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Após subir 0,50% ontem e ultrapassar a barreira de R$ 5,45, o dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira (2), em queda firme e voltou a fechar na casa de R$ 5,42, nos menores níveis desde agosto. Operadores não identificam um gatilho específico para a apreciação do real, mas ressaltam que as divisas latino-americanas, à exceção do peso mexicano, ganharam terreno com a alta do minério de ferro e do petróleo. Dados fracos do mercado de trabalho americano também podem ter dado impulso a divisas da região, ao sugerir mais espaço para corte de juros nos EUA neste ano.

Outro ponto que pode estar por trás do fôlego extra da moeda brasileira é a perspectiva de manutenção da taxa Selic em 15% por um “período bastante prolongado”, reforçada hoje pela fala do diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, em evento no Citi. Além de desencorajar o carregamento de posições em dólar, os juros altos aumentam a atratividade das operações de carry trade.

Afora uma alta pontual no início dos negócios, quando registrou máxima a R$ 5,4812, o dólar trabalhou em baixa no restante do pregão. Com mínima a R$ 5,4162 na última hora do pregão, a moeda americana fechou em queda de 0,75%, a R$ 5,4202 – no menor valor desde 19 de agosto (R$ 5,4120).

Ministros do STF veem a abertura de canais de diálogo para uma conciliação entre Executivo e Legislativo como uma boa saída para o impasse envolvendo o IOF. A ação do governo é relatada pelo ministro Alexandre de Moraes, que deve pedir informações às partes nos próximos dias. Cabe a ele proferir uma liminar para suspender o ato legislativo ou, ainda, submeter o processo à conciliação entre as partes.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse hoje à tarde ao Estadão que a equipe econômica depende do decreto do IOF para garantir o cumprimento da meta fiscal do ano que vem, de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Já o diretor de Política Monetária do Banco Central reiterou hoje, em evento do Citi, que o regime é de câmbio flutuante e que o BC intervém apenas em caso de disfuncionalidades no mercado. O destino da taxa de câmbio, segundo David, está mais relacionado ao comportamento da moeda americana no exterior “do que com o real”.

Lá fora, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes – apresentava ligeira queda no fim do dia, na casa dos 96,700 pontos. Na semana, o Dollar Index cai cerca de 0,50%. Pela manhã, relatório da ADP mostrou eliminação de 33 mil vagas no setor privado americano em junho, quando a expectativa era de geração de 115 mil postos.

Investidores aguardam a divulgação, amanhã, do relatório de emprego (payroll) de junho para calibrar as apostas para os próximos passos do Federal Reserve. Ontem o presidente do Fed, Jerome Powell, não descartou a possibilidade de corte de juros já no encontro de política monetária do banco em julho, embora tenha alertado para as incertezas e o impacto inflacionário provocados pelo tarifaço de Trump.

A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou nesta quarta-feira (2) ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta de acordo para iniciar, a partir de 24 de julho, o ressarcimento dos descontos irregulares de mensalidades associativas dos benefícios de aposentados e pensionistas. De acordo com a proposta, os beneficiários vão ser integralmente ressarcidos pelos descontos não autorizados nos contracheques entre março de 2020 e março de 2025.

Se for homologado pelo Supremo, os pagamentos serão feitos a cada 15 dias, a partir da data inicial. Cada lote deve contar com o ressarcimento de 1,5 milhão de beneficiários. Os valores serão corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador da inflação.

Para ter direito a aderir ao acordo, quem foi lesado pelas associações envolvidas no esquema deverá entrar em contato diretamente com o INSS, por meio dos canais de atendimento do órgão. A adesão será voluntária. Após análise do pedido, o aposentado entrará na lista de pessoas que terão direito ao ressarcimento.

Em contrapartida, quem entrou na Justiça para receber o ressarcimento deverá desistir da ação contra o INSS, que se compromete a pagar 5% de honorários advocatícios nas ações individuais propostas antes de 23 de abril de 2025.

A seguir, confira as principais regras do acordo.

Pedido de devolução

Canais disponíveis: Aplicativo Meu INSS, central telefônica 135 e agências dos Correios.

Devolução automática

Por estarem em grupos de pessoas vulneráveis, idosos maiores de 80 anos, quilombolas e indígenas serão ressarcidos independentemente de requerimento.

Processo de contestação

O sistema do INSS gera cobrança à entidade associativa quando há contestação. A entidade tem 15 dias para comprovar a autorização ou devolver valores via GRU (Guia de Recolhimento da União). Se a entidade não fizer o reembolso ou não provar a regularização do desconto, o INSS devolverá os valores.

Efeitos jurídicos

Objeto do acordo

Prevenção de novas fraudes

O INSS vai revisar normas e procedimentos para prevenir novas fraudes em descontos associativos.

Conciliação

O acordo enviado para chancela do STF foi fechado entre a AGU, o INSS, o Ministério da Previdência Social, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério Público Federal (MPF). Todos os órgãos participam de uma conciliação aberta pelo ministro Dias Toffoli. Segundo a AGU, a homologação é necessária para dar segurança jurídica ao processo de devolução dos valores descontados.

O órgão também aguarda pedido para que Toffoli determine a abertura de crédito extraordinário no orçamento para viabilizar o ressarcimento e a exclusão dos valores do teto de gastos da União para os anos de 2025 e 2026.

Bloqueios

As fraudes são investigadas na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um esquema nacional de descontos de mensalidades associativas não autorizadas. Estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões foram descontados de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.

Até o momento, a Justiça Federal já bloqueou R$ 2,8 bilhões em bens de empresas e investigados envolvidos nas fraudes em descontos irregulares nos benefícios.

 

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, relatou nesta quarta-feira (2) que todos os ministros da Economia e presidentes de Bancos Centrais dos Estados-partes do Mercosul mencionaram, em uma reunião pela manhã, a importância da conclusão do acordo entre o bloco sul-americano e a União Europeia. “É uma oportunidade importante para o Brasil se inserir nesse terceiro bloco que está hoje espremido entre China e Estados Unidos, permitindo ao Brasil e ao Mercosul fortalecerem uma posição multilateral importante, explorando possibilidades de cadeias produtivas integradas com a Europa e melhorando a competitividade da indústria dos dois blocos”, ele disse a jornalistas, na saída do compromisso.

O controle da inflação também foi debatido na reunião, disse o ministro, que também relatou ter apresentado a preocupação de que a política tem de “ajudar a agenda econômica a prosperar” e a atingir as metas definidas em todos os países. Haddad destacou que há diversos projetos em curso para melhorar o comércio no Mercosul. Ele relatou ter ouvido uma proposta da Argentina para padronizar a regulação de produtos industrializados e expedientes sanitários. Disse ainda ter defendido o uso de moedas nacionais para fortalecer o comércio entre Argentina e Brasil.

Também nesta manhã, o chefe da Fazenda se reuniu com o ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo. Na saída do encontro, Haddad destacou bons indicadores no fluxo de comércio e o recorde de turismo entre o país e o Brasil. O total de turistas estrangeiros pode chegar a 10 milhões este ano, afirmou. Falando sobre o acordo de livre comércio entre Mercosul e países do Efta (Suíça, Noruega, Lichtenstein e Islândia), o ministro classificou a assinatura como um “passo importante”.

governo federal, por meio da AGU (Advocacia Geral da União), recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para anular o PDL (Projeto de Decreto Legislativo) do Congresso Nacional que derrubou o aumento do IOF proposto pelo Executivo. Se o governo ganhar esta ação na Justiça, será um “tiro no pé”, tanto do ponto de vista político quanto eleitoral.

Eleitoralmente, a imagem do governo ficaria ainda mais desgastada perante a população. Um dos motivos da insatisfação popular é justamente a ideia de que o governo não corta gastos da máquina pública, mas apenas aumenta impostos ou eleva alíquotas tributárias empresas ou indivíduos.

O desgaste não seria somente eleitoral, mas também político. Certamente, em caso de vitória no STF, a relação com o Congresso Nacional ficaria ainda mais desgastada, com o risco de o Parlamento retaliar, dificultando ainda mais a aprovação de leis propostas pelo Executivo. Aliás, já vimos este filme, quando o governo recorreu ao STF para restringir as emendas parlamentares sob o argumento de maior transparência.

Nem é preciso dizer que a partir daquele momento a crise das emendas tem colocado obstáculos para o governo aprovar projetos no Congresso Nacional. Com tantos aspectos negativos, a oposição deve até torcer para o governo ganhar a queda de braço do IOF no STF.

 

Após três pregões seguidos de queda, o dólar à vista fechou a sessão desta terça-feira (1) em alta de 0,50%, a R$ 5,46. Operadores afirmam que o desconforto com o imbróglio em torno do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a alta das taxas dos Treasuries abriram espaço para uma realização de lucros no mercado local. Embora analistas avaliem que há boas chances de nova rodada de apreciação do real no curto prazo, a tendência é que investidores adotem uma postura mais cautelosa daqui para frente, uma vez que o dólar recuou 4,99% em junho e fechou o primeiro semestre com desvalorização de 12,07%, nos menores níveis desde meados de setembro.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse hoje que para fechar o orçamento de 2026 com cumprimento da meta fiscal, de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), vai precisar do aumento do IOF, além de corte de R$ 15 bilhões em benefícios tributários e dos efeitos da Medida Provisória encaminhada ao Congresso com elevação de tributos sobre bets e aplicações financeiras, entre outros pontos.

Já o Ibovespa iniciou julho marcando o terceiro maior nível de fechamento da história, em alta de 0,50% nesta terça, 1º, aos 139.549,43 pontos, com giro enfraquecido a R$ 17,1 bilhões na sessão. Entre a mínima e a máxima, oscilou de piso na abertura aos 138.854,89 até os 139.695,23 pontos. Na semana, em alta pelo segundo dia, sobe 1,96%, colocando o avanço no ano a 16,02% – estendendo o ganho de 15,44% do primeiro semestre, seu melhor desempenho no intervalo desde 2016.

Com apoio dos carros-chefes das commodities, Vale (ON +1,36%) e Petrobras (ON +0,41%, PN +0,35%), o índice da B3 recuperou a linha dos 139 mil pontos em encerramento pela primeira vez desde 16 de junho – e obteve um nível de fechamento superado apenas pelo recorde de 140.109,63, do fechamento de 20 de maio, e o do dia anterior (19 de maio), então a 139.636,41 pontos.

Outro setor de peso na composição do Ibovespa, o financeiro, também foi bem nesta terça-feira – à exceção no fechamento de BB (ON -0,81%) -, com ganhos entre 0,46% (Itaú PN) e 2,02% (Santander Unit, na máxima do dia no encerramento). Na ponta ganhadora do dia, Embraer (+4,42%), Cosan (+3,06%) e Pão de Açúcar (+2,60%). No lado oposto, Azzas (-4,42%), Assaí (-3,20%) e Natura (-2,26%).

A partir desta quarta-feira (1), a Petrobras implementará um aumento de 2,8% no preço do querosene de aviação (QAV) em suas refinarias, após uma redução de 7,9% ocorrida no mês de junho. Essa alteração nos preços é uma resposta à instabilidade dos valores do petróleo no mercado global, que atingiu a marca de US$ 77 por barril do tipo Brent em meados do último mês. Os ajustes no preço do QAV são realizados no primeiro dia de cada mês, conforme estipulado em contrato, diferentemente do que ocorre com a gasolina e o diesel, cujos preços são alterados conforme a estratégia comercial da empresa. Atualmente, a gasolina não sofre reajuste há 28 dias e apresenta um custo 4% superior ao praticado no mercado internacional. Por sua vez, o diesel apresenta uma defasagem de 10% em relação ao preço externo, com o último ajuste tendo ocorrido há 56 dias, resultando em uma queda de R$ 0,17 por litro.

A partir desta segunda-feira (30), o governo federal eleva o imposto de importação para carros elétricos e híbridos. As alíquotas, que serão reajustadas de forma gradual, passam a variar entre 25% e 30%. A medida faz parte de um cronograma de recomposição gradual do imposto, estabelecido em 2023 junto à Câmara de Comércio Exterior (Camex), com o objetivo de incentivar a indústria automotiva nacional e tornar os veículos produzidos no Brasil mais competitivos. A previsão é que as alíquotas continuem subindo progressivamente até atingirem 35% em julho do próximo ano. Paralelamente, o governo, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, trabalha na regulamentação do “IPI Verde”, que visa reduzir a carga tributária sobre veículos menos poluentes.

Além disso, espera-se o lançamento do programa “Carro Sustentável”, que buscará reduzir o IPI para veículos mais acessíveis produzidos no país. Essas iniciativas estão alinhadas ao programa Mover, já sancionado, que visa modernizar a frota nacional e estimular a produção de tecnologias mais limpas.

O mercado de trabalho brasileiro registrou a criação de 148.992 vagas com carteira assinada em maio. No entanto, o salário médio de admissão para os novos postos de trabalho apresentou uma queda, ficando em R$ 2.248,71. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta segunda-feira (30). O valor do salário médio de admissão representa uma queda de R$ 10,98 em comparação com o mês de abril. A análise de especialistas aponta que, embora a geração de empregos seja um dado positivo, a redução na remuneração média indica a criação de vagas com salários mais baixos, o que impacta o poder de compra e a qualidade de vida do trabalhador.

O cenário revela uma dualidade: um mercado de trabalho que continua contratando, facilitando a busca por emprego, mas com salários que não são considerados atrativos. Essa situação gera um paradoxo em que a geração de vagas não se reflete em um aumento da popularidade do governo, sugerindo que a qualidade dos empregos e a remuneração são fatores cruciais na percepção da população.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira (1) que é necessário aprovar o aumento parcial do IOF, o corte de R$ 15 bilhões em benefícios tributários e a medida provisória encaminhada pelo governo para compensar parcialmente a elevação do tributo para fechar o orçamento de 2026 com a meta fiscal estabelecida, de superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Indagado sobre a possibilidade de mudar o alvo de resultado primário do ano que vem, o ministro não respondeu. “Mais do que falar do futuro, eu estou falando do que eu já fiz como ministro da Fazenda, em 2024. As nossas medidas não foram aprovadas, e ainda assim buscamos o melhor resultado possível para o País”, disse Haddad a jornalistas, na portaria da sede da pasta, em Brasília.

O chefe da equipe econômica afirmou que o desenho do orçamento de 2026 não está relacionado com as eleições, aproveitando para criticar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Nós não somos o governo Bolsonaro, a quem tudo foi permitido para ganhar a eleição. Não funciona assim com a gente”, ele disse, acrescentando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o “presidente da responsabilidade fiscal”.

Falando sobre o desenho da proposta de corte de benefícios tributários, o ministro reconheceu que essa redução pode ocorrer de forma gradual, desde que torne as contas públicas “compatíveis com a necessidade atual”. Ele afirmou que a renúncia fiscal soma mais de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), e que há uma emenda constitucional que prevê a necessidade de reduzir esse volume a 2%.

“Isso foi o próprio Congresso que decidiu, não foi este governo”, afirmou. Indagado sobre a relação entre Executivo e Congresso, Haddad elogiou os números da economia, com revisões para cima nas projeções de crescimento do PIB e queda do desemprego à mínima histórica.

dólar apresentou queda firme na sessão desta segunda-feira (30), e fechou na casa de R$ 5,43, no menor nível desde setembro do ano passado. Após subir 27,34% em relação ao real em 2024, o dólar termina o primeiro semestre com perdas de 12,07%. O dia foi marcado por nova rodada de enfraquecimento global da moeda americana e pela queda das taxas dos Treasuries, em razão da percepção crescente de que aumentou o espaço para cortes de juros ainda neste ano pelo Federal Reserve (o banco central norte-americano), que está sob ataque cerrado do presidente dos EUA, Donald Trump.

Divisas emergentes também se beneficiaram da melhora do apetite ao risco com sinais de que os EUA podem fechar acordos comerciais com parceiros relevantes antes de 9 de julho, data que marcaria a volta das tarifas recíprocas anunciadas por Trump em 2 de abril, no chamado “Liberation Day”. As negociações com o Canadá, que forma interrompidas, serão retomadas após o país revogar impostos a empresas de tecnologia dos EUA.

Com mínima a R$ 5,4247 à tarde, o dólar à vista terminou o dia em baixa de 0,89%, a R$ 5,4341 – menor valor de fechamento desde 19 de setembro (R$ 5,4242). A moeda encerra a semana com desvalorização de 4,99%, a maior perda mensal desde janeiro (-5,56%). O real apresentou nesta segunda o melhor desempenho entre as moedas globais mais líquidas, seguido de perto pelo peso chileno. A sessão foi marcada pela rolagem de posições no segmento futuro e pela disputa na formação da última taxa de Ptax não apenas de junho, mas também do segundo trimestre e do primeiro semestre, o que pode ter exacerbado os movimentos no mercado local.

No exterior, o índice DXY – termômetro do comportamento do dólar ante uma cesta de seis divisas fortes – caiu cerca de 0,50% e rompeu o piso dos 97,000 pontos, com mínima a 96,806 pontos. O Dollar Index termina junho com perdas ao redor de 2,6%, levando a desvalorização no ano para perto de 11%, no menor nível desde março de 2022.

Ibovespa acumula ganho de 1,33% em junho

A virada de Petrobras (ON +0,86%, PN +0,54%) deu ímpeto extra ao Ibovespa, que estendeu as máximas da sessão a partir do início da tarde desta segunda-feira, recolocando-o aos 139 mil pontos no melhor momento do dia, aos 139.102,75 pontos. Ao fim, no maior nível de fechamento desde o último dia 16, o índice da B3 encerrou em alta de 1,45%, aos 138.854,60 pontos, saindo de mínima da sessão aos 136.429,87 pontos, em que iniciou aos 136.865,19. O giro financeiro foi de R$ 20,5 bilhões nesta última sessão de junho. No mês, o Ibovespa teve ganho de 1,33%.

Dessa forma, estendeu a série mensal positiva iniciada em março, com alta então de 6,08% – sucedida por avanço de 3,69% em abril e de 1,45% em maio. No segundo trimestre, o Ibovespa acumulou ganho de 6,18%, após alta de 8,29% no agregado entre janeiro e março. No ano, sobe agora 15,44%.

Foi o melhor primeiro semestre para o Ibovespa desde 2016 – no mesmo período de 2024, havia registrado seu pior desempenho no intervalo desde 2020, o ano inicial da pandemia. O melhor desempenho recente era de 14,88% do primeiro semestre de 2019 – superado agora, seis anos depois, mas ainda abaixo dos quase 19% de alta entre janeiro e junho de 2016, quando o Ibovespa avançou 18,87%. A alta de 15% do Ibovespa no primeiro semestre de 2025 foi ancorada pelo fluxo estrangeiro para o Brasil, com o maior saldo acumulado em três anos.

Nesta segunda-feira, o bom desempenho das ações de bancos – com ganhos acima de 1,5% para as maiores instituições -, combinado ao avanço de Petrobras, mais do que compensou o efeito negativo de Vale ON, a principal ação da carteira Ibovespa, que fechou em baixa de 0,66% – a única entre as principais blue chips no campo negativo no fechamento do dia. Na ponta ganhadora, MRV (+7,60%), Magazine Luiza (+5,91%) e Azzas (+4,70%). No lado oposto, Petz (-1,51%), CSN (-0,80%) e Usiminas (-0,72%).

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (30) a implementação de novas regras para as famílias que recebem o benefício do programa Bolsa Família. Esta medida foi formalizada através de uma instrução normativa assinada pelas Secretarias Nacionais de Renda de Cidadania e de Assistência Social e publicada no Diário Oficial da União. As diretrizes, que já estão em vigor, estabelecem que crianças e mulheres das famílias beneficiadas devem ser acompanhadas regularmente na área da saúde, enquanto crianças e adolescentes precisam manter uma frequência mínima nas aulas. O principal objetivo do governo com essas novas regras é garantir um acompanhamento mais profundo das famílias beneficiárias, além de fornecer o auxílio financeiro.

No âmbito da saúde, crianças de até sete anos e mulheres entre 14 e 44 anos devem realizar acompanhamento regular. As mulheres também são incentivadas a verificar se estão grávidas. No que diz respeito à educação, a frequência escolar mínima exigida para crianças e jovens de 4 a 18 anos varia entre 60% e 75%. O não cumprimento dessas regras pode afetar o benefício. Em casos de descumprimento das regras, as famílias serão encaminhadas ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) para entender os motivos. O governo reforça que qualquer decisão sobre o corte do benefício será precedida de diálogo com as famílias, garantindo que suas vozes sejam ouvidas e suas circunstâncias compreendidas.

As projeções do Banco Central indicam que a inflação no Brasil deve permanecer acima da meta até o final do ano, o que manterá a taxa de juros elevada. Com o mês de junho se encerrando, o Ministério da Fazenda aguarda uma reunião com o Banco Central para discutir a taxa de juros. No início de julho, um novo balanço da inflação será divulgado, e as expectativas são de que o teto de 4,5% seja descumprido pelo sexto mês consecutivo. Quando isso ocorre, o presidente do Banco Central deve enviar uma carta ao ministro da Fazenda explicando os motivos da alta inflacionária.

O economista Rodrigo Simões aponta que a inflação enfrenta dificuldades para ceder, com diversos fatores contribuindo para isso. Entre eles, estão os preços administrados, como a energia elétrica, que subiu mais de 3% devido ao período de estiagem e baixas temperaturas. Isso contribuiu para que o IPCA-15 registrasse um aumento de 0,26%. O governo brasileiro estabeleceu uma meta contínua de inflação de 3%, com uma margem de oscilação entre 1,5% e 4,5%. Em maio, a inflação atingiu 5,32%, e a divulgação do novo IPCA em 10 de julho deve indicar um acréscimo de 0,27%, descumprindo novamente o teto.

Rodrigo Simões explica que a demanda aquecida justifica o aumento dos preços, com mais pessoas comprando produtos, alimentos e serviços. A inflação de serviços também enfrenta dificuldades para baixar. A carta do presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve abordar as causas do descumprimento da meta, as medidas para regressar a inflação aos padrões estabelecidos e o prazo para isso. A última reunião do COPOM manteve a tendência de aumentar a taxa de juros, elevando a SELIC para 15% ao ano, a maior dos últimos 20 anos.

O Brasil agora ocupa a segunda posição no ranking de países com as maiores taxas de juros, atrás apenas da Turquia. Especialistas afirmam que o aumento da SELIC só terá efeitos reais na queda da inflação entre 6 e 18 meses. O Banco Central prevê que o IPCA retornará ao intervalo de metas entre 1,5% e 4,5% apenas no primeiro trimestre de 2026. Essa situação coloca um desafio significativo para a política econômica do país, que precisa equilibrar o controle da inflação com o estímulo ao crescimento econômico.

As contas públicas do Brasil apresentaram um déficit primário de R$ 33,740 bilhões em maio, mostrando uma melhora significativa em comparação ao débito de R$ 63,895 bilhões registrado no mesmo mês do ano anterior. Esse resultado foi impulsionado por um aumento de 4,7% nas receitas líquidas federais, enquanto as despesas totais diminuíram em 7,6%.

No acumulado de 2025, o setor público brasileiro contabiliza um superávit primário de R$ 69,121 bilhões. Em uma análise mais ampla, o resultado dos últimos 12 meses é positivo em R$ 24,143 bilhões, o que representa 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Em contraste, o déficit primário de 2024 foi de R$ 47,553 bilhões, correspondendo a 0,4% do PIB.

O Governo Central, por sua vez, registrou um débito primário de R$ 37,351 bilhões em maio, uma redução em relação ao débito de R$ 60,778 bilhões do mesmo mês de 2024. Enquanto isso, os governos estaduais conseguiram um superávit de R$ 5,346 bilhões, ao passo que os municípios enfrentaram um débito de R$ 808 milhões.

Os gastos com juros também apresentaram um aumento, totalizando R$ 92,145 bilhões em maio, em comparação aos R$ 74,361 bilhões do mesmo mês do ano passado. O resultado nominal das contas públicas, que inclui esses gastos, foi um débito de R$ 125,885 bilhões, melhor do que o débito de R$ 138,256 bilhões registrado em maio de 2024.

A dívida líquida do setor público alcançou R$ 7,547 trilhões, representando 62% do PIB. Por outro lado, a dívida bruta do governo geral subiu para R$ 9,264 trilhões, o que equivale a 76,1% do PIB.

Durante o lançamento do programa Agora Tem Especialista, nesta terça-feira (24), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reconheceu que o Brasil possui um Sistema Único de Saúde (SUS) universal, mas não conta com um orçamento público compatível com a demanda do serviço. A nova medida, criada em parceria com o Ministério da Saúde, permitirá que hospitais privados e filantrópicos com dívidas com o governo quitem parte dos débitos por meio da oferta de atendimentos especializados aos usuários do SUS.

A proposta busca ampliar o acesso da população a procedimentos como consultas, exames e cirurgias, ao mesmo tempo em que ajuda a reduzir a fila de espera por esses serviços. Para Haddad, a ação é uma resposta ao crônico subfinanciamento da saúde pública no Brasil.“O Brasil tem um sistema universal, mas não tem um orçamento público compatível com esse sistema”, afirmou o ministro, destacando que a medida é uma solução extraorçamentária viável em meio às limitações fiscais.

Dívidas acumuladas e funcionamento do programa

Segundo dados do Ministério da Fazenda, mais de 3.500 entidades privadas acumulam aproximadamente R$ 34 bilhões em dívidas com a União, com maior concentração na região Sudeste. A ideia é que essas instituições possam abater parte dessas dívidas ao ofertar serviços ao SUS, transformando cada atendimento prestado em créditos financeiros que serão usados para quitar os débitos. Haddad comparou o novo modelo a programas já existentes: “É um misto de Prouni com Desenrola”, disse, referindo-se ao programa de bolsas universitárias e à iniciativa de renegociação de dívidas para pessoas físicas.

Critérios e regras para adesão

Para participar do Agora Tem Especialista, os hospitais precisam:

A proporção de abatimento da dívida dependerá do valor total devido:

Próximos passos

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, uma portaria será publicada ainda hoje no Diário Oficial da União, dando início à fase de propostas. Os hospitais interessados terão cinco dias úteis para apresentar seus planos de serviços. A previsão do governo é de que os primeiros contratos estejam formalizados até agosto e os atendimentos à população comecem logo em seguida. A nova política reforça o papel do setor privado no apoio ao SUS, em um momento em que o país ainda lida com os reflexos da pandemia e enfrenta gargalos históricos na saúde pública.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse nesta terça-feira (24), que a meta do governo é conceder R$ 2 bilhões em créditos neste segundo semestre de 2025 para hospitais com dívidas com a União que ofereçam atendimentos à população por meio do SUS. O valor de R$ 2 bilhões é o limite anual com o qual o governo trabalha para o programa de troca das dívidas dos hospitais com a União pelos atendimentos, segundo Padilha. O ministro afirmou, ainda, que os hospitais que aderirem ao programa Agora Tem Especialistas poderão oferecer atendimentos fora do município em que estão localizados.

“Qual a nossa meta? Ter adesão de R$ 2 bilhões (em crédito) nesse primeiro semestre (de funcionamento). Vamos ter R$ 2 bilhões por ano de crédito, esse é o nosso limite. Vamos trabalhar para que entrem R$ 2 bilhões em atendimentos, cirurgias, consultas especializadas realizadas neste segundo semestre, porque oferta o limite de crédito nesse mecanismo”, disse.

O ministro reforçou que o objetivo do programa não é atender o máximo de instituições possível, mas ter o máximo de atendimentos possível. Isso significa que os primeiros a aderir ao programa serão beneficiados, sejam pequenos ou grandes devedores. “Nosso foco não é o número de instituições que participam, é o número de cirurgias, exames e consultas especializadas ofertadas. Se uma instituição oferece, dentro do limite que pode oferecer, vamos querer essa instituição. Nosso foco não é em atingir todas as instituições, até porque algumas não têm nem capacidade operacional de oferecer cirurgias, exames, aquilo que a gente precisa”, declarou.

A troca das dívidas dos hospitais e planos de saúde com a União em troca de exames, consultas e procedimentos é um dos pontos incluídos na MP, que faz parte do esforço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para melhorar sua popularidade neste ano.

Em meio a uma trégua instável entre Irã e Israel e o temor de novos ataques na região, o presidente da Refina Brasil, Evaristo Pinheiro, avalia que o Brasil deve aproveitar o momento de alerta geopolítico para priorizar sua segurança energética. A tensão em torno do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global, acendeu um sinal amarelo no setor. Para ele, se o conflito voltar a escalar, o mundo poderá enfrentar problemas logísticos severos no abastecimento. “Se a guerra escalasse a ponto de ocorrer o fechamento do Estreito de Ormuz, você tem um problema de movimentação logística de petróleo no mundo”, alertou.

Embora o risco de desabastecimento ainda não seja concreto, o impacto no preço já é perceptível — e inevitável. “A oscilação de preço em si não, porque a gente tem de onde comprar combustível, a gente compra combustível da Rússia, a gente compra combustível dos Estados Unidos, né? Pouco também da Índia, mas a gente tem fonte de abastecimento. O que sim tem de acontecer é aumento de preço”, afirmou. Diante desse cenário, Evaristo reforça que o Brasil precisa tratar a soberania energética como prioridade. A instabilidade internacional escancara o grau de exposição do país a fatores externos e evidencia a necessidade de fortalecer internamente a produção de combustíveis.

Na véspera do anúncio do governo federal sobre o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina para 30% (E30) e do biodiesel no diesel para 15% (B15), a Refina Brasil se posiciona de forma favorável à medida. A avaliação é de que os biocombustíveis contribuem diretamente para a transição energética e para a estabilidade do setor.
“O consumo de gasolina vem aumentando 2% ao ano. Para nós, é neutro e até positivo sob o ponto de vista de segurança energética. Representamos tanto o refino tradicional quanto o biorefino, que é a produção de combustíveis a partir de 100% de biomassa”, destacou.

Apesar disso, Evaristo chama atenção para a fragilidade estrutural do Brasil. O país possui capacidade de armazenamento de combustíveis suficiente para apenas seis dias, além de um déficit de refino de aproximadamente 600 mil barris por dia. Mesmo sendo autossuficiente na produção de petróleo, o Brasil ainda depende da importação de derivados — o que amplia a exposição a crises e oscilações externas. A falta de previsibilidade no mercado interno também é vista como um entrave ao avanço do setor. O domínio da Petrobras sobre 60% da capacidade de refino nacional permite que a estatal defina os preços praticados no mercado. Empresas privadas, com menor participação, acabam forçadas a seguir essa referência, mesmo que isso comprometa sua viabilidade econômica.

Quando a Petrobras vende combustíveis abaixo do preço de mercado, as refinarias privadas operam com prejuízo. Esse desequilíbrio inviabiliza novos investimentos e perpetua a dependência externa do país em combustíveis processados. Para Evaristo, essa lógica trava a expansão da capacidade de refino nacional e compromete a construção de um mercado competitivo. Segundo ele, o ambiente atual afasta investidores interessados em ampliar a estrutura de refino no país. Caso o Brasil corrija essas distorções e estimule a competitividade, há potencial para atrair mais de R$ 70 bilhões em investimentos, gerar 4.500 empregos e arrecadar mais de R$ 20 bilhões para os cofres públicos.

A divulgação do Relatório de Sustentabilidade da Petrobras, no último dia 17 de junho, acrescenta dados relevantes ao debate sobre a transição energética. O documento informa que a empresa pretende investir US$ 16,3 bilhões em projetos voltados à redução de emissões nos próximos cinco anos. Também aponta que, desde 2015, houve redução de 40% nas emissões absolutas de CO₂e. As ações previstas devem gerar até 315 mil empregos no período.
Entre as medidas mencionadas, estão a construção de unidades voltadas à produção de diesel renovável e querosene de aviação sustentável (SAF), testes com combustíveis marítimos de menor emissão, entrada no mercado de créditos de carbono, ações ambientais e programas sociais de qualificação profissional. O relatório também cita parcerias internacionais ligadas à meta de descarbonização.

Para a Refina Brasil, o sucesso dessas iniciativas depende da construção de um ambiente mais equilibrado para o setor privado. O fortalecimento da capacidade de refino no país, aliado ao avanço dos biocombustíveis e à correção de distorções no mercado interno, é visto como um passo necessário para que o Brasil reduza sua vulnerabilidade externa e avance rumo à segurança energética.

 

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