Alterações discretas na circulação do sangue no cérebro podem estar ligadas ao desenvolvimento do Alzheimer ainda antes do surgimento dos sintomas. É o que indica um estudo publicado na revista Alzheimer’s and Dementia The Journal of the Alzheimer’s Association em 13 de fevereiro, conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina Keck da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos.
A pesquisa analisou adultos mais velhos com e sem comprometimento cognitivo e encontrou associação entre medidas do fluxo sanguíneo cerebral, níveis de oxigenação e sinais já conhecidos do Alzheimer, como o acúmulo de proteína amiloide e a redução do hipocampo, região importante para a memória.
Os achados, segundo os autores, reforçam a ideia de que a saúde dos vasos sanguíneos do cérebro pode influenciar o desenvolvimento da doença desde fases iniciais.
“A proteína amiloide e a proteína tau costumam ser vistas como centrais no Alzheimer, mas o fluxo sanguíneo e o fornecimento de oxigênio também são fundamentais”, afirma Amaryllis Tsiknia, principal autora do estudo, em comunicado.
Segundo ela, quando o sistema vascular cerebral se comporta de maneira mais próxima ao envelhecimento saudável, também aparecem sinais associados a melhor saúde cognitiva.
Como o fluxo sanguíneo foi avaliado
Para investigar essas alterações, os pesquisadores utilizaram duas técnicas não invasivas e indolores. Uma delas foi o ultrassom Doppler transcraniano, que mede a velocidade do sangue nas principais artérias cerebrais.
A outra foi a espectroscopia de infravermelho próximo, capaz de avaliar como o oxigênio chega ao tecido cerebral perto da superfície do cérebro.
As informações foram combinadas por meio de modelos matemáticos que estimam a eficiência da função vascular cerebral. Os indicadores mostram como o cérebro ajusta o fluxo sanguíneo e a oferta de oxigênio diante de variações naturais da pressão arterial e dos níveis de dióxido de carbono.
Os participantes com indicadores vasculares mais próximos do padrão considerado saudável apresentaram níveis menores de proteína amiloide e maior volume do hipocampo, características associadas a um menor risco de Alzheimer.
Já pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência mostraram sinais de funcionamento vascular mais frágil.
“Essas medidas vasculares parecem captar algo relevante sobre a saúde cerebral e se alinham ao que observamos em exames mais complexos usados no estudo do Alzheimer”, explica Meredith Braskie, autora sênior do trabalho.
Para os pesquisadores, isso sugere uma interação importante entre a circulação sanguínea, a oxigenação do cérebro e os processos biológicos envolvidos na doença.
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Possibilidade de identificação mais precoce
Outro ponto destacado pelos cientistas é que os métodos utilizados são mais simples e menos caros do que exames tradicionais, como ressonância magnética ou tomografia por emissão de pósitrons. Além disso, não exigem injeções nem exposição à radiação, o que pode facilitar a aplicação em triagens mais amplas.
Os autores ressaltam, porém, que os resultados representam um retrato pontual e não comprovam causa direta. Estudos de longo prazo já estão em andamento para acompanhar os participantes e verificar se essas alterações vasculares conseguem prever o declínio cognitivo ou a resposta a tratamentos futuros.
“Se conseguirmos monitorar esses sinais ao longo do tempo, poderemos identificar pessoas em maior risco mais cedo e avaliar se melhorar a saúde vascular pode retardar as alterações cerebrais ligadas ao Alzheimer”, conclui Tsiknia.
Um projeto de lei (PL) protocolado nesta quarta-feira (25/2), na Câmara Legislativa (CLDF), quer criar uma norma no Distrito Federal para a proteção à continuidade da pesquisas científicas.
De autoria do deputado distrital Eduardo Pedrosa (União Brasil), a proposta, batizada de “Lei Tatiana Coelho Sampaio”, tem como objetivo “estabelecer diretrizes para garantir segurança jurídica, previsibilidade administrativa e continuidade aos projetos de pesquisa científica, tecnológica nas áreas de saúde e inovação biomédica estratégica, financiados com recursos públicos distritais”.
Segundo o parlamentar, ao nomear a lei como “Tatiana Coelho Sampaio”, a CLDF homenageia a trajetória da pesquisadora brasileira, professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que fez a descoberta da polilaminina, medicamento que em pesquisas apresentou potencial de reverter lesões medulares em humanos.
“No campo da saúde, a pesquisa científica não é apenas produção acadêmica, é esperança concreta para pacientes com câncer, doenças raras, doenças negligenciadas, transtornos do neurodesenvolvimento e condições crônicas que impactam milhares de famílias do Distrito Federal”, disse Eduardo Pedrosa.
De acordo com o texto da proposta, fica proibido o cancelamento ou a suspensão imotivada de bolsas, auxílios e contratos de pesquisa já formalizados.
Qualquer interrupção só poderá ocorrer mediante decisão fundamentada, com direito ao contraditório e à ampla defesa.
Em caso de contingenciamento orçamentário, o Executivo local deverá comunicar os pesquisadores com antecedência mínima de 90 dias e assegurar recursos para preservar materiais biológicos, ensaios clínicos e bancos de dados cuja perda seja irreversível.
O texto também estabelece prioridade no pagamento de bolsas e fomentos individuais em relação a despesas administrativas. Projetos considerados estratégicos terão tramitação preferencial nos órgãos de fomento, regulação e fiscalização do DF.
Áreas prioritárias
Serão classificados como estratégicos os estudos voltados a danos neurológicos graves, doenças raras, câncer, imunologia e doenças negligenciadas, além de pesquisas em terapias avançadas, biotecnologia, saúde digital e tecnologias assistivas.
A proposta também contempla iniciativas que reduzam a dependência do DF na importação de insumos de saúde e fortaleçam a produção tecnológica local.
Entre os objetivos da lei, estão a preservação do investimento público já realizado, a proteção da propriedade intelectual gerada com recursos distritais e a transparência no cronograma de repasses financeiros.
A medida está alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde, ao incentivar a incorporação responsável de novas tecnologias na assistência à população.
Justificativa
Na justificativa do projeto, o deputado afirma que a descontinuidade de projetos por instabilidade administrativa ou bloqueios orçamentários tem provocado desperdício de recursos, perda de dados científicos, desmobilização de equipes qualificadas e prejuízos a pacientes que participam de pesquisas clínicas.
“O Distrito Federal abriga instituições de excelência, universidades, hospitais de referência e centros de pesquisa com alto potencial de inovação biomédica. Contudo, para que esse ecossistema se fortaleça, é imprescindível assegurar segurança jurídica, previsibilidade e ambiente institucional estável”, disse Eduardo Pedrosa.
A proposta ainda passará pelas comissões e pelo Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Em uma parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) , a Prefeitura de Palmeira dos Índios realizará na quinta-feira (05) o Encontro do Ecossistema de Inovação do Agreste. O evento acontecerá no Cesmac Sertão, localizado na no bairro Vila Maria e tem início às 14h. A ideia é reunir representantes de instituições, empreendedores e atores locais para discutir estratégias voltadas ao fortalecimento da inovação na região.
O encontro tem como objetivo promover o diálogo entre os integrantes do ecossistema e alinhar ações estratégicas para o desenvolvimento econômico, tecnológico e sustentável do Agreste. A programação contará com abertura institucional, seguida da apresentação das iniciativas de inovação desenvolvidas pelos atores locais, além do alinhamento sobre próximos eventos e projetos. O encerramento está previsto para as 16h. A modalidade do evento é presencial.
De acordo com o secretário municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico Júlio Cesar Permínio, o encontro representa um passo importante para consolidar Palmeira dos Índios como referência regional em inovação. “Estamos fortalecendo conexões entre poder público, instituições de ensino, empreendedores e sociedade civil. Esse diálogo é essencial para impulsionar novas oportunidades e fomentar o crescimento econômico sustentável do nosso município e de toda a região”, destacou o secretário.
A prefeita Tia Júlia reforçou o compromisso da gestão com o desenvolvimento do município. “Investir em inovação é investir no futuro de Palmeira dos Índios. Nosso governo trabalha para criar um ambiente favorável ao empreendedorismo, à tecnologia e à geração de emprego e renda. Esse encontro demonstra que estamos no caminho certo, construindo parcerias e planejando ações concretas para o crescimento da nossa cidade”, afirmou a prefeita.
A discussão sobre conservantes em alimentos ganhou novo fôlego com estudos recentes feitos na França. Pesquisadores da Université Sorbonne Paris Nord e da Université Paris Cité encontraram associação entre maior consumo de certos aditivos e aumento de risco de câncer, especialmente de mama, próstata e cólon.
Os trabalhos não provam causa e efeito, mas reforçam um ponto central: a exposição contínua a aditivos químicos merece atenção. Em um país onde os ultraprocessados ocupam prateleiras inteiras, saber ler o rótulo deixa de ser detalhe e vira ferramenta de prevenção.
Conservantes e câncer: o que os novos estudos estão mostrando
Conservantes são aditivos usados para aumentar a validade dos alimentos. Eles evitam crescimento de microrganismos e retardam reações químicas que estragariam o produto. Na rotulagem europeia, muitos aparecem sob códigos entre E200 e E299, ou como antioxidantes entre E300 e E399.
Os estudos franceses analisaram dados de mais de 100 mil adultos da coorte NutriNet-Santé. A equipe avaliou a ingestão habitual de diversos conservantes alimentares e acompanhou a incidência de câncer ao longo de cerca de 14 anos.
Resultados preliminares apontam que maior consumo de alguns aditivos específicos, como sorbatos, sulfitos, nitritos, nitratos e acetatos, esteve ligado a risco um pouco maior de câncer em geral, além de mama e próstata. Os aumentos variaram, em geral, entre 10% e 30%, dependendo do composto analisado.
Importante destacar: trata-se de pesquisa observacional. Os autores não afirmam que o conservante “causa” câncer sozinho, mas que há uma associaçãoestatística. Outros fatores de estilo de vida ainda podem influenciar os resultados.
Onde esses conservantes aparecem na alimentação
Na prática, esses aditivos estão espalhados em diferentes categorias. Processados cárneos, bebidas industrializadas, molhos prontos, pães de pacote, sobremesas e refeições congeladas são alguns exemplos de fontes frequentes.
Entre os conservantes mais comuns estão:
Nitrato e nitrito de sódio: presentes em bacon, salsicha, salame e outros embutidos.
Sorbato de potássio: usado em doces, coberturas, queijos processados, condimentos e carnes industrializadas.
Sulfitos: encontrados em biscoitos, cereais matinais, sucos engarrafados, vinhos e embutidos.
Acetatos e ácido acético: empregados em produtos de panificação e refeições prontas.
Segundo a nutricionista Cynthia Howlett, da Sanutrin, corantes, conservantes, aromatizantes e realçadores de sabor costumam atuar juntos.
“Grande parte desses alimentos com cores mais intensas utiliza aditivos artificiais, que deixam o gosto mais marcante, a cor mais vibrante e chamam mais a atenção do consumidor”, explica.
Conservantes, ultraprocessados e perda de qualidade nutricional
Do ponto de vista tecnológico, conservantes ajudam a reduzir desperdício e garantir segurança microbiológica. O problema começa quando produtos ricos em aditivos ocupam espaço que poderia ser de alimentos in natura ou minimamente processados.
Cynthia lembra que, em muitos casos, há perda de propriedades naturais. “Um açaí, por exemplo, que tem propriedade antioxidante, é uma fruta super rica, com uma gordura considerada boa, mas quando se mistura com xarope, corante e açúcar, acaba perdendo essas características”, afirma.
Além da perda nutricional, o consumo frequente de ultraprocessados pode estar ligado a processos inflamatórios, alergias e sintomas como dores de cabeça e alterações intestinais, que nem sempre são associados à alimentação no primeiro momento.
Por que reduzir a exposição pode ajudar na prevenção
Os estudos franceses sugerem que alguns conservantes podem interferir em vias inflamatórias e no equilíbrio do microbioma intestinal. Em laboratório, certos compostos mostram capacidade de danificar células e DNA, o que teoricamente poderia favorecer o desenvolvimento de tumores.
Na vida real, é difícil separar totalmente o efeito do aditivo do impacto global dos ultraprocessados. Quem consome muitos alimentos industrializados tende a ter dieta mais pobre em fibras, frutas e verduras, o que já é um fator conhecido de risco para câncer e outras doenças crônicas.
Por isso, especialistas defendem uma abordagem combinada. Menos ultraprocessados com longo rótulo, mais alimentos frescos e atenção especial a grupos de aditivos hoje sob suspeita, como certos sorbatos, sulfitos e nitritos.
Como ler o rótulo e identificar conservantes na prática
Entender o rótulo é um dos caminhos mais diretos para reduzir a exposição a aditivos. No Brasil, a rotulagem frontal por lupa chama atenção para alto teor de sódio, açúcar e gordura, mas não destaca corantes, conservantes e realçadores de sabor de forma específica.
Essas substâncias aparecem, em geral, na lista de ingredientes, muitas vezes com nomes técnicos pouco amigáveis. Termos como “benzoato de sódio”, “sorbato de potássio”, “metabissulfito” ou “nitrato de sódio” passam despercebidos em uma leitura rápida.
Para Cynthia, o consumidor precisa ganhar familiaridade com esses termos. “É importante entender os ingredientes, a composição do alimento que está sendo comprado e procurar decifrar esses nomes”, orienta a nutricionista.
Checklist rápido para analisar rótulos no mercado
Observe as cores. Tons muito vibrantes e padronizados costumam indicar uso de corantes artificiais.
Leia toda a lista de ingredientes. É ali que aparecem corantes, conservantes e realçadores de sabor.
Desconfie de listas longas. Muitos nomes químicos seguidos sugerem produto altamente ultraprocessado.
Compare versões. Muitas vezes, a mesma categoria de produto tem opções com menos aditivos.
Não é necessário decorar todos os códigos. Com o tempo, a repetição de alguns nomes facilita a identificação.
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Impacto dos ultraprocessados na rotina e na saúde
O grande desafio é a frequência. Comer um alimento industrializado em uma ocasião específica não equivale a uma exposição diária e contínua a diversos aditivos. O risco, quando existe, vem justamente do hábito.
No dia a dia, é comum que café da manhã, lanche e jantar incluam produtos com diversos conservantes e aditivos. Pão de pacote, presunto, biscoitos, refrigerante, macarrão instantâneo, molho pronto. A soma dessa rotina, ao longo de anos, é o que desperta preocupação em pesquisadores.
Ao mesmo tempo, a praticidade desses alimentos é real. Por isso, a estratégia mais viável costuma ser reduzir, não necessariamente zerar, o consumo. Substituições graduais e planejamento das refeições podem fazer grande diferença na exposição total a aditivos.
Ao analisar fósseis encontrados no noroeste da Austrália, cientistas descobriram que há 250 milhões de anos a Terra era habitada por dois anfíbios marinhos gigantes. Ambos foram achados na região de Kimberley nas décadas de 1960 e 1970, mas foram extraviados anos depois, dificultando análises mais detalhadas que só foram feitas a partir de 2024.
Os animais pertencem aos gêneros Erythrobatrachus e Aphaneramma e estiveram presentes em nosso planeta na Era Mesozoica (também chamada de Era dos Dinossauros).
Os fósseis fazem parte dos primeiros vertebrados marinhos com membros da Terra. Eles se tornaram predadores aquáticos dominantes após a extinção em massa ocorrida na transição entre os períodos paleozoico e mesozoico.
“Os tetrápodes emergiram como predadores marinhos dominantes durante o início do Triássico, com os temnospondilos trematossaurídeos representando um dos primeiros grupos a se irradiar globalmente após a extinção em massa do Permiano-Triássico”, escrevem os autores no estudo.
O trabalho foi liderado pelo Museu Sueco de História Natural, em parceria com o Museu da Austrália Ocidental e universidades norte-americanas. Os resultados foram publicados nesse domingo (22/2) na revista Journal of Vertebrate Paleontology.
Detalhes dos anfíbios gigantes
Assim que foram descobertos há pouco mais de 60 anos, os pesquisadores apontaram que os fragmentos encontrados pertenciam a uma única espécie, a Erythrobatrachus noonkanbahensis. Ela era do grupo dos temnospondilos trematossaurídeos, animais parentes das salamandras e rãs atuais, mas podendo atingir até dois metros de comprimento e tendo uma aparência mais parecida com os crocodilos.
No entanto, a nova análise revelou que os ossos eram de dois gêneros distintos de trematossaurídeos: Erythrobatrachus e Aphaneramma.
Investigações de alta resolução no primeiro fóssil mostram que o crânio tinha cerca de 40 cm e era largo. Já o Aphaneramma tinha o tamanho craniano parecido, mas o focinho era longo e estreito, adaptado para caçar peixes pequenos. Apesar de nadarem em águas abertas e viverem no mesmo ambiente, ambos não disputavam as mesmas presas.
Enquanto o Erythrobatrachus só foi identificado na Austrália, outros exemplares fósseis de Aphaneramma já foram descritos no Oceano Ártico escandinavo, partes da Rússia, no Paquistão e em Madagascar. A hipótese é que o gênero teve várias funções ecológicas e se espalhou amplamente pela Terra.
Após as descobertas, os fósseis foram devolvidos às autoridades australianas, que irão decidir para onde irão os fragmentos.
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1973/23, que inclui a certidão de antecedentes criminais e a certidão judicial cível e criminal como documentos obrigatórios na habilitação para o casamento.
O texto altera o Código Civil, que já exige dos noivos vários documentos. O relator, deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), recomendou a aprovação da proposta, de autoria da deputada Dayany Bittencourt (União-CE).
Transparência
O texto aprovado prevê que ambos os noivos deverão ter ciência do conteúdo das certidões. Essa documentação deverá ser obtida junto às comarcas onde cada um reside e também onde exerce atividades laborais.
A proposta estabelece ainda que o fato de a certidão ser positiva – ou seja, com apontamentos criminais ou cíveis — não impede a aprovação da habilitação para o casamento, salvo em casos de causas impeditivas e suspensivas já previstas.
Próximos passos
Como tramita em caráter conclusivo, o projeto de lei deverá seguir para o Senado, salvo se houver recurso para análise no Plenário da Câmara.
Para virar lei, a versão final terá de ser aprovada pelos deputados e pelos senadores.
Especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), o médico Herik Oliveira explica que o excesso de sal tende a acelerar o acúmulo de gordura no interior desses vasos. Ele destaca que o consumo de alimentos ricos em cloreto de sódio desencadeia algumas ações. “Primeiramente, ocorre um dano na parede das artérias”, frisa.
O terceiro tópico listado pelo médico é o aumento da pressão arterial: “O sódio retém líquido, o que consequentemente aumenta o volume de sangue nas artérias e eleva a pressão que pode lesionar a parede dos vasos”. O especialista acrescenta sobre esse ciclo ocasionar uma “mudança na estrutura” interna desses tubos. “Deixa-os menos elásticos e mais rígidos e estreitos, agravando o quadro de aterosclerose”, cita.
Segundo o cirurgião vascular, deve-se evitar alimentos ricos em sal, a exemplo de alimentos ultraprocessados e embutidos, para evitar a piora das placas de gordura nas artérias. “É sempre recomendado que o paciente procure um médico para fazer uma orientação em relação à alimentação e ao controle da pressão arterial e de fatores de risco, como níveis de colesterol e triglicerídeos”, sugere Herik.
Um estudo recente sobre tumores de próstata identificou microplásticos em 90% dos tecidos analisados. A pesquisa da NYU Langone Health e da NYU Grossman School of Medicine, publicada na última segunda-feira (23/2), avaliou tecidos de 10 homens com câncer de próstata que passaram por cirurgia para retirada da glândula.
Os cientistas mediram a quantidade de plástico presente nas amostras e observaram que os tumores tinham, em média, 2,5 vezes mais microplásticos do que os tecidos saudáveis próximos.
Para evitar contaminação, a equipe utilizou instrumentos sem plástico e realizou as análises em ambientes controlados, chamados de salas limpas.
O que são microplásticos?
Microplásticos são partículas muito pequenas que se formam quando materiais plásticos maiores se desgastam ou se quebram. Eles estão presentes no ar, na água, nos alimentos e em diversos produtos do dia a dia.
A pesquisa sugere que pode haver uma relação entre a presença de microplásticos e o câncer de próstata, mas os próprios autores destacam que ainda não é possível afirmar que o plástico cause a doença.
Câncer de próstata
O câncer de próstata é o mais frequente entre os homens, depois do de pele, segundo o Ministério da Saúde.
Na fase inicial, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas. Os sinais mais comuns incluem dificuldade de urinar, demora em começar e terminar de urinar, sangue na urina, diminuição do jato e necessidade de ir ao banheiro mais vezes durante o dia ou à noite.
As causas não são totalmente conhecidas, mas alguns fatores como idade, histórico familiar, obesidade, alimentação, tabagismo e exposição a produtos químicos podem aumentar o risco.
A doença é confirmada após a biópsia, que é indicada ao encontrar alguma alteração no exame de sangue (PSA) ou no toque retal, que são prescritos a partir da suspeita do médico especialista.
Apesar disso, os cientistas reforçam que a pesquisa ainda está em fase inicial e que mais estudos são necessários para entender melhor o que esses achados representam, antes de qualquer conclusão definitiva.
Com o passar dos anos, muitas mulheres começam a notar algo curioso na saúde. Um desconforto aparece, some, a rotina segue… e, de repente, ele volta. Dor de cabeça, queimação no estômago, cansaço estranho, enjoo, palpitação leve.
Nada constante, nada “grave demais”, mas sempre reaparece em algum momento. É comum ouvir que “é da idade” ou “é só estresse”. Mas sintomas que vão e voltam, os chamados intermitentes, merecem um olhar mais atento.
Entenda, a seguir, o que são sintomas intermitentes, os seis sinais importantes e sugerir como se organizar para conversar melhor com o médico. As orientações são do enfermeiro Lucas Bernardes, da Cuidare Brasil, que alerta para atenção redobrada nesses casos.
O que são sintomas de saúde intermitentes
Sintomas intermitentes são aqueles que aparecem em certas fases e depois somem por um tempo. O corpo entra em um ciclo de “vai e vem”, que pode confundir muito.
Segundo o enfermeiro Lucas Bernardes, eles podem surgir em momentos distintos da vida e de formas variadas. O paciente sente algo recorrente, mas tem a impressão de que logo vai passar.
Ele explica que a intermitência acontece quando o organismo consegue, por um período, compensar uma falha ou reagir a algum fator externo temporário. Isso não significa, porém, que esteja tudo resolvido.
Por que esses sintomas merecem atenção
Para Bernardes, esses sinais são desafiadores no consultório. Às vezes, no dia da consulta, o paciente não está sentindo nada.
“Muitas vezes, o paciente só percebe que algo não vai bem quando esses episódios começam a se repetir”, afirma o enfermeiro. Como eles não seguem um padrão fixo, podem passar despercebidos em uma avaliação pontual.
O corpo até se adapta por um tempo, mas essa adaptação não é garantia de equilíbrio. Quando os sinais retornam, é um indicativo claro de que vale a pena olhar com mais atenção.
Seis sinais para reconhecer sintomas intermitentes
De acordo com o enfermeiro Lucas Bernardes, alguns comportamentos do corpo ajudam a identificar quando os sintomas são intermitentes. A seguir, os seis sinais listados por ele e por que cada um merece cuidado.
1. Efeito “vai e vem”
É o principal indicador. O sintoma aparece, incomoda, melhora sozinho… até surgir novamente.
Muita gente interpreta isso como algo positivo, como se a melhora espontânea fosse um avanço. Bernardes alerta que não é bem assim.
O fato de sumir por um tempo não significa que o problema acabou. É apenas o corpo “dando um fôlego”, enquanto a causa pode continuar presente.
2. Sintomas que surgem em momentos parecidos
Mesmo que não pareça evidente no começo, muitos sinais retornam após situações específicas.
O enfermeiro cita alguns exemplos comuns.
esforços físicos maiores.
noites mal dormidas.
alimentação muito irregular.
períodos intensos de estresse.
Segundo ele, “a repetição de cenários ajuda a identificar que não se trata de um evento isolado”. Ou seja, quando o mesmo contexto se repete e o sintoma volta, isso mostra que existe um padrão.
3. Intensidades alternadas
Outro traço típico da intermitência é a variação de intensidade. Em alguns dias, o incômodo é leve; em outros, bem mais forte.
Isso pode gerar confusão. A pessoa pensa que, quando está fraco, não é nada importante. Depois, se assusta quando o sintoma volta mais intenso.
Essa alternância não torna o sinal menos real. Pelo contrário, mostra que o corpo está lutando para se ajustar, mas não está plenamente equilibrado.
4. Sequência imprevisível
Ao contrário de condições contínuas, sintomas intermitentes não seguem calendário fixo. “Os sinais não se apresentam diariamente ou em intervalos regulares”, esclarece Bernardes.
Por isso, muitas pessoas deixam de relatar esses episódios na consulta. Outras até tentam contar, mas têm dificuldade em descrever com precisão.
Essa imprevisibilidade torna ainda mais importante anotar o que acontece. Sem registro, é fácil esquecer detalhes que ajudam no diagnóstico.
5. Adaptação do paciente
Com o tempo, o corpo e a mente se acostumam com quase tudo. E aí mora um risco grande.
De tanto conviver com o desconforto, a pessoa passa a encará-lo como “normal”. Vai empurrando com a barriga, tomando remédio por conta própria ou simplesmente ignorando.
Segundo o enfermeiro, essa adaptação contribui para que a situação deixe de ser tratada. O problema é que, silenciosamente, a causa pode seguir evoluindo.
6. Sintomas subestimados
Por não estarem presentes o tempo todo, esses sinais costumam ser vistos como passageiros. Ou como algo “sem importância”.
Para Bernardes, isso é perigoso. “A percepção ainda pode atrasar a busca por orientação profissional e dificultar a identificação precoce de condições que poderiam ser tratadas simplesmente”, conclui.
Ou seja, quanto mais o sintoma intermitente é subestimado, maior o risco de atrasar um cuidado que poderia ser simples se iniciado antes.
Como se preparar para falar desses sintomas na consulta
Checklist prático para organizar o que você sente
Sintomas intermitentes são difíceis de explicar de memória. Por isso, o ideal é se organizar antes de ir ao consultório.
Você pode seguir este passo a passo.
1. Anote o que sente.
tipo de sintoma (dor, falta de ar, enjoo, queimação, palpitação, alteração de humor).
local do corpo, quando for o caso.
intensidade aproximada (leve, moderada, forte).
2. Registre quando acontece.
data e horário do episódio.
quanto tempo durou.
se aconteceu mais de uma vez no mesmo dia.
3. Relacione a possíveis gatilhos.
como estava seu dia (corrida, tranquila, muito estresse).
o que comeu nas horas anteriores.
como estavam sono e descanso.
fase do ciclo menstrual, se ainda menstrua.
4. Observe o efeito na rotina.
você precisou parar alguma atividade?
evitou algo por medo de sentir o sintoma?
isso mexeu com seu humor ou seu sono?
Levar essas anotações para a consulta facilita a conversa. Assim, o profissional a enxerga a intermitência e a pensa em exames ou encaminhamentos adequados ao seu caso.
Conclusão: ouvir os sinais é cuidar da sua saúde hoje
Sintomas que vão e voltam são fáceis de empurrar com a barriga. Ainda mais quando a vida está cheia de responsabilidades, trabalho e família.
Mas, como lembra o enfermeiro a repetição desses episódios é um recado importante. O organismo até consegue se ajustar por um tempo, mas isso não quer dizer que tudo esteja bem.
Recapitulando os seis sinais de alerta…
efeito “vai e vem” constante.
surgem em momentos parecidos.
intensidades alternadas.
sequência imprevisível.
adaptação ao desconforto.
sintomas subestimados no dia a dia.
Se você se reconheceu em mais de um desses pontos, não precisa entrar em pânico. Mas vale, sim, marcar uma consulta e levar suas observações com calma.
Cuidar da própria saúde é um gesto de responsabilidade consigo mesma. Quanto mais cedo você escuta o que o corpo está tentando dizer, maiores as chances de intervir de forma simples e evitar problemas maiores lá na frente.
O câncer de pele não melanoma é o tipo mais comum no Brasil e, apesar de ter baixa mortalidade quando diagnosticado cedo, pode demandar cirurgias extensas e causar cicatrizes importantes quando há atraso no diagnóstico. Reconhecer os sinais da doença é fundamental para evitar complicações.
De acordo com a oncologista Cintia Batista, do Sírio-Libanês Brasília, muitos pacientes ignoram alterações iniciais.
“O sinal mais subestimado é o surgimento de uma nova mancha ou a mudança de cor, tamanho e aspecto de uma pinta já existente”, afirma.
Embora alterações pigmentadas estejam mais associadas ao melanoma, qualquer mudança na pele deve ser avaliada. No caso do câncer de pele não melanoma, os tipos mais frequentes são o carcinoma basocelular, responsável por cerca de 70% dos casos, e o carcinoma espinocelular, que representa aproximadamente 20% dos diagnósticos.
Lesões que começam discretas
Segundo dermatologista Daniela Machado, da Clínica Lúmina, em Brasília, o carcinoma basocelular costuma surgir como uma pequena lesão rosada, brilhante, que parece inofensiva.
“Muitas vezes é uma pintinha levemente elevada, de coloração rosada, que não chama atenção no início”, explica.
Já o carcinoma espinocelular pode começar como áreas ásperas e descamativas, conhecidas como queratoses actínicas, consideradas lesões pré-cancerígenas. Em alguns países, as alterações já são classificadas como estágio inicial de câncer de pele.
As lesões costumam ser mais palpáveis do que visíveis. Ao passar a mão sobre a pele, é possível sentir pequenas áreas ásperas ou endurecidas.
Outra das manifestações mais importantes do câncer de pele não melanoma é a ferida que não cicatriza. Se uma lesão permanece aberta por mais de duas a quatro semanas, com sangramento, crostas ou secreção, é necessário procurar avaliação médica. Nem toda ferida persistente é câncer, mas a hipótese precisa ser considerada.
Dor e coceira podem surgir principalmente quando a lesão evolui. Em estágios mais avançados, pode haver sangramento frequente e aumento progressivo da área afetada.
Como reduzir o risco de câncer de pele?
A cada dez casos, nove estão vinculados à exposição solar.
Observar alterações incomuns na pele, como pintas novas ou mudanças em características existentes, também é importante.
Sinais e manchas atípicas devem ser avaliados por profissionais de saúde.
O Cancer Research UK recomenda três medidas essenciais para reduzir o risco de câncer de pele.
Elas incluem: ficar na sombra em horários de maior incidência de raios UV (entre 11h e 15h); cobrir-se com roupas adequadas e usar óculos de sol e chapéus de abas largas; e aplicar protetor solar regularmente, com FPS 30, no mínimo.
Exposição solar é principal fator de risco
O principal fator de risco para câncer de pele no Brasil é a exposição solar excessiva, especialmente queimaduras na infância e adolescência. O dano da radiação ultravioleta é cumulativo.
“Grande parte dos pacientes acima dos 40 anos não teve proteção solar adequada na infância. Esse dano pode se manifestar décadas depois”, destaca Daniela.
Um dos maiores problemas é que as lesões são subestimadas. Muitos pacientes demoram anos para procurar um dermatologista, acreditando se tratar de algo benigno.
Cintia reforça que o exame clínico, a dermatoscopia e, quando necessário, a biópsia, são fundamentais para confirmar o diagnóstico de câncer de pele.
A orientação é clara: qualquer lesão nova, ferida persistente, área que descama, sangra ou cresce progressivamente deve ser avaliada. O diagnóstico precoce reduz a necessidade de cirurgias maiores e melhora o resultado estético e funcional.
Proteção solar diária, reaplicação do filtro, uso de barreiras físicas como chapéus e roupas adequadas e atenção às mudanças na própria pele são medidas essenciais para reduzir o risco de câncer de pele.
Por muito tempo, a depressão foi tratada como um transtorno único, explicado principalmente por alterações em neurotransmissores como serotonina e dopamina. Essa abordagem segue relevante, mas já não dá conta de todos os quadros observados na prática clínica. Evidências acumuladas nos últimos anos indicam que, em uma parcela significativa dos casos, processos inflamatórios e metabólicos exercem papel central no desenvolvimento e na persistência dos sintomas.
Entre 20% e 30% das pessoas com depressão apresentam um perfil específico, marcado por inflamação de baixo grau e alterações metabólicas. Esse subtipo, descrito como depressão imunometabólica, ajuda a explicar por que parte dos pacientes não responde bem aos antidepressivos tradicionais e continua convivendo com sintomas persistentes, mesmo em tratamento.
Em vez de um transtorno homogêneo, o que se observa é a existência de quadros distintos, com bases biológicas diferentes e, consequentemente, necessidades terapêuticas também distintas.
O papel do metabolismo no cérebro
Nas últimas décadas, estudos vêm mostrando que processos inflamatórios, hormonais e metabólicos interferem diretamente no funcionamento do cérebro e no risco de transtornos do humor. A depressão imunometabólica se insere nesse contexto.
Ela se caracteriza por uma inflamação leve e persistente, associada a alterações no metabolismo da glicose, da insulina e da produção de energia celular. Os sintomas costumam fugir do padrão mais conhecido da depressão clássica e incluem fadiga intensa, sono excessivo, aumento do apetite e redução do prazer nas atividades do dia a dia.
A insulina é mais conhecida por regular a glicose no sangue, mas também exerce funções importantes no cérebro. Regiões envolvidas no controle do apetite, da motivação, da memória e do humor possuem receptores sensíveis a esse hormônio. Quando essa sinalização funciona de forma adequada, o cérebro recebe informações coerentes sobre a disponibilidade de energia e o equilíbrio metabólico.
Em situações de inflamação crônica, obesidade ou resistência periférica à insulina, esse sistema se desorganiza. A insulina chega em menor quantidade ao cérebro ou perde eficiência dentro das células nervosas. O resultado é um paradoxo: o organismo pode ter energia em excesso, enquanto o cérebro funciona como se estivesse em déficit energético.
Na prática clínica e na pesquisa, torna-se cada vez mais claro que a insulina não atua apenas no metabolismo periférico. Ela participa da regulação da energia cerebral, da motivação e da cognição. Quando essa sinalização falha, o cérebro passa a funcionar como se estivesse em falta de energia, mesmo em um organismo com excesso calórico. Esse descompasso afeta o humor e ajuda a explicar quadros de depressão mais resistentes.
Vale lembrar que o cérebro é um órgão com altíssima atividade metabólica e consome cerca de 25% da energia do organismo em repouso. Por essa razão, alterações nos mecanismos bioenergéticos cerebrais têm impacto direto sobre a formação de novos neurônios, as sinapses e a cognição.
Essa condição, conhecida como resistência à insulina cerebral, afeta circuitos ligados ao humor, à motivação e ao comportamento alimentar e pode aumentar de duas a três vezes o risco de depressão. Pesquisas também associam esse processo a maior fadiga, menor plasticidade neuronal e alterações na resposta ao estresse — fatores centrais para a saúde mental.
Mecanismos como esses ajudam a entender por que pessoas com depressão imunometabólica tendem a responder pior aos antidepressivos tradicionais. Quando a base do problema envolve inflamação e metabolismo, atuar apenas sobre neurotransmissores costuma produzir resultados limitados.
Esse grupo também apresenta maior risco de desenvolver doenças cardiometabólicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e esteatose hepática. Um estudo publicado no The Lancet Regional Health – Europe mostra que depressão e alterações metabólicas frequentemente se retroalimentam.
Ignorar essa sobreposição significa perder oportunidades importantes de prevenção e de cuidado mais preciso.
Uma psiquiatria mais personalizada
Com o avanço das pesquisas, a psiquiatria passou a incorporar evidências de que fatores ligados ao estilo de vida, especialmente alimentação, atividade física, sono e manejo do estresse, influenciam diretamente processos cerebrais envolvidos no humor.
Estudos em nutrição aplicada à psiquiatria indicam que padrões alimentares pró-inflamatórios e pobres em nutrientes essenciais comprometem a comunicação entre cérebro e metabolismo. Em contrapartida, estratégias que favorecem a sensibilidade à insulina, reduzem inflamação e sustentam a função mitocondrial podem atuar como aliadas no tratamento, sobretudo em quadros mais resistentes.
Essas intervenções não substituem medicação ou psicoterapia. Elas ampliam o repertório terapêutico e auxiliam na abordagem de dimensões do problema que costumam ficar fora de modelos exclusivamente farmacológicos.
Reconhecer a depressão imunometabólica representa um avanço em direção a uma psiquiatria mais personalizada. Em vez de aplicar a mesma estratégia para todos, esse olhar permite identificar perfis biológicos distintos e combinar abordagens de forma mais eficaz.
Também aproxima a prática clínica da experiência real dos pacientes. Fadiga persistente, alterações de apetite e sensação de esgotamento não são apenas percepções subjetivas. Em muitos casos, refletem processos metabólicos mensuráveis que precisam ser considerados no cuidado.
Quando ciência e prática se encontram
A discussão apresentada neste artigo dialoga com temas do livro Alimente sua Mente, escrito por nós e lançado recentemente. O texto aborda a relação entre metabolismo, alimentação e saúde mental a partir da convergência entre ciência e prática.
A boa recepção da obra, que chegou à segunda edição, indica que esse debate já ultrapassou o meio acadêmico e responde a uma demanda concreta de profissionais e leitores. Parte desse interesse está em descobertas que ajudam a traduzir o que acontece no cérebro quando falamos de saúde mental.
O funcionamento cerebral depende de uma oferta contínua de energia, micronutrientes e compostos bioativos, essenciais para a produção de neurotransmissores, a comunicação entre neurônios e o controle da inflamação. Ainda assim, isso raramente entra na abordagem da depressão.
Entre os exemplos mais bem documentados estão as vitaminas do complexo B, em especial B6, B9 e B12. Elas participam diretamente da produção de neurotransmissores e do controle da homocisteína, um marcador inflamatório associado a maior risco de depressão e declínio cognitivo. Estudos populacionais mostram que níveis adequados dessas vitaminas estão associados a melhor desempenho cognitivo.
Pesquisas recentes também apontam relação com menor frequência de sintomas depressivos. A vitamina D também se destaca nesse contexto. Além de atuar no sistema imunológico, ela participa da regulação da serotonina e da proteção das células nervosas. Estudos observacionais associam níveis baixos de vitamina D a maior inflamação cerebral e maior risco de sintomas depressivos, especialmente em pessoas com pouca exposição ao sol.
Minerais como magnésio, zinco e selênio exercem papel central na saúde mental. Eles participam da regulação do sono, da plasticidade cerebral, da resposta ao estresse e dos sistemas antioxidantes que protegem o cérebro da inflamação. Revisões científicas associam a carência desses minerais a sintomas como fadiga persistente, irritabilidade e dificuldade de concentração.
As gorduras ômega-3 ilustram como alimentação e inflamação se conectam à saúde mental. Elas fazem parte da estrutura das membranas dos neurônios, influenciam a comunicação entre as células nervosas e apresentam efeito anti-inflamatório. Meta-análises indicam que sua ingestão adequada está associada à redução de sintomas depressivos em parte dos pacientes.
Esses exemplos evidenciam por que falar de depressão sem considerar metabolismo, alimentação e estilo de vida deixa lacunas importantes no cuidado. Não se trata de substituir medicamentos ou psicoterapia, mas de reconhecer que o cérebro é um órgão metabolicamente exigente e que falhas nesse suporte podem limitar a resposta ao tratamento.
A ciência vem mostrando, com clareza crescente, que corpo e mente funcionam de forma integrada. Incorporar essa visão amplia as possibilidades terapêuticas e contribui para abordagens mais ajustadas à complexidade da depressão, tanto na prevenção quanto no cuidado clínico.
O tempo parece ser a característica mais básica da realidade. Os segundos passam, os dias passam e tudo, desde o movimento dos planetas até a memória humana, parece se desenrolar em uma única direção irreversível. Nascemos e morremos, exatamente nessa ordem. Planejamos nossas vidas em torno do tempo, medimos sua passagem obsessivamente e o experimentamos como um fluxo ininterrupto do passado para o futuro. É tão óbvia nossa sensação que o tempo avança que questioná-lo parece quase inútil.
A física moderna se baseia em estruturas diferentes, mas igualmente importantes. Uma delas é a Teoria da Relatividade Geral, que descreve a gravidade e o movimento de grandes objetos, como planetas. Outra é a Mecânica Quântica, que rege o microcosmo dos átomos e partículas. E, em uma escala ainda maior, o Modelo Padrão da Cosmologia descreve o nascimento e a evolução do Universo como um todo. Todas dependem do tempo, mas o tratam de maneiras incompatíveis entre si.
Quando os físicos tentam combinar essas teorias em uma única estrutura, o tempo muitas vezes se comporta de maneiras inesperadas e perturbadoras. Às vezes, ele se estende. Às vezes, ele desacelera. Às vezes, ele desaparece completamente.
A Teoria da Relatividade de Einstein foi, na verdade, o primeiro grande golpe à nossa intuição cotidiana sobre o tempo. Einstein mostrou que o tempo não é universal. Ele passa em velocidades diferentes, dependendo da gravidade e do movimento. Dois observadores em movimento relativo um ao outro discordarão sobre quais eventos aconteceram simultaneamente. O tempo tornou-se algo elástico, entrelaçado com o espaço em um tecido quadridimensional chamado espaço-tempo.
A Mecânica Quântica deixou essas coisas ainda mais estranhas. Na quântica, o tempo não é algo que a teoria tenta explicar. Ele é simplesmente admitido. As equações da Mecânica Quântica descrevem como os sistemas evoluem em relação ao tempo, mas o tempo em si permanece um parâmetro externo, um relógio de fundo que fica fora da teoria
Essa incompatibilidade se torna ainda maior quando os físicos tentam descrever a gravidade no nível quântico, o que é crucial para o desenvolvimento da tão cobiçada “Teoria de Tudo” – que unifica as principais teorias fundamentais da Física. Mas, em muitas das tentativas de criar tal teoria, o tempo desaparece completamente como parâmetro das equações fundamentais. O Universo parece congelado, descrito por equações que não fazem referência a mudanças.
Esse enigma é conhecido como “o problema do tempo” e continua sendo um dos obstáculos mais persistentes para uma teoria unificada da física. Apesar do enorme progresso na Cosmologia e na física de partículas, ainda não temos uma explicação clara para o motivo pelo qual o tempo flui.
Agora, uma abordagem relativamente nova da Física, baseada em uma estrutura matemática chamada Teoria da Informação, desenvolvida por Claude Shannon na década de 1940, começa a apresentar respostas surpreendentes.
Entropia e a flecha do tempo
Quando os físicos tentam explicar a direção do tempo, eles frequentemente recorrem a um conceito chamado entropia. A Segunda Lei da Termodinâmica afirma que a desordem de um sistema sempre tende a aumentar. Um copo pode cair e se estilhaçar, mas os cacos nunca se juntam espontaneamente para reformar o copo. Essa assimetria entre o passado e o futuro é frequentemente identificada com “a flecha do tempo”.
Essa ideia tem sido extremamente influente em nossa visão de mundo. Ela explica por que muitos processos são irreversíveis, incluindo por que nos lembramos do passado, mas não do futuro. Se o Universo começou em um estado de baixa entropia e está ficando mais desordenado à medida que evolui, isso parece explicar por que o tempo avança. Mas a entropia não resolve totalmente o problema do tempo.
As equações fundamentais da Mecânica Quântica, por exemplo, não distinguem entre passado e futuro. A flecha do tempo surge apenas quando consideramos um grande número de partículas e seu comportamento estatístico. Isso também levanta uma questão mais profunda: por que o Universo começou em um estado de entropia tão baixa? Estatisticamente, há mais maneiras de um Universo ter alta entropia do que baixa entropia, assim como há mais maneiras de um cômodo ficar bagunçado do que arrumado. Então, por que ele partiria de um estado tão improvável?
A revolução da informação
Nas últimas décadas, uma revolução silenciosa, mas de longo alcance, ocorreu na Física. A informação, antes tratada como uma ferramenta contábil abstrata usada para rastrear estados ou probabilidades, tem sido cada vez mais reconhecida como uma quantidade física por si só, assim como a matéria ou a radiação. Enquanto a entropia mede quantos estados microscópicos são possíveis, a informação mede como as interações físicas limitam e registram essas possibilidades.
Essa mudança não aconteceu da noite para o dia. Ela surgiu gradualmente, impulsionada por enigmas na interseção entre termodinâmica, Mecânica Quântica e gravidade, onde tratar a informação como meramente matemática começou a produzir contradições.
Uma das primeiras fissuras apareceu na física dos buracos negros. Quando Stephen Hawking mostrou que os buracos negros emitem radiação térmica, isso levantou uma possibilidade perturbadora: as informações sobre tudo o que cai em um buraco negro podem ser perdidas permanentemente como calor. Essa conclusão entrava em conflito com a Mecânica Quântica, que exige a preservação de todas as informações.
Resolver essa tensão forçou os físicos a confrontar uma verdade mais profunda. A informação não é opcional. Se quisermos uma descrição completa do Universo que inclua a Mecânica Quântica, a informação não pode simplesmente desaparecer sem minar os fundamentos da Física. Essa constatação teve consequências profundas. Ficou claro que a informação tem um custo termodinâmico, que apagá-la dissipa energia e que armazená-la requer recursos físicos.
Paralelamente, surgiram conexões surpreendentes entre a gravidade e a termodinâmica. Foi demonstrado que as equações de Einstein podem ser derivadas dos princípios termodinâmicos que ligam a geometria do espaço-tempo diretamente à entropia e à informação. Nessa visão, a gravidade não se comporta exatamente como uma força fundamental.
Em vez disso, a gravidade parece ser o que os físicos chamam de uma propriedade “emergente” – um fenômeno que descreve algo que é maior do que a soma de suas partes, surgindo de constituintes mais fundamentais. Veja a temperatura. Todos nós podemos senti-la, mas, em um nível fundamental, uma única partícula não pode ter temperatura. Não é uma característica fundamental. Em vez disso, ela só surge como resultado do movimento coletivo de muitas moléculas.
Da mesma forma, a gravidade pode ser descrita como um fenômeno emergente, resultante de processos estatísticos. Alguns físicos chegaram a sugerir que a própria gravidade pode emergir da informação, refletindo como a informação é distribuída, codificada e processada.
Essas ideias convidam a uma mudança radical de perspectiva. Em vez de tratar o espaço-tempo como primário e a informação como algo que vive dentro dele, a informação pode ser o ingrediente mais fundamental do qual o próprio espaço-tempo surge. Com base nessa pesquisa, meus colegas e eu exploramos uma estrutura na qual o próprio espaço-tempo atua como um meio de armazenamento de informações — e isso tem consequências importantes para a forma como vemos o tempo.
Nessa abordagem, o espaço-tempo não é perfeitamente suave, como sugere a Relatividade, mas composto por elementos discretos, cada um com uma capacidade finita de registrar informações quânticas de partículas e campos que passam. Esses elementos não são bits no sentido digital, mas portadores físicos de informações quânticas, capazes de reter a memória de interações passadas.
Uma maneira útil de imaginá-los é pensar no espaço-tempo como um material feito de minúsculas células portadoras de memória. Assim como uma rede cristalina pode armazenar defeitos que apareceram anteriormente no tempo, esses elementos microscópicos do espaço-tempo podem reter traços das interações que passaram por eles. Eles não são partículas no sentido usual descrito pelo Modelo Padrão da física de partículas, mas uma camada mais fundamental da estrutura física na qual a física de partículas opera, em vez de explicar.
Isso tem uma implicação importante. Se o espaço-tempo registra informações, então seu estado atual reflete não apenas o que existe agora, mas tudo o que aconteceu antes. Regiões que passaram por mais interações carregam uma impressão diferente de informações do que regiões que passaram por menos. O Universo, nessa visão, não evolui meramente de acordo com leis atemporais aplicadas a estados em mudança. Ele se lembra.
Um “gravador” cósmico
Essa memória não é metafórica. Toda interação física deixa um rastro informacional. Embora as equações básicas da Mecânica Quântica possam ser executadas para frente ou para trás no tempo, as interações reais nunca acontecem isoladamente. Elas inevitavelmente envolvem o ambiente, vazam informações para fora e deixam registros duradouros do que ocorreu. Uma vez que essas informações se espalham para o ambiente mais amplo, recuperá-las exigiria desfazer não apenas um único evento, mas todas as mudanças físicas que ele provocou ao longo do caminho. Na prática, isso é impossível.
É por isso que as informações não podem ser apagadas e copos quebrados não podem ser remontados. Mas a implicação é mais profunda. Cada interação grava algo permanente na estrutura do Universo, seja na escala de colisões de átomos ou na formação de galáxias.
A geometria e a informação acabam por estar profundamente ligadas nesta visão. No nosso trabalho, mostramos que a forma como o espaço-tempo se curva depende não só da massa e da energia, como Einstein nos ensinou, mas também da forma como a informação quântica, particularmente o entrelaçamento, é distribuída. O entrelaçamento é um processo quântico que liga misteriosamente partículas em regiões distantes do espaço – ele permite que elas compartilhem informações apesar da distância. E essas ligações informacionais contribuem para a geometria efetiva experimentada pela matéria e pela radiação.
A partir dessa perspectiva, a geometria do espaço-tempo não é apenas uma resposta ao que existe em um determinado momento, mas ao que aconteceu. Regiões que registraram muitas interações tendem, em média, a se comportar como se tivessem uma curvatura mais forte e uma gravidade mais intensa do que regiões que registraram menos interações.
Essa reformulação muda sutilmente o papel do espaço-tempo. Em vez de ser uma arena neutra na qual os eventos se desenrolam, o espaço-tempo se torna um participante ativo. Ele armazena informações, restringe a dinâmica futura e molda como novas interações podem ocorrer. Isso naturalmente levanta uma questão mais profunda. Se o espaço-tempo registra informações, o tempo poderia emergir desse processo de registro, em vez de ser assumido desde o início?
O tempo surge da informação
Recentemente, estendemos essa perspectiva informacional ao próprio tempo. Em vez de tratar o tempo como um parâmetro fundamental de fundo, mostramos que a ordem temporal surge desta impressão irreversível de informações. Nessa visão, o tempo não é algo adicionado à física manualmente. Ele surge porque as informações são gravadas em processos físicos e, de acordo com as leis conhecidas da termodinâmica e da física quântica, não podem ser globalmente apagadas novamente. A ideia é simples, mas de longo alcance.
Cada interação, como a colisão de duas partículas, grava informações no Universo. Essas impressões se acumulam. Como não podem ser apagadas, elas definem uma ordem natural dos eventos. Os estados anteriores são aqueles com menos registros informacionais. Os estados posteriores são aqueles com mais registros.
As equações quânticas não preferem uma direção do tempo, mas o processo de disseminação da informação sim. Uma vez que a informação foi disseminada, não há caminho físico de volta ao estado em que estava localizada. A ordem temporal está, portanto, ancorada nessa irreversibilidade, não nas equações em si.
O tempo, nessa visão, não é algo que existe independentemente dos processos físicos. É o registro cumulativo do que aconteceu. Cada interação adiciona uma nova entrada, e a flecha do tempo reflete o fato de que esse registro só cresce.
O futuro difere do passado porque o Universo contém mais informações sobre o passado do que jamais poderá ter sobre o futuro. Isso explica por que o tempo tem uma direção sem depender de condições iniciais especiais de baixa entropia ou argumentos puramente estatísticos. Enquanto houver interações e as informações forem registradas de forma irreversível, o tempo avança.
Curiosamente, essa impressão acumulada de informações pode ter consequências observáveis. Em escalas galáticas, a impressão de informação residual comporta-se como um componente gravitacional adicional, moldando a forma como as galáxias giram sem invocar novas partículas. De fato, a misteriosa substância que chamamos de “matéria escura” foi introduzida para explicar por que as galáxias e os aglomerados de galáxias giram mais rápido do que sua massa visível permitiria.
No quadro informacional, essa atração gravitacional extra não vem de uma matéria escura invisível, mas do fato de que o próprio espaço-tempo registrou uma longa história de interações. As regiões que acumularam mais impressões informacionais respondem mais fortemente ao movimento e à curvatura, aumentando efetivamente sua gravidade. As estrelas orbitam mais rápido não porque há mais massa presente, mas porque o espaço-tempo pelo qual se movem carrega uma memória informacional mais “pesada” das interações passadas.
Desse ponto de vista, a matéria escura, a energia escura e a flecha do tempo podem emergir de um único processo subjacente: o acúmulo irreversível de informações.
Testando o tempo
Mas será que poderíamos testar essa teoria? As ideias sobre o tempo são frequentemente acusadas de serem filosóficas, em vez de científicas. Como o tempo está tão profundamente entrelaçado na forma como descrevemos a mudança, é fácil supor que qualquer tentativa de repensá-lo deve permanecer abstrata. Uma abordagem informacional, no entanto, faz previsões concretas e se conecta diretamente a sistemas que podemos observar, modelar e, em alguns casos, investigar experimentalmente.
Os buracos negros fornecem um campo de teste natural, pois parecem sugerir que as informações são apagadas. Na estrutura informacional, esse conflito é resolvido ao reconhecer que as informações não são destruídas mas impressas no espaço-tempo antes de cruzar o horizonte de eventos. O buraco negro as registra.
Isso tem uma implicação importante para o tempo. À medida que a matéria cai em direção a um buraco negro, as interações se intensificam e a impressão de informações se acelera. O tempo continua a avançar localmente porque as informações continuam a ser gravadas, mesmo quando as noções clássicas de espaço e tempo se desintegram perto do horizonte de eventos e parecem desacelerar ou congelar para observadores distantes.
À medida que o buraco negro evapora por meio da radiação de Hawking, o registro informacional acumulado não desaparece. Em vez disso, ele afeta a forma como a radiação é emitida. A radiação deve carregar sinais sutis que refletem a história do buraco negro. Em outras palavras, a radiação emitida não é perfeitamente aleatória. Sua estrutura é moldada pelas informações previamente registradas no espaço-tempo. Detectar tais sinais ainda está além da tecnologia atual, mas eles fornecem um alvo claro para trabalhos teóricos e observacionais futuros.
Os mesmos princípios podem ser explorados em sistemas controlados muito menores. Em experimentos de laboratório com computadores quânticos, os qubits (o equivalente quântico dos bits) podem ser tratados como células de informação de capacidade finita, assim como as do espaço-tempo. Pesquisadores demonstraram que, mesmo quando as equações quânticas subjacentes são reversíveis, a maneira como as informações são gravadas, disseminadas e recuperadas pode gerar uma seta do tempo efetiva no laboratório. Essas experiências permitem que os físicos testem como os limites de armazenamento de informação afetam a reversibilidade, sem a necessidade de sistemas cosmológicos ou astrofísicos.
Extensões da mesma estrutura sugerem que a impressão informacional não se limita à gravidade. Ela pode desempenhar um papel em todas as forças fundamentais da natureza, incluindo o eletromagnetismo e as forças nucleares. Se isso estiver correto, então a flecha do tempo deve, em última análise, ser rastreável à forma como todas as interações registram informações, não apenas as gravitacionais. Testar isso envolveria procurar limites de reversibilidade ou recuperação de informação em diferentes processos físicos.
Em conjunto, esses exemplos mostram que o tempo informacional não é uma reinterpretação abstrata. Ele liga buracos negros, experimentos quânticos e interações fundamentais por meio de um mecanismo físico compartilhado, que pode ser explorado, restringido e potencialmente falseado à medida que nosso alcance experimental continua a crescer.
O que realmente é o tempo
As ideias sobre informação não substituem a Relatividade ou a Mecânica Quântica. Em condições cotidianas, o tempo informacional acompanha de perto o tempo medido pelos relógios. Para a maioria dos fins práticos, a imagem familiar do tempo funciona extremamente bem. A diferença aparece em regimes onde as descrições convencionais enfrentam dificuldades.
Perto dos horizontes de eventos dos buracos negros ou durante os primeiros momentos do Universo, a noção usual de tempo como uma coordenada externa suave torna-se ambígua. O tempo informacional, por outro lado, permanece bem definido, desde que ocorram interações e as informações sejam registradas de forma irreversível.
Tudo isso pode deixar você se perguntando o que realmente é o tempo. Essa mudança reformula este debate de longa data. A questão não é mais se o tempo deve ser assumido como um ingrediente fundamental do Universo, mas se ele reflete um processo subjacente mais profundo.
Nessa visão, a flecha do tempo pode surgir naturalmente de interações físicas que registram informações e não podem ser desfeitas. O tempo, então, não é um parâmetro misterioso em segundo plano, separado da física. É algo que o Universo gera internamente por meio de sua própria dinâmica. Não é, em última análise, uma parte fundamental da realidade, mas surge de constituintes mais básicos, como a informação.
Ainda não se sabe se essa estrutura será a resposta definitiva para a natureza do tempo ou apenas um trampolim. Como muitas ideias na física fundamental, ela ficará de pé ou cairá com base em quão bem conectar a teoria à observação. Mas ela já sugere uma mudança impressionante de perspectiva.
O Universo não existe simplesmente no tempo. O tempo é algo que o Universo escreve continuamente em si mesmo.
Dois ex-servidores do alto escalão do INSS estão em processo avançado de delação premiada.
A coluna apurou que o ex-procurador do INSS Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios da autarquia, André Fidelis, entregaram o filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, e detalharam o envolvimento de políticos no esquema.
Entre os políticos citados pelos delatores está Flávia Péres (ex-Flávia Arruda). Ela foi ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) do governo Jair Bolsonaro. É a primeira vez que o nome dela aparece associado ao esquema. Flávia é mulher do economista Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master e ex-sócio do empresário mineiro Daniel Vorcaro.
Os dois delatores estão presos desde 13 de novembro.
Virgílio Filho é acusado pela PF de receber R$ 11,9 milhões de empresas ligadas às entidades que faziam os descontos ilegais nas aposentadorias. Desse total, R$ 7,5 milhões teriam vindo de empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
Os repasses teriam sido enviados a empresas e contas bancárias da esposa do ex-procurador, a médica Thaisa Hoffmann Jonasson.
Já André Fidelis teria recebido R$ 3,4 milhões em propina entre 2023 e 2024, segundo os investigadores.
Como mostrou a coluna de Andreza Matais no Metrópoles, o próprio Careca do INSS também prepara uma proposta de delação premiada. A disposição dele em delatar cresceu após familiares do empresário virarem alvo das investigações, como o filho Romeu Carvalho Antunes e a esposa, Tânia Carvalho dos Santos.
Eric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS, também foi preso.
A advogada Izabella Borges, que representa Virgílio Oliveira Filho, negou que exista delação em andamento. A reportagem tenta contato com a defesa de André Fidelis.
Quem são Virgílio Filho e André Fidelis na Farra do INSS
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho era servidor de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU) e exerceu o cargo de procurador do INSS — ou seja, atuava como principal consultor jurídico do órgão.
Em novembro passado, ele se entregou à Polícia Federal em Curitiba (PR), após ter um mandado de prisão expedido contra si na 4ª fase da Operação Sem Desconto, que investiga a chamada Farra do INSS. A mulher dele, a médica Thaisa Hoffmann Jonasson, também foi presa.
Em outubro de 2023, quando ainda estava no INSS, Virgílio Filho se manifestou favoravelmente aos descontos nos benefícios de 34.487 aposentados, em favor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
A Polícia Federal acusa Virgílio de receber R$ 11,9 milhões de empresas ligadas às entidades que fraudaram o INSS. Desse montante, pelo menos R$ 7,5 milhões vieram de firmas do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A PF também identificou um aumento patrimonial de Virgílio da ordem de R$ 18,3 milhões.
Já André Fidelis foi diretor de Benefícios do INSS em 2023 e 2024. Ele é acusado de receber pagamentos das entidades para permitir os descontos automáticos na folha dos aposentados.
Segundo o relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), André Fidelis foi o diretor que mais “concedeu acordo de cooperação técnica (ACT) da história do INSS”. Na gestão dele, foram habilitadas 14 entidades, que descontaram R$ 1,6 bilhão dos aposentados.
Considerado foragido da Justiça, a defesa do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, mais conhecido como Oruam, apresentou um laudo alegando que o cantor sofre de transtornos psíquicos. O artista, de 25 anos, é réu por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação realizada em julho do ano passado, no Joá, Sudoeste do Rio.
Segundo relatório clínico feito pelo especialista, Oruam "encontra-se em acompanhamento psiquiátrico, apresentando quadro clínico compatível com Transtorno de Ansiedade associado a Transtorno Depressivo Moderado".
O julgamento que aconteceria na última segunda-feira, 23, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), foi adiado para o dia 30 de março. A sessão foi adiada pela ausência do delegado Moysés Santana Gomes, uma das vítimas.
O quadro clínico descrito pelo especialista, acarreta em prejuízo "funcional significativo, interferindo de forma relevante na capacidade de desempenho pleno de atividades laborais, sociais e/ou cognitivas, especialmente em contextos que exijam tomada de decisão, autocuidado, manutenção de atenção prolongada, estabilidade emocional e resistência ao estresse".
Ainda segundo o diagnóstico, o cantor está com quadro clínico compatível com sofrimento psíquico que pode estar sendo intensificado pelo "estado de hipervigilância constante diante da possibilidade de reclusão em ambiente prisional, pelas condições físicas de saúde anteriores (tuberculose e pneumonia) e pelas dinâmicas familiares complexas, sobretudo a ausência paterna e a vivência de estigmas sociais".
O profissional sugere que o tratamento do rapper seja feito fora do sistema prisional, pois o encarceramento pode agravar o quadro mental do cantor.
Além de tentativa de homicídio, Oruam também responde por outros crimes, como resistência, desacato, ameaça e dano qualificado.
Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), a tornozeleira eletrônica do cantor está desligada desde o dia 1 de fevereiro. O equipamento foi instalado no fim de setembro e, a partir de novembro, já foram constatadas irregularidades.
Violação de tornozeleira
Oruam passou a usar tornozeleira eletrônica após deixar a prisão, em 30 de setembro do ano passado. Desde então, violou o monitoramento 66 vezes, segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Todas as ocorrências teriam sido provocadas pela falta de carregamento do equipamento.
Diante das infrações sucessivas, o STJ revogou o habeas corpus anteriormente concedido ao rapper e determinou o restabelecimento da prisão. Na decisão mais recente, o ministro Joel Ilan Paciornik apontou que o artista descumpriu de forma reiterada a medida cautelar, principalmente durante a noite e aos fins de semana.
Segundo o magistrado, o cantor permaneceu por longos períodos com a tornozeleira sem bateria — em alguns casos, por até dez horas — o que gerou “lacunas nos mapas de movimentação do acusado” e tornou a fiscalização “ineficaz”.
Mais de 60 dias preso
A ação que terminou com a prisão do rapper Oruam começou na noite de 21 de julho de 2025, quando policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) foram até a casa do cantor, no Joá, Zona Oeste do Rio, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente infrator. O jovem, que integrava a chamada “Equipe do Ódio”, ligada ao Comando Vermelho, havia deixado de cumprir medidas socioeducativas em regime de semiliberdade. Ao ser colocado em uma das viaturas, o adolescente fugiu após o carro ser apedrejado por Oruam e outros presentes no imóvel.
Na confusão, o adolescente escapou pela mata com amigos. Um dos envolvidos, Paulo Ricardo de Paula Silva de Moraes, o Boca Rica, foi preso em flagrante. Os vídeos gravados pelos próprios jovens foram usados pela DRE para embasar o inquérito que levou à expedição do mandado de prisão contra Oruam. O rapper ficou preso por mais de 60 dias no Complexo de Gericinó, na Zona Sudoeste do Rio até conseguir, no STJ, a revogação de sua prisão.
Relatos de familiares da policial militar Gisele Santana dizem que a filha dela, uma menina de apenas sete anos, teria presenciado discussões e episódios de violência psicológica entre a mãe e o padrasto, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto.
"A menina presenciou muitas cenas de violência contra a mãe e violências principalmente psicológicas. A menina chegou desesperada pedindo para não retornar mais à casa", disse o advogado da família, José Miguel da Silva Júnior.
As declarações foram apresentadas à polícia e fazem parte da investigação sobre a morte da soldado. Inicialmente tratado como suicídio, o caso teve uma reviravolta após os depoimentos da família e passou a ser tratado como morte suspeita pela Polícia Civil de São Paulo.
Gisele, de 32 anos, foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu.
Os familiares também relatam que Gisele vivia sob forte controle do marido. De acordo com eles, a policial era proibida de usar determinadas roupas, maquiagem e até de manter contato frequente com parentes.
Dias antes da morte, ainda segundo os relatos, a soldado teria pedido ajuda ao pai para sair de casa, dizendo que não suportava mais a situação. Mesmo assim, decidiu permanecer após afirmar que conversaria novamente com o companheiro.
Na versão apresentada à polícia, o tenente-coronel disse que o casal discutiu após ele comunicar que queria se separar. Ele afirmou que foi tomar banho e ouviu um disparo, encontrando a esposa ferida logo depois.
A família contesta essa narrativa e defende que o caso seja investigado como feminicídio, apontando um histórico de comportamento abusivo e ameaças.
A investigação aguarda resultados de perícias, incluindo a análise da trajetória do disparo, para esclarecer as circunstâncias da morte.
Procurada, a defesa do tenente-coronel não se manifestou publicamente. O espaço segue em aberto.
O primeiro eclipse solar de 2026 aconteceu em 17 de fevereiro e, para quem gosta de eventos astronômicos, o próximo da lista é a Lua de Sangue, que marcará o eclipse lunar pioneiro do ano. O fenômeno que deixa o satélite natural com cor avermelhada ocorrerá em 3 de março.
O evento será visível em todo lado noturno da Terra, com as melhores observações ficando em localidades da América do Norte, Austrália e Oceano Pacífico. No Brasil, a Lua de Sangue será vista parcialmente, em especial por pessoas da região Norte do país.
A previsão é que o fenômeno dure 58 minutos, o tempo completo para que a Lua fique totalmente imersa pela sombra terrestre. A fase parcial do evento deve começar às 4h50 (horário de Brasília). Já a etapa completa se iniciará às 8h04 e terminará às 9h02.
Imagem mostra Lua de Sangue registrada no Rio de Janeiro em 2018
Como ocorre uma Lua de Sangue
O fenômeno acontece quando a Terra se posiciona entre a Lua e o Sol. Assim, o satélite natural fica na sombra terrestre e a única luz que atinge a superfície lunar é filtrada pela nossa atmosfera. Como resultado, o brilho refletido fica avermelhado e deixa a Lua com cor de sangue.
Para observá-lo, não é necessário o uso de equipamentos especiais para proteção. O fenômeno pode ser visto a olho nu, sem risco algum. Contar com boas condições climáticas do dia e estar em lugar escuro, sem muitas luzes artificiais, também são medidas essenciais para ter uma visão melhor do evento.