
Na última quarta-feira (28), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, para discutir a necessidade de um aumento no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Durante o encontro, Haddad enfatizou que a manutenção da máquina pública poderia ser comprometida sem essa elevação, que tem como objetivo aumentar a arrecadação e equilibrar as contas do governo. Haddad apresentou um plano que inclui cortes de R$ 30 bilhões em despesas e a busca por R$ 20 bilhões em receitas adicionais para atender às metas fiscais estabelecidas. Ele alertou sobre as implicações negativas que a rejeição da proposta poderia trazer, como a necessidade de um contingenciamento ainda maior nos gastos públicos.
“São R$ 30 bilhões de cortes de despesas, sendo R$ 10 bilhões de bloqueio e R$ 20 bilhões de contingenciamento, e R$ 20 bilhões de receitas adicionais para cumprir as metas fiscais. Expliquei as consequências em caso de não aceitação da medida [do IOF], o que acarretaria em termos de contingenciamento adicional. Nós ficaremos num patamar bastante delicado do ponto de vista do funcionamento da máquina pública do Estado brasileiro”, declarou o ministro.
Apesar das discussões, não houve um compromisso claro dos presidentes em pautar os mais de 20 Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) que visam revogar o aumento do imposto. Motta, embora tenha considerado a elevação infeliz, sugeriu que o foco deveria ser em medidas mais estruturais. Por sua vez, Alcolumbre criticou a ação do governo, alegando que esta usurpa poderes legislativos.
Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, expressou ceticismo quanto à possibilidade de os presidentes pautarem os PDLs na próxima semana. Ele mencionou que a equipe da Fazenda recebeu sugestões de representantes do setor bancário e dos presidentes das casas legislativas, mas não forneceu detalhes sobre essas propostas.
O aumento do IOF tem gerado descontentamento entre diversos setores, incluindo parlamentares e empresários, que fazem parte da base aliada do governo. A medida é vista como uma tentativa de contornar a crise fiscal, mas enfrenta resistência significativa no Congresso e entre os agentes econômicos.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), deu um prazo de dez dias para que a equipe econômica do governo federal apresente uma alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciado na semana passada. A cobrança foi feita por meio de uma publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (29), na qual Motta expressou a insatisfação generalizada entre os deputados e alertou que o clima no Congresso é favorável à derrubada do decreto.
A reação veio após reunião na noite anterior entre Motta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na ocasião, Haddad explicou os motivos da medida e os impactos que a eventual revogação do decreto traria para o cumprimento das metas fiscais. “O clima é para derrubada do decreto do IOF na Câmara. Combinamos que a equipe econômica tem dez dias para apresentar um plano alternativo que seja duradouro, consistente e evite gambiarras tributárias”, escreveu Motta.
Antes disso, em sessão no plenário da Câmara na quarta-feira (28), tanto Motta quanto Alcolumbre já haviam criticado publicamente o aumento do IOF. Motta classificou a medida como “infeliz” e defendeu a construção de uma solução equilibrada que leve em consideração tanto os interesses do governo quanto da oposição, com foco no interesse nacional.
Alcolumbre, por sua vez, criticou a forma como a decisão foi tomada, sem articulação prévia com o Congresso. Para ele, o Executivo ultrapassou os limites ao editar o decreto sem consultar o Legislativo. “Que este exemplo do IOF seja o último daqueles em que o governo tenta usurpar as atribuições do Parlamento”, declarou o presidente do Senado.
A medida anunciada pelo Ministério da Fazenda elevou a alíquota do IOF para 3,5% em operações como remessas internacionais, compras em sites do exterior, saques no exterior e serviços digitais. Também houve aumento nesse imposto sobre empréstimos, afetando inclusive empresas do Simples Nacional, e sobre aportes mensais acima de R$ 50 mil em planos como o VGBL. A justificativa do governo é aumentar a arrecadação, com expectativa de crescimento de até R$ 61 bilhões em 2026.
Frente à pressão de parlamentares, setores econômicos e frentes temáticas, cresce no Congresso a articulação para derrubar o decreto por meio de um projeto de decreto legislativo (PDL), que pode ser votado nas próximas semanas. Após a reunião com os presidentes das duas Casas, o ministro Fernando Haddad afirmou que não houve discussão sobre a revogação do decreto e que eventuais mudanças agora estão nas mãos do Congresso.
O Brasil alcançou um marco significativo em abril de 2025, registrando a criação de mais de 250 mil empregos formais, conforme dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). O Ministério do Trabalho anunciou que foram geradas 257.528 vagas com carteira assinada, marcando o melhor desempenho para o mês na série histórica do CAGED e superando as expectativas do mercado. A sub-secretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, destacou que o saldo positivo se deve, em parte, à expansão dos setores ferroviário e da construção civil. Ela mencionou que o crescimento nessas áreas já era esperado, impulsionado por contratações através de fundos públicos como o FGTS e pela construção de 1,2 milhão de novas moradias.
O setor de transporte ferroviário também apresentou crescimento significativo, apoiado por investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No acumulado do ano, a geração de empregos com registro em carteira totaliza mais de 922 mil vagas, número inferior à estimativa de analistas, que previam 1 milhão de novos postos. Em comparação, no mesmo período de 2024, a abertura líquida foi de 965.818 vagas. O Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, aproveitou a divulgação dos dados do CAGED para criticar o Banco Central pela manutenção dos juros altos no país, afirmando que isso exige um esforço adicional do governo para manter a economia em funcionamento.
Marinho ressaltou que o governo está realizando um “quase milagre” para sustentar a economia e criar novos empregos, apesar dos juros elevados. A taxa básica de juros, a Selic, está atualmente em 14,75%, e a previsão do Banco Central é de que permaneça em um nível elevado por um período prolongado. “Acho que, de novo, é um problema sério. Estamos fazendo quase que um milagre para segurar a economia funcionando, criando e gerando novos empregos. De fato, os juros estão excessivamente elevados”, afirmou Marinho.
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou na última terça-feira (26) uma série de novos procedimentos destinados a aprimorar o processo de bloqueio e desbloqueio de empréstimos consignados. Essas mudanças visam oferecer maior segurança e eficiência para os beneficiários. A partir de agora, aqueles que tiverem seus benefícios bloqueados no momento da concessão poderão solicitar o desbloqueio por um período de 90 dias. Alternativamente, o desbloqueio também poderá ser solicitado após a alteração do local de pagamento, sendo que, neste caso, o procedimento poderá ser realizado em até 60 dias a partir da data da alteração.
Para facilitar e assegurar o processo, todas as solicitações de bloqueio e desbloqueio deverão ser feitas exclusivamente através do aplicativo Meu INSS. O instituto implementou verificações de vivacidade, que incluem tecnologias de reconhecimento facial e comparação de imagens com os registros disponíveis nos bancos de dados do governo. Este método visa garantir que o solicitante é, de fato, o beneficiário legítimo. Uma vez comprovada a vivacidade, o procedimento poderá ser concluído de forma segura.
Além das novas medidas de segurança, o INSS também informou que os pedidos de bloqueio e desbloqueio que estavam pendentes antes da implementação da biometria serão processados em lote. Para isso, os usuários serão orientados a realizar a validação biométrica por meio da plataforma Meu INSS. Esta etapa é crucial para assegurar que todos os beneficiários tenham seus pedidos processados de maneira eficiente e segura.
A Fundação Getúlio Vargas divulgou dados que colocam São Paulo no topo do ranking das capitais brasileiras com a cesta básica mais cara. Em abril, o custo médio dos alimentos básicos na capital paulista atingiu R$ 991,80, superando outras sete capitais pesquisadas. Apesar de um aumento de 1,4% no valor da cesta básica, São Paulo continua a liderar o ranking nacional de preços. Enquanto isso, Fortaleza e Salvador apresentaram as maiores variações, com aumentos de 2,2% e 2%, respectivamente. Em contrapartida, Curitiba se destaca por ter a cesta básica mais acessível, com um custo médio de R$ 768.
A alta nos preços dos alimentos em São Paulo é notável e reflete uma tendência preocupante. Nos últimos seis meses, itens como café, pão, óleo e ovos registraram aumentos significativos de 28%, 9%, 8% e 6%, respectivamente. Embora Brasília tenha registrado o maior aumento percentual no período, com 7,4%, seguida por Curitiba com 3,3%, São Paulo ainda se destaca pelo valor absoluto mais elevado. A capital paulista, com um aumento de 3,1%, continua a ser a cidade com os preços mais altos para itens essenciais.
A disparidade entre o custo da cesta básica e o salário mínimo vigente é uma preocupação crescente entre os paulistanos. O aumento contínuo dos preços dos alimentos básicos em São Paulo reflete uma tendência nacional de elevação dos custos de vida, pressionando ainda mais o orçamento das famílias brasileiras. Essa situação exige atenção das autoridades para mitigar os impactos econômicos sobre a população, especialmente os mais vulneráveis, que sentem mais intensamente o peso dessa inflação.
Com recuperação de fluxo após o feriado de segunda-feira nos Estados Unidos, o Ibovespa emendou nesta terça-feira, 27, o terceiro ganho e voltou a renovar no intradia máxima histórica, aos 140.381,93 pontos, em sessão na qual o avanço em Nova York chegou a 2,47% (Nasdaq) no fechamento. Por aqui, a boa notícia foi a leitura abaixo do esperado – e praticamente no piso das estimativas para o mês – da prévia da inflação oficial de maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15). A curva do DI cedeu, o dólar fechou em baixa de 0,53%, a R$ 5,6457, e o Ibovespa subiu 1,02%, aos 139.541,23 pontos no encerramento do dia – o terceiro maior nível de fechamento da história.
Após ter ficado na segunda-feira em R$ 10,9 bilhões, o giro financeiro subiu nesta terça a R$ 23,0 bilhões na B3. Na semana, o Ibovespa sobe 1,25% e, no mês, tem alta de 3,31%, colocando o ganho do ano a 16,01%. Na ponta do índice na sessão, Vamos (+9,69%), Assaí (+7,61%) e CVC (+6,67%). No lado oposto, CSN Mineração (-5,80%), Petz (-4,15%) e BRF (-3,52%). Entre as blue chips, o dia foi majoritariamente positivo, à exceção de Vale (ON -0,31%), a ação de maior peso no Ibovespa. Petrobras subiu 0,96% na ON e 0,73% na PN, enquanto a alta entre os maiores bancos chegou a 2,04% (Bradesco PN) no fechamento, à exceção de Banco do Brasil (ON -0,41%).
O dólar apresentou queda moderada no mercado local nesta terça-feira, 27, dia marcado por alta das bolsas americanas e valorização de divisas latino-americanas. O real também pode ter se beneficiado da entrada de capital para a bolsa doméstica, após a leitura benigna do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) reforçar a aposta de que o Banco Central já encerrou o atual ciclo de aperto monetário. Operadores observam que na segunda-feira a liquidez foi muito reduzida com a ausência de negócios nos mercados americanos, em razão do feriado de Memorial Day nos EUA. Parte do movimento desta terça pode representar um ajuste de posições e correção dos ganhos do dólar na segunda-feira. Pela manhã, o BC vendeu US$ 500 milhões em leilão de linha da oferta total de US$ 1 bilhão para rolagem do vencimento de 2 de julho de 2025.
O dólar à vista fechou a R$ 5,6457, em baixa de 0,53%, passando a apresentar queda de 0,54% em maio. No ano, a moeda recua 8,65% em relação ao real, que exibe o melhor desempenho entre as divisas latino-americanas em 2025, seguido pelo peso mexicano.
Lá fora, a moeda americana sobe em relação a pares, com ganhos de mais de 1% frente ao iene japonês, e na comparação com a maioria das divisas emergentes e de países exportadores, na esteira de avanço bem acima do esperado do índice de confiança do consumidor dos EUA em maio, segundo o Conference Board. As taxas dos Treasuries recuaram em bloco, o que também pode ter favorecido divisas latino-americanas
“Os rendimentos de longo prazo do Tesouro dos EUA estão recuando após a notícia de que o Ministério das Finanças do Japão reduzirá a emissão de seus próprios títulos de longo prazo. A notícia está ajudando a estabilizar ativos de risco, com as ações dos EUA em alta”, afirma o Citi, em relatório.
Após anunciar no domingo o adiamento de 1º de junho para 9 de julho da imposição de tarifas de 50% a produtos da União Europeia, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou nesta terça esperar que os europeu abram seu mercado para os EUA O presidente dos EUA disse ainda ter sido informado que a UE pediu para que as datas de reuniões sobre as negociações tarifárias sejam marcadas rapidamente.
O Congresso Nacional está em movimento para barrar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciado recentemente pelo governo federal. Em menos de 24 horas após o anúncio, cerca de 17 Projetos de Decretos Legislativos (PDLs) foram apresentados por parlamentares de diferentes partidos. Esses projetos visam anular o decreto do executivo que prevê o aumento do imposto, argumentando que a medida afetaria negativamente o câmbio, empréstimos, seguros e financiamentos, impactando tanto a população quanto as empresas em um momento de recuperação econômica.
O deputado Joaquim Passarinho, presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, destacou a importância do princípio da anualidade, que permite às empresas e investidores se prepararem para mudanças fiscais. Ele criticou o aumento do IOF como um “imposto disfarçado” e ressaltou a necessidade de previsibilidade para a segurança dos negócios. Após a reação negativa do mercado financeiro, o governo recuou parcialmente, mantendo em zero a alíquota do IOF sobre aplicações de investimentos de fundos nacionais no exterior, que inicialmente seria de 3,5%. No entanto, outras alíquotas permanecem no patamar de 3,5%, justificadas pelo governo como uma forma de equalização entre pessoas físicas e jurídicas.
A insatisfação no Congresso com as políticas econômicas do governo vai além do IOF. O presidente da Câmara, Hugo Motta, criticou a alta do imposto, afirmando que o executivo não pode gastar sem controle e depois transferir a responsabilidade ao Congresso. Um grupo forte de parlamentares, sem liderança formal, se formou contra qualquer aumento de impostos, defendendo uma economia aberta e liberal. A reação do Congresso reflete uma resistência crescente a medidas que aumentem a carga tributária, enquanto o governo enfrenta o desafio de equilibrar suas contas sem recorrer a aumentos de impostos.
O governo federal anunciou na última segunda-feira (26) uma importante atualização na composição do Conselho Nacional de Previdência Social, em resposta às recentes investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Esta decisão surge como uma medida necessária após a operação “Sem Desconto”, que revelou irregularidades significativas, incluindo descontos indevidos nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas. A oficialização dessa atualização está programada para ocorrer em uma reunião no Ministério da Previdência Social, marcada para hoje à tarde, às 14h30.
A operação “Sem Desconto“, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União, trouxe à tona a necessidade de uma revisão nos acordos de cooperação técnica com algumas entidades. Como resultado, ofícios já foram enviados às centrais sindicais, informando sobre a substituição dessas entidades no Conselho. Esta ação visa garantir maior transparência e integridade nas operações do INSS, além de restaurar a confiança dos beneficiários no sistema previdenciário.
Além disso, o Ministério da Previdência está considerando uma reformulação mais ampla na composição do Conselho Nacional de Previdência Social. A proposta inclui a redistribuição dos assentos de titulares e suplentes, atualmente ocupados pelo Ministério da Previdência, para outros órgãos governamentais, como a Casa Civil, a Dataprev, o Ministério da Fazenda e o Ministério do Planejamento. De acordo com o ministro da Previdência Social, Vondei Queiroz, essa mudança tem como objetivo melhorar as políticas de previdência e, consequentemente, o funcionamento do órgão, promovendo uma gestão mais eficiente e integrada. Durante a reunião nesta terça-feira, outros temas cruciais também serão abordados, como o processo de apuração e restituição aos segurados afetados pelas fraudes, além das medidas adotadas pelo INSS e pela Dataprev em relação aos empréstimos consignados de aposentados e pensionistas.
Um levantamento recente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) apontou que o número de dias que os brasileiros precisam trabalhar para arcar com impostos mais que dobrou desde os anos 1970. Em 2025, os cidadãos terão que dedicar 149 dias, o que representa 40% do ano, apenas para pagar tributos. Este aumento na carga tributária afeta mais a classe média alta, que recebe acima de R$ 10.000, e precisará trabalhar até 5 de junho para quitar suas obrigações fiscais. Aqueles que ganham até R$ 3.000 trabalharão até 29 de maio, enquanto a classe média, com rendimentos entre R$ 3.000 e R$ 10.000, terá que trabalhar até 22 de maio. Os tributos sobre bens de consumo continuam a ser os mais onerosos, representando 22% da carga tributária, o que equivale a 83 dias de trabalho. O imposto de renda corresponde a 15%, seguido por outros impostos como IPTU e IPVA.
Em São Paulo, o impostômetro, localizado no centro da capital, indica que a arrecadação já ultrapassou R$ 1.606.226.988.832,17 na cidade e mais de R$ 2 trilhões no país. Apesar de o Brasil ter uma carga tributária inferior à de países como Dinamarca e Alemanha, a qualidade dos serviços públicos oferecidos não se equipara ao que é arrecadado, gerando insatisfação entre a população. A carga tributária no Brasil continua a crescer, sem sinais de redução. Recentemente, houve um aumento no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), reforçando a tendência de elevação dos tributos. Em 2003, os brasileiros trabalhavam 33% do ano para pagar impostos, percentual que subiu para 40% em 2025.
O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,36% em maio, informou o IBGE nesta terça-feira (27). O resultado representa desaceleração em relação ao mês anterior, quando o índice havia avançado 0,43%. Em 12 meses, a inflação acumulada é de 5,40%, e no acumulado de 2025 até maio, o índice já soma alta de 2,80%.
A principal pressão de alta no mês veio da energia elétrica residencial, que teve aumento de 1,68%, contribuindo com 0,06 ponto percentual no índice geral. O reajuste está ligado à entrada em vigor da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram aumento de preços. Entre os destaques estão:
No grupo alimentação e bebidas, houve desaceleração: de 1,14% em abril para 0,39% em maio. Produtos como tomate (-7,28%), arroz (-4,31%) e frutas (-1,64%) registraram queda, enquanto batata-inglesa (21,75%) e cebola (6,14%) ficaram mais caras. Já o grupo transportes apresentou queda de 0,29%, impactado principalmente pela redução de 11,18% nas passagens aéreas.
Também contribuíram para a queda as tarifas de ônibus urbano, com destaque para as políticas de tarifa zero aos domingos e feriados em Brasília (-17,20%) e Belém (-11,44%). Em Curitiba, houve queda de 4,49% no transporte urbano. Por outro lado, os combustíveis voltaram a subir: o etanol aumentou 0,54% e a gasolina, 0,14%. Todas as regiões pesquisadas apresentaram alta. A maior variação foi em Goiânia (0,79%), impulsionada pela alta de 11,84% no etanol e 4,11% na gasolina. A menor foi registrada em Curitiba (0,18%), devido à queda nos preços de passagens aéreas e frutas.
O IPCA-15 usa a mesma metodologia do índice oficial (IPCA), mas com um período diferente de coleta: neste caso, de 15 de abril a 15 de maio. A pesquisa cobre famílias com rendimento de 1 a 40 salários-mínimos, em 11 regiões metropolitanas, além de Goiânia e Brasília. A próxima divulgação, referente a junho, será feita em 26 de junho.
A suspensão da importação de carne de frango do Brasil por vários países, em razão dos casos de gripe aviária, deve trazer alívio inflacionário de curto prazo. A perspectiva é de um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre 0,05 e 0,10 ponto porcentual mais baixo nos próximos meses do que o inicialmente previsto. Segundo analistas, quando houver a retomada das exportações, deve ocorrer o efeito “rebote” nos preços de carne de frango e por isso o efeito líquido dos casos de gripe aviária para a inflação tende a ser nulo no longo prazo. O Brasil registrou o primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul, há exatamente uma semana, no dia 16. Segundo levantamento do Ministério da Agricultura divulgado a exportação de carne de frango produzida pelo País está suspensa para 20 destinos.
O economista da Quantitas João Fernandes estima um impacto baixista de cerca de 0,10 ponto para a inflação, diluído nas três próximas leituras do IPCA. “É um efeito direto no preço das aves, mas também indireto via outras proteínas, como a de carne bovina e principalmente ovo”. explica. Fernandes destaca, porém, que no longo prazo o efeito tende a ser neutro, à medida que as exportações sejam normalizadas. “De qualquer forma é um cenário incerto”, reforça. Já o Bradesco trabalha com um impacto desinflacionário mais brando, de 0,06 ponto para o IPCA cheio nos próximos meses. Apenas para a inflação de alimentos, o alívio deve ser de 0,4 ponto, diluído nas próximas leituras do IPCA, calculam os profissionais do banco.
A Warren Investimentos trabalha com um impacto baixista entre 0,05 ponto e 0,10 ponto nas próximas leituras do IPCA, também levando em consideração um cenário em que as suspensões à compra das aves brasileiras são desfeitas em 60 dias. “Neste período, os preços devem recuar moderadamente. Visto que não há como reduzir a produção agora, o abate vai acontecer, mesmo havendo estoques, alguma oferta adicional será disponibilizada no mercado doméstico”, detalhou a Warren, em relatório.
Na LCA 4intelligence, houve revisão para baixo na projeção para o IPCA de junho, de 0,47% para 0,41%. A consultoria considerou, em relatório, que a restrição nas exportações deve ampliar a oferta doméstica de aves e também de ovos, puxando o preço desses itens para baixo. “O efeito-substituição sinaliza que tamanho evento poderá impactar também na precificação do boi gordo”, acrescentam.
A diretora de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central, Izabela Correa, disse nesta segunda-feira (26), que o DIN, chatbot da autarquia, vai passar a usar inteligência artificial (IA) ainda este ano, para ampliar os assuntos dos quais pode tratar com os cidadãos. “É uma solução que está sendo adotada em diversos serviços, em toda a administração, no setor público e no setor privado”, disse a diretora, em uma entrevista coletiva para comentar novos serviços financeiros ao cidadão.
Hoje, o DIN serve como um canal de autosserviço, que pode ser um primeiro acesso da população com a autarquia. Só em 2024, o chatbot fez mais de 59 mil atendimentos por mês, disse Izabela. Ela acrescentou que, em 2026, o BC planeja lançar uma nova versão da Calculadora do Cidadão. A ferramenta serve para corrigir valores pela inflação ou taxa Selic acumulada em um determinado período, por exemplo.
O governo federal deu início ao processo de ressarcimento para os beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que sofreram descontos indevidos em suas folhas de pagamento no mês de abril. Esta medida tem como objetivo devolver um total de R$ 292 milhões aos aposentados e pensionistas que foram afetados por essa irregularidade. O processo de restituição será realizado de forma automática, sem a necessidade de qualquer ação por parte dos beneficiários. A data exata para o ressarcimento dependerá do valor do benefício e do número do cartão de cada beneficiário.
Em um movimento paralelo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, abordou a questão dos descontos indevidos que ocorreram entre os anos de 2019 e 2024. De acordo com o ministro, o valor total a ser restituído pode variar entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões. No entanto, os cálculos finais ainda estão em andamento e devem ser divulgados nas próximas semanas. Após a definição do montante exato, a equipe jurídica do governo se reunirá para determinar as fontes de recursos que serão utilizadas para efetuar esses ressarcimentos.
A fraude que resultou nos descontos indevidos nos pagamentos de aposentados e pensionistas foi revelada em abril pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União. Desde então, o governo tem se empenhado em corrigir essa situação e garantir que os valores sejam devidamente devolvidos aos beneficiários afetados. As declarações do ministro Haddad reforçam o compromisso do governo em resolver a questão de forma transparente e eficaz, assegurando que os direitos dos aposentados e pensionistas sejam respeitados.
O ressarcimento dos valores indevidamente descontados é uma medida importante para restaurar a confiança dos beneficiários no sistema previdenciário. O governo federal está determinado a tomar todas as medidas necessárias para evitar que fraudes semelhantes ocorram no futuro, garantindo a integridade e a segurança dos pagamentos realizados pelo INSS. A expectativa é que, com a devolução dos valores, os aposentados e pensionistas possam ter maior tranquilidade financeira e confiança no sistema de previdência social do país.
O Banco Central vai permitir que cidadãos saibam se as suas chaves Pix foram marcadas como fraudulentas por instituições financeiras. Nesta segunda-feira (26), a diretora de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta, Izabela Correa, disse que essas informações serão disponibilizadas no Registrato a partir do ano que vem. As instituições financeiras fazem “marcações” em chaves Pix suspeitas de fraudes, que podem ser originadas, por exemplo, a partir de uma notificação de infração no sistema. Apenas no ano passado, houve 1,223 milhão de marcações, como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) a partir de dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Em uma entrevista coletiva para comentar o lançamento de novos serviços ao cidadão, o chefe do departamento de Atendimento Institucional do BC, Carlos Eduardo Gomes, explicou que o Registrato não vai incluir a razão da marcação. Mas o cidadão que quiser os detalhes vai poder entrar em contato com a IF responsável, ele disse. “A gente vai ter um relatório sobre essa informação, a informação é que a chave está marcada. Como você vai ter a instituição que marcou e a informação que ela está marcada, caberá ao cidadão se dirigir à instituição financeira que entendeu que motivou a marcação da chave”, ele disse.
No ano passado, 459.578 chaves Pix (38% do total) foram marcadas como “scammer account”, quando a conta usada para receber recursos provenientes de fraude está no nome do próprio fraudador. Outras 328.945 (27%) foram marcadas como contas-laranja, e 422.932 (35%), por outros tipos de fraude. A diretora do BC, por sua vez, disse que a autarquia não tem estatísticas de números de abertura fraudulenta de contas, mas espera que outro serviço anunciado nesta segunda-feira – um sistema que permite a cidadãos proibir a abertura de novas contas no seu nome – deve reduzir o número total de fraudes.
“Nós não temos essa estatística, mas a gente sabe que existe uma série de formas de fraudes, a gente acompanha isso, e aqui a gente espera que a gente esteja, então, mitigando mais o uso dessas formas”, disse Izabela. Além da marcação de chaves Pix, o Registrato também deve disponibilizar, a partir de 2026, informações sobre consórcios e autorizações no Open Finance.
O desconforto com o anúncio na quinta-feira (22) à noite das medidas que alteram alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), embora parte delas tenha sido revertida, continuou a reverberar no mercado de câmbio local na sessão desta sexta-feira (23). O aumento do imposto acabou ofuscando o congelamento de R$ 31,3 bilhões no Orçamento de 2025, acima do esperado pelos investidores.
Apesar da onda global de enfraquecimento da moeda norte-americana, na esteira de medidas e ameaças protecionistas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à União Europeia (alíquota de 50% a partir de junho) e à Apple, o dólar à vista operou em alta em maior parte do pregão, em especial nas primeiras hora de negócios, quanto tocou máxima a R$ 5,7452. Tratava-se de um ajuste ao avanço do dólar futuro para junho na quinta à noite em reação ao anúncio do IOF, quando o mercado spot já estava fechado.
Ao longo da tarde, com ajustes intraday e aprofundamento da queda da divisa lá fora, o dólar foi perdendo força, até que virou para o campo negativo faltando praticamente uma hora para o fim do pregão. Com mínima a R$ 5,6460, fechou negociado a R$ 5,6470, em queda de 0,25%. A divisa termina a semana com perdas de 0,40%, o que leva o recuo acumulado em maio a 0,52%. No ano, o dólar perde 8,63%.
Na quinta, após o anúncio da contenção de R$ 31,3 bilhões no Orçamento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se esquivou de tratar do aumento do IOF, prometendo anunciar as medidas às 17 horas. Isso levou a uma deterioração dos ativos locais, com o dólar passando a subir. A equipe do ministério da Fazenda anunciou em seguida alteração nas alíquotas do IOF para seguros, crédito para empresas, cartão de crédito e débito internacional, compras de moedas em espécie, remessas ao exterior e empréstimo externo de curto prazo.
Foi anunciada incidência de imposto sobre transferências para aplicação a fundos no exterior, mas a Fazenda voltou atrás ainda na quinta-feira. Também houve recuo na intenção de aumentar a alíquota para remessas por pessoas físicas destinadas a investimentos. Além dos ruídos provocados pela dinâmica adotada pela Fazenda, que preferiu separar a divulgação da contenção de gastos do aumento do IOF, houve desconforto com o fato de o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, não ter sido informado previamente – fato confirmado por Haddad e pelo próprio Galípolo, em evento nesta sexta à tarde.
Após ter perdido na mínima do dia, pela manhã, o patamar dos 135 mil pontos, o Ibovespa se firmou no campo positivo à tarde, na contramão do ajuste de Nova York, onde voltaram a prevalecer temores em relação a iniciativas tarifárias do governo Donald Trump. Por aqui, após recuo parcial da equipe econômica em relação ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) – anunciado por rede social ainda na madrugada -, o Ibovespa lutou e conseguiu subir 0,40%, aos 137.824,29 pontos, na máxima do dia no fechamento, com giro a R$ 20,9 bilhões nesta sexta-feira (23).
Na semana, caiu 0,98%, no que foi seu primeiro revés desde o começo de abril, tendo acumulado ganhos sem quebras no intervalo iniciado em 7 de abril – o correspondente a seis semanas consecutivas. Nesse contexto, as bolsas da Europa fecharam em forte queda nesta sexta-feira, pressionadas pela escalada nas tensões comerciais entre Estados Unidos e União Europeia. O movimento veio após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recomendar a imposição de uma tarifa fixa de 50% sobre produtos europeus a partir de 1º de junho.
Em Nova York, o dia também foi pautado pela aversão a risco, com rendimentos dos Treasuries em baixa e os principais índices de ações mostrando perdas entre 0,61% (Dow Jones) e 1,00% (Nasdaq) no fechamento. Aqui, o dólar à vista fechou em baixa de 0,25%, a R$ 5,6470.
As críticas à forma como a equipe econômica anunciou, na quinta-feira, um congelamento bilionário de gastos em paralelo a um novo aumento de impostos, revertido parcialmente em questão de horas, também foram ouvidas em Wall Street, reporta de Nova York a correspondente Aline Bronzati.
A equipe econômica surpreendeu o mercado positivamente na quinta à tarde ao anunciar um congelamento da ordem de R$ 31 bilhões no orçamento deste ano, bem acima das previsões mais otimistas em Wall Street como também na Faria Lima. Mas o efeito favorável na percepção dos investidores acabou sendo neutralizado pelo aumento do IOF, anunciado logo na sequência.
Contudo, após ter fechado na quinta em baixa de 0,44% e de, a partir de então, métricas como o Ibovespa Futuro e o EWZ terem sinalizado uma sexta-feira que parecia bem mais difícil, este dia seguinte ao que seria mais uma derrapada definida no governo acabou se mostrando relativamente mais brando do que se chegou a temer, em especial do meio para o fim da tarde. No pior momento, o Ibovespa foi nesta sexta aos 134.997,30 pontos, mas se estabilizou acima dos 137 mil pontos, tendo alcançado a máxima do dia no fechamento, saindo de abertura aos 137.272,59 pontos. No mês, sobe 2,04% e, no ano, avança 14,58%.
Do meio para o fim da tarde desta sexta, as ações dos grandes bancos reagiram, à exceção mais uma vez de Banco do Brasil (ON -2,51%, na mínima do dia no fechamento). Por outro lado, o principal papel do setor, Itaú PN (+1,21%), e Santander (Unit +0,84%) fecharam o dia nas respectivas máximas da sessão, com Bradesco também mostrando bom desempenho na ON (+0,82%) e na PN (+1,23%).
O fechamento foi positivo também para Vale (ON +0,17%) e Petrobras (ON +0,15%; PN +0,22%, na máxima do dia no encerramento). Na ponta ganhadora do Ibovespa na sessão, Braskem (+9,15%), Raízen (+7,00%) e Direcional (+4,53%). No lado oposto, Azzas (-6,07%), Magazine Luiza (-4,96%) e Vamos (-3,06%). Entre os participantes, as projeções de alta, queda e estabilidade para o Ibovespa na próxima semana têm fatia de 33,33%, cada. Na pesquisa da semana passada, 40% esperavam ganhos e outros 40%, perdas para o índice, enquanto a previsão era de variação neutra para 20,00%.
A Petrobras confirmou na noite desta sexta-feira (23) a saída do diretor de Transição Energética e Sustentabilidade, Mauricio Tolmasquim. Referência em assuntos ligados a energia e transição energética, ele estava na empresa desde 2023 e ficará no cargo até a próxima terça-feira (27), quando deixará a estatal para assumir a função de conselheiro da Eletrobras, empresa privada do setor elétrico. Tolmasquim comunicou a Petrobras há dois meses que havia sido indicado para uma vaga no conselho de administração da Eletrobras, em eleição que ocorreria no fim de abril. Na ocasião, a Petrobras informou que avaliaria se havia risco de conflito de interesses, uma vez que tanto Eletrobras e Petrobras atuam no setor de energia. Uma das últimas ações de Tolmasquim à frente da diretoria de Sustentabilidade da Petrobras foi a elaboração da versão atualizada do Caderno de Mudança do Clima, divulgado nesta sexta-feira. Quem assumirá o lugar de diretor de Transição Energética e Sustentabilidade será o diretor executivo de Processos Industriais e Produtos, William França.
