para o jogo, mas, escalado como titular, suportou bem a pressão.
Sua saída, na reta final da partida, acabou sendo determinante para a derrota. Kevyson entrou em seu lugar na lateral e quase no lance seguinte, permitiu ao Grêmio chegar com facilidade por seu setor, cruzar na área e contar com mais falhas defensivas para abrir o placar.
JP Chermont, Matheus Xavier, Tiquinho e Bontempo, que entraram na etapa final, não conseguiram nem de longe esboçar nova reação da equipe na partida.
O começo de Brasileirão mostra ao Santos que o elenco é desequilibrado e precisará ser encorpado com a pausa no meio do ano. A defesa é um setor que exigirá do clube maior investimento. É preciso enxergar que o que acontece hoje cobrará do clube no futuro.
