
Em junho de 2025, o Dieese divulgou que o preço da cesta básica apresentou queda em 11 das 17 capitais analisadas. As cidades que registraram as maiores diminuições foram Aracaju, com uma redução de 3,84%, seguida por Belém e Goiânia, que tiveram quedas de 2,39% e 1,90%, respectivamente. Por outro lado, Porto Alegre e Florianópolis foram as únicas capitais a ver aumento nos preços, com altas de 1,50% e 1,04%. São Paulo permanece como a cidade com a cesta básica mais cara, custando R$ 882,76. Florianópolis e Rio de Janeiro ocupam o segundo e terceiro lugares, com preços de R$ 867,83 e R$ 843,27, respectivamente. Em contraste, Aracaju e Salvador apresentam os menores valores, com cestas custando R$ 557,28 e R$ 623,85. No entanto, ao longo do ano, todas as capitais mostraram um aumento nos preços, com Fortaleza destacando-se com uma alta de 9,10%.
O Dieese também calculou que, para uma família de quatro pessoas, o salário mínimo necessário para cobrir as despesas em junho foi de R$ 7.416,07. Esse valor representa 4,89 vezes o salário mínimo atual, que é de R$ 1.518,00. O tempo médio que um trabalhador precisou dedicar para adquirir a cesta básica foi de 107 horas e 10 minutos, um leve decréscimo em relação ao mês anterior. O percentual do salário mínimo líquido comprometido com a compra dos alimentos caiu para 52,66%. A pesquisa revelou que a maioria dos itens da cesta básica, incluindo batata, arroz agulhinha, óleo de soja, açúcar, leite integral, carne bovina de primeira e café, teve redução de preços nas capitais analisadas. Essa tendência de queda nos preços pode trazer alívio para os consumidores, que enfrentam um cenário de inflação e aumento no custo de vida.
O custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) avançou 0,24% em maio ante abril e 6,01% em 12 meses, segundo os dados da pesquisa Custo de Vida por Classe Social (CVCS), produzida pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base em informações do IBGE. Neste mês, a instituição destaca a inflação persistente na alimentação e o aumento nos remédios e na conta de luz. A alta de 0,24% no custo de vida na Grande São Paulo em maio representa uma leve desaceleração na margem, considerando o avanço de 0,43% em abril de 2025, mas a FecomercioSP diz que não deve ser interpretada como um alívio, pois foi conduzida apenas pelo grupo de transportes, que recuou 0,64%.
“A alta nos itens essenciais, como alimentação, saúde e energia, são preocupantes para as famílias”, diz a FecomercioSP, acrescentando que estima uma tendência de alta a partir de julho. O grupo de alimentação e bebidas apresentou a maior variação desde dezembro de 2023, com alta acumulada de 9,04% nos últimos 12 meses. O impacto foi mais intenso para os lares de menor renda: na classe E, a inflação do grupo superou os 10%, enquanto nas classes B e A, as variações foram de 8,74% e 8,75%, respectivamente.
O grupo de saúde foi o segundo que mais pressionou a inflação no mês, com avanço de 0,87%. No acumulado do ano, a alta chega a 3,59%, e em 12 meses, a 6,02%. O grupo de habitação, por sua vez, registrou aumento de 0,54%, incentivado pela mudança da bandeira tarifária (de verde para amarela). Por isso, a conta de energia elétrica aumentou 1,8% em maio.
Sem a implementação de uma reforma previdenciária ou mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC), os gastos do INSS podem crescer em até R$ 600 bilhões até 2040, o que representa um aumento de aproximadamente 50% em relação aos custos atuais. Um estudo realizado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) destaca que o envelhecimento da população e a baixa taxa de natalidade estão pressionando as finanças públicas do país. Os gastos com aposentadorias e o BPC têm se tornado um dos principais desafios para o Orçamento público, mesmo após a Reforma da Previdência implementada em 2019. O BPC é um benefício assistencial destinado a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência que não conseguiram atingir o tempo mínimo de contribuição para a Previdência. Economistas apontam que as medidas adotadas pelo governo para conter a expansão desses benefícios são consideradas insuficientes.
A pesquisa indica que a idade mediana da população brasileira subiu de 25 para 35 anos entre 2000 e 2025. Se essa tendência continuar, em 15 anos, mais da metade da população terá mais de 40 anos. Com isso, os gastos com a Previdência podem alcançar 8,3% do PIB em 2040, o que exigirá revisões constantes nas regras previdenciárias e um equilíbrio mais eficaz entre os benefícios assistenciais e os contributivos. O economista Daniel Duque propõe a desvinculação do salário mínimo dos benefícios previdenciários como uma forma de evitar desincentivos à contribuição ao INSS. Ele também ressalta que o investimento público em saúde está aquém da média global e precisa ser ampliado para atender à demanda crescente da população idosa. Além disso, a despesa com educação pode sofrer uma queda, mesmo que o gasto por aluno permaneça constante, devido à diminuição no número de crianças e adolescentes.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse nesta segunda-feira (7) que, com a queda na cotação do barril de petróleo do tipo Brent, há uma “real possibilidade” de redução dos preços dos combustíveis no Brasil. Silveira participa da cúpula de chefes de estado e de governo do Brics, que acontece no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro. Indagado sobre a possibilidade de venda do Polo Bahia, mencionada na semana passada por Magda Chambriard, presidente da Petrobras, o ministro afirmou que a ideia ainda está em estudo e, para avançar, teria de ser estudada pelo Conselho de Administração da companhia e, depois, pelo governo. Silveira contou, em entrevista coletiva a jornalistas no MAM, que o Brics estão discutindo o financiamento à transição energética com o Novo Branco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics.
Acerca da comercialização de combustíveis no país, o ministro ressaltou que o governo tem combatido a adulteração de combustíveis e, também, más práticas de concentração de mercado. Antes, em entrevista à Globonews, o ministro afirmou que o governo precisa manter o “pulso firme” no acompanhamento do custo de energia e disse acreditar que o presidente Lula cumprirá um quarto mandato no Palácio do Planalto.
Na primeira semana de julho, a Balança Comercial do Brasil apresentou um superávit de US$ 1,3 bilhão, com exportações alcançando US$ 5,93 bilhões e importações totalizando US$ 4,6 bilhões. No acumulado do ano, as exportações somam US$ 171,8 bilhões, enquanto as importações atingem US$ 140,4 bilhões, resultando em um saldo positivo de US$ 31,39 bilhões e uma corrente de comércio de US$ 312,2 bilhões. Ao comparar os dados da primeira semana de julho de 2025 com o mesmo período de 2024, observa-se um aumento de 10,6% nas exportações e um crescimento de 14,3% nas importações. A média diária da corrente de comércio foi de US$ 2,639 bilhões, com um saldo médio diário de US$ 325,31 milhões, refletindo um crescimento de 12,2% em relação ao ano anterior.
No que diz respeito ao desempenho das exportações até a primeira semana de julho de 2025, a Indústria Extrativa registrou um crescimento significativo de 24,4%, enquanto a Indústria de Transformação também teve um aumento de 15,2%. Por outro lado, a Agropecuária enfrentou uma queda de 13,8% em suas exportações. As importações, por sua vez, mostraram um crescimento de 2,9% no setor Agropecuário e um aumento de 16,6% na Indústria de Transformação. No entanto, a Indústria Extrativa apresentou uma redução de 6,4% nas importações, indicando uma variação nas dinâmicas de comércio exterior do país.
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 5,2% para 5,18% este ano. É a sexta redução seguida na estimativa, publicada no Boletim Focus desta segunda-feira (7), em Brasília. A pesquisa é divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
Para 2026, a projeção da inflação permaneceu em 4,5%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 4% e 3,8%, respectivamente.
A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.
Em maio, a inflação oficial fechou em 0,26%. O resultado mostra desaceleração após o IPCA ter marcado 0,43% em abril. O índice - divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - acumula taxas de 2,75% no ano e de 5,32% em 12 meses.
Juros básicos
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Apesar do recuo recente da inflação, as incertezas em relação à economia fizeram o colegiado elevar os juros em 0,25 ponto percentual na última reunião, no mês passado, sendo o sétimo aumento seguido da Selic em um ciclo de contração na política monetária.
Em ata, o Copom informou que deverá manter os juros no mesmo patamar nas próximas reuniões, enquanto observa os efeitos do ciclo de alta da Selic sobre a economia. No entanto, não descartou mais aumentos, caso a inflação suba.
A decisão surpreendeu parte do mercado financeiro, que não esperava um novo aumento e, nesse cenário, a estimativa dos analistas é que a taxa básica encerre 2025 em 15% ao ano.
Para o fim de 2026, a expectativa é de que a taxa básica caia para 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.
Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
PIB e câmbio
A estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 2,21% para 2,23% nesta edição do Boletim Focus. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB - a soma dos bens e serviços produzidos no país) foi reduzida de 1,87% para 1,86%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2%, para os dois anos.
Puxada pela agropecuária no primeiro trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 1,4%, de acordo com o IBGE. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando o PIB alcançou 4,8%.
A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,70 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,75.
O presidente dos Correios, Fabiano Silva, pediu demissão nesta sexta-feira (4). A empresa registrou prejuízo de R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre deste ano e há tempos Silva vinha sendo pressionado a deixar o cargo. O Centrão está de olho no comando da estatal.
A carta de demissão de Silva foi entregue no Palácio do Planalto ao chefe do gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. O presidente está no Rio, onde participa da Cúpula do Brics. A dispensa somente será oficializada após reunião entre Lula e Silva, na próxima semana.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tenta emplacar aliados nos Correios e no Banco do Brasil (BB). Alcolumbre já conversou sobre o assunto com Lula. Até agora, no entanto, ele resiste a substituir a presidente do BB, Tarciana Medeiros, que é bem avaliada no Palácio do Planalto. O rombo nos Correios e mudanças feitas por Silva na estatal, porém, contrariaram interesses de empresas de transportes e até mesmo do Congresso.
O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, também queria a troca de Fabiano Silva e, recentemente, teve uma áspera discussão com ele. O bate-boca começou quando Costa exigiu um plano de corte de gastos que incluía demissão de funcionários e enxugamento de agências no País. A situação ficou insustentável porque Silva, mais uma vez, discordou do chefe da Casa Civil.
Os Correios encerraram 2024 com um prejuízo de R$ 2,6 bilhões, valor quatro vezes maior do que o registrado no ano anterior, de R$ 597 milhões. Até então, o pior resultado da empresa havia sido em 2016, quando o rombo chegou a aproximadamente R$ 1,5 bilhão.
Integrante do Grupo Prerrogativas, que reúne advogados ligados ao PT, Silva atribuiu o prejuízo da empresa, no ano passado, à taxação de compras internacionais. O imposto de até US$ 50, criado para a importação de encomendas e conhecido como “taxa das blusinhas”, provocou consequências desastrosas para a estatal.
Desgastado e sob uma avalanche de críticas, Silva sempre disse que, somado a esse fator, o resultado dos Correios também sofria impacto, até hoje, da herança recebida do governo de Jair Bolsonaro.
O comunicado da cúpula do Brics deu ênfase a um tema tratado pela área financeira do grupo e enfatizou as ações do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês, conhecido como Banco dos Brics) de expandir o financiamento em moeda local. O bloco também destacou outras atividades da instituição, como mobilizar recursos, fomentar a inovação, diversificar as fontes de financiamento e apoiar projetos impactantes que promovam o desenvolvimento sustentável, reduzam a desigualdade e promovam investimentos em infraestrutura e integração econômica.
“Também reconhecemos e incentivamos a contínua expansão do seu número de membros e o fortalecimento de sua estrutura de governança, que aumentam a resiliência institucional e a eficácia operacional, para continuar a executar seu propósito e funções de forma justa e não discriminatória”, escreveram os líderes.
O grupo também apoiou “plenamente” a liderança da ex-presidente brasileira, Dilma Rousseff, que foi reconduzida à presidência do NDB e “recebeu forte apoio de todos os membros”. “Saudamos o firme progresso do Banco em direção à sua consolidação como uma instituição global para o desenvolvimento e a estabilidade. Essa trajetória reflete nosso compromisso compartilhado de fortalecer mecanismos financeiros que promovam o desenvolvimento inclusivo e sustentável no Sul Global.”
O Banco Central (BC) suspendeu no último sábado (5) cautelarmente do Pix mais três instituições financeiras suspeitas de ter recebido recursos desviados no ataque cibernético contra a provedora de serviços tecnológicos C&M Software. A medida preventiva é contra a Voluti Gestão Financeira, a Brasil Cash e a S3 Bank. Já haviam sido desconectadas do sistema a Transfeera, a Soffy e a Nuoro Pay. O BC vai apurar se as seis empresas têm relação com o ataque que desviou recursos de contas que os bancos mantêm como reserva na autoridade monetária. A TV Brasil confirmou que pelo menos R$ 530 milhões foram desviados.
Com duração de 60 dias, a suspensão é prevista pelo Artigo 95-A da Resolução 30 do Banco Central, de outubro de 2020, que regulamentou o Pix. Pela resolução, o BC pode “suspender cautelarmente, a qualquer tempo, a participação no Pix do participante cuja conduta esteja colocando em risco o regular funcionamento do arranjo de pagamentos”.
Sociedade de capital fechado autorizada pelo Banco Central, a Transfeera confirmou que a funcionalidade do Pix foi suspensa. No entanto, a companhia, que atua na gestão financeira de empresas, ressaltou que os demais serviços oferecidos continuam a funcionar normalmente. “Nossa instituição, tampouco nossos clientes, foram afetados pelo incidente noticiado no início da semana e estamos colaborando com as autoridades para liberação da funcionalidade de pagamento instantâneo”, destacou a companhia em nota.
A Soffy e a Nuoro Pay são fintechs (empresas financeiras digitais) que não são autorizadas pelo BC a fazer parte do Pix, mas participam do sistema instantâneo de transferências em parcerias com outras instituições financeiras. Nenhuma das duas empresas se manifestou até a publicação desta reportagem. Voluti Gestão Financeira, Brasil Cash e S3 Bank foram contactadas pela TV Brasil, mas também não se manifestaram sobre a suspensão.
Segundo o Banco Central, a suspensão das instituições do Pix tem como objetivo proteger a integridade do sistema de pagamentos e garantir a segurança do arranjo, até que as investigações sobre o desvio de recursos do sistema financeiro sejam concluídas.
Na noite de terça-feira (1º), um ataque cibernético nos sistemas da empresa C&M Software, que presta serviços tecnológicos a instituições financeiras, resultou no desvio de recursos de contas reservas que os bancos mantêm no BC para cumprirem exigências legais. O dinheiro foi transferido por Pix e convertido em criptomoedas. Embora não opere transações financeiras, a C&M conecta várias instituições financeiras ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), operado pelo Banco Central. Na quinta-feira (3), o BC autorizou a empresa alvo do ataque a retomar as operações Pix.
A Polícia Federal, a Polícia Civil de São Paulo e o Banco Central investigam o caso. Em comunicado na página da companhia na internet, a C&M informou que nenhum dado de cliente foi vazado. Nesta sexta-feira (4), a Polícia Civil de São Paulo prendeu um funcionário da C&M que recebeu R$ 15 mil para dar aos criminosos acesso aos sistemas da empresa. O suspeito confessou ter fornecido a senha de acesso R$ 5 mil e ter recebido mais R$ 10 mil para criar um sistema de acesso aos hackers.
O Supremo Tribunal Federal derrubou o aumento do IOF, proposto pelo governo federal, e o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que derrubava a elevação do imposto. Na prática, o aumento do IOF está suspenso. O STF não apenas anulou o decreto, como também foi uma espécie de ator político, chamando as partes, Executivo e Legislativo, para uma conciliação.
Com essa decisão, abre-se um precedente perigoso, pois não é, em essência, função do STF ser um mediador de conflitos entre o Planalto e o Parlamento, agindo como um poder moderador. Aliás, a saída encontrada não é nova. Já assistimos a este filme no impasse das emendas parlamentares. Por mais custosa e impopular que seja uma decisão, não cabe ao Supremo ser um mediador de conflitos, mas apenas fazer o controle de constitucionalidade da matéria. Há exceções que são problemáticas, pois podem se tornar lugar comum futuramente.
A judicialização excessiva e o Poder Judiciário invadindo competências do Congresso Nacional também eram vistas como exceções à época, e hoje se tornaram questões de debate nacional na imprensa, na política, e nos meios acadêmicos. Sob essa lógica, daqui a pouco veremos o STF exercendo uma função que não compete a ele: o mediador de conflitos da República.
O Banco Central (BC) suspendeu cautelarmente do Pix três instituições financeiras suspeitas de ter recebido recursos desviados no ataque cibernético contra a provedora de serviços tecnológicos C&M Software. Foram desconectadas do sistema a Transfeera, a Soffy e a Nuoro Pay. O BC vai apurar se as três empresas têm relação com o ataque, que desviou recursos de contas que os bancos mantêm como reserva na autoridade monetária. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) confirmou que pelo menos R$ 400 milhões foram desviados.
Com duração máxima de 60 dias, a suspensão é prevista pelo Artigo 95-A da Resolução 30 do Banco Central, de outubro de 2020, que regulamentou o Pix. Pela resolução, o BC pode “suspender cautelarmente, a qualquer tempo, a participação no Pix do participante cuja conduta esteja colocando em risco o regular funcionamento do arranjo de pagamentos”. Sociedade de capital fechado autorizada pelo Banco Central, a Transfeera confirmou que a funcionalidade do Pix foi suspensa. No entanto, a companhia, que atua na gestão financeira de empresas, ressaltou que os demais serviços oferecidos continuam a funcionar normalmente.
“Nossa instituição, tampouco nossos clientes, foram afetados pelo incidente noticiado no início da semana e estamos colaborando com as autoridades para liberação da funcionalidade de pagamento instantâneo”, destacou a companhia em nota. As outras duas instituições suspensas do Pix são as fintechs (empresas financeiras digitais) Soffy e Nuoro Pay. As companhias não são autorizadas pelo BC a fazer parte do Pix, mas participam do sistema instantâneo de transferências em parcerias com outras instituições financeiras. Nenhuma das duas empresas se manifestou até o fechamento da reportagem.
Segundo o Banco Central, a suspensão das instituições do Pix tem como objetivo proteger a integridade do sistema de pagamentos e garantir a segurança do arranjo, até que as investigações sobre o desvio de recursos do sistema financeiro sejam concluídas.
Na noite de terça-feira (1º), um ataque cibernético nos sistemas da empresa C&M Software, que presta serviços tecnológicos a instituições financeiras, resultou no desvio de recursos de contas reservas que os bancos mantêm no BC para cumprirem exigências legais. O dinheiro foi transferido por Pix e convertido em criptomoedas. Embora não opere transações financeiras, a C&M conecta várias instituições financeiras ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), operado pelo Banco Central. Na quinta-feira (3), o BC autorizou a empresa alvo do ataque a retomar as operações Pix.
A Polícia Federal, a Polícia Civil de São Paulo e o Banco Central investigam o caso. Em comunicado na página da companhia na internet, a C&M informou que nenhum dado de cliente foi vazado. Nesta sexta-feira (3), a Polícia Civil de São Paulo prendeu um funcionário da C&M que recebeu R$ 15 mil para dar aos criminosos acesso aos sistemas da empresa. O suspeito confessou ter fornecido a senha de acesso R$ 5 mil e ter recebido mais R$ 10 mil para criar um sistema de acesso aos hackers.
A Transfeera anunciou que sua funcionalidade de Pix está temporariamente desativada em decorrência de uma ação do Banco Central. A medida foi tomada após a suspensão cautelar de três instituições que estão sendo investigadas por supostamente terem recebido valores desviados em um incidente de segurança que afetou a C&M Software. As outras duas instituições envolvidas são a Soffy e a Nuoro Pay. De acordo com a Transfeera, que possui autorização do Banco Central para operar, tanto a empresa quanto seus clientes não foram impactados pelo incidente. A empresa ressaltou que está colaborando com as investigações das autoridades para que o serviço possa ser restabelecido o mais rápido possível.
O Banco Central tem a prerrogativa de suspender a participação de instituições no sistema Pix quando há indícios de que suas ações possam comprometer a segurança do sistema. Essa suspensão pode ter uma duração máxima de 60 dias, conforme as normas estabelecidas. As investigações em curso estão relacionadas a um desvio que ultrapassa R$ 800 milhões, o que levanta preocupações sobre a segurança e a integridade do sistema financeiro. A situação continua a ser monitorada de perto pelas autoridades competentes.
O governo brasileiro está analisando estratégias para facilitar o acesso da classe média ao crédito para a compra de imóveis, com foco em propriedades que custam até R$ 1,5 milhão. Entre as medidas propostas, está a flexibilização do compulsório da poupança e a melhoria das condições dos contratos atrelados ao IPCA. O presidente Lula solicitou agilidade na implementação dessas ações, preocupado com a sua popularidade. Atualmente, a poupança é a principal fonte de recursos para o financiamento habitacional, mas sua participação no mercado tem diminuído. O Banco Central (BC) propõe mudanças nas regras de aplicação dos recursos captados por meio da poupança, permitindo que os bancos recebam um “bônus” por cada real adicional emprestado para habitação. Essa medida pode injetar entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões no setor.
Outra proposta em discussão visa tornar os contratos corrigidos pelo IPCA mais atraentes, uma vez que a adesão a esses contratos é baixa devido ao aumento do saldo devedor ao longo do tempo. A ideia é implementar um adicional de amortização nas prestações, o que tornaria o pagamento mais previsível para os mutuários. A proposta foi discutida em uma reunião entre Lula, ministros e o presidente do Banco Central. O governo também está mantendo conversas com associações do setor imobiliário e instituições financeiras.
A diminuição dos recursos da poupança tem dificultado o acesso da classe média ao financiamento, levando o governo a destinar R$ 15 bilhões do fundo social do pré-sal para criar uma nova faixa do programa Minha Casa Minha Vida. O presidente do Banco Central anunciou que um novo modelo de financiamento será revelado em breve. O ministro da Fazenda ressaltou a importância de aumentar o crédito imobiliário para a classe média, que atualmente é inferior ao de outros países.
Os consumidores de energia elétrica em São Paulo devem se preparar para um aumento significativo nas tarifas a partir desta sexta-feira (4). A Enel, responsável pela distribuição de energia em 24 municípios, incluindo a capital paulista e a região metropolitana, anunciou um reajuste anual aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para residências e pequenos comércios, que operam em baixa tensão, o aumento será de aproximadamente 13%. Já para grandes empresas e shoppings, que utilizam alta tensão, o reajuste será de 15,7%.
Este aumento nas tarifas de energia elétrica deve impactar diretamente a inflação de julho. A Enel representa 80% da amostra de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e quase um terço do peso no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com um faturamento anual de cerca de R$ 22 bilhões e uma base de 8 milhões de clientes, a Enel é uma das maiores concessionárias do país. Entre os fatores que contribuíram para o reajuste estão os encargos setoriais, que tiveram um efeito de 6,4% sobre o índice de aumento.
Além do reajuste, a Aneel decidiu manter a bandeira tarifária vermelha no patamar um para o mês de julho. Isso significa que serão acrescidos R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos. Com essas mudanças, os consumidores devem sentir um aumento considerável no valor das contas de energia elétrica. A situação será monitorada de perto, dado o impacto significativo que pode ter no orçamento das famílias e no cenário econômico geral.
Diante desse cenário, é importante que os consumidores busquem alternativas para reduzir o consumo de energia e, assim, minimizar o impacto no orçamento doméstico. Medidas como o uso consciente de eletrodomésticos, a substituição de lâmpadas incandescentes por LED e a revisão de hábitos de consumo podem ajudar a controlar os gastos. Além disso, é fundamental que as autoridades e a sociedade civil discutam soluções de longo prazo para garantir a sustentabilidade e a acessibilidade da energia elétrica no país.
O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, demonstrou preocupação com a desinformação sobre fraudes em benefícios previdenciários de aposentados e pensionistas. Ele comentou sobre a possibilidade de o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ser escolhido relator da CPMI que investiga os descontos indevidos no fundo: “A nossa população precisa de informação”. Em entrevista ao portal UOL, nesta quarta-feira, 2, o presidente do INSS lembrou que o vídeo de Nikolas sobre as fraudes no INSS tinha informações falsas e gerou preocupação em muitos aposentados e pensionistas.
“Uma das críticas que eu tenho foi confundir num vídeo que ele [Nikolas] fez a questão dos empréstimos consignados com descontos associativos, dizendo que essa questão do desconto associativo gerou um prejuízo de 90 bilhões de reais. Isso é uma informação falsa”, diz Waller. O presidente justifica “se a ideia for informar, se for transparente, se for colocar limpo, seja quem for, será bem-vindo”. Ele ainda reforça: “o que a gente não pode ter é, na verdade, a desinformação, é gerar pânico, gerar ansiedade. Muitos dos nossos brasileiros ficaram preocupados com o desconto associativo pela desinformação, achando que todo e qualquer desconto era fraudado, que a sua conta era fraudada”.
Waller também afirmou que, “para tranquilizar os brasileiros” o governo precisou comunicar 27 milhões de aposentados e pensionistas de que não haviam descontos associativos, e avisando que não precisariam contratar advogado. “Eu amo a transparência, a transparência verdadeira, a transparência que venha trazer esclarecimento para a população. Se esse for o objeto, eu acho ótimo, o que não pode ser feito é desinformação, é uma situação de trazer o espetáculo”, diz o presidente.
Integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados usaram as redes sociais para responder ao vídeo de Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre o escândalo dos desvios no INSS. Publicada no dia 6 de maio, a gravação do deputado repete o mesmo modelo usado no vídeo viral de janeiro sobre as mudanças no Pix, e acumulou mais de 134 milhões de visualizações.
Na gravação de pouco mais de seis minutos, Nikolas (com filtro para deixar a aparência envelhecida) afirma que o esquema fraudulento é o “maior escândalo da história do Brasil”, faz acusações sobre o governo Lula não ter tomado medidas para apurar os desvios bilionários, e defende o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – cujo governo também foi atravessado por fraudes no INSS.
Enquanto a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, e o chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho, rebateram as acusações do deputado bolsonarista sem o citar nominalmente, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) usou o próprio vídeo de Nikolas como fundo para contestar as afirmações do parlamentar.
