
Responsáveis por filtrar toxinas do sangue, regular a pressão arterial e controlar o balanço de líquidos no corpo, os rins são órgãos essenciais para o equilíbrio do organismo. Por conta disso, é preciso estar atento aos diversos hábitos do dia a dia, os quais podem prejudicar o funcionamento desses órgãos.
Segundo a nefrologista Daphnne Camaroske Lopes, da clínica Fenix Nefrologia, o problema é que os danos costumam se desenvolver de forma silenciosa. “Os rins são órgãos silenciosos, e por isso muitos hábitos prejudiciais passam despercebidos por anos. O problema não está em um único hábito isolado, mas na repetição diária de pequenas agressões que, ao longo do tempo, podem levar à perda progressiva da função renal”, explica.
A seguir, especialistas apontam cinco comportamentos comuns que podem prejudicar a saúde dos rins.
A ingestão insuficiente de líquidos está entre os fatores que mais impactam a saúde renal.Quando o corpo recebe pouca água, o volume de sangue circulante diminui, reduzindo o fluxo que chega aos rins.
De acordo com o urologista Douglas de Pádua Rodrigues, do Hospital Mater Dei Goiânia, isso pode favorecer problemas urinários e renais. “A baixa ingestão hídrica reduz o volume urinário e aumenta a concentração de substâncias na urina, o que favorece a formação de cálculos renais e infecções”, diz.
Além disso, a urina mais concentrada também pode facilitar o acúmulo de minerais, aumentando o risco de pedras nos rins.
Dietas que contenham grandes quantidades de sódio também podem ser prejudiciais.O consumo exagerado de sal está associado ao aumento da pressão arterial, que é uma das principais causas de doença renal crônica.
Segundo Daphnne Camaroske Lopes, alimentos ultraprocessados costumam concentrar grandes quantidades de sódio e aditivos químicos. “Esses produtos podem sobrecarregar os rins de forma contínua e, com o tempo, contribuir para alterações na função renal”, afirma.
Recorrer a analgésicos e anti-inflamatórios sem orientação médica pode ser uma hábito prejudicial. O uso frequente dessas medicações tem potencial de comprometer o funcionamento dos rins.
A nefrologista explica que medicamentos como anti-inflamatórios podem reduzir o fluxo de sangue que chega aos rins, prejudicando a capacidade de filtração. Mesmo em pessoas saudáveis, o uso frequente e sem orientação pode causar lesão renal aguda ou contribuir para perda de função ao longo do tempo.
Dietas hiperproteicas, comuns em programas de emagrecimento ou ganho de massa muscular, também exigem atenção.
Segundo Douglas, o excesso de proteína pode aumentar a carga de trabalho dos rins. “Esse tipo de alimentação eleva a taxa de filtração renal. Em pessoas saudáveis, geralmente é tolerado, mas em indivíduos com predisposição ou doença renal pode acelerar a perda de função”, explica.
Por isso, o especialista recomenda avaliação médica antes de iniciar dietas muito restritivas ou com alto teor de proteínas.
Um dos maiores desafios no diagnóstico de problemas renais é que os sintomas costumam surgir apenas em fases mais avançadas da doença.
O urologista Rodrigo Arbex Chaves, do Hospital Mantevida, diz que alguns sinais podem indicar alterações nos rins. “Inchaço nas pernas ou no rosto ao acordar, pressão alta, diminuição do volume de urina, dor nas costas e presença de sangue na urina são sinais de alerta importantes”, explica.
Mesmo sem sintomas, especialistas recomendam acompanhamento médico e exames de rotina para avaliar a saúde renal.
Daphnne Lopes ressalta que exames simples podem identificar alterações precocemente. “A dosagem de creatinina no sangue e a análise de proteína na urina são fundamentais para detectar problemas renais ainda no início. O ideal é realizar esses exames pelo menos uma vez por ano”, orienta.
O cuidado com a hidratação, a alimentação equilibrada e o uso responsável de medicamentos são medidas importantes para preservar a saúde renal e evitar complicações futuras.
