
30% dos brasileiros só têm acesso gratuito a cultura, diz pesquisa
A ideia de pagar por atividades culturais ainda é algo distante de uma grande parcela dos brasileiros. Para 30% da população maior de 12 anos, só é possível ter acesso gratuito à cultura, independentemente da classe social. O dado faz parte da Pesquisa JLeiva Cultura nas Capitais, divulgada na manhã desta terça-feira (24), em São Paulo.
Segundo o estudo, o cinema é a atividade mais procurada pelas pessoas, seguido por shows de música.
O que determina, porém, o tamanho do envolvimento da população com atividades culturais não é o bolso, mas sim o grau de instrução. “O nível de escolaridade das pessoas impacta enormemente no consumo da cultura. Mais do que questões financeiras, o nível de escolaridade define se a pessoa consome ou não cultura”, explica o diretor da JLeiva Cultura & Esporte, João Leiva.
Outro ponto destacado é que somente a metade dos entrevistados escolhe o que fazer das atividades culturais. Isso mostra que esses programas não são feitos sozinhos, mas usados para socialização.
Diferença de gênero
A pesquisa também mostra que as mulheres se interessam mais por atividades culturais do que os homens. Mesmo com um nível de escolaridade maior, elas têm menos acessos do que eles.
O principal motivo apontado pelo estudo são os aspectos econômicos, já que as mulheres na maioria das vezes recebem salários mais baixos do que os homens.
No caso de pessoas com filhos, elas também têm menos acesso à cultura, porque cumprem a dupla jornada, trabalho formal e doméstico, e não sobra tempo para outras atividades.
"Para as mulheres da classe C, D e E é inaceitável fazer atividades cuturais sem os filhos. Com isso, a renda passa ter um impacto maior ainda na escolha das atividades no tempo livre", explicou Ricardo Meirelles do Núcleo de Pequisa da consultoria JLeiva.
A pesquisa inédita sobre a relação da população com atividades culturais foi feita nas 12 capitais brasileiras mais populosas: São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Manaus (AM), Curitiba (PR), Recife (PE), Porto Alegre (RS), Belém (PA) e São Luís (MA) — Goiânia (GO) foi substituída por São Luiz para aumentar a representatividade do Nordeste, já que a Centro-Oeste já estava no estudo. O levantamento foi feito entre os dias 14 de junho e 27 de julho de 2017 e ouviu 10.630 pessoas.
A apresentação foi feita no auditório da Pinacoteca de São Paulo, na região da Luz.
