Anteriormente se acreditava que o interior do útero era um ambiente estéril. A composição de bactérias no endométrio, camada que reveste internamente o órgão, embora em menor quantidade do que em outras regiões do corpo, pode interferir na implantação do embrião e ajudar a explicar por que algumas tentativas de fertilização in vitro falham mesmo com embriões de boa qualidade.
Uma nova peça no quebra-cabeça da infertilidade
Estudos recentes mostram que um endométrio com predomínio de bactérias do tipo lactobacilo tende a estar associado a melhores taxas de implantação. Por outro lado, quando há desequilíbrio dessa microbiota – condição chamada de disbiose – o ambiente uterino pode se tornar menos receptivo.
Esse fator ganha relevância especialmente em casos em que tudo parece adequado: embriões de boa qualidade, preparo endometrial correto e, ainda assim, repetidas falhas de implantação. Nestes cenários, o microbioma pode ser uma das variáveis envolvidas.
Quando a fertilização falha sem explicação clara
Na prática da reprodução assistida, uma das situações mais desafiadoras é a falha de implantação repetida. Quando não há causas evidentes, o microbioma endometrial passou a ser investigado como um possível fator associado.
Alterações na flora bacteriana podem provocar processos inflamatórios locais, resposta imunológica aumentada e redução da receptividade do endométrio para o embrião – elementos importantes para o sucesso da gestação.
Isso não significa que o microbioma seja a causa de todos os insucessos, mas ele amplia o olhar sobre um fator antes pouco considerado.
O que já é possível fazer – e os limites atuais
Hoje, já existem exames capazes de avaliar o microbioma endometrial a partir de amostras do próprio endométrio. Esses testes ajudam a identificar diversos tipos e quantidades de bactérias mostrando a presença de bactérias indesejadas ou possíveis desequilíbrios do microbioma.
Em alguns casos, estratégias como uso direcionado de antibióticos ou probióticos podem ser considerados. No entanto esta é uma área em evolução, e não há consenso sobre os melhores protocolos a serem utilizados em casos de disbiose.
A incorporação desse novo conhecimento representa uma mudança importante na forma de entender a infertilidade. Porque, cada vez mais, fica claro que a implantação do embrião não depende apenas da qualidade genética ou níveis hormonais – mas também de um ambiente biológico complexo, onde até microrganismos microscópicos podem fazer diferença.
A pressão alta não depende apenas de genética, alimentação rica em sal ou sedentarismo. A saúde mental também pode ter papel importante no desenvolvimento e no controle da hipertensão. Estresse crônico, ansiedade e depressão mantêm o organismo em estado de alerta, ativam mecanismos ligados à resposta ao perigo e podem dificultar a regulação da pressão arterial no dia a dia.
A relação aparece tanto no corpo quanto no comportamento. Segundo o cardiologista Marcelo Bergamo, do Hospital Santa Bárbara d’Oeste, em São Paulo, condições emocionais como ansiedade, depressão e estresse crônico ativam alguns sistemas do organismo (especialmente o sistema nervoso simpático e o eixo hormonal do estresse) que podem levar ao aumento da pressão arterial.
“Não é raro que pacientes hipertensos também apresentem algum grau dessas condições emocionais. Na prática, o sofrimento mental pode atrapalhar a rotina da medicação, piorar a qualidade do sono, reduzir a prática de atividade física e favorecer uma alimentação mais desregulada, com maior consumo de sal e ultraprocessados”, explica Bergamo.
A hipertensão arterial sistêmica, conhecida como pressão alta, ocorre quando o sangue circula com força excessiva pelas artérias. Em geral, é considerada quando os níveis de pressão arterial são iguais ou superiores a 140/90 mmHg em repouso. O problema pode ser silencioso por anos, mas aumenta o risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca e doença renal.
Sinais de alerta
Nem sempre é simples perceber quando fatores emocionais estão interferindo na pressão. Um dos sinais é a ocorrência de picos em momentos de estresse, ansiedade ou tensão. Palpitações, suor excessivo, tensão muscular, dor de cabeça e grande variação nas medidas ao longo do dia também podem indicar influência emocional.
Por isso, medir a pressão regularmente e fazer acompanhamento médico são cuidados fundamentais, especialmente para pessoas que já têm diagnóstico ou histórico familiar da doença.
A saúde mental também influencia a adesão ao tratamento. Pacientes com ansiedade podem esquecer medicações, usar remédios de forma irregular ou ter medo de efeitos colaterais. Já a depressão pode reduzir a motivação e a energia para manter consultas, atividade física e alimentação equilibrada.
Sono ruim, sedentarismo, alimentação desregulada e uso de álcool formam a conexão direta entre saúde mental e pressão alta.
“A pessoa dorme pior, se movimenta menos, come de forma mais impulsiva e pode recorrer ao álcool como forma de aliviar o estresse. O resultado é um ciclo em que um problema alimenta o outro”, explica Bergamo.
Corpo em alerta constante
O médico de família Tiago Rodrigues Cavalcante, da plataforma INKI, explica que o vínculo entre saúde mental e hipertensão está na permanência do corpo em estado de vigilância. O estresse, quando constante, exige grande gasto de energia e sobrecarrega órgãos como coração e cérebro. Já a ansiedade mantém o sistema nervoso acelerado, como se o organismo estivesse preparado para uma emergência que nunca chega.
“A hipertensão arterial sistêmica é o resultado físico dessa sobrecarga emocional e fisiológica. Quando o corpo permanece em estado de alerta constante, os vasos sanguíneos ficam mais contraídos e rígidos, dificultando a passagem do sangue. Com o tempo, a pressão pode subir com mais frequência. Em quem já tem diagnóstico de hipertensão, o estresse crônico funciona como um agravante, provocando picos de pressão e maior oscilação ao longo do dia”, afirma Rodrigues.
O estresse pode contribuir para o surgimento da hipertensão em pessoas predispostas e também piorar quadros já existentes. Por isso, especialistas defendem que o tratamento da pressão alta considere não apenas medicamentos e hábitos de vida, mas também fatores emocionais persistentes.
Você não precisa correr quilômetros para cuidar da saúde mental. Uma caminhada de apenas 15 minutos com uma intenção diferente já é suficiente para transformar o seu dia.
Essa é a proposta da awe walk, técnica com respaldo científico que está ganhando atenção em todo o mundo. O diferencial não é a velocidade nem a distância, mas o estado de espírito com que você sai de casa.
O que é uma awe walk
O termo “awe” significa espanto ou admiração em inglês. A awe walk é, portanto, uma caminhada feita com o objetivo de notar o que há de extraordinário no mundo ao redor.
Não se trata de buscar paisagens deslumbrantes ou trilhas exóticas. O foco é perceber detalhes do cotidiano: a luz entre as árvores, a textura de uma parede antiga, o som dos pássaros ao fundo.
Essa mudança de perspectiva durante a caminhada ativa mecanismos cerebrais ligados ao bem-estar. E os efeitos vão muito além do momento da prática.
O que a ciência comprova
Um estudo publicado no periódico científico Emotion, conduzido pela Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF), acompanhou adultos que fizeram awe walks semanais de 15 minutos durante oito semanas.
Os resultados foram claros. Os participantes relataram aumento das emoções positivas, redução do estresse diário e maior sensação de conexão com outras pessoas.
Um dado curioso reforça os achados: as selfies tiradas durante as caminhadas mostraram, ao longo das semanas, sorrisos progressivamente mais amplos e rostos mais voltados para o ambiente do que para si mesmos.
Os benefícios comprovados para o corpo e a mente
A awe walk age por múltiplos caminhos ao mesmo tempo, segundo os pesquisadores. Veja o que acontece no organismo durante a prática.
Sensação de que os problemas pessoais ficam menores.
Aumento de gratidão, compaixão e alegria.
Redução da ruminação mental e dos pensamentos negativos.
Melhora na qualidade do sono e no equilíbrio emocional.
Um estudo de 2023, acompanhando 269 adultos por 22 dias, revelou que nos dias com mais experiências de admiração, os participantes relataram 20% menos estresse e menos queixas físicas, segundo a National Geographic.
Como a awe walk é diferente de uma caminhada comum
A diferença não está no corpo, mas na atenção. Veja o que muda na prática.
A caminhada comum costuma ter foco em ritmo, passos ou calorias. A atenção vai para dentro, muitas vezes acompanhada de fone de ouvido, mensagens no celular ou pensamentos sobre o trabalho.
Na awe walk, o objetivo é o oposto. A atenção vai para fora, de forma curiosa e aberta. O celular fica no bolso, e os sentidos ficam livres para captar o que está ao redor.
Essa troca de postura muda completamente a experiência, mesmo que o trajeto seja o mesmo de sempre.
Como fazer uma awe walk do jeito certo
Não há regras rígidas, mas algumas orientações ajudam a potencializar os resultados.
Escolha um percurso diferente do habitual, sempre que possível.
Deixe o celular no silencioso e guarde os fones de ouvido.
Caminhe em ritmo tranquilo, sem se preocupar com tempo ou distância.
Observe ativamente o ambiente: cores, formas, sons, texturas e movimentos.
Permita-se pausar diante de algo que chame a atenção.
Não force o sentimento: a admiração surge naturalmente quando a atenção está presente.
Quinze minutos uma vez por semana já são suficientes para perceber diferença, segundo os estudos. Com a prática regular, os efeitos se acumulam e se estendem para além do momento da caminhada.
Comece hoje mesmo!
A awe walk não exige equipamento, aplicativo ou academia. Qualquer espaço ao ar livre serve, seja um parque, uma rua arborizada ou até o trajeto até o mercado.
O primeiro passo é sair com uma intenção diferente. Em vez de pensar no que precisa fazer depois, pergunte a si mesmo: “o que há de interessante aqui que eu nunca parei para notar?”.
Essa pergunta simples já é o suficiente para transformar uma caminhada comum em uma prática poderosa de cuidado com a saúde mental.
Quando o tempo vira ou a gripe começa a circular, a primeira reação de muita gente é correr para o suco de laranja.
A fruta é excelente, mas o nosso sistema imunológico é complexo. Ele precisa de um exército variado de nutrientes para funcionar perfeitamente.
A imunidade é a defesa natural do corpo contra vírus, bactérias e fungos. Manter essa barreira alta depende diretamente do que você coloca no prato.
O portal Saúde em Dia preparou uma lista com 9 alimentos poderosos que são verdadeiros aliados da sua saúde. Confira!
1. Alho
O alho é um dos melhores antibióticos naturais que existem. Ele contém alicina, um composto que ajuda a combater infecções e reduzir a inflamação.
Para aproveitar o máximo de seus benefícios, o ideal é consumi-lo cru ou levemente picado em preparações finais.
2. Gengibre
O gengibre é um termogênico potente com ação bactericida. Ele ajuda a reduzir dores de garganta e processos inflamatórios no corpo.
Além disso, o gengibre estimula a circulação, ajudando as células de defesa a chegarem onde são necessárias.
3. Iogurte natural
A saúde começa no intestino. O iogurte natural é rico em probióticos, as bactérias “do bem” que estimulam o sistema imune.
Um intestino equilibrado consegue absorver melhor os nutrientes e lutar contra invasores com mais eficiência.
4. Brócolis
O brócolis é um supervegetal. Ele é carregado de vitaminas A, C e E, além de fibras e antioxidantes.
Para preservar esses nutrientes, o segredo é cozinhá-lo no vapor por pouco tempo. Ele ajuda a proteger as células contra danos oxidativos.
5. Cúrcuma (Açafrão-da-terra)
A cúrcuma contém curcumina, uma substância com alto poder anti-inflamatório.
Ela é muito utilizada para fortalecer a imunidade e até para ajudar na recuperação muscular após exercícios intensos. Use-a para temperar carnes, arroz ou em shots matinais.
6. Semente de girassol
Essas sementes são ricas em fósforo, magnésio e, principalmente, vitamina E. A vitamina E é um antioxidante poderoso que regula a função do sistema imunológico.
Um punhado por dia já faz uma diferença enorme na sua proteção.
7. Espinafre
Assim como o brócolis, o espinafre é rico em vitamina C e inúmeros antioxidantes. Ele também possui betacaroteno, que aumenta a capacidade de combate às infecções do nosso sistema de defesa.
8. Amêndoas
Quando se trata de prevenir resfriados, a vitamina E costuma ficar em segundo plano após a vitamina C. Porém, ela é fundamental.
As amêndoas são fontes incríveis dessa vitamina lipossolúvel, que precisa de gordura para ser absorvida — e a própria amêndoa já oferece essa gordura saudável.
9. Kiwi
Você sabia que o kiwi tem mais vitamina C do que muitas variedades de laranja? Além disso, ele é rico em potássio, vitamina K e folato.
Esses nutrientes combinados ajudam a produzir glóbulos brancos, as células que combatem as infecções.
Dicas extras para uma imunidade de ferro
Não adianta comer bem apenas um dia na semana. A imunidade é construída com constância. Além da alimentação, não se esqueça de:
Beber água: A hidratação mantém as mucosas úmidas, dificultando a entrada de vírus.
Dormir bem: É durante o sono que o corpo regula suas funções de defesa.
Reduzir o estresse: O excesso de cortisol (hormônio do estresse) baixa a guarda do organismo.
Quando se pensa em animais de resgate, logo vem à mente os cães farejadores. No entanto, outro bicho incomum tem se destacado na função: uma lontra. Batizada de Splash por seu adestrador, ela já tem ajudado em várias buscas de resgate ou de desaparecidos, sendo acionada em especial nas missões aquáticas.
O animal de 2 anos de idade é uma lontra-de-unhas-curtas-asiática (Aonyx cinereus). Além de ter sido treinado, o bicho já tem certificação de busca e resgate. No currículo de Splash, já há mais de 30 operações, sendo oito descobertas feitas pelo mamífero.
A lontra tem como treinador e tutor Michael Hadsell, que faz parte da equipe da Peace River K9 Search and Rescue (Prsar), uma organização sem fins lucrativos voltada para a busca e resgate de pessoas desaparecidas. Segundo ele, o potencial sensorial e capacidade de adentrar lugares que os cães não podiam, o fez ter a ideia de que a ajuda de Splash seria essencial.
“O único animal que é móvel, que podemos transportar e usar em diferentes locais, e que se treina como os outros animais, como os cães e os cavalos, é a lontra. O cão pode até dar o sinal do barco, mas não consegue encontrar [as pistas] no fundo da água. E quando se trata de casos arquivados, os ossos e as evidências estão todos afundados na lama”, afirma Hadsell, em entrevista ao portal norte-americano Gulf Coast ABC.
Como atua Splash, a lontra
As buscas feitas pela lontra contam com um mecanismo natural e sofisticado: seus bigodes, também chamados de vibrissas. Esses pelos são bastante sensíveis e sensoriais. Através deles, o animalconsegue perceber movimentos e vibrações na água, independente da claridade. Dessa forma, os treinamentos de Hadsell focaram em aperfeiçoar ainda mais a habilidade.
Assim que volta debaixo d’água com alguma possível evidência, o animal anda em círculos e faz sons característicos da espécie conhecidos como guincho para avisar. Quando Splash e o treinador estão mergulhados, o mamífero tenta pegar a máscara de Hadsell para alertá-lo sobre pistas.
Divulgação/Michael HadsellImagem mostra a lontra em um dos resgates que participou
Entre as principais descobertas da lontra, está a solução de um caso de homicídio de 33 anos. Na ocasião, o animal recuperou um tijolo no fundo do lago, que posteriormente foi analisado e comparado com os ferimentos da vítima, ajudando a solucionar o mistério.
Além da lontra, a equipe de resgate de Hadsell conta mais dois cães. Enquanto os caninos supervisionam a superfície, o trabalho dentro d’água por conta do mamífero. A parceria utiliza o melhor de cada animal e torna os resultados mais precisos.
Na última segunda-feira (4), as duas foram flagradas no cinema do shopping Fashion Mall, em São Conrado, na Zona Sul do RJ. Essa, no entanto, não é a primeira vez que as duas são vistas juntas, o que corrobora com os rumores de um possível envolvimento entre elas.
As duas foram assistir “O Diabo Veste Prada 2”, acompanhadas pelos amigos André Nicolau e Renner Souza. Anitta chegou a atender alguns fãs, que se organizaram em fila para aguardá-la, enquanto Alice Carvalho e os amigos tentaram passar despercebidos.
Vale lembrar que no Carnaval, logo após Anitta contar a esta coluna do Metrópoles que estava solteira, as duas foram a um camarote na Sapucaí e curtiram juntinhas, além dos desfiles, o show do cantor Ne-Yo. No espaço VIP, o clima também foi de bastante intimidade e muita fofoquinha ao pé do ouvido.
Além disso, outro detalhe que chamou a atenção do público foi uma foto recente das duas, no aniversário da voz de “EQUILLIBRIVM”, em março. Na publicação, Anitta aparece agarradinha com Alice, num climinha bem “brincadeiras bobas e gostosas” – aliás, teve até uma mão boba na foto.
Preferência por mulheres
Na última semana, Anitta abriu o jogo sobre como está a sua vida amorosa neste momento. A cantora revelou que está muito criteriosa para se envolver com alguém e o que tem procurado em uma pessoa para entrar num relacionamento.
“Se não for aqui, ó, régua lá em cima, eu não estou afim de perder meu tempo. Quero pessoas que vão debater comigo, vão acrescentar coisa, trazer novidades, vou aprender junto e tal”, disse.
Ao conversar com Hugo Gloss, a artista comentou que tem encontrado dificuldade de encontrar os atributos que procura nos homens. “Homem, esquece. Se tiver um que leia um livro? Nossa senhora! Tem homem que opina muito, mas abre e lê um livro? Difícil de conseguir”, destacou.
“Mas mulher tem muita que lê um livro, estamos sempre aí!”, finalizou.
O Alzheimer é a maior causa de demência no mundo. No Brasil, mais de 1 milhão de pessoas vivem com a condição.
Estudos mostram que a doença dá sinais biológicos muito cedo. Essas alterações surgem até 20 anos antes dos sintomas clínicos aparecerem.
Nesta fase, chamada de pré-clínica, o cérebro já sofre mudanças. Porém, o paciente ainda não apresenta falhas de memória evidentes.
Apesar disso, o diagnóstico no país costuma ser tardio. Muitas vezes, a descoberta só ocorre quando a autonomia já está comprometida.
Por que o diagnóstico do Alzheimer ainda é demorado?
O atraso ocorre porque muitos sinais são vistos como “normais”. As famílias tendem a banalizar pequenos esquecimentos do envelhecimento.
O neurologista Diogo Haddad alerta que o esquecimento recorrente não é normal. Ter dificuldade para organizar tarefas habituais também merece investigação.
“A identificação precoce depende de uma avaliação estruturada”, afirma o médico. O uso de biomarcadores ajuda a detectar a doença nessa janela estratégica.
As três fases da evolução da doença
Entender como o Alzheimer progride ajuda a identificar o problema cedo. A evolução costuma ocorrer em três estágios principais:
Fase pré-clínica: alterações silenciosas no cérebro e sem sintomas.
Fase leve: falhas de memória recente e mudanças de comportamento.
Fase moderada a avançada: perda de autonomia e dependência total.
Papel da genética e dos novos exames
A ciência avançou muito no diagnóstico de casos precoces. Isso é fundamental para quem apresenta sintomas antes dos 60 anos.
O médico geneticista de Doenças Raras da Dasa Genômica, Roberto Giugliani, explica que alguns casos possuem origem genética. Para esse grupo, a investigação do DNA é essencial.
Atualmente, o Brasil já conta com o Painel NGS para Alzheimer. O exame analisa genes ligados às formas hereditárias da doença.
O teste utiliza uma coleta simples de sangue ou saliva. Ele identifica mutações associadas à predisposição genética de forma precisa.
Sinais de alerta para famílias e profissionais
O Alzheimer não é uma consequência natural do envelhecimento. É uma doença que exige cuidado, planejamento e tratamento adequado.
Identificar os sinais iniciais permite intervenções mais oportunas. Além disso, ajuda a família a se preparar para o futuro.
Fique atento a mudanças de humor sem explicação clara. Dificuldade em reconhecer compromissos recentes também é um alerta importante.
A busca por um especialista deve acontecer aos primeiros sinais. O diagnóstico precoce é uma prioridade estratégica de saúde pública.
O colágeno virou uma constante na publicidade de produtos para a pele e nas tendências de bem-estar nas redes sociais. Mas não se trata apenas de uma palavra da moda.
Para as mulheres, a perda de colágeno pode se tornar especialmente perceptível durante a perimenopausa e a menopausa. Alguns estudos sugerem que o colágeno da pele pode diminuir em até 30% nos primeiros cinco anos após a menopausa, com perdas adicionais de cerca de 2% ao ano depois disso. Nas redes sociais, isso às vezes é chamado de “queda abrupta do colágeno”, mas a ideia subjacente não é nova. Pesquisadores vêm escrevendo sobre os efeitos da menopausa na pele há décadas, com artigos que datam pelo menos da década de 1940 apontando para essa conexão.
Essa queda mais acentuada ocorre além das mudanças graduais que acompanham o envelhecimento. O colágeno parece diminuir com o tempo, com algumas estimativas sugerindo uma queda de cerca de 1% a 1,5% ao ano a partir do início da idade adulta.
O hormônio estrogênio ajuda a regular muitos processos no corpo, incluindo a produção de colágeno. Estudos com animais, mostraram que o estrogênio aumenta a produção de colágeno e a espessura da pele. Pesquisas em humanos também identificaram benefícios para a espessura da pele, a elasticidade e a cicatrização de feridas.
Isso se deve, em parte, ao fato de o estrogênio atuar sobre os fibroblastos, as células responsáveis pela produção de colágeno na pele. Quando os níveis de estrogênio caem durante a perimenopausa e a menopausa, essa sinalização se torna mais fraca. O resultado é uma menor produção de colágeno, acompanhada de pele mais fina, elasticidade reduzida e menor teor de água.
A perda de colágeno não pode ser totalmente evitada, mas alguns fatores podem acelerá-la. Um dos mais importantes é a radiação ultravioleta do Sol e das camas de bronzeamento artificial. Isso aumenta as enzimas chamadas metaloproteinases da matriz, que agem como uma equipe de demolição da pele, decompondo proteínas estruturais como o colágeno. Essas enzimas são encontradas em níveis mais elevados na pele que foi danificada pelo Sol.
A radiação ultravioleta também reduz a quantidade de colágeno novo produzido pelos fibroblastos. Pessoas com tons de pele mais escuros tendem a apresentar menos rugas, provavelmente em parte porque níveis mais elevados de melanina oferecem alguma proteção contra os danos causados pelos raios ultravioleta. Mas a pele mais escura não é imune ao fotoenvelhecimento, ou seja, ao envelhecimento da pele causado pela exposição ao Sol.
Fumar também parece acelerar a perda de colágeno. Um estudo descobriu que o tabagismo reduziu a produção de colágeno tipo I e tipo III pela pele em 18% e 22%, respectivamente, contribuindo para o envelhecimento precoce da pele.
A vitamina C é essencial para a produção de colágeno. Cerca de 100 mg por dia são suficientes para a maioria dos adultos, embora fumantes possam precisar de mais. Muitos suplementos de bem-estar oferecem doses muito maiores, frequentemente em torno de 1.000 mg por dia, mas mais não é necessariamente melhor; cerca de 2.000 mg por dia causam problemas gastrointestinais desagradáveis.
Produtos que alegam aumentar o colágeno estão se tornando cada vez mais populares, mas as evidências por trás deles são contraditórias. É improvável que cremes tópicos de colágeno reponham o colágeno perdido pela pele, pois as moléculas intactas de colágeno são grandes demais para atravessar a barreira cutânea. Eles podem ajudar a hidratar as camadas externas da pele, mas é improvável que causem uma grande diferença nos níveis de colágeno da própria pele.
Suplementos orais de colágeno têm sido associados, em alguns estudos, a melhorias na hidratação e elasticidade da pele. Mas a literatura científica permanece ambígua. Análises apontam para limitações nas evidências, incluindo estudos de pequena escala, potenciais conflitos de interesse e resultados inconsistentes, levando os pesquisadores a recomendar cautela ao interpretar os resultados. Da mesma forma que o colágeno não pode ser absorvido pela pele, o corpo precisa digeri-lo para absorver os aminoácidos que compõem o colágeno, e não há como garantir que esses aminoácidos cheguem à pele ou a qualquer outro local desejado. O colágeno hidrolisado é mais fácil de ser absorvido, mas ainda assim não há garantia de que o corpo o utilize onde você deseja.
A terapia de reposição hormonal pode oferecer benefícios mais consistentes. Além de ajudar com outros sintomas da menopausa, a TRH demonstrou, em alguns estudos, melhorar a espessura, a elasticidade e a hidratação da pele. Um estudo relatou que mulheres em TRH apresentaram um aumento de 48% no conteúdo de colágeno da pele em comparação com mulheres não tratadas, e outros estudos relataram tendências semelhantes. Algumas evidências sugerem que o estrogênio transdérmico (que atravessa a pele) também pode ter efeitos mensuráveis sobre o colágeno da pele. Mas os riscos e benefícios gerais da TRH sempre precisam ser considerados individualmente.
Alguns dermatologistas e profissionais de estética também utilizam procedimentos destinados a estimular a produção de colágeno. Os tratamentos de rejuvenescimento a laser visam desencadear processos de reparação na pele e remover o colágeno danificado. Versões mais recentes desses tratamentos são projetadas para reduzir os efeitos colaterais.
A microagulhagem é outra opção comumente sugerida, embora não seja isenta de riscos. As possíveis complicações incluem dor, hematomas, sangramento, infecção, alterações na cor da pele e, em casos raros, crescimentos anormais. Também pode causar hiperpigmentação, o que significa que manchas da pele ficam mais escuras do que a área ao redor.
Quando a menopausa começa, o colágeno geralmente já vem diminuindo há anos. Proteger a pele dos danos causados pelos raios ultravioleta, evitar o tabagismo e ingerir vitamina C em quantidade suficiente pode ajudar a manter os níveis naturais de colágeno do corpo.
A menopausa pode acelerar a perda de colágeno, mas o quadro é mais complexo do que os slogans das redes sociais sugerem. Embora os suplementos de colágeno continuem populares, a ciência por trás deles ainda está em desenvolvimento. A TRH (Terapia de Reposição Hormonal) tem uma base científica mais clara para melhorar a espessura, a elasticidade e a hidratação da pele em algumas mulheres, embora não seja adequada para todas. Quando se trata de colágeno, a ciência é mais útil do que o hype.
A coloproctologista Aline Amaro, de Brasília (DF), explica que “a recuperação da microbiota intestinal passa principalmente pela constância dos hábitos”. A médica destaca a necessidade de adotar uma alimentação rica em fibras, nutrientes que favorecem o bom funcionamento do intestino. Na avaliação da especialista, essa medida é “um dos pilares mais importantes”.
4 imagens
“Frutas, verduras, legumes, feijões, aveia e sementes contribuem para nutrir as bactérias benéficas do intestino”, menciona Aline. Outro hábito listado pela médica é o consumo de alimentos fermentados, como iogurte natural, kefir e kombucha. “Essas opções também podem colaborar em alguns casos. Deve-se sempre respeitar a individualidade de cada paciente e as possíveis intolerâncias”, sustenta.
Aline afirma que o outro hábito benéfico para a microbiota é evitar o uso desnecessário de antibióticos e a automedicação. “Esses medicamentos tendem a provocar um desequilíbrio importante da flora intestinal”, cita. Quando sintomas persistirem, como gases excessivos, distensão, diarreia ou prisão de ventre frequente, deve-se buscar avaliação especializada para investigar possíveis doenças associadas.
LordHenriVoton/Getty Images
Programar o treino de acordo com o relógio biológico pode fazer diferença para a saúde do coração. Um estudo publicado na revista científica Open Heart sugere que alinhar o horário da atividade física ao próprio relógio biológico, observando ser uma pessoa mais ativa pela manhã ou à noite (cronotipo), melhora fatores de risco cardiovascular e a qualidade do sono em adultos vulneráveis.
A pesquisa acompanhou 150 pessoas entre 40 e 60 anos, todas sedentárias e com pelo menos um fator de risco cardiovascular, como pressão alta, sobrepeso ou obesidade. Os participantes foram classificados como matutinos ou vespertinos e, depois, divididos em grupos para treinar em horários compatíveis ou incompatíveis com o próprio cronotipo.
Durante 12 semanas, eles realizaram cinco sessões semanais supervisionadas de exercício aeróbico moderado, como caminhada rápida ou esteira. Cada treino durava 40 minutos e acontecia pela manhã, entre 8h e 11h, ou à noite, entre 18h e 21h.
Relógio biológico e saúde cardiovascular
Ao fim do estudo, os pesquisadores observaram melhora geral nos dois grupos. No entanto, os resultados foram mais expressivos entre aqueles que se exercitaram em horários alinhados ao próprio perfil biológico. Esse grupo teve maior redução da pressão arterial, melhora da função autonômica, da capacidade aeróbica, dos marcadores metabólicos e da qualidade do sono.
A diferença apareceu principalmente na pressão sistólica, o número mais alto da medição. Entre os participantes que treinaram em horário compatível com o cronotipo, a queda foi de 10,8 mmHg. Já entre os que se exercitaram em horários incompatíveis, a redução foi de 5,5 mmHg.
O efeito foi ainda mais forte entre pessoas que já tinham pressão alta no início do estudo. Nesse grupo, a pressão sistólica caiu, em média, 13,6 mmHg quando o treino foi feito no horário alinhado ao cronotipo, contra 7,1 mmHg entre os que treinaram em horários desalinhados.
A qualidade do sono também melhorou mais entre os participantes que respeitaram o próprio relógio biológico. Segundo os pesquisadores, esse alinhamento pode ajudar a sincronizar melhor funções do corpo ligadas ao metabolismo, aos músculos, aos vasos sanguíneos e à inflamação.
Os pesquisadores defendem que a avaliação do cronotipo pode ser incorporada às prescrições de exercício, especialmente para pessoas com risco cardiometabólico. A ideia é tornar a recomendação de atividade física mais personalizada, acessível e eficaz.
Apesar dos resultados, os autores destacam limitações. Os participantes foram recrutados apenas em hospitais públicos de Lahore, no Paquistão, e pessoas com cronotipo intermediário não foram incluídas. Por isso, os achados ainda precisam ser confirmados em populações mais diversas.
Ainda assim, os pesquisadores defendem que a avaliação do cronotipo pode ser incorporada às prescrições de exercício, especialmente para pessoas com risco cardiometabólico. A ideia é tornar a recomendação de atividade física mais personalizada, acessível e eficaz.
Medicamentos desenvolvidos para remover a proteína beta-amiloide do cérebro, um dos principais alvos no tratamento do Alzheimer, podem não trazer benefícios relevantes para os pacientes. É o que aponta uma revisão publicada na Cochrane Library em 16 de abril, que reuniu dados de 17 ensaios clínicos com mais de 20 mil pessoas.
Esses fármacos foram criados com base na ideia de que o acúmulo de beta-amiloide está ligado ao desenvolvimento da doença. A expectativa era de que, ao reduzir essas proteínas, seria possível retardar o avanço do quadro, especialmente em estágios iniciais, como o comprometimento cognitivo leve ou a demência leve.
No entanto, os resultados indicam que essa estratégia não tem impacto significativo na prática clínica. Segundo os pesquisadores, os efeitos observados sobre o declínio cognitivo e a progressão da demência foram inexistentes ou muito pequenos, abaixo do que é considerado relevante para a vida dos pacientes.
“Infelizmente, as evidências sugerem que esses medicamentos não fazem diferença significativa para os pacientes”, afirmou Francesco Nonino, neurologista e epidemiologista do Instituto de Ciências Neurológicas de Bolonha, na Itália, e principal autor do estudo, em comunicado.
Ele ressalta que resultados estatisticamente positivos nem sempre se traduzem em benefícios reais no dia a dia.
Riscos e limites do tratamento
Além da baixa eficácia, a análise também identificou um aumento no risco de efeitos adversos. Entre eles estão inchaço e sangramento no cérebro, detectados principalmente por exames de imagem. Na maioria dos casos, esses efeitos não apresentaram sintomas imediatos, mas ainda há incertezas sobre possíveis consequências a longo prazo.
Os pesquisadores destacam que, embora os medicamentos consigam reduzir os níveis de beta-amiloide no cérebro, isso não se reflete em melhora clínica.
Diante dos resultados, os autores defendem que futuras pesquisas sigam outros caminhos. A recomendação é investir em abordagens que considerem diferentes mecanismos envolvidos no Alzheimer, na tentativa de encontrar tratamentos mais eficazes.
“Os medicamentos atuais oferecem algum benefício para alguns pacientes, mas não são suficientes. Precisamos explorar outras possibilidades para enfrentar essa doença”, afirma Edo Richard, professor de Neurologia do Centro Médico da Universidade Radboud.
A Justiça militar da Chinacondenou à morte, com suspensão de dois anos, os ex-ministros da Defesa Wei Fenghe e Li Shangfu, pelo crime de corrupção. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (7/5).
Os dois ficarão presos, inicialmente, pelo período de dois anos. Após esse prazo, caso não sejam condenados por outros crimes graves, terão a pena comutada para prisão perpétua, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.
Ambos os condenados foram membros da Comissão Militar Central e conselheiros de Estado. Wei foi condenado pelo crime de aceitar suborno, e Li por aceitar e oferecer suborno.
Wei foi ministro da Defesa da China de 2018 a 2023. Li o sucedeu, ocupando o cargo entre março e outubro de 2023.
Segundo a Xinhua, foi determinado que nenhuma outra comutação ou liberdade condicional será permitida após suas penas serem comutadas para prisão perpétua, de acordo com a lei, após o término do período de suspensão condicional da pena de dois anos.
As condenações fazem parte de uma campanha anticorrupção que ocorre na China desde 2012, a mando do presidente do país comunista, Xi Jinping (foto em destaque).
A mamografia, tradicionalmente usada para rastrear o câncer de mama, pode ganhar uma nova função: ajudar a prever o risco de doenças cardiovasculares. Com inteligência artificial (IA), pesquisadores dos Estados Unidos observaram que o exame pode identificar sinais precoces de alterações nas artérias, ampliando seu potencial para além da oncologia.
Publicado em março no European Heart Journal, o estudo analisou dados de 123.762 mulheres submetidas à mamografia de rotina e sem histórico prévio de doença cardiovascular. A IA foi usada para medir a presença de depósitos de cálcio nas artérias mamárias, efeito associado ao envelhecimento e ao enrijecimento dos vasos sanguíneos. Essas alterações estão diretamente relacionadas a um maior risco de eventos cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.
“O estudo traz uma boa notícia, pois pesquisas mostram que as mulheres temem o câncer de mama, mas não têm tanta consciência de risco cardíaco que mata muito mais do que um tumor nessa parte do corpo. Por isso, elas fazem muito mais mamografias do que exames preventivos do coração”, observa a cardiologista Sofia Lagudis, do Einstein Hospital Israelita.
Incorporado à rotina de exames cardiovasculares, o procedimento poderia fornecer informações valiosas para identificar sinais precoces de doença aterosclerótica, além de auxiliar na estratificação de risco cardíaco e orientar medidas preventivas de forma mais personalizada.
Mas ainda seriam necessários mais estudos, já que há outros métodos validados. “Não se justifica a solicitação de uma mamografia com o objetivo primário de investigar doença coronária, uma vez que existem métodos diagnósticos mais específicos e direcionados para essa finalidade, especialmente no contexto de suspeita clínica, apesar de o exame das mamas apontar informações importantes nesse caso”, pondera o cardiologista Tito Paladino, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
O acúmulo de calcificação nas artérias observado na mamografia não é, por si só, um indicativo direto de eventos coronários ou de infarto agudo do miocárdio. Na realidade, a calcificação arterial representa uma manifestação da aterosclerose sistêmica, refletindo um processo difuso no organismo.
Daí a importância de novas análises para aprofundar esses achados. “Ainda é imprescindível validá-los em mais estudos, adaptar a ferramenta de IA ao equipamento convencional de mamografia, bem como avaliar a capacidade dos diversos aparelhos que fazem o exame em fornecer informação adequada”, pontua Lagudis.
Fatores de risco
“A calcificação das artérias é um processo cumulativo e irreversível, de modo que é preciso controlar os fatores de risco da melhor forma possível”, orienta a médica do Einstein. Entre as medidas protetivas estão manter pressão arterial, glicemia e colesterol em níveis adequados; adotar hábitos que protegem a saúde do coração, como não fumar e evitar o consumo alcoólico; seguir uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e preservar um peso saudável.
Em mulheres, essa atenção se torna ainda mais importante com a chegada do climatério e o avanço da idade, fases em que a proteção hormonal diminui e o risco cardiovascular tende a aumentar.
Treinar descalço na musculação virou tendência entre praticantes de academia e ganhou espaço principalmente em exercícios de membros inferiores. A prática promete aumentar a estabilidade, melhorar a conexão com o solo e favorecer o controle do movimento durante os treinos.
Mas será que realmente funciona? A resposta depende do tipo de exercício, da estrutura do treino e da forma como a prática é realizada.
Treinar descalço pode melhorar estabilidade e controle corporal em exercícios de força - Foto: Shutterstock
O que muda ao treinar descalço?
Sem o amortecimento do tênis, os pés entram em contato direto com o chão. Isso faz com que a musculatura da região trabalhe mais para estabilizar o corpo durante os movimentos.
Além disso, o treino descalço pode melhorar a percepção corporal, conhecida como propriocepção. Esse mecanismo ajuda o corpo a entender melhor a posição das articulações e o equilíbrio durante os exercícios.
Por isso, a estratégia costuma ser utilizada em exercícios como:
Agachamento.
Levantamento terra.
Elevação pélvica.
Exercícios de estabilidade.
Quais são as vantagens?
Alguns estudos indicam que treinar descalço pode favorecer a estabilidade corporal e melhorar a produção de força em determinados movimentos.
A prática também pode ajudar em:
Controle postural.
Maior ativação dos pés e tornozelos.
Redução de oscilações durante o exercício.
Melhor distribuição de força no solo.
Sensação maior de equilíbrio.
Em exercícios de força, principalmente os realizados em pé, essa estabilidade extra pode contribuir para uma execução mais eficiente.
Existem riscos?
Apesar dos benefícios, treinar descalço não é indicado para todas as situações. Exercícios que envolvem deslocamentos rápidos, impacto ou risco de queda de equipamentos exigem atenção redobrada.
Além disso, algumas academias não permitem a prática por questões de segurança e higiene.
Outro ponto importante é que a ausência do tênis aumenta a exigência sobre os pés e tornozelos. Pessoas com dores, lesões ou limitações na região devem ter cuidado antes de aderir ao treino descalço.
Vale para qualquer exercício?
Não. A prática costuma fazer mais sentido em exercícios de membros inferiores e movimentos de força com pouca movimentação.
Já em atividades aeróbicas, exercícios com salto ou treinos de alta intensidade, o tênis continua sendo importante para absorção de impacto e proteção.
Nesses casos, modelos com menos amortecimento costumam oferecer mais estabilidade durante a musculação.
Como começar com segurança
Quem deseja testar o treino descalço pode começar aos poucos, priorizando exercícios simples e cargas moderadas.
Também vale observar alguns cuidados:
Treine em locais seguros.
Evite pisos escorregadios.
Mantenha atenção à postura.
Não aumente a carga rapidamente.
Respeite os limites do corpo.
O mais importante é entender que o treino descalço não é obrigatório. Ele pode funcionar para algumas pessoas e exercícios, mas a escolha deve considerar conforto, segurança e qualidade da execução.
Uma nova pesquisa identificou uma possível explicação biológica para a relação entre câncer de pâncreas, obesidade e diabetes tipo 2. O estudo publicado na revista Cancer Medicine mostrou que alguns genes inflamatórios aparecem ativos tanto em doenças metabólicas quanto no adenocarcinoma ductal pancreático, o tipo mais comum e agressivo de câncer de pâncreas.
A descoberta ajuda a entender por que pessoas com obesidade ou diabetes costumam apresentar piores desfechos quando desenvolvem a doença. Segundo os pesquisadores, os achados também podem abrir caminho para novas formas de prever a recorrência do câncer e desenvolver tratamentos mais direcionados.
O câncer de pâncreas é considerado um dos mais letais, porque, na maioria dos casos, é diagnosticado em fases avançadas. Além disso, as opções de tratamento ainda são limitadas e o risco de retorno da doença é alto. De acordo com o estudo, cerca de 80% dos pacientes apresentam recorrência mesmo após a cirurgia.
A obesidade e o diabetes tipo 2 já eram reconhecidos como fatores de risco para esse tipo da doença. No entanto, os mecanismos biológicos que explicam essa conexão ainda não estavam totalmente claros.
Inflamação pode ser peça-chave
A pesquisa foi conduzida em diferentes etapas. Primeiro, os cientistas analisaram dados genéticos públicos de tecidos adiposos de humanos e camundongos, comparando indivíduos saudáveis com pessoas ou modelos animais com obesidade.
Depois, a equipe avaliou dados de célula única de tumores pancreáticos. Esse tipo de análise permite observar com mais detalhes quais células estão presentes no tumor e como elas se comportam. Os pesquisadores encontraram uma população específica de células imunes com alta atividade inflamatória.
Por fim, os principais achados foram validados em laboratório, a partir de amostras de tecido humano. Os resultados confirmaram que alguns dos genes ligados ao câncer de pâncreas estavam mais ativos em contextos associados à obesidade. Isso significa que a inflamação crônica provocada por alterações metabólicas, como obesidade e diabetes, pode criar um ambiente mais favorável para o crescimento do tumor e para o retorno da doença após o tratamento.
Embora o estudo ainda não represente uma mudança imediata, os pesquisadores afirmam que os achados podem ajudar no desenvolvimento de novas estratégias no futuro. Uma possibilidade é usar esses genes como marcadores para identificar pacientes com maior risco de recorrência.
Outra linha de investigação envolve terapias capazes de bloquear ou reduzir a atividade dessas vias inflamatórias após a cirurgia, especialmente em pacientes com obesidade, diabetes ou inflamação crônica.
Apesar de ser considerado uma das porções oceânicas mais remotas do mundo, nem o Pacífico Sul está livre da poluição provocada pelos seres humanos. Um novo estudo detectou a presença considerável de zinco proveniente da queima de combustíveis fósseis e das emissões industriais.
Pode parecer estranha a constatação, visto que não existe indústria no meio do oceano. No entanto, a chegada da poluição ocorre justamente através do ar. Os metais emitidos se ligam a minúsculos aerossóis presentes no vento, permitindo que eles viajem longas distâncias e se depositem nas águas superficiais oceânicas
A descoberta foi liderada por pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich), na Suíça, e do Centro Helmholtz de Pesquisa Oceânica, na Alemanha. Os resultados foram publicados na revista Communications Earth & Environment em meados de março.
“Não existe mais natureza intocada, nem mesmo no Pacífico Sul, que fica tão distante da civilização mais próxima quanto os astronautas na Estação Espacial Internacional”, afirma o autor principal do estudo, Tal Ben Altabet, autor principal do estudo, em comunicado.
Zinco é até benéfico no oceano, mas, em exagero, não
Para a análise das águas do Pacífico Sul, a equipe investigou a composição isotópica do zinco em partículas na água do mar e nos aerossóis da atmosfera. Também foi estudada a composição isotópica do chumbo, considerada um bom indicador de poluição ambiental.
É normal ter zinco no oceano, porém, segundo os resultados, a principal fonte do mineral na camada superficial das águas do Pacífico Sul são as emissões causadas pelos humanos – já as fontes naturais foram praticamente indetectáveis.
“Essencialmente, todo o zinco nas partículas da região superior do Pacífico Sul é de origem artificial. Esses resultados mostram que até mesmo elementos antes considerados imunes à atividade humana agora são dominados pela poluição industrial, que atingiu as partes mais remotas do oceano aberto”, aponta Ben Altabet.
Nos oceanos, o zinco é um recurso essencial para os fitoplânctons, que o utiliza para realizar a fotossíntese. Eles absorvem dióxido de carbono e produzem matéria orgânica e oxigênio, ajudando a regular o clima da Terra. No entanto, em exagero, especialmente se vier de fontes de poluição, o mineral pode prejudicar esse ciclo.
Após o achado, o grupo de pesquisa pretende analisar a composição isotópica dos metais biologicamente essenciais, como o zinco, em outros oceanos, a fim de compreender como os organismos marinhos irão se adaptar às alterações climáticas.