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Com a decretação, por parte do Banco Central (BC), da liquidação extrajudicial do Banco Master – a maior intervenção já feita pela autoridade monetária em uma instituição financeira no país –, os investidores que tinham dinheiro aplicado no banco podem recorrer ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para ser ressarcidos.

Entenda como funciona o FGC

Criado há 30 anos, em 1995, o FGC é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que atua como uma espécie de seguro, protegendo alguns tipos de investimentos e depósitos feitos em instituições financeiras. Além dos clientes, o FGC também auxilia os próprios bancos.

O fundo é formado a partir de recursos depositados periodicamente pelas instituições financeiras associadas (veja a lista completa aqui) – entre as quais a Caixa Econômica Federal e bancos comerciais, de investimento e de desenvolvimento.

Os bancos realizam depósitos que criam uma margem financeira de segurança da qual sairá o dinheiro para pagar clientes e investidores, caso a instituição financeira vá à falência.

O depósito no FGC é de 1 ponto-base (0,01%) mensal sobre o saldo de todos os depósitos elegíveis. O valor máximo coberto pelo fundo é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição financeira.

Atualmente, o FGC tem mais de 220 instituições financeiras associadas. Segundo dados do fundo, 99,6% dos clientes dessas instituições estão 100% cobertos pela garantia de R$ 250 mil.

O FGC não cobre todas as modalidades de investimentos. Entre os itens protegidos, estão depósitos à vista, depósitos de poupança, Certificado de Depósitos Bancários (CDB), Recibo de Depósitos Bancários (RDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA, Letras de Câmbio (LC) e Letras Hipotecárias (LH).

Uma das modalidades de investimento mais difundidas é o CDB, um tipo de investimento de renda fixa emitido por bancos. Ao investir em um CDB, a pessoa “empresta” dinheiro ao banco em troca de juros após um período determinado.

O que o investidor do Banco Master deve fazer

O investidor que possui mais de um título do Banco Master deve somar o valor de cada título para calcular o quanto receberá. Caso o limite de R$ 250 mil seja ultrapassado, o montante “extra” não será coberto pelo FGC. O investidor pode pleitear o valor excedente judicialmente, buscando a recuperação do dinheiro junto à massa falida do banco, mas o processo é muito mais lento nesse caso.

A partir do decreto de liquidação do Master pelo BC, a relação de credores do banco deve ser encaminhada em até 30 dias úteis para o FGC, com a identificação de cada investidor e os respectivos valores a serem ressarcidos. O investidor, então, pode solicitar diretamente ao FGC o valor que lhe é devido.

Com as informações recebidas da instituição, o FGC libera a solicitação no aplicativo para que os credores cadastrem sua conta bancária, façam a validação da biometria e enviem os documentos solicitados. A solicitação do pedido de pagamento para pessoa física deve ser feita pelo aplicativo do FGC.

Depois da assinatura do termo de sub-rogação pelo aplicativo, o pagamento é efetuado na conta bancária cadastrada.

No aplicativo do FGC, é possível acessar a lista de instituições em regime especial decretado pelo BC e saber se já é possível solicitar o pagamento de garantia, além de receber notificações para acompanhar o pedido.

O pagamento aos investidores não é feito automaticamente. O FGC começa o pagamento de garantia para as pessoas que estiverem com seus cadastros atualizados.

Exemplos práticos

“Quando o Banco Central decreta a liquidação de um banco, também nomeia um liquidante para essa instituição. O liquidante chega e começa a compilar uma base de dados, que é a lista de credores. Uma vez consolidada a lista, ele manda esse arquivo para o FGC, e é aí que começa o nosso trabalho – que é, efetivamente, pagar esses credores”, explicou o diretor-presidente do FGC, Daniel Lima, em entrevista ao Metrópoles publicada em dezembro de 2022.

“No passado, o liquidante levava três ou quatro semanas para compilar essas informações. O FGC, então, precisava designar onde as pessoas receberiam fisicamente o seu benefício. Isso levava outras três semanas. O processo de pagamento começava mais de um mês depois da falência do banco. Em outubro de 2020, lançamos um aplicativo para celular. Hoje, a pessoa entra por ali, tira uma selfie, preenche os dados, fornece os documentos, faz assinatura eletrônica, e agora conseguimos fazer o pagamento dois dias depois de recebermos a lista de credores. Aquele prazo total de aproximadamente 45 dias hoje caiu para cerca de 20”, afirmou Lima.

Por exemplo: se uma pessoa tem uma conta de poupança com R$ 100 mil, um CDB do mesmo banco de mais R$ 100 mil e ainda comprou um CDB desse banco por uma corretora, de mais R$ 100 mil, que soma R$ 310 mil de patrimônio, com os juros. Como o limite do FGC é de R$ 250 mil, ela receberá esse montante do fundo garantidor e ficará como credora de R$ 60 mil do banco que está sendo liquidado.

“Vai depender do tempo que vai levar para a falência acontecer, mas há uma chance de reaver essa outra parte. De qualquer forma, o fato é que imediatamente a pessoa recebe os R$ 250 mil. E não são só R$ 250 mil por CPF. É por CPF e por banco. O mecanismo é generoso e serve para proteger o pequeno depositante. Os limites são adequados à realidade brasileira”, explicou Lima ao Metrópoles.

Como funciona o pagamento para empresas (pessoa jurídica)

No caso das pessoas jurídicas, o representante da empresa deve solicitar a garantia do FGC por meio do Portal do Investidor. Depois do preenchimento das informações solicitadas, será enviado um e-mail com os próximos passos necessários.

O pagamento é feito por transferência para uma conta corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa.

O que é o Pagamento de Garantia Especial

A solicitação da Garantia Especial (credores titulares de Depósitos a Prazo com Garantia Especial – DPGE) é realizada pelo site do FGC. Quando uma associada é liquidada, o link é disponibilizado para o pedido especial.

O titular (CPF/CNPJ) deverá preencher o formulário para receber as orientações e enviar a documentação necessária.

Após a validação de poderes de representação, o termo de sub-rogação e a carta para transferência do ativo na registradora (B3) serão assinados e, assim, o pagamento é realizado na conta de titularidade do credor.

A liquidação do Banco Master

O BC decretou, nesta terça-feira (18/11), a liquidação extrajudicial do Banco Master, cujo proprietário é Daniel Vorcaro. Ele foi preso pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Compliance Zero, que tem como alvo um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional.

​Segundo o BC, a liquidação extrajudicial é o regime de resolução que se destina a interromper o funcionamento de uma instituição e promover sua retirada, de forma organizada, do SFN. É adotada quando ocorrer situação de insolvência irrecuperável ou quando forem cometidas graves infrações às normas que regulam sua atividade, entre outras hipóteses legais. O BC nomeia um liquidante, que buscará a venda dos ativos existentes para viabilizar o pagamento, que for possível, aos credores.

​Não há prazo determinado para o encerramento da liquidação. Ela termina por decisão do BC ou pela decretação da falência da instituição.

Impacto no mercado

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o foco do mercado financeiro “recai sobre a turbulência no setor bancário desencadeada pela liquidação extrajudicial do Banco Master e os desdobramentos legais envolvendo sua liderança”.

“A reação negativa nas ações dos grandes bancos reflete o receio de que o consumo de recursos do FGC exija contribuições extras por parte das instituições financeiras para recompor o patrimônio do fundo”, explica Shahini.

“Apesar da volatilidade imediata e do impacto no Ibovespa, a leitura é a de que o evento não contamina os fundamentos do sistema financeiro nacional nem gera risco sistêmico, tratando-se de um ajuste pontual, ainda que oneroso, às regras e ao saldo do FGC por parte das principais instituições financeiras”, conclui.

O Banco de Brasília (BRB) negou ser alvo de bloqueio de bens na Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A instituição informou em nota divulgada na noite desta terça-feira (18) que Justiça Federal esclareceu que a decisão que determinou o bloqueio de R$ 12,2 bilhões não abrange as finanças do banco, apenas pessoas físicas e outras empresas investigadas.

De acordo com o BRB, a 10ª Vara Federal de Brasília retificou decisão anterior e excluiu a instituição financeira das medidas de constrição patrimonial relacionadas à operação. A nova decisão, segundo o banco, deixa claro que o bloqueio não se aplica ao BRB.

“Retifico a decisão (…) para excluir o Banco Regional de Brasília (…) das medidas de constrição patrimonial referentes ao bloqueio do montante total de R$ 12,2 bilhões de suas contas, uma vez que a eventual responsabilidade de seus dirigentes (pessoas físicas) não se confunde com a da pessoa jurídica, a qual figura como instituição financeira”, destacou o BRB, atribuindo a autoria à 10ª Vara Federal de Brasília.

O BRB reforçou que nenhum bem ou valor da instituição foi alvo de bloqueio. Segundo o banco, as medidas determinadas pela Justiça atingem apenas pessoas físicas investigadas e outras instituições mencionadas nos autos.

A instituição afirmou ainda manter compromisso com a transparência, a legalidade e o cumprimento das normas do sistema financeiro nacional. A Justiça decretou o afastamento temporário do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de Finanças e Controladoria do BRB, Dario Oswaldo Garcia Júnior.

O governo do Distrito Federal indicou o atual superintendente da Caixa, Celso Eloi de Souza Cavalhero, para presidir o banco BRB. Servidor de carreira da instituição estatal, Cavalhero substituirá Paulo Henrique Costa, afastado do cargo por determinação judicial. Antes, porém, terá que ser aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal.

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decidida nesta terça-feira (18) pelo Banco Central (BC), deixou dúvidas entre os investidores. Como fica a situação de quem era correntista ou tem Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) emitidos pela instituição?

A resposta depende do volume aplicado e do tipo de investidor. Pessoas físicas e empresas terão tratamento diferenciado no resgate dos valores. Quantias até R$ 250 mil por Cadastro de Pessoa Física (CPF) ou Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) serão pagas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade privada formada por contribuições de instituições financeiras para cobrir eventuais quebras.

A cobertura segue o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por conglomerado financeiro. O valor inclui o montante investido e os rendimentos acumulados até a data da liquidação.

Dessa forma, quem tem até R$ 250 mil em aplicações no Banco Master receberá de volta todo o valor investido. Se o correntista tiver R$ 270 mil, por exemplo, receberá os R$ 250 mil via FGC, mas entrará para a lista de credores do banco em relação aos R$ 20 mil restantes, com a possibilidade de só receber o valor após ação judicial, na falta de acordo

Os investidores devem estar atentos. O ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Crédito não é automático. O correntista precisa baixar o aplicativo do FGC e preencher o cadastro. Em seguida, deverá esperar o liquidante nomeado pelo Banco Central validar a base de credores do Banco Master. Esse processo dura cerca de 30 dias.

Como será o processo de pagamento?

Com a liquidação, o BC assume o controle da instituição e nomeia um liquidante responsável por levantar ativos e passivos. Uma das primeiras providências é o envio ao FGC da lista consolidada de depositantes e investidores.

O procedimento segue três fases:

  1. Envio da lista de credores: o liquidante reúne e encaminha os dados ao FGC. Essa etapa pode levar até 30 dias úteis;
  2. Liberação do pedido de ressarcimento: após validar as informações, o FGC habilita no aplicativo o botão “Solicitar pagamento”. A liberação costuma ocorrer em até 48 horas após a validação;
  3. Pagamento: depois do pedido e da assinatura digital, o valor é transferido para uma conta bancária de mesma titularidade.

As pessoas físicas e jurídicas seguem passos diferentes para ter acesso aos recursos do FGC.

Passo a passo para receber o FGC – Pessoa Física

O ressarcimento não é automático. O investidor deve fazer o pedido, segundo as seguintes etapas:

Durante o processo, podem ser solicitados documentos adicionais e validação biométrica.

Passo a passo para receber o FGC – Pessoa Jurídica

O que é coberto pelo FGC?

Limite de valores

A cobertura é limitada a R$ 250 mil por CPF/CNPJ, por instituição financeira. Em caso de mais de uma liquidação no período de quatro anos, o limite global passa a ser de R$ 1 milhão.

Valores acima do limite entram na liquidação extrajudicial, que leva anos e não tem garantia. Na falta de acordo, o montante é incorporado à massa falida da instituição financeira, só podendo ser recuperado por meio de ação na Justiça, que costuma durar anos.

Prazos e tributação

A correção dos valores segue os termos originalmente contratados até a data da liquidação. Há incidência de Imposto de Renda conforme a tabela regressiva. Se o prazo entre aplicação e liquidação for inferior a 30 dias, pode haver cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), exceto no caso da caderneta de poupança, isenta de tributos.

Maior operação da história do FGC

O FGC estima que a liquidação do Banco Master envolverá cerca de R$ 41 bilhões em garantias, com aproximadamente 1,6 milhão de credores elegíveis. Segundo o fundo, há patrimônio suficiente para honrar integralmente os pagamentos dentro das regras vigentes.

 

 

A Polícia Federal divulgou, no meio da manhã desta quarta-feira (18), os resultados parciais da Operação Compliance Zero, que mira um esquema de emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional.

Até o momento, seis pessoas foram presas, quatro preventivamente e duas temporariamente; dentre eles Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; e foi determinada a ordem de bloqueio de R$ 12,2 bilhões em contas vinculadas aos investigados.

Entre os bens apreendidos estão carros de luxo, obras de arte e relógios de alto padrão, além de aproximadamente R$ 1,6 milhão em espécie encontrados durante as buscas.

A operação cumpre sete mandados de prisão e 25 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.

As investigações começaram em 2024, a partir de um pedido do Ministério Público Federal, que identificou indícios de que uma instituição financeira teria fabricado carteiras de crédito fraudulentas. Esses títulos de crédito teriam sido repassados a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada.

Os investigados podem responder por gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros crimes previstos na legislação financeira e penal.

O consórcio de investidores globais liderado pela Fictor Holding Financeira informou que suspendeu a operação de compra do Banco Master após tomar conhecimento da liquidação extrajudicial da instituição financeira.

“A operação de compra está suspensa, e nos colocamos à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos que julgarem necessários. Por se tratar de tema sob análise das autoridades, o consórcio não comentará o mérito das investigações”, disse, em nota.

A decisão do Banco Central sobre a liquidação do Banco Master ocorreu menos de um dia após o Grupo Fictor ter indicado o interesse em comprar a instituição financeira. Na ocasião, o grupo informou que a operação incluía o aporte imediato de R$ 3 bilhões destinados ao fortalecimento da estrutura de capital da instituição financeira de Daniel Vorcaro.

No comunicado divulgado na última segunda-feira (17) pelo Fictor, o grupo informou que iria adquirir a totalidade das ações de Daniel Vorcaro, acionista controlador do Banco Master, após a conclusão das etapas regulatórias.

“Como informado ontem [17 de novembro], a operação envolvendo o Banco Master estava integralmente condicionada à análise e à aprovação prévia dos órgãos reguladores. Desde o início, conduzimos todas as etapas com total transparência, responsabilidade e estrita observância aos ritos estabelecidos pelas normas legais”, diz em nota.

O Grupo Fictor disse ter tomado conhecimento da liquidação extrajudicial do Banco Master pela imprensa, bem como das medidas adotadas pelas autoridades competentes em relação aos atuais controladores da instituição.

“Reafirmamos nosso absoluto respeito ao Banco Central do Brasil e aos demais órgãos de supervisão e controle, assim como nosso compromisso com a integridade, a transparência e a estabilidade do sistema financeiro brasileiro”, diz.

Operação Compliance Zero

Nesta terça (18), a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que combate a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional). Estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.

No âmbito da investigação, a PF prendeu, em São Paulo, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Além disso, o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor-executivo financeiro do banco, Dario Oswaldo Garcia Junior, foram afastados temporariamente do cargo por 60 dias, informou a instituição financeira.

Em março, o BRB anunciou a intenção de comprar 58% das ações do Master pelo valor de R$ 2 bilhões. O processo de aquisição foi negado pelo Banco Central.

Após a divulgação da inflação de outubro, a menor para o mês em quase 30 anos, a previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 4,55% para 4,46% este ano. Com isso, a estimativa alcançou o intervalo da meta de inflação que deve ser perseguida pelo Banco Central (BC).

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

A estimativa está no boletim Focus desta segunda-feira (17), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), em Brasília, com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, a projeção da inflação permaneceu em 4,2%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 3,8% e 3,5%, respectivamente.

A redução na conta de luz puxou a inflação oficial para baixo e fez o IPCA fechar outubro em 0,09%, o menor para o mês desde 1998, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). Em setembro, o índice havia marcado 0,48%. Em outubro de 2024, a variação havia sido de 0,56%.

Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses é 4,68%, a primeira vez, em oito meses, que o patamar fica abaixo da casa de 5%. No entanto, ainda acima do teto da meta do CMN.

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros – a Selic – definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O recuo da inflação e a desaceleração da economia levaram à manutenção da Selic pela terceira vez seguida, na última reunião, no início deste mês.

No entanto, o colegiado não descarta a possibilidade de voltar a elevar os juros “caso julgue apropriado”. Em nota, o BC informou que o ambiente externo se mantém incerto por causa da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais.

Já no Brasil, a autarquia destacou que a inflação continua acima da meta, apesar da desaceleração da atividade econômica, o que indica que os juros continuarão alto por bastante tempo.

A estimativa dos analistas de mercado é que a taxa básica encerre 2025 nesses 15% ao ano. Para o fim de 2026, a expectativa é que a Selic caia para 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

Nesta edição do boletim Focus, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 2,16%. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,78%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,88% e 2%, respectivamente.

Puxada pelas expansões dos serviços e da indústria, no segundo trimestre deste ano a economia brasileira cresceu 0,4%. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,40 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50.

O Governo de Alagoas estima a criação de 42.473 empregos diretos na Região Metropolitana de Maceió com o pacote de investimentos de R$ 5 bilhões anunciado no último dia 11, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (17), pela Secretaria de Estado da Governança Corporativa. Considerando também os postos de trabalho indiretos, o total de vagas projetadas no Estado ultrapassa 65 mil.

O montante será aplicado em obras e serviços estruturantes na Grande Maceió. Apenas na triplicação da AL-101 Sul, no trecho entre a ponte Divaldo Suruagy e a Barra de São Miguel, estão previstos R$ 500 milhões, com início da execução no primeiro semestre de 2026.

A estimativa é de geração de 7,4 mil vagas diretas, sendo 812 já na fase inicial, em um trecho de 3,4 km localizado ainda na capital.

De acordo com o governo, o programa deve impulsionar o setor da construção civil, movimentar a cadeia econômica e favorecer o comércio local. “É um investimento que movimenta a economia, cria oportunidades e transforma o território em verdadeiro canteiro de obras”, afirmou o governador Paulo Dantas ao apresentar o pacote.

Em obras que já estão em execução, como a restauração da AL-101 Norte, a recuperação de pontes — incluindo a Divaldo Suruagy — e melhorias em rodovias nos 13 municípios que compõem a Grande Maceió, já foram abertas mais de 4 mil vagas diretas.

Além disso, os serviços de pavimentação, drenagem e urbanização nas sedes municipais da região, especialmente no trecho entre Maceió e Barra de Santo Antônio — também em andamento — devem gerar 2.938 empregos diretos.

A expectativa é que o volume de investimentos contribua para a continuidade da redução da taxa de desemprego em Alagoas.

Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do IBGE, divulgada na última sexta-feira (14), o Estado alcançou 7,7% de desocupação no terceiro trimestre deste ano, uma das menores taxas do Nordeste. Atualmente, 1,2 milhão de pessoas estão ocupadas no Estado.

O diretor-executivo financeiro da B3André Milanez, afirmou que a Bolsa está trabalhado junto às lideranças políticas e do mercado para que a instituição não seja incluída na taxação das bets e fintechs, que está tramitando no Congresso. “Existe a chance de ser aprovada e trabalhamos para não ser aprovado, já que não devemos estar envolvidos, porque não somos bancos ou fintechs”, disse Milanez em conversa com analistas de mercado sobre o balanço do terceiro trimestre. Milanez acrescentou que a B3, de qualquer forma, está parcialmente provisionada para uma eventual taxação. “Vamos seguir monitorando e trabalhando com a indústria e os políticos para que não seja aprovada”, reiterou.

O presidente do Banco CentralGabriel Galípolo, reafirmou nesta quarta-feira (12), o compromisso da autarquia com a meta de inflação e reforçou que não há sinais na comunicação do BC sobre os passos futuros na condução da política monetária. “Se você entendeu algum sinal na comunicação sobre o futuro, entendeu errado”, disse Galípolo. Ele destacou que a comunicação da autarquia reflete a leitura atual do colegiado, em uma postura “humilde e modesta perante a incerteza”.

Galípolo disse que entende ser normal o debate sobre o que será – e o que não será feito – nos próximos passos do Banco Central e reforçou a atuação da instituição. “Esse é um BC que tem calcado a sua comunicação em fatos e dependência de dados”, afirmou, durante apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do primeiro semestre, em São Paulo.

Ele ainda afirmou que, no serviço público, talvez o Banco Central tenha o objetivo “mais claro de todos”, que é perseguir a meta de inflação. “Está bem claro porque estamos com taxa de juros em patamar restritivo”, reiterou.

Efeito lento e gradual

O presidente do Banco Central reiterou que a política monetária está surtindo efeito na economia, ainda que de forma lenta e gradual. De acordo com ele, a taxa de juros aumentou o custo de capital para famílias e empresas. “O aumento do custo de capital não gerou uma queda, mas uma desaceleração no crescimento”, disse Galípolo.

Isenção do IR

Galípolo enfatizou que a decisão do BC de incorporar um efeito da isenção do Imposto de Renda (IR) no cenário de referência é preliminar e reflete a postura dependente de dados do BC. “Existe claramente um trade-off entre estar mais dependente de dados e coletá-los para que a gente vá aprendendo com ele e incorporando. Até agora, essa estratégia se pagou”, afirmou. Ele comparou a incorporação preliminar da medida nas projeções do BC com a incorporação de medidas como o pagamento de precatórios e a liberação de crédito consignado privado.

“Vamos continuar assistindo para entender qual é o desdobramento e qual é o impacto efetivo de uma medida como essa, em uma conjuntura como essa descrita no relatório”, ressaltou. O presidente do BC ainda voltou a repetir que o colegiado segue desconfortável com a desancoragem das expectativas de inflação em todos os horizontes.

Os Correios apresentaram ao Tribunal de Contas da União (TCU) o planejamento para a reestruturação da empresa estatal, que prevê, entre outras medidas, operação de crédito no valor de R$ 20 bilhões, a ser obtido com bancos públicos e privados, com garantia do Tesouro Nacional – condicionada a medidas para sanear a gestão da estatal.

A reunião, ocorrida na semana passada, foi solicitada pelo presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, que está no cargo desde meados de setembro. O tema faz parte da Lista de Alto Risco do TCU, e por isso tem recebido acompanhamento prioritário da corte de contas, dada a gravidade e relevância do assunto.

As unidades técnicas do TCU deverão acompanhar a execução do plano e a participação do governo federal na operação de crédito prevista, incluindo o eventual envolvimento de bancos públicos. “O objetivo é assegurar que as medidas adotadas estejam em conformidade com a legislação e que os recursos sejam aplicados de forma eficiente e transparente”, informou o tribunal.

Os Correios registraram prejuízo de R$ 4,37 bilhões nos dois primeiros trimestres de 2025, que se somam a resultados negativos que ocorreram desde 2022, mas que foram agravados na administração atual.

Maior crédito dos últimos 15 anos

O empréstimo buscado para a empresa estatal é maior do que qualquer outra garantia concedida pela União para estatais, Estados e municípios nos últimos 15 anos. De 2010 a 2025, o Tesouro foi avalista de 767 empréstimos internos (concedidos por instituições financeiras do Brasil) para Estados, municípios e estatais. Essas operações financiaram diferentes planos de investimentos e socorros financeiros. No mesmo período, foram 407 operações externas, ou seja, com instituições estrangeiras. Nenhum dos empréstimos chegou a R$ 20 bilhões.

Além do empréstimo, o plano de reestruturação inclui a implementação de um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV), além da promessa de venda de imóveis da estatal que hoje estão ociosos e que geram custos de manutenção.

Após cinco pregões consecutivos de queda, em que acumulou desvalorização de 2,33%, o dólar encerrou a sessão desta quarta-feira (12) em alta moderada, mas ainda abaixo de R$ 5,30. Operadores afirmam que houve um movimento de ajustes nos mercados domésticos, com provável saída de capital externo na bolsa, na esteira do tombo de cerca de 4% do petróleo, e desmonte de operações favoráveis ao real para realização de lucros. Tirando uma queda pontual no início dos negócios, o dólar à vista trabalhou em terreno positivo ao longo do dia. Com máxima de 5,3028, à tarde, encerrou o pregão em alta de 0,38%, a R$ 5,2932. Na terça, a divisa fechou no menor nível desde 6 de junho de 2024. A moeda americana recua 1,62% em novembro, após alta de 1,08% em outubro. No ano, as perdas são de 14,3%

O real escorregou apesar do sinal predominante de queda da moeda americana no exterior, em especial na comparação com as divisas latino-americanas. Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY apresentava ligeira alta no fim do dia, na casa dos 99,500 pontos. Investidores monitoraram falas de dirigentes do Federal Reserve enquanto aguardam votação na Câmara dos Representantes dos EUA de projeto para pôr fim à paralisação parcial (shutdown) da máquina pública.

Ibovespa, por sua vez, após 15 pregões em alta – 12 dos quais em recordes de fechamento consecutivos -, foi esboçada bem palidamente a aguardada realização de lucros na B3. O Ibovespa oscilou dos 156 559,71 até os 158.133,83 pontos, encerrando o dia em leve baixa de 0,07%, aos 157.632,90 pontos, com giro a R$ 38,4 bilhões, reforçado pelo vencimento de opções sobre o índice nesta quarta-feira, 12. Na semana, o Ibovespa ainda avança 2,32%, com ganho no mês a 5,41%. No ano, tem alta de 31,05%.

Entre os maiores bancos, o dia foi negativo à exceção de Bradesco ON (+0,24%), com destaque para Banco do Brasil (ON -2,85%), que na terça havia avançado 3% e nesta quarta cedeu antes da divulgação do balanço do terceiro trimestre, nesta noite. Na ponta ganhadora, Taesa (+5,77%) na esteira do balanço do terceiro trimestre, à frente de CSN (+5,05%) e de B3 (+4,36%), esta também com resultados trimestrais. No lado oposto, CVC (-8,33%), outro papel já com a referência do balanço julho-setembro, além de PetroReconcavo (-5,08%) e Cosan (-4,04%).

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 3,2% em 2023, segundo dados anuais definitivos do Sistema de Contas Nacionais, divulgados nesta quinta-feira (6), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB somou R$ 10,9 trilhões no ano de 2023. O PIB per capita foi de R$ 51 693,92.

“Nesta publicação, o Sistema de Contas Nacionais terá como base os resultados do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, já que o IBGE está com o projeto de reformulação da série do Sistema de Contas Nacionais, ano base 2010 para ano base 2021. Com isso, estamos publicando as tabelas atualizadas somente até 2023, quando houver informação, e as notas técnicas”, ponderou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, em nota oficial.

Sob a ótica da oferta, o PIB dos Serviços cresceu 2,8% em 2023, o da Indústria teve elevação de 1,7%, enquanto o da Agropecuária saltou 16,3%.

Pelo lado da demanda, o consumo final cresceu 3,4%: o consumo final das famílias subiu 3,2%, enquanto o consumo do governo avançou 3,8%. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos do PIB) encolheu 3% em 2023, após ter aumentado 1,1% em 2022. A taxa de investimento foi de 16,4% no ano de 2023.

Na ótica da demanda, o crescimento de 3,2% do PIB teve contribuição de 2,0 pontos porcentuais da demanda interna, puxada pelo consumo das famílias, e 1,3 ponto porcentual da demanda externa, que também subiu, já que as exportações brasileiras de bens e serviços cresceram mais do que as importações.

O valor adicionado bruto cresceu 3,4% no ano de 2023, com contribuição de 1,9 ponto porcentual dos Serviços, 0,4 ponto porcentual da Indústria, e 1,1 ponto porcentual da Agropecuária.

O IBGE frisou, em nota, que a divulgação detalhada do PIB anual definitivo está temporariamente suspensa, mantendo-se apenas estimativas agregadas, em razão da transição para a nova base 2021.

“A exigência de realização desse projeto leva à definição de um período de transição em que a divulgação da série mais detalhada é suspensa temporariamente. Tais resultados não incluirão, então, o detalhamento propiciado pelas Tabelas de Recursos e Usos (TRU) e pelas Contas Econômicas Integradas (CEI) publicadas anualmente. No entanto, serão mantidas as estimativas mais agregadas, publicadas com a metodologia em vigor, e divulgadas com uma especial ênfase em seu caráter preliminar que terão como base o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais que divulga TRU 12 atividades por 12 produtos e as Contas Econômicas Trimestrais com a economia nacional agregada”, concluiu o instituto.

A correção da tabela do Imposto de Renda prevista no projeto do governo federal mostra uma situação mais favorável para quem ganha exatamente R$ 5.000 e não possui dependentes.

É o que aponta simulação elaborada por técnicos da Unafisco Nacional com base no projeto de lei 1.087/2025, aprovado na Câmara em outubro e votado na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado) nesta quarta (5).

Esse contribuinte, na prática, terá algo próximo a um 14º salário ao longo do ano, graças à isenção total.

A proposta aprovada cria uma faixa de isenção total para a renda até R$ 5.000 e aplica um fator de redução progressivo, que reduz o imposto de forma escalonada até os R$ 7.350 mensais.

O estudo mostra que o benefício varia de acordo com o número de dependentes, criando situações distintas entre famílias com rendas similares.

A medida beneficia milhões de contribuintes, mas não corrige a defasagem acumulada da tabela, que passa dos 170%, para as faixas intermediárias e superiores, segundo a entidade.

Diferentemente de um reajuste da tabela do IR, que gera efeitos em todas as faixas, o modelo aprovado concede um benefício restrito a uma faixa específica de renda, sem alterar as alíquotas ou as faixas superiores.

Salário Bruto em R$ - N° de Dependentes - Deduções Totais (A) - Base de Cálculo (B) - Imposto atual (C) - Fator de Redução - Imposto após PL 1087 (D) - Economia Mensal (C - D) - Economia Anual

Fonte: Unafisco Nacional com base no Projeto de Lei 1.087/2025 aprovado pela Câmara dos Deputados

 

 

Com a inflação desacelerando, mas alguns preços, como o da energia, pressionados, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) faz nesta quarta-feira (4) a penúltima reunião do ano. Os analistas de mercado acreditam na manutenção da taxa no maior nível em quase 20 anos.

Atualmente em 15% ao ano, a Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Desde setembro do ano passado, a taxa foi elevada sete vezes seguidas. Nas reuniões de julho e de setembro, o Copom não mexeu na taxa.

A decisão sobre a Taxa Selic será anunciada no início da noite desta quarta. Na ata da última reunião, em setembro, o Copom informou que a Selic será mantida em 15% ao ano por tempo prolongado.

Segundo a ata do Copom, a conjuntura econômica dos Estados Unidos e as tarifas impostas pelo país têm tido “maior impacto” do que temas estruturalmente desafiadores para a formação dos preços de mercado. No cenário interno, alguns preços, como o da energia, continuam a pressionar a inflação, apesar da desaceleração da economia.

Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a taxa básica deve ser mantida em 15% ao ano até o fim de 2025 ou início de 2026. A divergência agora está no momento do próximo ano em que os juros começarão a cair.

Inflação

O comportamento da inflação continua uma incógnita. Prévia do indicador oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) ficou em apenas 0,18% em outubro e acumula 4,94% em 12 meses. O preço médio dos alimentos recuou pelo quinto mês consecutivo. O IPCA referente aos 31 dias de outubro só será divulgado no próximo dia 11.

Segundo o último boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras feita pelo BC, a estimativa de inflação para 2025 caiu para 4,55%, contra 4,8% há quatro semanas. Isso representa inflação levemente acima do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, podendo chegar a 4,5% por causa do intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

Taxa Selic

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, pretende conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

Meta contínua

Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro deste ano, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5%, e o superior é 4,5%.

Nesse modelo de aferição, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em novembro de 2025, a inflação desde dezembro de 2024 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em dezembro, o procedimento se repete, com apuração a partir de janeiro de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2025 em 4,8%, mas a estimativa pode ser revista, dependendo do comportamento do dólar e da inflação. A próxima edição do documento, que substituiu o Relatório de Inflação, será divulgada no fim de dezembro.

A produção da indústria brasileira recuou 0,4% na passagem de agosto para setembro. O resultado elimina parte do crescimento de 0,7% que havia sido registrado em agosto. Na comparação com setembro de 2024, a produção industrial cresceu 2%. No acumulado de 12 meses, o setor tem alta de 1,5%. Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada nesta terça-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O desempenho de setembro coloca a indústria em um patamar 2,3% acima do período pré-pandemia de covid-19 (fevereiro de 2020) e 14,8% abaixo do maior ponto já alcançado, em maio de 2011.

Influências

O IBGE apurou que, na passagem de agosto para setembro, houve recuo de produção em 12 das 25 atividades industriais pesquisadas. Os destaques negativos foram:

Já entre as atividades que cresceram, as maiores influências foram:

Efeito dos juros

No período de abril a setembro, a indústria teve quatro resultados negativos. O dado de agosto é o recuo mais intenso desde maio (-0,5%).

De acordo com o gerente da pesquisa, André Macedo, o comportamento de menor intensidade da indústria nos últimos meses é explicado pela taxa de juros em patamares elevados. “Isso faz com que decisões de investimentos por parte das empresas sejam adiadas, assim como decisões de consumo das famílias”, explica o pesquisador, acrescentando que o juro alto dificulta o crédito e tende para aumentar a inadimplência.

A taxa básica de juros no país, a Selic, está em 15% ao ano, maior patamar desde julho de 2006 (15,25%). A taxa é decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que defende o nível elevado como combate à inflação, que acumula 5,17% em doze meses.

Desde setembro de 2024 a inflação está acima do teto da meta do governo, que vai até 4,5%.

Ao esfriar a economia, a taxa de juros alta tende a diminuir a procura por bens e serviços, de forma a frear a inflação. O efeito colateral é o obstáculo à geração de emprego e crescimento econômico.

Tarifaço

De acordo com o gerente do IBGE, foi observado ainda que algumas empresas industriais justificam a queda na produção por causa do tarifaço americano, que aumentou a taxação em cima de parte dos produtos brasileiros vendidos para os Estados Unidos. Mas Macedo explica que a pesquisa não consegue medir o tamanho desse efeito específico.

O tarifaço foi iniciado em agosto e tem, na visão do governo americano, o papel de proteger a economia americana. O presidente Donald Trump chegou a alegar que se tratava também de retaliação ao tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro, quem Trump considerava ser perseguido, antes de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro, por tentativa de golpe de Estado.

Nas últimas semanas, os governos brasileiro e americano fizeram encontros como forma de buscar acordos para a parceria comercial.

Banco Central e o Conselho Monetário Nacional (CMN) publicaram nesta segunda-feira (3) normas que visam acabar com o mecanismo das “contas-bolsão”. As normas – que constam na resolução CMN 5.261, e na resolução BCB 518 – criam novas hipóteses nas quais instituições autorizadas são obrigadas a fechar contas de depósito e pagamentos. As “contas-bolsão” estiveram no centro do esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), desmantelado pela Operação Carbono Oculto. Nesse modelo, fintechs abrem contas em bancos credenciados, por onde circulam os recursos de todos os clientes da fintech, de forma não segregada, o que dificulta o trabalho dos órgãos de controle.

A partir de 1º de dezembro, as instituições autorizadas ficam obrigadas a encerrar contas se constatarem que elas estão sendo usadas para realizar atividades caracterizadas como serviços financeiros ou de pagamento, sem o respaldo legal e em desacordo com a regulação vigente. “O encerramento das contas também visa acabar com as chamadas ‘contas-bolsão’, que ocorre quando o cliente titular utiliza os recursos mantidos nas contas para efetuar pagamentos, recebimentos ou compensações em nome de terceiros, com o objetivo de ocultar ou substituir obrigações financeiras desses terceiros”, diz o BC, em nota.

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