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À espera de trigêmeos, mãe relata momento em que soube que a filha ficou em estado vegetativo

Juliana Alves Silva, 39 anos, estava nas últimas semanas de uma gravidez de trigêmeos quando a primogênita, Kaillany, de 15 anos, sofreu um grave acidente de carro. A jovem teve parada cardíaca, traumatismo craniano severo e precisou passar por uma cirurgia com apenas 10% de chance de sobreviver.

Segundo contou à CRESCER, os médicos a alertaram sobre a possibilidade real de que, mesmo resistindo, a adolescente viveria em estado vegetativo. O diagnóstico se confirmou quando, após 32 dias de internação, Kaillany recebeu alta ainda sem qualquer resposta neurológica consistente – exatamente no momento em que Juliana enfrentava os maiores cuidados de uma gravidez de alto risco.

Ela, que é de São Paulo, conta que a notícia chegou por meio de uma ligação inesperada e que, antes mesmo de atender, teve uma sensação intensa de que algo grave havia acontecido. “Quando eu sentei na cama, Deus falou comigo de forma muito clara: ‘Não é para a morte e, sim, para a glória de Deus’”, afirma.

A confirmação do acidente veio de maneira abrupta do outro lado da linha, com a pergunta: “Seu esposo está aí?”. Para ela, aquele momento marcou o início do período mais desafiador de sua vida.

Do impacto do acidente à rotina intensa de cuidados

As limitações da gestação impediram que Juliana permanecesse no hospital durante toda a internação. Ela conta que enfrentava “momentos de muito medo, ansiedade e desgaste emocional”, mas que buscava acompanhar tudo por chamadas de vídeo, visitas rápidas e conversas constantes com a equipe.

Seu marido, Renato, a cunhada Tamires e Paulo – enfermeiro e considerado por ela como pai de coração – se revezavam para que Kaillany nunca ficasse sozinha. “Eles faziam escala para que ela nunca ficasse sem alguém ao lado”, lembra.

Quando a filha voltou para casa em estado vegetativo, foi necessário reorganizar toda a dinâmica familiar. Kaillany não se alimentava sozinha, precisava de cuidados contínuos e demandava atenção integral. Juliana, então com o corpo fragilizado pela gestação, fazia questão de estar presente, mesmo diante do cansaço extremo. “Mesmo grávida, mesmo cansada, mesmo emocionalmente esgotada, eu estava ali”, afirma. Ela explica que, diante de cada pequeno avanço, sentia que “não era algo comum, era um milagre acontecendo diante dos meus olhos”.

Nesse período, a rede de apoio se tornou indispensável. Elena, prima e enfermeira, dividia seus plantões entre o hospital e a casa de Juliana. “Ela se tornou como uma segunda mãe para a Kaillany. Ela estava comigo, cuidando, ajudando e sustentando aquele momento tão delicado”, conta.

Além dela, a mãe de Juliana, amigos, familiares e membros da igreja se mobilizaram para que ela pudesse enfrentar a sobrecarga emocional e física. “Houve dias em que eu não tinha forças nem para falar, e foram eles que me sustentaram em presença, em oração e com gestos simples que carregavam um amor imenso”, lembra.

Juliana explica que, apesar do desgaste, a fé foi o que deu força para continuar: “A minha fé não me livrou da dor, mas me deu estrutura para permanecer de pé no meio dela”.

A evolução em casa, os marcos da recuperação e a conclusão da história

Os primeiros sinais de melhora surgiram cerca de 30 dias após a alta. A mãe recebeu um vídeo de Kaillany subindo uma escada – algo impensável no momento em que deixou o hospital.

Mesmo com gastrostomia (GTT) – sonda inserida diretamente no estômago através da parede abdominal para alimentação, hidratação e medicação –, ela passou a apresentar avanços consistentes. “Com 62 dias, ela começou a comer normalmente. Com 163 dias, já estava pulando”, relembra Juliana.

A fala, inicialmente considerada perdida, também voltou meses depois. “Disseram que ela não falaria mais, mas quase sete meses após o acidente, ela falou a primeira palavra e, no outro dia, cantou”, disse a mãe, destacando que cada etapa da recuperação foi vivida sem pressa, respeitando o tempo da filha.

Na rotina de reabilitação, a participação de Renato – que é pai das trigêmeas e “o pai que Kaillany escolheu quando tinha 4 anos e 8 meses” – continuou essencial. Para Juliana, o marido foi “suporte, força e presença dentro de casa”, compartilhando integralmente cada fase do processo. A ajuda de Paulo, Tamires e Elena se manteve constante, garantindo suporte técnico e emocional. “Cada ajuda foi um presente de Deus naquele tempo”, resume.

Mesmo atravessando um período de grande estresse, Juliana afirma que as trigêmeas permaneceram bem durante toda a gestação. Ela considera que o processo vivido pela filha e a estabilidade das bebês fizeram parte de um mesmo movimento de superação dentro da família: “Eu entendi que aquele milagre não era só sobre a Kaillany, era sobre toda a minha casa”.

Hoje, ela olha para a recuperação da filha como a soma de cuidados especializados, amor, apoio e fé. “Humanamente, não seria possível dar conta de tudo, mas com Deus eu vivi o impossível todos os dias.”

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