
A fabricante brasileira de aviões Embraer recentemente tomou uma posição proativa em relação ao aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em uma carta endereçada ao governo norte-americano, a Embraer argumentou que essas tarifas, que subiram mais de 40%, são prejudiciais não apenas para o Brasil, mas também para os interesses econômicos dos Estados Unidos. Embora a Embraer não tenha sido diretamente afetada por essas tarifas, a empresa possui uma forte presença no mercado de voos regionais dos EUA, o que a motivou a se manifestar.
O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, destacou na carta a importância do comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos, enfatizando que essa relação é benéfica para ambos os países. A Embraer, que tem uma subsidiária na Flórida desde 1979 e um acordo comercial vigente até 2030, vê a parceria com os EUA como crucial para o setor de aviação. Gomes Neto acredita que, ao apresentar suas alegações, a Embraer pode ajudar a reforçar a relevância dessa colaboração, mesmo que a empresa não esteja diretamente incluída no aumento tarifário.
A carta da Embraer foi uma resposta à investigação iniciada pelo governo Trump, que acusou o Brasil de práticas comerciais ilegais. A empresa espera que suas justificativas sejam levadas em consideração pelo escritório do representante de comércio dos EUA. A investigação, que foi iniciada a pedido do então presidente Donald Trump, tem o potencial de impactar significativamente as relações comerciais entre os dois países, e a Embraer está atenta ao desenrolar desse processo.
Com informações de Marcelo Mattos
O PIX visa à segurança do sistema financeiro, sem discriminar empresas estrangeiras, respondeu o Brasil aos Estados Unidos, nesta segunda-feira (18). A afirmação consta da resposta encaminhada ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que abriu investigação contra o Brasil por práticas desleais. Assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o documento tem 91 páginas e foi divulgado na página da USTR. O texto reforça a posição de que o país brasileiro mantém boas práticas comerciais e não adota medidas discriminatórias ou restritivas contra os EUA.
O governo brasileiro também contesta a legitimidade das ações do escritório comercial dos EUA, dizendo não haver base jurídica ou factual que sustente as alegações do governo de Donald Trump. Pedida pelo governo americano em julho, a investigação busca apurar possíveis práticas brasileiras que possam afetar negativamente empresas estadunidenses, especialmente em setores como sistemas de pagamento digital (PIX), etanol, propriedade intelectual (pirataria) e desmatamento.
Em relação ao PIX, a defesa brasileira destacou que a administração pelo Banco Central (BC) garante neutralidade ao sistema de pagamentos instantâneos. O documento ressaltou que outros Bancos Centrais, inclusive o Federal Reserve (Fed, Banco Central dos Estados Unidos) testam ferramentas parecidas. “De fato, diferentes governos estão tomando a iniciativa de fornecer a infraestrutura para pagamentos eletrônicos instantâneos, incluindo a União Europeia, a Índia e os Estados Unidos. O Federal Reserve dos EUA, em particular, introduziu recentemente o FedNow, um sistema que oferece funcionalidades semelhantes ao PIX”, destacou o documento.
O Brasil argumenta não haver base jurídica ou factual que sustente as alegações dos EUA. Segundo o governo brasileiro, as medidas unilaterais previstas na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 nos Estados Unidos podem prejudicar o sistema de comércio multilateral e afetar negativamente as relações bilaterais.
“Em sua manifestação, o Brasil reitera que não reconhece a legitimidade de instrumentos unilaterais como a Seção 301, que são inconsistentes com as regras e o sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). A participação brasileira no processo se dá em espírito de diálogo e de esclarecimento de fatos e não constitui reconhecimento da validade ou jurisdição do procedimento”, informou o Ministério das Relações Exteriores em nota posterior ao envio da defesa.
O documento destaca que a relação comercial com os Estados Unidos é mutuamente benéfica e que a economia estadunidense apresenta um superávit histórico na troca comercial com o Brasil. Essa afirmação, segundo o governo brasileiro, reforça a visão do país de que suas políticas econômicas e regulatórias são compatíveis com as normas internacionais estabelecidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC). “O Brasil empreendeu reformas legais, regulatórias e institucionais significativas nos diversos setores em análise nos últimos anos. Esta investigação da Seção 301 e quaisquer ações dos Estados Unidos que possam dela resultar ameaçam minar o progresso obtido por meio dessas iniciativas brasileiras e, portanto, impedir os supostos objetivos do USTR ao iniciar esta investigação”.
Sobre a acusação de pirataria e de violação à propriedade intelectual por meio de comércio ambulante, a defesa informou que o Brasil mantém e reforça “robustamente” um regime legal abrangente para proteger os direitos de propriedade intelectual. O governo brasileiro sustentou que cumpre padrões internacionais e mantém marcos regulatórios em linha com os acordos da OMC.
Segundo o documento, as reformas promovidas pelo governo brasileiro em setores considerados sensíveis pelos EUA tiveram como objetivo alinhar-se às regras multilaterais, sem prejuízo à competitividade ou aos interesses norte-americanos.
O governo Trump também questionou o bloqueio de redes sociais estadunidenses e a suspensão de perfis determinadas pela Justiça brasileira. Em resposta, o governo brasileiro negou que decisões judiciais, inclusive ordens do Supremo Tribunal Federal (STF), tenham resultado em medidas discriminatórias que prejudiquem o direito de companhias americanas de atuarem no Brasil ou de competir em mercados globais.
O documento destacou ainda que a imposição de multas e de medidas coercitivas é padrão do Estado de Direito adotado pelo Brasil, assim como ocorre nos Estados Unidos. Segundo a defesa do Brasil, o Artigo 19 do Código Civil brasileiro, mencionado na acusação estadunidense, representa uma norma genérica que regula a responsabilidade jurídica de todas as empresas, independentemente de sua origem, sem visar especificamente os Estados Unidos ou qualquer outro país.
Em relação ao etanol, o Brasil afirmou que suas políticas são alinhadas aos compromissos multilaterais. O documento ressaltou que, historicamente, o país tem mantido tarifas baixas sobre a importação de etanol como condição para fazer parte da OMC.
Quanto ao desmatamento, o governo reforçou que suas ações ambientais não constituem restrições comerciais ou obstáculos à competitividade de empresas americanas, destacando o esforço de preservar o meio ambiente sem prejudicar a livre circulação de produtos ou promover discriminação.
Sobre produtos aeronáuticos, o Brasil destacou que aplica tarifa zero para os itens estadunidenses que entram no país. O documento ressaltou que empresas brasileiras de aeronáutica têm criado empregos nos Estados Unidos.
A resposta brasileira está sob análise do USTR. O órgão fará uma audiência pública no dia 3 de setembro, em que representantes de empresas, entidades e órgãos governamentais apresentarão argumentos.
O desfecho da disputa, no entanto, é imprevisível porque a decisão final caberá ao governo de Donald Trump.

A ex-subsecretária de Defesa dos Estados Unidos, Jana Nelson, expressou sua preocupação com as consequências das ações do presidente Donald Trump em relação ao Brasil. Em entrevista a Folha de S. Paulo, ela afirmou que essas medidas, que incluem sanções e tarifas, resultaram em uma quebra de confiança significativa entre os dois países. Nelson acredita que as ameaças direcionadas ao governo brasileiro e ao Supremo Tribunal Federal (STF) contribuíram para um clima de desconfiança em relação aos EUA. Nelson, que atuou no Departamento de Estado por cinco anos, ressalta que as repercussões das decisões de Trump terão um impacto duradouro. Mesmo que um futuro governo brasileiro busque restabelecer laços mais amigáveis, a confiança não será facilmente recuperada.
“Trump pegou o Brasil para Cristo porque se vê em Bolsonaro. Ele quer ajudar um aliado que, na percepção dele, passou por exatamente a mesma coisa que ele passou. É uma oportunidade para Trump vingar a sua própria história”, afirmou a ser perguntada se as sanções teriam relação maior com o BRICS. “Para ele, o Brasil é um caso pessoal”. Ela compara a atual situação a eventos históricos, como o apoio dos EUA ao golpe militar de 1964, destacando a complexidade das relações bilaterais.
A especialista sugere que a pressão de empresas privadas nos Estados Unidos pode ser uma alternativa para o Brasil buscar a flexibilização das tarifas impostas. Essa estratégia poderia abrir espaço para um diálogo mais construtivo entre os dois países. Além disso, Nelson enfatiza a importância da diversificação de parceiros econômicos e políticos como uma resposta à postura atual dos EUA.
Entretanto, ela alerta que essa diversificação deve ser feita com cautela, para evitar uma dependência excessiva da China. Formada em relações internacionais pela Universidade de Brasília e com mestrado pela Universidade Georgetown, ela atualmente lidera a área de América Latina no Instituto Tony Blair, embora suas opiniões sejam expressas em caráter pessoal.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai totalizar em seu terceiro mandato pelo menos R$ 387,8 bilhões em gastos não contabilizados na meta fiscal, uma das principais regras das contas públicas no país. O número foi atingido com o pacote de socorro às empresas afetadas pelo tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciado na quinta-feira, que vai retirar R$ 9,5 bilhões da meta até 2026. O plano de socorro, batizado de Brasil Soberano, vai ter R$ 4,5 bilhões em gastos com aportes em fundos garantidores e R$ 5 bilhões em renúncias de receitas do Reintegra, programa que beneficia exportadores, ambos fora da meta. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apresentou um projeto de lei complementar para autorizar o governo a fazer essa manobra, que precisa passar pelo crivo do Congresso Nacional.
A medida foi criticada por especialistas, que apontam uma prática recorrente da equipe econômica de burlar a regra em momentos de emergência e diminuir a credibilidade da âncora fiscal. De 2023 a 2026, os gastos fora da meta de resultado primário somarão ao menos R$ 387,8 bilhões, segundo números do Tesouro Nacional analisados por especialistas consultados pelo Estadão. Procurado, o Ministério da Fazenda informou que 87% do montante “decorre da necessidade de reverter o calote em credores de precatórios aplicado pelo governo Bolsonaro e de aprovar uma PEC de Transição para recompor o represamento artificial de despesas essenciais e cobrir buracos no Orçamento deixado pelo governo anterior”.
Fábio Serrano, diretor executivo de Pesquisa Macroeconômica do BTG Pactual, calcula que R$ 334 bilhões estão fora da meta nos três primeiros anos de governo, e estima que pelo menos R$ 55 bilhões em precatórios (dívidas judiciais da União) serão excluídos no ano que vem. Com isso, em quatro anos serão R$ 389,7 bilhões. O cálculo é similar ao de Tiago Sbardelotto, auditor licenciado do Tesouro e economista da XP Investimentos, que chegou a R$ 387,76 bilhões. Em ambos os casos, o risco é que a conta fique maior, com novas concessões feitas pelo Congresso durante a tramitação da proposta de socorro, e com a proximidade das eleições presidenciais de 2026.
Os valores incluem o reajuste do Bolsa Família feito em 2023 pela PEC da Transição, o pagamento do calote dos precatórios dado no governo Jair Bolsonaro (PL), as medidas de socorro à calamidade climática no Rio Grande do Sul e o ressarcimento de aposentados e pensionistas vítimas da fraude no INSS, entre outras despesas.
*Com informações do Estadão Conteúdo
Os economistas consultados pelo Banco Central reduziram, pela 12ª semana consecutiva, a previsão de inflação para 2025. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (18), a estimativa para o IPCA caiu de 5,05% para 4,95% ao ano, ficando abaixo de 5% pela primeira vez desde janeiro. Apesar da queda, o índice segue acima do limite da meta de inflação estabelecida pelo BC, de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos — ou seja, o teto é de 4,5%.
A revisão ocorre após a divulgação de dados do IBGE, que mostraram que a inflação de julho subiu 0,26%, abaixo da expectativa do mercado, que projetava 0,36%. Foi a menor alta para o mês desde 2023. Analistas destacam que preços de alimentos e bens industriais ficaram abaixo do previsto. Outro fator apontado por economistas é o impacto do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, que tende a reduzir a atividade econômica e, consequentemente, pressionar para baixo os preços internos.
No cenário de crescimento econômico, o mercado manteve a previsão para o PIB de 2025 em 2,21% e de 2026 em 1,87%. Já para 2027, houve leve recuo, de 1,93% para 1,87%. A taxa básica de juros (Selic) deve terminar 2025 em 15% ao ano, o mesmo patamar atual, e o dólar foi mantido em R$ 5,60 no fim do próximo ano.
Desde janeiro, o Brasil adota o regime de meta contínua de inflação, que exige que o índice acumulado em 12 meses fique dentro da faixa de 1,5% a 4,5%. Caso a meta seja descumprida por seis meses seguidos, o presidente do BC precisa enviar uma carta ao ministro da Fazenda explicando as razões. Em junho, pela segunda vez no ano, Gabriel Galípolo já teve de justificar o descumprimento da meta, apontando como causas o câmbio, a energia elétrica, a atividade econômica aquecida e eventos climáticos.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse nesta sexta-feira (15) que o fato de o Brasil manter laços comerciais fortes com a China não é incompatível com as negociações com os Estados Unidos, que impuseram tarifas de 50% sobre alguns produtos nacionais. “O Brasil quer continuar essa parceria com a China, esse diálogo e essa negociação. Nós vamos continuar a negociação para retomar as exportações aos EUA e o maior comprador do Brasil é a China, isso não é incompatível, pelo contrário: o comércio exterior aproxima os povos e traz ganho de eficiência”, afirmou Alckmin durante a inauguração da fábrica da montadora chinesa GWN no interior de São Paulo, nesta tarde. O vice-presidente voltou a criticar as tarifas impostas pelos EUA, movimento que, segundo ele, foi injusto e incompreensível, já que os americanos têm superávit comercial com o Brasil.
“O Brasil é bom parceiro e continuará com o diálogo e a negociação”, frisou Alckmin, que foi questionado sobre as declarações do presidente americano Donald Trump, que ontem disse que o Brasil tem sido “horrível” nas relações comerciais com os EUA. Alckmin acrescentou que o País deverá continuar recebendo investimentos importantes e citou que sete montadoras já instalaram fábricas no Brasil nos últimos dois anos e meio.
A inflação no mês de julho apresentou estabilidade para a maioria das famílias brasileiras, especificamente para aquelas com renda mensal de até R$ 22 mil. O principal fator que contribuiu para este cenário foi a queda nos preços dos alimentos, que compensou o aumento em outros setores, como o de energia elétrica. Os dados foram compilados pelo Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Segundo a análise, a deflação no grupo de alimentos e bebidas, que registrou uma queda de 0,69%, foi fundamental para aliviar o orçamento das classes de renda baixa e média.
Cenários distintos por faixa de renda:
Renda baixa e média: Para as famílias de renda mais baixa, a inflação ficou praticamente estável, passando de 0,20% em junho para 0,19% em julho. A redução no custo dos alimentos foi o principal motivo para esse alívio;
Renda alta: Em contrapartida, as famílias de renda mais alta sentiram uma aceleração da inflação, que saltou de 0,28% para 0,44% no mesmo período. Este aumento foi impulsionado principalmente pela alta nos preços das passagens aéreas, que tiveram um reajuste de quase 20%, e dos serviços de recreação, que subiram 1,6%;
Portanto, enquanto a queda no preço da comida beneficiou diretamente as classes com menor poder aquisitivo, o aumento nos custos de transporte aéreo e lazer pesou mais no bolso das famílias com renda elevada, criando cenários inflacionários distintos no país.
*Com informações de Beatriz Manfredini
Mandar produtos brasileiros para um país intermediário e, de lá, enviá-los para os EUA poderia ser uma alternativa para o Brasil escapar da tarifa de 50% imposta por Trump? Não, disseram advogados ouvidos pelo g1.
Esse tipo de ação é ilegal e pode sair caro para os importadores norte-americanos, que são os que pagam o tarifaço quando compram produtos estrangeiros.
Na chamada triangulação, o país de origem mandaria o produto para um destino intermediário, por exemplo algum país que tenha sobretaxa menor do que o Brasil. E, de lá, o produto embarcaria para o país de Trump, com os importadores pagando apenas a taxa correspondente à daquele fornecedor.
O Brasil recebeu a maior sobretaxa do governo Trump, de 50%. Apenas a Índia tem um tarifaço semelhante.
"Um exemplo [do que seria ilegal] é a empresa simular para os EUA que a mercadoria veio do México, quando, na verdade, ela é brasileira. Assim, paga as taxas de importação do México, não do Brasil", descreve Renata Emery, advogada especializada em direito tributário do escritório TozziniFreire, em São Paulo.
A triangulação de exportações viola princípios da Organização Mundial do Comércio (OMC), que determina que a mercadoria deve pagar taxas correspondentes ao seu país de origem, explica William Crestani, especialista em direito tributário do escritório Pinheiro Neto Advogados, em São Paulo.
Renata Emery também destaca que a prática foi explicitamente proibida por um decreto assinado por Trump em 31 de julho, na mesma semana em que ele confirmou as sobretaxas ao Brasil e a outros países.
Segundo a decisão, empresas flagradas tentando a manobra terão que pagar a tarifa do país de origem, uma taxa adicional de 40%, além de outras possíveis penalidades.
"Para o exportador brasileiro, o efeito é indireto. Como o importador não vai querer assumir esse risco, mesmo que uma empresa do Brasil queira triangular, não vai encontrar compradores norte-americanos dispostos a isso", diz.
Mudar local de industrialização é permitido
Os especialistas explicam que até existem maneiras legais de o produto sair do Brasil, passar por outro país e chegar aos EUA sem estar sujeito à tarifa de 50% sobre os itens brasileiros.
Uma delas é enviar a carga para outro país e transformá-la significativamente por lá, processo conhecido como industrialização.
“Se houver uma transformação relevante, ele pode ter a origem no país onde passou por essa mudança e, consequentemente, pagar as tarifas daquele país”, explica o advogado tributarista William Crestani.
O problema, segundo ele, é que:
Os EUA não definem claramente o que é uma transformação substancial, e cada caso precisa ser analisado individualmente, sem garantia de que a alfândega dos EUA aceite.
Mudar a cadeia produtiva é caro e complexo, viável apenas para empresas que já tenham estruturas capazes de fazer transformações substanciais no produto em outros países.
Entre os setores brasileiros, Crestani aponta que a carne bovina teria mais chances de se enquadrar.
“Um boi transportado vivo para outro país, onde é abatido, embalado e só então vendido para os EUA, tem mais chances de ser considerado um novo produto, com nova tarifa”, afirma.
"Além disso, alguns frigoríficos brasileiros já têm operações em outros países, principalmente, da América do Sul", diz.

Frigoríficos que operam dentro e fora do Brasil
JBS, Marfrig e Minerva estão entre as maiores exportadoras brasileiras de carne bovina, com operações dentro e fora do Brasil.
Marfrig e Minerva afirmam que não dependem exclusivamente dos seus frigoríficos brasileiros para atender ao mercado norte-americano.
A Minerva envia seus produtos pelas suas indústrias na Argentina, no Paraguai, no Uruguai e na Austrália.
Um dia depois do anúncio do tarifaço de 50%, a empresa divulgou para o mercado que a medida poderia afetar no máximo 5% de sua receita total.
E que, no último ano, as vendas para os EUA representaram 16% do faturamento, sendo que o Brasil respondeu por apenas 30% dessa fatia.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o setor de serviços registrou um crescimento de 0,3% em junho em relação ao mês anterior, maio. Esse resultado ficou próximo da expectativa dos analistas, que projetavam uma alta de 0,4%. Esse desempenho é o quinto mês seguido de expansão e faz o setor atingir o maior patamar da série histórica, iniciada em janeiro de 2011.
Quando analisado em relação ao mesmo mês do ano passado, junho apresentou um aumento de 2,8%, já considerando a inflação. Esse crescimento anual é um indicativo positivo para a recuperação do setor, que tem enfrentado desafios nos últimos anos. A taxa acumulada de crescimento no ano é de 2,5%, o que sugere uma tendência de melhora.
Além disso, ao observar o desempenho em um período de 12 meses, o setor de serviços teve uma alta de 3%. Esses números são relevantes para entender a evolução do mercado de serviços no Brasil, que é um dos principais motores da economia nacional. A receita bruta nominal do setor também apresentou um avanço, com um aumento de 0,4% em junho em comparação a maio.
Na comparação anual, a receita bruta nominal cresceu 7,5%, o que reforça a recuperação do setor. Esses dados são fundamentais para a análise do cenário econômico e podem influenciar decisões de investimento e políticas públicas. O desempenho do setor de serviços é um reflexo das condições econômicas e do comportamento do consumidor no país.

A produção brasileira de grãos na safra 2024/25 deve alcançar 345,23 milhões de toneladas, representando novo recorde na série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), superando a safra 2022/23 (320,91 milhões de toneladas). Se comparado com o volume obtido na safra passada 2023/24, o resultado representa uma alta de 16%, de 47,7 milhões de toneladas e também é 1,6% (5,59 milhões de t) maior ante a previsão anterior, do mês passado. Os dados fazem parte do 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quinta-feira (14) pela Conab. Segundo a estatal, o aumento é influenciado pela maior área cultivada no país, com uma alta de 2,5% (81,9 milhões de hectares) e, principalmente, pela recuperação da produtividade média nacional das lavouras, saindo e 3.722 quilos por hectare em 2023/24 para 4.214 quilos por hectare na temporada 2024/25.
A Conab explicou que a produtividade recorde do milho e da soja contribuem para o bom resultado esperado, que juntos representam aproximadamente 43,4 milhões de toneladas, sendo em torno de 21,5 milhões de toneladas o crescimento do milho e cerca de 21,9 milhões de toneladas o incremento da soja.
No caso do milho, a expectativa é de uma colheita total de aproximadamente 137,01 milhões de toneladas, a maior já registrada na série histórica da Companhia, aumento de 18,6% ante o ano passado (115,50 milhões t). Apenas na segunda safra do grão, são esperados 109,57 milhões de toneladas, aumento de 21,7% em comparação com 2023/24 (90,06 milhões de t.) conforme a Conab. A colheita da segunda safra de milho já alcança 83,7% da área cultivada, como aponta o Progresso de Safra, aproximando-se da média dos últimos anos, que foi de 84,3%. Em Mato Grosso, principal estado produtor do cereal, a colheita se encaminha para a finalização com uma produção estimada de 53,55 milhões de toneladas, o que representa 49% da produção total do milho segunda safra no país.
A soja tem produção estimada nesta temporada em 169,66 milhões de toneladas, 14,8% superior à da safra de 2023/24 (147,74 milhões de t). Os investimentos dos produtores na cultura, a partir da oferta de crédito via Plano Safra, aliado às boas condições climáticas na maioria das regiões produtoras, justificam a produção recorde da oleaginosa no país, disse a Conab.
Para o algodão, outra importante cultura de segunda safra, a previsão é de um novo recorde na produção, com 3,93 milhões de toneladas da pluma, aumento de 6,3% ante 2023/24 (3,70 milhões de t). A boa produtividade média das lavouras e o ganho de 7,3% na área semeada da cultura influenciam no crescimento de 6,3% na atual safra da fibra. A Conab destacou que a colheita continua em ritmo mais lento que a média dos últimos 5 anos, atingindo 39% da área. “As chuvas e o frio fora de época nos meses de junho e julho, retardaram o processo de maturação, alterando o ciclo de desenvolvimento da cultura. A expectativa é que ao longo do mês de agosto os produtores compensem o ritmo convergindo o porcentual a ser colhido convergindo, em setembro, para os índices das médias históricas para o período”, relatou.
A Conab também estima uma boa produção para o arroz, com uma colheita de 12,32 milhões de toneladas, que corresponde a um aumento de cerca de 1,7 milhão de toneladas em relação à safra anterior, ou 16,5%. “Esse crescimento é resultado da expansão de 8,8% na área semeada e das condições climáticas favoráveis, especialmente no Rio Grande do Sul, principal estado produtor”, argumentou a Conab.
Já para o feijão, a estimativa da Conab é de uma queda na produção de 3,5% em relação ao ciclo anterior, alcançando 3,09 milhões de toneladas somadas as 3 safras do grão ante 3,20 milhões de t em 2023/24. “No segundo ciclo da leguminosa, as condições climáticas desfavoráveis registradas no Paraná, um dos principais estados produtores, afetaram a qualidade do grão, bem como o rendimento das lavouras. Para a terceira safra de feijão também é esperada uma redução na colheita”, explicou a Conab.
Dentre as culturas de inverno, destaque para o trigo. Mesmo com uma previsão de queda de 16,7% na área semeada, estimada em 2,55 milhões de hectares, a Conab espera uma produção próxima à estabilidade, podendo atingir 7,81 milhões de toneladas, leve queda de 1% ante 2024 (7,89 milhões de t). “As condições climáticas, até agora, são melhores que a ocorrida na safra anterior, o que justifica a um volume colhido semelhante ao registrado em 2024”, concluiu.
Em nota divulgada na quarta-feira (13), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou apoio ao plano do governo federal para mitigar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. “Medidas para preservar empregos, diversificar mercados e assegurar condições justas de comércio internacional são importantes e demonstram compromisso com a defesa dos setores produtivos nacionais”, destacou.
O comunicado aponta também que a federação paulista continuará a contribuir com “propostas e ações que ampliem a resiliência do setor produtivo e promovam o crescimento sustentável da economia brasileira”. E que continuará, também, a dialogar com o setor privado norte-americano.
A Fiesp diz que continuará a trabalhar no sentido de “minimizar” os efeitos das tarifas “em ambos os países”, de forma a fortalecer a relação comercial “histórica” que, enfatiza a entidade, ao longo de décadas tem resultado em “parcerias relevantes para o desenvolvimento econômico e o bem-estar de nossas populações”.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos Estados Unidos se manteve em 2,7% na comparação anual em julho, no mesmo nível do dado de junho, segundo informou nesta terça-feira (12) o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS). A inflação subjacente, que exclui os voláteis índices de energia e alimentos, subiu 3,1% – após os 2,9% em junho -, de acordo com o projetado por analistas, que preveem a continuação de uma tendência de alta desse indicador, no que poderia ser a materialização do impacto da política tarifária do presidente americano, Donald Trump. Na comparação mensal, a inflação subiu 0,2%, enquanto o dado subjacente aumentou 0,3%, depois de uma alta de 0,3% e 0,2% respectivamente em junho, indicadores seguidos de perto pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano), que mantém a cautela quanto a uma redução nas taxas de juros, apesar das pressões da Casa Branca.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed se reunirá nos próximos dias 16 e 17 de setembro para decidir sobre as taxas de juros, que se mantiveram em uma faixa de 4,25% a 4,5% nos EUA desde o corte de dezembro de 2024. O Fed acompanha de perto os números da inflação subjacente na hora de tomar decisões sobre a política monetária, junto com os índices de preços de gastos de consumo pessoal, o Produto Interno Bruto (PIB) e o desemprego, também publicados pelo BLS. No mês anterior, o Departamento de Estatísticas do Trabalho se viu envolvido em polêmica após a publicação de números de emprego abaixo das expectativas do mercado, que foram rejeitados como “falsos” pelo presidente Trump, que demitiu horas depois a responsável pela entidade, Erika McEntarfer.
O índice de moradia aumentou 0,2% em julho e se mantém como o principal fator que influencia as altas mensais de todos os itens nos últimos meses, segundo o BLS. Por outro lado, o preço dos alimentos se manteve estável após subir 0,3% nos dois meses anteriores, embora o índice de laticínios e produtos relacionados tenha aumentado 0,7% durante julho. A categoria de carnes, aves, peixes e ovos subiu 0,2%, mas especificamente no caso dos ovos esse índice caiu 3,9%.
Em contraste, o índice de energia caiu 1,1% em julho, impulsionado principalmente pela diminuição de 2,2% nos preços da gasolina durante o mês. Em termos anuais, a energia diminuiu para 1,6% em relação ao mesmo mês de 2024, enquanto o índice de alimentos aumentou 2,9% no mesmo período.
A Petrobras e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) chegaram a um entendimento para a realização da Avaliação Pré-Operacional (APO) na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. O exercício é considerado o último passo antes da possível autorização para a perfuração do primeiro poço de petróleo em águas profundas na região.
O simulado consiste em testar planos de emergência e de proteção da fauna em caso de vazamento de petróleo. A operação, que deve durar de três a quatro dias, envolve embarcações, equipamentos de resposta a incidentes e equipes especializadas. Por se tratar de uma área de difícil acesso e com condições ambientais diferentes das bacias de Campos e Santos, o planejamento exige deslocamento de pessoal e logística complexa.
O Ibama propôs que a APO ocorra no dia 24 de agosto ou na mesma semana, mas a confirmação oficial ainda depende de ajustes técnicos. Mesmo assim, lideranças políticas do Amapá já tratam a data como certa. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comemorou o avanço e afirmou que o teste “provavelmente” será nesse dia. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), disse que o procedimento será “o último passo antes do início da pesquisa petrolífera na costa do Amapá”.
A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, confirmou que houve acordo sobre a realização do simulado, mas evitou anunciar a data, deixando a divulgação a cargo do Ibama. A estatal afirma que utilizará “a maior estrutura de resposta a emergências para perfuração exploratória já utilizada pela companhia”, com tecnologias voltadas à precisão, segurança e produtividade.
O processo de licenciamento ambiental na Foz do Amazonas é alvo de resistência de organizações ambientalistas, que alertam para riscos à biodiversidade e questionam a abertura de uma nova fronteira petrolífera em meio a compromissos de redução de emissões. Em fevereiro, parecer técnico do Ibama recomendou o arquivamento do pedido da Petrobras, alegando falhas nos planos de resgate de fauna, incluindo espécies ameaçadas de extinção.
O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, porém, autorizou em maio a realização da APO, utilizando um parecer alternativo. Desde então, técnicos vistoriaram embarcações de resposta a vazamentos, instalações no Oiapoque e a base de apoio construída pela Petrobras. O governo federal vê a Margem Equatorial como estratégica e estima que a região possa abrigar até 30 bilhões de barris de petróleo, com potencial de gerar R$ 1 trilhão em arrecadação.

O volume de vendas do varejo chegou a junho em patamar 9,3% acima do nível de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. No varejo ampliado – que inclui as atividades de veículos, material de construção e atacado alimentício -, as vendas operam 3,1% acima do pré-pandemia. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio divulgados nesta quarta-feira (13), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os segmentos de artigos farmacêuticos, supermercados, veículos, combustíveis e material de construção estão operando acima do patamar pré-crise sanitária.
O segmento de artigos farmacêuticos opera em nível 39,5% acima do pré-crise sanitária; supermercados, 12,3% acima; veículos, 10,2% acima; combustíveis e lubrificantes, 5,7% acima; e material de construção, 4,9% acima. Os móveis e eletrodomésticos estão 3,6% abaixo do nível de fevereiro de 2020; outros artigos de uso pessoal e doméstico, 3,7% abaixo; equipamentos de informática e comunicação, 10,0% aquém; tecidos, vestuário e calçados, 14,7% abaixo; e livros e papelaria, 44,7% abaixo.
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, disse, nesta terça-feira (12/8), que o Brasil tem “coisas para oferecer” aos Estados Unidos e citou os chamados minerais críticos, ou terras raras, usados em produtos como celulares e baterias de carros elétricos. A fala se dá depois de sucessivas críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao interesse norte-americano em explorar as matérias-primas em meio ao tarifaço.
Depois de participar da Comissão de Desenvolvimento Regional, Tebet afirmou que ainda espera que o governo brasileiro possa retomar as negociações sobre as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump nos próximos meses. Avalia que “com o tempo saberemos efetivamente o que os Estados Unidos querem do Brasil”.
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A ministra do Planejamento, Simone Tebet, reafirmou nesta terça-feira (12), esperar que seja “mínimo” o impacto nas contas públicas do plano de socorro às empresas afetadas pelas tarifas dos Estados Unidos. “Estamos absolutamente conscientes que o impacto dele vai ser mínimo. Vai ser única e exclusivamente no limite do necessário para não deixar nenhuma empresa para trás”, disse a ministra, ao chegar para audiência pública no Senado. Tebet reafirmou que caberá ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, decidir a data de anúncio do pacote e que as medidas ainda não foram divulgadas porque o Ministério do Desenvolvimento analisa individualmente as empresas afetadas.
“O setor de pescado é um dos mais atingidos, mas não todo o setor vai ser beneficiado, não todas as empresas. Tem empresa que não exporta, tem empresa que exporta, mas não exporta para os Estados Unidos, e tem empresa que exporta para os Estados Unidos, mas já está redirecionando a sua produção”, declarou a ministra.
A ministra também comentou que a inflação ainda preocupa o governo, mas que há otimismo e um esforço para que a taxa fique dentro da meta até o fim de 2025. Nesta terça, o IBGE divulgou que a inflação foi de 0,26% em julho.
“Tivemos um pequeno problema com a tarifa de energia, que subiu, e a habitação. A inflação nos surpreendeu negativamente, mas faz parte das oscilações. Então, a gente está vendo, lamentavelmente, em função dos juros muito altos no Brasil, que isso está fazendo efeito e a inflação está começando a cair no Brasil. Estamos otimistas em relação a esse dado”, falou.
A ministra disse que há um alívio nos números recentes, principalmente, no preço dos alimentos. “Tem um alívio nesses números. Aquilo que efetivamente importa para as pessoas, que é a alimentação, até vestuário, a inflação dos alimentos, houve uma deflação pelo segundo mês consecutivo. O preço dos alimentos, que é aquilo que mais preocupa, caiu”, declarou.
