
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou nesta terça-feira (24) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o órgão pode iniciar o ressarcimento dos descontos irregulares nos benefícios de aposentados e pensionistas no dia 24 de julho. A proposta foi apresentada durante audiência de conciliação convocada pela Corte para tratar do assunto. De acordo com a proposta, os pagamentos seriam feitos de 15 em 15 dias, a partir da data inicial. Cada lote deve contar com o ressarcimento de 1,5 milhão de beneficiários. Os valores serão corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação.
De acordo com o presidente do INSS, Gilberto Waller, o calendário de pagamento dependerá da validação do ministro Dias Toffoli, relator da ação que trata dos descontos no STF. “A gente tem várias situações que poderiam gerar dúvidas em uma judicialização, como índices de correção, prazo prescricional, responsabilização por dano moral do INSS. A gente precisava de uma peça que pudesse ter um grande acordo, para ter uma solução definitiva para os aposentados e pensionistas”, afirmou.
O presidente do instituto também garantiu que o INSS vai fazer a devolução integral dos valores descontados. “A nossa ideia é que, de maneira rápida e célere, venha a fazer o ressarcimento de todos de maneira integral”, completou. Segundo o INSS, cerca de 3,4 milhões de aposentados reconheceram os descontos irregulares após serem notificados pelo instituto para se manifestarem sobre as irregularidades.
A audiência de conciliação foi convocada no âmbito da ação protocolada pela Advocacia-Geral da União (AGU) para solicitar que o ressarcimento seja avaliado pelo Supremo. Na semana passada, Dias Toffoli determinou a suspensão da prescrição das ações protocoladas na Justiça em busca do ressarcimento. A decisão vale para todas pretensões indenizatórias de aposentados e pensionistas que foram lesados pelos descontos indevidos.
Contudo, o ministro deixou de analisar os pedidos da AGU para abertura de crédito extraordinário no orçamento para viabilizar o ressarcimento e a exclusão dos valores do teto de gastos da União para os anos de 2025 e 2026. A suspensão nacional das ações que tratam do pagamento também não foi analisada. Segundo Toffoli, os requerimentos serão analisados no decorrer da tramitação da ação que trata da questão no Supremo.
Até o momento, a Justiça Federal já bloqueou R$ 2,8 bilhões em bens de empresas e investigados envolvidos nas fraudes em descontos irregulares nos benefícios. As fraudes são investigadas na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um esquema nacional de descontos de mensalidades associativas não autorizadas. Estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões foram descontados de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.
O Irã fez a primeira retaliação aos ataques dos Estados Unidos contra as instalações nucleares – Fordow, Natanz e Isfahan -, mas não foi uma resposta armamentista, pelo contrário, foi econômica. Isso porque o Parlamento do Irã solicitou, neste domingo (22), o fechamento do estreito de Ormuz, por onde transita 20% do tráfego mundial de petróleo por via marítima. A decisão, contudo, ainda não está valendo, pois depende da aprovação do Conselho Supremo de Segurança Nacional, órgão composto pelo presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, diversos ministros, três representantes do líder supremo e figuras das forças de segurança do país. Em entrevista a televisão estatal “Press TV”, o general Esmaeil Kousari, membro do Comitê de Segurança do Parlamento, afirmou que a câmara “alcançou um consenso” para bloquear o estratégico Estreito de Ormuz. Não ficou claro se a decisão de fechar a importante passagem marítima foi tomada por todo o Parlamento ou apenas pelo comitê do qual Kousari faz parte.
Cerca de 20% do petróleo mundial circula pelo estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita entre Irã e Omã, que as autoridades iranianas já ameaçaram várias vezes bloqueá-lo em resposta a tensões com os Estados Unidos e outras nações ocidentais. Desde sexta-feira (20), o preço do petróleo já registrava forte alta, com um salto de 8%. O barril tipo Brent, que é tido como referência globa, por exemplo, subiu 13,5%. Saiu de US$ 69,36 no dia 12 de junho, para US$ 78,74 no dia 19. Já o WTI, referência dos Estados Unidos, teve aumento de 10,9%, saltando de US$ 66,64 para US$ 73,88. Apesar de ficar entre o Irã e o Omã, são os Estados Unidos que são os responsáveis por proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz. A região é monitorada pela 5ª Frota da Marinha americana, com base no Bahrein.
Conhecido do a artéria do trânsito mundial de petróleo, Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico (ao norte) com o Golfo de Omã (ao sul), e “deságua” no Mar da Arábia, e cerca de um quinto de todo o consumo mundial passa pelo estreito. Só do início de 2022 até maio deste ano, aproximadamente 17,8 a 20,8 milhões de barris por dia de petróleo bruto. Ormuz tem 33 km de largura, com canais de navegação de apenas 3 km em cada direção. Quando o conflito se escalou e o preço do petróleo subia, os analistas disseram que “os países da Opep+ dispõem de uma capacidade de produção de reserva considerável, estimada pela AIE em 5,5 milhões de barris por dia” que poderia permitir-lhes “compensar a perda de fornecimento de petróleo iraniano, mas não um bloqueio do estreito de Ormuz”.
Israel e Irã têm trocado ataques diários com mísseis e drones desde a madrugada do último dia 13, quando o Estado judeu lançou bombardeios contra instalações militares e nucleares iranianas, resultando na morte de vários altos comandantes militares. A situação escalou com os os EUA bombardeando, na madrugada deste domingo, noite de sábado no horário de Brasília, três instalações nucleares iranianas: Fordow, Natanz e Isfahan, nesses que são os primeiros bombardeios americanos em meio ao conflito entre Israel e Irã.
A ação deixou a tensão ainda maior e, somente neste domingo, foram registrados ataques israelenses contra dois alvos militares na província de Bushehr, que abriga a única usina nuclear iraniana, e uma usina elétrica em Yazd, enquanto que em Isfahan, foram ativados os sistemas de defesa com o objetivo de interceptar alvos hostis na região. O Estado judeu tem atacado instalações militares, civis e nucleares, além de hospitais e áreas residenciais. Nesses ataques, 430 pessoas morreram e cerca de 3,5 mil ficaram feridas, a maioria civis no Irã, enquanto em Israel foram registrados 24 falecimentos.
A Apple enfrenta uma ação coletiva movida por acionistas que a acusam de subestimar o tempo necessário para integrar inteligência artificial à sua assistente de voz, a Siri. Essa situação, segundo os reclamantes, impactou negativamente as vendas do iPhone e o valor de suas ações. A queixa envolve investidores que alegam ter sofrido perdas significativas, que podem chegar a centenas de bilhões de dólares, no período que se encerrou em 9 de junho. Os acionistas, sob a liderança de Eric Tucker, sustentam que a empresa os fez acreditar que a inteligência artificial seria um elemento crucial para o lançamento do iPhone 16. No entanto, eles afirmam que a Apple não apresentou um protótipo funcional que demonstrasse as capacidades da Siri com base em IA. A insatisfação começou a se manifestar em 7 de março, quando a companhia anunciou o adiamento de algumas atualizações da assistente para 2026.
A situação se agravou durante a Conferência Mundial de Desenvolvedores (WWDC) deste ano, onde a avaliação da Apple sobre seu progresso em inteligência artificial não atendeu às expectativas dos analistas. Essa percepção negativa sobre o desenvolvimento da IA contribuiu para a desvalorização das ações da empresa, que já perderam quase 25% de seu valor desde o pico histórico registrado em 26 de dezembro de 2024. Como resultado dessa queda, a Apple viu seu valor de mercado encolher em cerca de US$ 900 bilhões. A ação coletiva reflete a frustração dos acionistas com a falta de transparência e a expectativa não cumprida em relação às inovações prometidas pela gigante da tecnologia.
O Federal Reserve (Fed) divulgou um relatório de política monetária ao Congresso dos Estados Unidos, que revela uma moderação na inflação ao longo deste ano, embora os índices ainda permaneçam elevados. O documento ressalta que o aumento das tarifas sobre importações tem contribuído para a elevação dos preços de determinados bens de consumo. O mercado de trabalho nos EUA apresenta sinais positivos, com uma criação moderada de empregos e uma taxa de desemprego baixa. No entanto, o Fed alerta que os impactos das tarifas sobre os preços ao consumidor são incertos, uma vez que a política comercial está em constante mudança.
As expectativas de inflação para o curto prazo mostraram um aumento, enquanto as projeções de longo prazo continuam alinhadas com a meta de 2% estabelecida pelo Fed. A instituição financeira se posiciona para aguardar mais informações que possam esclarecer as perspectivas de inflação e a atividade econômica no país. No primeiro trimestre, o crescimento do PIB real apresentou uma desaceleração, refletindo uma demanda doméstica final privada moderada. Além disso, as medidas de confiança tanto das famílias quanto das empresas caíram, influenciadas por preocupações relacionadas às tarifas e incertezas no cenário econômico.
O Fed também tomou a decisão de reduzir suas participações em Treasuries e títulos lastreados em hipotecas, diminuindo o ritmo dessa redução para garantir uma transição mais suave em relação aos saldos de reservas. A liquidez no mercado de Treasuries caiu para níveis que não eram observados desde o início de 2023.
O dólar ganhou força no mercado local ao longo da tarde desta sexta (20) e fechou em alta de 0,44%, cotado a R$ 5,5249, após atingir a máxima de R$ 5,5274. Apesar da alta de hoje, o dólar encerra a semana com perdas de 0,30%, o que leva a desvalorização acumulada em junho a 3,40%. Os operadores não identificaram um gatilho específico para a alta do dólar nesta sexta-feira, mas mencionaram ajustes após o rali recente do real e uma postura mais defensiva por parte dos investidores na véspera do fim de semana. Há temores de escalada do conflito entre Irã e Israel, que trocaram acusações em reunião com o Conselho de Segurança da ONU. A Casa Branca informou, pela manhã, que Donald Trump tomará uma decisão sobre o envolvimento dos EUA nas “próximas duas semanas”, informação reiterada pelo presidente americano à tarde. “Não podemos deixar o Irã ter arma nuclear”, afirmou Trump.
A desvalorização do real ocorreu em meio ao fortalecimento da moeda americana no exterior em relação a divisas emergentes e de países exportadores de commodities, especialmente o peso mexicano. Contudo, enquanto o dólar subiu em relação à maioria das divisas emergentes e de países exportadores de commodities, ele caiu em relação ao euro, levando o índice DXY a fechar em queda de 0,20%, na casa dos 98,700 pontos. Na semana, Dollar Index subiu quase 0,70%. Dirigentes do Fed mostraram visões distintas hoje sobre o rumo da política monetária. O diretor Christopher Waller disse que a instituição está “em um bom lugar para começar a conversar sobre cortes de juros”. Já o presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin, afirmou que não há pressa em afrouxar a política monetária, dado que o risco de repique da inflação em razão das tarifas comerciais não foi dissipado.
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, fez um alerta sobre os impactos dos aumentos tarifários implementados pelo governo dos Estados Unidos. Segundo ele, essas medidas podem resultar em um aumento da inflação no curto prazo, o que representa um risco significativo para a estabilidade dos preços. “As expectativas de inflação de curto prazo subiram. As tarifas são um fator relevante”, afirmou ele, em coletiva de imprensa após decisão de política monetária. “Os efeitos das tarifas vão depender do nível, mas aumentos neste ano provavelmente pesarão sobre atividade econômica e empurrarão a inflação para cima.”
Powell alertou que esses efeitos podem ser “mais persistentes”, e que a obrigação do Fed é evitar que “um aumento pontual de preços se transforme em um problema inflacionário contínuo”. Para isso, segundo ele, é essencial preservar a confiança nos rumos da política monetária. “Evitar uma inflação persistente depende, em última instância, de manter bem ancoradas as expectativas de inflação de longo prazo.”
O presidente do Fed reconheceu que a inflação “tem rodado um pouco acima da meta de 2%” e que “as expectativas de inflação subiram recentemente”. Apesar das incertezas, Powell afirmou que a economia americana segue sólida e que as condições do mercado de trabalho permaneceram firmes. “O desemprego tem se mantido em uma faixa estreita e baixa, e um amplo conjunto de indicadores é consistente com o pleno emprego”, disse. Ele afastou pressões salariais como foco de preocupação: “O mercado de trabalho não é uma fonte de pressão inflacionária.”
Powell, contudo, reconheceu que o cenário é desafiador. “As projeções dos formuladores de política do Fed estão sujeitas a incertezas, que estão extraordinariamente elevadas neste momento “. Ainda assim, segundo ele, “a atual postura da política monetária está bem posicionada para reagir”.
O presidente do Federal Reserve afirmou que os efeitos dos aumentos tarifários promovidos pelo governo dos EUA já começam a ser sentidos e devem se intensificar nos próximos meses. A declaração foi feita em coletiva de imprensa após a decisão de política monetária. Segundo o presidente do Fed, “leva tempo para que as tarifas cheguem até o consumidor final”, mas o BC americano já observa pressão nos preços de bens e que espera “ver mais disso no verão” do Hemisfério Norte.
Powell destacou que a magnitude e a duração do impacto ainda são difíceis de estimar. “O tamanho, a quantidade e a duração das tarifas são altamente incertos”, afirmou. “Estamos nos adaptando em tempo real às estimativas de quão altas essas tarifas serão “. Apesar disso, o presidente do Fed disse que houve progresso no combate à inflação, atribuindo parte disso a uma desaceleração no setor de habitação. “Estamos bem posicionados, por ora, para esperar e aprender mais antes de considerar ajustes na política monetária”, disse ele. Segundo Powell, as projeções do Fed estão mais confiáveis no curto prazo. “É difícil fazer previsões de mais longo prazo. O foco deve estar no horizonte mais próximo.”
O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, disse que o ressarcimento aos aposentados que foram vítimas de descontos indevidos nos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) será pago em parcela única. Na próxima terça-feira (24), o Supremo Tribunal Federal (STF) vai realizar audiência de conciliação sobre o tema.
“Nós teremos condições, uma vez que cheguemos a bom termo, de apresentar pelo INSS um calendário de pagamento, e a ideia é que pagamento ocorra ainda neste ano, em parcela única, de forma muito simplificada aos aposentados e pensionistas”, reforçou Messias em live realizada pela AGU e pelo INSS para tirar dúvidas sobre o ressarcimento.
Messias também fez um apelo aos aposentados para que não entrem na Justiça para pedir o ressarcimento. “Nós queremos pagar”, reforçou. Ele pediu aos advogados para que orientem seus clientes a buscarem a via administrativa. A AGU estima que já foram ajuizadas 69 mil ações contra a União pedindo indenização, e em 17 mil o resultado foi desfavorável ao governo. “Temos visto anúncios, links com planos miraculosos, propostas mirabolantes, para que esses aposentados recebam valores em reais, e isso tem levado muitos aposentados a caírem em golpes, antecipando valores que eles nunca vão receber, afirmou.
O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller, esclareceu nesta quarta-feira (18), que todos os aposentados e pensionistas que foram vítimas de descontos indevidos nos benefícios serão ressarcidos no mesmo período, ou seja, não haverá uma lista de prioridades. A ideia é que, em um único mês, dois lotes sejam pagos, um a cada 15 dias.
“Todos serão ressarcidos igualmente no mesmo período. Não terá lista de priorização. Aqueles que estiverem na mesma situação, na comprovação de serem lesados, serão pagos integralmente, corrigido esse valor, e de uma única vez. A nossa ideia é que a gente faça pagamento o quanto antes. O planejado hoje é que soltemos calendário para pagamento em lotes, a cada 15 dias. Em um único mês, dois lotes de beneficiários serão pagos”, disse Waller em live realizada pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pelo INSS para tirar dúvidas sobre o ressarcimento.
O Brasil passou a ocupar a segunda posição no ranking mundial de juros reais — taxa de juros descontada a inflação — após o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) elevar, nesta quarta-feira (18), a taxa básica (Selic) de 14,75% para 15% ao ano. A decisão, unânime, representa a sétima alta consecutiva e levou os juros ao maior patamar desde julho de 2006. Com a elevação, o juro real brasileiro subiu para 9,53% ao ano, superando países como Rússia (7,63%), Argentina (6,70%) e África do Sul (5,54%), segundo levantamento da MoneYou e da Lev Intelligence, que considerou dados de 40 países.
A Turquia lidera o ranking com 14,44% de juros reais. A taxa brasileira é resultado da combinação entre a Selic projetada e a inflação esperada para os próximos 12 meses, atualmente estimada em 5,25% pelo Boletim Focus.
A taxa de 15% ao ano é a mais alta desde julho de 2006, quando estava em 15,25%. O ciclo atual de alta teve início em setembro de 2024, ainda sob a presidência de Roberto Campos Neto, e acumula uma elevação de 4,5 pontos percentuais em nove meses. No comunicado divulgado após a reunião, o Copom indicou que deve encerrar o ciclo de altas no próximo encontro, previsto para os dias 29 e 30 de julho. O BC hoje é comandado por Gabriel Galípolo, que foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O comitê avalia manter os juros em um nível “significativamente contracionista” por um período prolongado, para garantir a convergência da inflação à meta estabelecida — de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Apesar disso, o colegiado deixou aberta a possibilidade de novas altas, caso os dados econômicos justifiquem. Segundo o BC, a inflação segue resistente, impulsionada por uma atividade econômica aquecida e por um mercado de trabalho ainda pressionado.
Ambiente externo incerto e preocupações fiscais
O Copom também chamou atenção para o cenário internacional, que considera “adverso e incerto”. Entre os fatores de risco, citou o impacto da política econômica dos Estados Unidos e o acirramento de tensões geopolíticas, como o conflito no Oriente Médio. O comitê destacou ainda a volatilidade dos ativos financeiros e o risco de desaceleração global.
Internamente, as projeções de inflação continuam elevadas. A expectativa para 2026, ano de referência da política monetária atual, está em 3,6%. Já para 2027, o mercado prevê inflação de 4% — acima do centro da meta. O Copom também alertou para os riscos fiscais, afirmando que segue atento aos efeitos das políticas públicas sobre a inflação e os mercados.
A partir desta segunda-feira (16), aposentados e pensionistas que contestaram a cobrança de mensalidades associativas em seus benefícios previdenciários poderão verificar as respostas das associações e sindicatos nas agências dos Correios. Essas entidades receberam os valores descontados com a autorização do INSS e agora devem prestar contas aos reclamantes.
Para aqueles que já apresentaram suas contestações e preferem não utilizar o aplicativo Meu INSS, o atendimento presencial nas agências dos Correios se torna uma opção viável. Desde o dia 9, as respostas começaram a ser disponibilizadas no aplicativo, mas o atendimento físico oferece a possibilidade de acompanhar os resultados, consultar descontos e receber orientações sobre como proceder.
As associações e sindicatos têm um prazo de 15 dias úteis para responder às contestações feitas pelos beneficiários. Caso não apresentem a documentação que comprove a autorização dos descontos, o INSS dará início a um processo de cobrança para a devolução dos valores que foram descontados de forma indevida. Os reclamantes devem acompanhar o progresso de suas contestações pelo Meu INSS ou pela Central 135.
Se a entidade responder dentro do prazo estipulado, o aposentado ou pensionista terá 30 dias para se manifestar sobre as alegações apresentadas. Essa manifestação pode ser realizada tanto pelo aplicativo quanto pessoalmente nas agências dos Correios. É importante ressaltar que a visualização da documentação completa só pode ser feita por meio do Meu INSS ou em uma unidade dos Correios, não sendo possível acessá-la por telefone.
Usuários de plataformas digitais têm expressado insatisfação em relação a falhas no sistema de pagamentos Pix da Caixa Econômica. Diversos relatos indicam que, embora os valores sejam debitados das contas de origem, eles não estão sendo creditados nas contas de destino. O início dos problemas foi identificado no domingo (15), e muitos clientes afirmam que os valores não foram restituídos, enquanto outros mencionam que suas transações foram rejeitadas.
O site Downdetector, que monitora interrupções em serviços online, registrou um aumento considerável nas queixas relacionadas à Caixa, com foco especial nas transações via Pix.
Apenas 31% dos 5 milhões de pedidos de devolução relacionados a transferências fraudulentas via Pix foram aceitos, resultando em menos de 7% do valor desviado recuperado pelo Banco Central. Até o momento, foram devolvidos R$ 459 milhões de um total de R$ 6,98 bilhões. O principal desafio enfrentado pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) é que o BC rastreia apenas a primeira conta que recebeu o dinheiro, enquanto as quadrilhas costumam dispersar os valores rapidamente. Em 2024, a maior parte das quase 3,5 milhões de solicitações negadas pelo BC, cerca de 86%, ocorreu devido à falta de saldo na conta que recebeu a transferência. Para melhorar esse cenário, o Banco Central está introduzindo um sistema de “autoatendimento” no MED, que permitirá que os usuários do Pix façam contestações diretamente por meio dos aplicativos bancários.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, destacou que a nova ferramenta tornará o processo de contestação mais simples e acessível. Atualmente, apenas as instituições participantes do sistema Pix podem notificar o BC sobre problemas, o que prolonga o tempo de resposta às solicitações. As instituições financeiras têm até 1º de outubro para implementar essa nova funcionalidade. O Bradesco já atualizou seu sistema, permitindo que os clientes contestem diretamente pelo extrato. Marcos Cavagnoli, diretor de produtos de pagamento do banco, ressaltou que a ampliação do rastreamento no MED facilitará a identificação e combate a fraudes.
Luiz Henrique Sá, diretor da fintech Dock, acredita que a versão 2.0 do MED pode aumentar a taxa de aceitação das solicitações para até 80%. No entanto, ele alerta que ainda haverá perdas financeiras devido às estratégias utilizadas pelos criminosos. O MED é aplicável apenas em casos de fraudes ou falhas técnicas das instituições financeiras. O Banco Central determina que, ao contestar um Pix, os bancos devem esclarecer as regras e etapas do processo, além de informar o prazo máximo para a devolução. Os clientes devem ser questionados sobre o tipo de golpe que sofreram, com opções de resposta definidas pelo BC. Além disso, as instituições financeiras devem fornecer informações como o número do protocolo da solicitação e o prazo máximo para resposta.
O dólar abriu a semana em queda firme no mercado local, alinhado à onda de enfraquecimento da moeda americana no exterior. A perspectiva de que o confronto entre Israel e Irã possa não se estender e ficar circunscrito entre os dois países, sem envolvimento direto dos Estados Unidos, diminuiu a aversão ao risco no exterior, abrindo espaço para recuperação de mercados acionários e divisas emergentes.
Operadores também citaram dados positivos da economia chinesa – varejo e indústria – e o possível desenlace das decisões de política monetária no Brasil e nos EUA na quarta-feira (18), com manutenção de amplo diferencial de juros interno e externo, como pontos favoráveis ao recuo do dólar. O real apresentou o melhor desempenho entre as divisas latino-americanas. Considerando as moedas mais líquidas, ficou atrás apenas do rublo russo e do novo shekel israelense.
Com mínima a R$ 5,4856 na reta final dos negócios, o dólar à vista encerrou a sessão desta segunda-feira (16), em queda de 1,00%, a R$ 5,4861 – menor valor de fechamento desde 7 de outubro (R$ 5,4859). Após o escorregão desta segunda, a moeda americana passa a recuar 4,08% em junho, o que leva as perdas acumuladas no ano a 11,23%.
À tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã precisa “negociar o mais rápido possível antes que seja tarde demais”. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que o país não busca intensificar o conflito, mas prometeu reagir a agressões israelenses. Já o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, disse ter comunicado à chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, que a ofensiva contra o Irã ainda não acabou.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY caía cerca de 0,05% no fim da tarde, abaixo dos 98,100 pontos, após mínima aos 97,685. A moeda americana ganhou força, contudo, em relação ao franco suíço e ao iene, o que sugere menor aversão ao risco. As cotações do petróleo recuaram, com o contrato do Brent para agosto encerrando em baixa de 1,35%, a US$ 73,23 o barril.
Entre os indicadores americanos, destaque para a queda do índice de atividade industrial Empire State, que mede as condições manufatureiras no Estado de Nova York, para -16, baixa bem superior a esperada (-5,5). Apesar das leituras benignas de inflação e de dados mostrando sinais de perda de fôlego da economia americana, a expectativa é que o Federal Reserve (Fed) não apenas anuncie manutenção da taxa básica de juros dos EUA nesta quarta-feira como reforce a postura cautelosa, indicando que não há pressa em mudar a política monetária.
No quadro político, as atenções estão voltadas à votação ainda nesta segunda na Câmara dos Deputados do requerimento de urgência para apreciação do projeto de decreto legislativo (PDL) que derruba o decreto do governo Lula que propõe aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Pela manhã, o Banco Central vendeu a oferta integral de US$ 1 bilhão em dois leilões de linha com compromisso de recompra realizados simultaneamente, contribuindo para deixar o mercado cambial irrigado. À tarde, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,215 bilhão na segunda semana de junho. No ano, o superávit acumulado é de US$ 27,539 bilhões.
O Ibovespa voltou a se aproximar dos 140 mil pontos na máxima (139.988,36) desta segunda-feira (16), com a retomada do apetite por risco também em Nova York (EUA), apesar das hostilidades, desde a noite da última quinta-feira, entre Israel e Irã. A expectativa de que o conflito venha a ser contido – como sugerido pelo próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em declarações nesta abertura de semana – fez o petróleo recuar na sessão. E dados econômicos chineses, como os de produção industrial e vendas do varejo, deram impulso ao setor metálico nesta segunda-feira, com destaque para a principal ação da carteira, Vale ON (+3,26%).
O giro financeiro ficou em R$ 22,1 bilhões na sessão. No mês, o Ibovespa avança 1,63% e, no ano, sobe 15,77%. Nesta segunda, em alta de 1,49%, aos 139.255,91 pontos, o índice não apenas colheu seu maior ganho diário desde 13 de maio (+1,76%), há pouco mais de um mês, como também esboça retomar o campo positivo, tendo permanecido em alta, ainda que moderada, em quatro das últimas cinco sessões, à exceção da correção da última sexta-feira (13) – de qualquer forma, um ajuste negativo bem mais suave do que em geral observado nos mercados de Ásia, Europa e Estados Unidos no encerramento da última semana.
O nível de fechamento, nesta segunda, foi o maior para o Ibovespa desde 27 de maio. Em Nova York, Dow Jones subiu hoje 0,75%, S&P 500, 0,94%, e Nasdaq, 1,52%. Por lá, o humor do mercado melhorou após The Wall Street Journal informar que o Irã estaria buscando retomar negociações sobre seu programa nuclear com a Casa Branca, em tentativa de diminuir o conflito militar com Israel.
Na ponta ganhadora do Ibovespa nesta segunda-feira, Magazine Luiza (+6,71%), CSN (+6,05%) e Embraer (+5,34%). No lado oposto, BRF (-2,38%), Prio (-1,82%), Marfrig (-0,71%) e Brava (-0,48%), além de Petrobras PN (-0,98%). Entre as blue chips, Petrobras chegou a mostrar desempenho misto, mas a ON também fechou em baixa, ainda que leve (-0,17%). Por outro lado, os ganhos entre os maiores bancos ficaram entre 0,97% (Santander Unit) e 2,15% (Bradesco PN) no fechamento.
Após a pressão de alta sobre os preços da commodity no encerramento da semana passada, os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa, hoje, com o mercado atento aos próximos passos no conflito entre Israel e Irã. A escalada nas tensões nos últimos dias havia dado impulso às cotações do barril, com analistas acreditando que a marca dos US$ 100 poderia ser ultrapassada. Por sua vez, com sinalizações de que Teerã não tem a intenção de ampliar os ataques, parte dos prêmios de risco foi devolvida hoje, apontam operadores.
Assim, em Nova York, o contrato de petróleo WTI para julho fechou em baixa de US$ 1,67 (US$ 1,22), a US$ 71,77 o barril. O Brent para agosto, negociado em Londres, recuou 1,35% (US$ 1,00), a US$ 73,23 barril.
Um estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil nesta segunda-feira (16) aponta que os investimentos em saneamento básico na bacia do Rio Pinheiros, na Grande São Paulo, geraram um retorno econômico de R$ 8 bilhões nas últimas duas décadas. O valor, que já considera o desconto dos custos com as obras, abrange os municípios de São Paulo, Embu das Artes e Taboão da Serra.
Segundo a pesquisa, os benefícios foram impulsionados por diversas frentes. A principal economia, de R$ 1,5 bilhão, veio da redução de gastos públicos com saúde, resultado da diminuição de doenças de veiculação hídrica após a expansão do acesso à água tratada e à rede de esgoto. Além disso, o estudo identificou ganhos significativos com o fomento ao turismo, a geração de empregos e a valorização imobiliária nas áreas próximas ao rio.
O levantamento detalha ainda a ampliação do saneamento na região. Nos últimos 22 anos, 589 mil novos moradores passaram a ter acesso à água tratada e 840 mil foram conectados à rede de coleta de esgoto, melhorando diretamente a qualidade de vida e a saúde da população local.
A partir desta segunda-feira (16), o Brasil dá um passo significativo na modernização de seus sistemas de pagamento com a introdução do Pix automático. Esta nova funcionalidade promete transformar a maneira como os brasileiros lidam com suas transações financeiras diárias, oferecendo uma alternativa mais prática e econômica ao tradicional débito automático. Ao contrário do modelo convencional, que é amplamente utilizado por grandes empresas em parceria com bancos, o Pix automático abre as portas para pequenos prestadores de serviços, como jardineiros e motoristas de vans escolares, facilitando o recebimento de pagamentos de forma mais acessível.
Uma das principais características do Pix automático é a flexibilidade que oferece aos usuários. Nesta modalidade, o recebedor é responsável por solicitar o pagamento, enquanto o pagador mantém total controle sobre suas finanças, com a opção de cancelar a transação a qualquer momento. Atualmente, o sistema a modalidade já conta com 160 milhões de chaves cadastradas, e a introdução desta nova funcionalidade deve aumentar ainda mais esse número. Além de ampliar a base de usuários, o Pix automático tem o potencial de reduzir a inadimplência, uma vez que os pagamentos recorrentes podem ser programados automaticamente, minimizando o risco de esquecimentos e atrasos.
A mediana das previsões do mercado financeiro no relatório Focus do Banco Central para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 caiu de 5,44% para 5,25%, conforme divulgação realizada nesta segunda-feira (16), pela autoridade monetária. Agora, está 0,75 ponto porcentual acima do teto da meta, de 4,50%. Considerando apenas as 115 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 5,34% para 5,24%. A projeção para o IPCA de 2026 permaneceu em 4,50% pela quinta semana consecutiva, colada ao teto da meta. Considerando apenas as 112 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também ficou em 4,50%.
O Banco Central espera que o IPCA some 4,8% em 2025 e 3,6% em 2026, conforme a trajetória divulgada no comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) de maio. O fim do ano que vem é o horizonte relevante do colegiado. Na última decisão, o comitê aumentou a taxa Selic em 0,5 ponto porcentual, de 14,25% para 14,75% o maior nível desde julho de 2006. O Copom volta a se reunir esta semana, entre terça e quarta-feira, e deve atualizar suas projeções de inflação.
A partir deste ano, a meta de inflação é contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se o IPCA ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. A mediana do Focus para a inflação de 2027 permaneceu em 4,0% pela 17ª semana consecutiva. A projeção para o IPCA de 2028 se manteve em 3,85%. Um mês antes, era de 3,80%.
A mediana das projeções do mercado financeiro no relatório Focus do Banco Central para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025 aumentou de 2,18% para 2,20% Um mês antes, era de 2,02%. Considerando apenas as 69 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, permaneceu em 2,26%. O Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou, na ata da sua reunião de maio, que a taxa de juros “significativamente contracionista” tem contribuído para moderar o crescimento da atividade. Segundo o colegiado, a tendência é que esse processo ganhe força nos próximos trimestres.
No último Relatório de Política Monetária (RPM), de março, o Banco Central diminuiu a projeção de crescimento do PIB de 2025, de 2,1% para 1,9%. A estimativa será atualizada no próximo dia 26, quando a autoridade monetária divulga nova edição do RPM.
A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2026 aumentou de 1,81% para 1,83%. Considerando só as 67 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 1,83% para 1,81%. A mediana para o crescimento do PIB de 2027 permaneceu em 2,0% pela 11ª semana seguida. A estimativa intermediária para 2028 ficou estável, em 2,0%, pela 66ª semana seguida.
O governo federal espera decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para anunciar o calendário de restituição dos descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O advogado-geral da União, Jorge Messias, reforçou, nesta sexta-feira (13), que o governo pretende devolver os valores para todos que foram lesados. “Nós apresentamos a proposta do plano de pagamento e uma vez que esse plano seja validado e que o Supremo nos autorize a expedir um crédito extraordinário, nós vamos ter a condição de apresentar um calendário de pagamento aos aposentados e pensionistas que já buscaram o INSS, apresentaram a contestação e já tem a confirmação dos valores, inclusive com a correção monetária, a serem totalmente ressarcidos”, disse Messias ao programa A Voz do Brasil.
A Advocacia-Geral da União (AGU) ingressou com uma ação pedindo autorização ao Supremo para abertura de crédito extraordinário para devolução dos valores descontados. Esses recursos não entrariam nos limites de gastos para os anos de 2025 e 2026. Jorge Messias também afirmou que os aposentados não precisam entrar com ação judicial para receber os valores. O governo ainda pediu ao STF a suspensão das ações em andamento e do prazo de prescrição para a devolução dinheiro.
“Nós estamos dizendo: ‘fiquem tranquilos, o governo vai fazer o pagamento você não precisa ir ao Judiciário’. Você só vai à Justiça quando tem uma pretensão resistida. Não é o caso. O governo está garantindo o pagamento. Mas para que não haja nenhum prejuízo a nenhum aposentado e pensionista, nós pedimos a suspensão da prescrição porque nós queremos que ele seja protegido e não tenha seu direito violado”. A AGU também conseguiu que a Justiça bloqueasse quase R$ 3 bilhões de 12 entidades associativas e seus dirigentes. A Polícia Federal (PF) estima que mais de R$ 6 bilhões foram descontados irregularmente dos aposentados entre 2019 e 2024.
