
O empresário Maurício Camisotti assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF), onde confessou as fraudes nos descontos do INSS, apurou a Jovem Pan. Preso desde setembro do ano passado, ele é apontado como um dos principais operadores do esquema investigado na Operação Sem Desconto.
Camisotti também é acusado de fraude na arrecadação das dívidas e de corrupção para facilitar o esquema. A delação é a primeira da investigação. O acordo foi negociado desde o fim do ano passado.
Nesta semana, a defesa enviou o material ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela homologação. Há expectativa de que, com a delação, o ministro conceda prisão domiciliar ao empresário. O texto ainda precisa passar pela Procuradoria-Geral da República (PGR), mas a negociação foi feita diretamente com a Polícia Federal.
Camisotti foi alvo da mesma fase da Operação Sem Desconto que prendeu Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. A operação investiga um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários que ganhou repercussão em abril do ano passado, após a primeira ação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU).
Os investigadores suspeitam que entidades responsáveis pelos descontos e as empresas que prestam serviços para elas funcionavam como fachada para lavagem de dinheiro.
Parlamentares da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregaram na terça-feira (7) um relatório alternativo da CPMI do INSS ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Segundo o vice-líder do governo no Congresso, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), o parecer foi feito por dois terços dos integrantes da comissão, o que, segundo o parlamentar, representa “expressa posição majoritária”.
Segundo Pimenta, o relatório, que tem mais de mil páginas, detalha as mudanças que aconteceram a partir de 2016 e que possibilitaram que o escândalo do INSS viesse à tona. “A mesma diretoria do INSS que mudou as regras internas que possibilitaram o roubo dos aposentados foi a diretoria que mudou as regras para permitir que o Bolso Master (referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao Banco Master) pudesse ter acesso ao consignado e outros mecanismos para fraude do banco”.
O relatório também foi levado à CGU e ao Ministério Público Federal (MPF). Na quarta-feira (8), os deputados devem entregar às 19h, o documento ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator das investigações sobre as fraudes.
O parecer alternativo propõe o indiciamento de 130 pessoas por suposto envolvimento no esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários e a continuidade das investigações com indícios de crime que envolvem 71 pessoas. Entre os alvos do documento estão o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho Flávio, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni.
Durante entrevista coletiva na sede da Polícia Federal em Brasília, Paulo Pimenta afirmou que, durante a elaboração do documento, foi identificado o comando da inteligência que permitiu a nomeação de pessoas em cargos-chave, mudança de normas e medidas provisórias.
Ainda segundo Pimenta, o presidente da CPMI também teria sabotado o relatório da maioria: “O presidente da CPMI, senador Viana, sabotou o relatório da maioria, não o colocou em votação e não o anexou nos documentos para serem enviados ao órgão”.
