A Polícia Civil de Alagoas cumpriu, nesta sexta-feira (20), um mandado de prisãopreventiva contra um homem de 39 anos, no município de Poço das Trincheiras, suspeito de tentar matar a ex-mulher e o ex-sogro. O crime ocorreu no ano de 2021.
De acordo com a delegada Daniella Andrade, titular da unidade, testemunhas relataram que, durante o relacionamento, o homem mantinha a mulher sob constante controle, impedindo-a de sair de casa, restringindo visitas de familiares e praticando agressões frequentes.
O contexto de violência teria causado sérios prejuízos à saúde mental da vítima. Diante da situação, familiares conseguiram retirá-la da residência e levá-la para a casa do pai, que passou a prestar apoio.
Segundo a polícia, o acusado não aceitava o fim do relacionamento e insistia para que a mulher retornasse, mesmo contra a vontade dela. Em determinado momento, dirigiu-se à residência do ex-sogro portando arma de fogo e faca, ameaçando ambos de morte.
“Para evitar uma tragédia, o pai da vítima entrou em luta corporal com o autor, que chegou a efetuar um disparo, mas não atingiu ninguém. A arma foi retirada pelo ex-sogro, e o investigado fugiu do local. O pai da vítima sofreu lesões, recebeu atendimento médico e passa bem”, explicou a delegada.
A ação que resultou na prisão dele contou com o apoio do Grupamento de Polícia Militar (GPM) do município.
A Justiça decretou a prisão preventiva do investigado, que se encontrava foragido. Ele foi capturado e permanece recolhido no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) de Santana do Ipanema.
O rastreamento do câncer colorretal pode aumentar de forma significativa o número de diagnósticos em estágio inicial, especialmente nos dois primeiros anos depois da realização dos exames. É o que mostra um novo estudo publicado na revista Nature Medicine nesta sexta-feira (20/2), conduzido por pesquisadores da Universidade de Uppsala e do Instituto Karolinska, ambos na Suécia.
O câncer colorretal está entre os mais comuns no mundo, sendo o terceiro tipo de tumor mais frequente em homens e o segundo mais comum em mulheres, segundo dados da OMS. Assim como em outros tumores, a detecção precoce é fundamental para ampliar as chances de tratamento e reduzir o risco de morte.
Segundo os pesquisadores, tanto a colonoscopia quanto o teste imunoquímico fecal (FIT) levaram à identificação de mais casos em fase inicial, período em que as intervenções são mais eficazes e menos invasivas.
Como o estudo foi feito
A pesquisa faz parte do estudo sueco SCREESCO, iniciado em 2014 para comparar duas estratégias de rastreamento do câncer colorretal com a ausência do rastreio.
Mais de 278 mil pessoas, todas com 60 anos, foram selecionadas a partir dos registros da Suécia. Em seguida, eles foram divididos de forma aleatória em três grupos diferentes:
Colonoscopia primária: os participantes fizeram a colonoscopia, exame que permite ver o interior do intestino e retirar possíveis lesões durante o procedimento.
Teste imunoquímico fecal (FIT): os voluntários fizeram, em casa, dois testes de fezes que identificam quantidades pequenas de sangue invisíveis a olho nu. Se ao menos um dos exames desse positivo, a pessoa era encaminhada para colonoscopia. Esse processo foi repetido duas vezes, no início do estudo e de novo no terceiro ano.
Tratamento padrão (grupo controle): os participantes não fizeram exames de rastreamento, servindo como base de comparação.
Todos foram acompanhados de 2014 até 2020 por meio dos registros de saúde, o que permitiu que os pesquisadores comparassem quantos casos de câncer surgiram, em que estágio foram diagnosticados e se foi observada alguma diferença entre os grupos.
Mais diagnósticos precoces e menos casos avançados
Os resultados indicam que os dois métodos de rastreio — colonoscopia e FIT — ampliaram a detecção dos tumores em estágio inicial, principalmente nos primeiros dois anos, quando a maioria dos exames foi realizada.
Além disso, houve redução no número de casos avançados nos grupos que fizeram o rastreamento. O maior efeito foi visto entre os participantes que fizeram o teste FIT: 0,61% desenvolveram câncer colorretal, em comparação com 0,73% no grupo controle.
Outro ponto destacado pelos autores é a possibilidade de identificar e remover as adenomas, lesões com potencial para evoluir para câncer. A retirada dessas alterações durante a colonoscopia pode ter um efeito de prevenção contra o câncer colorretal.
MirageC/Getty ImagesO sangramento pelo reto ou sangue nas fezes pode ser um dos primeiros sinais do câncer colorretal
Riscos e segurança dos exames
O estudo também avaliou possíveis efeitos adversos associados ao aumento do número de colonoscopias. Foi observado um leve crescimento nos casos de sangramento gastrointestinal e na formação de coágulos sanguíneos, principalmente no primeiro ano. Ainda assim, esses eventos foram considerados raros, e a mortalidade geral foi semelhante entre os três grupos.
Próxima etapa do estudo
Os pesquisadores pretendem acompanhar os participantes até 2030 para verificar se o rastreamento, além de aumentar as chances de diagnóstico precoce, também diminui a mortalidade por câncer colorretal.
Segundo os pesquisadores, a expectativa é que os dados finais confirmem o benefício dos métodos de rastreio, reforçando a importância da detecção precoce como forma de prevenção e controle da doença.
O café vai muito além de um simples hábito matinal. Presente na rotina de milhões de brasileiros, ele atua diretamente no cérebro, melhora o estado de alerta e ainda pode favorecer a saúde metabólica. Quem explica é a nutricionista Fabiana Ximenes, que detalha como a bebida influencia neurotransmissores, gasto calórico e processos inflamatórios no organismo.
Entenda
Mais foco e disposição: o café estimula dopamina e noradrenalina, ligadas à motivação e atenção.
Ação antioxidante: rico em polifenóis, ajuda a combater inflamações.
Aumento do gasto calórico: de 2 a 3 xícaras por dia estimulam a lipólise.
Consumo seguro: até 400 ml por dia é considerado seguro para adultos saudáveis.
Cérebro em estado de alerta
Segundo Fabiana Ximenes, o principal efeito do café está na estimulação de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina. Essas substâncias estão associadas à motivação, concentração e estado de alerta.
“Por isso ele nos deixa mais atentos, com mais foco e disposição ao longo do dia”, explica a nutricionista. A sensação de energia após a xícara não é apenas percepção: é resultado direto da ação bioquímica da cafeína no sistema nervoso central.
A cafeína aumenta a alerta, foco, concentração e disposição, melhorando o desempenho em treinos e tarefas diárias
Defesa contra inflamações
Além do estímulo mental, o café também tem papel importante na proteção celular. A bebida é rica em polifenóis, compostos com potente ação antioxidante.
Esses antioxidantes ajudam a reduzir processos inflamatórios no organismo e favorecem a saúde cerebral, protegendo as células contra danos oxidativos. O resultado é um impacto positivo tanto na saúde metabólica quanto no envelhecimento do cérebro.
Aliado do metabolismo
Outro benefício apontado pela especialista está na ativação da lipólise — processo de quebra de gordura para geração de energia.
O consumo de duas a três xícaras ao longo do dia pode aumentar o gasto calórico. “É a melhor bebida sem calorias”, destaca Fabiana. A recomendação, no entanto, é clara: evitar adicionar açúcar, que anula parte dos benefícios metabólicos.
Quanto é seguro consumir?
Para adultos saudáveis, o consumo de até 400 ml de café por dia é considerado seguro. Dentro desse limite, é possível aproveitar os efeitos estimulantes e antioxidantes sem riscos à saúde.
Sem açúcar e com moderação, o café pode fazer muito bem para a saúde
A orientação final da nutricionista é simples: pode tomar o cafezinho com tranquilidade — mas, de preferência, puro.
O papa Leão XIV se reuniu, nessa quinta-feira (19/2), no Vaticano, com padres da Diocese. No encontro, o pontífice respondeu a quatro presbíteros de diferentes faixas etárias em um diálogo livre e aberto sobre diretrizes espirituais. Entre os direcionamentos, Leão XIV alertou sobre o uso da Inteligência Artificial e armadilhas da internet.
O ponítfice romano advertiu sobre o uso da IA na preparação das homilias e na propagação da verdadeira fé. Segundo ele, a ferramenta jamais será capaz de compartilhar a fé e a “experiência de ter conhecido e amado Jesus Cristo” para os fiéis.
“Como todos os músculos do corpo, se não os usamos, se não os movemos, eles morrem, o cérebro precisa ser usado, então, também nossa inteligência precisa ser exercitada um pouco para não perder essa capacidade”, afirma o Papa.
A Roblox Corporation está sendo processada pelo Condado de Los Angeles sob a acusação de falhar na proteção de crianças contra comportamentos predatórios na plataforma.
A ação judicial, apresentada nessa quinta-feira (19/2), contesta a imagem pública da empresa de oferecer um “espaço digital seguro para a criatividade”. Segundo o processo, “na realidade, [a plataforma] é um ambiente on-line inseguro que se tornou um terreno fértil para predadores”.
De acordo com a Variety, a denúncia afirma que crianças do Condado de Los Angeles foram repetidamente expostas a conteúdo sexualmente explícito, exploração e aliciamento dentro do Roblox. “O processo alega que isso ocorre porque a empresa opta por priorizar o lucro corporativo em detrimento da segurança das crianças”, diz um trecho da ação.
A acusação também sustenta que a companhia não implementou sistemas eficazes de moderação nem mecanismos rigorosos de verificação de idade, apesar das reiteradas declarações públicas de que a plataforma é segura para o público infantil.
Ao longo do último ano, a Roblox anunciou o reforço de seus protocolos de segurança, incluindo a exigência de que usuários confirmem a idade por meio de uma ferramenta de estimativa facial. A medida, no entanto, gerou protestos entre crianças e adolescentes que utilizam o serviço.
Mesmo com as mudanças, a empresa enfrenta outros processos semelhantes relacionados à segurança de menores na plataforma.
Muita gente vive sintomas de ansiedade e depressão sem saber explicar o que sente.
Outros acham que é “cansaço”, “drama” ou “coisa da cabeça”.
Segundo o psiquiatra e psicoterapeuta Dr. Wimer Bottura (IPq-FMUSP, ABP), até profissionais podem ter dificuldade em diferenciar alguns quadros. Ele explica que o diagnóstico é feito a partir de detalhes, do contexto e da história de vida da pessoa.
Ainda assim, entender as diferenças entre ansiedade e depressão ajuda a reconhecer sinais e buscar ajuda na hora certa.
1. Emoção principal: medo acelerado x tristeza profunda
Na ansiedade, a emoção que mais aparece é o medo.
É aquele estado de alerta constante, com sensação de perigo mesmo quando nada concreto está acontecendo.
A cabeça vive no “e se…?”.
E se eu errar? E se der tudo errado? E se algo grave acontecer?
Na depressão, o peso maior é a tristeza persistente.
Muitas pessoas relatam vazio, desânimo, perda de interesse por quase tudo.
Não é só um dia ruim.
É uma sensação de que nada faz sentido ou tem graça há semanas.
Em resumo:
ansiedade gira em torno do medo do que pode vir; depressão gira em torno da dor pelo que parece já ter sido perdido.
2. Corpo: ligado no 220V x corpo em câmera lenta
A ansiedade costuma deixar o corpo acelerado.
O organismo entra em modo “luta ou fuga”.
É comum sentir: coração disparado, respiração rápida, mãos suadas, tremores, aperto no peito, tensão muscular.
Às vezes, por fora a pessoa parece calma, mas por dentro está em pânico.
Na depressão, o corpo tende a ficar mais lento.
O relato frequente é de cansaço extremo e peso no corpo.
Levantar da cama vira um esforço enorme.
Atividades simples, como tomar banho ou arrumar a casa, parecem muito pesadas.
De forma bem simples: na ansiedade, o corpo está “ligado demais”; na depressão, parece que a energia foi embora.
3. Pensamentos: preocupação com o futuro x culpa e desesperança
Na ansiedade, os pensamentos são dominados por preocupação.
A mente antecipa problemas, revê situações, imagina cenários catastróficos.
É como se o cérebro não conseguisse “desligar”.
Mesmo quando nada está acontecendo, a pessoa se sente em perigo.
Na depressão, os pensamentos são mais voltados para culpa, autocrítica e desesperança.
A pessoa se sente um peso, incapaz, sem valor.
Ela passa a acreditar que nada vai melhorar.
O futuro parece apagado, sem perspectiva.
Ansiedade puxa para o futuro com medo.
Depressão puxa para baixo com desânimo e perda de esperança.
Os dois padrões podem se misturar.
Por isso um diagnóstico correto sempre precisa de avaliação profissional.
4. Tempo e impacto: crise de ansiedade x episódio depressivo
Uma crise de ansiedade costuma ter começo, meio e fim mais definidos.
Ela pode durar alguns minutos, às vezes mais, mas é um pico.
A pessoa sente falta de ar, coração acelerado, tremores, tontura, medo intenso de morrer ou enlouquecer.
Depois da crise, vem o cansaço e o medo de ter outra, mas o pico passa.
Já um episódio depressivo é mais longo.
Dura semanas ou meses, quase todos os dias.
A pessoa sente tristeza persistente, perda de interesse, alteração de sono e apetite, dificuldade de concentração.
Em casos mais graves, surgem pensamentos de morte ou de que “não faria falta”.
O Dr. Wimer Bottura lembra que, muitas vezes, a ansiedade aparece dentro da própria depressão.
Isso deixa a experiência ainda mais confusa para quem está sofrendo.
5. Ansiedade e depressão podem andar juntas?
Sim. E isso é muito comum. O psiquiatra explica que alguns autores veem ansiedade e depressão como transtornos separados.
Outros entendem que fazem parte de um mesmo espectro.
Na prática, muitos quadros depressivos vêm acompanhados de ansiedade intensa.
Também existem pessoas com transtornos de ansiedade que acabam deprimindo depois de muito tempo de sofrimento.
Situações de grande exposição e julgamento, como a vida de artistas e influenciadores, aumentam esse risco.
Quem vive sob críticas e cyberbullying pode desenvolver ansiedade, depressão e até transtorno de pânico.
O Dr. Wimer comenta que, quando a pessoa sofre ataques e humilhações, surge uma decepção profunda com as pessoas.
Essa perda de confiança nos outros pode piorar a depressão e aumentar a ansiedade.
Por isso, é tão importante levar a sério o impacto do ambiente digital na saúde mental.
Quando o estresse vira sinal de alerta?
Todo mundo sente ansiedade antes de algo importante.
Todo mundo fica triste em momentos difíceis.
Isso é normal.
A questão é quando o sofrimento passa do limite e começa a travar a vida.
Vale ligar o sinal de alerta quando:
os sintomas duram semanas e não melhoram.
o sono, o trabalho e os estudos ficam muito prejudicados.
aparecem crises de pânico, desesperos intensos ou sensação de perda de controle.
surgem pensamentos de morte, desejo de sumir ou de que “não vale a pena continuar”.
Nessas situações, não é “frescura” nem “falta de fé”.
É hora de procurar ajuda profissional: psiquiatra, psicólogo ou serviço de saúde mental.
Autodiagnóstico não substitui consulta.
O texto informa, mas não define seu quadro.
Tratamento: remédio, terapia e hábitos andam juntos
O tratamento de ansiedade e depressão costuma envolver psicoterapia e, em muitos casos, medicação.
Segundo o Dr. Wimer Bottura, o tipo de remédio usado em ansiedade e depressão muitas vezes é parecido.
Ele alerta, porém, que muita gente tenta tratar quadros moderados ou graves só com “vida saudável”, por preconceito contra remédio e terapia.
Isso pode deixar a vida muito mais difícil do que precisaria ser.
O médico explica que medicamentos bem indicados, por profissional capacitado, ajudam muito.
Eles não substituem carinho, apoio, boa alimentação, sono e atividade física.
Mas também não devem ser demonizados.
Ao mesmo tempo, hábitos simples são parte essencial do cuidado:
alimentação equilibrada, com menos álcool e ultraprocessados.
rotina regular de sono, com horário para dormir e acordar.
atividade física, mesmo leve, para ajudar a reduzir a ansiedade e melhorar o humor.
momentos de descanso e conexão com pessoas de confiança.
Nada disso, sozinho, resolve todos os casos.
Mas tudo isso, junto, fortalece o tratamento e a recuperação.
Se você lê esse texto e se reconhece em muitos pontos, lembre: sentir ansiedade ou tristeza profunda não faz de você fraco.
Pedir ajuda não é sinal de fracasso, é sinal de cuidado consigo mesmo.
Um diagnóstico bem feito e um plano de tratamento personalizado podem mudar o rumo da história.
Você não precisa “aguentar sozinho” até não suportar mais
Um alpinista austríaco foi considerado culpado de homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, pela morte da namorada durante uma escalada. A mulher morreu congelada após ter sido abandonada pelo namorado na montanha mais alta da Áustria no ano passado.
O homem, identificado como Thomas P., se diz inocente, mas foi condenado nesta quinta-feira (19/2), a cinco meses e uma multa de € 9.600, o equivalente a cerca de R$ 58 mil.
A mulher, Kerstin G., morreu de hipotermia. Segundo a acusação, Thomas teria abandonado a mulher perto do cume do Grossglockner para buscar ajuda.
No entanto, ele não conseguiu explicar porque não deixou a mulher aquecida com a manta térmica que estava em sua mochila ou com o saco de dormir. Além disso, na ligação que ele fez para o serviço de emergência, ele não deixou claro que precisava de ajuda imediata.
No momento do incidente, o vento era de até 74 km/h e a temperatura era de -8°C, com sensação térmica de -20°C.
Em 30 de janeiro de 2026, a SpaceX apresentou um pedido à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos para lançar uma megaconstelação de até um milhão de satélites para alimentar centros de dados no espaço.
A proposta prevê satélites operando entre 500 e mil quilômetros na baixa órbita da Terra. Algumas das órbitas são projetadas para exposição quase constante à luz solar. O público pode atualmente enviar comentários à comissão sobre essa proposta.
O pedido da SpaceX é apenas o mais recente entre as propostas de megaconstelações de satélites, que crescem exponencialmente. Esses satélites operam com um único objetivo e têm ciclos de vida curtos, de cerca de cinco anos.
Em fevereiro de 2026, aproximadamente 14 mil satélites ativos estavam em órbita. Outros 1,23 milhão de projetos de satélites propostos estão em vários estágios de desenvolvimento.
O processo de aprovação desses satélites se concentra quase inteiramente nas informações técnicas limitadas que as empresas devem enviar aos reguladores. Os impactos culturais, espirituais e, principalmente, ambientais não são levados em consideração, mas deveriam ser.
O céu noturno mudará drasticamente
Nessa escala de crescimento, o céu noturno mudará permanentemente e globalmente para as gerações futuras.
Os satélites na baixa órbita da Terra refletem a luz solar por cerca de duas horas após o pôr do Sol e antes do nascer do Sol. Apesar dos esforços de engenharia para torná-los menos brilhantes, os satélites do tamanho de caminhões de muitas megaconstelações parecem pontos em movimento no céu noturno. Projeções mostram que os satélites futuros aumentarão significativamente essa poluição luminosa.
Em 2021, os astrônomos estimaram que, em menos de uma década, 1 em cada 15 pontos de luz no céu noturno seria um satélite em movimento. Essa estimativa incluía apenas os 65 mil satélites de megaconstelações propostos na época.
Uma vez implantados em escala de milhões, os impactos destes satélites no céu noturno podem não ser facilmente revertidos.
Embora um satélite médio tenha uma vida útil de apenas cerca de cinco anos, as empresas projetam essas megaconstelações para substituição e expansão quase contínuas. Isso garante uma presença contínua e industrializada no céu noturno.
Tudo isso está causando uma “síndrome da linha de base móvel” espacial, em que cada nova geração aceita um céu noturno cada vez mais degradado. Satélites cruzando o céu tornam-se o novo normal.
E, pela primeira vez na história da Humanidade, essa mudança de referência significa que as crianças de hoje não crescerão com o mesmo céu noturno que todas as gerações anteriores da Humanidade tiveram acesso.
Houston, temos um “mega” problema
As preocupações com o grande número de satélites propostos vêm de muitos lados.
As preocupações científicas incluem reflexos brilhantes e emissões de rádio dos satélites, que irão perturbar a Astronomia.
Especialistas do setor também apontam preocupações com o gerenciamento do tráfego e a logística. Atualmente, não existe nenhuma forma de gerenciamento unificado do tráfego espacial semelhante ao que existe na aviação, por exemplo.
As megaconstelações também aumentam o risco da síndrome de Kessler, uma reação em cadeia de colisões descontrolada. Já existem 50 mil detritos em órbita com dez centímetros ou mais.
Se os satélites não fizerem todas as manobras para evitar colisões, dados mais recentes mostram que poderíamos esperar uma grande colisão a cada 3,8 dias.
Também existem grandes preocupações culturais. A poluição luminosa dos satélites terá um impacto negativo no uso indígena do céu noturno para tradições orais de longa data, navegação, caça e tradições espirituais.
O lançamento de tantos satélites consome grandes quantidades de combustíveis fósseis, danificando a camada de ozônio. Depois que os satélites cumprem sua função, o plano para o fim da vida útil é queimá-los na atmosfera. Isso representa outra preocupação ambiental – o depósito de grandes quantidades de metais na estratosfera, causando a destruição da camada de ozônio e outras reações químicas potencialmente prejudiciais.
Tudo isso gera preocupações jurídicas. De acordo com a lei espacial internacional, os países — e não as empresas — são responsáveis pelos danos causados por seus objetos espaciais.
Os advogados espaciais estão cada vez mais tentando entender se o direito espacial internacional pode realmente responsabilizar empresas ou indivíduos privados. Isso é especialmente importante à medida que o risco de danos, morte ou danos ambientais permanentes aumenta.
As lacunas na regulamentação
Atualmente, as principais regulamentações relativas às propostas de satélites são técnicas, como decidir quais frequências de rádio serão utilizadas. Em nível nacional, os reguladores se concentram na segurança do lançamento, na redução dos impactos ambientais na Terra e na responsabilidade caso algo dê errado.
O que essas regulamentações não capturam é como centenas de milhares de satélites brilhantes mudam o céu noturno para estudos científicos, navegação, ensino e cerimônias indígenas e continuidade cultural.
Esses não são danos “ambientais” tradicionais, nem são preocupações técnicas de engenharia. São impactos culturais que caem em um ponto cego da regulamentação.
É por isso que o mundo precisa de uma Avaliação de Impacto do Céu Escuro, conforme proposto pelos advogados espaciais Gregory Radisic e Natalie Gillespie.
É uma maneira sistemática de identificar, documentar e considerar de forma significativa todos os impactos de uma constelação de satélites proposta antes que ela seja implementada.
Como funcionaria essa avaliação?
Primeiro, é preciso reunir evidências de todas as partes interessadas. Astrônomos (amadores e profissionais), cientistas atmosféricos, pesquisadores ambientais, estudiosos da cultura, comunidades afetadas e a indústria trazem suas perspectivas.
Segundo, é essencial modelar quaisquer efeitos cumulativos dos satélites. As avaliações devem analisar como as constelações mudarão a visibilidade do céu noturno e o brilho do céu, congestionamento orbital e o risco de vítimas em terra.
Em terceiro lugar, definirá critérios claros para quando a visibilidade desobstruída do céu é fundamental para a ciência, a navegação, a educação, as práticas culturais e o patrimônio humano compartilhado.
Em quarto lugar, deve incluir medidas de mitigação, como redução do brilho, alterações no projeto orbital e ajustes na implantação para diminuir os danos. Isso deve incluir incentivos para usar o menor número possível de satélites para um determinado projeto.
Por fim, as conclusões devem ser transparentes, passíveis de revisão independente e diretamente ligadas às decisões de licenciamento e políticas.
Não é uma ferramenta de veto
Uma Avaliação de Impacto do Céu Escuro não impede o desenvolvimento espacial. Ela esclarece as vantagens e desvantagens e melhora a tomada de decisões.
Ela pode levar a escolhas de projeto que reduzem o brilho e a interferência visual, configurações orbitais que diminuem o impacto cultural, consultas mais precoces e significativas e considerações culturais onde os danos não podem ser evitados.
Mais importante ainda, ela garante que as comunidades afetadas pelas constelações de satélites não descubram sobre elas depois que a aprovação já tiver sido concedida e luzes brilhantes rastejarem pelos seus céus.
A questão não é se o céu noturno mudará — ele já está mudando. Agora é a hora de governos e instituições internacionais projetarem processos justos antes que essas mudanças se tornem permanentes.
A hepatologista Liz Marjorie, do Ceará, aponta o que favorece o adoecimento do fígado, órgão responsável por metabolizar substâncias
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) indica que a chamada gordura marrom pode exercer um papel importante no controle do câncer de mama.
Em experimentos laboratoriais, substâncias liberadas pelo tecido reduziram a sobrevivência, a multiplicação e a capacidade de migração de células tumorais, sinais associados à progressão da doença.
A pesquisa foi publicada na revista científica Cancer & Metabolism em 11 de fevereiro e contou com colaboração de cientistas da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho analisou como diferentes tipos de tecido adiposo influenciam o comportamento de células cancerosas.
Tipos de gordura do corpo humano
O organismo humano possui mais de um tipo de gordura. A gordura branca é a mais comum e funciona principalmente como reserva de energia.
Já a gordura marrom participa do gasto energético e da produção de calor, sendo mais ativada em situações de frio.
Nos testes realizados em laboratório, cada uma delas mostrou efeitos distintos sobre as células tumorais.
Gordura marrom e possíveis efeitos antitumorais
Os testes mostraram que substâncias liberadas pela gordura branca favoreceram o acúmulo de pequenas gotas de gordura dentro das células cancerosas. Esse processo costuma estar associado à progressão do tumor, já que essas reservas podem servir como fonte de energia para o crescimento e a multiplicação das células.
Com a gordura marrom, o efeito foi diferente. Os pesquisadores observaram redução da sobrevivência das células tumorais, menor ritmo de crescimento e menor capacidade de espalhamento, além de sinais de morte celular.
Também foram identificadas mudanças em mecanismos do sistema imunológico ligados ao combate ao tumor e ao aumento do chamado estresse oxidativo nas células cancerosas, um tipo de desequilíbrio que pode favorecer a destruição dessas células.
Outro achado importante foi que a atividade desse tecido pode ser intensificada quando ele está metabolicamente mais ativo, como ocorre em situações de exposição ao frio.
Os cientistas também identificaram que determinadas vias inflamatórias influenciam esse efeito, sugerindo que o estado metabólico do tecido adiposo pode interferir diretamente na resposta ao câncer.
“Nossos achados revelam um novo papel antitumoral para o tecido adiposo marrom e abrem perspectivas para explorar fatores derivados desse tecido como estratégias terapêuticas no câncer de mama”, afirmam os autores no artigo.
Os pesquisadores ressaltam que os testes foram realizados em células e modelos experimentais, o que significa que ainda são necessários estudos adicionais antes de qualquer aplicação clínica.
Manter a porta do quarto totalmente fechada durante a noite pode parecer uma escolha natural por privacidade ou silêncio, mas o hábito esconde um inimigo invisível: o acúmulo de dióxido de carbono (CO₂). Estudos científicos recentes, publicados entre 2018 e 2025, revelam que a falta de renovação do ar em ambientes confinados eleva a concentração do gás expirado, impactando diretamente a arquitetura do sono e o desempenho cognitivo no dia seguinte.
Entenda
Acúmulo de CO₂: em quartos fechados com duas ou mais pessoas, os níveis de dióxido de carbono podem ultrapassar 1.300 ppm (partes por milhão), o que degrada a qualidade do ar.
Fragmentação do sono: o excesso de gás carbônico no sangue estimula o sistema nervoso, aumentando os despertares e reduzindo o tempo de sono profundo.
Impacto biológico: a má ventilação está ligada ao aumento do cortisol (hormônio do estresse) ao acordar e à sensação de cansaço crônico.
Solução simples: deixar a porta entreaberta ou uma fresta na janela é suficiente para promover a troca gasosa e garantir um descanso reparador.
O perigo do ar viciado
A ciência tem olhado com lupa para o que acontece dentro de quatro paredes enquanto dormimos. Uma pesquisa da Universidade de Tecnologia de Eindhoven monitorou voluntários e constatou que, em quartos totalmente fechados, a concentração de CO₂ saltou de 717 ppm para 1.150 ppm em média. Esse “ar viciado” impede que o corpo entre nas fases mais restauradoras do descanso.
Segundo a médica Gabriela Passos Arantes, especialista em Clínica Médica, o mecanismo é fisiológico. “Quando a renovação do ar é limitada, o CO₂ que eliminamos na respiração se acumula. Isso afeta o sistema nervoso autônomo e respiratório, muitas vezes sem que a pessoa perceba conscientemente que o ar foi o culpado pelos despertares frequentes”, explica.
Grupos de risco e desempenho
Embora o impacto seja sentido por todos, alguns grupos sofrem mais. “Idosos e pessoas que convivem com insônia, ansiedade ou problemas respiratórios são mais vulneráveis”, alerta Gabriela. Mesmo jovens saudáveis que dormem o número de horas adequado podem apresentar pior desempenho cognitivo e irritabilidade se o ambiente não estiver ventilado.
O médico especialista em medicina do sono, William Lu, reforça que níveis elevados de CO₂ na corrente sanguínea forçam o organismo a permanecer em estágios de sono leve. O resultado é uma noite “trabalhosa” para o corpo, em vez de relaxante.
Níveis elevados de dióxido de carbono no ar durante a noite podem elevar a concentração do gás na corrente sanguínea, e a resposta do organismo a essa alteração tende a ser um sono menos profundo
Ventilação vs. conforto
Muitas pessoas optam por fechar a porta por questões de segurança, ruído ou temperatura. No entanto, o “equilíbrio ideal” é mais fácil de alcançar do que parece. Não é necessário dormir com a casa inteira aberta.
“O simples gesto de deixar a porta ligeiramente entreaberta já promove uma circulação suficiente para reduzir significativamente o acúmulo de CO₂”, orienta a médica.
Caso o isolamento acústico seja indispensável, a recomendação é buscar alternativas como sistemas de ventilação mecânica ou deixar uma pequena fresta na janela para garantir a troca de oxigênio.
Karen Moskowitz/ Getty ImagesDormir bem é necessário para manter a saúde mental. Alguns estudos sugerem que pessoas com insônia são até dez vezes mais propensas a ter depressão
Higiene do sono vai além do ar
A ventilação é uma peça fundamental de um quebra-cabeça maior chamado higiene do sono. Para que o cérebro desligue de forma eficiente, outros fatores ambientais devem ser controlados.
“A luz azul das telas é um fator crítico, pois inibe a melatonina”, pontua Gabriela médica e integrante da equipe do INKI, plataforma de consultas particulares. O cenário perfeito para um sono profundo e restaurador combina:
Ventilação adequada (baixa concentração de CO₂);
Escuridão total (para produção de melatonina);
Silêncio;
Temperatura agradável.
Ao ajustar a circulação de ar do quarto, o indivíduo adota uma intervenção gratuita e acessível que pode ser o diferencial entre acordar exausto ou verdadeiramente renovado.
Nesta sexta-feira (20) acontecerá mais uma programação referente à Jornada Pedagógica 2026 dos profissionais de Educação. Desta vez, as atividades voltadas a diretores, diretores-adjuntos, coordenadores pedagógicos, auxiliares da Educação e outros profissionais da área ocorrerão na sede do Instituto Federal de Alagoas (Ifal). As atividades ocorrem entre 8h e 13h.
De acordo com a secretária municipal de Educação Renilda Pereira, este momento é ainda mais especial, pois precede a volta às aulas na Rede Municipal de Ensino, que, por sua vez, acorrerá na segunda-feira (23). “A nossa intenção é que a nossa equipe esteja o mais bem preparada possível para recepcionar os nossos alunos neste momento de reencontro e trocas positivas”, disse a secretária.
Por sua vez, a prefeita Tia Júlia ressaltou a importância de investir na formação dos profissionais. “Desde antes do Carnaval os nossos técnicos e professores estão contando com capacitações especiais para que o trabalho tão necessário que desenvolvem seja ainda mais aprimorado. É uma honra proporcionar isso a eles”, declarou a gestora municipal.
O hábito de comer deitado, assistindo a uma série e esperando o sono chegar, pode ser mais prejudicial do que parece. De acordo com a nutricionista Raissa Bonfim, fazer a última refeição pouco antes de dormir afeta não apenas a qualidade do sono, mas também o funcionamento do cérebro — especialmente a concentração, a memória e o foco no dia seguinte.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, a especialista do departamento de Nutrição Hospitalar do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, explicou que a digestão noturna interfere diretamente nos processos cognitivos.
“A produção de insulina e a liberação de hormônios digestivos podem afetar a regulação do sono e a função cerebral. As consequências, como desconforto gástrico e refluxo gastroesofágico, causam interrupções no sono e podem colocar o corpo em estresse”, afirma Raissa Bonfim.
Refeições logo antes de deitar pode impactar no desempenho cerebral no dia seguinte
Entenda como o hábito noturno pode afetar o foco, concentração e memória
Segundo a nutricionista, manter regularidade nos horários das refeições — principalmente no jantar e na ceia — é essencial para preservar o sono profundo. “Para iniciar o sono profundo, o corpo precisa reduzir a temperatura e a atividade metabólica, e a digestão noturna atrasa essa transição fisiológica”, explica.
O cenário pode piorar quando a refeição noturna inclui alimentos de digestão mais lenta, como ultraprocessados, itens gordurosos, picantes, ácidos ou ricos em carboidratos simples.
“Priorizar esses alimentos faz com que ocorra um aumento da atividade metabólica do corpo, dificultando o controle glicêmico e gerando um ‘pico’ de insulina e um aumento da temperatura. Isso acarreta um baixo desempenho cerebral, uma vez que afeta o sono REM, que atua diretamente na regulação emocional e na consolidação da memória”, complementa.
Lentidão cognitiva, irritabilidade, alterações de humor e queda de energia são algumas das consequências de comer perto da hora de dormir
A privação ou fragmentação do sono, segundo ela, tem reflexos claros no dia seguinte. “Há lentidão cognitiva, irritabilidade, alterações de humor e queda de energia, com sensação de fadiga generalizada”, garante Raissa Bonfim.
Sobre o intervalo ideal entre a última refeição e o momento de se deitar, a especialista é objetiva. “A recomendação é se deitar de duas a três horas depois de se alimentar. Caso seja uma ceia mais leve, pode ser uma hora antes”, conclui.
A morte de Anthony Gabriel, de apenas cinco anos, depois de desaparecer e ser encontrado por familiares em um córrego no bairro Feitosa, em Maceió, ainda é cercada de lacunas que precisam ser esclarecidas pela equipe de investigação da Polícia Civil. A suspeita inicial, segundo a família, foi de morte por afogamento, porém um médico que atendeu a vítima na UPA do Jacintinho disse ter encontrado sinais de abuso sexual no corpo da criança.
O tio de Anthony, Jamerson Rodrigo, conversou com a reportagem da TV Pajuçara, e declarou que acompanhava o pequeno momentos antes do desaparecimento dele. Jamerson também contou que o menino foi encontrado no córrego, de aproximadamente dois metros de profundidade, depois da localização de uma "tampinha", usada frequentemente por ele para brincar. A criança tinha Transtorno do Espectro Autista (TEA) e era não verbal.
"Eu estava brincando com o Anthony, meu filho e outro sobrinho. Por volta das 17h sentimos a falta do Anthony. Todo mundo começou a correr atrás dele e ninguém imaginava que ele vinha para esse lado do esgoto, do córrego, que é muito fundo", iniciou.
"Por volta das 20h, eu vim pra cá e encontrei uma tampinha que ele brincava. Como ele não interagia muito, ele só gostava de brincar com essa tampinha, não largava por nada. Eu a encontrei dentro do esgoto. E senti que ele [Anthony] estava aqui. Mas os vizinhos disseram que viram ele correndo mais para cima e acabei não entrando", continuou.
Após um período, com a ajuda de um vizinho, Jamerson entrou na água e resgatou o sobrinho pelas pernas. "Depois um vizinho chegou e disse: "Se você entrar, eu entro contigo". Eu fui por um lado e ele foi pelo outro, e não encontramos nada. Mas quando a gente foi pelo meio juntos, ele disse que sentiu algo. Ai eu mergulhei e puxei o Anthony pelas pernas, já desfalecido. Tentei fazer massagem nele, ele chegou a vomitar. Estava desfalecido, mas como reagiu, estava com vida. Aí pedi ajuda da Força Tática e levamos ele pra UPA".
O tio de Anthony também explicou que a equipe médica da UPA do Jacintinho realizou manobras para reanimar a criança por quase uma hora, porém sem êxito. Os familiares disseram não suspeitar do crime de violência sexual pois o médico tratou o caso inicialmente como possível afogamento, conforme relato de Jamerson. No entanto, após análise do corpo, a equipe de profissionais constatou uma "dilatação anormal no ânus com a presença de fissuras", o que aponta para um trauma recente, com a suspeita do abuso sexual.
"No momento da informação do falecimento do Anthony, ele [médico] disse que não havia sinal de violência sexual, de estupro, de nada, e que a gente poderia ficar tranquilo em relação a isso. A morte teria sido causada por afogamento. Mas ele pediu para esperar pois ia fazer o laudo do óbito. Depois, ele nos chamou e disse que havia se precipitado de dar uma informação de que não tinha sinal de violência sexual. Há uma contradição. Duas horas depois, ele disse que havia sinal de estupro. A gente quer mais esclarecimentos sobre isso", reforçou o familiar.
Vizinha diz que viu criança brincando em rua
Uma vizinha da família, identificada como Maria, conversou com o TNH1 por ligação telefônica e destacou que os pais mantinham a criança sob bons-tratos e que Anthony acabou desaparecendo no momento de uma brincadeira na rua.
Ela também reforçou que não tem conhecimento sobre a violência sexual e não tem ideia de quem poderia fazer mal à criança.
"Ele brincava com outras crianças e aí caiu no córrego. Com a queda, ele afundou e não foi mais visto. Nós fomos procurá-lo em outro ponto, achando que ele tinha sido levado pelo córrego, mas ele sempre ficou ali na parte mais funda", disse.
Investigação
A Polícia Civil de Alagoas vai iniciar a investigação do caso por meio da Delegacia de Combate aos Crimes Contra Criança e Adolescente.
Até agora, não há informações precisas sobre as circunstâncias do desaparecimento da criança ou sobre possíveis suspeitos. O laudo da necropsia será fundamental para confirmar a causa da morte.
Uma mulher identificada como Vera Lúcia Lopes, de 42 anos, morreu em um grave acidente registrado em um trecho da BR-423, nas imediações do Povoado Caraíbas do Lino, zona rural de Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas, nessa quarta-feira (18).
Vera Lúcia morava em Inhapi e estava em Delmiro Gouveia para visitar a filha. No momento do acidente, ela seguia na garupa de uma motocicleta conduzida pelo companheiro.
Segundo relato do próprio condutor, a motocicleta teria colidido com um caçamba. Com o impacto, o casal foi arremessado e caiu na pista, quando a mulher teria sido atingida na cabeça por uma carreta que passava pela via. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.
O condutor foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo encaminhado ao Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS), em Delmiro Gouveia. Até a última atualização desta matéria, não havia informações oficiais sobre o estado de saúde dele.
As circunstâncias do acidente devem ser investigadas pelas autoridades competentes.
Quando há um crescimento desordenado e incontrolável de células anormais em algum órgão, formando tumores malignos, o quadro é classificado como câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença é a segunda que mais causa mortes no mundo, atrás apenas das condições cardiovasculares. Apesar de ser minoria, em alguns casos os tumores são transmitidos geneticamente de forma hereditária.
Quando o quadro tumoral é classificado como hereditário, não quer dizer que os pais passaram o câncer diretamente ao filho, mas sim que uma alteração genética capaz de aumentar o risco do desenvolvimento da doença foi herdado.
“Não significa que a pessoa obrigatoriamente terá câncer, mas ela apresenta um risco significativamente maior do que a população geral. Chamamos de alto risco quando ele é pelo menos cinco vezes superior ao risco basal da população”, explica a médica oncogeneticista Renata Sandoval, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.
A situação se difere de outros cânceres que progridem através de mudanças no material genético (DNA) provocadas por erros naturais da divisão celular ou por exposição a fatores ambientais, como radiação ultravioleta ou substâncias carcinogênicas.
“Por exemplo, no câncer de pele, a radiação ultravioleta do sol pode provocar mutações acumuladas no DNA das células da pele até que elas passem a se multiplicar de forma desregulada. O câncer é uma doença genética, mas na maioria das vezes é adquirido”, exemplifica a oncogeneticista.
Estima-se que menos de 10% dos casos cancerígenos sejam tumores hereditários. Entre os que mais possuem associação com alterações genéticas estão alguns tipos de câncer de mama, especialmente em homens, e certas variedades de câncer de próstata e ovário.
A ligação também é muito presente em quadros de câncer adrenocortical na infância, que em 90% das vezes estão associados à ocorrência da síndrome de Li-Fraumeni, condição que pode causar mutação no gene supressor de tumor TP53.
“Mais recentemente, também temos observado alguns tipos de câncer de pulmão com associação genética. Na prática, qualquer câncer pode ser hereditário quando existe um defeito genético transmitido de pai para filho, aumentando o risco de desenvolvimento da doença”, aponta a oncologista Patrícia Schorn, coordenadora do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.
Thom Leach/Science Photo Library/Getty ImagesO código genético pode carregar mutações que aumentam as chances de desenvolver câncer
Quando o caso é passível de investigação
Alguns sinais são essenciais para apontar que há risco de câncer hereditário na família. Quanto mais rápido for identificada a presença da condição, maiores são as chances de sucesso no tratamento, caso a doença se desenvolva. Entre os principais padrões de suspeita, estão:
Ocorrência de câncer em idade precoce (antes dos 60 anos);
Vários parentes, especialmente os de primeiro ou segundo grau, com casos de câncer semelhantes;
Indivíduo diagnosticado com mais de um tumor;
Ocorrência de câncer de mama em homem;
Desenvolvimento de tumores neuroendócrinos raros, como paragangliomas ou feocromocitomas.
“Diante desses históricos, encaminha-se a família para avaliação com um geneticista. O especialista faz uma análise detalhada da história familiar, identifica qual gene pode estar envolvido e solicita um painel genético direcionado ou mais amplo, dependendo do caso”, diz Patrícia.
Descoberta de câncer genético influencia conduta médica
Assim que é identificada a hereditariedade, a conduta médica se altera. Indivíduos da família que possui a condição passam a investigar possíveis doenças tumorais bem mais cedo que a população em geral. A atitude é essencial para prevenção do avanço de possíveis cânceres.
“A recomendação geral é iniciar colonoscopia aos 45 anos, por exemplo, mas pessoas com síndromes genéticas podem precisar começar aos 10 ou 12 anos. No caso do câncer de ovário, o risco na população geral é de cerca de 1%, o que não justifica retirar os ovários de todas as mulheres. Porém, pessoas com mutação no gene BRCA1 podem ter risco de até 44%. Nesse caso, recomenda-se a retirada preventiva dos ovários entre 35 e 40 anos”, afirma Renata.
Para Patrícia, a detecção da condição hereditária eleva as chances de diagnóstico precoce e, consequentemente, as possibilidades de cura. “O conhecimento da mutação permite até a retirada preventiva de um órgão com alto risco de desenvolver câncer, o que pode salvar a vida do paciente”, conclui a oncologista.