
As cirurgias robóticas têm transformado a forma como diversos procedimentos são realizados na medicina moderna. Com braços mecânicos controlados pelo cirurgião e visão ampliada em três dimensões, a tecnologia permite operar regiões extremamente delicadas do corpo com mais precisão e menos agressão ao organismo.
Hoje, além de procedimentos já conhecidos, como a retirada da próstata, médicos também realizam cirurgias robóticas consideradas inusitadas, incluindo operações dentro da garganta, reconstruções do trato urinário e remoção de tumores em áreas de difícil acesso.
Entre os procedimentos mais surpreendentes estão as cirurgias robóticas para tratar tumores da orofaringe, região localizada na parte posterior da garganta. Segundo o cirurgião de cabeça e pescoço Antonio Bertelli, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, o robô permite acessar a região pela boca, evitando incisões externas.
“Antes, muitas vezes era necessário fazer cortes no rosto ou até abrir a mandíbula para alcançar essa área. Com a cirurgia robótica, conseguimos entrar pela boca e remover o tumor com segurança”, explica.
De acordo com o especialista, o método traz benefícios importantes para o paciente. “A recuperação após a cirurgia robótica para tumor de orofaringe costuma ser mais rápida, com menos dor e menor tempo de internação. Em muitos casos, o paciente não precisa nem de traqueostomia ou sonda para alimentação”, afirma Bertelli.
Além disso, a reabilitação costuma ser mais rápida, permitindo retorno mais precoce às atividades do dia a dia.
Na urologia, as cirurgias robóticas também têm ampliado as possibilidades de tratamento, especialmente em tumores renais.
Segundo o urologista Fernando Croitor, do Hospital Anchieta, em Brasília, a tecnologia permite remover tumores do rim preservando a maior parte do órgão. “O robô oferece maior precisão para retirar apenas o tumor e reconstruir o rim depois, com menor risco de sangramento”, explica.
Esse tipo de procedimento, conhecido como nefrectomia parcial, é importante para preservar a função renal.
“A cirurgia robótica também proporciona menor dor no pós-operatório, menor risco de infecção e uma recuperação muito mais rápida. Em alguns casos, o paciente pode receber alta cerca de 12 horas após o procedimento”, afirma Croitor.
Com o avanço da tecnologia, médicos têm conseguido realizar cirurgias robóticas em regiões que antes eram consideradas extremamente difíceis de acessar.
Entre os procedimentos que mais chamam atenção estão:
Segundo Bertelli, a principal vantagem da plataforma robótica está na visualização ampliada do campo cirúrgico.
“O sistema oferece imagem em alta resolução e em três dimensões. Isso permite que o cirurgião enxergue melhor estruturas muito pequenas e opere com mais segurança”, explica.
As cirurgias robóticas estão cada vez mais presentes em hospitais brasileiros, especialmente em grandes centros. Nos últimos anos, novas plataformas passaram a ser incorporadas por diferentes especialidades médicas. De acordo com Bertelli, a tendência é que o uso da tecnologia continue crescendo.
“Hoje já existem mais plataformas robóticas disponíveis em hospitais do país. A ideia é oferecer cirurgias mais seguras, com menos complicações e melhores resultados para os pacientes”, afirma.
O especialista destaca ainda que o futuro da cirurgia robótica pode incluir integração com inteligência artificial, navegação cirúrgica e visualização de exames em tempo real.
As ferramentas devem tornar as cirurgias robóticas ainda mais precisas e ampliar as possibilidades de tratamento na medicina.
