
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta que o Dia dos Pais deste ano registrará o melhor desempenho para o setor varejista desde 2014. A estimativa é de que a data movimente R$ 7,84 bilhões em negócios e crie 11 mil empregos temporários, o maior número para o período em 12 anos. De acordo com o levantamento, o setor de hiper e supermercados deve liderar as contratações, com a oferta de 5.200 vagas. Em seguida, aparecem as lojas de utilidades domésticas e eletrônicos (2.000 vagas) e o segmento de vestuário (mais de 1.000 vagas). O salário médio de admissão para esses postos temporários é de R$ 1.890.
Entre os presentes mais procurados, a expectativa é que o setor de perfumaria e cosméticos se destaque, movimentando quase R$ 3 bilhões. Juntamente com artigos de vestuário, eletrônicos e utilidades domésticas, esses segmentos devem responder por 77% do total de vendas da data.
Uma comitiva suprapartidária de senadores brasileiros desembarcou em Washington, nos Estados Unidos, para iniciar uma série de negociações contra o chamado “tarifaço”. O grupo, composto por oito parlamentares de diferentes partidos como Podemos, PT e PL, busca evitar a implementação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, proposta por Donald Trump, que pode entrar em vigor já na próxima sexta-feira (1º). A agenda da delegação se estenderá até quarta-feira (30) e foi dividida em duas frentes. Primeiramente, os senadores se reunirão com empresários americanos que possuem investimentos no Brasil e com empresários brasileiros que têm negócios nos EUA. O objetivo é demonstrar o impacto econômico negativo que a medida traria para ambos os países.
São oito senadores de diversos partidos e correntes políticas:
– Nelsinho Trad, do PSD de Mato Grosso do Sul;
– Tereza Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul;
– Jaques Wagner, do PT da Bahia;
– Marcos Pontes, do PL de São Paulo;
– Rogério Carvalho, do PT de Sergipe;
– Carlos Viana, do Podemos de Minas Gerais;
– Fernando Farias, do MDB de Alagoas;
– Esperidião Amim, do PP de Santa Catarina.
Em um segundo momento, os parlamentares se encontrarão com autoridades e congressistas norte-americanos. Os nomes das autoridades dos EUA não foram divulgados por precaução, devido ao receio de que aliados de Donald Trump e de Eduardo Bolsonaro possam interferir nas negociações.
A missão oficial se encerrará na quarta-feira com um encontro na Sociedade das Américas e uma coletiva de imprensa na embaixada brasileira. A visita dos senadores é mais uma frente de atuação contra a tarifa, somando-se aos esforços do governo federal, coordenados pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, e a uma futura missão que está sendo organizada por empresários do setor industrial.
Alexandro Broedel, ex-diretor financeiro do Itaú, está cobrando R$ 15,4 milhões do banco, como remuneração “devida e não paga”. As informações são do portal Metrópoles. O valor foi apresentado pela defesa de Broedel à Justiça no caso em que ele é acusado de suposto conflito de interesse e fraude pelo Itaú. O processo se tornou publico no fim de 2024, com duas ações em curso. A instituição financeira alega que Broedel se beneficiou de uma consultoria, que era mantida por ele em sociedade com Eliseu Martins, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP) e contabilista renomado.
O banco cobrava R$ 10 milhões de Broedel e Martins, somados os processos. Segundo o Itaú, esses valores foram pagos de maneira irregular a dois especialistas de contabilidade contratados para prestação de serviços. A defesa de Broedel nega e argumenta que ação foi movida “pela mais fútil das razões: o despeito”. Segundo ele, o motivo seria retaliação pela decisão de se transferir para o Santander, em cargo de diretor global de contabilidade na Espanha, o que não aconteceu. O português Manuel Preto assumiu o posto depois do escândalo ser noticiado.
Em suma, o ex-diretor afirma que o Itaú se recusa a pagar “remuneração relativa aos bônus de períodos efetivamente trabalhados” no valor de R$ 15,4 milhões. Esse montante incluiria valores devidos antes de Broedel comunicar sua saída do banco em julho de 2024 para se mudar para a Espanha. Os bônus do ex-executivo do Itaú eram pagos 30% em dinheiro e 70% em ações preferenciais, com o pagamento das ações ocorrendo diluído em pelo menos três anos, um método comum em instituições financeiras.
Broedel exige o pagamento de valores antigos e proporcionais até meados do ano passado, alegando ter cumprido as exigências para desligamento de altos funcionários, incluindo a dispensa do “garden leave”. Além da questão financeira, a defesa de Broedel contesta as acusações do Itaú, afirmando que o banco sabia da sociedade entre o ex-diretor e o professor Martins na empresa Broedel Consultores desde 2012. Também alega que Broedel não aprovava sozinho os pagamentos de pareceres e consultorias de Martins, apresentando mensagens com um diretor do Itaú que citam o contrato.
Os advogados de Broedel ainda afirmam que a relação entre ele e Martins era benéfica para o Itaú, pois o banco não via conflito de interesses, mas sim um “predicado” que gerava “resultados incalculáveis” na “construção e defesa de teses contábeis que reduzem os tributos pagos pelo Itaú”.
Broedel acusa o Itaú de quebrar seu sigilo bancário ao expor informações de suas contas e de Martins em documentos judiciais e no site do banco. Ele também menciona uma suposta pressão do banco sobre Martins, que teria levado a um acordo em maio entre o professor da USP e o Itaú. Broedel sugere que o banco “perseguiu os filhos de Martins”, envolvendo-os em processos criminais e usando influência para que um deles fosse demitido do Insper, com o objetivo de pressionar Martins e levá-lo ao acordo. A instituição negou a demissão.
O Itaú, por sua vez, “reitera que a ação judicial movida contra Alexsandro Broedel é baseada em fatos devidamente comprovados nos autos, não sendo motivada por conjecturas ou qualquer tipo de retaliação”. O banco afirma que “desconhecia a existência de sociedade de fato entre o ex-diretor financeiro e Eliseu Martins”, pois Broedel havia negado qualquer relação com fornecedores ou parceiros comerciais em formulário de compliance anual.
O Itaú sustenta que “Tal declaração foi desmentida pela confissão posterior de Eliseu Martins, que admitiu ter repassado 40% dos valores pagos à CARE Consultores – empresa da qual ele e seu filho, Eric Martins, são sócios – diretamente a Alexsandro Broedel, que era responsável por solicitar os pareceres e aprovar os pagamentos, inclusive aqueles contratados pelo próprio Itaú Unibanco”.
O banco “reafirma que seu robusto ecossistema de políticas e processos de ética e compliance permanece íntegro e que não houve falhas internas nesse aspecto”, reiterando que a “ética é um valor inegociável para o Itaú Unibanco, e, por isso, não toleramos e não toleraremos qualquer desvio de conduta”.
Um representante do governo dos Estados Unidos declarou que a Casa Branca não identificou um papel significativo do Brasil nas discussões sobre as tarifas de 50% que foram anunciadas por Donald Trump. Essa nova medida está programada para entrar em vigor no dia 1º de agosto, e o governo americano está elaborando um decreto para formalizá-la. De acordo com negociadores brasileiros, as conversas estão estagnadas, aguardando uma resposta da Casa Branca. Eles ressaltam que já apresentaram propostas antes do anúncio da elevação das tarifas. O governo do Brasil não está disposto a fazer concessões em relação à justificativa política de Trump, que menciona uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentou estabelecer contato com o secretário do Tesouro dos EUA, mas foi informado de que a questão está sob a análise da Casa Branca. Por sua vez, o vice-presidente Geraldo Alckmin conversou com o secretário do Comércio, Howard Lutnick, reiterando a disposição do Brasil para o diálogo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que Alckmin tem buscado negociações diariamente, mas sem resultados positivos.
Em maio, o governo brasileiro enviou uma proposta de negociação quando as tarifas estavam fixadas em 10%. Após o anúncio do aumento, uma nova carta foi enviada, cobrando uma resposta. Este documento, assinado por Alckmin e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, expressa indignação e solicita uma posição dos Estados Unidos. Trump também anunciou acordos com outras nações, mas a negociação com o Brasil enfrenta dificuldades devido a alegações de censura à liberdade de expressão no Judiciário brasileiro. Lula classificou essas alegações como uma tentativa de interferência e um ataque à soberania do país
A Receita Federal arrecadou R$ 3,797 bilhões com atividades de jogos de azar e apostas de janeiro a junho deste ano. Somente em junho, foram R$ 764 milhões, valor bem acima dos R$ 6 milhões registrados no mesmo mês de 2024. Em maio, a arrecadação foi de R$ 814 milhões. Segundo o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, o forte crescimento se deve ao fato de que, até junho do ano passado, o setor ainda não era regulamentado no país.
Atualmente, a arrecadação vem da aplicação de uma alíquota de 12% sobre a receita bruta dos jogos (GGR). No entanto, uma medida provisória publicada em junho elevou essa alíquota para 18%. A MP já está em vigor, mas precisa ser aprovada pelo Congresso até outubro para virar lei.
A arrecadação federal brasileira atingiu um recorde histórico em junho, alcançando R$ 34,6 bilhões, o maior valor registrado para o mês desde 1995. Este aumento significativo foi impulsionado principalmente pela alta na arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que somou R$ 20 bilhões, representando um crescimento de quase 39% em comparação com o ano anterior. O auditor fiscal Claudemir Malaquias destacou que a alteração no tributo regulatório pode provocar reações comportamentais nos contribuintes, especialmente diante das discussões sobre mudanças no decreto que regula o imposto.
No acumulado do ano, a arrecadação federal já totaliza R$ 1,425 bilhão, um crescimento real de 4,40% em relação ao mesmo período do ano passado. Este desempenho foi impulsionado por medidas como a tributação de fundos exclusivos e offshores, a reoneração de combustíveis, e a taxação de apostas eletrônicas e encomendas internacionais. Com o aumento na arrecadação, o governo federal ganha fôlego para cumprir a meta fiscal e reduzir o bloqueio no orçamento, projetando fechar 2025 com um déficit primário de R$ 300 bilhões, dentro do limite tolerado pela regra fiscal.
A expectativa do governo é que, com a continuidade dessas medidas, consiga manter o equilíbrio fiscal e garantir a sustentabilidade das contas públicas. A arrecadação em alta é vista no Palácio do Planalto como um passo importante para o cumprimento das metas fiscais estabelecidas, proporcionando maior estabilidade econômica e confiança no mercado. No entanto, especialistas afirmam que sem um plano robusto para o corte de gastos federais, o equilíbrio fiscal não será atingido.
*Com informações de Aline Becketty
Durante uma reunião na Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil manifestou sua insatisfação em relação às tarifas unilaterais impostas pelos Estados Unidos nesta quarta-feira (23). Falas foram apoiadas por cerca de 40 associados, entre eles a União Europeia, China, Índia, Canadá e Austrália. O secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Philip Fox-Drummond Gough, argumentou que essas tarifas são arbitrárias e comprometem a soberania das nações, mas não citou nominalmente o país nem Donald Trump.
“O mundo está testemunhando uma mudança extremamente perigosa em direção ao uso de tarifas como ferramenta em tentativas de interferir nos assuntos internos de terceiros países. Como uma democracia estável, o Brasil tem firmemente enraizados em nossa sociedade princípios como o Estado de Direito, a separação de poderes, o respeito às normas internacionais e a crença na solução pacífica de controvérsias”, afirmou o embaixador.
Gough ressaltou que as tarifas não apenas afetam o comércio, mas também representam uma violação das normas internacionais, prejudicando as cadeias de valor globais. “Tarifas arbitrárias, anunciadas e implementadas de forma caótica, estão interrompendo as cadeias de valor globais e correm o risco de lançar a economia mundial em uma espiral de preços altos e estagnação. Tais medidas unilaterais constituem uma violação flagrante dos princípios fundamentais que sustentam a OMC e que são essenciais para o funcionamento do comércio internacional.”
O Brasil reafirmou seu compromisso em buscar soluções por meio de negociações e anunciou que recorrerá à OMC para contestar as tarifas. “Negociações baseadas em jogo de poder são um atalho perigoso para a instabilidade e a guerra. Diante da ameaça de fragmentação, a defesa consistente do multilateralismo é o caminho a seguir”, disse. A delegação brasileira destacou a importância do diálogo e da negociação para a resolução de conflitos comerciais, defendendo um sistema que funcione de maneira justa para todos os países envolvidos. “Neste momento de grave instabilidade, é imperativo que todos trabalhemos juntos em apoio a um Sistema Multilateral de Comércio baseado em regras. É essencial que a OMC recupere seu papel como um espaço onde todos os países podem resolver disputas e afirmar interesses legítimos por meio do diálogo e da negociação”.
“A incapacidade de encontrar um caminho que nos leve adiante apenas promoverá uma espiral negativa de medidas e contramedidas que nos tornará mais pobres e mais distantes da prosperidade e dos objetivos de desenvolvimento sustentável”, concluiu.
Em resposta, representantes dos Estados Unidos alegaram que suas empresas são “forçadas a competir em condições desiguais com os países que não estão seguindo as regras e as disciplinas com as quais concordaram ao se tornarem membros dessa instituição” e manifestaram interesse em iniciar negociações bilaterais.
A OMC, por sua vez, enfrenta um impasse que já dura mais de cinco anos, o que tem dificultado a resolução de disputas comerciais. O governo brasileiro está buscando um adiamento da sobretaxa de 50% sobre suas exportações, na esperança de chegar a um entendimento com os EUA.
A Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo apreenderam R$ 700 mil em dinheiro vivo em Boa Vista (RR). Os valores foram encontrados com um homem cuja conta bancária recebeu “grandes valores oriundos de empresas beneficiárias de furto bancário eletrônico” – hackeamento de contas ligadas ao Banco Central, via acesso por uma empresa de software, no dia 30 de junho. O golpe é investigado pela PF e pela Promotoria de São Paulo no âmbito da Operação Magna Fraus.
Segundo a PF, a ação que levou à prisão do suspeito é “fruto de intercâmbio” regular de informações junto ao Banco Central e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), que reporta transações atípicas à Polícia Federal. Flagrado com os R$ 700 mil em uma casa na capital de Roraima, o homem foi preso por lavagem de dinheiro “em virtude da ausência de justificativas plausíveis para a posse dos altos montantes em espécie”.
O rombo estimado em mais de R$ 500 milhões representa a maior fraude eletrônica já realizada contra o sistema financeiro e alcançou contas de liquidação de oito bancos e instituições. Os investigadores apontam que a ação esvaziou contas de pagamentos instantâneos.
O dólar firmou queda ante o real na tarde desta quarta-feira (23), com maior apetite a risco global pela expectativa de que os Estados Unidos fechem mais acordos comerciais, após anúncio de entendimento com o Japão e noticiário sobre conversas com a União Europeia (UE). O fechamento de R$ 5,52 e a mínima intradia, a R$ 5,5161, são os menores níveis vistos para os segmentos desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou em taxar o Brasil.
Após máxima R$ 5,5782 pela manhã, o dólar à vista renovou sucessivas mínimas no início da tarde e encerrou em baixa de 0,79%, a R$ 5,5230, menor fechamento desde 9 de julho de 2025, no dia em que Trump anunciou – após o fechamento dos mercados – que pretende tarifar produtos brasileiros em 50% a partir de 1º de agosto.
A desvalorização do dólar ante o real ganhou ainda mais força com o enfraquecimento da moeda ante pares fortes, vide o índice DXY nas mínimas no período da tarde, em decorrência de notícias, como a do Financial Times, de que os EUA e a UE se aproximam de acordo para tarifa de 15% sobre produtos europeus – menor do que o porcentual de 30% informado ao bloco. A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que, após as resoluções com Japão, Indonésia e Filipinas, os EUA ainda têm “muitos acordos comerciais para anunciar”.
A busca por risco é vista pela queda da divisa americana ante moedas emergentes e de exportadoras de commodities, mesmo em dia de baixa do minério de ferro e volatilidade do petróleo. Alguns operadores também afirmam que o real se beneficia do carry trade, com expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) manterá a taxa Selic em 15% por período “bastante prolongado”.
O Ibovespa voltou nesta quarta-feira à casa dos 135 mil pontos com ganho perto de 1%, porcentual de alta que não era visto na B3 fazia 20 dias. Entre a mínima e a máxima da sessão, o índice oscilou dos 133.676,27 aos 135.782,00 pontos, saindo de abertura aos 134.035,97 pontos. Ao fim, subiu 0,99%, aos 135 368,27 pontos, com giro financeiro enfraquecido a R$ 17,0 bilhões neste meio de semana. Nas três primeiras sessões do intervalo, o Ibovespa acumula avanço de 1,49% e, no mês, ainda cede 2,51% – no ano, aumenta 12,54%.
Com o dólar tocando mínima da sessão a R$ 5,5161 – e encerrando o dia em baixa de 0,79%, a R$ 5,5230 -, o Ibovespa passou a renovar máximas da sessão ainda no começo da tarde, tendo apenas Vale (ON -0,14%), a ação de maior peso na carteira, no campo negativo no encerramento, entre os papéis de primeira linha. Entre os grandes bancos, os ganhos chegaram a 1,64% (Bradesco ON) no fim da sessão. Petrobras mostrou alta de 2,23% na ON e de 2,04% na PN. Na ponta ganhadora do Ibovespa, Raízen (+5,48%), CVC (+4,74%), Natura (+4,27%) e MRV (+4,19%). No lado oposto, WEG (-8,01%), BRF (-1,85%), Vamos (-1,52%) e Santos Brasil (-0,36%).
Nesse contexto, além da querela sobre o Brasil e sua política doméstica, Trump voltou a criticar hoje por rede social o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, cujo mandato na instituição se estende a maio de 2026. Em publicação na Truth Social, o republicano mais uma vez se referiu a Powell como “atrasado demais” ao insistir que o presidente do BC americano se recusa a reduzir juros, o que, segundo ele, tem prejudicado as famílias, de um modo geral.
Em outro desdobramento, no front brasileiro, as empresas Trump Media, ligadas ao presidente dos Estados Unidos, e o Rumble pediram à Justiça americana que envie ao Departamento de Estado os autos do processo que contesta decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o governo dos EUA considere a aplicação de sanções contra o magistrado e outros ministros da Corte por supostas violações de direitos humanos. O pedido não cita quais ministros, além de Moraes, seriam alvo.
O novo pedido foi apresentado dentro da ação que tramita desde fevereiro no tribunal federal da Flórida, movida pelas duas empresas contra ordens de Moraes. Em meio à escalada do litígio político deflagrado pelos EUA, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse que Trump poderia tirar o Brasil do SWIFT, sistema que facilita transações financeiras internacionais, como fez com a Rússia e o Irã.
O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Jorge Viana, afirmou que o “tarifaço” proposto por Donald Trump não é um problema comercial, mas sim uma ação de grupos extremistas. A declaração foi feita em Brasília, nesta terça-feira (22), após um evento sobre a exportação de produtos agroindustriais. Segundo Viana, a medida é uma ação de um grupo de políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com o objetivo de prejudicar a soberania brasileira. Ele classificou a situação como uma “ação perversa de família de grupos extremistas”.
O governo federal tem se mobilizado para negociar com os Estados Unidos a suspensão do “tarifaço” anunciado por Trump, que pode entrar em vigor a partir de 1º de agosto. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tem liderado uma série de reuniões com diversos setores da economia. Até o momento, foram realizados cerca de 16 encontros com representantes de diferentes segmentos.
Os empresários sugeriram que o governo solicite um prazo maior para o início da vigência da medida e que se articulem para negociar diretamente com o governo norte-americano. Nesta quarta-feira (23), está prevista uma reunião de Alckmin com o setor farmacêutico para debater o assunto. O governo brasileiro busca evitar os impactos negativos que a medida pode causar às exportações do país.
Setores empresariais dos Estados Unidos estão demonstrando apreensão em relação às novas tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, que foram anunciadas por Donald Trump e têm previsão de início em 1º de agosto. As indústrias que importam café, suco de laranja, além de segmentos como petróleo, energia, farmacêutico e aéreo, estão buscando estabelecer diálogos com representantes brasileiros para evitar a aplicação dessas taxas.
A Câmara do Comércio dos EUA fez um apelo para que as sobretaxas sejam discutidas, ressaltando que cerca de 6.500 pequenas empresas americanas podem ser afetadas. A proposta de tarifa incidiria sobre produtos essenciais, o que poderia aumentar os custos para as famílias e comprometer a competitividade de diversos setores produtivos.
Trump associou a implementação das tarifas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de criticar decisões judiciais que, segundo ele, limitam a liberdade de expressão. O governo brasileiro está tentando direcionar as conversas para o âmbito comercial, mas as negociações formais estão suspensas, aguardando uma posição da Casa Branca.
Empresas como Johanna Foods e Johanna Beverages já tomaram medidas legais, acionando o Tribunal de Comércio Internacional para contestar as tarifas, argumentando que Trump ultrapassou seus limites ao relacionar as taxas a questões políticas. O Brasil é responsável por uma parcela significativa das importações de suco de laranja nos EUA, além de ser o maior fornecedor de café e um importante exportador de açúcar, carne bovina e aeronaves.
O Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás manifestou sua preocupação com a possível implementação das sobretaxas, que geram incertezas para o setor. Este segmento é crucial para a economia brasileira, representando 17% do PIB industrial e gerando 1,6 milhão de empregos diretos e indiretos. Em 2024, o petróleo foi o principal produto nas exportações brasileiras.
O governo paulista anunciou a liberação de R$ 200 milhões em crédito subsidiado, destinado a apoiar empresas do estado que serão impactadas pelas tarifas comerciais impostas por Donald Trump. Essas tarifas, que entrarão em vigor no dia 1° de agosto, geram preocupações sobre a competitividade das exportações brasileiras. A nova Linha Giro Exportador foi criada com condições vantajosas, oferecendo taxas de juros a partir de 0,27% ao mês, além da variação do IPCA. As empresas poderão contar com um prazo de até 60 meses para quitar o financiamento, que ainda inclui um período de carência de até 12 meses. O limite de crédito disponível para cada cliente pode chegar a R$ 20 milhões.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) destacou a importância dessas medidas para garantir a continuidade das operações das empresas e a preservação dos postos de trabalho. A iniciativa visa mitigar os efeitos negativos das tarifas que, segundo Trump, serão de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.
Em resposta a essa situação, o governo brasileiro já buscou iniciar negociações com os Estados Unidos, solicitando reuniões para discutir o tema. No entanto, até o momento, não houve retorno por parte da administração americana.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) respondeu a carta aberta enviada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nesta segunda-feira (21). A pasta argumentou que, diferente do que o MST argumenta, não há lentidão na redistribuição de terras e negou falta de incentivo à agricultura familiar. As informações são do jornal Folha de S.Paulo. “Ao contrário do que diz a carta do MST, a reforma agrária no Brasil retomou o ritmo dos dois primeiros governos do presidente Lula”, declara o MDA, presidido pelo ministro Paulo Teixeira. A pasta ainda complementa: “a meta é criar 30 mil novos lotes ainda em 2025 e 60 mil até o final do mandato, o que representa metade de todas as 120 mil famílias acampadas em todo o Brasil”
O MST, no entanto, afirma que “400 mil famílias assentadas seguem à espera de políticas públicas que existem, mas não chegam à base”. Na carta aberta, o movimento social questionava o governo após seu apoio nas eleições de 2022. “Após mais de três anos de governo Lula, a reforma agrária continua paralisada e as famílias acampadas e assentadas se perguntam: Lula, cadê a reforma agrária?”. “Respeitamos o papel dos movimentos sociais de reivindicar mas a verdade é que o governo Lula 3 caminha para bater recordes históricos na reforma agrária”, responde o MDA para as acusações de lentidão.
O MST ainda faz referência à sobretaxa de 50% sobre os produtos nacionais imposta pelo presidente americano, Donald Trump. O movimento aproveita a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com foco em soberania nacional e afirma: “soberania nacional só é possível com soberania alimentar. E a soberania alimentar se constrói com a agricultura familiar camponesa e com a reforma agrária”.
Em carta divulgada em janeiro, o MST já tinha cobrado o assentamento de 100 mil famílias que seguiam acampadas pelo País O movimento invadiu 11 propriedades em abril deste ano, cobrando mais velocidade no assentamento de famílias.
O presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta segunda-feira (21), após reunião com representantes das big techs, que as provedoras defendem um “Pix para todos”. A declaração foi feita após uma reunião na vice-presidência, onde a investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos, na semana passada, sobre “relações desleais” por parte do Brasil foi discutida.
“Abrimos um bom diálogo com as empresas de tecnologia. O Pix é um sucesso absoluto, acho até que vai ter o Pix no pagamento parcelado. (…) As big techs falaram que é importante um ‘Pix para todos’, mas é importante é que seja de graça. É um sucesso”, afirmou Alckmin. Alckmin afirmou que a discussão com as big techs foi importante porque elas foram diretamente citadas pelo Departamento de Estado dos EUA. Elas ficaram de encaminhar demandas para o governo Lula. O presidente em exercício disse ainda que “nada impede” a participação de outras empresas no Pix.
Alckmin também falou sobre uma reunião que teve com parlamentares da União Europeia. Segundo ele, houve um avanço sobre o acordo do Mercosul com o bloco europeu. “O acordo é extremamente importante, do ponto de vista econômico, do ponto de vista empresarial, do ponto de vista de empreendimentos, comércio e geopolítico. É uma mensagem muito forte de apreço pela democracia, paz, livre comércio, multilateralismo e sustentabilidade”, afirmou o presidente da República em exercício.
As expectativas do mercado para a inflação em 2026 caíram pela primeira vez abaixo do teto da meta desde março, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (21) pelo Banco Central. A mediana das projeções para o IPCA no ano recuou de 4,50% para 4,45%, após nove semanas de estabilidade no limite superior da meta. A queda já era esperada por analistas do mercado financeiro, diante de sinais de desaceleração econômica e possíveis efeitos desinflacionários decorrentes das tarifas comerciais dos Estados Unidos.
Entre as 107 projeções mais recentes — atualizadas nos últimos cinco dias úteis —, a mediana também caiu para 4,45%, reforçando a tendência de revisão para baixo. Para 2025, o Focus também indicou uma nova redução: a expectativa para o IPCA recuou de 5,17% para 5,10%, na décima baixa consecutiva. Considerando apenas as 108 projeções mais recentes, a mediana caiu ainda mais, para 5,07%. As estimativas do Banco Central, divulgadas no último ciclo de comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom), indicam inflação de 4,9% em 2025 e 3,6% em 2026 — sendo este o horizonte relevante para a política monetária.
Apesar das revisões nas expectativas de inflação, as projeções para a taxa básica de juros (Selic) permaneceram estáveis. O mercado segue prevendo que a Selic terminará 2025 em 15% — mesmo patamar atual, após o Copom ter elevado a taxa em 0,25 ponto percentual na última reunião. O comitê indicou que deve interromper o ciclo de alta para avaliar os impactos do aperto monetário já realizado. Para 2026, a projeção da Selic ficou em 12,50% pela 25ª semana consecutiva, e para 2027, em 10,50%.
No mercado de câmbio, as estimativas também se mantêm estáveis. A mediana para o dólar no fim de 2025 permaneceu em R$ 5,65. Para 2026, a expectativa é de R$ 5,70, mesma projeção para o fim de 2027 e 2028, após leves recuos nas semanas anteriores.
A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de investigação sobre o suposto uso de informações privilegiadas visando o lucro a partir do tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil. Segundo a AGU, o objetivo da ação é investigar o eventual vínculo do tarifaço com movimentações atípicas no mercado cambial brasileiro antes e depois de Trump anunciar a taxação de 50% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, a partir de 1° de agosto.
“À luz dos fatos noticiados, podemos inferir que eles se inserem em contexto no qual os fatos já em apuração neste inquérito estão além dos ilícitos penais já indicados pela Procuradoria-Geral da República, relacionados à obstrução da Justiça, mas também com possíveis ganhos financeiros ilícitos, mediante os mesmos fatos que buscaram impor embaraço à aplicação da lei penal”, sustenta a AGU.
O pedido foi protocolado na noite deste sábado (19) no inquérito no qual o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é investigado pela sua atuação junto ao governo norte-americano para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo e tentar barrar o andamento da ação penal sobre a trama golpista. Em março deste ano, Eduardo, que é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, pediu licença do mandato parlamentar e foi morar nos Estados Unidos, sob a alegação de perseguição política. A licença terminou no último domingo (20).
Na sexta-feira (18), no mesmo inquérito, Bolsonaro foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) e foi obrigado a colocar tornozeleira eletrônica e proibido de sair de casa entre 19h e 6h. As medidas foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes após a PGR alegar risco de fuga do ex-presidente, que é réu na ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022 e deve ser julgado pelo Supremo em setembro.
