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O tempo parece ser a característica mais básica da realidade. Os segundos passam, os dias passam e tudo, desde o movimento dos planetas até a memória humana, parece se desenrolar em uma única direção irreversível. Nascemos e morremos, exatamente nessa ordem. Planejamos nossas vidas em torno do tempo, medimos sua passagem obsessivamente e o experimentamos como um fluxo ininterrupto do passado para o futuro. É tão óbvia nossa sensação que o tempo avança que questioná-lo parece quase inútil.

Mas há mais de um século a física tem se esforçado para definir o que realmente é o tempo. E esse esforço não é uma picuinha filosófica. Ele está no centro de alguns dos problemas mais profundos da ciência.

A física moderna se baseia em estruturas diferentes, mas igualmente importantes. Uma delas é a Teoria da Relatividade Geral, que descreve a gravidade e o movimento de grandes objetos, como planetas. Outra é a Mecânica Quântica, que rege o microcosmo dos átomos e partículas. E, em uma escala ainda maior, o Modelo Padrão da Cosmologia descreve o nascimento e a evolução do Universo como um todo. Todas dependem do tempo, mas o tratam de maneiras incompatíveis entre si.

Quando os físicos tentam combinar essas teorias em uma única estrutura, o tempo muitas vezes se comporta de maneiras inesperadas e perturbadoras. Às vezes, ele se estende. Às vezes, ele desacelera. Às vezes, ele desaparece completamente.

A Teoria da Relatividade de Einstein foi, na verdade, o primeiro grande golpe à nossa intuição cotidiana sobre o tempo. Einstein mostrou que o tempo não é universal. Ele passa em velocidades diferentes, dependendo da gravidade e do movimento. Dois observadores em movimento relativo um ao outro discordarão sobre quais eventos aconteceram simultaneamente. O tempo tornou-se algo elástico, entrelaçado com o espaço em um tecido quadridimensional chamado espaço-tempo.

Mecânica Quântica deixou essas coisas ainda mais estranhas. Na quântica, o tempo não é algo que a teoria tenta explicar. Ele é simplesmente admitido. As equações da Mecânica Quântica descrevem como os sistemas evoluem em relação ao tempo, mas o tempo em si permanece um parâmetro externo, um relógio de fundo que fica fora da teoria

Essa incompatibilidade se torna ainda maior quando os físicos tentam descrever a gravidade no nível quântico, o que é crucial para o desenvolvimento da tão cobiçada “Teoria de Tudo” – que unifica as principais teorias fundamentais da Física. Mas, em muitas das tentativas de criar tal teoria, o tempo desaparece completamente como parâmetro das equações fundamentais. O Universo parece congelado, descrito por equações que não fazem referência a mudanças.

Esse enigma é conhecido como “o problema do tempo” e continua sendo um dos obstáculos mais persistentes para uma teoria unificada da física. Apesar do enorme progresso na Cosmologia e na física de partículas, ainda não temos uma explicação clara para o motivo pelo qual o tempo flui.

Agora, uma abordagem relativamente nova da Física, baseada em uma estrutura matemática chamada Teoria da Informação, desenvolvida por Claude Shannon na década de 1940, começa a apresentar respostas surpreendentes.

Entropia e a flecha do tempo

Quando os físicos tentam explicar a direção do tempo, eles frequentemente recorrem a um conceito chamado entropia. A Segunda Lei da Termodinâmica afirma que a desordem de um sistema sempre tende a aumentar. Um copo pode cair e se estilhaçar, mas os cacos nunca se juntam espontaneamente para reformar o copo. Essa assimetria entre o passado e o futuro é frequentemente identificada com “a flecha do tempo”.

Essa ideia tem sido extremamente influente em nossa visão de mundo. Ela explica por que muitos processos são irreversíveis, incluindo por que nos lembramos do passado, mas não do futuro. Se o Universo começou em um estado de baixa entropia e está ficando mais desordenado à medida que evolui, isso parece explicar por que o tempo avança. Mas a entropia não resolve totalmente o problema do tempo.

As equações fundamentais da Mecânica Quântica, por exemplo, não distinguem entre passado e futuro. A flecha do tempo surge apenas quando consideramos um grande número de partículas e seu comportamento estatístico. Isso também levanta uma questão mais profunda: por que o Universo começou em um estado de entropia tão baixa? Estatisticamente, há mais maneiras de um Universo ter alta entropia do que baixa entropia, assim como há mais maneiras de um cômodo ficar bagunçado do que arrumado. Então, por que ele partiria de um estado tão improvável?

A revolução da informação

Nas últimas décadas, uma revolução silenciosa, mas de longo alcance, ocorreu na Física. A informação, antes tratada como uma ferramenta contábil abstrata usada para rastrear estados ou probabilidades, tem sido cada vez mais reconhecida como uma quantidade física por si só, assim como a matéria ou a radiação. Enquanto a entropia mede quantos estados microscópicos são possíveis, a informação mede como as interações físicas limitam e registram essas possibilidades.

Essa mudança não aconteceu da noite para o dia. Ela surgiu gradualmente, impulsionada por enigmas na interseção entre termodinâmica, Mecânica Quântica e gravidade, onde tratar a informação como meramente matemática começou a produzir contradições.

Uma das primeiras fissuras apareceu na física dos buracos negros. Quando Stephen Hawking mostrou que os buracos negros emitem radiação térmica, isso levantou uma possibilidade perturbadora: as informações sobre tudo o que cai em um buraco negro podem ser perdidas permanentemente como calor. Essa conclusão entrava em conflito com a Mecânica Quântica, que exige a preservação de todas as informações.

Resolver essa tensão forçou os físicos a confrontar uma verdade mais profunda. A informação não é opcional. Se quisermos uma descrição completa do Universo que inclua a Mecânica Quântica, a informação não pode simplesmente desaparecer sem minar os fundamentos da Física. Essa constatação teve consequências profundas. Ficou claro que a informação tem um custo termodinâmico, que apagá-la dissipa energia e que armazená-la requer recursos físicos.

Paralelamente, surgiram conexões surpreendentes entre a gravidade e a termodinâmica. Foi demonstrado que as equações de Einstein podem ser derivadas dos princípios termodinâmicos que ligam a geometria do espaço-tempo diretamente à entropia e à informação. Nessa visão, a gravidade não se comporta exatamente como uma força fundamental.

Em vez disso, a gravidade parece ser o que os físicos chamam de uma propriedade “emergente” – um fenômeno que descreve algo que é maior do que a soma de suas partes, surgindo de constituintes mais fundamentais. Veja a temperatura. Todos nós podemos senti-la, mas, em um nível fundamental, uma única partícula não pode ter temperatura. Não é uma característica fundamental. Em vez disso, ela só surge como resultado do movimento coletivo de muitas moléculas.

Da mesma forma, a gravidade pode ser descrita como um fenômeno emergente, resultante de processos estatísticos. Alguns físicos chegaram a sugerir que a própria gravidade pode emergir da informação, refletindo como a informação é distribuída, codificada e processada.

Essas ideias convidam a uma mudança radical de perspectiva. Em vez de tratar o espaço-tempo como primário e a informação como algo que vive dentro dele, a informação pode ser o ingrediente mais fundamental do qual o próprio espaço-tempo surge. Com base nessa pesquisa, meus colegas e eu exploramos uma estrutura na qual o próprio espaço-tempo atua como um meio de armazenamento de informações — e isso tem consequências importantes para a forma como vemos o tempo.

Nessa abordagem, o espaço-tempo não é perfeitamente suave, como sugere a Relatividade, mas composto por elementos discretos, cada um com uma capacidade finita de registrar informações quânticas de partículas e campos que passam. Esses elementos não são bits no sentido digital, mas portadores físicos de informações quânticas, capazes de reter a memória de interações passadas.

Uma maneira útil de imaginá-los é pensar no espaço-tempo como um material feito de minúsculas células portadoras de memória. Assim como uma rede cristalina pode armazenar defeitos que apareceram anteriormente no tempo, esses elementos microscópicos do espaço-tempo podem reter traços das interações que passaram por eles. Eles não são partículas no sentido usual descrito pelo Modelo Padrão da física de partículas, mas uma camada mais fundamental da estrutura física na qual a física de partículas opera, em vez de explicar.

Isso tem uma implicação importante. Se o espaço-tempo registra informações, então seu estado atual reflete não apenas o que existe agora, mas tudo o que aconteceu antes. Regiões que passaram por mais interações carregam uma impressão diferente de informações do que regiões que passaram por menos. O Universo, nessa visão, não evolui meramente de acordo com leis atemporais aplicadas a estados em mudança. Ele se lembra.

Um “gravador” cósmico

Essa memória não é metafórica. Toda interação física deixa um rastro informacional. Embora as equações básicas da Mecânica Quântica possam ser executadas para frente ou para trás no tempo, as interações reais nunca acontecem isoladamente. Elas inevitavelmente envolvem o ambiente, vazam informações para fora e deixam registros duradouros do que ocorreu. Uma vez que essas informações se espalham para o ambiente mais amplo, recuperá-las exigiria desfazer não apenas um único evento, mas todas as mudanças físicas que ele provocou ao longo do caminho. Na prática, isso é impossível.

É por isso que as informações não podem ser apagadas e copos quebrados não podem ser remontados. Mas a implicação é mais profunda. Cada interação grava algo permanente na estrutura do Universo, seja na escala de colisões de átomos ou na formação de galáxias.

A geometria e a informação acabam por estar profundamente ligadas nesta visão. No nosso trabalho, mostramos que a forma como o espaço-tempo se curva depende não só da massa e da energia, como Einstein nos ensinou, mas também da forma como a informação quântica, particularmente o entrelaçamento, é distribuída. O entrelaçamento é um processo quântico que liga misteriosamente partículas em regiões distantes do espaço – ele permite que elas compartilhem informações apesar da distância. E essas ligações informacionais contribuem para a geometria efetiva experimentada pela matéria e pela radiação.

A partir dessa perspectiva, a geometria do espaço-tempo não é apenas uma resposta ao que existe em um determinado momento, mas ao que aconteceu. Regiões que registraram muitas interações tendem, em média, a se comportar como se tivessem uma curvatura mais forte e uma gravidade mais intensa do que regiões que registraram menos interações.

Essa reformulação muda sutilmente o papel do espaço-tempo. Em vez de ser uma arena neutra na qual os eventos se desenrolam, o espaço-tempo se torna um participante ativo. Ele armazena informações, restringe a dinâmica futura e molda como novas interações podem ocorrer. Isso naturalmente levanta uma questão mais profunda. Se o espaço-tempo registra informações, o tempo poderia emergir desse processo de registro, em vez de ser assumido desde o início?

O tempo surge da informação

Recentemente, estendemos essa perspectiva informacional ao próprio tempo. Em vez de tratar o tempo como um parâmetro fundamental de fundo, mostramos que a ordem temporal surge desta impressão irreversível de informações. Nessa visão, o tempo não é algo adicionado à física manualmente. Ele surge porque as informações são gravadas em processos físicos e, de acordo com as leis conhecidas da termodinâmica e da física quântica, não podem ser globalmente apagadas novamente. A ideia é simples, mas de longo alcance.

Cada interação, como a colisão de duas partículas, grava informações no Universo. Essas impressões se acumulam. Como não podem ser apagadas, elas definem uma ordem natural dos eventos. Os estados anteriores são aqueles com menos registros informacionais. Os estados posteriores são aqueles com mais registros.

As equações quânticas não preferem uma direção do tempo, mas o processo de disseminação da informação sim. Uma vez que a informação foi disseminada, não há caminho físico de volta ao estado em que estava localizada. A ordem temporal está, portanto, ancorada nessa irreversibilidade, não nas equações em si.

O tempo, nessa visão, não é algo que existe independentemente dos processos físicos. É o registro cumulativo do que aconteceu. Cada interação adiciona uma nova entrada, e a flecha do tempo reflete o fato de que esse registro só cresce.

O futuro difere do passado porque o Universo contém mais informações sobre o passado do que jamais poderá ter sobre o futuro. Isso explica por que o tempo tem uma direção sem depender de condições iniciais especiais de baixa entropia ou argumentos puramente estatísticos. Enquanto houver interações e as informações forem registradas de forma irreversível, o tempo avança.

Curiosamente, essa impressão acumulada de informações pode ter consequências observáveis. Em escalas galáticas, a impressão de informação residual comporta-se como um componente gravitacional adicional, moldando a forma como as galáxias giram sem invocar novas partículas. De fato, a misteriosa substância que chamamos de “matéria escura” foi introduzida para explicar por que as galáxias e os aglomerados de galáxias giram mais rápido do que sua massa visível permitiria.

No quadro informacional, essa atração gravitacional extra não vem de uma matéria escura invisível, mas do fato de que o próprio espaço-tempo registrou uma longa história de interações. As regiões que acumularam mais impressões informacionais respondem mais fortemente ao movimento e à curvatura, aumentando efetivamente sua gravidade. As estrelas orbitam mais rápido não porque há mais massa presente, mas porque o espaço-tempo pelo qual se movem carrega uma memória informacional mais “pesada” das interações passadas.

Desse ponto de vista, a matéria escura, a energia escura e a flecha do tempo podem emergir de um único processo subjacente: o acúmulo irreversível de informações.

Testando o tempo

Mas será que poderíamos testar essa teoria? As ideias sobre o tempo são frequentemente acusadas de serem filosóficas, em vez de científicas. Como o tempo está tão profundamente entrelaçado na forma como descrevemos a mudança, é fácil supor que qualquer tentativa de repensá-lo deve permanecer abstrata. Uma abordagem informacional, no entanto, faz previsões concretas e se conecta diretamente a sistemas que podemos observar, modelar e, em alguns casos, investigar experimentalmente.

Os buracos negros fornecem um campo de teste natural, pois parecem sugerir que as informações são apagadas. Na estrutura informacional, esse conflito é resolvido ao reconhecer que as informações não são destruídas mas impressas no espaço-tempo antes de cruzar o horizonte de eventos. O buraco negro as registra.

Isso tem uma implicação importante para o tempo. À medida que a matéria cai em direção a um buraco negro, as interações se intensificam e a impressão de informações se acelera. O tempo continua a avançar localmente porque as informações continuam a ser gravadas, mesmo quando as noções clássicas de espaço e tempo se desintegram perto do horizonte de eventos e parecem desacelerar ou congelar para observadores distantes.

À medida que o buraco negro evapora por meio da radiação de Hawking, o registro informacional acumulado não desaparece. Em vez disso, ele afeta a forma como a radiação é emitida. A radiação deve carregar sinais sutis que refletem a história do buraco negro. Em outras palavras, a radiação emitida não é perfeitamente aleatória. Sua estrutura é moldada pelas informações previamente registradas no espaço-tempo. Detectar tais sinais ainda está além da tecnologia atual, mas eles fornecem um alvo claro para trabalhos teóricos e observacionais futuros.

Os mesmos princípios podem ser explorados em sistemas controlados muito menores. Em experimentos de laboratório com computadores quânticos, os qubits (o equivalente quântico dos bits) podem ser tratados como células de informação de capacidade finita, assim como as do espaço-tempo. Pesquisadores demonstraram que, mesmo quando as equações quânticas subjacentes são reversíveis, a maneira como as informações são gravadas, disseminadas e recuperadas pode gerar uma seta do tempo efetiva no laboratório. Essas experiências permitem que os físicos testem como os limites de armazenamento de informação afetam a reversibilidade, sem a necessidade de sistemas cosmológicos ou astrofísicos.

Extensões da mesma estrutura sugerem que a impressão informacional não se limita à gravidade. Ela pode desempenhar um papel em todas as forças fundamentais da natureza, incluindo o eletromagnetismo e as forças nucleares. Se isso estiver correto, então a flecha do tempo deve, em última análise, ser rastreável à forma como todas as interações registram informações, não apenas as gravitacionais. Testar isso envolveria procurar limites de reversibilidade ou recuperação de informação em diferentes processos físicos.

Em conjunto, esses exemplos mostram que o tempo informacional não é uma reinterpretação abstrata. Ele liga buracos negros, experimentos quânticos e interações fundamentais por meio de um mecanismo físico compartilhado, que pode ser explorado, restringido e potencialmente falseado à medida que nosso alcance experimental continua a crescer.

O que realmente é o tempo

As ideias sobre informação não substituem a Relatividade ou a Mecânica Quântica. Em condições cotidianas, o tempo informacional acompanha de perto o tempo medido pelos relógios. Para a maioria dos fins práticos, a imagem familiar do tempo funciona extremamente bem. A diferença aparece em regimes onde as descrições convencionais enfrentam dificuldades.

Perto dos horizontes de eventos dos buracos negros ou durante os primeiros momentos do Universo, a noção usual de tempo como uma coordenada externa suave torna-se ambígua. O tempo informacional, por outro lado, permanece bem definido, desde que ocorram interações e as informações sejam registradas de forma irreversível.

Tudo isso pode deixar você se perguntando o que realmente é o tempo. Essa mudança reformula este debate de longa data. A questão não é mais se o tempo deve ser assumido como um ingrediente fundamental do Universo, mas se ele reflete um processo subjacente mais profundo.

Nessa visão, a flecha do tempo pode surgir naturalmente de interações físicas que registram informações e não podem ser desfeitas. O tempo, então, não é um parâmetro misterioso em segundo plano, separado da física. É algo que o Universo gera internamente por meio de sua própria dinâmica. Não é, em última análise, uma parte fundamental da realidade, mas surge de constituintes mais básicos, como a informação.

Ainda não se sabe se essa estrutura será a resposta definitiva para a natureza do tempo ou apenas um trampolim. Como muitas ideias na física fundamental, ela ficará de pé ou cairá com base em quão bem conectar a teoria à observação. Mas ela já sugere uma mudança impressionante de perspectiva.

O Universo não existe simplesmente no tempo. O tempo é algo que o Universo escreve continuamente em si mesmo.

Dois ex-servidores do alto escalão do INSS estão em processo avançado de delação premiada.

A coluna apurou que o ex-procurador do INSS Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios da autarquia, André Fidelis, entregaram o filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, e detalharam o envolvimento de políticos no esquema.

Entre os políticos citados pelos delatores está Flávia Péres (ex-Flávia Arruda). Ela foi ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) do governo Jair Bolsonaro. É a primeira vez que o nome dela aparece associado ao esquema. Flávia é mulher do economista Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master e ex-sócio do empresário mineiro Daniel Vorcaro.

Os dois delatores estão presos desde 13 de novembro.

Virgílio Filho é acusado pela PF de receber R$ 11,9 milhões de empresas ligadas às entidades que faziam os descontos ilegais nas aposentadorias. Desse total, R$ 7,5 milhões teriam vindo de empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Os repasses teriam sido enviados a empresas e contas bancárias da esposa do ex-procurador, a médica Thaisa Hoffmann Jonasson.

Já André Fidelis teria recebido R$ 3,4 milhões em propina entre 2023 e 2024, segundo os investigadores.

Como mostrou a coluna de Andreza Matais no Metrópoles, o próprio Careca do INSS também prepara uma proposta de delação premiada. A disposição dele em delatar cresceu após familiares do empresário virarem alvo das investigações, como o filho Romeu Carvalho Antunes e a esposa, Tânia Carvalho dos Santos.

Eric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS, também foi preso.

A advogada Izabella Borges, que representa Virgílio Oliveira Filho, negou que exista delação em andamento. A reportagem tenta contato com a defesa de André Fidelis.

Quem são Virgílio Filho e André Fidelis na Farra do INSS

Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho era servidor de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU) e exerceu o cargo de procurador do INSS — ou seja, atuava como principal consultor jurídico do órgão.

Em novembro passado, ele se entregou à Polícia Federal em Curitiba (PR), após ter um mandado de prisão expedido contra si na 4ª fase da Operação Sem Desconto, que investiga a chamada Farra do INSS. A mulher dele, a médica Thaisa Hoffmann Jonasson, também foi presa.

Em outubro de 2023, quando ainda estava no INSS, Virgílio Filho se manifestou favoravelmente aos descontos nos benefícios de 34.487 aposentados, em favor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

A Polícia Federal acusa Virgílio de receber R$ 11,9 milhões de empresas ligadas às entidades que fraudaram o INSS. Desse montante, pelo menos R$ 7,5 milhões vieram de firmas do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A PF também identificou um aumento patrimonial de Virgílio da ordem de R$ 18,3 milhões.

Como mostrou a coluna, as aquisições do procurador e de sua mulher incluíram um apartamento de R$ 5,3 milhões em Curitiba (PR), comprado após ele se tornar alvo da PF. A mulher dele chegou a reservar um apartamento de R$ 28 milhões na Senna Tower, em Balneário Camboriú (SC).

Já André Fidelis foi diretor de Benefícios do INSS em 2023 e 2024. Ele é acusado de receber pagamentos das entidades para permitir os descontos automáticos na folha dos aposentados.

Segundo o relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), André Fidelis foi o diretor que mais “concedeu acordo de cooperação técnica (ACT) da história do INSS”. Na gestão dele, foram habilitadas 14 entidades, que descontaram R$ 1,6 bilhão dos aposentados.

Considerado foragido da Justiça, a defesa do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, mais conhecido como Oruam, apresentou um laudo alegando que o cantor sofre de transtornos psíquicos. O artista, de 25 anos, é réu por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação realizada em julho do ano passado, no Joá, Sudoeste do Rio.

Segundo relatório clínico feito pelo especialista, Oruam "encontra-se em acompanhamento psiquiátrico, apresentando quadro clínico compatível com Transtorno de Ansiedade associado a Transtorno Depressivo Moderado".

O julgamento que aconteceria na última segunda-feira, 23, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), foi adiado para o dia 30 de março. A sessão foi adiada pela ausência do delegado Moysés Santana Gomes, uma das vítimas.

O quadro clínico descrito pelo especialista, acarreta em prejuízo "funcional significativo, interferindo de forma relevante na capacidade de desempenho pleno de atividades laborais, sociais e/ou cognitivas, especialmente em contextos que exijam tomada de decisão, autocuidado, manutenção de atenção prolongada, estabilidade emocional e resistência ao estresse".

Ainda segundo o diagnóstico, o cantor está com quadro clínico compatível com sofrimento psíquico que pode estar sendo intensificado pelo "estado de hipervigilância constante diante da possibilidade de reclusão em ambiente prisional, pelas condições físicas de saúde anteriores (tuberculose e pneumonia) e pelas dinâmicas familiares complexas, sobretudo a ausência paterna e a vivência de estigmas sociais".

O profissional sugere que o tratamento do rapper seja feito fora do sistema prisional, pois o encarceramento pode agravar o quadro mental do cantor.

Além de tentativa de homicídio, Oruam também responde por outros crimes, como resistência, desacato, ameaça e dano qualificado.

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), a tornozeleira eletrônica do cantor está desligada desde o dia 1 de fevereiro. O equipamento foi instalado no fim de setembro e, a partir de novembro, já foram constatadas irregularidades.

Violação de tornozeleira

Oruam passou a usar tornozeleira eletrônica após deixar a prisão, em 30 de setembro do ano passado. Desde então, violou o monitoramento 66 vezes, segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Todas as ocorrências teriam sido provocadas pela falta de carregamento do equipamento.

Diante das infrações sucessivas, o STJ revogou o habeas corpus anteriormente concedido ao rapper e determinou o restabelecimento da prisão. Na decisão mais recente, o ministro Joel Ilan Paciornik apontou que o artista descumpriu de forma reiterada a medida cautelar, principalmente durante a noite e aos fins de semana.

Segundo o magistrado, o cantor permaneceu por longos períodos com a tornozeleira sem bateria — em alguns casos, por até dez horas — o que gerou “lacunas nos mapas de movimentação do acusado” e tornou a fiscalização “ineficaz”.

Mais de 60 dias preso

A ação que terminou com a prisão do rapper Oruam começou na noite de 21 de julho de 2025, quando policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) foram até a casa do cantor, no Joá, Zona Oeste do Rio, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente infrator. O jovem, que integrava a chamada “Equipe do Ódio”, ligada ao Comando Vermelho, havia deixado de cumprir medidas socioeducativas em regime de semiliberdade. Ao ser colocado em uma das viaturas, o adolescente fugiu após o carro ser apedrejado por Oruam e outros presentes no imóvel.

Na confusão, o adolescente escapou pela mata com amigos. Um dos envolvidos, Paulo Ricardo de Paula Silva de Moraes, o Boca Rica, foi preso em flagrante. Os vídeos gravados pelos próprios jovens foram usados pela DRE para embasar o inquérito que levou à expedição do mandado de prisão contra Oruam. O rapper ficou preso por mais de 60 dias no Complexo de Gericinó, na Zona Sudoeste do Rio até conseguir, no STJ, a revogação de sua prisão.

 

Relatos de familiares da policial militar Gisele Santana dizem que a filha dela, uma menina de apenas sete anos, teria presenciado discussões e episódios de violência psicológica entre a mãe e o padrasto, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto.

"A menina presenciou muitas cenas de violência contra a mãe e violências principalmente psicológicas. A menina chegou desesperada pedindo para não retornar mais à casa", disse o advogado da família, José Miguel da Silva Júnior.

As declarações foram apresentadas à polícia e fazem parte da investigação sobre a morte da soldado. Inicialmente tratado como suicídio, o caso teve uma reviravolta após os depoimentos da família e passou a ser tratado como morte suspeita pela Polícia Civil de São Paulo.

Gisele, de 32 anos, foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu.

Os familiares também relatam que Gisele vivia sob forte controle do marido. De acordo com eles, a policial era proibida de usar determinadas roupas, maquiagem e até de manter contato frequente com parentes.

Dias antes da morte, ainda segundo os relatos, a soldado teria pedido ajuda ao pai para sair de casa, dizendo que não suportava mais a situação. Mesmo assim, decidiu permanecer após afirmar que conversaria novamente com o companheiro.

Na versão apresentada à polícia, o tenente-coronel disse que o casal discutiu após ele comunicar que queria se separar. Ele afirmou que foi tomar banho e ouviu um disparo, encontrando a esposa ferida logo depois.

A família contesta essa narrativa e defende que o caso seja investigado como feminicídio, apontando um histórico de comportamento abusivo e ameaças.

A investigação aguarda resultados de perícias, incluindo a análise da trajetória do disparo, para esclarecer as circunstâncias da morte.

Procurada, a defesa do tenente-coronel não se manifestou publicamente. O espaço segue em aberto.

primeiro eclipse solar de 2026 aconteceu em 17 de fevereiro e, para quem gosta de eventos astronômicos, o próximo da lista é a Lua de Sangue, que marcará o eclipse lunar pioneiro do ano. O fenômeno que deixa o satélite natural com cor avermelhada ocorrerá em 3 de março.

O evento será visível em todo lado noturno da Terra, com as melhores observações ficando em localidades da América do Norte, Austrália e Oceano Pacífico. No Brasil, a Lua de Sangue será vista parcialmente, em especial por pessoas da região Norte do país.

A previsão é que o fenômeno dure 58 minutos, o tempo completo para que a Lua fique totalmente imersa pela sombra terrestre. A fase parcial do evento deve começar às 4h50 (horário de Brasília). Já a etapa completa se iniciará às 8h04 e terminará às 9h02.

Imagem colorida mostra Lua de Sangue no Rio de Janeiro - Metrópoles
Imagem mostra Lua de Sangue registrada no Rio de Janeiro em 2018

Como ocorre uma Lua de Sangue

O fenômeno acontece quando a Terra se posiciona entre a Lua e o Sol. Assim, o satélite natural fica na sombra terrestre e a única luz que atinge a superfície lunar é filtrada pela nossa atmosfera. Como resultado, o brilho refletido fica avermelhado e deixa a Lua com cor de sangue.

Para observá-lo, não é necessário o uso de equipamentos especiais para proteção. O fenômeno pode ser visto a olho nu, sem risco algum. Contar com boas condições climáticas do dia e estar em lugar escuro, sem muitas luzes artificiais, também são medidas essenciais para ter uma visão melhor do evento.

A Apple Brasil foi multada pelo Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor de Alagoas (Procon-AL) por vender aparelhos celulares sem a inclusão da fonte de carregamento. O valor da multa foi estabelecido em mais de R$ 100 mil.

De acordo com o órgão, a penalidade administrativa teve como base o art. 4º, inciso I, da Lei nº 8.078/90, que estabelece os princípios da Política Nacional das Relações de Consumo. A sanção foi adotada após a empresa não demonstrar interesse em solucionar a demanda apresentada.

A análise do processo foi conduzida pelo gerente de Decisão Administrativa, João Victor Lisboa, com o suporte dos analistas Liberalino Pedro e João Evaristo.

João Victor afimrou que a conduta da empresa violou o Código de Defesa do Consumidor (CDC), sobretudo pela ausência de medidas voltadas à solução da questão apresentada. Dessa forma, a avaliação do processo administrativo constatou que a Apple Brasil desconsiderou a vulnerabilidade do consumidor no mercado e não adotou providências para resolver o problema.

O procedimento administrativo resultou no reconhecimento da procedência da reclamação. Inicialmente, a multa foi fixada em R$ 60.976,50. No entanto, após a inclusão de circunstâncias agravantes previstas no art. 26 do Decreto nº 2.181/97, o valor final foi estabelecido em R$ 101.627,50.

Após ser notificada, a empresa terá prazo de 20 dias corridos para apresentar recurso administrativo. Caso o pedido seja negado, o valor da multa passará por atualização conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – Especial (IPCA-E).

A Justiça de Alagoas aceitou a quebra de sigilo telefônico da ex-companheira de Johanisson Carlos Lima Costa, de 33 anos, coordenador das categorias de base do CRB, que foi assassinado a tiros em Maceió. A morte de "Joba" completou um mês nessa segunda-feira (23).

A reportagem do TNH1 apurou que também foi solicitada a quebra do sigilo telemático e bancário dos suspeitos do crime  — dois estão presos e três foram mortos. O pedido já foi deferido pela Justiça de Alagoas. A quebra de sigilo telemático inclui dados armazenados eletronicamente, como e-mails, mensagens de aplicativos (WhatsApp, Telegram...), nuvem e histórico de navegação.

Além das quebras de sigilo, a Polícia Civil de Alagoas prorrogou por mais 30 dias o inquérito que investiga o assassinato do coordenador das categorias de base do CRB.

A MORTE DE JOBA

Johanisson Carlos Lima Costa, de 33 anos, que trabalhava como coordenador das categorias de base do CRB, foi assassinado a tiros na manhã do dia 23 de janeiro, no bairro Santa Lúcia, em Maceió.

Joba seguia para um ponto de ônibus, de onde embarcaria em uma van com destino ao CT Ninho do Galo, onde cumpriria mais um dia de trabalho, quando foi surpreendido com um tiro na cabeça.

Duas pessoas, entre eles o mandante do crime, foram presas. Outras três pessoas que participaram do crime foram mortas em confrontos com a polícia.

A MOTIVAÇÃO

De acordo com a delegada Tacyane Ribeiro, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Joba mantinha um relacionamento com uma mulher que, após o término, passou a se relacionar com o mandante do crime, um homem identificado como Ruan Carlos Ferreira de Lima Albuquerque. Com o fim desse novo relacionamento, a mulher teria retomado contato com a vítima, o que teria provocado ciúmes em Ruan.

CSA HOMENAGEOU COORDENADOR

Na última sexta-feira, 27, o Clubes de Regatas Brasil voltou a homenagear Johanisson Carlos Lima Costa. Em publicação feita nas redes sociais, o clube citou o sentimento de saudade e boas memórias do profissional e voltou a pedir por Justiça. 

"Foi em uma manhã de sexta-feira que fomos pegos de surpresa pela notícia de um crime covarde. Um choque que deixou uma dor profunda em todos nós.

Hoje, quatro semanas depois, a ausência segue doendo. A saudade permanece viva, assim como as memórias e a história que o Joba construiu e que jamais será apagada do CRB.

Seguimos de luto, mas também atentos. Ainda aguardamos o desfecho final do caso, com a esperança de que, se tiver algum ponto a desvendar, toda a verdade venha à tona e que a justiça seja feita em sua totalidade.

#JustiçaPorJoba 🖤🕊️"

Ele nasceu em Matriz de Camaragibe, estudou a vida inteira em escola pública, cresceu no Assentamento São Frutuoso e sempre foi conhecido como “o menino do campo”. Filho de agricultores, Ramon Dantas aprendeu cedo que a terra era sustento, identidade e dignidade. O que ele não imaginava era que, aos 33 anos, estaria à frente da primeira fábrica de chocolate 100% alagoano do estado, presidente da Cooperativa dos Produtores de Cacau de Alagoas e Derivados da Floresta – COPCACAU, e responsável por um dos projetos mais inovadores de diversificação turística do interior.

A trajetória até aqui não foi linear. Passou por cooperativismo, microcrédito rural, fundação de sindicato, política e uma obstinação que transformou desvantagens em combustível. “As pessoas passavam por Matriz e só viam cana. Mas minha família inteira é agricultora, em Matriz sempre teve muito agricultor. Eu sonhava em alavancar esse setor aqui, para além da cana-de-acúcar”. Foi dessa inquietação que nasceu o desejo de mudar a narrativa da cidade.

Antes do chocolate, o sonho era turismo
O primeiro grande sonho de Ramon não era produzir chocolate. Era fazer de Matriz de Camaragibe um destino turístico. Ele conhecia as cachoeiras, os rios e a mata desde criança e não aceitava que a cidade fosse lembrada apenas pela monocultura da cana.

“Nunca foi culpa do turista. Foi culpa nossa, porque a gente nunca se apresentou como destino turístico. As praias dos municípios vizinhos sempre estiveram sob os holofotes, e com razão. Mas o turista atravessava Matriz rumo ao próximo destino porque nós mesmos deixamos de mostrar a riqueza que existe aqui”, afirma.

A virada começou quando ele encontrou um antigo pé de cacau próximo a uma casa de engenho. Ali, enxergou uma oportunidade estratégica: usar o cacau como âncora para atrair visitantes e, a partir dele, apresentar a natureza e a cultura local.

Nascia o embrião do Vale do Cacau e da agência Flor de Camará, que passou a estruturar experiências de ecoturismo integrando trilhas, rio, cachoeira e plantação de cacau. Em vez de competir com o litoral, Ramon decidiu somar.

“Eu não quero tirar o turista de você, quero fazer ele ficar mais um dia”, dizia o empreendedor aos donos de pousadas de Japaratinga e Maragogi. A estratégia funcionou. O turista que ficaria três dias no litoral passou a estender a estadia para viver a experiência da floresta. O ecoturismo ganhou força, e a ideia do chocolate começou a nascer.

A descoberta do cacau
Até 2024, Ramon acreditava que sua produção era praticamente isolada. A participação na Expoagro daquele ano mudou o cenário. Agricultores começaram a se aproximar dizendo que também tinham cacau, ainda que em pequenas quantidades, muitas vezes plantado no quintal.

Ele passou a mapear produtores em Colônia Leopoldina, Joaquim Gomes, União dos Palmares, Murici, Palmeira dos Índios, Boca da Mata, Teotônio Vilela e outros municípios. O que parecia escassez revelou-se potencial.

Com o diagnóstico feito, veio a organização. Hoje, a COPCACAU reúne 42 cooperados e já articula novos produtores. A fábrica do Ramon compra parte da produção e o excedente é organizado coletivamente, reduzindo custos logísticos e ampliando mercado.

“Hoje o Estado já tem produção suficiente para a gente aumentar em 10 vezes o que faz. A matéria-prima existe. O que precisamos agora é de maquinário e estrutura.”

A primeira fábrica de chocolate 100% alagoano
Inaugurada em 21 de novembro, a loja Cacau Matriz funciona como vitrine e mini fábrica. Ali, o cliente não apenas compra, mas acompanha a produção em tempo real. “Diferente das grandes franquias, aqui a pessoa não vem só comprar. Ela acompanha o processo, desde a plantação do cacau, até chegar na loja, e ver o chocolate sendo feito para logo depois degustar os produtos. É uma experiência completa".

A proposta é sensorial. Degustação guiada, explicação dos processos, chocolate sendo finalizado na hora. A fábrica principal, instalada no Conjunto Residencial Senhor Bom Jesus, já opera com a parte fria do processo estruturado, e prepara a expansão para a área de torra do cacau.

O portfólio da Cacau Matriz vai do fruto a seus derivados: barras tradicionais, versões veganas e zero lactose, chocolate branco, creme de cacau com amendoim e castanhas, panetones, chá de cacau e sorvete artesanal.

Com apenas dois meses de operação efetiva, a loja já alcançou a primeira meta de faturamento: R$ 50 mil em janeiro. A meta seguinte é R$ 55 mil, com crescimento projetado de 5% ao mês e objetivo de encerrar o ano próximo dos R$ 100 mil mensais.

A gestão inclui sistema informatizado, metas individuais, bônus por avaliação cinco estrelas no Google e premiação coletiva com viagens para a equipe. A prioridade é empregar moradores de Matriz. “A gente só emprega quem é daqui. Nosso propósito é fortalecer a cidade.”

Nas embalagens, a inovação ganha traços lúdicos. Ramon criou a turminha dos Guardiões da Floresta, personagens inspirados em animais nativos que contam histórias educativas sobre a importância ambiental das matas de Matriz de Camaragibe.

Os desenhos autorais estampam os chocolates e, em breve, virarão mascotes de pelúcia à venda na loja, ampliando o mix de produtos e reforçando a conexão emocional com o público.

“O Sebrae é âncora”
Se o sonho nasceu da inquietação, a estrutura veio com apoio técnico. Ramon participou de consultorias, capacitações em boas práticas, gestão e planejamento estratégico com apoio do Sebrae.

“Eu costumo dizer que a gente só começou a andar quando o Sebrae chegou na nossa vida. O sonhador sonha demais. O Sebrae foi uma âncora, ensinou o processo, passo a passo.”
A analista da Unidade de Competitividade Setorial (UCS) do Sebrae, Amanda Pinto, destaca que Ramon se tornou liderança regional ao formatar a Rota do Cacau como produto turístico estruturado.

“Alagoas precisa diversificar a oferta de produtos e experiências turísticas e sair do ‘monopólio’ do sol e mar. O Ramon já tem um produto consolidado, que integra natureza, cultura e indústria. O papel do Sebrae é apoiar na melhoria e na comercialização desses produtos, conectando às agências de turismo e ao mercado nacional.”

Segundo ela, o Sebrae atua nas duas pontas: estrutura o negócio e amplia o acesso a mercados por meio de núcleos e parcerias estratégicas.

Já a analista da Unidade de Relacionamento Empresarial (URE) do Sebrae Alagoas, Pollyana Bellutti, acompanhou Ramon desde os primeiros passos, de acordo com ela, a clareza da visão empreendedora sempre esteve presente.

“O Sebrae apoiou na adequação da produção, no desenvolvimento dos primeiros produtos e na organização da gestão, para que o sonho se estruturasse como um negócio competitivo”, explicou Pollyana.

O diretor técnico do Sebrae Alagoas, Keylle Lima, também esteve em Matriz do Camaragibe, e reforça que histórias como a da Cacau Matriz demonstram o impacto do atendimento qualificado ao pequeno empreendedor. “Quando o empreendedor busca orientação, planejamento e capacitação, ele reduz riscos e aumenta a competitividade. O Sebrae está ao lado do micro e pequeno negócio desde a ideia até a expansão. O caso da Cacau Matriz mostra como inovação, identidade territorial e gestão profissional podem transformar realidades locais.”

Desenvolvimento que nasce da terra
Ramon é técnico agropecuário, técnico em turismo, bacharel em Sistemas de Informação, pós-graduado em Gestão Pública e cursa agronomia. Atualmente é vice prefeito de Matriz e liderou a formalização de mais de 400 agricultores por meio da criação de sindicato rural.
Hoje, alia formação, experiência pública e visão empreendedora para consolidar um ecossistema que envolve agricultura, indústria, turismo e identidade cultural. “Parece que a gente andou muito, mas ainda estamos só no começo”, disse modestamente, o homem que já deixou sua marca na história de Matriz do Camaragibe.

O projeto liderado por Ramon Dantas consolida um novo modelo de desenvolvimento para o interior de Alagoas, ao integrar agricultura, indústria e turismo com gestão estruturada e apoio do Sebrae. Ao organizar a cadeia do cacau e fortalecer a competitividade local, a Cacau Matriz se firma como exemplo de como planejamento e capacitação transformam potencial em geração de renda e desenvolvimento territorial.

 

Na segunda-feira (23) iniciaram as aulas da Rede Pública Municipal em Palmeira dos Índios e, para que este retorno fosse o que se chama de “triunfal”, foi necessário muito empenho e dedicação não apenas por parte da administração pública municipal, que fez sua parte investindo na infraestrutura das unidades escolares de Palmeira e na formação dos servidores da educação, mas também de cada colaborador que se empenhou para que os alunos fossem recepcionados com muto carinho e conforto.

Para garantir que todo o planejamento outrora feito foi também colocado em prática, a prefeita Luísa Júlia, a Tia Júlia, compareceu, nesta terça-feira (24), pessoalmente a duas escolas municipais: a primeira foi a Escola Municipal Douglas Apratto Tenório, que atende 420 alunos e a segunda foi a Olívia Tenório, situada no bairro Jardim Brasil, que aloca 236 alunos.

De acordo com Miriam Queiroz, que é diretora da Escola Olívia Pereira de Melo, situada no bairro Jardim Brasil, o retorno às aulas foi um sucesso. “Estamos muito felizes pela presença deles aqui nas salas de aula e nos pátios, pois todo nosso esforço é para garantir o futuro que merecem”, disse a colaboradora da Educação.

Mais uma vez , a visita contou com o acompanhamento da secretária municipal de Educação Renilda Perera, que fez questão de conversar com os funcionários das escolas e conferir até mesmo o estoque das dispensas. “É sempre importante estar perto da nossa equipe, pois só podemos cobrar resultados se estivermos acompanhando o dia a dia e as dificuldades enfrentadas por eles”, disse a secretária.

Como de costume, a prefeita Tia Júlia demonstrou toda sua alegria em compartilhar momentos de alegria com os pequenos da educação infantil em Palmeira. “Sempre busco me aproximar da população para conhecer bem sua realidade. Hoje, vim de perto ver como nossas crianças estão passando seu dia a dia nas salas de aula, pois batalhamos por um educação de qualidade”, esclareceu a gestora municipal.

Escavações realizadas em um cemitério de 2 mil anos no Vietnã revelaram crânios com dentes definitivamente escurecidos. A prática de deixar o esmalte dentário preto e brilhante é feita até hoje e é considerada um sinônimo de alto padrão de beleza. No entanto, a descoberta evidencia que o método era mais antigo do que se imaginava.

O achado ocorreu no sítio arqueológico de Dong Xa, no norte do país, em um assentamento ocupado durante a Idade do Ferro. No local, havia vários esqueletos com dentes escurecidos.

Após o achado, os pesquisadores utilizaram técnicas para descobrir como os indivíduos alteravam a coloração dos dentes. O estudo liderado pela arqueóloga Yue Zhang, da Universidade Nacional da Austrália, teve os resultados publicados na revista Archaeological and Anthropological Sciences em meados de janeiro.

Técnica antiga para deixar os dentes pretos

Entre os métodos utilizados para a análise, os cientistas utilizaram técnicas não invasivas para não destruir os fragmentos encontrados. Os resultados mostraram que as amostras tinham níveis consideráveis de ferro e enxofre.

“Acreditamos que a presença combinada de sinais de ferro e enxofre seja um forte indicador do envolvimento de sais de ferro. Atualmente, materiais botânicos também são usados ​​no processo de escurecimento dos dentes, então é provável que a descoberta de vestígios desses materiais também indique a prática”, aponta Yue, em entrevista ao portal Live Science.

A prática a que a pesquisadora se refere é a técnica utilizada para escurecer os dentes atualmente. No método, o indivíduo mistura uma substância à base de ferro com materiais vegetais ricos em taninos, como a noz de betel. Quando se misturam e são expostas no ar, as substâncias criam uma coloração preta intensa.

Informações dos cientistas indicam que o processo demorava dias ou semanas para ficar totalmente escuro, mas que permanecia pela vida toda. “A prática ainda é observada hoje em dia, não apenas no Vietnã, mas também em outras partes do Sudeste Asiático”, afirma Yue.

Por outro lado, ainda não se sabe o motivo exato pelo qual os dentes pretos serviam para as populações antigas. Entre as principais hipóteses, estão:

Novos estudos sobre a técnica poderão trazer uma resposta definitiva. Por outro lado, a descoberta esclarece que a prática se tornou comum por volta da Idade do Ferro.

Uma vala comum com 77 corpos, composta majoritariamente por mulheres e crianças, está ajudando pesquisadores a compreender como massacres violentos eram usados como estratégia de poder na Europa há cerca de 2,8 mil anos.

O achado foi feito no sítio arqueológico de Gomolava, no norte da Sérvia, e indica um episódio de violência classificado como “brutal, deliberado e eficiente”. O estudo foi publicado nessa segunda-feira (23/2) na revista científica Nature Human Behaviour.

Descoberta de massacre na Gomolava

A vala foi encontrada em Gomolava, próximo à atual cidade de Hrtkovci, às margens do rio Sava, na Sérvia. O local era ocupado desde o sexto milênio antes de Cristo e, no século 9 a.C., estava situado em uma região marcada por muitas transformações sociais.

Naquele período, grupos semissedentários — comunidades da Idade do Ferro — começaram a se consolidar na Bacia dos Cárpatos, o que gerou disputas por território e poder. Segundo os pesquisadores, Gomolava ocupava um ponto considerado crítico, tanto do ponto de vista físico quanto político.

Predominância de mulheres e crianças no massacre

A cova tem cerca de 2,9 metros de diâmetro e meio metro de profundidade. Dentro dela, arqueólogos encontraram 77 esqueletos humanos. O dado que mais chamou atenção foi o perfil das vítimas: mais de 70% eram mulheres e quase 69% eram crianças.

Para os pesquisadores, essa predominância é incomum na pré-história europeia e sugere que o grupo foi alvo de um ataque específico.

Além dos corpos, também foram encontrados objetos de cerâmica, pequenos adornos de bronze e ossos de quase 100 animais — entre eles, o esqueleto completo de uma vaca jovem. Buracos de postes ao redor da vala indicam que o local pode ter sido marcado ou transformado em algum tipo de memorial.

Marcas claras de execução violenta

A análise dos esqueletos mostrou indícios fortes de traumatismo craniano causado por golpes intencionais e letais. As fraturas indicam um contato próximo entre agressor e vítima e uso de força contundente, possivelmente com armas ou instrumentos pesados.

A posição dos ferimentos sugere que os agressores poderiam estar a cavalo ou ser fisicamente mais altos que as vítimas. O padrão geral, segundo os autores do estudo, aponta para uma ação organizada, programada e bem eficiente.

Para entender quem eram as vítimas, os cientistas analisaram o DNA dos indivíduos. O resultado mostrou que poucos tinham laços familiares próximos entre si, afastando a hipótese de que se tratava de um único grupo familiar.

A análise de isótopos de estrôncio — substância que fica no esmalte do dente e que ajuda a identificar a origem geográfica — revelou ainda que mais de um terço das pessoas não havia crescido na região de Gomolava. Ou seja, o grupo era diverso e reunia indivíduos de lugares diferentes.

Conflitos por terra e poder

Embora a causa exata do massacre permaneça desconhecida, o contexto histórico oferece pistas. O século 9 a.C. foi marcado por deslocamentos populacionais e tensões entre modos de vida nômade e sedentário.

Nesse contexto, disputas pelo uso e posse da terra podem ter provocado massacres violentos, migrações forçadas e até a eliminação estratégica de determinados grupos.

Os pesquisadores sugerem que mulheres e crianças — fundamentais para a continuidade genealógica e social das comunidades — podem ter sido alvo para enfraquecer ou desestruturar grupos rivais.

Não é a primeira vez que indícios parecidos são encontrados no local. Em 1954, outra vala comum foi descoberta em Gomolava, também com predominância de esqueletos femininos e objetos associados à mesma época.

Para os autores, o conjunto de evidências indica que o massacre pode ter sido utilizado como ferramenta de reorganização de poder.

O caso de Gomolava revela que a violência em massa já era empregada de forma estratégica na Europa pré-histórica — não só como uma consequência do massacre, mas também como instrumento para impor controle e redefinir estruturas sociais.

 

O DIU é um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis. Ainda assim, casos raros de falha acabam gerando dúvidas.

Recentemente, histórias de gravidez com DIU chamaram atenção nas redes, mas especialistas reforçam que essas situações são exceções.

Quais são as chances de o DIU falhar?

As taxas de falha do DIU variam conforme o modelo utilizado.

Confira também: “Conheça 3 produtos comuns que podem diminuir a fertilidade”.

Isso significa que, em média, menos de 1 mulher a cada 100 engravida em um ano de uso.

Segundo a obstetra Dra. Dúnia Poli do Valle, métodos com taxa inferior a 1% são considerados altamente eficazes.

Ela explica que, em números práticos, cerca de 6 em cada 1000 mulheres podem engravidar em um ano usando DIU de cobre.

Por que casos de falha viralizam?

Quando um método muito eficaz falha, o caso vira notícia.

A especialista alerta para o chamado “viés de confirmação”. Como os relatos de falha ganham destaque, pode surgir a impressão de que o método falha com frequência.

Na prática, a grande maioria das usuárias utiliza o DIU sem intercorrências. Esses casos não costumam repercutir, justamente por serem comuns e esperados.

Confira também: “Quanto tempo dá para ficar com o biquíni molhado sem riscos?”.

O DIU é seguro?

Sim. O DIU é considerado seguro e confiável.

Além dele, outros métodos com alta eficácia incluem:

Todos apresentam taxas de falha inferiores a 1% quando corretamente indicados e acompanhados.

Quando procurar avaliação médica?

Alguns sinais exigem atenção:

Nessas situações, é importante procurar um ginecologista.

Apesar de a possibilidade de falha existir, o DIU segue entre os métodos mais eficazes da medicina reprodutiva.

Informação correta e acompanhamento médico são fundamentais para uma escolha segura.

A segunda fase da Operação Nexus, operada pela Polícia Nacional do Paraguai, revelou um esquema de tráfico de drogas envolvendo figuras relevantes do futebol. Na última sexta-feira, 20, o ex-goleiro Víctor Hugo Centurión Miranda, que chegou a defender a seleção paraguaia e o clube Olimpia, que foi à final da Libertadores em 2013, foi preso. Naquele ano, o Olimpia perdeu o título de maior das Américas para um brasileiro, o Atlético-MG.

Centurión é acusado de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Ele é suspeito de ter ligação com Sebastián Marset, um narcotraficante uruguaio procurado pelas autoridades paraguaias. Marset também era jogador de futebol.

Segundo o jornal paraguaio Última Hora, que acessou o documento de acusação, o ex-goleiro estaria encarregado de uma parte do trabalho logístico da organização; ele estaria engajado na obtenção de transporte, aeronaves, combustível de aviação e peças de reposição para a manutenção desses transportes. Por causa de sua carreira conhecida no futebol, ele também deveria negociar a venda das substâncias ilícitas.

Também nesta fase da operação foi preso o ex-jogador de futsal Luis Molinas, conhecido como Chon, do clube Cerro Porteño. O ex-gerente esportivo Dionisio Manuel Cáceres, do clube Rubio Ñu, também é investigado, mas está em liberdade.

Antes, em maio de 2025, um outro ex-jogador renomado, com passagem pelo Brasil, especificamente pelo Santos, foi preso por envolvimento no esquema de tráfico de drogas. Trata-se de Julio César Manzur, que, coincidentemente, foi companheiro de equipe de Centurión quando o Olimpia chegou à Libertadores. Manzur ainda carrega no currículo esportivo uma medalha de prata que ganhou nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004.

Com Manzur, outras duas pessoas foram presas, em uma operação policial que ocorreu no bairro de Ykua Duré, na cidade de Luque, no Paraguai.

Ainda segundo o Última Hora, dentre os futebolistas investigados está também o técnico Diego Benítez, que é considerado fugitivo. Ele teria mantido relações com o deputado Eulalio Lalo Gomes e seu filho, Alexander Rodrigues Gomes, acusados de posse de 16 toneladas de cocaína apreendidas em portos europeus.

 

Policiais penais impediram, na semana passada, a fuga de 20 custodiados do Presídio do Agreste. A tentativa foi identificada durante procedimentos de rotina realizados pela equipe de plantão.

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Ressocialização e Inclusão Social (Seris), a atuação rápida e estratégica da Polícia Penal foi decisiva para evitar a evasão em massa.

Segundo as informações repassadas, os policiais perceberam movimentações suspeitas no interior da unidade prisional durante a fiscalização diária. A partir disso, foram adotadas medidas imediatas para conter a ação e reforçar a segurança no local.


				Polícia Penal frustra fuga de 20 detentos no Presídio do Agreste
Polícia Penal frustra fuga de 20 detentos no Presídio do Agreste. Seris

A situação foi controlada sem registro de fuga. A administração do presídio deve instaurar procedimento interno para apurar as circunstâncias da tentativa e identificar eventuais responsabilidades.

A Polícia Penal reforçou que mantém vigilância constante nas unidades prisionais do Estado, com o objetivo de preservar a ordem e garantir a segurança da população.

Um caso de violência sexual contra uma adolescente de 14 anos foi denunciado ao Conselho Tutelar de Anadia, no Agreste do Estado, e o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) já instaurou procedimento administrativo para a investigação do crime. A menor de iniciais M.V.A.S. teria sido abusada pelo vizinho e pelo namorado, maior de idade, apontados como principais suspeitos do estupro.

A representação do Conselho Tutelar no MPAL foi baseada em denúncia anônima. A adolescente teria sido vista no momento em que saía da casa do vizinho, o que gerou a desconfiança da família. Após exame de corpo de delito, a conjução carnal foi constatada.

Em portaria publicada nessa segunda-feira (23), no Diário Oficial Eletrônico, o MPAL destacou que o procedimento administrativo também visa fiscalizar e regular a tramitação do inquérito policial, como também garantir o atendimento psicossocial adequado à vítima.

O órgão determinou que a polícia conclua a investigação em 30 dias, conforme prazo já estabelecido, como também realize a oitiva da vítima, dos pais e dos suspeitos.

O MPAL também oficiou o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para que enviem relatórios sobre o acompanhamento psicológico e familiar que está sendo prestado à adolescente.

O aplicativo de mensagens "Zangi" foi bloqueado pelo Poder Judiciário em todo o país por ser utilizado para cometer crimes contra crianças e adolescentes. A determinação ocorreu após o pedido do Ministério Público de Alagoas, através dos dos promotores de Justiça Lucas Sachsida e Ricardo Libório, da 60ª Promotoria de Justiça da capital.

De acordo com a denúncia, o aplicativo Zangi vinha sendo utilizado como meio para a prática e disseminação de conteúdos relacionados a crimes de extrema gravidade, incluindo crimes que vitimizam crianças e adolescentes.

As investigações ainda apontaram que a plataforma é conhecida por oferecer mecanismos que dificultam a rastreabilidade das comunicações, criando um ambiente propício à atuação de criminosos.

O Ministério Público requisitou informações e dados técnicos essenciais à identificação dos responsáveis, mas não obteve a cooperação necessária por parte da empresa administradora do aplicativo.

Diante da resistência e da continuidade do uso da ferramenta para fins ilícitos, os promotores Lucas Sachsida e Ricardo Libório requereram judicialmente a adoção de medida mais rigorosa, consistente no bloqueio do funcionamento da plataforma no Brasil, como forma de resguardar vítimas e assegurar a eficácia das investigações.

Os pedidos atendidos

Na decisão, foi determinado o bloqueio da ferramenta em todo o país, como medida necessária diante da impossibilidade de obtenção de dados imprescindíveis às investigações.

Ao analisar o pedido, o Judiciário também reconheceu a presença dos requisitos legais e destacou que a liberdade de oferta de serviços digitais não pode se sobrepor à proteção de direitos fundamentais, especialmente quando se trata da integridade de crianças e adolescentes. A decisão determina ainda que provedores de internet adotem as providências necessárias para tornar indisponível o aplicativo Zangi no país.

“A medida reforça um debate cada vez mais urgente no cenário contemporâneo: a responsabilidade das plataformas digitais diante de conteúdos ilícitos e da prática de crimes em ambiente virtual. Embora a tecnologia represente avanço e ampliação de direitos, ela não pode servir de escudo para a impunidade. A ausência de cooperação com autoridades brasileiras, sobretudo em investigações que envolvem vítimas em situação de extrema vulnerabilidade, compromete a efetividade da Justiça e exige respostas proporcionais do Estado”, afirmou o promotor Lucas Sachsida.

Ricardo Libório também a respeito da decisão: “Além disso, o caso evidencia a necessidade de equilíbrio entre inovação tecnológica e proteção de direitos fundamentais. A atuação do MPAL demonstra que o enfrentamento aos crimes cibernéticos demanda não apenas investigação qualificada, mas também decisões firmes capazes de interromper ciclos de violência e exploração. Ao priorizar a proteção da infância e da adolescência, o Ministério Público caminha em direção ao seu papel constitucional de defensor da sociedade e de guardião dos direitos humanos, especialmente daqueles que mais precisam de proteção”, disse ele.

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