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A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2025 caiu de 4,86% para 4,85%, a 14ª baixa seguida. A taxa está 0,35 ponto porcentual acima do teto da meta, de 4,50%. Considerando apenas as 50 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida permaneceu em 4,84%. A projeção para o IPCA de 2026 caiu pela sétima vez consecutiva, de 4,33% para 4,31%. Considerando apenas as 50 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana recuou de 4,32% para 4,23%. O Banco Central espera que o IPCA some 4,9% em 2025 e 3,6% em 2026, conforme a trajetória divulgada no último ciclo de comunicações do Comitê de Política Monetária (Copom). No horizonte relevante, o primeiro trimestre de 2027, o colegiado espera que a inflação em 12 meses seja de 3,4%.

Na última decisão, o comitê manteve a taxa Selic em 15,0%, e afirmou que “antecipa uma continuação na interrupção no ciclo de alta de juros”, com o objetivo de examinar os impactos do ajuste que já foi realizado. A ideia é ver se esse nível de juros, mantido por período “bastante prolongado”, é suficiente para fazer a inflação convergir à meta. A partir deste ano, a meta de inflação é contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.

Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. Isso aconteceu após a divulgação do IPCA de junho, no dia 10 de julho A autoridade monetária publicou uma carta aberta informando que espera queda da taxa abaixo de 4,50% no fim do primeiro trimestre de 2026. A mediana do Focus para a inflação de 2027 caiu de 3,97% para 3,94%. A projeção para o IPCA de 2028 continuou em 3,80%.

A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2025 permaneceu em 15% pela 10ª semana consecutiva, após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter mantido os juros neste nível na mais recente decisão, no dia 30 de julho. No seu comunicado, o Copom afirmou que a incerteza demanda “cautela” na condução da política monetária. E informou que antecipa uma “continuação na interrupção do ciclo de alta de juros”, para avaliar se a manutenção da Selic em 15% por período “bastante prolongado” é suficiente para fazer a inflação convergir à meta. “O comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, disse o Copom.

Considerando apenas as 37 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano também se manteve em 15,0%. A mediana para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,50% pela 31ª semana consecutiva, mas com alterações na ponta. Considerando só as 37 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana caiu de 12,38% para 12,0%, na segunda baixa seguida. A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 29ª semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 se manteve em 10% pela 36ª semana consecutiva.

O Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2026, apresentado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, indica um superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) para o governo central no ano que vem, em linha com a meta do novo arcabouço fiscal. Isso equivale a R$ 34,5 bilhões de saldo positivo, já descontando R$ 57,8 bilhões de despesas que ficam fora da meta.

O arcabouço fiscal tem uma margem de tolerância de 0,25 ponto porcentual do PIB para mais ou para menos. No último relatório Focus, os economistas ouvidos semanalmente pelo Banco Central estimaram um rombo primário de 0,60% do PIB no próximo ano, bem maior do que a meta do governo.

O PLOA de 2026 considera uma projeção de receita primária total de R$ 3,186 trilhões no próximo ano. Já a previsão de receita líquida – livre de transferências – está estimada em R$ 2,577 trilhões. As despesas totais devem chegar a R$ 2,601 trilhões no próximo ano. Dessas, R$ 2,374 trilhões são para gastos obrigatórios, e R$ 227,0 bilhões, para despesas discricionárias.

Após dois pregões de queda, o dólar voltou a subir e fechou em leve alta nesta sexta-feira (29). Fatores técnicos típicos de fim de mês, como a disputa pela taxa Ptax final de agosto, e a possibilidade de o Brasil acionar a Lei de Reciprocidade contra o tarifaço impediram o real de acompanhar a tendência global de enfraquecimento da moeda norte-americana. Com máxima de R$ 5,4443, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,29%, a R$ 5,4220. Mesmo assim, termina a semana com baixa de 0,07%. Em agosto, a moeda recuou 3,19%, após avançar 3,07% em julho. No ano, a perda é de 12,27%. Pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que autorizou o início de consultas para usar a Lei de Reciprocidade Econômica contra os EUA, com o objetivo de “fazer andar” a resposta brasileira ao tarifaço do presidente americano, Donald Trump. Lula ponderou que o processo é “um pouco demorado” e que não “tem pressa” em aplicar a reciprocidade. “Tomei a medida porque nós temos que fazer andar o processo”, disse o presidente em entrevista à Rádio Itatiaia.

Termômetro do comportamento da moeda norte-americana ante uma cesta de seis divisas fortes, o Dollar Index (DXY) operou em leve queda ao longo do dia e rondava 97,800 pontos no fim da tarde, encerrando agosto com perdas de mais de 2,20%. O dólar também recuou frente à maioria das moedas emergentes e de países exportadores de commodities.

Dados da economia dos Estados Unidos divulgados nesta sexta não alteraram as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Ferramenta de monitoramento do CME Group mostra chance de mais de 80% de corte de 25 pontos-base nos juros em setembro.

Medida de inflação preferida pelo Fed, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) subiu 0,2% em julho e 2,6% na comparação anual, em linha com o esperado por analistas. Já o índice de sentimento do consumidor americano caiu de 61,7 em julho para 58,2 em agosto, ante projeção de 58,6

Ibovespa perde força à tarde mas renova também recorde de encerramento

O Ibovespa perdeu força ao longo da tarde após ter renovado o recorde intradia, aos 142.378,69, então em alta perto de 1%, na máxima histórica pela segunda sessão consecutiva. O movimento ascendente desta sexta-feira, contudo, foi o suficiente para colocar o índice da B3 também no maior patamar histórico de fechamento, quebrando a marca de 4 de julho.

Nesta sexta-feira, saiu de abertura aos 141.048,97 e, na mínima, oscilou para os 141.000,04 pontos. No fechamento, marcava alta de 0,26%, aos 141.422,26 pontos, com giro a R$ 23,2 bilhões.

Na semana, o Ibovespa acumulou ganho de 2,50%, no que foi o seu quarto avanço semanal consecutivo e o melhor intervalo desde as sessões entre 4 e 8 de agosto, quando havia subido 2,62%. No mês, o ganho de 6,28% foi o maior para o índice desde o agosto anterior, então em alta de 6,54%. No ano, o Ibovespa sobe 17,57% A alta desta sexta-feira foi o terceiro ganho diário consecutivo para o índice.

Em dólar, o Ibovespa havia encerrado o mês de junho a 25.552,45 e, no fechamento de julho, recuou para 23.759,29, com a apreciação de 3% para o dólar frente ao real no mês e o recuo nominal de 4% para o índice da B3, convergindo então também para níveis de abril (23.793,63), em patamar um pouco abaixo do visto no fechamento de maio (23.957,79). Na ocasião, o Ibovespa, pela primeira vez, sustentou a marca de 140 mil pontos, então em máxima histórica no dia 20 de maio, elevada à casa de 141 mil em 4 de julho.

Com a máxima a 141,4 mil no fechamento desta sexta-feira, o Ibovespa vai agora a 26.083,04, considerando a queda de 3,19% da divisa americana no mês. Na ponta ganhadora do Ibovespa na sessão, destaque para Raízen (+7,34%), Marfrig (+5,37%) e Magazine Luiza (+4,46%). No lado oposto, RD Saúde (-6,90%), Porto Seguro (-1,99%) e Prio (-1,84%) Entre as blue chips, Petrobras ON e PN subiram 0,81% e 0,55%, pela ordem, enquanto Vale ON mostrou alta de 0,29% no fechamento Entre os maiores bancos, os ganhos da sessão foram de 0,14% (Santander Unit) a 1,62% (Banco do Brasil ON) no encerramento.

Na sessão, destaque para Raízen, com a ação reagindo ao anúncio de venda de mais duas usinas por R$ 1,54 bilhão, aponta Marcelo Bolzan, sócio da The Hill Capital. “É muito positivo para a empresa, que está bastante alavancada: os desinvestimentos são necessários para ajustar o nível de endividamento”, acrescenta. Na contramão, aponta Bolzan, vieram as ações da Natura, após ganhos em sessões anteriores.

Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou nesta sexta-feira (29) a manutenção da bandeira tarifária vermelha patamar 2 para setembro. A decisão significa uma cobrança extra de R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos, o mesmo valor aplicado em agosto. Segundo cálculos da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), de cinco cenários possíveis, três apontavam para a manutenção da bandeira vermelha 2 e dois para a adoção da vermelha 1. A Aneel justificou que “as condições de afluência dos reservatórios das usinas hidrelétricas, abaixo da média, não estão favoráveis para a geração de energia”. Por isso, há maior necessidade de acionar usinas termelétricas, que têm custos mais altos.

O ano de 2024 terminou com bandeira verde nas contas de luz, mas, a partir de fevereiro, houve piora nas perspectivas de chuvas. Em junho, foi acionada a bandeira vermelha 1, mantida em julho. Em agosto, houve avanço para o patamar 2, que segue em setembro. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) continua analisando cenários hidrológicos de longo prazo para prever impactos da queda de chuvas e baixo nível dos reservatórios. Esse monitoramento também influencia o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Quanto maior o risco para o sistema, mais elevado tende a ser o PLD, o que leva ao maior uso de termelétricas e, consequentemente, ao acionamento de bandeiras tarifárias com custos adicionais ao consumidor.

O mercado financeiro voltou a demonstrar entusiasmo com a possível candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência da República em 2026. A moeda americana encerrou o pregão desta segunda-feira (25) em queda de 0,20%, cotada a R$ 5,41, em um movimento que analistas atribuem a uma combinação de fatores externos e internos — entre eles, os sinais de que Tarcísio pode disputar o Palácio do Planalto. Durante a Festa do Peão de Barretos (SP) e em evento na capital paulista, o governador afirmou que é preciso discutir um “projeto para o Brasil” e que o primeiro desafio é a questão fiscal. A fala foi interpretada por economistas como um aceno ao mercado, que há meses cobra maior rigor nas contas públicas.

Gestores e analistas avaliam que uma eventual vitória da oposição em 2026 poderia significar mudança de rumo na política fiscal a partir de 2027, reduzindo prêmios de risco embutidos no câmbio. Além do fator político, a valorização das commodities, a expectativa de corte de juros nos Estados Unidos e a 13ª redução consecutiva das projeções de inflação no Boletim Focus contribuíram para o bom humor dos investidores. O relatório divulgado pelo Banco Central trouxe queda nas estimativas do IPCA para 2025 e 2026 e, pela primeira vez no ano, para 2027, reforçando a percepção de maior controle sobre a inflação.

O ambiente positivo também se refletiu na Bolsa de Valores (B3), que fechou praticamente estável, em leve alta de 0,04%, aos 138.025 pontos. Investidores destacaram a força de ações ligadas ao consumo e à energia, enquanto Petrobras e Vale ajudaram a sustentar o índice. A aproximação de Tarcísio com Brasília, em meio às especulações eleitorais, tem reforçado a leitura de que ele pode se tornar o candidato preferencial do chamado “mercado”. Nas últimas semanas, o governador intensificou sua presença na capital federal, participou de eventos partidários e de encontros com dirigentes do Centrão.

Em paralelo, empresários de peso, como André Esteves, do BTG Pactual, vêm se mostrando entusiastas de sua candidatura. Segundo revelou a revista IstoÉ, em conversa recente com investidores internacionais, Esteves afirmou que Tarcísio “vai se eleger com certeza” em 2026 e seria “a única saída” diante da possibilidade de um novo mandato de Lula. O BTG afirma quer a posição do banco e apolítica e ressaltou que fez investimentos siginficativos no Brasil.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (25) a demissão de Lisa Cook, integrante do Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Trata-se de uma decisão sem precedentes, que levanta questionamentos sobre a legalidade da medida e sobre a independência da autoridade monetária do país. Cook, indicada em 2022 pelo então presidente Joe Biden, era a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na diretoria do Fed. Seu mandato tinha duração até 2038.

Casa Branca alega que ela teria cometido fraude hipotecária ao declarar duas residências como se fossem principais para obter melhores condições em empréstimos. O Departamento de Justiça informou que analisa o caso, mas até agora não houve condenação ou apresentação de provas formais.

Em carta divulgada na rede Truth Social, Trump afirmou que “a conduta enganosa e possivelmente criminosa” de Cook compromete sua credibilidade para atuar no Fed. Juristas, no entanto, contestam a justificativa e apontam que a legislação só permite a demissão de diretores do banco central por “justa causa” comprovada, como negligência profissional ou má conduta confirmada. O episódio pode abrir uma disputa judicial sobre os limites do poder presidencial.

A saída de Cook dá a Trump a oportunidade de ampliar sua influência na composição do conselho do Fed, responsável pelas decisões sobre a taxa básica de juros. Hoje, três dos sete integrantes já foram escolhidos por ele. Caso indique um substituto alinhado ao governo, passará a ter maioria no colegiado, o que poderia facilitar cortes de juros, uma demanda recorrente do presidente.

Trump tem criticado duramente a política monetária conduzida pelo presidente do Fed, Jerome Powell, que manteve os juros na faixa de 4,25% a 4,5% ao ano desde dezembro. O republicano argumenta que os custos de empréstimo elevados prejudicam o crescimento econômico.

Lisa Cook havia afirmado recentemente que não renunciaria ao cargo por pressão política e que responderia a qualquer questionamento com base em fatos. Especialistas avaliam que ela pode recorrer da decisão, transformando o caso em uma disputa histórica sobre a autonomia do banco central mais influente do mundo.

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 4,95% para 4,86% este ano. É a décima terceira redução seguida na estimativa, publicada no Boletim Focus desta segunda-feira (25), em Brasília. A pesquisa é divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. Para 2026, a projeção da inflação também caiu, de 4,4% para 4,33%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 3,97% e 3,8%, respectivamente.

Acima do teto

A estimativa para este ano está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%. Em julho, pressionada pela conta de energia mais cara, a inflação oficial divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fechou em 0,26%, sendo o segundo mês seguido de queda nos preços dos alimentos, o que ajudou a segurar o índice. No acumulado em 12 meses, o IPCA alcançou 5,23%, acima do teto da meta de até 4,5%.

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros – a Selic – definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O recuo da inflação e o início da desaceleração da economia fizeram o colegiado interromper o ciclo de aumento de juros na última reunião, no mês passado, após sete altas seguidas na Selic. Em comunicado, o Copom informou que a política comercial dos Estados Unidos aumentou as incertezas em relação aos preços. A autoridade monetária informou que, por enquanto, pretende manter os juros básicos, mas não descartou a possibilidade de voltar a elevar a Selic caso seja necessário.

A estimativa dos analistas é que a taxa básica encerre 2025 em 15% ao ano. Para o fim de 2026, a expectativa é que a Selic caia para 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

A estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 2,21% para 2,18% nesta edição do Boletim Focus. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,86%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,87% e 2%, respectivamente.

Puxada pela agropecuária no primeiro trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu 1,4%. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%. A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,59 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,64.

A Câmara dos Deputados realizou nesta quarta-feira, 20 de agosto, audiência pública para debater o PL 4.501/2024, que propõe a criação da RESBit, a Reserva Estratégica Soberana de Bitcoins.

O encontro aconteceu na Comissão de Desenvolvimento Econômico, em Brasília, e colocou na mesma mesa representantes do Banco Central, do Tesouro Nacional, da Febraban, do MDIC e de entidades do mercado de criptoativos.

Segundo a página oficial do evento, a sessão durou pouco mais de duas horas, com falas registradas de Eros Biondini (PL-MG), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), Julia Rosin (ABCripto), Rubens Sardenberg (Febraban) e Luis Guilherme Siciliano (Departamento de Reservas Internacionais do Banco Central).

O que foi debatido no dia 20 de agosto
O debate girou em torno de três eixos. O desenho institucional da proposta, os efeitos macroeconômicos de incluir bitcoin nas reservas e os cuidados operacionais de custódia. Pelas falas registradas na página da Câmara, houve apresentação de considerações técnicas sobre governança e compatibilidade com a política monetária.

Também ponderação de riscos de volatilidade e de comunicação ao mercado, defesa da importância de um marco institucional que estimule a inovação e discussão sobre os efeitos potenciais na indústria de tecnologia.

Para o investidor pessoa física, movimentos regulatórios desse porte tendem a reverberar em estratégias de investimento no mercado local. Sendo assim, ferramentas populares entre iniciantes e intermediários, como copy trading, aparecem nas conversas.

A prática de espelhar carteiras de traders experientes é vista como um atalho de aprendizado, mas não substitui análise própria de risco e de perfil. A audiência, ao levar o tema ao centro da política econômica, costuma aumentar a atenção do varejo sobre educação financeira e gestão de risco.

Ponto repetido por convidados ao defenderem transparência e relatórios periódicos. Também pesou no pano de fundo do debate a turbulência política em Brasília nas primeiras semanas de agosto, quando ações de obstrução no Congresso afetaram agendas de comissões.

O que diz o PL 4.501/2024 e quanto isso representa em dinheiro hoje
O texto institui a RESBit com objetivos de diversificação das reservas internacionais, mitigação de riscos cambiais e geopolíticos, fomento ao uso de tecnologias baseadas em blockchain e eventual suporte ao Drex, moeda digital do Banco Central.

A proposta fixa teto de até 5% das reservas internacionais para a aquisição gradual de criptomoedas, sob custódia do Banco Central e com relatórios semestrais ao Congresso. O projeto ainda determina compatibilidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal e com as diretrizes de política monetária, fiscal e cambial.

Essas atribuições estão descritas nos arts. 1º, 2º e 4º da minuta. Na tramitação, a Comissão de Desenvolvimento Econômico aprovou em 9 de julho o requerimento para a audiência pública que ocorreu nesta quarta-feira. O item chegou a ser retirado de pauta naquela data justamente para priorizar a realização do debate.

O Brasil fechou junho de 2025 com 344,4 bilhões de dólares em reservas internacionais, segundo o Banco Central. Em um cenário teórico, já que o texto prevê compras graduais e condicionadas, 5% desse montante equivaleriam a 17,22 bilhões de dólares.

O BACEN também detalha, em relatório anual de gestão, o arcabouço de governança das reservas, com controles diários de risco e de desempenho, o que ajuda a dimensionar o rigor exigido se houver inclusão de um novo ativo.

Relação com o Drex, tokenização e os argumentos favoráveis
O Drex segue em fase de projeto-piloto, com o Banco Central testando funcionalidades, governança e privacidade em uma plataforma DLT multiativo. A autarquia mantém páginas públicas com diretrizes e relatórios do piloto, e, mais recentemente, discussões setoriais indicaram ajustes de escopo e de cronograma conforme o projeto avança por fases e casos de uso.

A primeira versão, prevista para 2026, deve focar serviços internos do sistema financeiro antes de chegar ao público, o que não impede que a tokenização siga sendo prioridade de longo prazo.

Defensores da RESBit argumentam que um estoque estratégico de bitcoin poderia funcionar como “lastro indireto” para ativos tokenizados ou para estruturas de garantia em ambientes DLT.

Entre os argumentos favoráveis apontados por parlamentares e representantes do mercado estiveram a diversificação das reservas, a proteção contra riscos geopolíticos e cambiais, a atração de investimentos de base tecnológica e o aprendizado institucional sobre a custódia de ativos digitais.

Nas ressalvas, apareceram a volatilidade do bitcoin, a necessidade de critérios transparentes de compra e rebalanceamento, a compatibilidade com a política monetária, a segregação de funções entre BACEN e Tesouro e o custo de manter infraestrutura de segurança em nível estatal. Esses pontos foram relatados ao longo das intervenções registradas pela Câmara.

A CDE pode deliberar novos requerimentos, solicitar notas técnicas e abrir prazo para emendas. Eventual avanço do texto ainda exige parecer nas comissões competentes antes de qualquer votação no Plenário. A tramitação segue aberta, com atualizações na ficha oficial do projeto.

 

Eleito presidente da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS em uma derrota importante para o governo após reviravolta da oposição, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) afirma que o objetivo principal será impedir um novo escândalo de descontos irregulares em aposentadorias e pensões.

A busca de culpados, de acordo com o presidente, é importante, mas não a maior prioridade. Ele diz que agirá de maneira equilibrada no comando da comissão de inquérito, e que não permitirá que o colegiado se torne um palanque eleitoral.

"Quando se investiga uma tragédia, não se busca no primeiro momento os culpados. Busca-se entender quais os motivos da tragédia. Posteriormente se definem culpas. Se nós apenas buscarmos culpados, podemos cair na questão política", afirma Viana em entrevista à Folha de S.Paulo.

"Vamos dar voz a todos os participantes, aos representantes do governo, à oposição. O embate político é natural. Não vou permitir que a CPMI se transforme em palco eleitoral. A principal missão da CPI é gerar um relatório que mude a legislação e impeça novos assaltos", diz.

As investigações de órgãos como a Polícia Federal e a CGU (Controladoria-Geral da União) apontam que sindicatos e associações cadastravam indevidamente aposentados e pensionistas e passavam a aplicar descontos em seus benefícios diretamente na folha de pagamentos, sem autorização.

Até 22 de agosto, o INSS já ressarciu 1.895.856 aposentados e pensionistas vítimas dos descontos indevidos. Pelo acordo, o beneficiário deve desistir de eventuais ações judiciais contra o INSS por danos morais ou devolução em dobro, mas ainda pode processar a entidade que realizou o desconto indevido.

Viana foi eleito presidente da CPMI depois que uma articulação feita sob sigilo entre o PL e a federação PP-União Brasil derrotou por 17 votos a 14 o senador Omar Aziz (PSD-AM) —que havia sido escolhido pelos presidentes do Senado, da Câmara e pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Viana conta que foi procurado na véspera pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). Respondeu que aceitaria disputar a presidência contra Aziz, manteve as tratativas em segredo e ajudou a contar votos.

"Três integrantes da CPI nós sabíamos que não estariam na votação, e três suplentes acreditávamos que votariam conosco. Acertamos exatamente os 17 votos. Os votos da Câmara garantiram o resultado", diz o senador.

O governo Lula reconheceu que houve falha na articulação política e apontou que a ausência de três deputados federais - Mário Heringer (PDT-MG), Romero Rodrigues (Podemos-PB) e Rafael Brito (MDB-AL) - permitiu que a oposição virasse o jogo.

Apesar da explicação numérica, congressistas que esperavam a eleição de Aziz também se disseram surpresos com a movimentação feita à revelia dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Motta havia escolhido o deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos-TO) como relator da CPMI e chegou a anunciar a decisão pelas redes sociais, desejando boa sorte a ele e a Aziz.
Viana diz que não se constrangeu em disputar a presidência - rompendo a liturgia de CPIs e CPMIs, em que os dois cargos principais costumam ser acordados previamente - e que conversou duas vezes com Alcolumbre após ter sido eleito.

"Coloquei para ele que meu posicionamento será técnico. Não vou permitir palanque eleitoral na CPI. Se existia esse acordo [para Aziz ser presidente da CPI], nunca fui consultado. Então, me senti livre para voltar com a candidatura", diz.

Viana afirma que o nome do relator, o deputado federal bolsonarista Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), foi apresentado a ele na véspera da votação durante a negociação com os partidos. O senador diz que gostou da sugestão porque Gaspar foi membro do Ministério Público de Alagoas.

De acordo com Viana, o PL queria emplacar um dos deputados do partido como relator, mas foi dissuadido por ele porque "não ajudaria a CPI a ter equilíbrio e fugir da disputa partidária".

O presidente do colegiado minimiza a oposição feita pelo relator ao governo Lula. Gaspar já requereu a convocação de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão de Lula e vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados Pensionistas e Idosos), uma das entidades citadas no escândalo.

Viana diz, porém, que os depoentes vão ser convidados em um primeiro momento. Convocações, ato político mais forte, só deverão acontecer quando convites forem ignorados, segundo ele.

"Nenhum requerimento de convocação será pautado até que a gente tenha informações claras sobre a participação de cada pessoa. Já passei essa posição ao relator, que concordou comigo. Não podemos fazer convocações apenas com base em questões políticas", declara.

"Não quero expor ninguém que não tenha ligação com a investigação. À medida que formos quebrando sigilos bancários e telefônicos de todas as associações e sindicatos envolvidos e ouvindo os representantes oficiais, teremos uma ideia de quem participou ou não", completa.
Viana afirma que a comissão de inquérito precisa "dar mais transparência aos aposentados e à sociedade", mas que não poderá expor todos os nomes até apurar a responsabilidade de cada um.

O escândalo do INSS foi um dos maiores baques sofridos pelo governo Lula no atual mandato. O caso derrubou o agora ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, além do antigo presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.

Apesar de o assunto ter perdido força, integrantes do governo Lula avaliam que a CPMI pode ser usada pela oposição para recuperar espaço nas redes sociais e tirar o foco do tarifaço imposto ao Brasil pelos Estados Unidos, que desgastou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os filhos.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga possíveis fraudes e irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) se prepara para sua primeira reunião deliberativa, marcada para esta terça-feira (26). Na pauta, está a votação do plano de trabalho e a análise de centenas de requerimentos, incluindo pedidos de convocação de figuras proeminentes do governo e pessoas ligadas ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

A expectativa central gira em torno da possível convocação do atual Ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, e de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Lula. Lupi é alvo de pelo menos 15 requerimentos, dos quais 11 são para convocação e quatro para quebra de sigilo. Já Frei Chico, que preside o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), é alvo de oito pedidos, sendo seis para depoimento obrigatório.

Além deles, outros nomes importantes podem ser chamados a depor, entre eles:

Instalada na última semana, a comissão tem a presidência e a relatoria nas mãos da oposição, com o senador Carlos Viana (Podemos-MG) como presidente e o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) como relator. A vice-presidência ainda está indefinida, com o governo federal articulando para indicar um aliado ao posto.

O presidente da CPMI já incluiu na pauta inicial 35 requerimentos para votação, sendo 18 deles solicitações de convocação. O objetivo da comissão é apurar os descontos considerados indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas.

*Com informações de Aline Becketty

Um estudo da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira aponta uma nova oportunidade para o agronegócio nacional. Diante da imposição da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros vendidos para os Estados Unidos, os países árabes se apresentam como um mercado alternativo promissor. A análise identificou 13 produtos brasileiros com grande potencial de vendas para a região.

O potencial desse novo mercado é impulsionado pelo crescimento populacional e econômico de nações como Emirados Árabes e Arábia Saudita, que registram taxas acima da média mundial. O Brasil possui vantagens competitivas em produtos muito valorizados por esses países, como café e carne.

A oportunidade não se restringe ao agronegócio. Produtos como aço e petróleo refinado também encontram um cenário favorável. Uma das grandes vantagens para os exportadores brasileiros são as condições tarifárias no mercado árabe, que variam de 0% a um teto de 20%, um valor consideravelmente inferior aos 50% aplicados pelos Estados Unidos.

*Com informações de Alan Ghani

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, disse nesta sexta-feira (22), que o banco vai coordenar a parte de concessão de crédito do Plano Brasil Soberano, programa do governo para responder às tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil. Ele anunciou que vai destinar R$ 10 bilhões em crédito para empresas que foram taxadas em menos de 50%. Segundo ele, a prioridade neste momento é oferecer crédito incentivado para todas as empresas que tiveram prejuízo por conta da tarifação. “Quem perdeu mais de 5% de seu faturamento por tarifaço é prioridade desse processo. Vamos garantir para MPMEs (pequenas e médias empresas). Estimamos R$ 22 bilhões de garantias.

O BNDES vai destinar R$ 10 bilhões em crédito para empresas que foram taxadas em menos de 50%”, disse o executivo, ressaltando que o crédito para empresas taxadas em menos de 50% não terá as mesmas condições das linhas para quem teve taxação maior. Ao todo, o governo brasileiro vai disponibilizar R$ 30 bilhões para garantir financiamentos às empresas afetadas pelo tarifaço. Terão acesso aquelas cujo valor das exportações aos Estados Unidos (EUA) sujeito à tarifa de 50% represente ao menos 5% do faturamento bruto.

Também poderão acessar os recursos empresas com impacto igual ou superior a 5%. Elas podem recorrer à linha Giro Diversificação e à garantia do Programa Emergencial de Acesso a Crédito (PEAC) Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), no caso das MPMEs. As que tiveram impacto igual ou superior a 20% podem acessar todas as linhas e as garantias do FGI PEAC e do Fundo Garantidor de Operações (FGO), também para MPMEs.

A arrecadação federal somou R$ 254,2 bilhões em julho, o maior resultado já registrado para o mês em toda a série histórica, iniciada em 1995. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (21) pela Receita Federal. Esse valor representa um crescimento real de 4,6% em relação a julho do ano passado e também superou o desempenho de junho, quando haviam sido arrecadados R$ 234,6 bilhões.

No acumulado de janeiro a julho, a arrecadação já ultrapassa R$ 1,6 trilhão, avanço de 4,4% sobre o mesmo período de 2024, também recordista. De acordo com o chefe do Centro de Estudos Tributários da Receita, Claudemir Malaquias, o desempenho foi impulsionado principalmente pelo Imposto de Renda, pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e pelo IOF, que registrou alta de 9,4% no ano.

“Hoje estamos vendo aí como fatores determinantes não só o desempenho dos tributos sobre consumo. Isso agora está refletindo no resultado da arrecadação”, afirmou Malaquias.

Segundo a Receita, parte desse crescimento está ligada à própria legislação tributária, que vincula a cobrança de impostos ao desempenho das empresas. Além disso, a instituição destacou que alguns resultados são considerados atípicos, quando empresas de determinados setores recolhem acima da média em um mês e depois voltam ao patamar normal.

“No primeiro momento, classificamos no mês de julho os valores relativos a mineração, financeiro e petróleo. A gente classifica como atípicos na arrecadação”, explicou Malaquias.

Apesar desses efeitos pontuais, a Receita ressaltou que a alta de julho reflete, sobretudo, o crescimento da economia e o reforço nas medidas de fiscalização adotadas pelo órgão.

O preço do conjunto dos alimentos básicos diminuiu, em julho, em 15 capitais e aumentou em 12, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta quarta-feira (20) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Essa é a primeira vez que a pesquisa engloba todas as 26 capitais e o Distrito Federal. Até então, o levantamento era feito apenas em 17 capitais. As quedas mais importantes no preço da cesta básica ocorreram em Florianópolis (2,6%), Curitiba (2,4%), Rio de Janeiro (2,3%) e Campo Grande (2,1%). Já as maiores altas ocorreram no Nordeste: Recife (2,8%), Maceió (2%), Aracaju (2%), João Pessoa (1,8%), Salvador (1,8%), Natal (1,4%) e São Luís (1,4%).

São Paulo foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior preço (R$ 865,90), seguida por Florianópolis (R$ 844,89), Porto Alegre (R$ 830,41), Rio de Janeiro (R$ 823,59) e Cuiabá (R$ 813,48). Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, foram registrados os menores valores do conjunto de alimentos básicos: Aracaju (R$ 568,52), Maceió (R$ 621,74), Salvador (R$ 635,08) e Porto Velho (R$ 636,69). A comparação dos valores da cesta de julho de 2024 com julho de 2025, mostrou que, nas 17 capitais onde a pesquisa era realizada nesse período, houve alta de preço em todas, com variações entre 2%, em Belém, e 19,5%, em Recife.

No acumulado do ano até julho, nas 17 capitais pesquisadas também foi registrado aumento em todas, com taxas que oscilaram entre 0,3%, em Goiânia, e 11,4%, em Recife. Com base na cesta mais cara que, em julho, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional de que o salário mínimo deveria ser suficiente para suprir as despesas de uma família de quatro pessoas, com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estimou que o valor do salário mínimo necessário, no sétimo mês do ano, deveria ter sido R$ 7.274,43 ou 4,79 vezes o mínimo atual, de R$ 1.518.

De acordo com a pesquisa, quando é comparado o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em média, nas 27 capitais pesquisadas em julho, 50,9% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos e, em junho, 51,1% da renda líquida.

Produtos

O preço do quilo do arroz caiu em julho em comparação a junho em quase todas as capitais pesquisadas, exceto no Recife (alta de 0,65%). Destacam-se as variações registradas em Porto Velho, queda de 7,1%; Palmas, menos 5,2%; e Florianópolis, menos 5%.

O preço do feijão diminuiu em 24 capitais em julho, em comparação a junho. O grão preto, pesquisado nos municípios do Sul, Rio de Janeiro e Vitória, apresentou queda nas cinco capitais, as mais expressivas verificadas em Vitória (-6,9%) e Florianópolis (-5,2%). Para o grão carioca, coletado nas demais capitais, foram observadas altas apenas em três localidades: Porto Velho (0,6%), Maceió (0,4%) e São Luís (0,3%). Já as diminuições variaram entre -4,3%, em Fortaleza, e -0,2%, em Aracaju.

O valor do quilo do café em pó caiu em 21 das 27 cidades pesquisadas em julho de 2025, em comparação ao mês anterior. As quedas mais significativas foram registradas em Belo Horizonte (-8,1%) e Teresina (-3,9%). Só seis capitais apresentaram aumento no valor, com destaque para Macapá (7%), Cuiabá (1,3%) e Boa Vista (1,1%).

“Apesar dos enxutos estoques nacionais e mundiais, o avanço da colheita e o consequente aumento da disponibilidade de café no Brasil têm pressionado as cotações para baixo. E os preços domésticos acompanharam as oscilações da commodity nas Bolsas de Nova York e Londres, diante da tarifação de 50% nas importações norte-americanas, o que gerou especulações quanto ao possível escoamento da safra brasileira”, destacou o Dieese, em nota.

O preço da carne bovina de primeira teve comportamento variado nas 27 cidades analisadas: houve aumento em 11 capitais, com destaque para Boa Vista (2%) e Salvador (1,8%). Foram registradas quedas em outras 16 capitais, a mais importante em Belém (- 2,9%). “Ao longo de 2025, a demanda externa por carne bovina tem sido intensa. O abate de animais foi mais lento e os preços da carne caíram no Brasil, após o anúncio de 50% de tarifa para as exportações brasileiras para os Estados Unidos”, informou o Dieese.

Após dois pregões de alta, em que avançou 1,90% e superou R$ 5,50, o dólar à vista recuou 0,51% nesta quarta-feira (20), a R$ 5,4729. Operadores afirmam que a queda da moeda no exterior, diante de apostas em cortes de juros nos Estados Unidos, abriu espaço para ajustes e realização de lucros. A avaliação é que o aumento dos prêmios de risco, diante das tensões entre o Judiciário brasileiro e o governo Donald Trump, já está em grande parte refletido na taxa de câmbio, que se afastou do piso de R$ 5,40 rompido na semana passada.

Uma nova rodada de depreciação do real pode ocorrer se Washington reagir mais duramente à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de que leis estrangeiras só valem no Brasil após homologação da Justiça local. Em tese, a medida livra o ministro Alexandre de Moraes das ações americanas baseadas na Lei Magnitsky.

Sem novos gatilhos internos, os negócios voltaram a seguir o cenário global. O dia foi de valorização de divisas emergentes, em meio à alta do petróleo. O real, que na terça-feira liderou as perdas, nesta quarta puxou os ganhos ante o dólar. Pela manhã, pesou sobre a moeda americana nova ofensiva do governo Trump contra o

(Fed, o banco central norte-americano), que pode iniciar afrouxamento monetário em setembro. O presidente do conselho da Agência Federal de Financiamento Habitacional, William Pulte, acusou a diretora do Fed Lisa Cook de fraude hipotecária e pediu sua saída.

A ata do Fed, divulgada à tarde, mostrou preocupação com o impacto inflacionário do tarifaço de Trump, o que reduziu levemente a queda do dólar externo, sem afetar o real. As apostas de corte de juros em setembro seguem acima de 80%, segundo o CME Group. Analistas consideram o documento defasado, pois a decisão do Fed em julho precedeu dados fracos do mercado de trabalho. Agora, as atenções se voltam para a fala do presidente Jerome Powell no Simpósio de Jackson Hole, nesta sexta-feira (20).

Com foco no cenário externo, investidores minimizaram o alerta do ministro Alexandre de Moraes, em entrevista à Reuters, de que a Justiça brasileira pode punir bancos que bloquearem ativos por ordem dos EUA. O ministro aposta em recuo da administração Trump.

Ibovespa tem alta, mas segue abaixo dos 135 mil pontos

O Ibovespa, em especial o setor financeiro, chegou a perder fôlego em direção ao encerramento desta quarta-feira (20), fazendo com que o índice testasse neutralidade no fim do dia, após a queda de 2,10%, na terça-feira, no que foi sua maior correção desde a perda de quase 3% em 4 de abril. No melhor momento, reaproximou-se nesta quarta de 135 mil pontos, na máxima do dia, em sessão de recuperação parcial dos bancos após o tombo do dia anterior com a retomada dos temores sobre a relação entre Brasil e EUA. A correção veio na esteira de deliberação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a aplicabilidade de leis estrangeiras – como a Magnitsky, que sancionou o ministro Alexandre de Moraes – no Brasil.

Contido, o índice da B3 flutuou 842 pontos entre a mínima (134 121,67) e a máxima (134.963,84) da sessão, em que saiu de abertura aos 134.430,49 pontos. Ao fim, marcava leve alta de 0,17%, aos 134.666,46 pontos, com giro também enfraquecido, a R$ 16,2 bilhões, nesta quarta-feira. Na semana, o Ibovespa recua 1,23%, limitando o ganho do mês a 1,20%. No ano, sobe 11,96%.

Após perdas que chegaram na terça-feira à casa de 6% em Banco do Brasil ON, a recuperação no segmento nesta quarta-feira foi bem discreta, tendo Santander (Unit +2,08%) à frente entre as maiores instituições. BB ON subiu apenas 0,30% e Itaú PN, a principal ação do setor, ficou praticamente estável (+0,06%). Bradesco ON e PN fecharam o dia, pela ordem, em alta de 0,44% e 0,32%. BTG Pactual, por sua vez, cedeu 1,10%.

Na ponta ganhadora do Ibovespa, destaque para Pão de Açúcar (+8,62%), Ultrapar (+4,35%) e Auren (+4,05%). No lado oposto, Azzas (-3,42%), Marfrig (-3,16%) e Rumo (-3,11%). Entre as principais ações de commodities, Vale ON cedeu 0,45%, enquanto Petrobras avançou 0,83% na ON e 0,60% na PN, com o Brent e o WTI em alta na casa de 1,5% no fechamento de Londres e Nova York.

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