
Quando ocorrem repetidamente, os picos de glicose favorecem a inflamação, aumento da fome, maior acúmulo de gordura abdominal e piora progressiva do metabolismo, conforme aponta o endocrinologista e metabologista Nemer Finotelo. O médico destaca que a instabilidade glicêmica é “mais perigosa do que muitas pessoas imaginam.”
De acordo com o especialista, que atende em Florianópolis (SC), quando a glicose oscila demais, pode ser “um sinal de que o organismo já está perdendo eficiência metabólica”. Entre os órgãos afetados pela hiperglicemia, consta a tireoide, glândula com a função de sintetizar os hormônios triiodotironina (T3) e tiroxina (T4).
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, o médico expert em emagrecimento explica que a curto prazo a descompensação metabólica resultante da instabilidade glicêmica pode alterar exames hormonais de forma transitória, “sem necessariamente significar uma doença estrutural na tireoide.”
Já a longo prazo, Nemer salienta que o principal problema dos constantes picos de glicose é a manutenção de um ambiente de inflamação, resistência à insulina e desregulação metabólica. Na avaliação do médico, esse cenário pode “coexistir com alterações hormonais” e dificultar sintomas, como cansaço e ganho de peso.
O metabologista acrescenta que outros indícios são a lentidão metabólica e a dificuldade de controle do apetite. O especialista em saúde hormonal enfatiza: “Os picos de glicose não costumam ser a causa isolada de um problema tireoidiano, mas podem contribuir para um cenário hormonal cada vez mais desfavorável.”

