
O governo federal está enfrentando um cenário desafiador no Congresso Nacional ao tentar aprovar a isenção do Imposto de Renda para cidadãos que ganham até R$ 5.000 mensais. Embora o texto da proposta já esteja finalizado, a tramitação tem sido prejudicada por tensões políticas e a presença de outros projetos que ganharam prioridade, como a PEC da Anistia e a da Blindagem. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), comprometeu-se a pautar o texto na próxima semana, mas a incerteza sobre sua aprovação ainda paira no ar.
Em uma tentativa de acelerar o processo, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) decidiu pautar um projeto semelhante na Comissão de Assuntos Econômicos. Este projeto, proposto pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), também busca ajustar a tabela do IR. Braga expressou otimismo de que essa iniciativa possa impulsionar a tramitação da medida, ressaltando que, se aprovada, beneficiaria milhões de brasileiros. Ele afirma que, só em seu estado, mais de 1 milhão de trabalhadores poderiam ser positivamente impactados, recebendo o equivalente a um 14º salário.
Apesar de o movimento não ter sido diretamente incentivado pelo governo, o Palácio do Planalto não deve se opor à iniciativa de Calheiros e Braga. A administração federal acredita que essa ação pode ajudar a destravar a tramitação na Congresso, facilitando a aprovação da isenção do Imposto de Renda. O governo, no entanto, está atento à necessidade de compensar a perda de arrecadação que a medida traria.
Para equilibrar as contas públicas, o Palácio do Planalto planeja aumentar os impostos para aqueles que ganham mais de R$ 600 mil por ano. A expectativa é que, com a aprovação da isenção, muitos brasileiros experimentem um alívio financeiro significativo. Ao mesmo tempo, busca-se um equilíbrio fiscal por meio de ajustes tributários direcionados às faixas de renda mais altas, garantindo que a medida seja sustentável a longo prazo.
*Com informações de André Anelli
Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que o desempenho da indústria brasileira em agosto foi o pior registrado em uma década. Os dados indicam uma queda em três indicadores principais: produção, emprego e investimento.
De acordo com o levantamento, o índice de evolução da produção recuou para 47,2 pontos, um valor abaixo da linha de 50 pontos que separa a retração do crescimento. Este resultado superou o de 2015, sendo o pior em dez anos. O número de empregados no setor também caiu, atingindo 48,4 pontos, e os investimentos nas indústrias tiveram uma redução para 54,4 pontos.
O gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, apontou a alta taxa de juros como a principal causa da queda, impactando diretamente a demanda por produtos industriais e, por consequência, o nível de emprego.
*Com informações de Danúbia Braga

Empresas brasileiras que enfrentam dificuldades devido ao aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos agora têm a oportunidade de se inscrever para receber apoio financeiro do plano Brasil Soberano, que conta com um total de R$ 40 bilhões. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou que disponibilizará R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações e R$ 10 bilhões de recursos próprios para ajudar no financiamento de capital de giro e na adaptação das atividades produtivas.
Lançado em 13 de agosto, o plano Brasil Soberano destina-se a empresas exportadoras que estão lidando com tarifas de até 50% sobre seus produtos. Para que o crédito seja concedido, as empresas precisam garantir a manutenção de seus postos de trabalho, uma medida que visa proteger o emprego no setor.
Qualquer empresa, independentemente do seu porte, pode acessar os R$ 30 bilhões, desde que pelo menos 5% de seu faturamento bruto provenha de produtos que estão na lista de tarifas. Já os R$ 10 bilhões disponibilizados pelo BNDES podem ser acessados por empresas que enfrentam qualquer nível de impacto em suas receitas. Para obter os recursos, as empresas interessadas devem verificar sua elegibilidade no site do BNDES e realizar a autenticação na plataforma GOV.BR.
Um estudo realizado pela Amcham Brasil revelou que as exportações de produtos afetados pelo aumento das tarifas caíram 22,4% em agosto em relação ao mesmo mês do ano anterior. O tarifaço, que atinge cerca de 35,9% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, tem gerado preocupações no setor exportador.
O crescimento da produção pecuária no Brasil em 2024, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reacendeu o debate em Washington sobre o impacto das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump aos produtos brasileiros. Um projeto de lei foi apresentado no Senado dos EUA para derrubar o tarifaço de até 50% sobre importações, medida considerada nociva ao comércio bilateral.
Segundo os parlamentares americanos que defendem a proposta, o Brasil é um parceiro estratégico, com destaque para exportações de carnes, aves, ovos e café, produtos que abastecem o mercado dos Estados Unidos. Apenas em 2024, o País registrou recordes como 1,6 bilhão de aves comerciais e 5,4 bilhões de dúzias de ovos, consolidando-se como um dos maiores fornecedores mundiais.
A preocupação dos senadores é que tarifas mais altas encareçam a cadeia de suprimentos americana e aproximem ainda mais o Brasil da China, principal destino das exportações de carne bovina brasileira — que cresceram quase 27% no ano passado. “As tarifas de Trump são um imposto sobre o bolso do americano comum”, afirmaram os defensores do projeto.
A proposta, apoiada por democratas e republicanos, busca revogar a declaração de emergência nacional que embasou os aumentos tarifários. Para os senadores, a política comercial deve ser definida pelo Congresso e não utilizada como instrumento de pressão política pela Casa Branca.
O Brasil, que também bateu recorde na produção de leite (35,7 bilhões de litros) e viu o rebanho suíno chegar a 43,9 milhões de cabeças, aparece como peça central no mercado de alimentos. Por isso, os críticos alertam que manter o tarifaço pode prejudicar consumidores e empresas nos EUA, ao mesmo tempo em que limita o acesso a insumos essenciais.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou, nesta quarta-feira (17), que vai manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, estável em 15% ao ano. A decisão do colegiado foi unânime. Essa é a segunda reunião consecutiva em que a autarquia mantém o nível da Selic.
O colegiado justificou a medida com instabilidades no ambiente externo e com inflação acima da meta no Brasil. “O ambiente externo se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos. Consequentemente, o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos têm sido afetados, com reflexos nas condições financeiras globais”, diz em comunicado.
O Comitê explica que entende que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, declarou.
De setembro de 2024 até a reunião de junho deste ano, o BC aumentou a taxa em 4,50 pontos, o segundo maior ciclo de alta dos últimos 20 anos, perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.
Segundo o Copom, o cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. “O Comitê seguirá vigilante, avaliando se a manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, diz outro trecho do texto.
O Comitê disse, ainda, que as expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,8% e 4,3%, respectivamente. “A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,4% no cenário de referência”, informou.
Os seguintes membros do Comitê votaram na decisão desta quarta: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.
Apesar de todo o problema fiscal brasileiro, tarifas de 50% impostas por Donald Trump contra o país, e atritos políticos e jurídicos, o dólar ronda a casa de R$ 5,30. Enganam-se aqueles que acreditam que a queda da moeda norte-americana decorre do mérito do governo. Pelo contrário, o dólar cai em relação a várias moedas, e não somente ao real. Prova disso é que o índice dólar (DXY), que mede a variação da moeda americana contra uma cesta de moedas (euro, libra, iene, franco suíço e coroa sueca) caiu bastante recentemente.
O principal fator que explica a queda do dólar é a diminuição da taxa de juros nos EUA, com perspectivas de cortes adicionais ainda neste ano. Com isso, diminui o prêmio para investir na renda fixa americana, aumentando o incentivo para buscar mais retorno em outras economias – sejam eles em bolsa ou em juros.
Como a Selic está em 15% a.a, o Brasil se torna um paraíso de aplicações em renda fixa, atraindo uma série de investimentos estrangeiros, numa operação chamada de “carry trade” – ganho no diferencial de taxa de juros entre os países. Com a maior entrada de dólares no Brasil, o real valoriza.
Além do diferencial de taxa de juros e do fluxo de dólares, as expectativas macroeconômicas exercem um papal importante na cotação entre as moedas. Se o governo fizesse a sua parte, cortando gastos, certamente o dólar estaria abaixo de R$ 5,00.
A baixa participação de empresas alagoanas nas pesquisas econômicas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acende um alerta para possíveis impactos no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) no estado de Alagoas. A avaliação é do superintendente do IBGE em Alagoas, Alcides Tenório Júnior, que reforça a importância da colaboração empresarial para a construção de estatísticas econômicas mais precisas e representativas.
O prazo regular para o envio dos questionários termina em 29 de setembro, mas até o momento Alagoas registra apenas 55% de adesão — bem abaixo de estados como Minas Gerais, que já alcançou 96%. No Nordeste, o estado alagoano está à frente apenas do Maranhão em percentual de respostas.
“Responder ao IBGE não é apenas cumprir uma obrigação legal. É garantir que o estado de Alagoas seja visto pelo que realmente é: um estado que produz, gera emprego e tem potencial de crescer”, destaca Alcides.
Pesquisas são obrigatórias e impactam políticas públicas
As pesquisas realizadas pelo IBGE, como a Pesquisa Anual de Comércio (PAC), a Pesquisa Anual de Serviços (PAS) e a Pesquisa Industrial Anual (PIA-Empresa), são previstas em lei e fundamentais para compreender a estrutura produtiva do estado. Embora a ausência de resposta não inviabilize o cálculo do PIB — graças a procedimentos técnicos aplicados pelo instituto —, a falta de dados diretos reduz a precisão dos resultados.
"Quando as empresas colaboram, o retrato da economia alagoana se torna muito mais fiel, refletindo com clareza a real dimensão da produção, do emprego e da renda no estado", reforça o superintendente.
Multas e restrições para quem não colabora
Além de ser uma obrigação legal, o envio das informações garante às empresas acesso à Certidão de Quitação de Informações Estatísticas, documento necessário para diversas operações de crédito, como financiamentos da Sudene. Empresas que não prestam as informações ficam impedidas de acessar essas linhas de financiamento e podem ser multadas — as penalidades podem chegar a até 10 salários mínimos.
Contadores têm papel-chave no processo
Das 4.286 empresas selecionadas em Alagoas para responder às pesquisas este ano, a maioria conta com o apoio de escritórios de contabilidade para preencher os formulários. Por isso, o envolvimento desses profissionais é decisivo.
A presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Alagoas (CRC-AL), Adriana Araújo, reforça o papel estratégico da categoria:
“O trabalho dos profissionais da contabilidade é indispensável nesse processo. Quando o contador cumpre esse papel com precisão e no prazo, ele contribui diretamente para a valorização da economia alagoana e para a construção de políticas públicas mais adequadas. É um compromisso não apenas com a lei, mas com a sociedade”.
As parcerias do Brasil com novos mercados consumidores ajudaram o país a amenizar significativamente os impactos do tarifaço norte-americano no país. Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, isso foi reflexo de um trabalho preventivo e, também, das políticas públicas do governo federal voltadas a ajudar empresas e a manter empregos. Ele lembrou que, desde o início da atual gestão, o “feeling do presidente Lula” foi o da abertura de novos mercados, visando um portfólio maior – o que garantiu, ao Brasil, redirecionar parte da produção que, em função da tarifa de 50% imposta a produtos brasileiros, deixou de ser exportada aos EUA.
“Buscamos a reconexão do Brasil. Abrimos 437 novos mercados nesses dois anos e nove meses. Um recorde absoluto. Nunca tivemos tantas opções”, disse o ministro ao ressaltar que os esforços do governo continuam, na tentativa de rever a situação com os EUA.
“Isso fez com que o tarifaço dos EUA impactasse muito menos [do que era esperado]. Graças ao trabalho feito preventivamente, e intensificado agora, de aberturas de mercados; da procura e do restabelecimento de novas relações multilaterais”, acrescentou Fávaro que participou do programa Bom Dia, Ministro desta quarta-feira (17). Ele destacou alguns dos “vários acordos bilaterais” assinados recentemente com outros países; e os que estão para serem assinados, com o intuito de abrir outros grandes mercados. É o caso do acordo entre o Mercosul e a União Europeia que, segundo o ministro, está “na iminência de criar o maior bloco econômico do mundo”.
Fávaro citou, também entre as medidas que ajudam o Brasil a diversificar seus mercados, a intensificação das relações com os demais países que compõem o Brics; e o fortalecimento das relações com o Oriente médio e com o sudeste asiático.
O ministro lembrou que a estratégia do governo, de estar sempre aberto ao diálogo, vale tanto para o ambiente externo como o interno, no qual ouve reiteradamente empresários e sociedade civil, na busca por medidas e políticas públicas mais eficientes. Fávaro explica que empresas muito dependentes do mercado norte-americano já recebem “tratamento diferenciado e especial” do governo. “Estamos atentos para garantir a sobrevivência das empresas e dos empregos também”, disse.
“Isso tudo minimizou os impactos [do tarifaço no Brasil], mas eles existem. Criamos grandes alternativas, como a linha de financiamento de R$ 30 bilhões para as empresas mais afetadas, com juros bastante acessíveis. Teve o Reintegra especial, o ressarcimento de valores tributários pagos na exportação. E teve, ainda, as compras públicas, que foram ativadas. A União está comprando produtos que deixaram de ser exportados”, resumiu.
A inteligência artificial poderia aumentar o valor do comércio global em quase 40% até 2040, graças à redução de custos e ao aumento da produtividade, indicou nesta quarta-feira (17) a Organização Mundial do Comércio (OMC). Em seu último relatório anual sobre o comércio mundial, o organismo identificou a IA como um dos poucos pontos brilhantes em um sistema comercial global afetado por tarifas altas impostas pelos Estados Unidos aos seus parceiros. “A IA tem um grande potencial para impulsionar o comércio ao reduzir os custos comerciais e remodelar a produção de bens e serviços”, disse Ngozi Okonjo-Iweala, diretora da OMC, ao apresentar o relatório.
Segundo ela, as simulações da OMC sugerem que a IA poderia aumentar as exportações de bens e serviços em quase 40% acima das tendências atuais. No entanto, essa tecnologia ameaça perturbar os mercados de trabalho e a falta de políticas adequadas poderia fazer com que os países de renda mais baixa perdessem oportunidades. “Uma questão importante é se a IA aumentará as oportunidades para todos ou se aprofundará as desigualdades e exclusões existentes”, destacou Okonjo-Iweala. Se as economias de renda mais baixa não conseguirem fechar a lacuna digital, as projeções da OMC limitam a um aumento de 8% nos seus benefícios até 2040, bem abaixo dos 14% estimados para aquelas de renda mais alta.
No entanto, se reduzirem a lacuna de infraestrutura digital em 50% e adotarem a IA de forma mais generalizada, poderiam igualar os ganhos dos países de maior renda. “Com a combinação adequada de comércio, investimento e políticas complementares, a IA pode criar novas oportunidades de crescimento em todas as economias”, afirmou a líder da OMC. Por outro lado, o organismo internacional destacou que os países estão aplicando mais restrições ao comércio de bens relacionados à IA. Em 2024, quase 500 restrições estavam em vigor, principalmente por parte de economias de renda média e alta, enquanto em 2012 havia apenas 130.
O Banco Central divulgou que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) apresentou uma queda de 0,53% em julho, em comparação ao mês anterior. Em junho, o índice já havia registrado uma diminuição de 0,25%. O resultado de julho ficou aquém da expectativa da Reuters, que previa uma retração de 0,20%.
Analisando os componentes do IBC-Br, o índice que exclui a agropecuária teve uma redução de 0,43%, após uma leve queda de 0,09% em junho. O setor agropecuário, por sua vez, enfrentou um recuo de 0,81%. Os dados também mostram que o índice de serviços caiu 0,19%, enquanto a indústria teve uma queda mais acentuada de 1,07%. O segmento de impostos também apresentou uma diminuição de 0,69%.
Em relação ao mesmo mês do ano anterior, julho de 2024, o IBC-Br totalizou um crescimento de 1,15%, embora esse número também tenha ficado abaixo da mediana das projeções, que era de 1,50%. O índice que exclui a agropecuária avançou 1,01%, enquanto o setor agropecuário registrou um aumento de 3,48%.
Os dados referentes aos serviços mostraram um crescimento de 1,57%, e a indústria teve um avanço mais modesto de 0,41%. No entanto, o índice de impostos apresentou uma queda de 0,36% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O mercado financeiro ajustou levemente para baixo a estimativa de inflação em 2025, segundo o Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central. A projeção para o IPCA passou de 4,85% para 4,83%, ainda acima do teto da meta de 4,5%. Para 2026, a previsão se manteve em 4,30%, enquanto para 2027 recuou de 3,93% para 3,90%. Já a de 2028 ficou estável em 3,70%. Desde o início de 2025, o sistema de metas de inflação passou a ser contínuo, considerando o IPCA acumulado em 12 meses. O objetivo central é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Caso a taxa fique fora do intervalo por seis meses consecutivos, o Banco Central é obrigado a enviar uma carta pública ao ministro da Fazenda explicando o descumprimento, como ocorreu em julho. Entre os fatores que pressionaram os preços acima do teto neste ano estão câmbio, custos de energia e efeitos climáticos. O BC, no entanto, projeta inflação de 4,9% em 2025 e de 3,6% em 2026. No horizonte relevante — o primeiro trimestre de 2027 — espera 3,4%.
A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 permaneceu em 2,16%. Para 2026, a estimativa caiu de 1,85% para 1,80% e, para 2027, subiu de 1,88% para 1,90%. Em 2028, segue em 2,0% pela 79ª semana consecutiva.
Já a taxa Selic foi mantida em 15% ao ano, nível estável pela 12ª semana seguida. O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) sinalizou cautela, afirmando que manterá os juros em patamar elevado por um período “prolongado” para avaliar se a política é suficiente para levar a inflação à meta. A projeção do mercado para 2026 caiu de 12,50% para 12,38%, enquanto para 2027 e 2028 segue em 10,50% e 10,0%, respectivamente.
O Focus também trouxe recuo na expectativa para o dólar no fim de 2025, de R$ 5,55 para R$ 5,50. Para 2026 e 2027, a projeção permanece em R$ 5,60 e, para 2028, recuou de R$ 5,56 para R$ 5,54.
Na balança comercial, o superávit estimado para 2025 caiu de US$ 65 bilhões para US$ 64,8 bilhões. Para 2026, recuou de US$ 69 bilhões para US$ 68,4 bilhões. Já a previsão para investimentos estrangeiros diretos se manteve em US$ 70 bilhões tanto em 2025 quanto em 2026.
A disputa em torno da anistia virou o principal foco de tensão no Congresso e atrasou a votação de medidas econômicas importantes para o governo. Entre as pautas paradas, estão as mudanças na aposentadoria dos militares e a regulamentação da reforma tributária.
A saída do União Brasil e do PP do governo pode dificultar a aprovação de propostas prioritárias pelo Planalto.
Ministros como Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esporte) podem deixar o governo, mas os cargos do segundo escalão indicados pelo deputado Arthur Lira (PP-AL) e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), devem permanecer. Dessa forma, os partidos conseguem apoiar a anistia sem comprometer a base governista.
O segundo projeto que regulamenta a reforma tributária foi aprovado pela Câmara em agosto de 2024. A análise da proposta que define as regras do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) só foi retomada no Senado mais de um ano depois.
O texto do relator, Eduardo Braga (MDB-AM), está previsto para votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 17 de setembro.
Outro projeto que ficou para trás é o que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil. O requerimento de urgência – que permite a análise direta em plenário – foi aprovado em 21 de agosto, apesar da resistência do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).
Ainda não há data para a votação do mérito da proposta. O principal impasse é a forma de compensar a renúncia fiscal para o governo.
O ponto que enfrenta maior resistência entre os parlamentares é a taxação dos super-ricos, com alíquota linear de até 10% para rendas a partir de R$ 50 mil por mês (R$ 600 mil anuais, incluindo dividendos). Para quem recebe mais de R$ 1,2 milhão ao ano, a alíquota máxima também foi mantida em 10%, conforme a proposta original do governo.
A agência de classificação de risco Moody’s alertou neste sábado (13), que novas sanções dos Estados Unidos ao Brasil, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), podem vir na forma de reversão das isenções concedidas a produtos brasileiros.
Setores como o de exportações de aeronaves, petróleo e suco de fruta, que hoje figuram na lista de exceções tarifárias, são os mais vulneráveis, enquanto os bancos brasileiros também poderiam ser atingidos por eventuais medidas. Outro risco está no setor financeiro, que representa 22% do investimento estrangeiro direto dos EUA no Brasil.
O Brasil tem rating de ‘Ba1’ pela Moody’s, um degrau abaixo do grau de investimento na classificação da agência. Em maio deste ano, a classificadora mudou a perspectiva da nota brasileira de positiva para estável, prevendo um prazo maior para a consolidação fiscal no Brasil.
O Banco Central anunciou uma iniciativa com o objetivo de aumentar a segurança do Sistema Financeiro Nacional. A partir de agora, as instituições financeiras são obrigadas a recusar transações que envolvam contas que apresentem “fundada suspeita” de fraude. Determinação visa proteger os consumidores e garantir a integridade das operações financeiras.
Para determinar o que constitui uma “fundada suspeita”, as instituições devem levar em conta uma variedade de informações. Isso inclui dados provenientes de sistemas eletrônicos, além de informações de bases de dados tanto públicas quanto privadas. Essa abordagem abrangente busca minimizar os riscos de fraudes no sistema. Além disso, as instituições financeiras têm a responsabilidade de informar os titulares das contas sobre quaisquer ações que tenham sido tomadas em resposta a suspeitas de fraude.
A nova regra se aplica a diferentes tipos de contas, incluindo contas de depósitos à vista, contas de poupança e contas de pagamento pré-pagas. A implementação da medida é imediata, mas as instituições têm até o dia 13 de outubro para ajustar seus sistemas e processos a essa nova exigência.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou estar disposto a impor “sanções severas” contra a Rússia, mas condicionou a medida ao apoio integral dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Em uma carta divulgada neste sábado (13), por meio da sua rede social, a Truth Social, Trump criticou a compra de petróleo russo por alguns aliados e sugeriu tarifas elevadas contra a China como forma de acelerar o fim da guerra na Ucrânia.
Segundo Trump, as compras de petróleo russo por países da Otan “enfraquecem enormemente” a posição de negociação do bloco. Ele declarou que só adotará novas sanções se todos os membros pararem de importar energia da Rússia e aplicarem tarifas de 50% a 100% sobre produtos chineses.
“Estou pronto para impor sanções severas à Rússia quando todas as nações da OTAN tiverem concordado e começado a fazer o mesmo, e quando todas as nações da OTAN PARAREM DE COMPRAR PETRÓLEO DA RÚSSIA”, disse o presidente norte-americano.
“Como vocês sabem, o compromisso da OTAN com a VITÓRIA tem sido muito menos que 100%, e a compra de petróleo russo, por alguns, tem sido chocante! Isso enfraquece enormemente sua posição de negociação e poder de barganha sobre a Rússia”, completou Trump.
Ele disse que poderia acabar com a guerra em 24 horas. Depois, enquanto negociava com a Rússia, ameaçou cortar o fornecimento de armas à Ucrânia. Em julho, sinalizou um novo entusiasmo em apoiar os ucranianos.
Trump já chamou Vladimir Putin de “gênio”, enquanto culpava a Ucrânia pela guerra e humilhava seu presidente diante da imprensa mundial. Depois de uma reunião com o chefe da Otan em 14 de julho, Trump disse estar “decepcionado” com o líder russo, que ignorou seus apelos pela paz, enviou mais soldados para o campo de batalha e lançou uma chuva de mísseis sobre as cidades ucranianas.
Na sequência, Trump deu um ultimato de 50 dias para a Rússia encerrar os combates ou enfrentar punições econômicas, com os Estados Unidos, impondo tarifas secundárias a qualquer país que comprar produtos russos, principalmente petróleo.
A inflação nos Estados Unidos acelerou em agosto, chegando a 2,9%, seu nível mais alto desde janeiro, segundo dados oficiais publicados nesta quinta-feira (11), embora analistas acreditem ser pouco provável que isto impeça que o Federal Reserve reduza as taxas de juros. O índice de preços ao consumidor (IPC) subiu para 2,9%, frente aos 2,7% de julho na medição em 12 meses, segundo o Departamento do Trabalho, à medida que as tarifas aduaneiras do presidente Donald Trump impactam a maior economia do mundo.
O número está alinhado com as expectativas dos analistas, e os economistas tentam avaliar se as taxações de Trump provocarão um aumento pontual dos preços ou levarão a custos persistentemente mais altos. Em termos mensais, o IPC subiu 0,4% em agosto, segundo o relatório, frente a 0,2% em julho. O indicador de inflação subjacente, que exclui os componentes voláteis de alimentos e energia, aumentou 3,1% em 12 meses.
A porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI), Julie Kozack, disse a jornalistas, nesta quinta-feira (11), que “algumas tensões começam a aparecer” na economia americana, com uma diminuição da demanda e uma desaceleração no crescimento do emprego. “Há margem para que o Fed comece a reduzir as taxas de política” monetária, acrescentou durante uma coletiva de imprensa, destacando os riscos que pesam sobre o mercado de trabalho.
A próxima reunião sobre política monetária do Fed está prevista para a semana que vem, na terça e na quarta-feira (16 e 17 de setembro), e os operadores antecipam que o BC americano reduzirá a taxa de juros de referência em 25 pontos-base. Este seria seu primeiro corte dos juros desde dezembro, após meses de pressão do presidente Donald Trump. As autoridades mantiveram os juros inalterados este ano entre 4,25% e 4,50%, enquanto monitoravam os efeitos das tarifas aduaneiras sobre a inflação.
No entanto, diante do enfraquecimento do emprego, Bostjancic afirmou que os dirigentes do Fed estão se concentrando mais na preocupação com uma desaceleração do mercado de trabalho. Como resultado, a instituição financeira poderia se inclinar a reduzir os juros para impulsionar a economia, em vez de mantê-las em um nível mais alto, priorizando o combate à inflação. O aumento do IPC em agosto ocorreu simultaneamente à elevação dos preços dos alimentos, da energia e da moradia.
Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro, Trump impôs uma tarifa alfandegária de 10% a quase todos os seus parceiros comerciais e taxações ainda mais altas que impactaram dezenas de economias. Ele também aplicou tarifas mais elevadas às importações de setores específicos, como o aço, o alumínio e os automóveis. Os economistas advertem que o efeito acumulado demorará a chegar aos consumidores, já que muitas empresas ampliaram seus estoques antecipando o período de vigência das tarifas, o que permitiu evitar aumentos imediatos dos preços.
